Cena da ação policial não foi preservada, apesar de Corregedoria da PM ter anunciado investigação. Suspeito de ter ajudado miliciano é libertado pela Justiça

Vista da entrada do sítio em Esplanada (Bahia), onde Adriano Nóbrega foi morto.
Vista da entrada do sítio em Esplanada (Bahia), onde Adriano Nóbrega foi morto.Matheus Buranelli

Um ar bucólico paira sobre os 37.000 habitantes de Esplanada, a 170 quilômetros de Salvador (Bahia). Na praça do centro do município, margeada por árvores de médio porte, os moradores se reúnem em pequenos grupos para falar sobre o que acontece na cidade. Desde o último domingo não há outro assunto que não o chefe miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, de 43 anos, morto em suposto confronto com forças policiais da Bahia e do Rio, a 8 quilômetros dali. Poucos, no entanto, se mostram dispostos a falar sobre a operação ?ainda cercada de dúvidas— que eliminou o ex-policial próximo à família Bolsonaro. Quando aceitam relatar o que sabem, pedem anonimato ao discorrer sobre a passagem de Nóbrega pela região, incluindo as conexões do miliciano com um político do PSL e um pecuarista.

“Eu fiquei com meus filhos dentro de casa orando pra que nada acontecesse. Foi um terror”, conta uma vizinha do povoado de Palmares, zona rural de Esplanada. É lá que fica a propriedade do vereador Gilson Neto (PSL) que serviu como último esconderijo de Adriano da Nóbrega, embora o político negue qualquer ligação com o miliciano e alegue que seu sítio foi invadido.

A vizinha diz ter dificuldade de lembrar detalhes por causa do medo que sentiu na manhã de domingo, quando a ação aconteceu. Conta que está sem conseguir dormir desde então, e que fica apreensiva toda vez que vê um carro se aproximando da propriedade. “Meu filho brincava todo dia lá no quintal, mas agora eu não deixo porque tenho medo de alguém aparecer por lá”, diz.

Foi num imóvel pequeno e arejado de paredes brancas, sede do sítio pertencente ao político do PSL —até bem pouco tempo atrás o partido de Jair Bolsonaro e dos filhos—, que Nóbrega foi abordado pela polícia. Vizinhos relatam que a ação foi rápida, mas que os tiros não foram disparados de uma só vez. Houve, pelo menos, uma sequência de três rajadas.

Outro vizinho do vereador, que também não quis se identificar, ajuda a narrar o cerco. Conta que, na fatídica manhã de domingo, foi surpreendido por dois policiais. Com rostos cobertos por brucutus, os agentes conseguiram chegar a sua propriedade pelos fundos do sítio de Gilson Neto. A dupla de policiais disse que estava atuando em uma ocorrência de roubo a banco e pediu para revistar a casa. Nem precisaram buscar Adriano da Nóbrega ali. Logo em seguida, os tiros começaram na propriedade vizinha. “Eles pediram que a gente entrasse em casa pra se proteger dos tiros. A gente não sabia do que se travava. Só veio saber depois, pela imprensa.”

Isolamento e estratégia

Segundo a versão oficial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano da Nóbrega tinha em mãos uma pistola austríaca 9mm e foi baleado após resistir atirando contra os agentes —cerca de 70 participaram da operação. O fato de estar numa área rural, isolada e cercada, levantou dúvidas sobre a abordagem policial: por que não foi usada uma ação mais cautelosa da polícia para prender o miliciano? O ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) era um alvo importante. É acusado de ser chefe da milícia de Rio das Pedras, uma das mais antigas do Rio, e também de comandar o Escritório do Crime, um sofisticado braço armado para execuções suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle e Anderson. Somam-se aos questionamentos a afirmação do advogado de Nóbrega dizendo que seu cliente temia ser alvo de “queima de arquivo”.

Tanto a PM da Bahia como a do Rio repetem que a ação foi um sucesso. Apesar de o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, afirmar que as circunstâncias da morte seriam investigadas pela Corregedoria da PM, a cena da operação policial seguia desprotegida nesta terça-feira, quando o EL PAÍS visitou o local, o que afeta a reconstrução da operação. O Governo da Bahia afirmou também não ter filmado a operação, apesar de ser um caso de repercussão nacional. Um vizinho do sítio disse, no entanto, ter visto um drone sobrevoando sua casa no momento da ação.

