“Retiros Espirituais”, Gilberto Gil: Uma das mais bonitas e mais preciosas criações em letra e melodia da música brasileira. Gravada no álbum Refazenda, marco da explosão criativa de Gil. Nada melhor para ouvir – e pensar- neste tempo de reflexão da igreja católica, iniciado na Quarta-Feira de Cinzas. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Retiros Espirituais” do álbum Refazenda, de Gilberto Gil … e um show de Mandalas … que pesquei em endereços diversos … e, alguns, indico abaixo:

Por Carolina Cruz, G1 DF

CNBB lança no DF campanha da fraternidade com tema "Fraternidade e vida" — Foto: CNBB/Reprodução CNBB lança no DF campanha da fraternidade com tema "Fraternidade e vida" — Foto: CNBB/Reprodução

 

CNBB lança no DF campanha da fraternidade com tema “Fraternidade e vida” — Foto: CNBB/Reprodução

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, nesta quarta-feira (26), a campanha da fraternidade de 2020, com o tema “Fraternidade e Vida: dom e compromisso”. No ano passado, o foco foram as políticas públicas.

A cerimônia de abertura ocorreu na sede da CNBB, no Setor de Embaixadas Sul. Santa Dulce dos Pobres e o Papa Francisco são apresentados como exemplos de bons samaritanos – referência a uma parábola da Bíblia.

No lançamento, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Joel Portella Amado, explicou que o principal objetivo é “proteger a vida”. Citando números de violência no país, destacou o “cuidado entre as pessoas” como a principal ação (saiba mais abaixo).

Segundo o texto-base da campanha, o objetivo é “conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso”. Já com o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” – extraído de um versículo bíblico – a campanha quer incentivar as “relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta”.

Criada em 1962, a campanha da fraternidade é apresentada todo ano na quarta-feira de cinzas, quando tem início a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa.

Homenagem

 

Tapeçaria com imagem da Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, na Praça de São Pedro, no Vaticano — Foto: Bruno Batista/VPR Tapeçaria com imagem da Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, na Praça de São Pedro, no Vaticano — Foto: Bruno Batista/VPR

Tapeçaria com imagem da Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, na Praça de São Pedro, no Vaticano — Foto: Bruno Batista/VPR

Irmã Dulce, canonizada no dia 13 de outubro do ano passado, é homenageada na Campanha da Fraternidade de 2020 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ela é a primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa.

A sobrinha da Irmã Dulce, Maria Rita Pontes, participou do lançamento da campanha. Durante pronunciamento, ela destacou a trajetória da santa em ações de solidariedade com pessoas pobres e em situação de vulnerabilidade.

“O que nós vamos vivenciar nessa fase da Quaresma, Irmã Dulce vivenciou a vida inteira. Ela nunca procurou divulgar o que fazia e sim estar sempre perto daquilo que os necessitados mais precisavam”, disse.

Para Maria Rita, lembrar a obra de Irmã Dulce na campanha da fraternidade deste ano “é um ganho para toda a sociedade”. Ela afirma que a santa era “incompreendida” na geração que viveu.

“Ela estava muito além do seu tempo. Hoje, ela é atual, mas na época uma freira que queria evangelizar nos presídios através da música, que arrombava casas para ajudar pessoas, que fazia coisas impensáveis para a época, acolhia pessoas de rua e prostitutas, não discriminava ninguém”, pontuou ao G1.

“Tudo que a gente fala hoje de valores, ela [Irmã Dulce] já fazia há 50 anos atrás”

No centro do cartaz de divulgação da campanha da fraternidade, a santa brasileira aparece junto com crianças e idosos, nas ruas do centro histórico de Salvador.

 
CNBB lança Campanha da Fraternidade de 2020

CNBB lança Campanha da Fraternidade de 2020

Contra a indiferença

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Joel Portella Amado, destacou a vida de Irmã Dulce como um exemplo contra a indiferença.

“O remédio para a indiferença e a morte é o cuidado”, disse Dom Joel Portella.

Questionado sobre quais são as ações concretas que a igreja recomenda aos cristãos, Portella afirmou que há “diversos níveis de ação”.

“A primeira [ação] começa em cada um: [questionar] o que eu posso fazer para me tornar um cuidador? Até dentro de casa, até cuidar de si para poder cuidar dos outros. Já em nível de sociedade, com ações de natureza política e ecológica”, afirmou.

A campanha da fraternidade termina no dia 5 de abril, quando a igreja católica comemora o Domingo de Ramos, que antecede o domingo da Páscoa. Na ocasião, a igreja recolhe arrecadação dos fiéis. O valor é encaminhado ao Fundo Nacional de Solidariedade, que destina 60% dos recursos na diocese de origem e 40% a projetos sociais da comunidade.

