Pedro Bial comentou, em entrevista à Rádio Gaúcha, o documentário “Democracia em Vertigem”, peça de propaganda petista dirigida por Petra Costa que disputará o Oscar no próximo domingo.

O jornalista disse que Petra é uma “ótima cineasta”, mas acabou transformando o documentário em uma “ficção alucinada”.

“Você cria uma relação de causa-consequência entre coisas que não tem a menor relação causal. O filme é todo assim”, criticou. “Vai contando as coisas, me desculpem a expressão, num pé com bunda danado.”

Bial disse mais:

“É uma menina querendo dizer para a mamãe dela que ela fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens de mamãe, a inspiração de mamãe. ‘Somos da esquerda, somos bons. Nós não fizemos nada’.”

  

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ARTIGO

 

We Are The World e viúva Porcina 35 anos depois

 

Janio Ferreira Soares

Em janeiro de 1985, eu estava no primeiro Rock in Rio torcendo pela eleição de Tancredo Neves e vibrando com Cazuza cantando que os dias nasceriam mais felizes. Na volta, no rádio do velho Gurgel Carajás, a voz de Chico Buarque renovava minha confiança ao dizer que a página infeliz da nossa história finalmente acabara e que agora cada paralelepípedo da cidade poderia se arrepiar com a liberdade sambando até o dia clarear.

No mesmo janeiro daquele 85 da pesada, fazia três anos que Michael Jackson havia se tornado o cantor mais poderoso do mundo após o espantoso sucesso de Thriller, dois anos que Lionel Richie tinha atingido o topo das paradas com Hello e um ano que Stevie Wonder tinha vencido o Oscar de melhor canção com I Just Cales to Say I Love You. Nada mais justo, portanto, do que dar aos três a missão de compor uma canção que fosse ao mesmo tempo fácil e marcante, cuja renda seria destinada aos milhares de africanos que naqueles dias morriam de fome e sede (só pra lembrar: enquanto Lulu Santos anunciava um novo começo de era – repleto de gente fina, elegante e sincera -, poucos sabiam da tragédia africana provocada por seus ditadores, num tempo em que a comunicação da humanidade era à base de fichas e a maior novidade tecnológica era o Atari).

Pois bem, cheio de compromissos, Stevie Wonder desistiu do projeto, sobrando para os dois à responsabilidade da empreitada. E para facilitar o processo, Lionel se mudou para a mansão dos Jackson e lá ficou uma semana trocando ideias com o anfitrião de como seria a canção, arranjo e coisa e tal. E aí, conta Lionel, que numa madrugada chega Michael com letra e melodia prontas, cabendo a ele somente encaixar poucos versos.

E foi assim que no dia 28 de janeiro de 1985, mais de 50 artistas se reuniram para a histórica gravação de um épico intitulado We Are The World, que contou, entre outros, com nomes como Bob Dylan, Diana Ross, Willie Nelson, Stevie Wonder, Paul Simon, Ray Charles, Bruce Springsteen, Kenny Rogers, Tina Turner, Billy Joel, Al Jarreau e Cindy Lauper – além dos próprios Michael e Lionel, é claro -, que na época arrecadou 147 milhões de dólares.

Foi também em 1985 que a novela Roque Santeiro finalmente pôde estrear na Globo, depois de anos censurada pela ditadura militar. Nela, Regina Duarte, que agora assume a Cultura do país, interpretava a impagável viúva Porcina, um dos seus maiores sucessos. Exatos 35 anos depois da novela e da canção, ouço Lionel Richie cantando no primeiro verso: “chega um momento em que ouvimos um certo chamado”. Certamente Regina deve ter ouvido o seu. Pena que feito pela voz de um capitão que possui o mesmo DNA da turma que um dia lhe impediu de praticar a arte que agora ela vai comandar. Tô certo, ou tô errado?

Janio Ferreira Soares , cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

Doce Viver”, Emílio Santiago:Belíssima canção de Marcos Valle e Nelson Motta, de rica melodia e pungentes  versos que recordam um Rio de Janeiro que não há mais. A interpretáção  de Emílio Santiago, ao vivo, é simplesmente mágica e excede a tudo de melhor que se possa imaginar.Bravo!!!

A música vai com dedicatória especial para Douglas Dourado, aposentado mas sempre  lembrado locutor de pista de grandes tranmisõões  esportivas no estádio Agauto Moraes, em Juazeiro, na margem baiana do Rio São Francisco, colega de ginasial , cunhado e amigo de uma vida inteira deste editor.Parabéns! 

