Resultado de imagem para Flavio Luiz Aú O Capoeirista
  Flávio Luiz:” um dos mais completos cartunistas do mundo, que só não per[FO1] maneceu na MAD, em NY, por conta da saudade do Brasil!”
 ARTIGO                                                           
                                                                     Brilhantes

 

                                                          Gilson Nogueira

As fotos são, como disse o primeiro a revelar o click do fotógrafo, a perenidade do instante. É, pelo menos, o que deduzo, ao sentir-me cercado de momentos por todos os exemplares kodakianos, ou não, colados em paredes de meu gabinete, onde, semana passada, no exercício de registrar a vida , ou melhor, momentos dela, sapequei na lateral de meu computador um pôster gigante de um alienista que levei de lembrança de uma casa de fogos de artifício de uma cidadezinha americana perto da casa de uma de minhas filhas que levaram um pouco de Brasil para os lados da terra do grande “ Duke”, apelido do maioral do time de caubóis do cinema da terra do grande Obama. Tenho a filmografia dele, John Wayne, colada à minha frente, para que eu o imagine com a carabina no ombro e estrela no peito a sair por aí, na imensidão do campo brasileiro, a botar larápios para correr ou beijar a lona.

 Um tiro? Não! Uma bomba!, respondeu  minha patroa, ao perguntar-lhe que barulho foi aquele, enquanto digitava

 Saudades na minha tenda de milagres. “E agora?”, complemento o espanto, ao ouvir um show de sirenes. E imagino, ensaio de Carnaval! Ou Carnazap, como queiram. Na manha de um aprendiz de um dos Sete Homens e um Destino, saco minha curiosidade e chego ao lugar da casa de onde avisto parte da movimentação que toma a Cidade da Bahia, em direção ao Farol da Barra. Por um instante , esqueço o filme da memória de amigos e fãs na parede, ao lado de familiares, entre os quais o primo Cássio, no Santos, com o Rei Pelé e outros cobras, de braços cruzados, todo de branco, cor da batina que, agora, enverga no Céu, ao lado de Tio Carlito, Tia Clarice, Calucha e muita gente mais da seleção nogueirona!

Ao lado de minha cadeira, um sofá, marrom, comprado no Garcia, perto da casa de Riachão, e cujo encosto utilizo para apoiar as pernas, após caminhadas na cidade que é meu ninho. Em cima dele, um aparelho que toca três CD, da RCA, e duas revistas: Carioquice, trazendo Francis Hime na capa, e Aú, o capoeirista, do meu irmão caçula, Flávio Luiz, um dos mais completos cartunistas do mundo, que só não per[FO1] maneceu na MAD, em NY, por conta da saudade do Brasil! Em Sampa, segue brilhando, de olho em mais um Oscar da HQ nacional. É dele, Flavinho, que na Roda de Capoeira recebeu o batismo de Cabeção, a ilustração do Livro heróis de 59, do mestre Antônio Matos, onde ele conta a história do primeiro título brasileiro conquistado pelo Esporte Clube Bahia. Ah, antes que  esqueça, um recado, além da fotografia, em preto e branco, na Tribuna de Imprensa do Estádio Octávio Mangabeira, a lendária Fonte Nova, em que estou sentado ao lado de Césio Oliveira e Paulo Tavares, jornalistas que orgulham a raça, como Matos, meu museusinho de lembranças quer uma foto do time de jornalistas que empatou, em um a um, com o de radialistas, em  uma preliminar de uma preliminar de uma Bahia x Vitória, na década de 70, naquele templo do futebol que não merece ser chamado de Arena, nem aqui, nem na casa do chapéu.

Era um domingo de sol! A foto tem alguns colegas que nos olham do Infinito, onde brilham, silenciosamente, ao Lado de Deus! Quem tem o filme? A hora do encontro está chegando! Precisamos nos reunir, companheiros (êpa!). Para matar saudade.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora deste Bahia em Pauta.  

“Madeira de lei que cupim não”, Bloco da Saudade: Entra ano e sai ano, no começo o no fim da folia do carnaval de rua de Recife e Olinda, sempre vale a pena ouvir de novo – e  cantar como fazia invariavelmente a cada carnaval  Ariano Suassuna – o hino do bloco Madeira do Rosarinho, de autoria de Capiba, mestre maior da música de Pernambuco. ~Gravado em 1953, Aqui, este hino de resistência contra a injustiça, vai na interpretação sem igual do Bloco da SWaudade,  honra e glória do carnaval de bloco das ruas de Recife e Olinda. Viva!!!