Em 2019, o valor que custeou ações sociais foi de cerca de R$ 3 milhões, segundo a CNBB.

Objetivos específicos

Além do objetivo geral, a campanha da fraternidade de 2020 apresenta os seguintes objetivos específicos:

  • Apresentar o sentido de vida proposto por Jesus nos Evangelhos;
  • Propor a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para relações sociais mais humanas;
  • Fortalecer a cultura do encontro, da fraternidade e a revolução do cuidado como caminhos de superação da indiferença e da violência;
  • Promover e defender a vida, desde a fecundação até o seu fim natural, rumo à plenitude;
  • Despertar as famílias para a beleza do amor que gera continuamente vida nova;
  • Preparar os cristãos e as comunidades para anunciar, com o testemunho e as ações de mútuo cuidado, a vida plena do Reino de Deus;
  • Criar espaços nas comunidades para que, pelo batismo, pela crisma e pela eucaristia, todos percebam, na fraternidade, a vida como Dom e Compromisso;
  • Despertar os jovens para o dom e a beleza da vida, motivando-lhes o engajamento em ações de cuidado mútuo, especialmente de outros jovens em situação de sofrimento e desesperança;
  • Valorizar, divulgar e fortalecer as inúmeras iniciativas já existentes em favor da vida;
  • Cuidar do planeta, nossa Casa Comum, comprometendo-se com a ecologia integral.

Oposição fala em impeachment de presidente e pede para Ministério Público investigá-lo por crime de responsabilidade após mandatário divulgar vídeo de manifestação contra Congresso

Bolsonaro ao chegar no Palácio da Alvorada nesta quarta-feira.
Bolsonaro ao chegar no Palácio da Alvorada nesta quarta-feira.ADRIANO MACHADO / REUTERS (Reuters)

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, criticaram a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que por meio de dois vídeos apócrifos chamou seus apoiadores e participarem de um protesto a favor dele, convocados para 15 de março. Os organizadores da manifestação também defendem o fechamento do Legislativo e da Corte Suprema. Maia e Toffoli pediram paz e harmonia. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não se manifestou até a conclusão dessa reportagem.

Disse Maia em uma publicação em sua conta no Twitter: “Criar tensão institucional não ajuda o país a evoluir. Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional. O Brasil precisa de paz e responsabilidade para progredir”. Enquanto que o magistrado se manifestou por meio da seguinte nota: “Sociedades livres e desenvolvidas nunca prescindiram de instituições sólidas para manter a sua integridade. Não existe democracia sem um Parlamento atuante, um Judiciário independente e um Executivo já legitimado pelo voto. O Brasil não pode conviver com um clima de disputa permanente. É preciso paz para construir o futuro. A convivência harmônica entre todos é o que constrói uma grande nação”.

Na noite de terça-feira, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem na qual mostrava o envio dos vídeos de Bolsonaro a um grupo de amigos pelo WhatsApp. O protesto do próximo dia 15 foi convocado por bolsonaristas depois que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, foi flagrado chamando os parlamentares de chantagistas. Na semana passada, sem saber que estava sendo filmado em um evento público pelo perfil oficial da Presidência, Heleno disse: “Não podemos aceitar esses caras chantageando a gente o tempo todo. Foda-se”.

O pano de fundo desse debate é sobre o controle de 30 bilhões de reais do Orçamento da União. O valor representa menos de 1% de todo orçamento federal. A legislação aprovada no Congresso prevê que os parlamentares possam definir de maneira impositiva onde aplicar esses recursos. O presidente vetou esse trecho da lei e o veto presidencial deve ser votado no próximo dia 3. É sobre esse assunto que Heleno se queixou.

Nesta quarta-feira, o presidente não falou com jornalistas, como costuma fazer quase diariamente. Em seu Twitter, Bolsonaro minimizou o episódio e afirmou que há uma tentativa de tumultuar o país. “Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/ notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”.

Desde a fala de Heleno, diversas convocações para protestar em apoio a Bolsonaro começaram a surgir. Em uma delas, está escrito em uma montagem: os generais aguardam as ordens do povo. Fora Maia e Alcolumbre. É acompanhada de imagens de quatro generais da reserva: o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), o ministro Augusto Heleno, o deputado federal General Peternelli (PSL-SP) e o ex-ministro Sérgio Etchegoyen. Heleno, Peternelli e Mourão disseram que seus nomes têm sido usados indevidamente. Etchegoyen se calou sobre as imagens. O vice ainda defendeu Bolsonaro: “Não autorizei o uso de minha imagem por ninguém, mas protestos fazem parte da democracia que não precisa de pescadores de águas turvas para defendê-la. O presidente Jair Bolsonaro não atacou as instituições, que estão funcionando normalmente.”

