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CRÔNICA

                                  Um papa chamado Luiz Inácio

                                  Janio Ferreira Soares

Começo a escrever este texto na manhã de quinta-feira, ainda sem saber detalhes do encontro entre o papa Francisco e Lula, marcado para hoje no Vaticano. Mesmo assim, entendo que este fato têm todos os ingredientes para mudar o rumo da igreja católica e levar nosso Fernando Meirelles a rodar a sequência de Dois Papas, uma vez que, no tête-à-tête do atual ocupante da cadeira de São Pedro com aquele que afirma não existir viva alma mais honesta que a dele, pode ter acontecido sua tão esperada mea-culpa, fato determinante para futuras glorificações.

Assim, viajo nas beiradas de uma hóstia não consagrada e imagino como seria o enredo dessa provável obra-prima que, fosse uma literatura de cordel escrita por um gaiato, poderia receber o título de: “A Peleja do Sapo Barbudo Com o Hermano Chico Milongueiro”. Simbora.

À semelhança do primeiro, o filme começaria com um flashback mostrando sua infância no agreste pernambucano, a ida pra São Paulo num pau de arara e a dor da perda do mindinho numa prensa mecânica, até chegar naquela gigantesca greve que reuniu milhares de trabalhadores em São Bernardo dos Campos em 1979, ocasião em que ele (ainda com o jeitão de quem jamais trocaria os destilados das canas plantadas em Vitória de Santo Antão (PE) pelas uvas Pinot Noir cultivadas na Borgonha) despontou para o mundo ao discursar para 200 mil metalúrgicos.

Em seguida, imagens mostrariam sua ascensão até chegar à presidência, com destaque para sua mudança no visual, que evoluiu do desenho do rosto de Lech Walesa impresso numa surrada malha Sulfabril sobre sua pança, até o trote do nobre cavaleiro da Ralph Lauren prestes a acertar seu mamilo esquerdo com uma tacada de responsa.

As cenas seguintes viriam acompanhadas pelo som que precede denúncias, com fotos desbotadas de Cerveró, Dirceu, Palocci e Bittar dentro de um pedalinho em forma do pato da Fiesp, afundando lentamente no lago de um sítio em Atibaia. Na sequência, milhares de manifestantes com roupas amarelas e vermelhas invadem as ruas do país, enquanto nuvens aceleradas apressam a passagem do tempo.

Agora, já numa sala da Polícia Federal em Curitiba, o corpo que abriga a alma gêmea de Irmã Dulce lê uma carta enviada pelo papa Francisco, lhe dizendo para não desanimar nem deixar de confiar em Deus, que em breve chegará um sinal.

Meses depois, Lula nota que o Cohiba no cinzeiro solta uma fumaça branca e densa, semelhante à da chaminé do Vaticano quando anuncia um novo papa. Entre assustado e convencido, ele se benze e grita em direção aos seus discípulos em vigília: “chupa, Moro!”.

Antes do The End, vejo a foto do papa Francisco abençoando-o após o encontro e constato que, num mundo onde Habemus Bolsonaro, nada mais natural do que um papa chamado Luiz Inácio.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio Sã Francisco

 

Brasil com S”: João e Rita, no BP nosso de todos os dias, para amar cada vez mais o Brasil, que é maior do que eles! Quem?

BOM DOMINGO!!!

(Gilson Nogueira)

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16

Por G1 Rio

Bolsonaro diz que a Polícia Militar da Bahia matou o ex-PM Adriano da Nóbrega

O presidente Jair Bolsonaro inaugurou na tarde deste sábado (15) a ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, no Rio de Janeiro. No final do evento, ao ser questionado sobre a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega, morto na Bahia na semana passada, o presidente afirmou que foi a Polícia Militar da Bahia que matou o ex-policial.

“Quem matou o capitão Adriano foi a PM da Bahia. Mais ainda: medalha de 2005 [condecoração concedida pelo então deputado Flavio Bolsonaro]. Ele foi condenado em primeira instância e absolvido em segunda. Não tem nenhum sentença tramitada e julgada condenando o capitão Adriano por nada. Sem querer defendê-lo, não conheço a vida pregressa dele. Naquele ano ele era um heróis da Polícia Militar. Como é muito comum qualquer policial em operação mata vagabundo, mata traficante, e a imprensa, em grande parte vai em defesa do marginal e condena o policial.”

O presidente também foi questionado sobre a ligação do ex-capitão Adriano com a milícia no Rio. Ele afirmou que não conhece o grupo.