No sítio do vereador do PSL, o EL PAÍS identificou apenas duas marcas de tiro na parede, ambas próximas à porta da frente da casa, debaixo de uma janela. Na sala da casa de cinco cômodos, ainda é possível ver grande quantidade de sangue e móveis revirados. No chão, uma linha de sangue, formada da sala até a varanda do imóvel, denota que Adriano foi arrastado pelos policiais. Na cozinha, ficaram pães, aparentemente frescos, e uma garrafa térmica em cima de uma mesa. Na pia, copos e talheres.

Em um dos quartos, num possível sinal de que o miliciano havia se organizado para a fuga, havia ainda nesta terça-feira pelo menos duas malas de roupa, além cápsulas de suplemento vitamínico e inúmeras cartelas de medicamentos. No cômodo estavam ainda duas caixas de celular —segundo a PM, 13 aparelhos do tipo, que estariam sendo usados por Nóbrega, foram apreendidos no local.

Cozinha do sítio onde Adriano Nóbrega foi morto.
Cozinha do sítio onde Adriano Nóbrega foi morto.Matheus Buranelli

Suspeito de ajudar Nóbrega é libertado pela Justiça da Bahia

Os celulares poderiam ser um caminho para fechar os fios soltos a respeito dos últimos dias do miliciano e para esclarecer o tamanho da rede de apoio de Nóbrega, que estava foragido desde janeiro de 2019. Capitão Adriano, como era conhecido, chegou à região no fim do ano passado, recebido pelo empresário e pecuarista Leandro Guimarães. Guimarães, que atua no ramo de vaquejadas, chegou a ser preso no domingo por porte ilegal de armas e prestou depoimento à polícia sobre o miliciano. Segundo o UOL, o Ministério Público baiano pediu que sua prisão em flagrante fosse transformada em preventiva, citando a necessidade de seguir investigando a relação com Nóbrega, mas a Justiça decidiu liberar o empresário após pagamento de fiança.

À polícia, Leandro Guimarães confessou, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, que deu abrigo ao miliciano em sua fazenda, também na região. O pecuarista relatou que, na noite anterior a sua morte, Adriano da Nóbrega recebeu mensagens no celular e ficou visivelmente nervoso. Então, sob ameaça, pediu que o empresário o levasse até o sítio do vereador Gilsinho.

Ainda não está claro como Guimarães conseguiu entrar no sítio do vereador do PSL com Adriano da Nóbrega, já que o vereador alega nunca ter visto o miliciano e nem autorizado a ida dele para lá. Gilsinho sugere a possibilidade de invasão do local, algo que, até o momento, o empresário do ramo das vaquejadas não confirmou. Guimarães é amigo da família do vereador, que tem outros dois irmãos políticos, um deles ex-prefeito de Esplanada e o outro deputado estadual pelo PSB.

Também à polícia, o pecuarista contou que conheceu Adriano da Nóbrega há dois anos, por causa do envolvimento do miliciano com o ramo das vaquejadas. O criminoso, na versão do empresário, disse ter ido para Esplanada com objetivo de comprar uma propriedade, na zona rural, para viver. Chegou a visitar algumas delas, incluindo a do vereador Gilsinho. Por isso, ao precisar fugir, um dia antes da operação policial, pediu para ser levado ao sítio do vereador porque teria gostado dele.

Durante o maior tempo em que ficou em Esplanada, porém, o esconderijo de Adriano da Nóbrega era outro, o Parque Gilton Guimarães, uma fazenda pertencente ao pecuarista que abriga um espaço para competições de vaquejada. No local, também visitado pela reportagem na terça, a ordem é não falar sobre os tempos em que o miliciano passou por lá. Foi para lá o ex-capitão do Bope se dirigiu após fugir do cerco policial montado para prendê-lo em Costa do Sauípe, no litoral da Bahia, em janeiro. Adriano da Nóbrega chegou a morar em uma casa alugada em condomínio de luxo com parentes na zona.

