ARTIGO/Ponto de vista

A teimosia dos fatos

Joaci Góes

Ao cidadão estadista Roque Aras!

“Os fatos são teimosos; e sejam quais forem nossos desejos, nossas preferências, ou os ditames de nossas paixões, nada pode alterar o poder e a evidência dos fatos”, ensinou John Adams (1735-1826), político iluminista, considerado o pai dos Estados Unidos, país de que foi o segundo Presidente.
Essa bicentenária lição que atravessa, incólume, os desafios demolidores do tempo, é a pedra de toque das ciências sociais, como de todo o conhecimento que se apoia na integridade dos fatos. Recorde-se o reiterado recurso a ela de Agatha Christie para chegar à autoria dos crimes de sua complexa e incomparável trama novelesca.
A introdução vem a propósito das inegáveis conquistas do primeiro ano do Governo Bolsonaro que é, cada vez mais, percebido, dentro e fora do Brasil, como o mais produtivo de toda a nossa história, de tal modo sua ação renovadora se afirma em cada um dos diferentes aspectos da vida nacional, figurando como a pedra de toque dessa revolução pacífica a manutenção do compromisso com a honradez na condução das questões de Estado, a começar pela adoção de critérios meritocráticos na escolha do Ministério e de seus quadros auxiliares, na contramão da prática anciã da partilha do poder entre amigos e aliados, em nome de uma governabilidade chancelada pelo arraigado espírito patrimonialista que tem sido a desgraça da Administração Pública brasileira.

Observe-se que, não obstante atuarem sem o mínimo respeito aos critérios mais elementares exigidos pela verdade factual, as oposições, com as conspícuas e eventuais exceções de Ciro Gomes e Cristovam Buarque, dentre outros, ampliam sua perda de credibilidade, na tentativa impatriótica e desesperada de desacreditar uma administração que realiza um papel redentor da tendência, oportunamente revertida, de levar o País ladeira abaixo, no modelo escatológico que vitimou o antes próspero e feliz povo da vizinha e hoje mendicante Venezuela, destruída por uma ideologia boçal que fracassou em todas as partes do mundo, sem qualquer exceção.

De tal modo abundam os exemplos de restauração da seriedade e da eficiência das práticas administrativas da gestão federal, já amplamente conhecidas do público, que nominá-las ultrapassaria o espaço de um artigo de jornal. Bastaria, porém, mencionar as de mais imediato interesse popular, como: 1- menor inflação da história; 2- menor taxa de juros da história; 3- maior redução da criminalidade violenta, em todo o mundo, 22%; 4- índice recorde da Bolsa de Valores, 117.000 pontos; 5- maior crescimento (mais de 90%) do número de pessoas físicas comprando ações da Bolsa, 910 mil para 1.520 mil; 6- maior crescimento da economia nos últimos seis anos, percentual que deve mais que dobrar no ano em curso, apesar de ainda pequeno; 7- retomada continuada das contratações, com a correspondente queda do desemprego; 8- elevação da nota da confiança internacional do Brasil, fator decisivo para a atração crescente de investimentos.

O nosso calcanhar de Aquiles continua sendo a educação, de baixa qualidade, do ensino fundamental ao superior. A predominância de critérios ideológicos sobre os de conhecimento, como instrumento de avaliação do mérito acadêmico, vem arruinando nosso sistema educacional. Não será fácil a superação do patrulhamento ideológico, de matriz gramsciana, responsável pelo nosso atraso. Essa, porém, é a batalha decisiva, necessariamente longa, sem cuja vitória não integraremos a sociedade do conhecimento que baliza o grau de avanço dos povos modernos. O crescente apoio popular ao atual Governo aponta no sentido de que sairemos vencedores. Basta ver que Bolsonaro foi eleito pela decisiva razão de que, como nenhum outro candidato, ele representou a mais confiável opção anti-lulista. Hoje, porém, transcorrido, apenas, um ano de governo, o bolsonarismo, segundo pesquisas de opinião, já supera o lulismo, iceberg sob o sol, na maioria esmagadora das unidades da Federação, tendência que deve aumentar em razão do Presidente e seus filhos terem abandonado o gosto por porfiar sobre temas secundários, dificultando a percepção geral sobre as boas ações do Governo.
Nada como a verdade factual para se impor sobre o capricho dos homens!

Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia, onde o texto foi origininalmente publicado, na edição desta quinta-feira, 23.