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Posted on 03-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-03-2020

Apesar da retroescavadeira dos Gomes

Como registramos, Sergio Moro disse hoje que “apesar dos Gomes, a crise (no Ceará) foi resolvida”, ao comentar o fim do motim dos policiais militares cearenses. Ciro respondeu que Moro era “um capanga de miliciano”.

Já que a esquerda oligárquica conta com o fato de o Brasil esquecer a cada 15 minutos o que ocorreu nos últimos 15 minutos, vale a pena ler o artigo que Mario Sabino publicou na Crusoé, em 21 de fevereiro, intitulado “A política da retrosescavadeira”.

Eis a íntegra:

“Espero que o senador Cid Gomes recupere-se integralmente dos ferimentos causados pelos dois tiros que o atingiram, nesta terça-feira, em Sobral, no Ceará. O autor dos tiros, ao que tudo indica, foi um policial grevista que bloqueava a entrada do quartel da Polícia Militar, juntamente com dezenas de colegas e seus familiares. Os policiais cruzaram os braços porque querem aumento salarial. Greve de polícia é, por si só, ilegal. Policial grevista é considerado amotinado. E quando integrantes de uma força policial em greve percorrem a cidade, mascarados, impondo toque de recolher — bem, aí a ilegalidade decuplica.

Cid Gomes não estava passando por acaso pelo local e, do nada, resolveu entrar na confusão. O senador foi por vontade própria para a frente do quartel. Aparentemente, para negociar. A negociação foi bastante peculiar. Num vídeo de celular, vê-se que, de posse de um megafone, próximo ao portão de metal atrás da qual estavam os policiais que bloqueavam a entrada do quartel, Cid Gomes deu um ultimato:

“É ilegal. Vocês têm cinco minutos, nem um a mais, para pegarem seus parentes, suas esposas, os seus filhos, e saírem daqui em paz.”

Diante do ultimato, um dos grevistas lhe disse:

“Você não tem autoridade para fazer isso.”

O senador retrucou:

“E você está preso.”

Concomitantemente, Cid Gomes agarrou e puxou o braço do policial que lhe respondera que ele não tinha autoridade para dar ulltimato. O agarrado e puxado tentou desvencilhar-se, exigindo que o senador o soltasse. Veio, então, outro policial, que desferiu um soco na cara de Cid Gomes. O senador soltou o braço do colega do pugilista.

O que fez, então, El Cid Gomes? Dirigiu-se a uma retroescavadeira trazida ali, subiu na cabine, ligou o motor e avançou contra o portão de metal que o separava dos policiais grevistas. Gritaria amplificada, ele empurrou a barreira com a máquina pesada e derrubou-a sobre os policiais que estavam na linha de frente do bloqueio. No vídeo que viralizou, vê-se que pelo menos duas pessoas em trajes civis tentaram impedir o senador de prosseguir na investida. Ato contínuo, tiros foram ouvidos, disparados do lado de lá do portão em direção ao vidro da frente da retroescavadeira. “Mataram o Cid”, alguém gritou. Apesar de ferido, ele saiu da cena andando, foi levado para um hospital e, até o momento em que escrevo este artigo, recuperava-se sem maiores problemas.

Divulgada a notícia, ainda quando se pensava que Cid Gomes havia sido alvejado por uma bala de borracha, o deputado Eduardo Bolsonaro tuitou:

“Tenta invadir o batalhão com uma retroescavadeira e é alvejado com um bala de borracha. É inacreditável que um Senador da República lance mão de um atitude insensata como essa, expondo militares e familiares a um risco desnecessário em um momento já delicado.”

Também pelo Twitter, Ciro Gomes, irmão de Cid, respondeu:

“Será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua família fizeram com o Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo que o debate político brasileiro já exalava o seu costumeiro alto nível, o governo federal enviou a Força Nacional ao Ceará, para tentar pacificar os ânimos e providenciar segurança à população aterrorizada por criminosos num estado sem policiamento.

Como jornalista, eu me senti obrigado a meter a minha colher torta. Publiquei três tuítes, dos quais o último foi o seguinte:

“Vou ter de desenhar para alguns comentaristas: as pessoas têm de tomar banho, escovar os dentes, cortar as unhas e não podem avançar sobre ninguém com uma retroescavadeira, sejam eles grevistas, milicianos, traficantes, torcedores, direitistas, esquerdistas ou isentões. Capito?”

