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Moro no Ceará: “precisamos botar a cabeça no lugar”.

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Maia em Paris no carnaval: fantasia de “primeiro-ministro”

ARTIGO DA SEMANA

 
Moro em Fortaleza, Maia em Paris

Vitor Hugo Soares

As falas, estratégias políticas e o destino do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, nunca bateram bem com os pensamentos e atos do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Desde que o samba é samba é assim  – ou para ser mais exato, desde que o projeto anticrime do ex-juiz condutor da Lava Jato chegou ao Congresso no começo do governo. Isto ficou evidente na semana do Carnaval 2020, e se acentua neste começo de Quaresma do ano do Coronavirus e do mês dos protestos convocados para o dia 15, no país.  Moro viajou para o olho do furacão dos amotinados da Polícia Militar, em Fortaleza, capital do Ceará. Maia foi a P aris, a que sempre haverá para apaixonados, como os do filme Casablanca, ou para políticos em devaneios de “primeiro-ministro” de nação presidencialista.  

Moro desembarcou segunda-feira, integrando enxuta comitiva interministerial – ele, Fernando Azevedo (Defesa) e André Mendonça (AGU),- para avaliar a Operação de Garantia da Lei e da Ordem. Não há registro da presença de nenhum político estadual na recepção aos visitantes que, sem perda de tempo e de saliva, em discursos de praxe (de ataques ou bajulação) partiram para a ação: um sobrevôo panorâmico para ter visão geral da área do conflito e de seus efeitos sobre uma das mais visitadas capitais do Nordeste. Depois desceram para sentir o pulso da população diante do violento motim de policiais, (170 assassinatos até terça-feira, quando o governo estadual proibiu divulgação dos registros diários das mortes violentas) e uma conversa discreta com  o petista Camilo Santana, que solicitou a intervenção federal e das Forças Armadas no estado que ele governa. No fim, uma entrevista coletiva para balanço do que foi visto e anotado durante 5 horas da visita da comitiva federal: “Tudo está sob controle dentro de um contexto relativamente difícil”, sintetizou o ministro da Justiça.

Antes de retornar a Brasília, Sérgio Moro tratou de desarmar as carabinas dos irmãos Gomes (Cid e Ciro) e de todos os que apostavam no acirramento dos choques, com uso de forças para invadir quartéis e desalojar grevistas; ou no bate boca e troca de ataques com o petista governador do Ceará, anfitrião da comitiva no Palácio da Abolição: “As forças federais vieram para serenar ânimos, não para acirrar… Serenar é importante, temos que colocar a cabeça no lugar e pensar o que é preciso fazer para que os policiais possam voltar a realizar seu trabalho, necessário não só para o Ceará mas para todo o País”, encerrou o ministro.

Enquanto isso, no domingo de carnaval, a título de participar de um encontro de cooperação entre Brasil e França, o presidente da Câmara desembarcava em Paris, chefiando comitiva de deputados, entre os quais o líder do DEM, Elmar Nascimento, do Centrão. Na segunda, se reuniu com o Chefe da Assembléia Nacional francesa, Richard Ferand. Depois esteve com o presidente da região metropolitana de Paris, Patrick Ollier, a quem ofereceu uma camisa do Botafogo e discutiu “como o modelo francês poderia ser utilizado para incentivar os consórcios de municípios no Brasil”. Na Quarta-feira de Cinzas, em sua rede social, Maia postou dura nota de críticas a Governo Bolsonaro, acusando-o de comandar a convocação dos protestos programados para o dia 15 de março. “E toca o carro prá Lapinha”, como dizem os soteropolitanos ainda na ressaca do Carnaval.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br  

“La Despedida”: Adriana Varela y Fito Paes”La Despedida: Adriana Varela y Fito Paes: um tango magistral gravado no excepcional álbum Avellaneda. Voz da garganta con arena e Fito Paez que canta e toca piano. Destaque especial para o cello primorosamente executado por Paula Pomenaric. Uma gravação rara e para sempre e melodia e poesia. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor  Hugo Soares)

 

 

Jornal do Brasil

 

 Regina Duarte, 72, não é mais funcionária do Grupo Globo. A oficialização do rompimento contratual da atriz aconteceu nesta sexta-feira (28), em nota divulgada pela emissora.

A decisão foi tomada em comum acordo, já que elaiz aceitou convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial da Cultura do governo federal.

