Resultado de imagem para Paulo Emilio Catta Preta advogado do ex-capitão do Bope morto na Bahia
Adriano, o ex-capitão do Bope-Rio: arquivo mortona Bahia que assombra muita gente

ARTIGO DA SEMANA

 

Arquivo Morto: conexão Rio-Bahia e tiros no capitão em Esplanada

Vitor Hugo Soares

Ao divulgar parte da conversa que manteve, no celular, com seu cliente – antes do cerco da polícia em Esplanada, que culminou na morte do ex capitão do Bope do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega, – o advogado Paulo Emílio Catta Pretta agregou explosivos fatores policiais, processuais e políticos ao caso. E fez surgir a suspeita, cada vez mais consolidada, de que foi destruído precioso arquivo ambulante para esclarecimento de casos de  relevância e repercussão no combate ao crime organizado, em especial do tipo que envolve grupos milicianos no Brasil. Mais embaralhado e difícil responder, por exemplo: Quem mandou matar Marielle?

Depois deste fiasco, restam dúvidas, suspeitas e polêmicas. Razões que levaram a justiça a impedir a cremação do corpo do “assassinado na Bahia” (a expressão é do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em depoimento na Câmara), até que tudo seja devidamente desvendado. E se faça a luz na estranha e mal explicada “união” de duas forças de segurança estaduais que resultou neste anticlímax de domingo passado,  a 170 Km de Salvador,  onde o corpo do ex- capitão de tropa de elite fluminense foi fulminado.

Na conversa com o advogado, Adriano sugeriu que a união de forças policiais e políticas, na sua caçada, mais que prendê-lo tinha como finalidade uma “queima de arquivo”. Em seguida, morreu, sozinho, na casa do sítio do vereador Gilson Neto (Gilsinho de Dedé), do PSL, irmão do vice-presidente da Assembléia Legislativa de Bahia, Alex Lima (PSB) e do ex-prefeito de Esplanada, Rodrigo Lima (PTN).  O cadáver do ex-capitão é agora assombração  para muita gente.

Bolada nos desvãos do Rio, a operação para pegar Adriano Nóbrega foi executada por 70 integrantes do Bope da PM baiana, espécie de talismã de Maurício Barbosa, que comanda a SSP-BA desde o primeiro governo do atual senador do PT, Jaques Wagner. Mais forte e temido, ainda, na atual gestão de Rui Costa, quando passou a acumular suas funções de Chefe de Polícia local, com as de coordenador do Fórum Nacional de Secretários de Segurança Pública, protagonista recentemente,  em Brasília, de um dos mais graves desencontros entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro, ao propor a recriação do  Ministério da Segurança, separado da Justiça.

Estudioso das milícias, o sociólogo José Cláudio Souza Alves, autor do livro “Dos Barões ao Extermínio – Uma História da Violência na Baixada Fluminense”, questiona a ação do dia 9, nos antigos domínios coloniais do Barão de Timbó, dos primórdios de Esplanada. Para o professor, uma operação de cerco deve lidar com paciência, dissuasão, não com um confronto direto. “Estamos falando  de simples cerco a uma casa no campo. Investiram recursos públicos para desembocar naquilo que é o oposto do desejável. Não dá para falar em operação policial de inteligência, mas sim de estupidez e de ignorância”, Ponto.

O secretário Maurício Barbosa defende a ação de seus comandados em conexão com a polícia fluminense, mas diante das dúvidas e da pressão, anuncia a entrada da Corregedoria Geral da Polícia para “apurar circunstâncias da morte de Adriano”. O governador do Rio, Witzel, também defende seus agentes, e diz que o resultado na Bahia foi o “esperado e satisfatório”. O governador petista Rui Costa se mantém reticente, mas elogia seu Secretário e homem de inteligência da sua polícia. ..A verdade, o tempo, senhor da razão mostrará. Ou não?