Mancha de sangue em casa em Esplanada (Bahia), onde Adriano Nóbrega foi morto.
Mancha de sangue em casa em Esplanada (Bahia), onde Adriano Nóbrega foi morto.Matheus Buranelli

Para chegar à sede do parque, cuja entrada fica às margens da BR-101, é necessário atravessar um longo trecho de uma estrada de terra, margeada por uma extensa área verde com vasta plantação de eucaliptos e cabeças de gado. Após as relações entre Guimarães e o miliciano virem à tona, a entrada que dá acesso à casa e ao local das vaquejadas foi fechada. Só pessoas autorizadas podem adentrar a área. Funcionários temem falar sobre o assunto e reagem com hostilidade ao serem questionados sobre a estadia do miliciano. Um dos vaqueiros que trabalham no local chegou a intimidar a reportagem. Primeiro sugeriu que poderia fechar as saídas da fazenda, o que deixaria a equipe presa no local. Depois afirmou que “quem invade propriedade privada sabe o que leva”.

Na zona do sítio onde o miliciano Adriano da Nóbrega foi morto os moradores não parecem ter tomado medidas para aumentar a segurança de suas casas, apesar da declarações de apreensão e medo. Nas propriedades próximas, não há algo que possa dificultar a entrada. Em algumas delas, os portões que dão acesso às casas ficam abertos.

A uns 400 metros dali, se alguns moradores aceitavam falar sobre o assunto, outros tentavam despistar a imprensa, com hostilidade. Um homem se aproximou enquanto a reportagem conversava com duas mulheres: “A gente aqui não sabe de nada, não. Esse povo aqui é povo meu. Vai procurar informação em outro lugar. Cada um sabe do seu.”

“Do Amor Impossível”, Nana Caymmi: Esta música linda e envolvente na interpretação singular da filha de seu Dorival faz parte do álbum “Tempo de Amar”, da Som Livre. Simplesmente de arrepiar. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

 

 

 

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13

Moro manda PF analisar com urgência proteção a irmão de Eduardo Campos

 

Sergio Moro determinou que a PF analise com urgência o pedido de proteção feito por Antônio Campos, advogado e irmão do ex-governador pernambucano Eduardo Campos.

Presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio pediu proteção para si e sua família após prestar depoimento ao MPF sobre irregularidades envolvendo gestões do PSB em Pernambuco.

Leia a reportagem de Mateus Coutinho na Crusoé:

Bahia em Pauta recomenda.

Do Jornal do Brasil

 

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) se manifestou pela primeira vez nesta quarta-feira (12) sobre a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega e pediu que seja impedida a cremação do corpo e que o fato seja elucidado.

É o primeiro pronunciamento público da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a morte do ex-PM, acusado de integrar um grupo de assassinos profissionais, chefiar uma milícia e ser sócio da contravenção no Rio de Janeiro.

A declaração de Flávio foi publicada em sua conta oficial no Twitter. Ele comentou sobre a possibilidade de cremação do corpo do ex-PM, tentada pela família.

“DENÚNCIA! Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”, escreveu o senador.

A Justiça do Rio de Janeiro impediu na madrugada desta quarta a cremação, solicitada pela mãe e irmãs do ex-policial. A cerimônia estava marcada para as 10h no Crematório do Memorial do Carmo, mas foi cancelada.

“Infere-se que o óbito de Adriano não se deu por causas naturais. Ademais, não consta a cópia da Guia de Remoção de Cadáver e nem do Registro de Ocorrência, não sendo de se desprezar a possibilidade de vir a ser necessária a realização de diligência, a melhor elucidar a ocorrência. Acaso fosse deferida a cremação dos restos mortais de Adriano, inviabilizadas estariam eventuais providências a serem levadas a efeito pela autoridade policial”, escreveu a juíza responsável.

Homenageado duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio por Flávio Bolsonaro, Adriano é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” (esquema de devolução de salários) no gabinete do então deputado estadual. O miliciano teve duas parentes nomeadas por Flávio.

