Resultado de imagem para Moro em Fortaleza no carnaval

Moro no Ceará: “precisamos botar a cabeça no lugar”.

Resultado de imagem para Moro em Fortaleza e Maia em Paris no carnaval

Maia em Paris no carnaval: fantasia de “primeiro-ministro”

ARTIGO DA SEMANA

 
Moro em Fortaleza, Maia em Paris

Vitor Hugo Soares

As falas, estratégias políticas e o destino do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, nunca bateram bem com os pensamentos e atos do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Desde que o samba é samba é assim  – ou para ser mais exato, desde que o projeto anticrime do ex-juiz condutor da Lava Jato chegou ao Congresso no começo do governo. Isto ficou evidente na semana do Carnaval 2020, e se acentua neste começo de Quaresma do ano do Coronavirus e do mês dos protestos convocados para o dia 15, no país.  Moro viajou para o olho do furacão dos amotinados da Polícia Militar, em Fortaleza, capital do Ceará. Maia foi a P aris, a que sempre haverá para apaixonados, como os do filme Casablanca, ou para políticos em devaneios de “primeiro-ministro” de nação presidencialista.  

Moro desembarcou segunda-feira, integrando enxuta comitiva interministerial – ele, Fernando Azevedo (Defesa) e André Mendonça (AGU),- para avaliar a Operação de Garantia da Lei e da Ordem. Não há registro da presença de nenhum político estadual na recepção aos visitantes que, sem perda de tempo e de saliva, em discursos de praxe (de ataques ou bajulação) partiram para a ação: um sobrevôo panorâmico para ter visão geral da área do conflito e de seus efeitos sobre uma das mais visitadas capitais do Nordeste. Depois desceram para sentir o pulso da população diante do violento motim de policiais, (170 assassinatos até terça-feira, quando o governo estadual proibiu divulgação dos registros diários das mortes violentas) e uma conversa discreta com  o petista Camilo Santana, que solicitou a intervenção federal e das Forças Armadas no estado que ele governa. No fim, uma entrevista coletiva para balanço do que foi visto e anotado durante 5 horas da visita da comitiva federal: “Tudo está sob controle dentro de um contexto relativamente difícil”, sintetizou o ministro da Justiça.

Antes de retornar a Brasília, Sérgio Moro tratou de desarmar as carabinas dos irmãos Gomes (Cid e Ciro) e de todos os que apostavam no acirramento dos choques, com uso de forças para invadir quartéis e desalojar grevistas; ou no bate boca e troca de ataques com o petista governador do Ceará, anfitrião da comitiva no Palácio da Abolição: “As forças federais vieram para serenar ânimos, não para acirrar… Serenar é importante, temos que colocar a cabeça no lugar e pensar o que é preciso fazer para que os policiais possam voltar a realizar seu trabalho, necessário não só para o Ceará mas para todo o País”, encerrou o ministro.

Enquanto isso, no domingo de carnaval, a título de participar de um encontro de cooperação entre Brasil e França, o presidente da Câmara desembarcava em Paris, chefiando comitiva de deputados, entre os quais o líder do DEM, Elmar Nascimento, do Centrão. Na segunda, se reuniu com o Chefe da Assembléia Nacional francesa, Richard Ferand. Depois esteve com o presidente da região metropolitana de Paris, Patrick Ollier, a quem ofereceu uma camisa do Botafogo e discutiu “como o modelo francês poderia ser utilizado para incentivar os consórcios de municípios no Brasil”. Na Quarta-feira de Cinzas, em sua rede social, Maia postou dura nota de críticas a Governo Bolsonaro, acusando-o de comandar a convocação dos protestos programados para o dia 15 de março. “E toca o carro prá Lapinha”, como dizem os soteropolitanos ainda na ressaca do Carnaval.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br  

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Fevereiro 2020
    S T Q Q S S D
    « jan   mar »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    242526272829