Policiais que protestam por aumento salarial fecharam rua de Sobral. Senador passa por ‘estabilização’ em hospital. Inicialmente, assessoria de Cid disse que ele havia sido atingido por bala de borracha.

Por G1 CE

Cid Gomes é baleado durante protesto de policiais em Sobral — Foto: Reprodução Cid Gomes é baleado durante protesto de policiais em Sobral — Foto: Reprodução

Cid Gomes é baleado durante protesto de policiais em Sobral — Foto: Reprodução

O senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na tarde desta quarta-feira (19) em meio a um protesto de policiais que reivindicam aumento salarial. O senador pilotava uma retroescavadeira e tentava furar um bloqueio feito por policiais militares no Batalhão da Polícia Militar do município.

A assessoria do senador afirmou que Cid Gomes passa por estabilização no Hospital do Coração de Sobral e será transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Inicialmente, a assessoria do senador disse que ele havia sido atingido por uma bala de borracha. Depois, a assessoria informou que o tiro foi na verdade disparado por uma arma de fogo.

Durante a confusão, tiros foram disparados na direção de Cid Gomes e quebraram os vidros do veículo utilizado pelo senador. Conforme a assessora do político, ele foi baleado no peito e foi encaminhado ao Hospital do Coração de Sobral.

Imagens feitas por pessoas que acompanharam a manifestação mostram o senador consciente e com a blusa manchada de sangue.

 
 
Senador Cid Gomes é baleado em meio a protesto de policiais

Senador Cid Gomes é baleado em meio a protesto de policiais

Cid Gomes, que está licenciado, organizava um protesto contra um grupo de policiais que tenta impedir o trabalho da Polícia Militar. Nesta quarta-feira, policiais esvaziaram pneus de carros da polícia para impedir que os agentes de segurança atuem na ruas.

Em frente ao bloqueio dos policiais, utilizando uma retroescavadeira, ele pediu que os policiais deixassem o local: “Vocês têm cinco minutos pra pegarem os seus parentes, as suas esposas e seus filhos e sair daqui em paz. Cinco minutos. Nem um a mais”, afirmou Cid, utilizando um megafone.

 
Cid Gomes conversou com os policiais em frente ao bloqueio montado no quartel militar

Cid Gomes conversou com os policiais em frente ao bloqueio montado no quartel militar

Resumo:

Invasão de batalhões policiais

 

Pneus de carros oficiais foram esvaziados próximo a batalhão do Bairro Antônio Bezerra. — Foto: José Leomar Pneus de carros oficiais foram esvaziados próximo a batalhão do Bairro Antônio Bezerra. — Foto: José Leomar

Pneus de carros oficiais foram esvaziados próximo a batalhão do Bairro Antônio Bezerra. — Foto: José Leomar

Um grupo de policiais que reivindica aumento salarial e é contrário à proposta do governo de reestruturação da carreira da categoria realiza desde terça-feira (19) atos que a Secretaria da Segurança considera “vandalismo” e “motim”.

Na terça, três policiais foram presos por cercarem veículo da polícia e secarem os pneus. Conforme o Governo do Estado, o ato é uma tentativa ilegal de impedir a atuação de policiais.

Nesta quarta-feira, pelo menos quatro batalhões da Polícia Militar foram invadidos por homens mascarados. Eles retiraram veículos policiais das bases militares e rasgaram os pneus com objetos cortantes.

O Governo do Estado anunciou processo contra mais de 200 policiais dissidentes. Também anunciou que solicitou o reforço da Força Nacional e cortou o repasse de verba para associações policiais que, de acordo com o governo, apoiam os atos grevistas.

Reivindicação salarial

Parte dos policiais do Ceará realiza atos por reivindicação de aumento salarial. Uma proposta do Governo do Estado tramita na Assembleia Legislativa do Ceará é eleva o salário-base de um soldado dos atuais R$ 3,2 mil para R$ 4,5 mil. O aumento de R$ 1,3 mil ocorre de forma

Do Jornal do BrasilPolítica

 Que Audiência foi essa?

