Do Jornal do Brasil

 

Imagine se o 03 fosse Embaixador

GILBERTO MENEZES CÔRTES

E como dissemos na semana passada, segue o baile de noivado. Enquanto a viúva Porcina corta seus laços antigos com Roque Santeiro (digo, a Rede Globo), a dança semanal das cadeiras desta vez provocou três mudanças e uma expulsão da festa: Onyx Lorenzoni – esvaziado desde meados de 2019, quando a atividade de articulação política da Casa Civil passou ao novo secretário de Governo, general Luiz Carlos Ramos, que substituiu o general Santos Cruz – assume a pasta da Cidadania (gestora do Bolsa Família), no lugar de Osmar Terra, que volta à Câmara como deputado federal (MDB-RS). Braga Neto e o vice-presidente Hamilton Mourão, recém nomeado coordenador das questões para a Amazônia, são companheiros de longa data na rede de vôlei do Posto 6, em Copacabana, Rio de Janeiro, quase colada ao Forte de Copacabana.

Em outro movimento, para reforçar o QG de militares em sua volta, o ex-capitão Jair Bolsonaro nomeou o almirante Flavio Augusto Viana Rocha para chefiar a Secretaria de Assuntos Estratégicos, que fica agora subordinada à Presidência da República. Entre as atribuições da SAE está o assessoramento do presidente para assuntos internacionais. Mas, como a bebida parece correr solta na festa, os desatinos se sucedem.

O Posto Ipiranga, em mais uma de suas ratas, ao falar demasiado, insinuou que o dólar estava caro e devia seguir assim, porque “era bom para todo o mundo” e aproveitou para criticar o populismo cambial de Dilma Roussef (em 30 de junho de 2011 o dólar teve a menor cotação em reais – R$ 1,512), lembrando que “quando o dólar estava em R$ 1,80, era uma festa, até empregada doméstica ia à Disney”.

Tanto bastou para despertar a reação das associações das empregadas domésticas (embora a fala do ministro da Economia insinuasse que a própria família pagasse as passagens das empregadas), e a disparada das cotações. O dólar que estava na faixa de R$ 4,30 saltou para a faixa de R$ 4,40 e forçou o Banco Central a intervir, vendendo contratos de dólar futuro. Nesta sexta-feira, 14 de fevereiro, a cotação voltava a R$ 4,31.

Paulo Guedes tem 70 anos. Deveria saber que ministro da Fazenda e presidente do Banco Central (ou seja, as chamadas autoridades monetárias) não devem falar em níveis de juros, câmbio e do mercado de ações, pois dão margens a movimentos especulativos nos mercados futuros, onde, como banqueiro, fez parte de sua fortuna. Estar à frente da pasta da Economia, que incorporou Fazenda, Planejamento, o MDIC e parte do Trabalho e Previdência, exige cautela ainda mais redobrada. Mas o “Posto Ipiranga”, que trabalhou em comércio exterior, quando era assistente do economista Affonso Celso Pastore na Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, nos anos 70 e 80, tem a língua solta e arrependimentos tardios, após os estragos de suas falas…Vide AI-5 e outras.

Vale lembrar à turma do PT, que aproveitou para criticar duramente a alta de 12% do dólar desde a posse de Bolsonaro, que após as sucessivas valorizações do real frente ao dólar nos dois governos Lula, o saldo da balança comercial foi caindo ano a ano. De 2011 para 2012, já no governo Dilma, após baixar à mínima de R$ 1,512, o superávit encolheu US$ 10 bilhões, para US$ 19,4 bilhões e a situação só fez piorar, com saldo de apenas US$ 2,5 bilhões em 2013 e a volta do déficit em 2014, em US$ 3,9 bilhões.

Com a reeleição garantida, às custas de congelamento ou redução forçada de preços públicos, como combustíveis e energia elétrica, além do câmbio apreciado e juros contidos, Dilma iniciou as correções ainda em novembro de 2014, com aumento dos juros e dos combustíveis. O serviço sujo de impor realismo ao câmbio (contido na gestão Mantega) foi atribuído ao ministro da Fazenda Joaquim Levy, que pediu o boné em meados de 2016. Mas, ajudada pela recessão cavalar (queda de 3,5% do PIB em 2015) as importações encolheram e houve superávit de US$ 17,6 bilhões no 1º ano do 2º governo Dilma, nível ampliado para US$ 44 bilhões em 2016, quando o PIB caiu 3,3%. Na gestão Dilma o dólar subiu 137%.

