Morto na manhã deste domingo, o miliciano é citado nas investigações da morte de Marielle Franco e do esquema de ‘rachadinha’ no gabinete de Flávio Bolsonaro

Caio Sartori – O Estado de S.Paulo

RIO – Morto na manhã deste domingo, 9, pela polícia da Bahia, o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como “capitão Adriano”, estava convencido de que queriam matá-lo, não prendê-lo. Nos últimos dias, tanto ele quanto sua esposa relataram que tinham certeza de que havia um plano de “queima de arquivo” em curso contra o ex-policial militar.

O ex-capitão do Bope nunca havia falado diretamente com seu advogado, Paulo Emilio Catta Preta, até a quarta-feira passada. Foi quando, preocupado com os últimos movimentos da polícia, ligou para ele e relatou que tinha “certeza” de que queriam matá-lo para “queimar arquivo”. A viúva do miliciano também fez o mesmo relato.Ao Estado, Catta Preta nega que Nóbrega tenha uma pistola austríaca calibre 9mm. Segundo a Polícia da Bahia, o miliciano usou a arma para atirar nos policiais quando foi abordado na manhã deste domingo. O advogado disse que tomará todas as “medidas cabíveis” para que a morte de seu cliente seja investigada de forma independente. Apontado como chefe do Escritório do Crime, grupo que atua na zona oeste do Rio, Adriano é citado nas duas investigações de maior repercussão do Ministério Público fluminense: a da morte da vereadora Marielle Franco e a que apura o suposto esquema de “rachadinha” no gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual.

Ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como líder do grupo miliciano Escritório do Crime, foi morto neste domingo, 9

Ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como líder do grupo miliciano Escritório do Crime, foi morto neste domingo, 9 Foto: Polícia Civil

Foragido desde a Operação Os Intocáveis, que em janeiro do ano passado prendeu a cúpula do Escritório do Crime, Adriano estava na Bahia e chegou a escapar da polícia no dia 31 de janeiro deste ano, quando os agentes foram à casa em que ele estava escondido até então. 

Quando foi morto, Adriano estava na zona rural de Esplanada, município baiano. Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Bahia, da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Litoral Norte e da Superintendência de Inteligência (SI) da Secretaria da Segurança Pública encontraram o foragido.

Ligações com esquema de “rachadinha”

Na última etapa da investigação que mira Flávio Bolsonaro, o MP do Rio apresentou à Justiça conversas de WhatsApp entre Adriano e sua ex-esposa, Danielle da Nóbrega, que era funcionária do gabinete do então deputado estadual. Nesses diálogos, o miliciano afirmava que também se beneficiava do suposto esquema de “rachadinha”, quando ela reclama de sua exoneração. 

Danielle e a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, foram exoneradas por Flávio quando o filho do presidente Jair Bolsonaro e Queiroz ficaram sabendo da investigação. 

Além de empregar as parentes do miliciano, Flávio já o homenageou com a Medalha Tiradentes, honraria mais alta do Legislativo do Rio, em 2005, quando o então policial estava preso acusado de homicídio. Adriano foi expulso da Polícia Militar por causa de envolvimento com a contravenção. 

Ligado a esquema de "rachadinhas" com Fabrício Queiroz, Adriano Magalhães da Nóbrega já foi homenageado por Flávio Bolsonaro com honraria legislativa

Ligado a esquema de “rachadinhas” com Fabrício Queiroz, Adriano Magalhães da Nóbrega já foi homenageado por Flávio Bolsonaro com honraria legislativa Foto: WILTON JUNIOR / ESTADAO

O Escritório do Crime, grupo que Adriano liderava, foi alvo da Operação Os Intocáveis, em janeiro de 2019, e de um desdobramento dela neste mês. Ele estava foragido desde essa primeira operação, há mais de 1 ano.