Achei por bem concentrar a minha modesta participação na retroescavadeira porque a indignação na imprensa pendia mais para os tiros do que para a política da máquina pesada. Tiro é tiro, compreendo, mas era necessário equilibrar um pouco a balança, sem dar razão a quem atirou. Obviamente, houve quem pusesse a culpa em Jair Bolsonaro, que teria “empoderado” indevidamente policiais em todo o país — e o presidente da República deve estar se coçando para dizer uma enormidade sobre o episódio, se é que já não disse, conforme o seu padrão de dar sempre justificativas ao adversário. O “empoderamento” é de cangaceiro cearense para cangaceiro cearense já faz tempo. Afirmaram também que o autor dos disparos não queria somente dar um susto, mas matar o senador, visto que atirou no peito, não nos braços ou nas pernas de Cid Gomes. Suponho que seja impossível mirar a alguma distância, de frente, as pernas de um sujeito que está sentado dentro da cabine de uma retroescavadeira, mas não sou perito em tiro. Quase nenhum jornalista é, embora estranhamente abundem opiniões sobre o assunto em jornais. O fato é que um projétil ricocheteou na clavícula do senador. O outro teria perfurado o seu pulmão esquerdo. É o que foi divulgado até este instante. Se o atirador queria matar, não conseguiu, ainda bem, outra prova de que os nossos policiais são treinados mesmo é para atirar à queima-roupa.

Espero que uma investigação rigorosa seja conduzida e o autor dos disparos, punido exemplarmente, se a Justiça o julgar culpado. Assim como as pessoas têm de tomar banho, escovar os dentes e cortar as unhas, elas não podem sacar uma arma e atirar em outra, a menos que seja numa situação extrema. Alguns argumentam que, no caso do episódio em Sobral, o atirador agiu em legítima defesa dele próprio e dos seus pares e respectivos familiares, mas algo me diz que essa visão não vingaria no Principado dos Gomes mesmo se fosse ululante.

Para que se obtenha um quadro completo da ocorrência, seria preciso que a investigação rigorosa respondesse a algumas questões sobre Cid Gomes. A primeira: ele tem licença para operar uma retroescavadeira? Máquinas pesadas requerem mais do que uma carteira de habilitação comum. A segunda: qual era o teor alcoólico no sangue do senador no momento em que ele avançou com a retroescavadeira contra a massa de policiais e seus familiares? A terceira: usar uma retroescavadeira dessa forma configura que tipo de crime? Se for o de tentativa de homicídio, o atirador até poderá alegar legítima defesa, embora a relação possa não ser assim tão automática. A quarta questão: não seria o caso de submeter o senador a um teste de sanidade mental? Não parece sinal de equilíbrio psíquico lançar mão de uma retroescavadeira para provocar dezenas de policiais armados.

Enquanto aguardo o resultado da investigação rigorosa (uma tradição nacional), sigo tentando evitar ir a Sobral. Um integrante da família Gomes — não me lembro qual deles, são tantos — abriu um processo contra mim por causa de uma nota em O Antagonista— não sei qual delas, são tantas — e quer que eu compareça diante de um juiz da cidade em que os Gomes acham que podem dar ultimato, prender na base do grito e avançar com uma retroescavadeira contra quem não lhes obedeça.”

“Samba do Avião, Tim Maia com Os Cariocas: A Cidade Maravilhosa celebrou 455 anos de fundação domingo passado, 1º de março, sob águas tempestuosas de uma nova enchente, com inundações, desabamentos e mortes. Aqui vai o tributo do BP no aniversário do Rio, que é forte e resistirá maiis uma vez.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 DO EL PAÍS

Governador Camilo Santana agradece Exército sem citar presidente. Coronel diretor da Força Nacional, casado com bolsonarista, elogia amotinados. Ausência de condenação de ministro e presidente a greve ilegal foi lida como apoio tácito

 Beatriz Jucá
Ministros Sérgio Moro e Fernando Azevedo sobrevoam a capital cearense.
Ministros Sérgio Moro e Fernando Azevedo sobrevoam a capital cearense.Alexandre Manfrim

