Do Jornal do Brasil

 

Indicada ao Oscar de melhor documentário por “Democracia em Vertigem”, a cineasta brasileira Petra Costa participou do primeiro evento da premiação nesta segunda-feira (27), em Los Angeles.

Macaque in the trees
Petra Costa e Sonia Guajajara posaram ao lado de estrelas de Hollywood como Leonardo di Caprio (Foto: Reprodução/Instagram)

Acompanhada da líder indígena Sonia Guajajara, as duas posaram para fotos com os astros Brad Pitt, Leonardo Di Caprio e Robert De Niro.

“Como é notório, Leo é grande apoiador da causa ambiental e indígena em todo mundo”, escreveu Guajajara em suas redes sociais.

Costa também brincou com o fato de ter se encontrado com os galãs americanos. “Adivinha sobre o que estamos falando?”, legendou ela na foto que saiu com Brad Pitt.

O documentário “Democracia em Vertigem”, produção original da Netflix, acompanha o processo de impeachment de Dilma Rousseff a partir de uma visão particular da diretora.

O longa chegou à plataforma de streaming em junho. Nos Estados Unidos, o filme também foi exibido em salas de cinema, requisito para concorrer ao Oscar.

Estão no documentário brasileiro imagens de impacto dos protestos de junho de 2013; do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016; da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018; e da vitória de Jair Bolsonaro na disputa para o Palácio do Planalto, também em 2018.

Os outros documentários indicados são o americano “American Factory”, a coprodução entre Irlanda e Tailândia “The Cave”, o macedônio “Honeyland”, também indicado a filme internacional, e a coprodução entre Reino Unido e Síria “For Sama”.

A nomeação acontece depois de a aposta brasileira para o Oscar de melhor filme internacional, “A Vida Invisível”, ter sido deixada de fora da pré-lista de indicados. (FolhaPressSNG)

“Como Fue”, Beny Moré: um bolero de mexer com o corpo e alegrar a alma em performance notável de Moré, saudoso ídolo grandioso da música romântica de Cuba. Aqui com acompanhamento de imbatível orquestra do inesquécivel artista. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

O juiz Federal substituto Márcio de França Moreira, negou a concessão de uma liminar pedida pelo Ministério Público Federal para garantir uma nova correção de trechos do exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

O MPF alega que cerca de 7 mil candidatos podem ter sido prejudicados por erros grosseiros na correção das provas. O magistrado, no entanto, julgou que não há erro flagrante, mas  interpretações divergentes, portanto, “não há a mínima razão para autorizar a invasão do Poder Judiciário na competência da banca examinadora”.

Os procuradores pediram uma cautelar para um novo gabarito da prova prática de Direito Constitucional e também a anulação de um item sobre Direito do Trabalho. A ação civil pública aponta que as provas não consideraram entendimentos pacificados dos tribunais superiores sobre determinados temas, como a apresentação de recursos, em afronta ao que estava previsto no próprio edital do exame.

“Sem adentrar no mérito da questão impugnada, denota-se que o gabarito adotado pela banca examinadora é razoável e não destoa das regras de direito, de modo que a causa de pedir do Ministério Público Federal nada mais é do que uma mera discordância quanto à melhor solução processual ao enunciado da prova, não havendo, pois, uma “ambiguidade  terminológica”.

Para o magistrado, “a posição do Ministério Público Federal, embora sustentável, não pode prevalecer sobre a escolha da banca examinadora quanto à resposta correta”.  A possibilidade de interpretações variadas acerca de um determinado tema jurídico não pode ser qualificada como flagrante “ilegalidade”, uma vez que tal característica é da própria natureza do direito, devendo-se, no caso, respeitar a autonomia da banca examinadora, que é tecnicamente qualificada para a realização de concursos públicos na área jurídica”.

jan
29
Posted on 29-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-01-2020

DO PORTAL TERRA BRASIL

 

Kobe Bryant e a esposa Vanessa, mãe das quatro filhas do casal, tinham um acordo para que os dois nunca voasse em um mesmo helicóptero. O astro usava a aeronave diariamente e a decisão pode representar uma preocupação de evitar uma tragédia maior em caso de acidente. A informação é da revista People’.

Koe e a esposa Vanessa, na cerimônia do Oscar (Foto: ANGELA WEISS / AFP)

 
 
Kobe e a esposa Vanessa, na cerimônia do Oscar (Foto: ANGELA WEISS / AFP)

Foto: LANCE!

 

“Ele e Vanessa tinham um acordo que (estabelecia que) eles nunca voariam no mesmo helicóptero juntos” – revelou uma fonte anônima em entrevista a revista.