Mas não para por aí. O ex-futuro embaixador do Brasil em Washington, o filho 03 do presidente, Eduardo Bolsonaro, o deputado federal mais votado do país em 2018, pelo PSL, hoje sem partido, guindado a líder do governo na Câmara, como prêmio de consolação por não ter sido testado (e reprovado) na sabatina do Senado para a indicação como Embaixador, deu esta semana demonstração de subserviência inacreditável a Tio Sam. Poderia ser considerado crime de lesa pátria se estivesse à frente do principal posto diplomático do país. Mas é vexaminoso para o cargo que ocupa.

Em entrevista, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados afirmou que está prestando particular atenção no leilão das licenças da banda larga 5G e que mira particularmente o risco de a entrada da chinesa Huawei afetar a possibilidade, que defende junto com o pai, “de uma parceria militar com os Estados Unidos”. Fã declarado do presidente Donald Trump, o deputado considera que a participação da Huawei, uma das líderes mundiais em tecnologia de banda larga, pode ser uma ameaça à concretização da parceria. “Como é que [os Estados Unidos] vão poder confiar se houver interferência chinesa?” Eduardo acrescenta que a Huawei não é propriamente uma empresa privada e poderia ceder às pressões do governo chinês para transferir segredos militares.

Bobagem. Para começar, não é a Huawei que comprará licenças da banda 5G da Anatel. Quem vai disputar são as operadoras de telefonia: a Vivo, da espanhola Telefónica; a Claro, do bilionário mexicano Carlos Slim, radicado nos EUA; a italiana Telecom Itália Mobile, controlada pelo fundo de investimento americano Elliot e tendo a francesa Vivendi como sócio minoritário; e a brasileira Oi, em recuperação judicial, com menor poder. Hoje, nas tecnologias das bandas 4G, já predominam os equipamentos chineses, mais eficientes que americanos, coreanos, japoneses, alemães ou finlandeses. È verdade que o leque de serviços da 5G é bem maior.

Tiete do presidente americano Donald Trump, o parlamentar se alinha com ele e diz que preferiria que o Brasil não utilizasse a tecnologia da empresa (que o governo dos EUA quer evitar). Argumenta que não se trata de uma empresa privada. Não é bem verdade, a Huawei funciona em sistema de cooperativas, com mais de 99% de suas ações em mãos do sindicato dos funcionários. Parceiros militares dos EUA – a começar pelo mais antigo, o Reino Unido -, usam equipamentos da Huawei. Os ingleses impuseram cotas, limitando em 35% a participação dos equipamentos da gigante chinesa e tornaram algumas áreas secretas. O que a SAE sabe, pode se repetir aqui, perfeitamente.

A disposição de franquear o mercado brasileiro aos americanos, sem exigências de contrapartida, como na negociação do ingresso na OCDE, para a qual o Brasil aceitou perder o status de economia emergente, que lhe dava maior proteção nos painéis da Organização Mundial do Comércio, parece não ter limites. Além do nº 03, o próprio Guedes achou bom perder o status. Vamos entregar novas usinas nucleares à Westinghousen, que vendeu Angra I, a “usina vaga-lume”, tantas eram as interrupções nos primeiros anos. Coisa de US$ 1 bilhão cada.

Não se sabe, em meio ao acordo comercial China-EUA, se seremos prejudicados pelo Tio Sam na tomada de espaços no mercado chinês no fornecimento de farelo de soja e milho, e de carnes de frango, boi e suínos. Os EUA são os maiores produtores destes alimentos, mas o Brasil tomou a liderança nas exportações há mais de uma década, exceto em carne de porco, valendo-se, sobretudo, da penetração no mercado chinês.

Corremos o risco de levar um chega-prá-lá. A gripe suína africana dizimou 40% da criação de porcos do país (na China a carne de porco garantia cerca de 45% do mercado de proteína até 2018). O Brasil vem sofrendo fortes quedas nas exportações de farelo de soja para a China. Em 2019 a redução foi de 21%; em janeiro chegou a 40%. Não se sabe se há uma contração geral, que pode ser agravada pelos efeitos do coronavírus, só detectado na 2ª metade de janeiro, ou se os fazendeiros americanos (base do eleitorado de Trump) já estão ganhando mercado pós acordo.