Adriano e Queiroz ficaram amigos no Batalhão de Jacarepaguá da PM. Foram acusados juntos, inclusive, de um homicídio, que registraram como “auto de resistência”. O caso está aberto até hoje.

DO EL PAÍS

Longa de Petra Costa disputa uma estatueta com dois filmes sobre a guerra síria, uma produção do casal Obama e um longa da Macedônia indicado a melhor filme internacional

Cena do documentário sírio 'For Sama', gravado em Aleppo.
Cena do documentário sírio ‘For Sama’, gravado em Aleppo.Reprodução

O longa documental Democracia em vertigem (The edge of democracy, no título internacional em inglês) pode render ao Brasil, neste domingo, seu primeiro Oscar na categoria Melhor Documentário. Mas o filme da cineasta brasileira Petra Costa, dedicado à crise política que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff da presidência, tem adversários fortes na disputa por uma estatueta: há duas produções sírias com narrativas distintas sobre a guerra que há quase dez anos destrói o país; um longa focado sobre o impacto da entrada da indústria chinesa em uma pequena cidade dos EUA (que tem entre os produtores o casal Barack e Michelle Obama); e um documentário que conta com sensibilidade a história de uma apicultora da Macedônia do Norte?filme que concorre também a um Oscar de melhor filme internacional (antes chamado de filme estrangeiro).

A seguir, conheça os quatro adversários de Democracia em vertigem indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Honeyland, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov

A Macedônia do Norte estreou seu nome em 2019 e o fez colocando um de seus filmes nas salas de cinema de todo o planeta. Neste documentário, Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov traçam um paralelo entre as vidas de uma colônia de abelhas afetadas pelo caos do mundo moderno e de sua cuidadora, a apicultora Hatidze, que também vê sua tranquila rotina rural interrompida pela chegada de uma família concorrente que não partilha de seu zelo pela apicultura, conquistou os críticos no mundo todo. No Brasil, Honeyland foi ovacionado durante sua exibição Mostra de Cinema de São Paulo no ano passado.

For Sama, de Waad Al Kateab e Edward Watts

O longa For Sama é o relato pessoal e corajoso da jornalista síria Waad Al Kateab, que o faz como uma espécie de carta visual para a filha Sama, que nasce em Aleppo durante a guerra civil. O documentário, que acompanha a vida da família e a rotina do hospital comandado pelo marido da diretora, o médico Hamsa, chega fortalecido após conquistar o prêmio Bafta (os troféus cinematográficos dados pela Academia de Cinema Britânica) na mesma categoria.

Indústria Americana (American Factory), de Steven Bognar e Julia Reichert

Nesta produção original da Netflix, os diretores Steven Bognar e Julia Reichert debatem as frágeis e voláteis relações trabalhistas norte-americanas a partir da abertura de uma indústria chinesa no pós-crise dos EUA. O que começa otimista com a contratação de 2.000 operários norte-americanos em Ohio, logo evolui para um conflito cultural com a mão-de-obra chinesa. O filme, uma parceria com a Higher Ground (produtora recém-criada pelo ex-presidente Barack Obama e pela ex-primeira-dama Michelle), chega ao Oscar 2020 como favorito nos bolões de apostas a levar a estatueta.

The Cave, Feras Fayyad

Mais um documentário que tem a guerra da síria como foco, desta vez para contar agora a história de um time feminino de médicas que arrisca a vida para salvar as vítimas do conflito sírio, enquanto enfrenta o machismo sistêmico do país. Por ser a segunda vez em que o diretor Feras Fayyad concorre a uma estatueta de melhor documentário ?em 2018, Últimos Homens em Aleppo foi indicado?, o filme produzido pela National Geographic também chega forte à disputa do Oscar 2020.