WILSON CID

 Há certas perguntas que se dão ao luxo de aceitar as mais diferentes respostas. Por exemplo, e por ser assunto momentoso: o que, afinal, Luiz Inácio trouxe em sua bagagem, depois de ser recebido no Vaticano pelo Papa? Observe-se, antes de tudo, que o ex-presidente está longe de ser um fiel católico de comunhão diária; e, por cortesia do anfitrião, nem foi constrangido a dizer há quantos domingos não vai à missa na matriz de São Bernardo… Com toda certeza, a bênção apostólica não será suficiente para livrá-lo dos problemas que enfrenta nesta fase da vida. De qualquer forma, ele e o pontífice dão uma cartada contra Bolsonaro, adversário ideológico de um; e quem também desagrada ao Papa, tratando-se de evangélico de confissão. Personagem sobressalente no episódio, ao se prestar à missão de abrir portas para a audiência, o novo presidente da Argentina parece estar disposto a mostrar que tem seguro prestígio com o compatrício Francisco, de quem não se pode esquecer tratar-se de um jesuíta, dissimulado e teimoso seguidor de santo Inácio. Vê-se que, pelo menos no nome, tem mesmo sua origem eclesiástica algo a ver com o líder do PT, que na semana passada recebeu para conversar.

Mas, além de Inácio, há um ponto ainda melhor para unir o visitante e o visitado: ambos vivem momento perturbador nas diferentes áreas em que atuam, porque têm sido chamados a enfrentar o desafio da polarização. No Brasil, Lula, numa ponta do processo eleitoral, carrega a responsabilidade de comandar forças políticas de esquerda ou insatisfeitas, tarefa que lhe teria sido menos espinhosa se continuasse encarcerado, condição em que pretextava perseguição politica. Já Francisco, na sua Roma Eterna, tem se incomodado com outro tipo de radicais, confrontando-se com as correntes mais conservadoras da Cúria. Talvez seja possível afirmar que o clima de divergências que ali se instalou figura entre as delicadas consequências do papado emérito de Bento XVI, oráculo dos antirreformistas. Um na política, outro na fé, certo é que ambos têm seu Calvário pela frente; e talvez nesse sentido pudessem trocar algumas palavras de mútua solidariedade.

Os católicos de vocação mais tradicionalista não perdoam o Papa por ter admitido essa visita. Acham que seu líder dispunha de argumentos vários para se desviar do visitante, evitando uma atitude que acabou se revelando hostil ao presidente brasileiro; como também ao poder Judiciário, que já condenou Lula a 29 anos de prisão, e o aguarda com outros processos que tratam de corrupção. O ministro Augusto Heleno, ironizando, aderiu aos críticos, definindo o encontro como gesto de compaixão, tal como Cristo tratou criminosos de seu tempo. Com isso ajudou a atiçar lenha no fogo que arde desde a reunião. Para outros, dentro ou fora do governo, melhor é não levar o caso a sério, que julgam mera encenação: o pontífice fingiu que abençoou e Lula fingiu que acreditou.

Mas nem o ministro nem católicos e evangélicos podem negar, com cabeça fria, que pelas frestas vaticanas também vazou algo indiscutível: Bolsonaro precisa de Lula como peça de uma contraposição para polarizar sua trajetória política. Quanto a isso, eles não teriam muito, objetivamente, a torcer o nariz para o Papa. Da mesma forma como o líder petista contabiliza o afago para seus projetos, porque pode sensibilizar áreas progressistas da Igreja, que repudiam o atual governo e o acusam de excessiva identificação com a direita. Para comprovar imediatos benefícios diretos ou indiretos basta conferir milhares de postagens nas redes sociais, que analisam as repercussões da audiência. Dividem-se, acalorados, os que aplaudem ou apupam.

Portanto, mais agora com o incenso e sob a égide da bênção papal, o quadro da política brasileira vai caminhando para traçar um horizonte que concede espaço apenas para os que são contra ou a favor de qualquer coisa. Eis o tempo radical.

Situações dessa natureza tendem a aprofundar o conhecimento e o debate em torno de ideias divergentes, o que é bom; como também podem favorecer a violência, o que é muito ruim.

Ofensa de Bolsonaro é “mais uma grosseria do presidente, mas não é motivo para impeachment”, diz Janaina Paschoal

 

Janaina Paschoal, como publicamos, considerou obviamente uma grosseria a insinuação de Jair Bolsonaro contra a repórter da Folha. Mas, ao contrário de Miguel Reale Jr., que assinou juntamente com ela o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, não considera o episódio suficiente para o impedimento do presidente da República.