A atriz estava no elenco da emissora desde 1969, quando atuou na novela “Véu de Noiva”. Desde então, Regina Duarte deu vida a papéis marcantes da teledramaturgia brasileira.

“Deixar a TV Globo é como deixar a casa paterna. Aqui recebi carinho, ensinamentos e tive a oportunidade de interpretar personagens extraordinárias, reveladoras do DNA da mulher brasileira. Por mais de cinquenta anos sinto que pude viver, com a grande maioria do povo brasileiro, um caso de  amor que, agora sei, é para sempre. E não existem palavras para expressar o tamanho da minha gratidão “, declarou a artista.

Ao todo foram 31 novelas, oito especiais e centenas de episódios em séries e minisséries na Globo.

Regina Duarte deve tomar posse na Secretaria Especial da Cultura na próxima quarta (4). A previsão da data foi confirmada pela assessoria de imprensa da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência).

A atriz foi convidada pelo governo para assumir a pasta no dia 17 de janeiro. Ela entrará no lugar de Roberto Alvim, demitido por Bolsonaro após publicar um vídeo parafraseando Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha nazista.

“Que Deus me ilumine para que eu possa agora, na Secretaria Especial de Cultura do Governo Bolsonaro, honrar meus aprendizados em benefício das Artes e das Expressões Culturais da população do meu país”, completou Duarte. (Ana Beatriz Gonçalves/FolhaPressSNG)

Ontem, ao visitar o hospital municipal da cidade, o prefeito de Teixeira de Freitas, na Bahia, Temoteo de Brito, bateu boca com pacientes.

Ele se irritou ao ser cobrado pela falta de material na unidade de saúde e reagiu assim:

“Eu não tô pedindo voto a você não. Você meta seu voto onde você quiser.”

O áudio, divulgado primeiro pelo site Políticos do Sul da Bahia, viralizou no estado.

Brito é candidato à reeleição pelo PP, partido do vice-governador do estado, João Leão.

O Antagonista tentou contato com o prefeito, mas ninguém atendeu na Prefeitura nesta sexta-feira pós-carnaval na Bahia.

Escute aqui:

DO EL PAÍS

Paul Laverty, roteirista de ‘Você não estava aqui’, novo filme dirigido por Ken Loach em cartaz no Brasil, fala sobre a uberização da vida. “É preciso um cinema que desafie o poder de um modo radical”

Cena do filme ‘Você não estava aqui’, de Ken Loach.

O que acontece em uma família que divide um espaço em que as pessoas estão quase sempre a poucos passos de distância, mas mal se veem? Essa foi a questão que fez com que o diretor e roteirista Paul Laverty, amigo e colaborador de toda a vida de Ken Loach, escrevesse a história de Você não estava aqui, longa que estreou no Brasil nesta quinta-feira. O filme mostra a difícil e exaustiva rotina de um pai de família entregador autônomo —como os da Amazon ou de outras plataformas de serviços delivery—, uma mãe cuidadora de idosos e dois adolescentes que tentam sobreviver na selva do livre mercado.

Em mais um exercício de análise dos efeitos da mecânica social sobre as pessoas, a dupla Laverty e Loach —pais do aclamado Eu, Daniel Blake— acompanha o calvário que o empreendedorismo neoliberal impõe sobre Ricky Turner ( interpretado por Kris Hitchen), o pai que “trabalha feito um condenado”, em jornadas de 14 horas, sem tempo sequer para ir ao banheiro, e sua família. Os vilões são os algoritmos que aceleram o ritmo —e a precarização— do trabalho ao ponto do intolerável, seja qual for a plataforma que promete o conforto de alguns às custas do sacrifício de outros.

É a uberização da vida. Mas o filme “não é um manifesto político”, garante Laverty, em entrevista ao EL PAÍS, ao outro lado do telefone, na pequena cidade da Escócia em que vive. “É uma tentativa de olhar para o caos da vida moderna, dominada pela tecnologia, que, muitas vezes, promete nos libertar, mas nos escraviza. É sobre essa falsa ilusão de liberdade”, explica.

Essa promessa vazia se expressa no discurso do empregador de Ricky: “Você não trabalha para nós, você trabalha conosco”. O filme desmonta camada a camada essa ideologia. “Vendem a ideia de que você é um guerreiro empreendedor, um soldado da sua própria vida, mas, na verdade, você está se escravizando. É uma sociedade em que não conseguimos nem cuidar dos nossos próprios filhos”, diz Laverty.