“The Way We Were”, Barbra Streisand : a extraordinária canção de um filme grandioso e inesquecível, por mais que o tempo passe: “Nosso amor de ontem”  E a insuperável interpretação de Barbra em momento de esplendor de sua carreira como atriz e como cantora. Vale a pena escutar e aplaudir, mais uma vez, no Bahia em Pauta, neste domingo do Oscar. Bravo!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Regina Duarte monta equipe com produtores culturais de SP

Após a carta branca de Jair Bolsonaro, Regina Duarte deverá montar uma equipe repleta de produtores de São Paulo ligados a movimentos pelos direitos culturais.

Humberto Braga, presidente da Funarte na gestão Temer, é o principal conselheiro de Duarte durante a transição da atriz para a Secretaria Especial de Cultura. Ele tem boa relação com a esquerda e com produtores culturais paulistas, mas não é bem recebido no Palácio do Planalto.

Outro conselheiro de Regina Duarte é Paulo Pélico, ex-diretor da Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (Apetesp). É um nome conciliador, por ter a remodelação da Lei Rouanet como uma de suas principais bandeiras.

Ex-secretário de Cultura de São Paulo, André Sturm também é um dos cotados para assumir função no governo. Ele trabalhou como secretário de Audiovisual na gestão de Roberto Alvim e, segundo fontes ligadas à pasta, deve se manter no cargo.

Do Jornal do Brasil

CadernoB

Antes de começar a ler este texto, faça um teste. Entre em uma das plataformas de streaming e ouça algum álbum do Quinteto Armorial. Ao mesmo tempo, leia os trechos do livro “O Sedutor do Sertão” que estão logo abaixo.

O grupo musical é uma das faces do movimento armorial, criado por Ariano Suassuna em 1970 e que pretendia fazer uma arte erudita a partir da cultura popular. Já “O Sedutor do Sertão” é um romance inédito do autor, escrito em 1966 como roteiro para um filme nunca produzido –mas que agora ganha a forma de livro, que chega às livrarias na próxima semana.

Macaque in the trees
Ariano Suassuna (Foto: Felipe Rau / Agência Estado)

O casamento quase perfeito entre texto e melodia não é acaso ou mera captação de um espírito da época. Ao contrário. É um movimento consciente de Suassuna, que encarava sua produção artística como algo mais coeso do que um amontoado de coisas. 

Embora cada publicação (e, aí, levando em conta romances, poemas, peças e até pinturas) possa ser vista de maneira independente, elas formam partes de um mesmo quebra-cabeça ou, na definição do autor, de uma “ilumiara”.

Essa unidade que forma uma certa obra total foi sendo lapidada ao longo das décadas por Suassuna, conhecido por ajustar e reescrever constantemente seus textos. Não à toa, na edição de 2004 de “A Pedra do Reino”, por exemplo, ele acrescentou João Grilo e Chicó na narrativa, personagens mais do que célebres de “Auto da Compadecida”.

O esforço teve um de seus ápices em 2013, um ano antes de sua morte. Na época, o artista paraibano tinha sofrido um infarto agudo do miocárdio e reuniu em sua casa o filho Manuel Dantas Suassuna e o professor da Universidade Federal de Pernambuco Carlos Newton Junior.

“Foi duro. Ele passou a manhã inteira nos preparando sobre como conduzir a obra dele depois que morresse”, lembra Manuel. 

Suassuna queria que toda a produção fosse reunida em uma única editora, com o mesmo projeto gráfico. “Para que não fosse lançado só o que já era sucesso de crítica, mas também os inéditos e os esgotados”, conta Junior.

É nesse contexto que a Nova Fronteira republicou “Romance d’A Pedra do Reino”, considerada sua obra-prima. Em 2018, foi a vez de “Teatro Completo”, com 1.890 páginas e 12 textos inéditos.

É desse desdobramento também que chega às livrarias o romance “O Sedutor do Sertão ou o Grande Golpe da Mulher e da Malvada”. Escrito em 1966, enquanto produzia “A Pedra do Reino”, ele não é só a base de um roteiro cinematográfico nunca rodado.

