Craque do Lakers, de Los Angeles,  já aposentado, estava em sua aeronave particular sobrevoando a região de Calabasas, área   de residencial de moradores de classe média alta no subúrbio de Los Angeles, na Califórnia.

O jogador de basquete Kobe Bryant.
O jogador de basquete Kobe Bryant.JORGE CRUZ / EFE

O astro do basquete Kobe Bryant morreu neste domingo em um acidente de helicóptero na Califórnia, segundo informaram veículos de comunicação americanos como TMZ, Variety e a cadeia esportiva ESPN.

O  craque do Lakers, já aposentado, estava viajando em seu helicóptero particular com outras pessoas. Bryant, de 41 anos, jogou vinte temporadas da NBA com o Los Angeles Lakers. Ele era casado com Vanessa Laine e tinha quatro filhos.

 O helicóptero onde o jogado viajava caiu por volta das 10 horas da manhã contra uma colina na área de Calabasas, um subúrbio de alto poder aquisitivo no noroeste de Los Angeles, perto da 4200 Las Virgenes Road. Não houve sobreviventes, segundo informou a polícia.
Bombeiros no local do acidente de helicóptero.
Bombeiros no local do acidente de helicóptero.REUTERS

Em Los Angeles, a notícia correu pelos celulares a toda velocidade. Bryant é uma das pessoas mais queridas da cidade, que o viu crescer como jogador todos os anos de sua vida profissional. Nas proximidades do Staples Center, onde ele desenvolveu toda a sua carreira e neste domingo acontece a cerimônia de entrega dos Prêmio Grammy, grupos de pessoas se mostraram incrédulos por volta das 11h45 da manhã, quando a polícia começou a confirmar a identidade dos mortos no acidente de helicóptero, um dos mais graves ocorridos na cidade.

Bryant foi o jogador mais jovem da história a conseguir uma contratação na liga profissional, aos 17 anos, em 1996. Venceu cinco campeonatos e marcou uma era ao lado de jogadores como Shaquille O’Neil e Pau Gasol. É o quarto maior cestinha da história da liga, superado recentemente por Lebron James. Seu pai, Joe Bryant, também era jogador da NBA. Dois anos atrás, Bryant ganhou um Oscar por um documentário sobre basquete.

Kobe Bryant com o Oscar de Melhor Curta de Animação.
Kobe Bryant com o Oscar de Melhor Curta de Animação.MIKE BLAKE (REUTERS

DO EL PAÍS
Lula da Silva, durante la entrevista con EL PAÍS, en su oficina en São Paulo.
Lula da Silva, durante la entrevista con EL PAÍS, en su oficina en São Paulo. Lela Beltrão (EL PAÍS )

 Juan Arias

No Brasil, algumas placas tectônicas da política estão se movendo de repente, enquanto Lula, já fora da cadeia e com liberdade de palavra e ação, continua envolto em silêncio político. Sabemos através de terceiros o que pensa e o que está organizando. Aparentemente, sua grande preocupação seria definir os possíveis candidatos de seu partido, o PT, com vistas às eleições municipais. Muito pouco para o momento crítico que o país vive, em que estão em jogo sua liberdade de pensamento e seu futuro democrático.

Vemos que o bolsonarismo mais exacerbado e autoritário, mais de extrema direita, está levantando a cabeça e o presidente Bolsonaro, enaltecido pelos seus, já não fala apenas em disputar a reeleição em 2022, como até insinua poder se eternizar no cargo para além de oito anos. Quando parecia que seu balão de popularidade tinha furado, alcançando índices insignificantes de consenso superados até por seu ministro da Justiça, Sergio Moro, de repente parece ter levantado a cabeça.

As últimas pesquisas lhe dão, de fato, um crescimento significativo de apoio popular e ele, encorajado, imediatamente deu sinais claros de querer debilitar a força de Moro em seu Governo. Anunciou que poderia retirar de seu ministério a luta contra o crime organizado, campo no qual o ex-juiz da Lava Jato estava colhendo frutos consideráveis. Daí a retirá-lo do Governo ou empurrá-lo para fora há um passo.

Além disso, encorajado por seu crescimento de popularidade, Bolsonaro se permitiu o luxo de oferecer a Secretaria da Cultura à famosa atriz global Regina Duarte, algo que deixou perplexa a extrema direita. Seu filho Carlos, o vereador extremista do Rio de Janeiro, chegou a acusar o pai de ter escolhido uma “comunista”.