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br
 

“Eu gosto mais do Rio”, Nara Leão: Amorosa declaraçã musical ao Rio de autoria de Pacífico Mascarenhas, gravada no álbum “Meus Sonhos Dourados”. A a perfeição interpretativa de sempre  da incrível e saudosa Nara. Feliz sábado a todos os ouvintes e leitores do BP.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

 

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), alfinetou o senador Flávio Bolsonaro (sem-partido-RJ) ao comentar nesta quinta (13) as declarações do filho do presidente sobre a morte de Adriano da Nóbrega, acusado de comandar uma milícia no Rio de Janeiro.
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O governador da Bahia, Rui Costa (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

“Eu não entendo de milícia, não entendo de crime. Deixa quem entende do assunto falar”, disse o governador petista em entrevista à imprensa.

Nesta quarta-feira (12), Flávio se manifestou pela primeira vez sobre a morte do ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega. Ele afirmou que o miliciano foi “brutalmente assassinado” e pediu que fosse impedida a cremação do corpo.

“DENÚNCIA! Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”, escreveu o senador em sua conta oficial no Twitter.

Foi o primeiro pronunciamento público da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a morte do ex-PM, acusado de integrar um grupo de assassinos profissionais, chefiar uma milícia e ter sociedade com bicheiros no Rio de Janeiro.

Homenageado duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio por Flávio, Adriano é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” (esquema de devolução de salários) no gabinete do então deputado estadual. O miliciano teve a mãe e a mulher nomeadas por Flávio.

Também recebeu homenagem de Jair Bolsonaro, na época deputado federal.

Foragido havia mais de um ano, Adriano foi morto no domingo (9) em uma operação conjunta das polícias baiana e fluminense em Esplanada (cidade a 170 km de Salvador).

As circunstâncias da morte expõem uma série de dúvidas sobre a rede que deu suporte a Adriano e sobre a própria versão oficial da morte dele.

A Justiça do Rio de Janeiro impediu na madrugada desta quarta a cremação, solicitada pela mãe e irmãs do ex-policial. A cerimônia estava marcada para as 10h no Crematório do Memorial do Carmo, mas foi cancelada.

Também nesta quinta, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, falou sobre a operação que resultou na morte do ex-PM.

“Quem ofereceu a resistência não foi a polícia”, disse o secretário, ao justificar o desfecho da ação policial.

Ele afirmou que a secretaria de Segurança Pública da Bahia está colaborando com a polícia no Rio de Janeiro para que sejam aprofundadas as investigações sobre os crimes praticados pelo miliciano.

Segundo laudo do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, Adriano foi morto com dois tiros na região do tórax. Os tiros causaram lesões no tórax, no pescoço e na clavícula, além de quebrar sete costelas.

Os técnicos também farão perícia no escudo à prova de balas utilizado pelos policiais na operação policial.

De acordo com o diretor do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, Élson Jefferson, é possível identificar duas marcas “provenientes de impactos relevantes” no escudo. As equipes da Polícia Técnica vão analisar a existência de vestígios de chumbo ou cobre no equipamento.

Em depoimento, os policiais que participaram da ação relataram que o escudo evitou que dois disparos de arma de fogo os atingissem. (João Pedro Pitombo/FolhaPressSNG)

fev
15
 
 

Por GloboEsporte.com — Nyon, Suíça

Bomba no futebol mundial. A Uefa anunciou nesta sexta-feira que o Manchester City está banido por dois anos de qualquer competição europeia de clubes. A confederação divulgou um comunicado alegando que a decisão foi tomada pelo Organismo de Controle Financeiro (CFCB), que também impôs uma multa de € 30 milhões (R$ 140 milhões na cotação atual) ao clube inglês por cometer sérias violações e também não cooperar com a investigação. O Manchester City declarou que vai recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).

do culpado por ter inflacionado de forma falsa os valores de seus patrocínios, no período entre 2012 e 2016, apresentados à Uefa em um processo aberto depois de documentos vazados pela revista alemã “Der Spiegel”, em novembro de 2018. A punição deve ser cumprida nas temporadas 2020/21 e 2021/22. Portanto, a equipe, que está nas oitavas de final da atual edição, segue na competição da atual temporada.