A guerra política desenhada durante a crise de segurança do Ceará permanece latente nos bastidores, mesmo depois que policiais militares decidiram encerrar o motim no Estado no domingo. Enquanto agentes de segurança retomavam suas atividades após uma paralisação de 13 dias ?período no qual o número de homicídios triplicou no Estado, tornando o mês de fevereiro o mais violento dos últimos dois anos no Ceará?, o ex-presidenciável Ciro Gomes, o ministro Sergio Moro e até o presidente Jair Bolsonaro trocavam alfinetadas públicas e reivindicavam a paternidade do fim do impasse. A crise já vinha sendo explorada exaustivamente por políticos locais e nacionais nas últimas semanas, e a queda de braço travada na seara da disputa política entre eles movia diretamente o tabuleiro de decisões tomadas dentro dos quartéis.

Ciro Gomes vinha subindo o tom contra o presidente Jair Bolsonaro desde o ápice de tensão da crise, quando seu irmão, o senador Cid Gomes, acabou baleado ao tentar invadir um quartel com uma retroescavadeira para barrar o movimento. Verborrágico, Ciro passou a chamar o presidente diretamente de “miliciano” e “canalha-mor”. Viu no episódio uma oportunidade de também ganhar espaço como voz antagonista ao bolsonarismo. Ao comemorar a assinatura do acordo com policiais amotinados nesta segunda-feira, provocou o ministro Sergio Moro. “Aprende, Bolsonaro e seu capanga Moro: no Ceará está o seu pior pesadelo! Generais, aqui manda a Lei!”, publicou no Twitter.

Do Jornal do Brasil

 

CadernoB

Editado pela Cepe e escrito pelos jornalistas Ana Farache e Paulo Cunha, livro revela textos e imagens inéditas

A biografia de um dos mais notáveis jornalistas brasileiros, referência para gerações de profissionais e que também deu considerável colaboração à produção cinematográfica pernambucana será lançada hoje (3) na livraria Travessa, no Leblon. O livro “Geneton, Viver de Ver o Verde Mar”, escrito pelos jornalistas Ana Farache e Paulo Cunha, é resultado de um intenso trabalho de pesquisa realizado ao longo de dois anos, e que contou com a participação direta da família e de dezenas de amigos que o recifense Geneton (1956-2016) cativou ao longo de sua vida. 

Macaque in the trees
A capa do livro (Foto: Divulgação)
   

Em 246 páginas, o livro revela a vida e a trajetória de sucesso do escritor, jornalista e cineasta. Um mosaico composto por mais de 60 fotos, memórias do arquivo pessoal, documentos garimpados, além de quase 70 depoimentos de amigos e colegas de trabalho. Fotos e textos inéditos – como os produzidos por Geneton para o seu diário pessoal entre os anos de 1977 e 1985 – estão entre as boas surpresas.

Paixão e inquietude alimentaram boa parte dos pródigos 60 anos de vida de Geneton Moraes Neto – que começou a trabalhar aos 14 anos como colaborador do suplemento infantil do “Diario de Pernambuco”, passando a repórter profissional dois anos depois, acumulando entrevistas com nomes estelares como Caetano Veloso (que o considerava “o meu jornalista”), Gal Costa, Jards Macalé, Carlos Imperial, Nelson Ferreira dos Santos, entre outros. Aos 19 anos, já integrava a equipe da sucursal do jornal “O Estado de São Paulo” no Recife, e de lá partiu para ocupar redações de jornais e televisões nacionais e de fora do país. Ele foi diretor do “Fantástico”, da TV Globo.

Macaque in the trees
Entrevistando Woody Allen (Foto: Divulgação)

Geneton admitia fazer parte do “Partido dos Perguntadores do Brasil”, e esperava contribuir para a memória coletiva com o seu jornalismo. “Vivo dizendo que produzir memória é uma das (poucas) coisas realmente úteis que o jornalismo pode fazer”, lembrava. Essa determinação resultou em produções memoráveis, como as entrevistas realizadas com Theodore van Kirk (o navegador do avião que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima), Eva Schloss (sobrevivente de Auschwitz), Yoko Ono, Pete Best (primeiro baterista dos Beatles), Desmond Tutu, Eugene Cernan (o homem que bateu o recorde de permanência na Lua), Woody Allen,José Saramago, Jorge Amado, Millôr Fernandes, entre muitos.