Agora Bolsonaro, mais livre, exibe como seu novo troféu a atriz que, na realidade, teria desempenhado um bom papel em qualquer governo democrático. Gilberto Gil não foi ministro da Cultura do Governo Lula? Não, Bolsonaro não se converteu repentinamente aos valores democráticos. É que ele se sente mais forte e com vontade de provocar até os seus.

Ainda não sabemos se essa escolha para dirigir a rica cultura brasileira acabará se consolidando, se a atriz se sentirá à vontade e com liberdade de ação nesse Governo de extrema direita e até quando o chefe a apoiaria se tentasse abrir novos campos de democracia cultural. Não há dúvida, no entanto, de que Bolsonaro se permite até jogar com dois baralhos e até se diverte com a nomeação de Duarte como sua nova “noiva”.

Enquanto isso, Lula continua em silêncio neste momento crucial em que poderia se consolidar um clima de autoritarismo e obscurantismo e uma caça às bruxas dentro do país, começando por operações como a intentona de condenar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald –o fundador do The Intercept, que desentranhou as vísceras mais obscuras da Lava Jato– como um símbolo claro de desprezo pela liberdade de expressão e para desmoralizar ou punir os tradicionais meios de informação, que tenta demonizar a todo custo.

Existem, no entanto, momentos na história de uma família ou de um ou país em que é necessário esquecer os interesses mais pessoais ou de grupo para se colocar a serviço da comunidade, especialmente se esta estiver em grave perigo. Por isso Lula, que com seus acertos e erros não deixa de ser uma figura fundamental na democracia deste país e, por enquanto, ainda é um líder indiscutível, faria mal em se perder na defesa de seu curral pessoal, esquecendo-se do bem geral.

Seu papel se apequenaria se sua única preocupação fosse salvar do incêndio o seu partido, por mais importante que tenha sido e continue sendo na política geral. Nem de nada serviria neste momento um confronto direto com Bolsonaro, pois isso serviria apenas para fortalecê-lo, bem como suas hostes ultraconservadoras, que se sentem orgulhosas de ter derrotado o lulismo nas urnas.

O que o Brasil precisa, algo para o qual Lula ainda poderia ser uma peça importante, é de reunificação. Não digo da esquerda, que, como tal, parece ter poucas chances de derrotar a onda liberal-conservadora e até fascista que se impôs no país e que contagiou inclusive boa parte das classes mais baixas e pobres que um dia foram o curral exclusivo de Lula.

O Brasil, depois da explosão e da involução bolsonarista, está em um momento histórico que outros países já viveram no passado, como a Espanha, quando acabou a ditadura franquista. Só conseguiu sair do túnel fúnebre de 40 anos de obscurantismo, precedido por uma sangrenta guerra civil, com a ideia genial e inteligente de todos os partidos democráticos de dar vida por meio do famoso Pacto da Moncloa, que mais tarde seria imitado por outros países, a uma primavera democrática capaz de recuperar todas as liberdades pisoteadas pelo franquismo.

Também hoje as forças democráticas no Brasil, da esquerda à direita, precisam fazer um pacto de ação, diante do furacão extremista que agitou o país com a chegada de Bolsonaro. Deve reunir forças, esquecendo-se dos interesses pessoais ou partidários, para criar um pacto democrático capaz de devolver ao país, antes que seja tarde demais, seus melhores valores civis e de modernidade, vividos em liberdade.

Para isso, todas essas forças democráticas devem estar cientes, assim como Lula, de que não será alimentando egos e defendendo seus próprios interesses partidários, ou com slogans falsamente nacionalistas como os do bolsonarismo, que se recriará uma sociedade pacificada, unida e feliz, onde todos tenham direito à cidadania.

E onde não sejam relegadas mais uma vez ao esquecimento, como está acontecendo hoje, essas caravanas de pobres e desassistidos, vítimas de um capitalismo rançoso e cruel. Caravana de famílias que mal conseguem sobreviver e que se refletem escandalizadas nos privilégios vergonhosos de algumas minorias, começando pelos políticos.

E essas famílias da periferia econômica do país não são uma minoria sofrida e insignificante, pois hoje, infelizmente, já constituem a grande maioria numérica deste Brasil, um dos maiores e mais ricos países do mundo. Um país que, paradoxalmente, acaba de aparecer na fila daqueles que menos combatem a corrupção generalizada e quase institucionalizada. Será verdade que não existe corrupção no novo Governo Bolsonaro? É de esperar que seu ministro da Justiça, Moro, que era um lince para descobrir corrupção até debaixo das pedras quando exercia como juiz da Lava Jato, seja capaz agora de detectá-la dentro de seu próprio Governo. Ou não?