Os emails vazados mostravam que o proprietário do City, Sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, da família que governa Abu Dhabi, estava financiando o patrocínio anual de 67,5 milhões de libras da camisa, estádio e as divisões de base através da Etihad Airways, companhia aérea de seu país.

Manchester City está proibido de disputar competições europeias pelos próximos dois anos — Foto: Reprodução de Twitter Manchester City está proibido de disputar competições europeias pelos próximos dois anos — Foto: Reprodução de Twitter

Manchester City está proibido de disputar competições europeias pelos próximos dois anos — Foto: Reprodução de Twitter

 

Um dos documentos sugeriu que apenas 8 milhões de libras desse patrocínio na temporada 2015/16 foram financiados diretamente pela Etihad Airways, enquanto o restante veio do veículo da empresa de Mansour para a propriedade do City, o Abu Dhabi United Group.

O processo no Organismo de Controle Financeiro (CFCB) da Uefa foi conduzido pelo jurista português José Narciso da Cunha Rodrigues, membro do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Em comunicado oficial, o Manchester City se disse “decepcionado por não se surpreender” com a decisão e afirmou que vai recorrer:

O Manchester City está desapontado, mas não surpreso com a decisão do Organismo de Controle Financeiro (CFCB) da Uefa. O clube sempre antecipou a necessidade de procurar um órgão independente para considerar imparcialmente o conjunto abrangente de evidências irrefutáveis em apoio à sua posição.

Em dezembro de 2018, o Investigador Chefe da Uefa (nota da redação: Yves Leterme) previa publicamente a sanção que ele desejava impôr ao clube, mesmo que nenhuma investigação tivesse se iniciado à época. O processo falho e constantemente vazado da Uefa que ele supervisionava deixava poucas dúvidas quanto ao resultado que ele anunciaria. O clube reclamou formalmente para o Comitê Disciplinatório da Uefa, reclamação esta que foi validada por uma decisão do CAS.

Dessa forma, este é um caso iniciado pela Uefa, conduzido pela Uefa e julgado pela Uefa. Com esse processo prejudicado encerrado, o clube vai agora perseguir um julgamento imparcial o mais rápido possível e vai, portanto, em primeira instância, tomar medidas na Corte Arbitral do Esporte na primeira oportunidade“.

Atual segundo colocado do Campeonato Inglês, o Manchester City está na zona de classificação para a próxima edição da Liga dos Campeões. Com a decisão da Uefa, a tendência é que o quinto colocado da Premier League passe a fazer parte do grupo de classificados – posição ocupada hoje pelo Sheffield United.

DO EL PAÍS

Depois de se afastar da vida pública, o astro retorna com ‘Changes’, seu primeiro álbum em cinco anos. Resta saber se será capaz de convencer o mundo de que amadureceu

Justin Bieber em Londres em quarta-feira, na apresentação de seu novo disco.
Justin Bieber em Londres em quarta-feira, na apresentação de seu novo disco

Justin Bieber já tem bigode. É um bigodinho piramidal, a meio caminho entre o moderno e o vintage, típico de agora. Não chega a ser do tipo clássico, nem inglês nem francês, muito menos revolucionário, mas é um bigode suficiente para ser uma sensação entre as beliebers ?o enorme exército de fãs do músico?, e para algo talvez mais importante: para refletir a mudança substancial que está buscando o astro da música pop, que interrompeu sua carreira há três anos por estar cansado da fama.