Macaque in the trees
Caetano Veloso chamava Geneton de meu jornalista (Foto: Divulgação)
Macaque in the trees
Geneton com Yoko Ono (Foto: Divulgação)

“Viver de Ver o Verde Mar” (verso de um de seus muitos poemas) fala ainda da família, da sua relação com a música, a produção cinematográfica, do tempo em que morou na Europa – para estudar cinema e trabalhando como camareiro de hotel e motorista de família rica – e de sua vontade de mudar (“tempos medíocres, hora de mudar. Encarar o cinema de uma vez, projeto tantas vezes adiado”) .

Geneton morreu no dia 22 de agosto de 2016. As cinzas do seu corpo foram jogadas no mar da praia de Pau Amarelo, no dia 24 de setembro daquele mesmo ano. 

SERVIÇO: Lançamento do livro “Geneton, Viver de Ver o Verde Mar” / Quando: 3 de março de 2020 / Horário: 19h / Onde: Livraria Travessa do Shopping Leblon / Endereço: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon / Preço do livro: 50,00 (impresso) e R$ 15,00 (e-book) / Haverá bate-papo com os autores.

 

Por João Pedro Godoy, G1MS

Agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo tem doença mental, dizem peritos da Justiça — Foto: Reprodução/JN Agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo tem doença mental, dizem peritos da Justiça — Foto: Reprodução/JN

Agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo tem doença mental, dizem peritos da Justiça — Foto: Reprodução/JN

 

O juiz Dalton Igor Kita Conrado, da 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande (MS), determinou a transferência de Adélio Bispo, preso por esfaquear o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, para o juízo de origem, a 3ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de Juiz de Fora (MG), em até 30 dias.

Na decisão, o juiz recusou o pedido da Vara Criminal do município mineiro para a permanência de Adélio em Campo Grande, para onde ele foi transferido no dia 8 de setembro de 2018, dois dias após o atentado. De acordo com o documento, o condenado pelo ataque ao presidente é inimputável, ou seja, não pode ser punido criminalmente.

Adélio Bispo foi diagnosticado com Transtorno Delirante Persistente em maio do ano passado. Por isso, conforme a decisão, ele não deve permanecer em um presídio que é destinado apenas para encarceramento de pessoas, sem espaço ou estrutura para o tratamento adequado. O magistrado não cita, na decisão, o pedido do Ministério Público para a transferência de Adélio, feito há cerca de duas semanas.

Ainda no documento, Conrado cita que o autor da facada em Bolsonaro deve ser internado em local apropriado ao cumprimento da medida de segurança, com aparatos e medicamentos necessários, mencionando também que a permanência em presídio federal poderia, inclusive, acarretar o agravamento do quadro de saúde de Adélio.

O ofício da decisão também foi expedido ao Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), para a autorização do recolhimento de Adélio nas celas mantidas pela Polícia Federal nos aeroportos ou proximidades dos aeroportos durante o período de traslado do preso.

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Sponholz, no

 

DO EL PAÍS

Veterano esquerdista se mantém em primeiro nas pesquisas na chegada à decisiva Superterça

Bernie Sanders durante um comício em Los Angeles.
Bernie Sanders durante um comício em Los Angeles.Brian Cahn/ZUMA Wire/dpa / Brian Cahn

As primárias democratas deram uma guinada crucial apenas um dia antes da realização do dia D da disputa, a Superterça, quando se acumulam até 16 votações, entre elas, as dos dois Estados mais populosos, Califórnia e Texas. A retirada de Tom Steyer, Pete Buttigieg e Amy Klobuchar, anunciadas nos últimos três dias, reduz o número de aspirantes considerados moderados na disputa pela candidatura para 2020, o que pode favorecer Joe Biden e complicar a vida do senador esquerdista Bernie Sanders, líder inconteste graças em boa parte à disseminação do voto mais centrista.