“Medo de Amar”, Nana Caymmi e Wagner Tiso: Estupenda interpretação (Ao Vivo)de Nana de uma das mais extraordinárias canções de seu Dorival, com arranjo musical e acompanhamento simplesmente de arrepiar de Wagner Tiso. Confira e comprove.!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Por Matheus Leitão

Superintendentes da Polícia Federal e integrantes da cúpula da corporação avaliam que o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, “por enquanto, ainda está forte” internamente no governo federal.

A avaliação dos policiais ao blog foi feita após o recuo do presidente Jair Bolsonaro da ideia de desmembrar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Nesta sexta-feira (24), Bolsonaro afirmou que, por hora, essa possibilidade está descartada.

Na quinta-feira (23), Bolsonaro afirmou em reunião em Brasília com secretários estaduais de Segurança Pública que estudava recriar o Ministério da Segurança Pública (veja no vídeo abaixo).

 
Bolsonaro admite recriar Ministério da Segurança e reduzir alcance de Moro

Bolsonaro admite recriar Ministério da Segurança e reduzir alcance de Moro

Em eventual mudança na configuração da Esplanada dos Ministérios, a política de combate à criminalidade seria retirada do domínio de Moro, esvaziando o papel do ex-juiz no governo.

Moro também perderia o controle da própria PF, do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os três órgãos mais importantes da pasta.

O recuo de Bolsonaro foi recebido com alívio na cúpula da PF. Há duas certezas: a de que o atual momento de crise arrefeceu, mas que outros acontecerão durante o ano de 2020.

jan
26
Posted on 26-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-01-2020

Do Jornal do Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, deve ter muito cuidado com o que diz depois que Khamenei criticou duramente os Estados Unidos em um sermão nesta sexta-feira em Teerã.

“O chamado ‘líder supremo’ do Irã, que não tem sido tão supremo ultimamente, tinha algumas coisas desagradáveis a dizer sobre os Estados Unidos e a Europa”, disse Trump em um tuíte.

“A economia deles está em colapso e o povo está sofrendo. Ele deve ter muito cuidado com suas palavras!”

Em seu sermão, Khamenei disse que a Guarda Revolucionária pode levar sua luta para além das fronteiras do Irã. [nL1N29M0N5]

“A resistência precisa continuar até a região estar completamente livre da tirania do inimigo”, disse Khamenei, exigindo que as tropas norte-americanas se retirem do vizinho Iraque e do Oriente Médio como um todo.(Reuters)

jan
26
Posted on 26-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-01-2020

No Twitter, Sergio Moro citou neste sábado mais dados para explicar a queda da criminalidade no ano passado:

“Seguindo a orientação do presidente Jair Bolsonaro, estamos sendo firmes com o crime organizado, isolando as lideranças em presídios federais. Em 2019, ingressaram mais criminosos nos presídios do que saíram. Em 2018, havia sido o oposto”, disse.

“342 criminosos perigosos foram transferidos aos presídios federais em 2019. Ao final do ano, eram 624, recorde histórico. Pela lei anticrime, todas as conversas com visitantes são gravadas, o que reduz a possibilidade do envio de ordens para a prática de crimes lá fora.”

jan
26

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

O procurador-geral da República (PGR) de Angola admitiu que a justiça angolana não teria podido investigar a empresária Isabel dos Santos durante a liderança do seu pai, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, por pressão do poder político.

Antigo vice-procurador-geral da República durante os últimos anos de mandato de José Eduardo dos Santos, substituído em 2017 por João Lourenço, Hélder Pitta Grós reconheceu que o sistema judicial mudou, com a nomeação de novos protagonistas que asseguram a independência da justiça em relação ao poder executivo.

Em entrevista à Lusa, questionado se seria possível uma investigação criminal a Isabel dos Santos como agora sucede, visando entre outras matérias a alegada má gestão da petrolífera estatal Sonangol, Hélder Pitta Grós foi taxativo: “Não acredito. Porque nunca aconteceu nada e estes factos foram cometidos antes de 2017”.

“Porque se o poder político não estiver interessado em que a justiça funcione tem formas de fazê-lo”, já que é o executivo que “tem os meios financeiros, os meios materiais e humanos”, frisou Pitta Grós.

A ação judicial contra Isabel dos Santos, na sequência de uma auditoria da consultora KPMG à gestão na Sonangol e após os resultados de uma grande investigação de um consórcio internacional de jornalistas, que incluem o Expresso e a SIC, teve início porque a empresária se recusou a esclarecer as dúvidas levantadas pela administração que lhe sucedeu em novembro de 2017.