Kobe, que morreu no domingo, após sofrer um acidente aéreo em Calabasas, na Califórnia, contou, em entrevista em 2018, que sempre optou por voar para evitar o trânsito da cidade.

“Você não vê seus filhos, então, todas as chances de vê-los e passar um tempo com eles, mesmo que sejam 20 minutos, eu quero”, contou Kobe Bryant, em entrevista a Alex Rodriguez e Barstool Sports’ Big Cat, do programa The Corp, em dezembro de 2018.

 

DO EL PAÍS

Renato Vieira, que pediu para deixar posto, será substituído pelo secretário de Previdência, Leonardo Rolim. Para reduzir demanda reprimida, Governo convidará servidores aposentados

Ex-presidente do INSS, Renato Vieira.
Ex-presidente do INSS, Renato Vieira.José Cruz – 17.dez.2019/Agência Brasil

 Heloísa Mendonça

Não é só no Ministério da Educação que o Planalto enfrenta problemas. Nesta terça-feira, o Governo de Jair Bolsonaro anunciou a demissão do presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Renato Rodrigues Vieira, em um momento em que órgão enfrenta uma crise com filas de espera para a concessão de benefícios. Quase duas milhões de pessoas aguardam análise de seus pedidos de auxílio-doença e aposentadorias.

Segundo o ministro de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, a saída acontece a pedido do próprio Vieira. Ele será substituído pelo atual secretário de Previdência, Leonardo Rolim. “Hoje tivemos uma conversa com o presidente Renato Vieira e ele consolidou sua posição de sair do INSS, a pedido. Foi uma conversa amadurecida ao longo dos últimos 15 dias. O Renato acha que precisa se dedicar a seus projetos e nós aceitamos sua demissão”, disse Marinho. Questionado sobre eventual ligação da demissão com a crescente crise do órgão, o secretário afirmou que a decisão de Viera se deu por razões particulares. “Não faltou da nossa parte apoio para que ele continuasse em sua atividade. A decisão está tomada, precisamos respeitar”, afirmou o secretário.

Na tentativa de diminuir as filas do INSS, o Governo federal anunciou, há duas semanas, a contratação de 7.000 militares da reserva das Forças Armadas para auxiliar no atendimento das agências e, assim, liberar servidores para reforçar a análise dos benefícios. O prazo para regularizar essa situação é de seis meses de acordo com o Governo. Conforme a Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (FENASPS), o tempo para a concessão dos benefícios dobrou. Uma aposentadoria que levavam de 45 a 90 dias para serem concedidas, agora levam até 180 dias. Quando se necessita de análise do auxílio doença, que antes era concedida entre 15 e 20 dias, o prazo pode ser ainda maior.

Histórias de quem passa dificuldades por causa dos atrasos povoam o noticiário nas TVs todos os dias enquanto especialistas debatem os prejuízos para os cofres públicos e a solução temporária oferecida até o momento para a crise, com o recrutamento de reservistas. O Planalto e equipe de Paulo Guedes reiteram que não haverá concurso para o órgão e apostam que a tecnologia vai suprir as necessidades de uma demanda por aposentadoria em alta.

Nesta terça-feira, a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho comunicou que além da ajuda dos militares, o Governo convidará servidores aposentados para trabalhar no atendimento, em um modelo de contratação temporário. Para isso, será necessária a edição de uma medida provisória (MP ) para tratar do assunto. A equipe econômica tem dito que nos últimos anos houve crescente represamento de pedidos devido à redução da força de trabalho do órgão. A decisão de ampliar o reforço também com os servidores veio após alerta do Tribunal de Contas da União( TCU) de que a força-tarefa não poderia ser limitada apenas aos militares

jan
29
Posted on 29-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-01-2020


 

 Iott, no jornal

 

DO EL PAÍS

Homenageado na 23ª Mostra de Tiradentes ao lado da filha, Camila Pitanga, ator marco do Cinema Novo fala sobre ancestralidade, família e o poder da cultura. “Foi ela que me deu meu passaporte cidadão”, diz ele

 Joana Oliveira
Antônio Pitanga e Camila Pitanga, homenageados da 23ª Mostra Tiradentes.
Antônio Pitanga e Camila Pitanga, homenageados da 23ª Mostra Tiradentes.2020 Leo Lara / Foto Leo Lara/Universo Produçã