Janaina, que foi eleita deputada estadual em São Paulo pelo então partido de Bolsonaro, afirmou:

“Trata-se de mais uma grosseria do presidente, que as coleciona, mas não é motivo para impeachment. Para tirar o mandato de um presidente precisa de muito. Ele foi eleito com esse estilo sabidamente grosseiro. Não tem sentido pretender afastá-lo por isso. Seria desproporcional. Eu entendo que ele deveria se esforçar para melhorar, mas, daí a falar em impeachment, vai uma distância grande.”

“Ainda Mais”, Leila Pinheiro: E por falar em comemoração dos 50 anos da Velha Guarga da Portela, aqui vai, na quarta-feira de fevereiro no BP, uma desmesura de samba de Paulinho da Viola.em parceria com Eduardo Gudin.E a interpretação impecável de Leila Pinheiro, gravada no álbum “Na Ponta da Língua”. Vale a pena ouvir de novo. E aplaudir, de pé!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Por G1 BA

MP da Bahia pede novo exame do corpo de miliciano do Rio

MP da Bahia pede novo exame do corpo de miliciano do Rio

 

A Justiça da Bahia determinou nesta terça-feira (18) um novo exame no corpo do miliciano Adriano da Nóbrega, morto durante operação policial no dia 9 de fevereiro em um sítio na zona rural da cidade de Esplanada, na Bahia.

A decisão ocorreu depois um pedido feito pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). Segundo o Órgão, o objetivo é esclarecer dados até o momento obscuros, entre eles, a trajetória dos tiros.

No documento, a Justiça pede que o corpo do miliciano não seja cremado e, por isso, mantido em conservado em câmara de refrigeração no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro, para a realização de perícia necroscópica complementar no cadáver.

Além disso, a Justiça requisita à Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia as gravações dos rádios transmissores utilizados pelos agentes policiais no dia da operação policial e exames papiloscópico nas munições não deflagradas da pistola Glock (9mm) supostamente encontrada com Adriano.

O miliciano estava foragido havia mais de um ano.

Adriano era suspeito de comandar um grupo criminoso que cometeu dezenas de homicídios, o Escritório do Crime. O ex-capitão foi expulso da PM por envolvimento com o jogo do bicho e já foi homenageado mais de uma vez pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro (sem partido), hoje senador

Bolsonaro pede perícia independente

 Bolsonaro diz que vai pedir perícia independente no caso Adriano Nóbrega

Bolsonaro diz que vai pedir perícia independente no caso Adriano Nóbrega

“Primeiro eu estou pedindo, já tomei as providência legais, que seja feita uma perícia independente, que sem isso você não tem como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle? Os mesmos a quem não interessa desvendar o caso Celso Daniel”, afirmou Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.

O presidente também levantou suspeita sobre a perícia nos telefones. “Agora, o que é mais grave também: vai ser feita perícia nos telefones ou no telefone apreendido com ele. Será que essa perícia poderá ser insuspeita? Eu quero uma perícia insuspeita. Por que? Nós não queremos que sejam inseridos áudios no telefone dele ou inseridas conversações via Whatsapp.”

Os celulares apreendidos no local onde Adriano foi morto foram enviados para o Rio de Janeiro e estão sendo submetidos a perícia. Segundo fontes do Ministério Público, até agora as análises preliminares não encontraram nada nos aparelhos.

O advogado da família de Adriano, Paulo Emílio Cata Pretta, disse nesta terça que também entrou com um pedido para que o corpo seja mantido em câmara fria e que seja determinada uma perícia independente tanto no corpo quanto no local da operação.

Disparo a curta distância e possível tortura

Fotos divulgadas pela revista “Veja” na edição que chegou às bancas na última sexta-feira (14) indicam que Adriano foi morto por disparos a curta distância. Imagens da autópsia também indicam que o miliciano tinha um ferimento na cabeça e uma queimadura no lado esquerdo do peito.

De acordo com Bolsonaro, uma perícia independente deverá dizer se Adriano foi torturado e de que distância os disparos foram efetuados.

“Pelo que tudo indica, a própria revista ‘Veja’ fez, a ‘Veja’ ouviu peritos, e os peritos estão dizendo ali que, pelo que tudo indica, o tiro foi à queima roupa. Então, foi queima de arquivo. Interessa a quem a queima de arquivo? A mim? A mim, não. O que é mais grave agora?”, questionou Bolsonaro, em referência à reportagem de “Veja”.

Vídeo

Nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais imagens que ele diz ser do corpo de Adriano no IML e um texto.