Ken Loach, evita, no entanto, falar em escravidão moderna. “A palavra ‘escravo’ tem outras conotações”, argumenta o diretor britânico, que entende que a tecnologia é neutra. “O risco é quando ela é usada para controlar o trabalhador, como no filme”. No longa, os clientes monitoram por um dispositivo cada segundo do trajeto de Ricky, que tem direito a paradas de apenas dois minutos. “Não é um problema da ciência, mas sim de quem controla essa ciência, dos proprietários da tecnologia”, afirma Loach.

Ken Loach, em Madri com o roteirista do filme, Paul Laverty.
Ken Loach, em Madri com o roteirista do filme, Paul Laverty.

Ainda que Você não estava aqui não mencione nenhuma empresa específica de comércio digital, fica quase explícita a crítica a maior delas, a Amazon. De fato, no processo de escrita do roteiro, Paul Laverty entrevistou um ex-motorista da empresa no dia em que seu proprietário, Jeff Bezos, tornou-se a primeira pessoa a faturar cem bilhões de dólares na lista de super-ricos da Forbes.

“Esse modelo de negócio de entregar tudo na casa das pessoas é irracional, prejudica as relações em comunidade, prejudica o meio ambiente. O capitalismo é mestre em esconder seu lado feio, em esconder a dor”, afirma Laverty. Apesar de sua tradição cinematográfica de forte crítica social, o roteirista e diretor não acredita que os filmes possam mudar a realidade. “As histórias ajudam as pessoas a enxergar as coisas, mas as coisas só mudam quando as pessoas têm acesso ao poder. Meu objetivo é fazer filmes que desafiam o poder. Infelizmente, a maioria dos filmes que assisto só reforçam o poder, reproduzem estereótipos, glorificam a riqueza. É preciso um cinema que desafie o poder de um modo radical”, diz ele, que elogia o trabalho do brasileiro Fernando Meirelles. “Vi Dois Papas, é muito bom”.

O próprio Laverty diz não usar serviços como os da Amazon —”Só comprei um livro uma vez, há anos”—, mas não condena quem o faz. “Sou da velha guarda, gosto de usar transporte público, andar de bicicleta, ir ao supermercado. Mas é verdade que tenho todas as facilidades de viver em uma cidade pequena”, matiza.

Como em toda a cinematografia de Laverty e Loach, a estética de Você não estava aqui é espartana, não usa de muitos artifícios para comover. Destaca-se a filha caçula da família, Liza Jane (vivida pela atriz Katie Proctor), de 11 anos, que parece buscar sinais de vida humana em meio à quietude da casa. Ela sabe que seus pais e irmão estão por aí, em algum lado, pelas pistas dos pratos com restos de comida e as roupas jogadas pela casa. Seu irmão mais velho, Seb (Rhys Stone), de 16 anos, se sente livre e rebelde, tudo o que seu pai não pode ser. E é na figura da mãe, Abby (Debbie Honeywood), que se desdobra entre os muitos ônibus que pega para chegar aos trabalhos, o cuidado de idosos e a preocupação com os filhos —com quem praticamente só fala por telefone— que o espectador vê o colapso emocional como consequência do uberliberalismo.

O impacto de Você não estava aqui já faz eco, pelo menos do outro lado do oceano. “Tenho recebido mensagens de pessoas falando que sindicatos, igrejas, empresas, praças de prefeituras estão fazendo exibições públicas do filme. Isso me deixa feliz. Tem gente que veio me dizer: ‘Poxa, agora eu ofereço um copo de água quando alguém vem fazer uma entrega na minha casa, pergunto se a pessoa quer usar o banheiro”, comenta Laverty.

Perguntado sobre a leva de filmes de crítica social no último ano, principalmente com o triunfo do longa coreano Parasita nas premiações internacionais, o diretor e roteirista surpreende: “Tenho certeza de que você vê muito mais cinema do que eu. Eu só estou preocupado em fazer filmes e cuidar das crianças”, ri.

fev
29
Posted on 29-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-02-2020
 DO EL PAÍS

Pesquisa fornece a descrição mais detalhada dos benefícios da restrição calórica para deter o envelhecimento

Há décadas os cientistas conhecem o segredo para fazer com que quase qualquer animal viva muito mais do que o normal. Podem fazer um camundongo dobrar seus anos de vida e um macaco viver três mais do que o normal. O equivalente nas pessoas seria viver nove anos mais e, além disso, com muito menos risco de sofrer doenças associadas ao envelhecimento: câncer, Alzheimer, diabetes. O problema é que o preço a pagar pode ser alto demais para muitos: comer menos, reduzir especificamente cerca de 30% das calorias diárias.