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

 

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos Michael Bloomberg propôs neste sábado grandes aumentos de impostos sobre corporações e indivíduos norte-americanos abastados, incluindo um novo tributo voltado a pessoas que ganham mais de 5 milhões de dólares por ano.

Macaque in the trees
Bloomberg (Foto: Bill Pugliano/Getty Images north america/afp)

A campanha de Bloomberg estima que as medidas vão levantar cerca de 5 trilhões de dólares ao longo de 10 anos.

Todos os principais candidatos democratas defendem impostos maiores sobre os ricos e o plano de Bloomberg ajuda a situar o bilionário ex-prefeito de Nova York como um moderado entre os democratas que esperam desafiar o candidato republicano à reeleição, Donald Trump, na eleição de novembro.

As propostas de Bloomberg são parecidas com as apresentadas pelo candidato democrata mais bem cotado, Joe Biden.

Como Biden, Bloomberg defende a retirada de cortes de impostos introduzidos por Trump para norte-americanos ricos, bem como cobrar deles tributos maiores sobre lucros obtidos com vendas de ativos. Também como Biden, Bloomberg quer elevar o imposto cobrado de corporações de 21% para 28%.

Mas Bloomberg também disse que está mirando sobre a renda dos hiperricos como ele, adotando uma estratégia similar à proposta pelos progressistas Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

Bloomberg construiu sua fortuna de 60 bilhões de dólares vendendo informação financeira para Wall Street. Ele se diferencia de Sanders e Warren pois sua proposta é taxar a renda em vez dos ativos. Enquanto Sanders propõe novos impostos sobre a fortuna dos 0,1% mais ricos dos EUA, Bloomberg quer uma sobretaxa de 5% sobre a renda anual dos que ganham acima de 5 milhões de dólares, atingindo o mesmo 0,1% mais rico do país.

A campanha de Bloomberg afirma que o plano vai ajudar a combater a desigualdade econômica e bancar as principais propostas de investimento do candidato, que incluem a expansão da cobertura do sistema de saúde e reforma de estradas e pontes.

“Estes investimentos precisam de nova receita, um sistema tributário mais justo, progressivo que pede para os norte-americanos ricos como eu pagarem mais”, disse Bloomberg.(Reuters)

fev
03

Brasileiros na China gravam apelo a Bolsonaro

 

Um grupo de brasileiros que está na China gravou um vídeo com um apelo a Jair Bolsonaro e ao chanceler Ernesto Araújo para a retirada de cidadãos do país afetado pelo surto do novo coronavírus.

Na gravação, eles dizem estar dispostos a passar pelo período de quarentena fora do território brasileiro e mencionam a evacuação feita por outros países.

“No momento em que essa carta está sendo escrita, não há, entre nós, quaisquer casos de contaminação comprovada ou até mesmo sintomas de infecção por coronavírus”, afirma um dos brasileiros em vídeo.

Como registramos, o governo brasileiro estuda estratégias para buscar os brasileiros na China.

Clique abaixo para assistir ao vídeo:

Por G1 Rio

Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano e chefe do Escritório do Crime — Foto: Reprodução Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano e chefe do Escritório do Crime — Foto: Reprodução

Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano e chefe do Escritório do Crime — Foto: Reprodução

 

Após uma denúncia recebida pela subsecretaria de inteligência, a Polícia Civil do Rio enviou um delegado e dois agentes à Bahia para realizar uma operação em busca de Adriano Magalhães da Nóbrega, que não foi encontrado. A ação ocorreu na sexta-feira (31).

De acordo com a própria polícia, ele é o miliciano que chefia o Escritório do Crime. O grupo de matadores de aluguel atuante no estado do Rio é suspeito de ter ligação com o assassinato de Marielle Franco.

Em nota, a polícia baiana diz que uma equipe prestou apoio à operação realizada na Costa do Sauípe.

Adriano está foragido há mais de um ano, após a Operação Intocáveis. Na ocasião, cinco foram presos acusados de grilagem de terra, agiotagem e pagamento de propina em Rio das Pedras, Zona Oeste.

Histórico do capitão

Adriano Magalhães da Nóbrega aparece nas escutas telefônicas do Ministério Público como “Capitão Adriano” ou “Gordinho”.

Adriano é considerado por policiais e investigadores como um indivíduo violento. Ex-capitão da tropa de elite da PM, Adriano foi preso duas vezes suspeito de ligações com a máfia de caça-níqueis.

