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Maurício Barbosa(BA), o atirador contra Moro no
Fórum Nacional de Secretários de Segurança:ainda há fogo
  ARTIGO DA SEMANA

As Aparências Enganam: a canção de Tunai e os  governadores e  secretários contra Moro

Vitor Hugo Soares

 Há focos de fumaça, ainda, no rescaldo do incêndio alastrado no recente Fórum de Secretários Estaduais de Segurança, em Brasília, que redundou no mais repentino e grave desconforto na relação pessoal e política do presidente Jair Bolsonaro com o seu ministro da Justiça, Sérgio Moro. Nervos abrandados nos ambientes palacianos – do Distrito Federal e estados do Nordeste, principalmente – resta um que de “As Aparências Enganam”, genial composição de Tunai que, surpreendido por um ataque do coração, em sua casa, no Rio de Janeiro, acaba de nos deixar.

Os versos, consagrados por Elis Regina, são metáfora perfeita e atual do que ficou em suspense depois da fala de  Maurício Barbosa, secretário da Segurança da Bahia (há nove anos, desde o governo de Jaques Wagner e agora firme com Rui Costa) no encontro com o presidente da República, para pedir a cabeça do ex-juiz da Lava Jato e mais bem avaliado integrante do primeiro escalão do governo, na proposta de recriação do Ministério da Segurança: “As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam./Porque o amor e o ódio /Se irmanam na fogueira das paixões./Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague”…
O local desta desavença não poderia ter sido melhor escolhido: o DF, governado por Ibaneis Rocha (MDB), o mais severo crítico de Moro, desde que o ministro transferiu para presídio federal, nos arredores dos palácios de poder, lideranças de facções criminosas. Entre elas Marcus Williams Herbas, o Marcola. “Daqui a pouco, nós vamos ter o PCC tocando fogo em Brasília e o Moro não está nem aí para isso”, atacou Ibaneis em  entrevista no Estadão.

Sem dúvida, um upgrade e tanto ao discurso – com mira de precisão apontada para o ministro da Justiça –  azeitado há meses pelo chamado Consórcio de Governadores do Nordeste. Na verdade, embrião surgido em julho de 2019, em Salvador, para formação de uma frente de oposição “de esquerda” ao governo “direitista” do  atual presidente, sob o comando compartilhado dos governadores da Bahia, Rui Costa (PT) e do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), cuja simples citação do nome e procedência provoca crise alérgica em Bolsonaro. No Fórum, o movimento ganhou aliado de peso, o governador do DF, Ibaneis Rocha. Precisa desenhar?

E voltamos à metáfora do começo deste artigo. Maurício Barbosa, respaldado pelo governador Rui Costa, insiste e radicaliza nos argumentos em defesa da recriação do Ministério da Segurança que, segundo ele, “precisa de gente que fique 24 horas tratando do tema e que esteja no combate ombro a ombro com os estados. Isso não pode ser tratado no terceiro escalão do Ministério da Justiça, que já tem muitas outras atribuições”. O governador do DF também não amacia. Nem depois das escaramuç;as  do Fórum, quando a presença do presidente da República (no final, horas antes de embarcar para a Índia), ajudou a espalhar o incêndio. “Eu nunca fui convidado pelo ministro Moro para tratar sobre a segurança pública do Distrito Federal e assim tem sido com a maioria dos governadores. Acho que o presidente Bolsonaro é um homem muito inteligente e deveria orientar o seu ministro”, reclamou Ibaneis.
No ar, permanecem versos da canção do grande compositor: “As aparências enganam/Aos que odeiam e aos que amam/Porque o amor e o ódio/Se irmanam na geleira das paixões/Os corações viram gelo e depois/Não há nada que os degele”… Bravo!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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