BOM DIA E FELIZ CARNAVAL A TODOS OS LEITORES E OUVINTES DO BAHIA EM PAUTA. EVOÉ, MOMO!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Por Filipe Matoso e Roniara Castilhos, G1 e TV Globo — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (20) que a situação no Ceará é de “guerra urbana” e que, com a chegada de militares ao estado, “o bicho vai pegar”.

Bolsonaro deu as declarações em uma transmissão ao vivo em uma rede social. Mais cedo, nesta quinta, o presidente assinou um decreto no qual autorizou o envio de tropas das Forças Armadas ao Ceará para reforçar a segurança pública no estado (relembre no vídeo mais abaixo).

O Ceará enfrenta uma crise na segurança em meio a um motim de policiais militares. A categoria se diz insatisfeita com a proposta de reajuste salarial apresentada pelo governo local.

“O pessoal que está cometendo delitos, crimes nessas regiões, onde, por um motivo qualquer, por um motivo justo, estão indo as Forças Armadas para lá – tem que entender que o pessoal verde está chegando, e o bicho vai pegar. Porque, se é para tratar com flor essa galera, não fiquem enchendo nosso saco e vão pedir para outras instituições para cumprir esta missão”, afirmou Bolsonaro na transmissão ao vivo.

“Isso é coisa de responsabilidade, coisa séria. Se estamos em guerra urbana, temos que mandar gente para lá para resolver esse problema.”

Nesta quinta, homens encapuzados cercaram policiais civis e tomaram a viatura em Fortaleza. Na quarta, homens também encapuzados em um carro da PM deram ordem a comerciantes para que fechassem as portas de estabelecimentos na cidade de Sobral.

De acordo com a Secretaria de Segurança do Ceará, mais de 300 policiais militares do estado já respondem a Inquérito Policial Militar (IPM) e a processos disciplinares por envolvimento no movimento.

 
Bolsonaro defende excludente de ilicitude para militares na Garantia da Lei e da Ordem

Bolsonaro defende excludente de ilicitude para militares na Garantia da Lei e da Ordem

‘Excludente de ilicitude’

Na transmissão ao vivo, Bolsonaro voltou a defender a chamada excludente de ilicitude, isto é, a situação em que militares ficarão isentos de punição.

No ano passado, o governo enviou um projeto ao Congresso que permite a excludente de ilicitude em caso de decretos de Garantia da Lei e da Ordem, como o assinado pelo presidente nesta quinta-feira.

Segundo Bolsonaro, ele irá procurar os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para propor a votação do projeto.

“Tenho conversado com a Câmara e com o Senado e, acabando o carnaval, vou procurar o Alcolumbre e o Maia e fazer um pedido para eles porque tenho um projeto lá dentro dizendo que, em GLO, os militares têm que ter excludente de ilicitude. Ou seja, acabou a missão, ele [militar] vai para casa”, afirmou o presidente na rede social.

Bolsonaro declarou ainda que será o responsável pelos militares que atuarão no Ceará.

Resumo

“Estavam plantando o terror na cidade e o Cid foi lá defender a população”

 

Por Diego Amorim

Prisco Bezerra (PDT), que assumiu o lugar de Cid Gomes no Senado em dezembro do ano passado — entenda aqui –, conversou com O Antagonista sobre a confusão de ontem.

Bezerra afirmou que, quando Cid tentou forçar, com uma retroescavadeira, a entrada em um quartel da PM de Sobral, onde estavam policiais militares amotinados, a intenção não era machucar ninguém.

“Foi covardia o que fizeram. Ele foi defender a cidade dele. A cidade estava pedindo socorro. Estavam plantando o terror na cidade e o Cid foi lá defender a população. É porque a retroescavadeira é grande, aí pelo tamanho do carro fica aquela coisa no imaginário das pessoas. Mas não é isso o que importa. O que importa é que ele foi defender a cidade dele. E foi como cidadão, não como senador.”