Ela olha para ele e escuta-o com a mesma atenção e encantamento de uma criança, como se fosse a primeira vez, apesar de seus 42 anos. Camila Pitanga reverencia o pai, Antônio, de 80 anos, de quem herdou o nome e a paixão pela arte e pela cultura, a cada gesto e palavra. Pai, filha e cinema. Ambos são os homenageados da 23ª Mostra Tiradentes, que acontece na cidade mineira de 24 de janeiro a 1º de fevereiro, com a missão de apontar os caminhos que o cinema brasileiro deve trilhar. Pela primeira vez, a mostra reverencia uma família, e uma família emblemática: ela, uma das atrizes mais populares do país, transitando entre novela e cinema, sendo uma das primeiras protagonistas negras na televisão. Ele, o ator mais importante do Cinema Novo e cocriador do cinema moderno brasileiro. Ambos são retrato do Brasil artístico, diverso e negro. “Tiradentes não está homenageando só um homem. Estão homenageando um quilombo”, resume Antônio Pitanga.

Ele, pequeno diante dos 1,75 de altura dela, agiganta-se ao falar, de modo enérgico e contagiante. É, afinal, um grande contador de histórias. Ela cala e escuta. Quando fala, é para mencionar a grandeza do pai. “Esse homem enorme me nutriu de muitos olhares sobre a vida, me fez entender que a gente não pode ficar olhando o mundo só pelo nosso umbigo e que temos que pensar nossa existência em uma dimensão mais coletiva. A cultura e a arte têm essa vocação de ampliar os olhares, de estranhar, de cultivar novas perspectivas”, diz Camila Pitanga.

Mais do que o DNA (apesar de ambos compartilharem o mesmo sorriso vibrante), quiçá o que mais os una seja esse amor pelo fazer artístico. “Eu vim do nada, mas no nada havia cultura”, conta Antônio ao relembrar sua infância em Salvador, como filho de uma família pobre. “Peralta e brigão”, como ele se descreve, tinha tudo para ser mais um capitão da areia, como os personagens de Jorge Amado, mas a mãe resolveu colocá-lo em uma escola católica. “Eu aprendi todos os ofícios, fui sapateiro, alfaiate, carpinteiro, linotipista… Mas queria uma profissão que me desse cidadania. E foi a cultura que me deu meu passaporte cidadão”, afirma.

Foi espiando pelas frestas de um clube de teatro de Salvador, “onde preto não entrava”, que Antônio conheceu nomes como Luiz Paulino dos Santos e Glauber Rocha. Com eles, viria a tornar-se um marco do Cinema Novo, em filmes como Bahia de Todos os Santos e Barravento. Com movimentos que destoavam do ritmo marcado dos atores da época, Pitanga tornou-se um ícone desse cinema. Com a mesma energia, participou dos movimentos de contracultura e resistência à ditadura. E quando muitos se exilaram na Europa, ele fez outro caminho.

“Percorri durante dois anos a África para saber que negro é esse. De que África eu tinha vindo? Eu mergulhei, fui esquecido, fui achado. Me achei no norte da África”, diz o homem que se define como “um baiano muito ousado”. “Eu não era no Cinema Novo só mais um preto, eu era parte do grupo, sem precisar fazer nenhuma reivindicação. Eu fazia parte das cabeças pensantes”, lembra.

Há três anos, Camila também fez sua própria busca pelo pai. Codirigiu, com Beto Brant, Pitanga, documentário que conta a trajetória do ator. Ancestralidade é palavra-chave na conversa com pai e filha. “Revi quem é o homem, o artista, e me pensei como artista no mundo. Foram muitas janelas que se abriram para mim e que ainda estão se revelando. Mas o que mais fica é a história de um homem preto vencedor. Tem muitos outros que precisam ser contados para a gente se pensar, sendo preto e sendo não preto”, conta a atriz e diretora.

Para Camila, Antônio evoca também a lembrança de que é possível “resistir com alegria” aos desafios do Brasil atual, cujo Governo carece de políticas efetivas de cultura. “Ele e os de sua geração souberam dançar e vibrar o que tinham de melhor para mudar a chave. Acho que isso é inspirador. Como diz Caetano Veloso, é preciso estar atento e forte”, diz ela.

Antônio e Camila viveram pai e filha na ficção em 1995 na novela A próxima vítima, de Silvio de Abreu, na Rede Globo, a primeira com um núcleo familiar negro de classe média. O enredo foi escrito a pedido de Antônio Pitanga. “Silvio levou três anos para escrever uma família negra. Em sua ingenuidade, ele me disse: ‘demorei a entender que era o mesmo que escrever para uma família branca’. Levou três anos para cair essa ficha”, conta.