Nesta quinta-feira foi publicado o estudo mais detalhado já realizado para esclarecer o que acontece com um corpo quando é submetido a essa restrição calórica. Seus resultados indicam muitos fatores fundamentais, como quais genes e moléculas são responsáveis pelo envelhecimento e traçam novas vias para alcançar possíveis fármacos que consigam algo a priori impossível: parar o tempo, deter o envelhecimento.

“Este estudo mostra que o envelhecimento é um processo reversível”, explica o pesquisador Juan Carlos Izpisúa (Hellín, 1960), um dos principais autores do trabalho. “Mostramos que determinadas mudanças metabólicas que levam a uma aceleração do envelhecimento podem ser reprogramadas de maneira relativamente simples, reduzindo nossa ingestão calórica, para não apenas prolongar nossas vidas, mas, muito mais importante, que nossa velhice seja mais saudável”, destaca esse farmacologista e biólogo molecular que trabalha no Instituto Salk (EUA).

O trabalho oferece o atlas celular mais detalhado do envelhecimento em um mamífero e os efeitos benéficos de moderar a dieta. A equipe usou a nova tecnologia de análise genética célula a célula para analisar cerca de 200.000 células de nove órgãos e tecidos diferentes de camundongos. Em um grupo havia roedores que comiam o que queriam e no outro animais que comiam 30% menos calorias.

Os pesquisadores usaram apenas camundongos adultos que estudaram dos 18 aos 27 meses de idade, o que em humanos equivaleria a um acompanhamento entre os 50 e os 70 anos. Isso é importante, pois os estudos realizados em primatas mostraram que os benefícios de comer menos só são evidentes em indivíduos adultos, na metade ?mais ou menos? de suas vidas.

Os resultados, publicados nesta quinta-feira na revista Cell, fornecem um catálogo completo de todas as mudanças que acontecem com a idade e a dieta, tanto dentro de cada célula quanto na comunicação entre elas. Os pesquisadores detectaram que os genes e processos moleculares mais afetados pela idade têm a ver com o sistema imunológico ?que se desregula nos camundongos que comem à vontade?, a inflamação e o metabolismo. A quantidade de células imunes em quase todos os tecidos aumentou com a idade, mas isso não ocorreu nos camundongos com calorias reduzidas, que tinham níveis comparáveis aos de camundongos jovens de cinco meses. Os camundongos em restrição calórica não mostravam mais da metade de todos os marcadores de envelhecimento identificados em seus companheiros com uma dieta normal.

Os pesquisadores Concepción Rodríguez e Juan Carlos Izpisúa, do Instituto Salk Institute.
Os pesquisadores Concepción Rodríguez e Juan Carlos Izpisúa, do Instituto Salk Institute.Chris Keeney / salk

“A inflamação é um mecanismo essencial de defesa imunológica que se desenvolveu durante a evolução para aumentar a sobrevivência das espécies”, explica Concepción Rodríguez, pesquisadora do Salk, coautora do estudo e esposa de Izpisúa. “O problema é que durante o envelhecimento há uma desregulação muito pronunciada do sistema imunológico que dá lugar a um estado de inflamação sistêmica crônica e ao surgimento de doenças associadas à idade, como, por exemplo, o Alzheimer. A possibilidade de reprogramar esse estado inflamatório aberrante por meio de restrição calórica nos fornece, sem dúvida, uma nova ferramenta para o possível tratamento de doenças associadas ao envelhecimento”, ressalta a pesquisadora.

As evidências de que a restrição calórica prolonga a vida das pessoas são mais limitadas, em parte por causa do desafio logístico e econômico de acompanhar a vida e a dieta de centenas ou milhares de pessoas durante décadas, mas há evidências claras de que comer menos melhora os marcadores básicos de saúde. Já estão começando os primeiros estudos para tentar não tratar uma doença específica, mas atacar o envelhecimento com moléculas como a metformina, aprovada para tratar o diabetes

Muitas das alterações observadas neste estudo são epigenéticas, ou seja, são como interruptores moleculares que estão acima do DNA e desligam ou ativam certos genes. É muito mais factível desenvolver fármacos para esse tipo de marcadores, pois não é necessário modificar o genoma das células, argumenta a equipe. Uma das mudanças moleculares que o estudo revelou é a proteína Ybx1, que também está presente em humanos. Sua produção estava alterada em 23 tipos diferentes de células e poderia ser um novo alvo para desenvolver um fármaco contra os efeitos nocivos do envelhecimento.