Aos 25 anos, Bieber quer entrar no mundo adulto. Não só pelo bigode, mas também por um regresso discográfico que fala por si só. O novo álbum, lançado nesta sexta-feira, chama-se Changes. Ou seja, “mudanças”, não só estéticas, deixando para trás o menino imberbe, como também artísticas: seu novo disco, o primeiro em cinco anos, é um salto qualitativo de Bieber em direção à primeira divisão do pop.
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Com seu reluzente novo bigode e seu cabelo tingido de loiro, Bieber apresentou Changes na quarta-feira em Londres. Em um encontro com a imprensa europeia, as medidas de segurança obrigaram os participantes a deixar os celulares na entrada enquanto as beliebers esperavam nos arredores do Tape London, um clube noturno de classe alta, especializado em rhythm and blues e decorado com estrelas da fama, ao estilo de Hollywood. No chão de seus corredores podiam ser lidos os nomes de Kendrick Lamar, Kanye West, Beyoncé e Drake, mas não o de Justin Bieber. Isso não importou nem um pouco quando esse músico, que segundo o jornal The Observer é mais influente que Barack Obama e o Dalai Lama nas redes sociais, apareceu.

Bieber apareceu de moletom e arrastando os pés ao andar, como as figuras do rap nas quais se inspira agora aquele que já foi um ídolo adolescente, um garoto de ouro que, apadrinhado pelo músico Usher, chegou ao topo das paradas com seu pop adocicado antes de ser maior de idade. É o mesmo objetivo que tem agora com Changes, só que, em suas próprias palavras, fazendo a música que “realmente” ama. Um rhythm and blues bem ambiental e anglo-saxão, com toques de rap. De certa forma, Bieber continua se dirigindo ao seu público: as crianças que o viam o tempo todo na TV de casa estão agora nas discotecas. E é no território noturno que se move Changes, com seu espírito dançante.

Para isso, como já havia ocorrido em seu trabalho anterior e irregular, Purpose, lançado em 2015, antes de desaparecer durante três anos, ele se cerca de muito talento da rica cena norte-americana. Em Changes, conta com vários produtores, entre eles Josh Gudwin, que costuma trabalhar com Dua Lipa, e Poor Bear Boyd, seu fiel escudeiro, com quem iniciou esta transição em singles como Where Are Ü Now, What Do You Mean? e o remix de Despacito. Além disso, se antes se aliou com Diplo e Skrillex, agora acrescenta as colaborações de grandes nomes como Travis Scott, Lil Licky, Kehlani e Quavo, a metade do Migos, que o acompanha em Intentions, uma das canções lançadas antecipadamente, que em apenas um mês alcançou mais de 160 milhões de reproduções no YouTube.

“Eu me sinto muito bem”, disse um sorridente Bieber, que tocou suas músicas no alto da cabine, como se fosse um DJ. Dançou, esfregou as mãos, deu piscadas, levantou os polegares em sinal de aprovação quando cruzou os olhos com a plateia, e cantou suas próprias letras. A apresentação parecia um karaoke do próprio Bieber sobre si mesmo, algo mais suportável do que quando começava a evangelizar sobre a importância do amor e de Deus na vida. Aos 25 anos, Bieber, superado seu rompimento com Selena Gomez ?a quem chegou a maltratar psicologicamente?, está casado com a modelo Hailey Baldwin. Entre uma música e outra, abençoou todos que têm um parceiro, com um discurso que mais parecia ter saído de um de seus temas adolescentes mais tolos.

Hoje Bieber, que está subindo documentários sobre sua própria vida em suas redes sociais, parece seguro de si, depois de ter sumido do mapa durante três anos. Acabou afetado por sua condição de astro adolescente: chegou a sair no meio de apresentações e entrevistas, como a que fez nos estúdios da rádio espanhola Los 40, e em 2017 cancelou os últimos 14 shows de sua turnê mundial. Revelou até mesmo seu vício em drogas desde os 13 anos. Estava a caminho de se tornar um Macaulay Culkin da música. Um garoto de rosto bonito devorado pelo sucesso, a ponto de descer do navio ou afundar com ele. Mas agora, com Changes, dá um salto significativo rumo à elite do R’n’B adulto. Só resta saber se este Justin Bieber também será capaz de convencer o mundo de que é muito mais do que um garoto mimado que simplesmente deixou crescer o bigode.
 

fev
15
Posted on 15-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-02-2020


 

 Gilx, NO PORTAL

 

Por G1

Número de assassinatos cai 19% no Brasil em 2019 e é o menor da série histórica

 

O Brasil teve uma queda de 19% no número de vítimas de crimes violentos em 2019 em comparação com o ano de 2018. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

Em todo o ano passado, houve 41.635 assassinatos no país, contra 51.558 em 2018 – ou seja, quase 10 mil mortes a menos. Trata-se do menor número de crimes violentos intencionais de toda a série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que coleta os dados desde 2007.