O inquérito que foi agora convertido em processo-crime “não foi instaurado no sentido do simbolismo” de luta contra a corrupção, admitiu o procurador-geral.

“Aconteceu em parte provocado por ela, porque se ela tem aparecido quando houve esse inquérito talvez ela pudesse justificar algumas coisas que agora estão no processo-crime”, afirmou Pitta Grós.

O procurador-geral reuniu-se com a sua homóloga portuguesa, Lucília Gago, na quinta-feira, em Lisboa, para entregar uma carta rogatória, onde pede a notificação de três arguidos portugueses (um deles já morreu), ligados a Isabel dos Santos na administração da petrolífera angolana.

Nessa carta, a justiça angolana pede o apoio noutras “diligências processuais”, que Hélder Pitta Grós não quis especificar na entrevista à Lusa.

jan
26
Posted on 26-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-01-2020



 

Sid, NO PORTAL DE HUMOR

 

DO EL PAÍS

Auxílio de um salário mínimo para cada habitante pela mineradora faz consumo dar salto. Alegria com a injeção de dinheiro ofende familiares de vítimas. “A cidade está consumista e maníaca”, diz psicólogo

Memorial em homenagem às vítimas da tragédia de Brumadinho.
Memorial em homenagem às vítimas da tragédia de Brumadinho.ADRIANO MACHADO (REUTERS)
 

Uma cidade em luto, mas eufórica economicamente. Após um ano do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, que deixou 270 mortos, a cidade convive com uma estranha dualidade. Enquanto onze vítimas da tragédia seguem desaparecidas e familiares e amigos estão mergulhados em um sentimento de angústia, revolta e luto sem caixão, uma parcela dos moradores do local comemora. O motivo é que, desde o desastre, a Vale começou a fornecer mensalmente um auxílio emergencial a todos os moradores da cidade, sendo eles atingidos pela ruptura da barragem diretamente ou não. Até dezembro do ano passado, cada adulto ganhou, por mês, um salário mínimo, adolescentes, meio salário e crianças, cerca de 250 reais.

de renda mínima aqueceu a economia de Brumadinho, fortemente dependente da mineração. Grande parte do comércio viu as vendas dobrarem. “Teve gente que refez o guarda-roupa inteirinho. Nos primeiros meses do auxílio, a gente teve uma alta de 100% nas vendas”, explica Gabriel da Silva, gerente de uma loja de roupas da cidade de pouco mais de 40.000 habitantes.

Segundo a Vale, mais de 106.000 pessoas receberam a ajuda no ano passado, já que ela foi distribuída também para além de Brumadinho. Residentes localizados até um quilômetro da calha do Rio Paraopeba ?afetado pela onda de rejeitos— até a cidade de Pompéu também obtiveram o auxílio.

O proprietário de uma concessionária de automóveis conta que muitas pessoas que sonhavam em trocar de carro juntaram os benefícios emergenciais de todos da família para efetivar a compra. “Ano passado vivemos um boom, os bancos ficaram lotados, todo mundo comprando eletrodomésticos novos, celulares, reformando casas, mulheres colocando silicone. Você ia pedir uma pizza e demoravam duas horas para entregar. Ninguém mais queria cozinhar”, conta o comerciante que preferiu não se identificar. “Imagina que, para quem ganhava o mínimo, o salário dobrou da noite para o dia”, diz.

Ele opina, no entanto, que, apesar da população ter sido atingida como um todo pela tragédia, a longo prazo, esse pagamento não é a melhor solução de reparação para a cidade. “Claro que para uma pessoa como eu, que sou comerciante, ajuda, mas o certo era montar um parque industrial, trazer novas empresas para gerar emprego. Quando essa ajuda acabar, o que vai acontecer com a cidade? O futuro é muito incerto”.

Gabriel da Silva, gerente de uma loja de roupas de Brumadinho, conta que as vendas no local dobraram em alguns meses do ano passado.
Gabriel da Silva, gerente de uma loja de roupas de Brumadinho, conta que as vendas no local dobraram em alguns meses do ano passado. Douglas Magno / Douglas Magno

Em janeiro do ano passado, a Vale se comprometeu a repassar, ao longo de dois anos, 80 milhões de reais para o município de Brumadinho como forma de compensar a perda de arrecadação do município pela paralisação das atividades da mina Córrego do Feijão. O aumento do número de empresas contratadas pela mineradora encarregadas de fazer obras de reparação na região também movimenta as lojas de construção da cidade e o comércio de forma geral. “No ano passado, as vendas subiram uns 30%”, explica uma funcionária da GM Materiais.