A história traz Malaquias Pavão, ao mesmo tempo herói e um sedutor quase mau-caráter, que surge em “A Pedra do Reino” como Malaquias Nicolau Pavão Quaderna, um dos irmãos do narrador. 

Como se passa anos antes dos fatos de “A Pedra”, o novo romance pode ser visto como um prelúdio da famosa trama –ou outra das peças que formam a “ilumiara” do autor.

Recheado do humor de Suassuna, a edição de “O Sedutor do Sertão” é costurada por cerca de 50 ilustrações feitas por Manuel Dantas Suassuna. “Fiz tudo em quatro dias”, diz.

Segundo o filho do artista, ele partiu das ideias do movimento armorial e das xilogravuras de Gilvan Samico, artista morto em 2013, para produzir os desenhos pincelados a nanquim. “Não tenho mais tempo de fazer matriz de xilogravura”, brinca.

“Conversava muito com papai sobre o que seria uma pintura brasileira. Então peguei a xilogravura, a pintura rupestre, o grafismo africano e juntei com os ferros do movimento armorial”, completa.

Se “O Sedutor” é uma peça do quebra-cabeça de Suassuna, ela não forma somente a obra total do autor –também ajuda a dar contornos à trajetória familiar do artista e até à história do Brasil. 

O romance tem como pano de fundo o ano de 1930 na Paraíba, quando sertanejos se revoltaram contra o governador, João Pessoa –instabilidade política que acabaria com o assassinato do político e o golpe que levou Getúlio Vargas à Presidência.

Pois o pai de Ariano e avô de Manuel, João Suassuna, havia sido governador da Paraíba anos antes e era adversário político de João Pessoa. Ao descobrirem que o assassino de Pessoa era João Dantas, primo da mulher de João Suassuna, o pai de Ariano se tornou suspeito de ter sido cúmplice do crime –e foi morto a tiros três meses depois.

Ariano tinha três anos na época. Por isso, nunca chamou a capital paraibana de João Pessoa, por exemplo, nome que a cidade recebeu após a morte do ex-governador. 

O impacto familiar fez ainda com que esse caldo político de 1930 aparecesse aqui e ali na “ilumiara” de Suassuna. A ponto de ele dizer que abandonou a ideia de transformar “A Pedra do Reino” em uma trilogia porque já não conseguia se distanciar do narrador, Pedro Dinis Quaderna, principalmente em relação aos fatos da Revolução de 1930.

“Era uma briga política que se tornou pessoal”, diz Manuel, que planeja lançar um livro sobre 1930 com histórias da família e uma carta do avô escrita na época, na qual ele nega que tenha participação na morte de João Pessoa.

Enquanto o título não sai, a obra de Suassuna dá um tratamento ficcional para o caso. 

Para o segundo semestre, está previsto o lançamento da poesia completa do autor. “Ele surgiu como poeta na década de 1940, mas seus poemas foram pouco conhecidos”, conta o professor Carlos Newton Junior, que hoje faz a organização dos escritos e da biblioteca do artista.

Além da poesia, será publicado no ano que vem outro romance inédito: “As Infâncias de Quaderna”, que já havia saído em fascículos no Diário de Pernambuco, mas nunca foi reunido em uma edição. 

“Que eu saiba, existe só mais um romance inédito, mas incompleto: ‘A Guerra de Doze’. Mas nunca encontrei”, afirma Junior.

Além das novas edições, o autor também inspirou o recém-criado Instituto Ariano Suassuna, que pretende promover estudos, publicar livros, digitalizar o acervo, organizar mostras e abrir a casa dele, no Recife, para visitação.

“É uma maneira de ficar perto depois do ‘encantamento’ dele”, fala Manuel, que não diz que o pai morreu. “É como dizia o Guimarães Rosa: a pessoa não morre, se encanta.”