As primárias democratas para eleger o candidato às presidenciais lembraram até agora, em muitos aspectos, as republicanas de 2016, que chegaram a contar com 16 concorrentes. Nesse ano, um aspirante heterodoxo e que confrontava o establishment republicano, Donald Trump, enfrentava uma lista de nomes mais ou menos conservadores, mas tradicionais homens de partido. Entre eles, havia um pré-candidato dinástico que parecia idôneo à disputa, Jeb Bush, mas murchou quando começaram as votações reais. Do outro lado ideológico e de temperamento, algo parecido ocorreu com Sanders e o partido democrata nas primárias.

Tudo o que resta à direita do veterano Bernie Sanders, independente e socialista declarado em um país que costuma associar esse termo ao comunismo, e da senadora Elizabeth Warren, se considera voto moderado e este ficou diluído entre tantos concorrentes ?quase 20 em determinado momento? que a corrida de Sanders ganhou uma força formidável. Os pesos pesados do partido democratas entraram em pânico. Com Biden, o Jeb Bush de 2020, derrapando nas primeiras rodadas, temem que um político tão escorado à esquerda possa não só favorecer a reeleição de Trump em novembro, como também provocar a perda de cadeira no Congresso, que se renova parcialmente em novembro.

Dessa forma, à medida que as votações avançaram (Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul) aumentou a pressão para que os candidatos considerados moderados e sem possibilidades claras de ganhar ?a maioria? se colocassem de lado e fortalecessem a alternativa centrista do vice-presidente da era Obama.

Klobuchar, a senadora de Minnesota, tinha previsto formalizar sua retirada em um comício em Dallas na segunda-feira à noite, mas fontes de sua campanha já adiantaram a decisão pouco depois do meio-dia e acrescentaram, além disso, que daria seu apoio a Biden. Buttigieg, que anunciou seu adeus no domingo, não tornou púbico seu apoio a nenhum pré-candidato na disputa, ainda que a mensagem de despedida tenha deixado claro sua postura a favor de uma opção moderada que una norte-americanos de diferentes vertentes políticas.

“O objetivo dessa campanha era unificar os americanos para derrotar Donald Trump”, frisou Buttigieg aos seus seguidores, e pediu “responsabilidade” ao restante. “Precisamos de liderança para curar uma nação dividida, não para nos separar ainda mais”, acrescentou, em uma linha semelhante ao que defendeu durante sua campanha, principalmente nos últimos meses, referindo-se diretamente a Sanders.

Klobuchar, que se postulava com a bandeira do pragmatismo e os bons resultados, não chegou a obter um número significativo de delegados nas quatro primeiras rodadas das primárias ?seu melhor resultado foi New Hampshire, onde ficou em terceiro?. Buttigieg, entretanto, ganhou em Iowa, ficou em segundo em New Hampshire, e já fez história: não só por ser o mais jovem da corrida (38 anos), e o primeiro pré-candidato abertamente homossexual, como porque com a escassa experiência política da prefeitura de South Bend, uma cidade de 100.000 habitantes em Indiana, se colocou na dianteira.

O ponto agora é para onde irão seus votos. Não é certeza de que irão para Biden, assim como que a operação para deter Sanders dará resultado. Em algumas pesquisas sobre preferências de segundas opções, os seguidores de Buttigieg diziam Sanders, em outras, Biden. Os de Klobuchar parecem de fato mais orientados a Biden. A consolidação em nomes, de qualquer modo, tem um prejudicado concreto: Sanders. Mas o senador chega com muita força em rodadas importantes como a da Califórnia, o Estado mais populoso e que distribui até 415 delegados, no qual supera 30% nas pesquisas. Elizabeth Warren não conseguiu fazer-lhe sombra no lado esquerdista.

Biden chega fortalecido ?quase ressuscitado? após sua acachapante vitória na Carolina do Sul no sábado, mas enfrenta agora um duro competidor da ala moderada, o multimilionário Mike Bloomberg, que chega à Superterça em terceiro nas pesquisas e com um investimento publicitário acumulado de 500 milhões de dólares (2,23 bilhões de reais), mais do que os outros rivais juntos. Decidiu concorrer muito tarde, em novembro, para deter a onda esquerdista de Sanders, mas sua retirada de votos de Biden pode acabar beneficiando o senador de Vermont. Além de Sanders, Biden, Bloomberg e Warren continua na disputa a congressista pelo Havaí Tulsi Gabbard, a mais peculiar dos concorrentes, que acusou seu partido de corromper as primárias e recebeu os cumprimentos da extrema direita.

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