QUEM ERA ADRIANO DA NÓBREGA

Adriano estava foragido há mais de um ano. Ele foi morto em Esplanada (BA) durante uma operação policial da Secretaria de Segurança da Bahia. Seu advogado, Paulo Catta Preta, afirma que o ex-capitão dizia ser alvo de uma “queima de arquivo”.

Ele havia sido preso e solto três vezes, expulso da PM em 2014, homenageado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro duas vezes e defendido pelo presidente Jair Bolsonaro ao ser acusado de homicídio em 2005.

Também teve duas familiares nomeadas no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, foi empregada em 2007 e sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, em 2016. Ambas foram exoneradas no fim de 2018 a pedido.

Quem as indicou para os cargos foi Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio que foi companheiro de Adriano no 18º Batalhão da PM fluminense e hoje é investigado por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O miliciano é citado nessa investigação, que apura a prática de “rachadinha” no gabinete do filho mais velho de Bolsonaro na Alerj. De acordo com o Ministério Público, ele controlava contas bancárias usadas para abastecer Queiroz, suspeito de ser o operador do esquema.

Adriano era acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro e suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado e de estar envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018. (FolhaPressSNG)

 

Alento na economia faz reprovação de presidente ter queda de 5 pontos percentuais, aponta levantamento da consultoria Atlas Político. Sem Lula e Moro, ele aparece com 41% das intenções de voto

O presidente Jair Bolsonaro em um ato em Brasília no último dia 7.
O presidente Jair Bolsonaro em um ato em Brasília no último dia 7.SERGIO LIMA (AFP)

A aprovação do Governo de Jair Bolsonaro se mantém estável, sua reprovação caiu e, se as eleições fossem hoje, o presidente largaria na frente em todos os cenários. É o que mostra levantamento realizado pela consultoria política Atlas Político entre os dias 7 e 9 de fevereiro. A pesquisa aponta que, até o momento, os principais rivais de Bolsonaro são o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-juiz Sergio Moro. Sem o petista e o ministro da Justiça na disputa, o atual presidente aparece com 41% das intenções de voto, com larga distância entre o segundo colocado, o apresentador Luciano Huck (sem partido), com 14% dos votos. Atrás deles estão o governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), com 13%, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 2,5%.

A quantidade de eleitores indecisos ou que declararam voto branco ou nulo é expressiva, chegando a 27%. O percentual é muito próximo da realidade das presidenciais de 2018, quando essa faixa do eleitorado bateu 30%. Por outro lado, as abstenções diminuem significativamente quando Lula e Moro entram na disputa. Neste cenário, o total de votos brancos, nulos e indecisos fica em 9%. Bolsonaro e Lula brigam pelo primeiro lugar, com 32% e 28% das intenções de voto, respectivamente. Moro, que tem refutado oficialmente qualquer intenção de disputar a presidência como rival do atual presidente, segue logo atrás, com 20%, seguido de Huck (6%), Dino (3%) e Doria (0,6%). A pesquisa foi realizada na Internet via convites randomizados com 2.000 pessoas, entre os dias 7 e 9 de fevereiro, em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. Segundo os pesquisadores, nesta primeira série o nome do presidenciável do PDT, Ciro Gomes, não foi incluído para poder delimitar o número de cenários.

O cenário em que Lula disputa a eleição é meramente hipotético hoje. Condenado em segunda instância no processo do tríplex, mesmo solto desde novembro o petista não pode se candidatar, já que se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Seus advogados, no entanto, tentam anular a condenação, questionando a atuação do então juiz Sergio Moro no caso. O pedido começou a ser julgado no Supremo Tribunal Federal no ano passado, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Caso a maioria dos ministros do STF decida que Moro atuou de forma parcial, a condenação do ex-presidente no caso do tríplex volta à estaca zero, retornando para a primeira instância. Neste caso, Lula deixaria de ser ficha suja e estaria livre para se candidatar.

Em linhas gerais, a pesquisa do Atlas Político de agora mostra cenários bastante parecidos com o de 2018. Naquele ano, o PT lançou Lula candidato enquanto o petista ainda estava preso. Os levantamentos mostravam que ele liderava com folga em todos os cenários. Mas, impedido de disputar, o ex-presidente acabou substituído no último instante do prazo para o registro de candidaturas pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. As intenções de voto no “candidato de Lula” despencaram, mas ainda assim Haddad foi para o segundo turno. Bolsonaro foi eleito com 55% dos votos, contra 44% do ex-prefeito paulistano.