Camila, que estreou como atriz na infância, diz que se surpreendeu ao ver que os nomes negros da dramaturgia ainda eram os mesmos da geração do seu pai e, na maioria das vezes, nos papéis considerados negros: os de trabalhadores domésticos, escravos ou bandidos. “É importante sair dessa ideia do negro escravizado, vítima da história, e colocar pessoas que se pensam na história. Que é o que a gente vê hoje em Amor de Mãe, onde temos Jéssica Ellen fazendo uma professora, dizendo coisas que, mesmo na ficção, são da nossa realidade”, comenta. Nesse sentido, eu acho que o Brasil amadureceu. Quando a gente pensa na revolução que as cotas raciais representam… O movimento negro não é de hoje, mas me sinto fortalecida ao ver uma geração de menos de 30 anos com uma clareza do que significa no mundo, isso é um barravento que não volta mais”, comemora.

Legado no cinema

Camila Pitanga eternizou-se na televisão com papéis como o da prostituta Bebel, de Paraíso Tropical, mas também em filmes como Caramuru ou Eu Receberia as Piores Notícias dos teus Lindos Lábios. Perguntada sobre o legado do pai e os feudos do cinema nacional ?no Brasil, o fazer cinematográfico concentra-se nas mãos de poucas famílias abastadas, como os Moreira Salles ou os Torre-Waddington—, ela diz que não se vê nesse lugar. “Eu me vejo irmã de Taís [Araújo], Lázaro [Ramos], Jéssica [Ellen]… Não me reconheço nesse lugar de herdeiro. Meu pai e eu temos essa coisa de nos pensar no coletivo, em fazer trocas com outros grupos de criadores. Me vejo no contrário desse lugar de feudo, como formiga, como operária da cultura”.

Camila, que ficou famosa aos 16 anos, conta que usa os holofotes especialmente para produzir em coletivo. “Sabe que [a fama] foi bem desconfortável? Eu não tinha uma estrada, não tinha uma formação, então a minha luta da vida inteira, quando escolhi participar de várias produções teatrais, inclusive como produtora, empreendendo as minhas ideias, foi justamente para não ficar só nesse lugar da superfície, em uma visibilidade sem consistência. Hoje, ser famosa é aproveitar esse foco para não ficar sozinha. Porque ser famosa e ficar encastelada em um lugar não tem graça nenhuma.”

Foi com essa mesma mentalidade que Antônio sentiu, pela primeira vez, a necessidade de ir para trás das câmeras, quando dirigiu Na Boca do Mundo (1979), exibido na mostra de realizadores de Cannes. “Eu queria mostrar que nós, pretos, podemos dirigir. A gente tem que escrever, temos que ir para trás das câmeras e contar nossa história, sem esperar que um branco faça isso”, reivindica.

Antônio prepara-se para rodar este ano, no Recôncavo Baiano, Malês, filme que conta o levante dos negros muçulmanos escravizados em Salvador, em 1835, que lutaram pela abolição e pela liberdade de culto e que foram combatidos pelas forças do Brasil Regência. “Essa revolução não foi uma revolução mata-branco, era uma estratégia de guerra. Contar essa história de negros que detinham o conhecimento da engenharia, da física, da dança, da matemática e da música é importante. Era o Brasil começando a desatar o nó dos colonizadores”, diz.

Para Camila, essa é a oportunidade de contar mais uma história de negros vencedores. “A história oficial é a dos negros vitimados, não é a história dos negros insurgentes, com sabedoria, resistência, luta e proposição. Malês é muito emblemático porque fala de grito e desobediência. É para ontem essa história ser contada”.

O projeto do filme nasceu ainda no grupo do Cinema Novo ao que pertenciam Antônio e Glauber Rocha, mas o registro de um dos maiores levantes do país ainda é pouco conhecido. “Se cultura fosse um projeto de Governo, já teríamos feito esse filme e ele teria sido distribuído em todas as escolas, gratuitamente, estaria nas praças públicas”.

Antônio Pitanga lamenta que o número de realizadores negros no cinema nacional e na cultura brasileira, em geral, ainda seja um pequeno percentual do total. “A conta não fecha! Na minha época, em um país de 60 milhões de pessoas, tinha eu, Ruth de Souza, Grande Otelo… Hoje, com 209 milhões no Brasil, quantos diretores negros temos? Quantos poetas? A conta não fecha!”, insiste.

Ele garante que já viveu todas as décadas às quais tem direito, mas pretende continuar. “Não esmorecerei, enquanto essa conta não fechar, eu não vou morrer.” Os Pitanga, mais do que nunca, seguem atentos e fortes.

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