Estão contabilizadas no número as vítimas de homicídios dolosos (incluindo os feminicídios), latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. A queda no consolidado do ano reforça uma tendência que tem sido mostrada pelo G1 desde o balanço de 2018.

No último trimestre, porém, a queda não foi tão acentuada quanto no restante do ano: 11,8%. Nove estados, inclusive, registraram uma alta no número de assassinatos de outubro a dezembro.

O levantamento, que compila os dados mês a mês, faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados apontam que:

  • o país teve 41.635 assassinatos em 2019, o menor número de toda a série histórica, iniciada em 2007
  • houve 9.923 mortes a menos na comparação com 2018, uma queda de 19,2%
  • todos os estados do país apresentaram redução de assassinatos no ano
  • 1/3 deles, porém, registrou uma alta no último trimestre
  • só dois estados registraram uma queda superior a 30% no consolidado do ano: Ceará e Roraima
 

Ferramenta do G1 mostra queda nos assassinatos mês a mês — Foto: Aparecido Gonçalves/G1 Ferramenta do G1 mostra queda nos assassinatos mês a mês — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Ferramenta do G1 mostra queda nos assassinatos mês a mês — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Queda histórica

A queda registrada no número de assassinatos no Brasil em 2019 é a maior se for levada em conta a série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número de vítimas também é o menor desde 2007, ano em que foi iniciada a coleta dos dados.

O número impressiona, inclusive, porque até 2011 os dados do Fórum se referem a ocorrências (em que é possível ter mais de uma vítima). Ou seja, ainda assim, o número de 2019, que se refere a vítimas, é menor.

 

Queda no número de vítimas de crimes violentos é recorde — Foto: Aparecido Gonçalves/G1 Queda no número de vítimas de crimes violentos é recorde — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Queda no número de vítimas de crimes violentos é recorde — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

 

Razões para a queda

Os especialistas do Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública elencam alguns pontos para explicar os números:

  • uma nova configuração do mercado de drogas: “Certas alianças, certos conflitos entre grupos acabam tendo um peso muito grande no crescimento anual da violência, porque são mercados muito lucrativos onde os participantes têm armas pesadas. Muitas vezes, essa disputa, essa concorrência, é resolvida a bala, então, quando a concorrência é grande, muitas vezes provoca muitas mortes, e quando há tréguas, essas mortes tendem a cair”, diz Bruno Paes Manso, do NEV-USP.
  • um monitoramento e controle por parte dos estados dos chefes de facções presos: “Existe hoje uma possibilidade dentro dos sistemas prisionais de pressionar os chefes das facções. A absoluta maioria está presa. Caso eles tomem decisões ou ordenem matanças, como vinha acontecendo, eles podem ser transferidos para presídios federais, que têm um cárcere duro com medidas mais rigorosas. Muitos acabam achando que vale a pena manter um certo acordo ou uma certa trégua para não receber essa punição. Eles estão muito mais vulneráveis a ações dos governadores e do estado do que estavam antes”, diz Bruno.
  • uma liderança dos governadores em um ano pós-eleitoral: “A gente percebe que quando a gente tem um governador ou uma liderança política que coloca o tema da segurança pública como prioridade na sua gestão, em geral os resultados são positivos. Não é à toa que se a gente observar o índice nacional de homicídios desde 2006, a gente vai perceber que nos anos pares a gente tem as eleições, 2006, 2010, 2014, 2018, nós temos eleições para governo do estado e para presidente, no ano seguinte, a gente tem redução dos homicídios no território nacional”, diz Samira Bueno, do FBSP.
  • uma política pública consistente de parte dos estados: “Há estados que têm políticas públicas consolidadas de redução e controle da violência que estão aí há 5, 6, alguns há mais de 10 anos reduzindo os homicídios e outros crimes violentos. Podemos olhar para São Paulo, Paraíba, Espírito Santo, Distrito Federal, que vêm de uma queda consistente e que têm políticas públicas que são pautadas no fortalecimento da inteligência, na análise criminal, políticas baseadas em evidências e políticas de segurança que são integradas com as políticas sociais”, diz Samira.
 