Esse cenário se repete nesta pesquisa. Se o segundo turno das eleições fosse hoje, um candidato apoiado por Lula —qualquer que fosse ele—também ficaria em segundo lugar nos dois cenários criados pelos pesquisadores. Contra Jair Bolsonaro (45%), alguém apoiado por Lula teria 35% dos votos. O percentual do indicado pelo petista permanece parecido (36%) quando a disputa é contra Sergio Moro. O que muda, no entanto, é que o ministro ganharia com ainda mais folga, com 54% das intenções de voto.

Otimismo com a economia

O levantamento também mediu a aprovação do Governo Bolsonaro, que se manteve estável de acordo com a margem de erro: 29% agora, contra 27% em novembro de 2019. Enquanto isso, a reprovação registrou uma queda de cinco pontos percentuais, de 42% em novembro, para 37% agora. O otimismo com a gestão Bolsonaro também se reflete sobre as expectativas para a economia: metade da população diz acreditar que a situação econômica do país deve melhorar nos próximos seis meses. Ainda houve uma ligeira melhora na percepção sobre a criminalidade e a corrupção. Trinta por cento dos brasileiros dizem acreditar que a criminalidade está diminuindo —contra 27% em novembro do ano passado— e 26% disseram o mesmo sobre a corrupção, contra 17% em novembro.

O ciclo de deterioração do ministro Sergio Moro, observado desde as revelações dos diálogos entre ele e os procuradores da Lava Jato pelo The Intercept Brasil, também parece que está se revertendo. A aprovação do ex-juiz cresceu seis pontos de novembro para cá, batendo 54%. Em maio do ano passado, no entanto, ele era avaliado positivamente por 60% dos entrevistados. No mês seguinte, as mensagens começaram a ser reveladas, em reportagens de diversos veículos, dentre eles, o EL PAÍS, e a aprovação de Moro chegou a cair para 50%.

A pesquisa também avaliou a imagem de outros políticos e personalidades junto aos entrevistados. Enquanto Moro lidera o ranking dos que tiveram maior avaliação positiva (54%), seguido de Bolsonaro (43%) e Paulo Guedes (43%), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) aparece com o maior índice de avaliação negativa (66%), seguido de João Doria (64%) e Fernando Haddad (59%).

*A reportagem foi atualizada para incluir a explicação dos pesquisadores sobre a ausência do presidenciável do PDT neste levantamento.

fev
13
Posted on 13-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-02-2020


 

Lute, NO JORNAL

 

fev
13
Posted on 13-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-02-2020
DIÁRIO DE nOTÍCIAS (PORTUGAL)

Ainda nem tinham acabado de contar os votos no New Hampshire e já Joe Biden estava a caminho da Carolina do Sul. O ex-vice-presidente de Barack Obama abandonou a festa da sua campanha a meio depois de ter ficado em quinto lugar nas primárias democratas de dia 11 naquele estado que deram a vitória ao senador Bernie Sanders. Mas será mesmo o fim das esperanças de Biden chegar à Casa Branca?

Depois do caos provocado pelos problemas na aplicação que comunicou os resultados dos caucus de dia 3 no Iowa, no New Hampshire a votação e a contagem decorreram de forma mais tranquila. Durante a noite, Sanders foi declarado vencedor, com 25,7% dos votos, garantindo assim nove delegados à convenção democrata de Milwaukee marcada para julho. Os mesmos delegados obteve Pete Buttigieg. Depois de uma vitória surpreendente no Iowa, o ex-mayor de South Bend ficou em segundo lugar no New Hamsphire, com 24,4% dos votos. E confirmou que se muitos achavam que ele nem devia estar na corrida, o veterano da guerra do Vietname, de apenas 38 anos, parece ter vindo para ficar.