Em 2011, foi preso na Operação Tempestade no Deserto, que mirou a cúpula do jogo do bicho. Na época, a investigação apontou que ele era segurança de José Luiz de Barros Lopes, bicheiro conhecido como Zé Personal, morto no mesmo ano.

 

Segundo o MP, o ex-capitão também era o responsável pela segurança da esposa de Zé Personal, Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004.

Um ano antes, Adriano chegou a ser homenageado pelo hoje senador e então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Caso Queiroz

Adriano, segundo investigações do Ministério Público, era amigo do ex-PM Fabrício Queiroz, ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. A mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio.

O ex-PM teria inclusive recebido repasses de duas pizzarias controladas por Adriano. Dois repasses vieram das empresas controladas por Adriano, de acordo com os investigadores:

  • a Pizzaria Tatyara Ltda repassou R$ 45.330 mil
  • o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda enviou R$ 26.920 mil

O MP suspeita que Adriano seja sócio oculto dos dois restaurantes. Formalmente, o ex-policial não aparece no quadro societário das empresas. Quem aparece é a sua mãe, Raimunda.

Os promotores investigam se o saque de R$ 202 mil das contas de Danielle e Raimunda foram entregues em mãos a Fabrício Queiroz, evitando assim qualquer rastro dos repasses

fev
03
Posted on 03-02-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-02-2020

Duke, no jornal O Tempo (MG)

 

 

 

Filmes nacionais exibidos na 23ª Mostra de Tiradentes apontam para um 2020 com narrativas que tratam da esperança no futuro em meio ao caos. Tem realismo fantástico, paródia, afeto e sorrisos

A atriz Léa Garcia em cena do longa 'Um dia com Jerusa'.
A atriz Léa Garcia em cena do longa ‘Um dia com Jerusa’.Divulgação
 

Em uma época de incertezas na cultura, o cinema brasileiro vive um momento de efervescência criativa e de calorosa recepção do público. Se 2019 consagrou a distopia (para alguns, utopia) nordestina de Bacurau como fenômeno cultural e ficou marcado pela crise política retratada em Democracia em Vertigem, de Petra Costa —que agora concorre ao Oscar—, 2020 começa com uma safra de filmes que refletem a realidade do país para além do caos sociopolítico. É o que mostrou a 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece na cidade mineira de 24 de janeiro até este sábado. O evento, que inaugurou o calendário do audiovisual brasileiro, trouxe 113 filmes (entre curtas e longa-metragens), dentro do tema “A imaginação como potência”. São obras que projetam, na beira do abismo, realismo fantástico, sátiras, ambição estética e —por que não?— risadas.

  • Sala do cinema Belas Artes, em São Paulo.

“O que emerge na atual produção do país é o desejo de interpretar nossa experiência hoje, de projetar caminhos possíveis, de provocar imagens que nos remetam a uma perspectiva sobre o passado, tendo em vista não só um olhar original sobre as fraturas sociais e políticas, mas também uma superação destas num desejo de futuro”, explica o crítico Francis Vogner dos Reis, coordenador da Mostra Tiradentes.

Um dos longas que refletem esse momento é Pacarrete, do diretor Allan Deberton, que voltou seu olhar para sua pequena cidade natal, Russas, no interior do Ceará, para contar a história ingênua, engraçada e real de uma professora de balé (seu nome vem do francês pâquerette, que significa margarida) apaixonada por todas as artes e que brigava com a prefeitura para que seus projetos fossem realizados, o que nunca ocorreu. O filme é uma síntese do artista brasileiro, incompreendido pelo povo —Pacarrete era considerada louca— e subestimado pelo Governo, que não valoriza o poder da cultura. Apesar dos momentos tristes, é dessas obras às quais se assiste com um sorriso nos lábios durante uma hora e meia.

A atriz Marcélia Cartaxo em cena de 'Pacarrete'.
A atriz Marcélia Cartaxo em cena de ‘Pacarrete’.Divulgação

O alívio cômico também é a marca de Sofá, uma paródia tropical de Bruno Safadi que, apesar de ser cinema independente, é estrelado pelos globais Chay Suede e Ingrid Guimarães. A história, contada com imagens tingidas de diferentes cores que evocam estados emocionais, é a da ex-professora de escola pública Joana D’Arc e de Pharaó, um misto de bandido e herói, que circulam pelos escombros do Rio de Janeiro, convertido em cidade-ruína depois das remoções violentas que abriram espaço para as Olimpíadas, buscando uma reconciliação com um território usurpado. É humor em meio à destruição.