Josiana Resende, irmã de Juliana —uma das 11 vítimas da tragédia ainda não localizadas?, lamenta que o dinheiro dado à população tenha dividido a cidade e mudado a pauta de exigências. “Outro dia fizeram uma manifestação pedindo que o auxílio não terminasse e fecharam a entrada da cidade, sem deixar os operadores das busca passarem. Eles estão preocupados com as vítimas desse crime da Vale ou com o dinheiro que as pessoas que perderam a vida proporcionaram?”, lamenta. Na avaliação de Resende, a mineradora deveria ter feito algo por Brumadinho que contemplasse uma melhoria para toda a população. “Dar esse dinheiro maldito só criou uma dependência. As pessoas ficaram felizes e nós continuamos sofrendo”, explica.

Dinheiro com data marcada para acabar

O fim do auxílio emergencial é atualmente um dos temas que já tira o sono de muitos moradores. No fim do ano passado, um acordo entre a mineradora e o Ministério Público de Minas Gerais decidiu pela prorrogação do auxílio por mais 10 meses. Os valores continuarão os mesmos para os moradores que, na época do rompimento, moravam nas comunidades fortemente atingidas, como a do Córrego do Feijão. As demais começarão a receber, em 2020, metade do auxílio, durante outros 10 meses.

“A decisão não é boa. A cidade precisa dessa ajuda auxiliar. Toda a população teve sua atividade prejudicada e deveria seguir ganhando, no mínimo, essa ajuda. A Vale tem que continuar a reparar os moradores, sem a Vale, Brumadinho não existe”, diz Silva, que já conta com uma queda de vendas na loja diante do corte de 50% do benefício para grande parte da população.

A apreensão também tomou conta de moradores que abandonaram seus trabalhos para viver apenas do auxílio. Funcionários de lojas visitadas pela reportagem contam que a cidade começou a atravessar um fenômeno curioso: a falta de mão de obra. “Teve época que ninguém achava faxineira, pedreiro, atendente. O jeito foi procurar gente interessada em trabalho em outras cidades vizinhas”, conta uma atendente de loja.

O psicólogo da equipe de saúde mental de Brumadinho, Rodrigo Chaves Nogueira, avalia que a estratégia de distribuição de dinheiro da mineradora Vale suspendeu o luto. “Ele está em suspenso, a cidade está eufórica, consumista e maníaca. O dinheiro virou mais importante que o sofrimento”, explica Nogueira. O psicólogo alerta, no entanto, que quando esse dinheiro for suspenso, os quadros de problemas de adoecimento mental, que já são altos após a tragédia, irão se multiplicar na cidade. Em 2019, o uso de antidepressivos cresceu 56% e o de ansiolíticos aumentou 79% em comparação ao ano anterior. Segundo a secretaria de saúde do município, os casos de suicídio e de tentativa de auto-extermínio também aumentaram.

A chegada do dinheiro emergencial em Brumadinho também atraiu pessoas que não moravam na cidade antes, mas tentaram provar que sim para receber o auxílio. Houve dois períodos de corrida aos postos de saúde. Primeiro, várias pessoas tentaram buscar atestados de que eram pacientes da rede municipal para pedirem o auxílio emergencial. Muitos funcionários do setor foram pressionados a darem a declaração. Depois houve uma busca grande também por relatórios que atestassem que a pessoa estavam com problemas psicológicos. O documento serviria para dar entrada em pedidos de indenização individual —que chegam a 150 mil reais— contra a mineradora Vale.

Nem as crianças foram poupadas nessa tentativa de fraude. “Um dia vi uma mãe falando ao filho que se ele falasse para o médico que não conseguia mais dormir, comer direito, eles poderiam ganhar dinheiro e ela poderia comprar para ele um Iphone da última geração”, conta uma moradora que preferiu não se identificar. Um funcionário da área de saúde confirmou a existência de laudos fraudados, que confirmavam danos psicológicos de alguns pacientes que nada sofriam.

Com relação às suspeitas e investigações por fraudes, a Vale, cujo ex-CEO foi acusado formalmente por homicídio doloso pelas 270 mortes, afirmou que segue apoiando as autoridades com o fornecimento de informações. “Quando a empresa é notificada pela Polícia Civil acerca de requerimentos indevidos, os benefícios são prontamente suspensos”, informou a mineradora, por nota

  • Arquivos