“Esta vitória aqui é o princípio do fim para Donald Trump”, afirmou Sanders num comício em Manchester. O senador do Vermont, que em 2016 também venceu a primária do New Hampshire, deixando a rival Hillary Clinton a 20 pontos de distância, prometeu construir “um movimento político sem precedentes, multigeracional e multirracial” para tirar o republicano da Casa Branca.

E a verdade é que neste momento Sanders parece estar na melhor posição possível para enfrentar as primárias nos estados que se seguem: o Nevada no dia 22 e a Carolina do Sul a 29. Antes da mais do que decisiva Super Terça-Feira, com 14 estados e 1651 delegados em jogo a 3 de março. Para conquistar a nomeação do Partido Democrata um candidato precisa de 1990 delegados.

Apesar de as suas propostas mais radicais afugentarem alguns democratas mais moderados, o senador tem muito apelo junto dos jovens e é mais popular junto dos negros do que Buttigieg. Mas não falta quem ainda estremeça diante de algumas ideias do autoproclamado “socialista democrata”. Se obtiver a nomeação, Sanders será o candidato mais à esquerda e antissistema a apresentar-se a umas presidenciais desde George McGovern em 1972. E muitos ainda terão na memória a vitória esmagadora de Richard Nixon nesse ano, com o republicano a conquistar 49 dos 50 estados americanos.

Contra uma “visão polarizada”

Apesar dos mais do que bons resultados nas duas primeiras primárias, Pete Buttigieg deverá ter a vida mais complicada do que Sanders nos próximos estados. Sobretudo quando chegar ao Sul, onde o voto negro pode ser determinante. O ex-mayor de South Bend, cristão devoto e gay assumido, não tem conseguido conquistar os afro-americanos, com apenas 4% dos inquiridos a dizer que votarão nele, segundo um estudo da Universidade Quinnipiac. Sanders, apesar de mais popular entre os negros, também não chega aos 20% de intenções de voto naquele eleitorado.

Para já, Buttigieg agradeceu aos apoiantes os bons resultados e alertou contra “uma visão polarizada” da política americana, numa farpa tanto a Trump como a Sanders. O ex-mayor afirmou-se como o centrista que vai conseguir trazer novos votos ao partido e ignorou o ataque de Sanders que afirmou estar na corrida para derrotar “os milionários e os candidatos financiados por milionários”.

A renovada Klobuchar

“Há uma semana toda a gente achava que estávamos fora da corrida, mas eu regressei e conseguimos”, afirmou Amy Klobuchar depois de terminar em terceiro lugar no New Hampshire. O estado confirmou a sua tradição de criar comeback kids, os candidatos que voltam à corrida depois de um arranque difícil no Iowa. Resta saber até onde vai a senadora do Minnesota.

Aos 59 anos, Klobuchar apostou tudo no New Hamsphire, fazendo campanha até ao último minuto naquele estado e o esforço parece ter sido recompensado. É com novo vigor que agora chega ao Nevada e à Carolina do Sul. Mesmo se lamenta que ser mulher ainda pareça ser uma desvantagem em 2020. Segundo uma sondagem realizada no New Hampshire, 30% dos inquiridos consideram que será mais difícil para uma mulher do que para um homem bater Trump a 3 de novembro.

Noite difícil para Warren e Biden

A noite eleitoral no New Hampshire causou duas baixas na campanha: o empresário Andrew Yang e o senador do Colorado, Michael Bennett, suspenderam as suas campanhas depois desta primária. O segundo obteve 03% dos votos e não se qualificava para um debate desde agosto, e o primeiro, apesar dos 2,8%, optou por fazer uma pausa, mostrando-se orgulhoso por ter “trazido uma mensagem de humanidade primeiro e uma visão de uma economia e uma sociedade que funcionam”.

Quem continua na corrida, apesar dos resultados dececionantes, são Elizabeth Warren e Joe Biden. A senadora do Massachusetts foi quarta no New Hampshire, com 9,2% dos votos. Na disputa pelo voto liberal Warren parece estar a perder em toda a linha para Sanders, mas a senadora garantiu que não vai desistir: “A nossa campanha foi feita para uma corrida de fundo e ainda agora estamos a começar.”