General Hamilton Mourão

? @GeneralMourao

 

Não autorizei o uso de minha imagem por ninguém, mas protestos fazem parte da democracia que não precisa de pescadores de águas turvas para defendê-la. O presidente @JairBolsonaro não atacou as instituições, que estão funcionando normalmente.

O timing da manifestação do dia 15

 

Por Diego Amorim

A manifestação do dia 15, segundo os bolsonaristas, será “em favor do governo” e “contra os chantageadores” do Congresso.

A data foi escolhida, entre outros motivos, porque também foi em 15 de março que uma multidão foi às ruas do país em 2015 — naquela ocasião pelo impeachment da então presidente, Dilma Rousseff.

A convocação para o ato ganhou força depois que o ministro Augusto Heleno soltou um “foda-se” em desabafo durante o hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, na semana passada. O contexto era a iminente votação, no Congresso, do veto 52 à lei orçamentária.

É claro que caciques partidários farão de tudo para derrubar o veto 52 e garantir o controle de parte do Orçamento antes da manifestação do dia 15 — por ora, não há sessão marcada.

Para um veto ser rejeitado, é preciso o voto da maioria absoluta dos parlamentares de cada uma das Casas (41 votos no Senado e 257 votos na Câmara). A votação é secreta.

Do Jornal do Brasil

 

Em 1929, um jovem inglês aspirante a poeta decide passar o verão em Hamburgo, hospedado na casa de um conhecido que encontrou por meio de um funcionário da universidade onde estudava.

À época, a República de Weimar emprestava à Alemanha do entre-guerras uma atitude libertária em relação ao corpo, incluindo as vivências homossexuais. Neste contexto, Paul Schoner faz tudo o que não podia fazer no seu país natal: encontra amigos, amores e bebe até cair em bares do cais de Hamburgo. Em paralelo, registra as suas experiências em forma de diário ou poesia em um caderno que carrega “no bolso como um viajante leva o passaporte em país estrangeiro”, segundo o narrador.

Este é o enredo de “O Templo”, romance semi-autobiográfico do poeta e ensaísta inglês Stephen Spender, que acaba de ganhar uma nova edição pela 34 —a editora comprou da Rocco, que publicou o livro pela primeira vez no Brasil nos anos 1990, a tradução do diplomata Raul de Sá Barbosa, agora relançada.

Escrito originalmente no final dos anos 1920, o livro teve sua publicação vetada em uma Inglaterra puritana que também proibiu que o clássico “Ulysses”, de James Joyce, viesse à tona. Segundo o editor que recusou o manuscrito, a narrativa era pornográfica e difamatória. Sessenta anos se passaram até que Spender voltasse ao seu rascunho original e o concluísse, para que o volume finalmente chegasse às livrarias em 1988.

Há um tom de leveza no texto e na exploração de um novo país pelo personagem principal, um judeu que descobre o sexo e a amizade entre semelhantes. As descrições dos corpos masculinos nas casas de banho que ele frequenta com seus novos amigos são francamente engraçadas: “Àquela altura, Paul já conhecia bem a pele branca do outro, que o sol jamais tostava. Era lisa como se fora encerada, e dela brotavam pelos pretos e duros como pequenos pedaços de arame”.

Um dos trunfos da narrativa é deixar entrever o nazismo que se aproximava nas falas dos personagens, como se eles soubessem de algo mas não percebessem exatamente do que se tratava. “Meu marido emprega inúmeros judeus verdadeiros na sua firma. Alguns são muito inteligentes. E alguns são muito boa gente. Limpos, sóbrios, articulados”, diz a anfitriã abastada do protagonista durante um jantar em sua casa na parte rica de Hamburgo.

Mas, como o clima político do período, o texto ganha tons sombrios à medida que o tempo avança. Antes da primeira edição do livro, o autor alterou a parte final da narrativa em relação a seu rascunho, situando-a no inverno de 1932, meses antes da ascensão de Hitler. A estação do ano é uma metáfora daquele momento: o protagonista volta a Hamburgo e se depara, meio incrédulo, com o antissemitismo infiltrado até mesmo entre os seus. (João Perassolo/FolhaPressSNG)

O TEMPLO / Preço R$ 56 (240 p.) / Autor Stephen Spender / Editora 34 / Tradução Raul de Sá Barbosa

fev
27
 DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Príncipe britânico pediu para ser chamado simplesmente por Harry durante o seu primeiro compromisso público desde que voltou ao Reino Unido.