“Eu não conheço a milícia no Rio de Janeiro. Desconheço. Não existe nenhuma ligação minha com a milícia do Rio de Janeiro”, afirmou.

Bolsonaro disse ainda que ele mesmo pediu que o filho Flávio fizesse uma homenagem para Adriano na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2005. Segundo o presidente, na época o policial era um herói.

 “Eu é que pedi pro meu filho condecorar, pra que não haja dúvida. Ele era um herói. Eu determinei, pode trazer pra cima de mim, essa aí. Meu filho condecorou centenas de policiais. Vocês querem me associar a alguém por uma fotografia, por uma moção, isso aconteceu 15 anos atrás. Pessoas mudam para o bem ou para o mal, mudam. Não estou fazendo juízo de valor aqui, espero que as investigação…se bem que se for aqui pelo Rio o padrão..aquela do porteiro da minha casa, o padrão porteiro da minha casa…”, disse Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro fala sobre morte de ex-capitão

Durante o evento, o senador Flávio Bolsonaro também falou sobre a morte de Adriano da Nóbrega e citou uma reportagem da revista Veja, que afirma que pode ter havido queima de arquivo.

“Não adianta querer me vincular à milícia porque não tem absolutamente nada com milícia. Condecorei o Adriano há mais de 15 anos. Há mais de 15 anos. Como é que eu posso adivinhar o que ele faz de certo e errado hoje, depois de 15 anos, vou insistir com isso.

Eu tive a informação de que iriam cremar o corpo dele. Fiz questão de ir para as redes sociais e pedir para que não fizesse. Pelo o que eu soube, é aquilo que está na revista, ele foi torturado para falar o quê? Com certeza nada contra nós, porque não tem o que falar contra nós. Não temos envolvimento nenhum com milícia”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Notas do Governador da Bahia e do Presidente Bolsonaro

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), divulgou uma nota em que afirma:

“Na Bahia, trabalhamos duro para prevalecer a lei e o Estado de Direito. Na Bahia, a determinação é cumprir ordem judicial e prender criminosos com vida.”

Também em nota, o presidente Bolsonaro reiterou que o policial Adriano foi condecorado em 2005 e que até a data da execução dele, nenhuma sentença condenatória transitou em julgado.

 

O presidente Jair Bolsonaro e o governador da Bahia, nas notas que divulgaram, acabaram por elevar o tom e trocaram ofensas.

Visita ao Rio

O presidente chegou ao Rio por volta das 14h30. Estavam presentes no evento de inauguração na Ponte-Rio Niterói o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, o senador Flavio Bolsonaro (Sem Partido), o deputado Hélio Negão (Sem Partido), o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e o juiz federal Marcelo Bretas.

Bolsonaro também participou na Praia de Botafogo, Zona Sul do Rio, do evento religioso da Igreja Internacional da Graça de Deus. O presidente deixou o local por volta das 17h sem falar com os jornalistas.

Do Jornal do Brasil

IESA RODRIGUES

As restrições nos aeroportos europeus e os riscos de contaminações em plateias lotadas estão modificando os lançamentos de moda do hemisfério norte. Até agora a Federação da Alta Costura e da Moda, o órgão oficial da moda francesa já anunciou a saída de Masha Ma, Shiatzy Chen, Uma Wang, Jarel Zhang, Calvin Luo and Maison Mai, marcas chinesas da semana dos desfiles de inverno, que será de 24 de fevereiro a 03 de março.

Macaque in the trees
A designer chinesa Masha Ma nos ajustes de camarim, no ano passado (Foto: Divulgação)

A Camera Nazionale della Moda, que organiza a semana de Milão, de 18 a 24 de fevereiro, anunciou que acolheria os designers chineses. Só que sem desfiles ao vivo: o plano é usar as mídias sociais para exibir os desfiles em lives, comentar as coleções, vídeos e até entrevistas que darão acesso aos compradores para negociar com os criadores.

Em Paris, a maioria dos desfiles terá sensores térmicos na entrada dos convidados, para impedir os febris de entrarem principalmente nas grandes salas, como as tendas e o Grand Palais.

Já as semanas de Pequim (a partir de 25 de março) e Shangai (26 de março) foram adiadas.

Aguarda-se a visão de plateias de máscaras e óculos escuros.

Macaque in the trees
Exemplos da coleção de verão de Uma Wang, que saiu da agenda de desfiles de Paris (Foto: Divulgação)
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Sapatos inspirados nas sapatilhas de balé são sucessos de acessórios de Uma Wang (Foto: Divulgação)

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16

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS lISBOA

Ex-presidente do Brasil, libertado da prisão em novembro, foi ao Vaticano encontrar-se com o líder da igreja católica.