“2020 tem tudo para trazer uma produção muito heterogênea, com filmes que criam essas alegorias sobre o Brasil”, comenta a crítica Camila Vieira, uma das curadoras da Mostra. O ano passado já dava mostra de que os ventos começavam a soprar ares mais leves quando Pacarrete, visto como um patinho feio dentre as obras em competição, levou os principais prêmios do Festival de Gramado, incluindo melhor filme e direção.

Dentro do repertório heterogêneo, a surpresa é O Lodo, longa dirigido por Helvécio Ratton e baseado em um conto de Murilo Rubião, que leva para a tela um toque de realismo fantástico. Manfredo é um burocrata que sofre de depressão e procura um psiquiatra de métodos pouco ortodoxos para ajudá-lo. Com uma estética tradicional, o filme mergulha o espectador em uma espiral em que sonho e realidade, alucinação e espantos se misturam. Aqui, o cinema brasileiro coloca em segundo plano as crises nacionais e põe o foco na angústia e nos traumas do indivíduo.

A proposta de novos olhares também está presente em Sertânia, que conta a jornada de um cangaceiro com planos e cortes mergulhados no delírio do homem que agoniza. Filmado em preto e branco, com uma fotografia estourada —e impecável—, a obra de Geraldo Sarno é daquelas cuja beleza arrebata já na primeira cena. O filme é um retorno ao sertão que apresentam o cenário e o cangaço sob outra estética. Já não estão o chão rachado e o estonteante amarelo solar. Mas é possível sentir cada espinho de mandacaru na pele quando Antão Gavião rasteja na caatinga —e, com ele, a câmera—.

Em um exercício de vanguarda, Sertânia se constrói como um quebra-cabeça opaco, em uma narrativa não linear, um teatro moderno que faz lembrar Darren Aronofsky ou David Lynch. Em algumas cenas, a equipe de produção aparece ao fundo. É o ensaio do frenesi em que o protagonista mergulha, fazendo do espectador uma testemunha e cúmplice de sua via crucis.

Imaginário do afeto

Apesar das novas apostas estéticas e temáticas, os curadores da Mostra Tiradentes receberam muitas inscrições de filmes ainda mergulhados na ressaca dos acontecimentos dos últimos anos —perseguição contra liberdades, aumento do desemprego, instabilidade política— e que refletiam uma sensação geral de desesperança. Decidiram apostar, no entanto, no imaginário do afeto.

“Recebemos, principalmente nos curtas, muitos filmes de personagens enclausurados, tristes, sem enxergar nenhuma possibilidade de futuro ou saída do caos. E aí surgiram outras produções de grupos e coletivos com narrativas de opressões, mas apontando possibilidades de existência apesar disso. Optamos por selecionar esses filmes”, conta a curadora Camila Vieira.

Um dia com Jerusa, longa de estreia de Viviane Ferreira, é o melhor exemplo dessa aposta, já que está centrado na formação de laços afetivos a partir de uma ancestralidade compartilhada. O encontro se dá quando Silvia, uma jovem pesquisadora de mercado bate à porta da solitária Jerusa, que se prepara para a celebração do aniversário de 77 anos. Tendo como cenário o bairro do Bixiga, em São Paulo, o fluxo cotidiano das personagens é suspenso com o relato das reminiscências de Jerusa e as visões mediúnicas de Silvia de seu passado ancestral.

Daí surge o afeto, também presente no curta A Felicidade Delas, de Carol Rodrigues, que mostra corpos negros e lésbicos que pulsam, se encontram, se amam e se impõem aos perigos de existirem em uma sociedade que os quer excluídos. A brandura como reação à violência.

Para Camila Vieira, essa mudança de paradigma presente em muitas obras reflete o panorama do fazer cinema no Brasil. Ela coloca o pé no chão ao refletir sobre as ameaças que pairam sobre o setor —desde o corte de patrocínios e orçamentos até a eventual extinção da Ancine (Agência Nacional do Cinema). “Penso que não estamos mais na era Collor, quando também houve a extinção do Ministério da Cultura e da Embrafilme [empresa de economia mista estatal, produtora e distribuidora de filmes] e vivemos um momento sombrio de paralisação do cinema brasileiro. Hoje, o cinema é digital, o que dá uma possibilidade de realizadores fazerem seus filmes mesmo sem muito dinheiro. Quem sempre fez cinema, continuará fazendo.”

Um dos curtas da Mostra dá o tom do momento: Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham as estrelas.

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