P.S. Seguindo o conselho de Paulo Guedes, vou passar duas semanas no Nordeste. Volto a escrever em março.

“Recado”, Paulinho da Viola e outros bambas geniais da Velha Guarda da Portela. Comecemos a semana de carnaval cantando alegremente com eles e aplaudindo. De pé. Outros cinquenta e muitos mais. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

PT diz que Bolsonaro é “viciado em mentir”

 

Em reação à declaração de Jair Bolsonaro de que o governo da Bahia foi responsável pela morte do miliciano Adriano da Nóbrega, o PT divulgou uma nota em que chama o presidente de “covarde” e “viciado em mentir”.

“Diante de denúncias, suspeitas e problemas reais, sua reação é fazer acusações sem provas. Fez isso com Leonardo DiCaprio, com o Greenpeace, com a Miriam Leitão, com o presidente francês Macron, com ex-presidentes do INPE, do IBGE, do BNDES, já mentiu até sobre seus ministros e parceiros do PSL”, diz nota do partido.

Ontem, como registramos, Bolsonaro e o governador da Bahia, Rui Costa, trocaram acusações a respeito da morte do miliciano.

O governador petista chegou a dizer que Adriano teria “laços de amizade com a Presidência”.

Do Jornal do

Conteúdo online deveria ser regulado com um sistema que ficasse entre as regras existentes para telecomunicações e as de indústrias de mídia, disse o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, a líderes globais e chefes de segurança neste sábado.

Falando na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, Zuckerberg disse que o Facebook melhorou seu trabalho para conter interferências online em eleições, e foi além em seus pedidos anteriores de regulação das empresas de mídia social.

Macaque in the trees
Mark Zuckerberg (Foto: AFP)

“Eu realmente acho que deveria haver regulação sobre conteúdo prejudicial…existe uma questão sobre qual estrutura usar para isso”, disse Zuckerberg durante sessão de perguntas e respostas.

“No momento existem duas estruturas que acho que as pessoas têm para as indústrias atuais –há jornais e mídia existentes, e então tem o modelo tipo telecomunicações, que é ‘os dados apenas fluem através de você’, mas você não será responsabilizado por telecomunicação se alguém disser algo danoso por telefone.”

“Eu realmente acho que deveríamos estar em algum lugar no meio”, disse ele. (Reuters)

Adriano da Nóbrega foi um policial excepcional e depois um delinquente excepcional. Instrutor da corporação que protagonizou ‘Tropa de Elite’, se tornou criminoso depois de sair a prisão

Área onde milicianos atuam em Muzema, no Rio de Janeiro.
Área onde milicianos atuam em Muzema, no Rio de Janeiro.Hudson Pontes

Em 2005, a cadeia para policiais militares do Rio de Janeiro viu a entrega da maior condecoração do Estado. No entanto, o homenageado não era um guarda, mas um preso. Um agente acusado de assassinato recebeu a medalha Tiradentes —um reconhecimento pela prestação de serviços relevantes ao Estado— proposta de um deputado carioca de vinte e poucos anos, Flavio Bolsonaro. Seu pai, Jair Bolsonaro, então um irrelevante deputado que se tornaria presidente do Brasil, compareceu ao julgamento do prisioneiro condecorado e dedicou-lhe, inclusive, um discurso no plenário da Câmara dos Deputados. Ele o considerou um corajoso injustamente perseguido depois de matar durante uma operação policial “um elemento que, apesar de estar envolvido com o tráfico de drogas, era considerado pela imprensa como um simples flanelinha”. Neste sábado, Jair Bolsonaro voltou a falar sobre o miliciano. “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo. Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar”, afirmou em entrevista à imprensa.

Adriano Magalhães da Nóbrega foi um policial excepcional e depois um delinquente excepcional. Instrutor da corporação que protagonizou o filme Tropa de Elite, ele se tornou criminoso anos atrás, depois de sair a prisão em 2006. Em 2018 foi interrogado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e no domingo passado morreu abatido em uma operação policial. Tinha 43 anos.