Flávio escreveu: “Perícia da Bahia (do governo PT) diz não ser possível afirmar se Adriano foi torturado. Foram 7 costelas quebradas, coronhada na cabeça, queimadura com ferro quente no peito, dois tiros à queima-roupa (um na garganta de baixo para cima e outro no tórax, que perfurou coração e pulmões)”.

O secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, disse que o vídeo “não é reconhecido como autêntico pela perícia baiana ou pela perícia do Rio de Janeiro”. “As imagens não foram feitas nas instalações oficiais do instituto médico legal. Então nós temos a clara convicção de que isso é para trazer algum tipo de dúvida, de questionamento, a um trabalho que ainda não foi concluído”, afirmou.

O perito médico legista e diretor do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, Mário Câmara, disse “que não é possível analisar um vídeo que não foi autenticado pela perícia”. “Não sabemos se foi adulterado, onde foi feito, não sabemos se o corpo é realmente do senhor Adriano.”

 

Como e onde Adriano foi morto

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Adriano foi localizado e morto em um imóvel em Esplanada por equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Litoral Norte e da Superintendência de Inteligência (SI) da SSP-BA.

O imóvel é um sítio que pertence ao vereador Gilsinho da Dedé, do PSL de Esplanada. A SSP-BA informou que, no momento do cumprimento do mandado de prisão, Adriano resistiu com disparos de arma de fogo e acabou ferido. Ele chegou a ser socorrido e levado a um hospital da região, mas não sobreviveu.

Rachadinha e homenagem

Em dezembro, o Ministério Público do Rio concluiu que Adriano da Nóbrega fazia parte do grupo que agia no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro, e que recebia parte de recursos vindos da rachadinha. No esquema, funcionários devolviam parte do salário ao parlamentar.

Em 2007, Flávio empregou a ex-mulher de Adriano no gabinete dele e, em 2016, a mãe do ex-PM foi contratada. O miliciano era amigo do também ex-PM Fabrício Queiroz, que foi funcionário do gabinete de Flávio e indicou a mulher e a mãe de Adriano para trabalharem lá.

Em junho de 2005, ainda como deputado, Flávio Bolsonaro homenageou o miliciano com a medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio.

No sábado, durante uma visita ao Rio, o presidente Jair Bolsonaro disse que foi ele que pediu para Flávio condecorar o ex-capitão.

Na época da homenagem, em 2005, Adriano da Nóbrega não conseguiu receber a medalha porque estava preso, acusado de matar um guardador de carros que havia denunciado um grupo de milicianos. Em outubro daquele ano, um júri popular o condenou pelo homicídio. Adriano recorreu e, em 2007, um novo julgamento o absolveu.

 

Ofensas

A família Bolsonaro e governo da Bahia começaram a discursar dos rumos da investigação na semana passada. O presidente e o governador Rui Costa, do PT, chegaram a trocar ofensas.

Na segunda, 20 dos 27 governadores do Brasil publicaram uma carta pedindo diálogo com o governo federal em torno de pautas do interesse da sociedade e com críticas às declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro. “Esperava que esses governadores que assinaram a carta sobre isso, esse assunto especifico, Adriano, vamos deixar bem claro, fossem querer uma investigação isenta no caso Adriano”, disse Bolsonaro nesta terça.

Na carta, os governadores afirmam que é preciso observar os limites institucionais com a responsabilidade que os mandatos exigem. “Equilíbrio, sensatez e diálogo para entendimentos na pauta de interesses do povo.”

Do Jornal do Brasil

 

Rafaela, personagem interpretada por Marília Pêra (1943-2015) em “Brega & Chique” (Globo, 1987), olha para a câmera e começa a avaliar o seu rosto, como se estivesse olhando para um espelho. Ela comenta com Montenegro, personagem de Marco Nanini: “Que coisa triste, olha aqui. Eu tô com uma… estou com um papinho aqui, está vendo?”

Macaque in the trees
Marco Nanini (Foto: Inacio Moraes/GShow)

Ele concorda, mas logo se surpreende ao fazer uma análise do seu próprio rosto: “Meu Deus! Eu também estou, Rafaela (…) Mas não é nenhum problema isso aí, a gente pega um cirurgião, corta e manda para o inferno essa papada.” Nos próximos minutos, os dois discutem quanto custaria uma plástica na região. Rafaela chuta US$ 5.000 no caso dela e US$ 10 mil para ele. 

