Do Jornal do Brasil

CadernoB

RODRIGO FONSECA

Aberta com a projeção da tocante animação “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” (“Onward”), da Disney/Pixar, a sexta do 70º Festival de Berlim vai ser assolada pela passagem de um thriller – filão pelo qual o politizado evento agora anda a salivar – vindo de território sul-coreano: “Time to Hunt”, de Yoon Sung-hyun. A trama acompanha um ex-presidiário que, ao sair da prisão, é convencido por seus amigos a voltar ao mundo do crime e assaltar um cassino. A expectativa em torno dele, alimentada por seu trailer movimentado, está associada à atual febre em torno do cinema da Coreia do Sul, catapultado ao estrelato após os quatro Oscars conquistados por “Parasita”, no último dia 9. Mas não é só o “parasitismo” do cult do oscarizado diretor Bong Joon-ho o que conta em terras (e telas) alemãs: o cinema de ação está em alta por aqui. Mesmo abalado pelo politicamente correto, o filão que celebrizou astros como Sylvester Stallone e Arnold Schwazenegger renova, na badalação do Festival de Berlim, o prazo de validade de heróis como Jackie Chan e Jean-Claude Van Damme. Ambos figuram em filmes de destaque no European Film Market (EFM), a zona de negócios de distribuição e de exibição da maratona audiovisual germânica.

Chan é o protagonista de “Vanguard”, do artesão Stanley Tong (de “Arrebentando em Nova York”, o primeiro sucesso americano do ator), que se candidata ao posto de maior bilheteria da China neste primeiro semestre. A trama é vitaminada por situações mirabolantes de luta e de troca de tiros para narrar a luta de um esquadrão tático contra mercenários. Já Van Damme estrela aqui o thriller de máfia “Frenchy”, do qual pouco se sabe. São projetos que passam pela cidade atrás de financiamento e de compradores. Mas é uma surpresa ver títulos da linha da pancadaria chamarem mais atenção do que dramas pautados pela sociologia.

Outro ator comumente associado a filmes violentos que cata os centavos da Berlinale é Val Kilmer, que aparece no pôster de “Paydirt”, um policial sobre ajustes de contas. Não se sabe ainda se a ação dará as cartas nas demais mostras de Berlim, que abriu seus trabalhos nesta quinta, ao exibir “My Salinger Year”, com Sigourney Weaver.

Esta noite, na disputa pelo Urso, a Berlinale confere, enfim, o esperado “Le Sel der Larmes” (“O Sal das Lágrimas”), do veterano Philippe Garrel, usando um triângulo amoroso como base para se discutir a importância do acaso, a aposta no querer e a relevância da experiência afetiva no cuidado com o valor (inestimável) de um sorriso. A Berlinale segue até 1º de março, abrindo espaçom, neste domingo, para o concorrente do Brasil aos prêmios da seleção oficial: “Todos os Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, sobre a importância da sororidade entre mulheres testemunham, de diferentes formas, o fim da escravidão, na São Paulo do fim do século XIX.

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