Ou como o próprio Suassuna disse certa vez: a arte é uma espécie de protesto contra a morte. Se for isso mesmo, a sua “ilumiara” é um protesto que segue vivo. (Bruno Molinero/FolhaPressSNG)

O SEDUTOR DO SERTÃO OU O GRANDE GOLPE DA MULHER E DA MALVADA / Preço: R$ 49,90 (248 págs.) / Autor: Ariano Suassuna / Editora: Nova Fronteira / Ilustrador: Manuel Dantas Suassuna

Por TV Globo — Belo Horizonte

'Muito sofrido', diz brasileiro deportado que desembarcou na Grande BH

‘Muito sofrido’, diz brasileiro deportado que desembarcou na Grande BH

 
 

Família de Rondônia chegou ao Aeroporto de Confins nesta sexta-feira (7) em avião fretado pelo governo dos EUA — Foto: Reprodução/TV Globo Família de Rondônia chegou ao Aeroporto de Confins nesta sexta-feira (7) em avião fretado pelo governo dos EUA — Foto: Reprodução/TV Globo

Família de Rondônia chegou ao Aeroporto de Confins nesta sexta-feira (7) em avião fretado pelo governo dos EUA — Foto: Reprodução/TV Globo

“Muito sofrido”, disse o agricultor Cleony Dias Lagasso, depois de desembarcar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite desta sexta-feira (7), junto com a esposa Joyce Lagasso e a filha de três anos do casal. A família – que ficou presa nos Estados Unidos durante 18 dias – faz parte do grupo de 130 brasileiros deportados que chegou ao Brasil no voo fretado pelo governo norte-americano.

Eles são da cidade de União Bandeirante, em Rondônia, e ainda teriam que conseguir um voo até lá. “Nós passamos pelo México, todo mundo faz, né? Para tentar a vida lá. Graças a Deus estamos bem de saúde”, afirmou Cleony. “Foi horrível”, completou Joyce.

Homens, mulheres e crianças, de vários estados do país, chegaram apenas com a roupa do corpo, documentos e o que sobrou do dinheiro que levaram. Muitos esconderam o rosto no momento do desembarque.

“Humilhação que eu passei, 15 dias longe da família, sem poder falar com ninguém. Presa em uma cela fria, sem falar com ninguém”, disse uma das mulheres deportadas, que não quis ser identificada. Outra pessoa relatou que a filha e o marido chegaram a desmaiar de fome.

 
 
Avião com brasileiros deportados dos EUA pousa de madrugada em Belo Horizonte

Avião com brasileiros deportados dos EUA pousa de madrugada em Belo Horizonte

O voo fretado pelos EUA e autorizado pelo governo brasileiro, saiu do Texas, parou para reabastecer em Guayaquil, no Equador, e chegou à capital mineira às 23h40. Todos os brasileiros passaram pela fiscalização da Polícia Federal (PF) antes de serem liberados.

Desde outubro do ano passado, esse é o terceiro avião com brasileiros extraditados dos EUA que pousa em Confins. Somando os três voos, são cerca de 250 pessoas detidas quando tentavam atravessar a fronteira pelo México.

A Polícia Federal (PF) informou, em nota, que este “é o segundo episódio neste ano, e voos com essas características podem se tornar frequentes”. A PF disse ainda que realizou “os procedimentos de controle migratório, uma de suas competências definidas pela Constituição da República” e que “não constatou nenhuma ilegalidade conexa à migração dos deportados e segue investigando casos suspeitos”

fev
09
Posted on 09-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-02-2020


 

 Cazo, NO jornal

 

O DIÁRIO DE NOTÍCIAS(PORTUGAL)

Salvador Sobral soube de um cantor belga há dois anos, que as pessoas diziam lembrar-se dele quando o ouviam cantar, e foi ouvir a obra dele. Dois anos depois nasce o concerto Salvador Sobral Canta Brel que ontem estreou no CCB.