A cena hilária, que entrou para a história da teledramaturgia brasileira, sintetiza o tipo de humor que caracterizou “Brega & Chique”, novela de Cassiano Gabus Mendes (1929-1993) que volta a ser reprisada a partir desta quarta-feira (19), no Viva, às 14h30. A trama vai substituir “Selva de Pedra” (Globo, 1985).

“Nós tínhamos muitas crises de riso nas gravações, e o Jorginho [o diretor Jorge Fernando, morto em outubro de 2019] deixava passar, como se fosse parte da novela. Até cena ele inventava, como essa, em que eles ficavam na frente de um espelho vendo quem mais precisava de plástica”, relembra Marco Nanini. 

Para o ator, o texto de Cassiano Gabus Mendes, que conseguia a seu ver fazer uma “comédia pastelão, mas com muito bom gosto” também foi fundamental para a trama cair no gosto do público. “Brega & Chique”, que era exibida na faixa das sete, foi o grande sucesso de audiência de 1987, superando inclusive a novela das oito, “O Outro”, de Aguinaldo Silva. 

Questionado se um remake da novela poderia fazer sucesso hoje, Nanini diz que tem dúvidas, porque a trama, segundo ele, tem um humor ingênuo para os tempos atuais. “Mesmo quando tinham cenas mais fortes, era amenizado pelo humor que era proveniente claramente da chanchada, que a gente fazia como alusão”, diz o ator. 

Como exemplo disso, ele cita outra cena famosa da história -quando Montenegro está conversando com Rafaela, enquanto ela limpa a casa, e sua gravata é sugada pelo aspirador, quase o asfixiando. 

O enredo de “Brega & Chique” tinha uma premissa simples. Uma mulher rica que ficava pobre -a Rafaela de Marília Pêra- e uma pobre que ficava rica -Rosemere da Silva, personagem de Glória Menezes. Sem saber, as duas eram casadas com o mesmo homem, o empresário Herbert, vivido por Jorge Dória (1920-2013). 

Logo no início, para escapar da falência, ele simula a própria morte e foge do país. Sem dinheiro, Rafaela e os filhos vão morar na mesma vila em que já vive Rosemere. Para a segunda família, porém, Herbert deixa uma boa quantia em dólares. A trama tem uma grande reviravolta quando Herbert volta, mas com um novo nome e rosto (após uma cirurgia plástica). É Cláudio Serra, interpretado por Raul Cortez (1932-2006). 

Montengro, papel de Nanini, era o secretário de Herbert e o único que sabia a verdade sobre a história do patrão. Muito fiel e subserviente ao empresário, mas ao mesmo tempo apaixonado por Rafaela, ele fazia de tudo para ajudar a dondoca depois da falsa morte do seu marido. 

O ator conta que foi um dos últimos a ser escalado para a trama. Até então, ele nunca tinha trabalhado com o autor Cassiano Gabus Mendes, mas ambos estabeleceram um diálogo por meio da novela. “A gente ia conversando pelas cenas, era muito legal, porque eu não precisava falar com ele, nem ele comigo. Ele simplesmente escrevia, e eu ia fazendo, e deu certo”, conta.

Nanini, que está de férias da TV desde o fim de “A Dona do Pedaço” (Globo, 2019), diz que pretende rever a reprise de “Brega & Chique”. “Era uma época muito gostosa e uma novela que eu guardo boas lembranças.”

NU COM A MÃO NO BOLSO

Ao som da música “Pelado”, do Ultraje a Rigor, a abertura de “Brega & Chique” foi motivo de polêmica na época. Criada por Hans Donner, ela é lembrada até hoje por mostrar o modelo Vinícius Manne com a bunda de fora, seguindo literalmente o refrão da canção “Pelado, pelado, nu com a mão no bolso”. 

Em princípio, a censura implicou com a nudez e pediu que as nádegas fossem cobertas com uma folha de parreira. A Globo cumpriu a ordem e mudou a abertura para o segundo capítulo da trama. Mas os censores acharam que a folha deveria ser maior.  

Após negociações, a versão original foi liberada e voltou a ser exibida. Se fosse hoje, o ator Marco Nanini diz acreditar que pediriam para colocar “uma trepadeira de uvas na frente [do bumbum] para ficar bem escondido”. 

“Eu acho que está pior que em 1987, porque há um moralismo muito grande, muito belicoso, uma coisa parcial… não sei. A gente vê uma obra de arte, uma comédia ou mesmo uma novela, cada um vê com seus olhos e é por isso que é bonita a arte. Você vai numa exposição e você interpreta aquilo… mas o tempo não é para isso [hoje]”, diz. 