O trabalho também tem uma contribuição importante da China e é assinado por três pesquisadores desse país que estudaram no Instituto Salk e agora dirigem seus próprios grupos na Academia Nacional de Ciências do país asiático.

“É um estudo tecnicamente impressionante e fornece informações valiosíssimas”, diz Pablo Fernández-Marcos, especialista em doenças metabólicas associadas ao envelhecimento do IMDEA-Food, em Madri. “Uma descoberta interessante é que as células da gordura e as da aorta são as que mais mudam com o envelhecimento e se recuperam com a restrição calórica, confirmando a importância desses tecidos no envelhecimento, acima de outros mais clássicos como o cérebro ou a medula óssea”, explica. “E outro mais, que considero muito importante, é que existem benefícios mais claros da restrição nos machos do que nas fêmeas, o que confirma alguns indícios anteriores. Existem poucos estudos comparando os dois sexos, e esse é um problema sério que se está tentado reduzir comparando ambos os sexos, como fizeram aqui”, ressalta.

O acúmulo de evidências nesse campo é tal que existem cientistas muito sérios que admitem abertamente praticar algum tipo de restrição calórica ou jejuns intermitentes, pois também foi demonstrado que ativam processos de reciclagem celular benéficos, inclusive em casos de pessoas com câncer que recebem quimioterapia. Nesse sentido, Izpisúa confessa que ele não é exceção: “Tento comer um pouco menos todos os dias”.

fev
29
Posted on 29-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-02-2020



 

Sponholz, NO

 

fev
29

Por Guilherme Mazui, Geovanna Gravia e Pedro Henrique Gomes, G1 e TV Globo — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro tem viagem marcada para a manhã do domingo (1º) para Montevidéu, onde participará à tarde da posse do novo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. A previsão é que o presidente retorne a Brasília no fim do dia.

Eleito pelo Partido Nacional, de centro-direita, Lacalle Pou encerra o ciclo de 15 anos de governo no da coalizão de esquerda Frente Ampla, com dois mandatos de Tabaré Vázquez e um de Pepe Mujica.

 

O novo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, em imagem do dia em que foi eleito, 25 de novembro de 2019 — Foto: Mariana Greif/Reuters O novo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, em imagem do dia em que foi eleito, 25 de novembro de 2019 — Foto: Mariana Greif/Reuters

O novo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, em imagem do dia em que foi eleito, 25 de novembro de 2019 — Foto: Mariana Greif/Reuters

De acordo com o secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, a posse de Lacalle Pou inaugura uma nova era nas relações diplomáticas entre Brasil e Uruguai. Ele falou com a imprensa durante uma apresentação no Palácio do Itamaraty, nesta sexta-feira (28), sobre a viagem de Bolsonaro.

“Essa visita, além do caráter protocolar, tem um simbolismo que inaugura, inicia uma nova etapa da relação com o Uruguai. Ficou claro, com o contato dos presidentes e durante a visita do futuro chanceler a Brasília, uma grande sintonia. Não só na agenda bilateral, como na agenda regional”, afirmou Costa e Silva.

O secretário disse ainda que a expectativa do governo brasileiro é que o novo presidente realize uma mudança na postura internacional do Uruguai em temas políticos da América do Sul, como a crise da Venezuela. Até então, o governo uruguaio não vinha adotando o mesmo tom crítico que o Brasil em relação à gestão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

 “O elemento novo vai ser uma maior sintonia, uma maior possibilidade de trabalhar juntos nos temas regionais. Já recebemos indicações que haverá mudanças de posições em relação a temas centrais para o Brasil na agenda regional, como Venezuela e Bolívia. Eu imagino que isso terá impacto na atuação do Uruguai na OEA (Organização dos Estados Americanos)”, afirmou Costa e Silva.

De acordo o secretário, não está prevista nenhuma reunião bilateral do presidente brasileiro com outros chefes de Estado em Montevidéu. Ele adiantou que, entre os temas que serão tratados pelos dois países nos próximos anos, se destacarão o trabalho conjunto na região de fronteira, segurança, prestação de serviços públicos compartilhados e infraestrutura.

