DO EL PAÍS

Após sete horas de negociação, policiais abrem mão de pedido de anistia, ponto central do motim

Soldados das Forças Armadas patrulham Fortaleza.
Soldados das Forças Armadas patrulham Fortaleza.Jarbas Vasconcelos / EFE

O clima entre os policiais era de tensão. Estavam divididos porque parte deles temia sofrer represálias pela participação na greve ilegal. Policiais também reclamavam de companheiros que acompanhavam as negociações de casa e não do batalhão, o que teria tirado forças do movimento. “Se estivessem aqui, a gente teria como ficar muito mais tempo”, afirmou um dos grevistas. A adesão vinha diminuindo desde que o governador Camilo Santana começou a instaurar procedimentos para punir os amotinados. Mais de 200 policiais foram afastados de suas funções. E outros 43 foram presos por não se apresentarem ao trabalho na operação de Carnaval. Eles continuaram detidos por decisão judicial da última sexta-feira, que converteu em preventiva a prisão em flagrante. Na noite deste domingo, lideranças representantes dos policiais em greve pediam que dessem um “voto de confiança”, pois autoridades haviam prometido rever os processos administrativos caso a caso, e as punições devem ser mais brandas.

O impasse sobre o descontentamento dos policiais com seus salários e suas escalas de trabalho começou no final do ano passado. O governador chegou a prometer acatar algumas das reivindicações e algumas associações ligadas aos policiais aceitaram um acordo, mas parte da base o rejeitou e se rebelou. Desde então, um clima de insegurança se apoderou do Estado. Mais de 200 homicídios foram contabilizados desde o início da paralisação. Soldados do Exército Brasileiro auxiliavam a segurança no Estado.

A greve de policiais militares no Ceará ganhou os holofotes de todo o país pelo receio de que a crise local provocasse um efeito dominó violento no restante do país, em um contexto no qual outros estados já receberam demandas desses trabalhadores, que têm porte de armas de fogo e são proibidos por lei de fazer greve. A crise de segurança cearense também expôs um xadrez de políticos locais e nacionais. As declarações do presidente Jair Bolsonaro de que a presença do Exército não seria permanente no Estado e que caberia ao governador Camilo Santana resolver o problema foram vistas por policiais aquartelados ouvidos pelo EL PAÍS como uma mensagem de apoio ao movimento. Nos bastidores, representantes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso atuaram para garantir as forças nacionais. Antes, governadores de outros estados já haviam disponibilizado enviar policiais caso o presidente não renovasse a Garantia de Lei e Ordem, dispositivo que permite o auxílio do Exército na segurança pública.

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