Segundo ele, há uma patrulha maior, inclusive vinda do próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “É uma época mais triste”, afirma. (Karina Matias/FolhaPressSNG)

‘BREGA E CHIQUE’

Quando: De seg. a sab., às 14h30 e à 0h45 (a partir do dia 19/02)

fev
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Posted on 19-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-02-2020


Charge atualizada direto no site pelo próprio autor, ontem às 21:39 h

 

Sponholz NO

 

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A ciência diz que pessoas com essa condição podem ser “excepcionalmente criativas” para problemas, mas especialistas ressalvam que não é a regra

Sheldon Cooper, um dos protagonistas da série The Big Bang Theory, é uma pessoa de rotinas: vai ao banheiro à mesma hora a cada dia, senta-se sempre no mesmo lugar do sofá —onde a temperatura é perfeita tanto no verão como no inverno, e de onde pode ver a televisão sem reflexos e manter uma conversa sem distrações—, e tem uma dinâmica concreta para cada noite. É uma eminência em Física Teórica, possui uma inteligência única e não sossega enquanto não encontra a solução para um novo problema. Por outro lado, não entende o sarcasmo e tem sérios problemas em se relacionar com os outros. Muitos são os que especularam que o personagem teria Asperger, uma síndrome a cujos portadores se atribuem capacidades excepcionais.

Incluído dentro dos transtornos do espectro autista —que afetam cerca de um em cada cem meninos e meninas, seguação Autism Europe e a Estratégia Espanhola em Transtornos do Espectro do Autismo—, o Asperger afeta principalmente dois aspectos. Primeiro, a comunicação social: de como nos relacionamos com outras pessoas até quais fórmulas usamos para isso (a leitura nas entrelinhas ou o entendimento das sutilezas sociais). O segundo está relacionado à flexibilidade do pensamento e do comportamento, e se manifesta em patrões repetitivos, rigidez na conduta, dificuldade para encarar mudanças e inclusive obsessão com questões muito específicas. “Não é uma doença nem uma deficiência intelectual. Pelo contrário, o funcionamento cognitivo está na média ou acima dela”, explica Ruth Vidriales, diretora-técnica da Confederação Autismo Espanha, salientando que, por tudo isso, essas pessoas frequentemente passam despercebidas para a sociedade. Tampouco tem traços físicos distintivos. “Podem ser vistas como pessoas diferentes, mas não se sabe explicar por quê. E chegam a ser julgados como egoístas ou pouco empáticos”, acrescenta a especialista.

Era o que contava em primeira pessoa Greta Thunberg, a jovem líder do movimento contra a mudança climática, em sua conta do Twitter: “Tenho Asperger e isso significa que às vezes sou um pouco diferente da norma”. O diagnóstico, prosseguia, a havia limitado antes de começar sua greve escolar para sensibilizar sobre a importância de cuidar do planeta. “Não tinha energia, não tinha amigos e não falava com ninguém. Só ficava em casa sentada com um transtorno alimentar. Tudo isso acabou agora, que encontrei um significado em um mundo que às vezes parece superficial e sem sentido para tanta gente”, acrescentava, ressaltando que, dadas as circunstâncias, “ser diferente é um superpoder”. Mas é verdade que as pessoas com Asperger são extraordinárias?

Do domínio dos idiomas à acumulação de dados

“Seus cérebros funcionam de forma diferente, e isso faz que, em alguns casos, ocorram modos diferentes de entender a realidade”, conta Vidriales. Isso foi demonstrado em 2015 por quatro pesquisadores britânicos num estudo que procurava relacionar autismo e pensamento divergente: suas conclusões refletem como pessoas com traços autistas se destacam por apresentar ideias “excepcionalmente criativas”. Esse ponto de vista original pode dar a sensação de que são pessoas que oferecem soluções que apenas os gênios são capazes de encontrar. E, embora às vezes aconteça, não é a norma. “A verdade é que a criatividade é uma das grandes limitações que costumam aparecer no autismo: eles têm muita dificuldade para imaginar”, destaca Ricardo Canal, professor da Universidade de Salamanca (Espanha) e diretor de seu Centro de Atenção Integral ao Autismo. Mas ele ressalva que algumas pessoas com Asperger podem desenvolver atividades imaginativas no contexto de seus interesses específicos.

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