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Regina Duarte em Brasília: preparativos para assumir a Cultura na Era Bolsonaro.

 ARTIGO DA SEMANA

Regina na Cultura, o Casamento do Ano: “Quem melhor que você, mulher?”

Vitor Hugo Soares

Depois do almoço de quarta-feira (22) no Palácio da Alvorada, seguido da visita à casa onde a atriz deverá mandar, em Brasília, está praticamente sacramentado o casamento de Regina Duarte – a “namoradinha do Brasil” – com o comando da gestão administrativa e política da Secretaria da Cultura do governo federal. Território de poder em permanentes movimentações sísmicas – em todas as administrações nas décadas mais recentes da história do País,– mais conflagrado ainda na Era Bolsonaro, agravada pela passagem do recém demitido Roberto Alvim,  discípulo retardatário de Goebbels por estas bandas. Só falta agora “a noiva 2020” atender formalmente ao estímulo de Janaína Paschoal, parlamentar brasileira mais votada de todos os tempos: “Aceita, Regina: afinal, quem melhor que você, mulher?”

Seguramente, residem neste ponto os sinais de alívio e descompressão que se verifica nos arraiais de “esquerda”, “direita” e “centro”, nesta segunda quinzena de janeiro. Sem falar  na boa notícia, para os atuais donos do poder, que chegou ao Palácio da Alvorada na hora do almoço de Bolsonaro com a convidada Regina: o resultado da pesquisa, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) ao Instituto de Pesquisa MDA, que mostra o crescimento da aprovação ao presidente, 34.5% , e a percepção positiva de seu governo, 47.8 % índices reveladores de que o mandatário voltou a ter maior percentual de avaliação positiva, “tal como no início de seu governo”, assinala o El País. Este é Sua Excelência o Fato, no dizer famoso de Charles de Gaulle, que o saudoso Ulysses Guimarães adorava repetir. Precisa de razão maior para explicar o ar de felicidade no abraço do presidente na atriz, na foto postada por Bolsonaro, em seu espaço no Instagram, depois do almoço no Alvorada?       

Em outro tempo – menos marcado pelas paixões das ideologias em choque, desde a última campanha presidencial, que reduz tudo (ou quase) ao imaturo e sectário conflito do contra ou a favor – estes acontecimentos seriam saudados com uma composição musical: um hino, samba, frevo ou um baião. A exemplo de “Paulo Afonso”, que o insuperável Luiz Gonzaga consagrou no fim dos anos 50, quando da inauguração, pelo presidente Café Filho, da usina hidrelétrica da CHESF – que iluminou o Nordeste – , obra transcendente da engenharia brasileira, construída com muito cimento, suor e trabalho entre barragens monumentais ao longo das correntezas baianas do São Francisco, o rio da minha aldeia.

“E o Brasil vai”… Lembro a letra da música da minha infância, em registro que considero relevante para contextualizar os fatos desta semana, enquanto ainda se discute a quem cabe o mérito da ideia de indicação da atriz para comandar a Cultura, quando se vislumbrava o caos absoluto na gestão oficial dos projetos federais na cobiçada área de pensamento e poder oficial. Sobretudo a grana disponível para a música, teatro e cinema, disputada por notórios feudos dominantes, há quase duas décadas –  “com fome de anteontem”, como nos versos também famosos de outra composição sobre fatos e contextos relativamente recentes.
Enquanto isso, Regina resolve detalhes de sua vida pessoal e profissional (o contrato que tem com a TV Globo, por exemplo) e os arremates do vestido de noiva para a consumação de seu casamento com a cultura do Governo, quando o mandatário voltar da Índia, semana que vem. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br  

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