Bezerra disse que falou há pouco com Cid, que está em um hospital particular de Fortaleza.

“Ele está descansando, está caindo a ficha ainda. Ele não está avaliando nada por enquanto. Foi uma coisa muito séria. Ele levou dois tiros, mas, graças a Deus, está muito bem, está tranquilo. A preocupação atual é com a greve no estado. O que aconteceu ontem foi uma tragédia, mas, no final, deu tudo certo. Foi a mão de Deus, foi muita sorte. Não sei se foi policial ou bandido, porque ninguém sabe quem estava ali, mas a pessoa atirou para matar.”

Bezerra afirmou, ainda, que está trabalhando para que seja atendido o pedido do governador Camilo Santana (PT) pelo uso de tropas das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no estado.

“É o que a gente está querendo agora. Todo mundo está trabalhando em conjunto pela GLO, para garantir tranquilidade para a população.”

Do Jornal do Brasil

 

RODRIGO FONSECA

Embora o filme oficial de abertura do 70º Festival de Berlim, agendado para ser exibido nesta quinta-feira, seja “My Salinger Year”, do canadense Philippe Falardeau, a atração que mais (e melhor) instiga o público internacional concentrado no evento alemão é o novo documentário do chinês Jia Zhangke, cujo nome é sinônimo de excelência. “Swimming Out Till the Sea Turns Blue” (“Yi zhi you dao hai shui bian lan”) entrou na programação armada pela dupla Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian em projeção hors-concours (assim como o drama de Falardeau, com Sigourney Weaver) abordando a disseminação da literatura em áreas rurais da China, num contraste entre a arte da palavra e a arte de viver no campo. O nome de Jia – ganhador do Leão de Ouro de Veneza em 2006 por “Em busca da vida” – abre muitas portas, sobretudo falando sobre a dimensão milenar da leitura como analgésico. Sua projeção para a imprensa ocorre na manhã desde 20 de fevereiro: o menu das diferentes seções da Berlinale vai até 1º de março.

Macaque in the trees
Cena de Swimming (Foto: Divulgação)

“Faz tempo que eu crio a partir de andanças, de peregrinações. No fim dos anos 1990, eu saí pela China com uma camerazinha na mão de olho nas celebrações e nas expectativas acerca da virada do milênio. Observei e registrei as formas mais variadas e espontâneas de se lidar com a passagem do tempo, com o cotidiano. A ebulição do dia a dia faz sombra sobre os costumes do dia a dia”, contou Jia ao JB em entrevista no Festival de San Sebastián, onde reviu sua obra em relação à geopolítica de seu país. “Revendo as imagens que fiz, à época, descobri muita coisa, sobre a China e sobre mim, entre elas a sensação de que o Tempo está passando, pro país, pra mim, pro mundo, pras nossas convicções. Estou ficando mais velho, o que me dá mais distanciamento em torno do meu próprio processo e dos meus anseios. Agora cuido de um festival, em Pingyao, e tenho mais atenção qo que chega aos meus olhos. Talvez essa virada tenha me aproximado mais de histórias conectadas a emoções. E há o desejo de mapear o mundo onde gravito”.

Macaque in the trees
O diretor Jia Zhangke, de Swimming (Foto: Divulgação)

Em 2014, Jia teve sua vida documentada pelo carioca Walter Salles em “Um homem de Fenyang”, lançado comercialmente no ano seguinte. Era um filme que faz uma reflexão sobre a natureza híbrida, entre fato e fábula, de suas narrativas. E esse hibridismo parece ser o fio condutor de sua cartografia dos afetos na província de Shanxi a partir da criação de uma feira literária que une autores como Jia Pingwa, Yu Hua e Liang Hong. “Criar é saber ouvir. Seja calcada no fato, seja calcado na fábula, toda narrativa que faço é um documento sobre a China e sobre o Tempo. Retrabalho na ficção situações que eu observo nas ruas. Se eu não tivesse essa verve documental, meus diálogos, nos roteiros que escrevo, teriam muita precariedade. Existem muitas formas de se viver. E existe a busca por um caminho do meio, entre a pós-modernidade e a tradição, entre a ancestralidade e a tecnologia”, disse o diretor de cults como “Um toque de pecado” (2013). “Registrar, fotografar, documentar… isso é uma forma política de reação. Reage-se pela curiosidade”.