Depois de um dececionante quinto lugar, a grande dúvida é até onde pode ir Joe Biden. O claro favorito à partida para a corrida à nomeação democrata ainda não conseguiu descolar, tendo ficado em quarto no Iowa. Pela primeira vez, as sondagens nacionais colocam-no atrás de Sanders nas intenções de voto.

Aos 77 anos, o ex-senador e ex-vice-presidente de Obama conta agora com o apoio dos afro-americanos para inverter esta tendência, sobretudo na Carolina do Sul, onde os negros representam dois terços do eleitorado democrata. Mas se acreditarmos na mesma sondagem da Universidade Quinnipiac, que mostra uma queda no apoio a Biden entre a comunidade negra de 52% para 27%, o futuro não parece nada promissor.

A corrida paralela de Michael Bloomberg

Enquanto os rivais se atacam uns aos outros e se desgastam nas primárias do Iowa e do New Hampshire, dando inclusive má imagem do partido com o caos que se seguiu aos problemas na contagem dos votos nos caucus, Michael Bloomberg continua a sua corrida paralela à nomeação.

O milionário ex-mayor de Nova Iorque decidiu não fazer campanha nem se apresentar nos primeiros estados, apostando tudo na Super Terça-Feira. Enquanto os rivais se concentravam no Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul, Bloomberg pode ser visto em todo o lado menos nos primeiros estados das primárias. Uma quinta no Minnesota, um espaço de coworking no Utah, a inauguração de uma empresa no Maine, com paragens na Califórnia, no Texas e no Arkansas.

 

Até agora nunca um candidato que tenha desprezado os primeiros estados obteve a nomeação. Mas Bloomberg não é um candidato qualquer. Oitavo homem mais rico dos EUA, com uma fortuna que a Forbes avalia em mais de 53 mil milhões de dólares, o que faz dele a 14.ª pessoa mais rica do mundo, Bloomberg construiu um império dos media a partir do nada. E parece disposto a gastar uma boa parte da sua fortuna pessoal para tirar Donald Trump da Casa Branca.

Nascido em Boston, Bloomberg cresceu numa família judia de classe média. Filho de um contabilista, formou-se na Universidade Johns Hopkins e começou a carreira na banca de investimento, antes de usar o dinheiro que ganhara para fundar a sua própria empresa, a Bloomberg LP. A política sempre fez parte da vida de Bloomberg, mas em 2001 avançava com a candidatura à Câmara de Nova Iorque. Democrata de toda a vida, deixou o partido para se apresentar pelos republicanos, apenas para mais tarde se registar como independente e vencer um segundo mandato, tendo conseguido ainda um terceiro – o que o colocou à frente da cidade entre 2002 e 2013.

Com uma vasta experiência de gestão executiva nos oito anos em que foi mayor de Nova Iorque – um colosso que gere um orçamento anual de mais de 90 mil milhões de dólares e organiza a vida de quase 8,5 milhões de pessoas -, Bloomberg destaca-se entre rivais com muita experiência política mas menos habituados a lidar com os problemas do dia-a-dia.

Este passado de empresário de sucesso e bom gestor parece fazer dele o homem ideal para destruir os argumentos de Trump quando usa o seu passado nos negócios como prova do seu sucesso e capacidade negocial. Isto apesar de ser acusado de falta de carisma. O frio e calculista Bloomberg seria com certeza um contraste em relação aos episódios de raiva a que Trump já habituou a América e o mundo no Twitter.

CALENDÁRIO

22 de fevereiroCaucus do Nevada

29 de fevereiro Primárias na Carolina do Sul

3 de março Super Terça-Feira, 14 estados em jogo, incluindo Califórnia, Texas, Carolina do Norte e Virgínia

10 de março “Mini Super Terça-Feira”, sete estados em jogo, incluindo o Michigan

Até ao fim de março Mais sete estados a votos, incluindo Florida, Illinois e Ohio

Abril Mais 11 estados em jogo, entre os quais Nova Iorque e Pensilvânia

Maio/junho Os últimos 13 estados votam, incluindo Nova Jérsia

13 a 16 de julho Convenção Democrata de Milwaukee, Wisconsin

24 a 27 de agosto Convenção Republicana de Charlotte, na Carolina do Norte

3 de novembro Eleições presidenciais

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