Em Edimburgo para lançar um evento da sua nova empresa de ecoturismo, o duque de Sussex foi apresentado pelo anfitrião apenas pelo nome próprio: “Ele deixou claro que todos devemos chamá-lo de Harry… então, senhoras e senhores, por favor deem as boas-vindas escocesas a Harry.”

A ruptura com os deveres reais dos duques de Sussex será formalizada a 31 de março, quando deixarão de ser “membros seniores ativos” da família real britânica. O casal deixará de usar o título de “alteza real” e também de representar oficialmente a monarca britânica, de 93 anos.

O príncipe terá ainda de abandonar as suas funções militares, às quais estava muito ligado.

O casal renunciou ao seu subsídio real e terá de reembolsar certas despesas públicas das quais beneficiaram, em particular os 2,4 milhões de libras esterlinas (2,8 milhões de euros) empregadas na renovação da sua residência – Frogmore House – no Reino Unido.

Antes de pedirem a emancipação da família real e de todos os seus deveres e fardos, Harry e Meghan registaram como sua a marca Sussex Royal. Mas não poderão usá-la, porque soube-se agora que o acordo a que chegaram com a Casa Real obriga-os a abdicar do uso da palavra “Royal”.

fev
27
Posted on 27-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-02-2020


Charge atualizada direto no site pelo próprio autor, ontem às 05:48 h

 

Sponholz, No

 

Com o enredo ‘De Alma Lavada’, escola de samba homenageou As Ganhadeiras de Itapuã, histórico grupo musical de mulheres na Bahia que trabalhavam para comprar alforrias no século XIX

Integrantes da Viradouro durante o desfile na Sapucaí.
Integrantes da Viradouro durante o desfile na Sapucaí.RICARDO MORAES / REUTERS (Reuters)

Ao levar a Bahia ao Sambódromo do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro consagrou-se, nesta quarta-feira, campeã do Carnaval carioca. Assinado pelo casal de carnavalescos Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira, o enredo De Alma Lavada homenageou o grupo musical baiano As Ganhadeiras de Itapuã, que faz samba de roda, para abordar o protagonismo feminino na história brasileira. A Vermelho e Branco de Niterói, como é conhecida a Viradouro, volta a levar o título depois de 23 anos —no ano passado, foi vice-campeã com um enredo sobre histórias encantadas—. A escola deixou para trás a Grande Rio, em segundo lugar, seguida de Mocidade, Beija-Flor, Salgueiro e Mangueira. União da Ilha e a Estácio de Sá foram rebaixadas ao Grupo de Acesso em 2021.

O enredo da Viradouro já havia vencido na terça-feira (25/02) o Estandarte de Ouro —premiação de voto popular do jornal O Globo—. “A nossa vida mudou com esse desfile, não só pela mídia, mas pelo nosso próprio autoconhecimento. Nós entendemos que representamos milhões de mulheres que lutam todos os dias pela sobrevivência. Há um crescimento social nisso”, comentou Ivana Soares, produtora da banda As Ganhadeiras de Itapuã ao jornal baiano Correio.

Com alegorias e fantasias luxuosas, a Viradouro foi uma das escolas que mais animou o público da Sapucaí, desde a comissão de frente, que trouxe uma atleta no nado sincronizado, Anna Giulia, como uma sereia em um aquário de sete mil litros de água. A ala das baianas, que representaram quituteiras, com saias bordadas com abarás, acarajés e tapiocas, jogou cocada para a arquibancada.

Com influência do afoxé, ritmo baiano de matriz africana, nos batuques e na melodia, o samba da escola campeã cantou as mulheres escravizadas de Salvador, que, no século XIX vendiam comida e lavavam roupas na lagoa do Abaeté e, com o dinheiro arrecadado, compravam sua própria alforria e a de outras mulheres. Dessa história nasce o grupo d’As Ganhadeiras de Itapuã. Elas foram exaltadas no desfile como as “primeiras feministas do Brasil”.

A Viradouro conquistou público, críticos e jurados ao aliar uma forte tradição cultural, com referências à ancestralidade negra, à atualidade de questões feministas. Foi uma lavada de alma e de bom gosto. Com a proposta de dar um mergulho na Lagoa do Abaeté e no mar de Itapuã, a Viradouro homenageou Oxum, tocando um ijexá —com um atabaque gigante no meio dos ritmistas— em diversos momentos do desfile. “Oh mãe, ensaboa, mãe”, cantava junto com a escola a arquibancada da Sapucaí.

A Viradouro também mostrou a transformação dos terreiros em ateliês onde as mulheres realizavam manufaturas e fez um passeio pelas manifestações folclóricas que influenciaram o surgimento d’As Ganhadeiras de Itapuã. O desfile foi encerrado com o setor Os tesouros do Brasil, que homenageou outros grupos folclóricos formados por mulheres.

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