“Volevo nascondermi”, de Giorgio Diritti, vai abrir a competição da Berlinale 2020, que tem o ator inglês Jeremy Irons na presidência do júri, que conta com o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filgo (“Bacurau”) entre seus avaliadores. A já tradicional sessão de homenagem do festival deste ano vai celebrar os desempenhos antológicos da atriz inglesa Helen Mirren. Ela foi oscarizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, em 2007, por “A Rainha”. Aos 74 anos, ela vai receber o Urso de Ouro honorário no dia 27 de fevereiro, garantindo holofotes da mídia internacional à sua carreira.

Macaque in the trees
Poster Cena de Swimming, de Jia Zhangke (Foto: Divulgação)

Filmes em competição

“First Cow”, de Kelly Reichardt (EUA)

“Berlin Alexanderplatz”, de Burhan Qurbani (Alemanha)

“Schwesterlein” (“My Little Sister”), de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond (Suíça)

“Siberia”, de Abel Ferrara (EUA)

“Le Sel des Larmes”, de Philippe Garrel (França)

“The roads not taken”, de Sally Potter (Reino Unido)

“Undine”, de Christian Petzold (Alemanha)

“The Woman Who Ran”, de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)

“El prófugo”, de Natalia Meta (Argentina)

“Favolacce (Bad Tales)”, de Damiano & Fabio D‘Innocenzo (Itália)

“Effacer l’historique”, de Benoît Delépine e Gustave Kervern (França)

“Todos os mortos”, de Marco Dutra e Caetano Gotardo (Brasil)

“DAU. Natasha”, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel (Ucrânia)

“Sheytan vojud nadarad” (“There Is No Evil”), de Mohammad Rasoulof (Irã)

“Irradiés” (“Irridiated”), de Rithy Pahn (Camboja)

“Never rarely sometimes always”, de Eliza Hittman (EUA)

“Rizi (Days)”, de Tsai Ming-liang (Taiwan)

“Volevo nascondermi”, de Giorgio Diritti (Itália)

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Produções com o Brasil no DNA no menu da Berlinale

“Todos os mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra (Competitiva)

“Rã”, de Ana Flavia Cavalcanti e Julia Zakia (Geração)

“Alice Júnior”, de Gil Baroni (Geração)

“Irmã”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes (Geração)

“Meu nome é Bagdá”, de Caru Alves de Souza (Geração)

“Cidade Pássaro”, de Matias Mariani (Panorama)

“O Reflexo do Lago”, de Fernando Segtowick (Panorama)

“Vento Seco”, de Daniel Nolasco (Panorama)

“Un crimen común”, de Francisco Márquez (Panorama)

“Nardjes A.”, de Karim Aïnouz (Panorama)

“Chico ventana también quisiera tener un submarino”, de Alex Piperno (Fórum)

“Luz nos trópicos”, de Paula Gaitán (Fórum)

“Vil, má”, de Gustavo Vinagre (Fórum)

“Apiyemiyekî?”, de Ana Vaz (Fórum Expandido)

“Desalma”, de Carlos Manga Jr. (Berlinale Series – Market)

“Onde Está Meu Coração”, de Luísa Lima (Berlinale Series – Market)

“Jogos Dirigidos”, de Jonathas de Andrade (Fórum Expandido)

“(Outros) Fundamentos”, de Aline Motta (Fórum Expandido)

“Vaga Carne”, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr. (Fórum Expandido)

“Letter from a Guarani Women in Search of the Land Without Evil”, de Patricia Ferreira Pará Yxapy (Fórum Expandido)

“Los Conductos”, de Camilo Restrepo (Encontros)

fev
21
Posted on 21-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-02-2020



 

Sponholz, no

 

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21

DO EL PAÍS

Abdalla e sua família se refugiam na guerra desde o início do mês na casa de um amigo na conflagrada Idlib. O vídeo com as brincadeiras que faz com a menina para que as bombas não a afetem conquista a Internet