Salvador Sobral não teve em nenhuma das canções que interpretou no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) os 15 minutos de aplausos que o seu novo ídolo, Jacques Brel, recebeu quando apresentou pela primeira vez Amsterdam há várias décadas. 15 minutos não é coisa fácil para nenhum cantor, mesmo que alguma das canções tenham recebido muitas palmas e La Chanson des Vieux Amants uma imensa ovação, porque foi dos momentos mais à medida de um público que encheu por completo a sala e que o cantor quase tentou seduzir até à exaustão.

Quase, porque Salvador Sobral não quis copiar Brel e fez a sua versão de sucessos que – sabe-se bem – só o cantor belga pode interpretar. Não sendo um imitador, apesar de se apresentar com uma pronúncia de um francês excecional para que tem 30 anos e nasceu na época do inglês, Sobral cedeu à sua formação de jazz sempre que pôde. Nada que desiludisse uma plateia em que se misturavam os fãs saudosos de Brel e os do herói da Eurovisão e que aplaudia freneticamente sempre que o cantor terminava um dos 18 temas que interpretou esta sexta-feira no CCB e leva hoje à Casa da Música no Porto e segunda a Aveiro.

O alinhamento (repertório) foi escolhido a dedo, deixando de lado algumas canções que a voz muitas vezes apressada de Salvador Sobral não deve apreciar, como Le Plat Pays. Nada que se possa criticar pois Brel tem um leque de ‘sucessos’ que não cabem num único espetáculo e a seleção de Sobral foi boa.

No CCB ouviu-se a abrir J’Arrive. Uma boa escolha, em que logo se pressentiu que Sobral estava muito entusiasmado. Demasiado gestual, distraía os espetadores com as mãos irrequietas e, estranhamente, a imitar que tocava uma guitarra elétrica… Um entusiasmo que soube aproveitar bem na última canção, Madeleine, onde mobilizou o público com uma boa encenação, obrigando a virar as centenas de cabeças para ver por onde andava o cantor de megafone na mão a percorrer o auditório.

A primeira surpresa surgiu com Isabelle, um tema menos conhecido de Brel e que Sobral aproveitou para se situar no amor pelas canções do belga. Quem ainda não tinha tido tempo para olhar bem o cenário, viu que tentava reproduzir os ambientes dos cafés parisienses da época dourada da chanson, uma quase cave com um fumo branco a imitar o dos cigarros que todos fumavam abundantemente. Um cenário que confirmava já que o jazz se iria impor, ao poder perceber-se que uma banda composta Samuel Lercher ao piano, Inês Vaz no acordeão e Joel Silva na bateria não poderiam contrariar o domínio das cordas de Nelson Cascais, André Santos e Ana Cláudia Serrão, bem como o trompete e flautas de Diogo Duque, tão ao gosto de Salvador Sobral. Uma banda a que não se pode apontar nada, tão bem que estiveram e colaboraram. Até mesmo quando se sentaram todos numa mesa na lateral do palco e imitaram um encontro de amigos num café…

Após Le Moribond, os fãs mais antigos de Brel ficaram satisfeitos com boas interpretações de Les Bonbons e Les Bourgeois, Vesoul e Jef. Pelo meio ficou o momento mais questionável com Mathilde, numa espécie de samba ou rumba(?) e a seguir a Ces Gens Là e Bruxelles, sendo que nesta Sobral pôde exaltar em palco o lado excêntrico que tanto ele tem como Brel tinha. E desagua-se no tal ponto alto, La Chanson des vieux amants, para fechar mais à frente com La Chanson de Jacky.

Mas havia mais três temas, nada que ninguém soubesse pois Salvador Sobral desvendou que o encore estava preparado. Au Suivant superou a entrega a solo de Sobral em Ne me quitte pas, ‘coisa’ muito difícil de superar e que necessita de mais marcação à Brel ou não passa. No entanto, esse era um tema que todos queriam ouvir, até os poucos franceses e belgas que levantaram a mão quando o cantor quis saber se havia cidadãos destes países presentes.

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