Ainda de acordo com Costa e Silva, Lacalle Pou deve visitar o Brasil no primeiro semestre de 2020. A proximidade entre Pou e Bolsonaro vêm desde as eleições uruguaias. O secretário lembrou que o presidente Bolsonaro foi o primeiro mandatário a cumprimentar o presidente eleito do Uruguai e a confirmar presença na posse.

 
 
Lacalle Pou é declarado o novo presidente do Uruguai

Lacalle Pou é declarado o novo presidente do Uruguai

Programação

A previsão é que as seguintes autoridades acompanhem Bolsonaro na viagem ao Uruguai:

  • Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores
  • Augusto Heleno, ministro do Gabinete da Segurança Institucional (GSI)
  • Senador Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  • Deputado federal Celso Russomanno (Republicanos-SP)
  • Ministra Cristina Peduzzi, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST)
 

A delegação brasileira participará de uma programação dividida em quatro solenidades. Uma sessão solene de honra e declaração de fidelidade constitucional, a cerimônia de transmissão de mandato presidencial, a cerimônia de posse dos novos ministros e o evento de cumprimentos protocolares dos chefes de delegações oficiais ao presidente do Uruguai e ao novo ministro das Relações Exteriores.

Participam também da posse os presidentes do Chile, Colômbia e Paraguai, os vice-presidentes da Costa Rica e Equador e outras autoridades da Argentina, Peru, Rei Filipe VI de Espanha, o ministro do Ambiente e transição Energética de Portugal e o Chanceler do México.

Filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, o novo chefe de Estado era senador quando concorreu à Presidência pela segunda vez na carreira política. Derrotado em 2014, Lacalle Pou saiu vencedor no pleito de 2019 em uma disputa acirrada com o governista Daniel Martínez.

Bolsonaro

Crítico dos governos de esquerda na América Latina, Bolsonaro defendeu publicamente a candidatura de Lacalle Pou nas eleições do ano passado, a exemplo do que fez com a de Mauricio Macri na Argentina, derrotada pela chapa Alberto Fernández-Cristina Kirchner.

No caso do Uruguai, como o candidato de centro-direita foi eleito, Bolsonaro decidiu comparecer à posse, o que não aconteceu no dia em que o novo presidente argentino assumiu o posto. Bolsonaro enviou à solenidade, realizada em dezembro em Buenos Aires, o vice-presidente Hamilton Mourão. Foi a primeira vez desde 2003 que o chefe de Estado brasileiro não compareceu à posse de um presidente argentino.

Após trocas de farpas, Bolsonaro e Fernández ensaiam uma aproximação. Os dois chegaram a negociar uma reunião em Montevidéu, aproveitando a viagem para posse de Lacalle Pou, porém o presidente argentino não deverá comparecer. Uma nova data poderá ser acertada.

Perfil

Advogado, casado e pai de três filhos, Luis Lacalle Pou assume o governo de país aos 46 anos de idade.

O novo presidente nasceu em Montevidéu em 11 de agosto de 1973, ano em que um golpe militar deu início a uma ditadura de 12 anos no Uruguai.

Lacalle Pou estudou em uma das melhores escolas da capital uruguaia e se tornou advogado no fim da década de 1990.

Durante a adolescência, seu pai, Luis Alberto Lacalle, tornou-se presidente do Uruguai também pelo Partido Nacional para um mandato entre 1990 e 1995.

As denúncias de corrupção surgidas durante o mandato do pai não inviabilizaram a carreira política de Lacalle Pou, eleito deputado em 1999. Doze anos mais tarde, ele presidiu Câmara dos Deputados e se tornou um dos principais nomes da oposição ao governo Mujica.

Em 2014, Lacalle Pou se candidatou pela primeira vez à Presidência do Uruguai e chegou ao segundo turno. Derrotado por Tabaré Vázquez por uma diferença superior a 10% dos votos, manteve o cargo de senador para o qual se elegeu naquele mesmo ano.

Nas eleições do ano passado, Lacalle Pou ficou atrás de Martínez no primeiro turno, mas costurou uma aliança com outros partidos e com os candidatos derrotados mais bem posicionados.

O novo presidente apostou em um discurso de enxugamento de gastos públicos e prometeu fortalecer as forças de segurança em um momento no qual o Uruguai passa por aumento nos índices de criminalidade.

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