 Óscar Gutiérrez

Mehmet Algan e Abdalla Mohamed se conheceram há sete anos em Istambul (Turquia). Um amigo comum os apresentou. Mehmet, 34 anos, ainda trabalha na cidade turca, mas Abdalla, 32 anos e sírio de nascimento, é um refugiado da guerra na cidade de Sarmada, perto da fronteira sírio-turca, na castigada província de Idlib. Ao lado dele estão sua mulher e a filha de três anos. No último sábado, 15 de fevereiro, Mehmet, como em outras ocasiões, ligou para Abdalla para perguntar como as coisas estavam indo. Ele lhe contou o que fazia muitos dias com sua filha Salwa para que o estrondo diário das bombas não abalasse seu coraçãozinho de três anos. Inventou uma brincadeira para proteger a menina. Fingia que aquilo que se escutava não era a guerra, mas algo muito mais divertido. E lhe enviou um vídeo mostrando para seu amigo Mehmet. Era outra faceta do sangrento conflito sírio.

“Ele me enviou o vídeo e isso me abalou muito”, diz em uma troca de mensagens Mehmet, que trabalha em Istambul para a Associação Médica para Expatriados da Síria (SEMA, na sigla em inglês). No início, mostrou à mulher, conversou com ela e colocou uma mensagem de texto, sem a gravação, em sua conta do Twitter. Mas queria mostrar o vídeo. Pediu permissão a Abdalla e ele deu.

O sorriso e a gargalhada de pai e filha toda vez que brincavam conquistaram a rede social –na conclusão deste artigo acumulava 1,3 milhão de retuítes e 2,5 milhões de visualizações. “É um avião ou um projétil?”, Abdalla pergunta à filha enquanto a grava com o celular, com ela a seu lado, de pé em um sofá. “Um projétil”, tenta adivinhar Salwa. “Quando cair, você tem que rir”, continua Abdalla. “Caiu!”. Risadas bem fortes dos dois.

Este jornal entrou em contato com Abdalla, tremendamente atarefado pelo sucesso midiático de seu vídeo. “Eu brinco com a Salwa quando as bombas caem”, diz ele em uma troca de áudios pelo WhatsApp, “para que a personalidade da minha filha não seja influenciada pela guerra”. Não esconde a menina de três anos. Compartilha mais de vinte vídeos e fotos do seu dia-a-dia com Salwa, brincando com suas bonecas, correndo pela casa, pai e filha conversando, passeando pelas ruas da terra de Sarmada –a mãe, mais cheia de pudor, não aparece ao lado deles. “”A ideia me veio das bombinhas com que as crianças brincam”, continua Abdalla. “Transformei a ideia em fogos de artifício para minha filha.” E isso funciona.

Abdalla, um provedor de serviços de Internet, conseguiu convencê-la de que isso era uma brincadeira de criança, fogos de artifício que lançavam na rua por diversão. Este jovem sírio fugiu com a mulher e a filha da cidade de Saraqib, a cerca de 50 quilômetros de Sarmada, no início de fevereiro. Agora a família vive na casa de um amigo. O regime de Bashar al Assad atacava por céu e terra as milícias armadas rebeldes, entrincheiradas ali, em um dos pontos-chave da batalha desencadeada pela conquista de Idlib, no oeste do país. Eles querem cruzar para a Turquia, como muitos do quase um milhão de pessoas deslocadas que se amontoam na fronteira do lado sírio.

Na segunda-feira, quando o vídeo bombava na Internet sem nenhuma referência sobre quem eram o pai e a filha, a agência de notícias turca Anadolu procurou e localizou Abdalla. O repórter Esref Musa, segundo conta a este jornal, o gravou com a filha. Em uma das cenas, Abdalla leva a garota até a sacada. Uma bomba cai na colina que se vê no fundo da imagem. Enquanto o barulho se dissipa, o pai mostra o lugar a Salwa, apontando para a fumaça. E continuam brincando de que aquilo não tem a ver com a guerra, que é uma farra de crianças.

“Espero que o vídeo”, continua Abdalla durante a conversa com este jornal, “seja divulgado em todo o mundo para transmitir uma ideia que, na minha opinião, nenhum pai havia tido antes”. Até agora, pelo menos, nada disso tinha tido tanta repercussão.

A conversa com Abdalla, pelo WhatsApp, termina. Ele faz a última pergunta:

– Vocês podem nos ajudar a sair da guerra?

Selwa, em fotografia cedida por seu pai.
Selwa, em fotografia cedida por seu pa

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