O papa Francisco agradeceu hoje ao antigo Presidente do Brasil Luís Inácio ‘Lula’ da Silva a visita ao Vaticano e mostrou-se satisfeito por poder vê-lo “caminhando pela rua” depois de sair da prisão, em novembro.

“Agradeço-lhe o seu gesto de vir, agradeço-lhe muito, e estou contente de poder vê-lo caminhando pela rua”, disse em espanhol o pontífice argentino, ao que ‘Lula’ da Silva respondeu com um “obrigado” em espanhol, de acordo com a agência de notícias espanhola Efe, que cita um vídeo difundido pelo antigo dirigente brasileiro na rede social Twitter.

Lula da SIlva disse ao papa que foi ao Vaticano para “agradecer e falar um pouco sobre o tema das desigualdades”, mas também sobre as conquistas sociais e o cuidado com o meio ambiente, e valorizou a conversa que ocorreu “num momento delicado”.

Esta foi a primeira vez que o antigo Presidente brasileiro saiu do país desde que foi libertado da prisão, em novembro, depois de a justiça brasileira ter aceitado adiar para dia 19 de fevereiro um interrogatório ainda pendente.

Lula  da Silva, condenado em dois processos por corrupção, passou 580 dias na prisão e está em liberdade condicional e tem pelo menos outras sete investigações abertas pela justiça brasileira.

O antigo líder brasileiro foi condenado em terceira instância a oito anos e dez meses por corrupção passiva e branqueamento de capitais, depois de ter sido considerado culpado de receber um apartamento em troca de favores políticos à construtora OAS.

O processo será ainda analisado pelo supremo tribunal brasileiro, a última instância passível de recurso no Brasil.

fev
16
Posted on 16-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-02-2020
Iotti

Iotti, no jornal gaúcho

 

O cheiro dos pobres

‘Parasita’, vencedor do Oscar, se inscreve na tradição literária e cinematográfica do arrivista como expoente da luta de classes

Cena do filma "Parasita", de Bong Joon-ho.
Cena do filma “Parasita”, de Bong Joon-ho.
 

A notícia cinéfila da semana é que Parasita, um filme sul-coreano, ganhou o maior prêmio cinematográfico dos Estados Unidos. Comentou-se à saciedade que é a primeira vez que uma produção com diálogos em um idioma diferente do inglês derrotou os pesos-pesados da indústria mais poderosa do mundo. Ainda é cedo para saber se será um fato isolado ou um sintoma de uma nova tendência, bem como saber de que tendência estamos falando, embora certamente tenha algo a ver com a nova hegemonia propiciada pelas plataformas globais de produção e distribuição por streaming. No ano passado, outro filme “estrangeiro” (agora mudou oficialmente a denominação do filme “internacional”), Roma, centrado em uma empregada doméstica submissa e sofredora, subjugada pela família rica à qual serve, quase ganhou esse prêmio. É tentador apontar o paralelismo e forçar ligeiramente a metáfora, já que os personagens de Parasita têm acesso ao cobiçado universo da classe alta (Hollywood?) pela porta de serviço, embora o façam com uma atitude completamente oposta.

Mais informações

Essa atitude, esse descaramento, é sem dúvida uma das razões pelas quais, ao contrário do filme de Cuarón, ao falar de Parasita a crítica mencione não apenas a enorme desigualdade social e a divisão de classes, mas essa expressão quase proscrita: “luta de classes”. E, no entanto, Parasita pouco tem a ver com a reivindicação coletiva de um mundo diferente, e tem muito a ver, por outro lado, com outra venerável tradição social, com esse impulso individual(ista) por prosperar, por integrar-se a uma classe social superior e desfrutar de seus privilégios, o que sempre se chamou de arrivismo.

A coincidência de uma sociedade industrializada e de uma cultura obcecada não apenas pela classe social, mas pelos sinais externos de pertencimento a essa classe, levou que a figura do arrivista tivesse sua representação mais sólida na literatura anglo-saxã a partir da segunda metade do século XIX. A inquietação social produzida pela revolução industrial teve primeiro em Dickens um cronista do movimento inverso, de deixar de pertencer a uma classe, da súbita queda na pobreza por razões fora do controle de seus personagens (David Copperfield, A Pequena Dorrit, os protagonistas de A Casa Soturna). Quando Dickens retrata um arrivista, como Pip em Grandes Esperanças, o faz com tal ternura que mal ousamos dar esse nome a ele, e sua ascensão na escala social está tão fora de seu controle quanto a descida na mesma escada dos outros personagens. Totalmente oposto é o outro grande personagem arrivista do início da era vitoriana, o Barry Lyndon de W. M. Thackeray, este sim, cínico e calculista.