A suspeita de queima de arquivo foi imediata. Uma suspeita que desenha um final cinematográfico para uma vida de telenovela de terror. Considerado corajoso e violento por seus colegas, o capitão Adriano encarnava as cloacas do Rio, de acordo com o veterano repórter do jornal O Globo Chico Otavio. Um denso emaranhado de relações obscuras entre a polícia, o crime organizado e a política por trás da fachada de praias espetaculares, Carnaval e caipirinha. “O Rio é hoje como a Chicago dos anos vinte ou a Nova York dos anos oitenta”, diz Jacqueline Muniz, doutora em Estudos Policiais.

O capitão Adriano era um dos homens mais procurados do Brasil. Embora tenha se deparado com a lei várias vezes, ao morrer estava limpo, pelo menos nos registros oficiais. Seus antecedentes criminais evaporaram porque foi condenado por assassinar o flanelinha, mas depois acabou absolvido. Tampouco foi processado no caso Marielle (pelo qual outro ex-policial militar está preso). E, apesar de ser suspeito de vários assassinatos, o contato que tinha com o agora senador Flavio Bolsonaro era indireto, mas recente: até 2018, o filho do presidente brasileiro empregou em seu gabinete a mãe e a ex-esposa desse policial expulso da corporação em 2014.

fev
17
Posted on 17-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-02-2020


 

 Clayton, no jornal

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Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol marcam, time de Jesus não dá brechas ao Furacão e garante taça inédita

 
 Melhores momentos de Flamengo 3 x 0 Athletico-PR pela Supercopa do Brasil
  • Jorge Jesus abriu 2020 destacando o “outro patamar” do Flamengo, que virou mantra da torcida. Em campo, o resultado. Neste domingo, em Brasília, o Rubro-Negro dominou o Athletico-PR numa manhã de Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta. Com um gol de cada, a equipe fez 3 a 0 no time de Dorival Júnior e garantiu a taça inédita da Supercopa do Brasil.

    Flamengo é campeão da Supercopa do Brasil

    Flamengo é campeão da Supercopa do Brasil (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

  • amengo colocou nova taça na prateleira de conquistas. O Rubro-Negro do Rio de Janeiro é agora o terceiro clube a conquistar a competição. Antes, Grêmio (1990) e Corinthians (1991) haviam conquistado o título da Supercopa, que voltou a ser disputada 29 anos depois.
    Taça Supercopa do Brasil Flamengo x Athletico-PR

    Nem mesmo o forte calor de Brasília diminuiu a intensidade do Flamengo. O time de Jorge Jesus tomou conta do jogo desde os primeiros minutos, com marcação alta e posse de bola. O reflexo apareceu no placar: Bruno Henrique, de cabeça, e Gabigol, aproveitando grande vacilo de Márcio Azevedo, balançaram a rede. Acuado, o Athletico-PR só conseguiu sair ao ataque no fim, mas Erick desperdiçou principal oportunidade, livre entre os zagueiros.

    Gabigol marcou o segundo do Flamengo na decisão da Supercopa do Brasil

    Gabigol marcou o segundo do Flamengo na decisão da Supercopa do Brasil (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

    Dorival voltou com mudança nas duas laterais, e o time respondeu com mais vontade, mas encontrou poucos espaços. Seguro em campo, o Flamengo manteve a posse de bola e matou o jogo com tranquilidade, aos 23 minutos, com Arrascaeta. O Furacão até tentou diminuir o prejuízou com Bissoli, mas parou no travessão e em jogo sólido de Diego Alves.

  • “OUTRO PATAMAR”

    Jorge Jesus chegou em junho de 2019 ao Flamengo. Oito meses depois, o português chega ao terceiro título. Além da Supercopa do Brasil, o treinador levou o clube às conquistas do Brasileirão e da Libertadores.

    Jorge Jesus conquistou o terceiro título sob o comando do Flamengo

    Jorge Jesus conquistou o terceiro título sob o comando do Flamengo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

  • RECONSTRUÇÃO

    Campeão da Copa do Brasil em 2019, o Furacão perdeu jogadores importantes no início do ano, como Bruno Guimarães, Marco Ruben e Marcelo Cirino. Além disso, Dorival Junior iniciou há pouco a trajetória no clube. O vice-campeonato da Supercopa do Brasil foi apenas o segundo jogo oficial do grupo principal do Furacão na temporada – antes, um empate em 1 a 1 com o Paraná pelo estadual.

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