Por Gabriel Palma e Gabriel Luiz, TV Globo

Moro em recepção em agradecimento pela colaboração do Brasil e Espanha no âmbito da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta (6) — Foto: Isaac Amorim/MJSP Moro em recepção em agradecimento pela colaboração do Brasil e Espanha no âmbito da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta (6) — Foto: Isaac Amorim/MJSP

Moro em recepção em agradecimento pela colaboração do Brasil e Espanha no âmbito da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta (6) — Foto: Isaac Amorim/MJSP

 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou nesta sexta-feira (7) que o emprego das Forças Armadas, na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para reforçar a segurança na área externa da Penitenciária Federal de Brasília é uma “medida preventiva”. Ao ser questionado se houve alguma tentativa de fuga, ele afirmou que o objetivo é evitar esse tipo de situação.

“O governo tá sempre adiante dos criminosos e a ideia ali é prevenir qualquer espécie de tentativa de um eventual resgate.”

O decreto que reforça a segurança na área da penitenciária foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, assinado por Moro e pelo presidente Jair Bolsonaro. Em março de 2019, a penitenciária federal de Brasília recebeu detentos como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, condenado a 330 anos (veja mais abaixo).

O governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) disse que não foi informado “sobre o que está acontecendo”. No entanto, disse que acredita se tratar de uma fuga que teria sido organizada por uma facção criminosa que age dentro e fora das penitenciárias.

“Como que você edita um decreto dessa envergadura, quase que declarando um estado de emergência policial em relação ao presídio, e eu não tenho conhecimento de nada? Como eu vou dar segurança pra população do DF?”

A Penitenciária Federal de Brasília

 

Militares do Exército chegam à área externa da Penitenciária Federal de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução Militares do Exército chegam à área externa da Penitenciária Federal de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Militares do Exército chegam à área externa da Penitenciária Federal de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Conforme o decreto publicado no Diário Oficial, os militares poderão fazer a segurança da Penitenciária Federal desta sexta-feira até o dia 6 de maio. A unidade é considerada de segurança máxima, ao contrário do Complexo Penitenciário da Papuda, que fica ao lado, e registrou a fuga de três detentos em janeiro.

Ambas as unidades carcerárias compartilham uma mesma pista de acesso (veja abaixo).

 

Localização da Penitenciária Federal e do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal — Foto: Google Maps/Reprodução Localização da Penitenciária Federal e do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal — Foto: Google Maps/Reprodução

Localização da Penitenciária Federal e do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal — Foto: Google Maps/Reprodução

Há pouco menos de um ano, quando a penitenciária começou a receber detentos de outros estados, como parte de uma operação conjunta dos órgãos de segurança pública do governo federal, o governador do DF disse “repudiar” a medida, defendendo que os detidos “precisam de isolamento”.

 

Nesta sexta, após o reforço da segurança, Ibaneis reafirmou o posicionamento.

“O problema não é o presídio federal. O presídio é seguro. O problema é o que está do lado de fora.”

Ibaneis é contra a manutenção de presos de facções criminosas na capital. “Eles estão reforçando a segurança porque o PCC está aqui e estão querendo retirar o Marcola. Estão errados mais uma vez. Estão colocando em risco a população do DF”, disse o governador.

 

Ibaneis chega para primeira sessão do ano na CLDF — Foto: Afonso Ferreira/G1 Ibaneis chega para primeira sessão do ano na CLDF — Foto: Afonso Ferreira/G1

Ibaneis chega para primeira sessão do ano na CLDF — Foto: Afonso Ferreira/G1

O ministro Sérgio Moro foi questionado pela imprensa sobre o posicionamento de Ibaneis nesta manhã, durante evento na Embaixada da Espanha, em Brasília. Moro afirmou que a população deve ficar “extremamente tranquila” e que os governos federal e local estão cooperando.

“Nós cooperamos, temos todos elogios à segurança pública do Distrito Federal. Não existe qualquer problema em relação a isso. O que existe aqui é uma atuação cooperativa entre as forças de segurança”, afirmou.

Mas ao comentar a transferência de integrantes de facções para outros estados, o ministro admitiu o risco de tentativa de fuga. No entanto, disse que “não existe nada concreto”.

“Sempre há intenção de escapar, mas não existe nada concreto. Estamos apenas tomando medidas preventivas.”

Repercussão

A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) divulgou uma nota afirmando ter “preocupação” sobre o reforço da segurança.

 

“Nossa instituição [OAB-DF] defende, há cerca de um ano, que presídio desta natureza não pode estar localizado em um perímetro no qual estão as cúpulas de todos os poderes do país e todas as representações internacionais.”

O comunicado da OAB cita ainda que “o crime organizado se transferiu para a Capital e a segurança pública da nossa cidade está sendo afetada”. Diz também que se preocupa com “recentes episódios ocorridos em relação ao PCC”.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou o bloqueio da fronteira entre Brasil e Paraguai no trecho que corresponde a Mato Grosso do Sul. O bloqueio foi motivado pela fuga de 76 integrantes de uma facção que estavam na Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

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