À medida que os exércitos de mão de obra assalariada invadem os cinturões urbanos, o medo de se contaminar pela irrupção dessa humanidade que a classe alta conceitua como impenetrável e animal adota várias formas literárias, desde o mito de Frankenstein (que Franco Moretti diz simbolizar o medo da burguesia em relação ao proletariado) até o romance policial, que nasceu como um gênero naquela época. E o fascínio, surgido do medo e da curiosidade, alimenta a figura do arrivista, um homem do povo com talentos excepcionais (é claro, todo talento de um proletário, camponês etc., será excepcional por definição), que aspira ocupar um lugar o que não lhe corresponde por nascimento (como Judas, O Obscuro, de Thomas Hardy).

Esse fascínio é muitas vezes codificado como erótico: o arrivista ingressa na classe alta por meio de um relacionamento sexual com uma mulher à qual seduz, não por sua adaptação aos novos códigos, mas por seus “erros”. O exemplo clássico é Uma Tragédia Americana, de Theodore Dreiser, que nos lembra que o romance norte-americano herda esse tema do arrivismo e o restitui na grande burguesia industrial, no lugar da aristocracia.

Nesse mundo incerto, no qual um órfão como Heathcliff pode acabar sendo dono do Morro dos Ventos Uivantes, as marcas culturais do pertencimento a uma classe são continuamente vigiadas. Os arrivistas estão em risco permanente de serem descobertos, ridicularizados ou expostos. São traídos pela pele morena, as maneiras ásperas, as agressões à gramática (o protagonista homônimo de Martin Eden), a pronúncia incorreta do alemão (Leonard Bast em Howards End), a roupa gasta ou inadequada.

Auxiliados pela tecnologia moderna e pela permeabilidade moderna dos costumes, os protagonistas de Parasita são praticamente infalíveis e não cometem nenhum dos erros de seus antecessores. Apenas seu odor corporal os trai, o “cheiro de pobre”, como é definido de forma sucinta no filme, sem nenhuma referência às conotações de doença, falta de higiene, amontoamento. Não é apenas um “erro” impossível de corrigir, mas é provavelmente o único erro que jamais será instrumento de sedução. Impedirá a perfeita integração dos perfeitos arrivistas, o que não desencadeará uma luta de classes, mas um massacre coletivo.

Enraizado na tradição literária e cinematográfica do arrivista ou do alpinista social, Parasita se afasta de filmes claramente aparentados com ele, como O Criado, de Joseph Losey, porque não se trata de um “alpinista”, mas de várias. O fato de todos os membros da família se juntarem um por um à trama é uma das chaves do humor do filme e do desconforto que suscita. Parece que poderiam se multiplicar até o infinito, que qualquer pessoa, parente ou não, poderia participar da farsa com a mesma destreza. E talvez seja esse o aspecto o mais subversivo e inovador do filme. No relato clássico, um arrivista individual tenta alcançar uma posição que admira. Para isso, ele deve imitá-la com seu talento e essa imitação é o melhor elogio e legitimação possível da ordem social. A sorte do arrivista se justifica por uma meritocracia que, por sua vez, ratifica os valores que sustentam a hierarquia. Bem dizia Orwell que não acreditaria em ninguém que dissesse admirar a classe operária até vê-lo adotar as maneiras do proletariado à mesa.

Se qualquer um pode imitar o objeto de desejo e se a diferença entre o original e a cópia é algo tão intangível quanto um cheiro que apenas os privilegiados percebem, a exclusividade e a aura são desvalorizadas. Isso poderia levar, como sonhava Walter Benjamin, a uma radical mudança social. Mas, por mais que a crítica a invoque, se a luta de classes não estiver presente, essa desvalorização pode ser apenas mais um sintoma da nova hegemonia audiovisual.

Ana Useros é crítica de cinema e tradutora.

Leituras

Grandes Esperanças, Charles Dickens

Judas, O Obscuro, Thomas Hardy

Uma Tragédia Americana, Theodore Dreiser

Martin Eden, Jack London

A Mansão, E. M. Forster

O Criado, Robin Maugham

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