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o trabalho conjunto das forças de segurança federais, estaduais e municipais contribuiu para a redução nos índices de criminalidade nos últimos anos.

Em nota, o órgão afirma que, desde 2019, reforçou a atuação integrada com as forças locais. “Como exemplo, citamos o ‘Em Frente, Brasil’, projeto piloto de enfrentamento à criminalidade violenta desenvolvido em cinco cidades (Ananindeua-PA, Cariacica-ES, Goiânia-GO, Paulista-PE e São José dos Pinhais-PR); além do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (VIGIA) que, atualmente, está presente em oito estados e será ampliado nos próximos meses.”

A pasta também afirma que o isolamento de lideranças criminosas nas prisões federais, a atuação da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária e o sufocamento econômico do crime organizado, com recorde de apreensões de drogas, também contribuíram para essa redução.

 

Todos os estados do país registram redução no número de assassinatos — Foto: Aparecido Gonçalves/G1 Todos os estados do país registram redução no número de assassinatos — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Todos os estados do país registram redução no número de assassinatos — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

Alta em alguns estados

Apesar da redução da média nacional em 2019, nove estados do país reverteram a tendência de queda e apresentaram alta nos números de crimes violentos no último trimestre do ano. Santa Catarina, por exemplo, teve um aumento de 23,8% dos assassinatos em comparação com o último trimestre de 2018.

Os outros estados que tiveram alta são: Rondônia, Bahia, Sergipe, Espírito Santo, Amazonas, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Segundo Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, estes dados acendem um alerta, pois podem sinalizar “uma reversão de tendência que pode frustrar expectativas da população e colocar milhares de vidas em risco”.

“Mais do que nunca, a gente precisa de controle social, monitoramento e transparência para garantir que aqueles estados que estão fazendo um bom trabalho continuem fazendo e entender quais são os fatores envolvidos no incremento da violência em um terço das unidades da federação”, diz Samira Bueno, do FBSP.

Bruno Paes Manso também lembra que, mesmo com a redução nacional, o número de vítimas de crimes violentos no Brasil segue “alto o suficiente para garantir ao Brasil o primeiro lugar no ranking dos países com maior número absoluto de mortes intencionais violentas do mundo”.

“Resta, portanto, a dúvida. A redução desses dois anos seria apenas uma queda circunstancial, resultado da acomodação momentânea da rivalidade no mercado de drogas? Ou os governos conseguirão passar a mensagem de que matar é um mau negócio, diminuindo a letalidade do crime e mantendo uma queda consistente? A resposta só virá nos próximos anos”, diz Bruno Paes Manso, do NEV-USP.

Como o levantamento é feito

A ferramenta criada pelo G1 permite o acompanhamento dos dados de vítimas de crimes violentos mês a mês no país. Estão contabilizadas as vítimas de homicídios dolosos (incluindo os feminicídios), latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais.

Jornalistas do G1 espalhados pelo país solicitam os dados, via assessoria de imprensa e via Lei de Acesso à Informação, seguindo o padrão metodológico utilizado pelo fórum no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Em março do ano passado, o governo federal anunciou a criação de um sistema similar. Os dados, no entanto, não estão atualizados como os da ferramenta do G1. O último mês em que há informações disponíveis para todos os estados é setembro.

 

Os dados coletados mês a mês pelo G1 não incluem as mortes em decorrência de intervenção policial. Isso porque é mais difícil obter números em tempo real e de forma sistemática com os governos estaduais. O balanço do 1º semestre de 2019 já foi divulgado. O fechado do ano será publicado em breve.

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