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“Me excedi”, diz Santa Cruz sobre Moro

Apesar de ter se livrado da denúncia do MPF por chamar Sergio Moro de “chefe de quadrilha”, Felipe Santa Cruz diz estar arrependido.

“Me excedi. Nunca tive a intenção de caluniar o ministro.” O presidente da OAB espera poder “estabelecer uma conversa pessoal” com Moro.

O ministro já afirmou que só receberá Santa Cruz se ele abandonar “a postura de militante político-partidário”.

“Advogados combativos são veementes, mas nos cabe ter cuidado”, comenta Santa Cruz.

“O Estrangeiro” (Le Méteque), Nara Leão: Le Mèteque a bela e original canção de Georges Moustaki, interpretada aqui em português com talento e o toque e jeito especiais de Nara. Uma verdadeira raridade musical na quarta-feira do BP. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Do Jornal do Brasil

 

Cinco nações cujos cidadãos morreram quando um avião de carreira foi abatido pelo Irã na semana passada se reunirão em Londres na quinta-feira para debater uma possível ação legal, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia à Reuters.

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Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Vadym Prystaiko (Foto: Reuters/Aradhana Aravindan – 13/01/2020 )

Falando nos bastidores de uma visita oficial a Cingapura nesta segunda-feira, Vadym Prystaiko disse que os países também debaterão uma indenização e a investigação do incidente. Todas as 176 pessoas a bordo do voo morreram na queda de quarta-feira, ocorrida minutos depois de o avião decolar de um aeroporto de Teerã.

Prystaiko disse que as insinuações iranianas de que a aeronave da Ukrainian International Airlines foi abatida por estar voando perto de uma base militar sigilosa em um momento de tensões elevadas “não fazem sentido” e que Teerã concordou em entregar as caixas pretas do avião para Kiev investigar.

“Criamos este grupo de ministros das Relações Exteriores das nações enlutadas. Em 16 de janeiro, nós nos encontraremos em pessoa em Londres para debater as maneiras, inclusive legais, como levaremos isso adiante, como os processaremos (Irã)”, explicou Prystaiko.

Ele disse que as cinco nações incluem o Canadá –que tinha ao menos 57 detentores de passaportes no voo derrubado– Suécia, Afeganistão e um quinto país que ele não identificou. O Canadá já havia dito que estes quatro países e o Reino Unido estabeleceram um grupo de coordenação para apoiar as famílias das vítimas.

Muitos a bordo eram iranianos com dupla cidadania.

Após dias negando, o Irã admitiu no sábado que seus militares derrubaram o avião devido a um “erro desastroso”. Prystaiko disse que a Ucrânia não foi informada pelo Irã de que este assumiria a responsabilidade antes do anúncio público.

Teerã disse que suas defesas aéreas foram disparadas por engano por estarem em alerta na esteira de ataques de mísseis iranianos a alvos dos Estados Unidos no Iraque, e que o avião de passageiros foi confundido com um “alvo hostil” depois de virar na direção de uma base militar sigilosa da Guarda Revolucionária de elite próxima de Teerã.

“Isto não faz sentido, porque nosso avião foi registrado e confirmado –estava voando dentro da rota internacional que foi dada pelos despachantes… nada foi extraordinário”, disse Prystaiko, acrescentando que investigadores disseram que as últimas palavras do piloto foram “está tudo bem a bordo e estou alterando para piloto automático”.

A Guarda Revolucionária pediu desculpas à nação e assumiu plena responsabilidade, um gesto raro. O comandante sênior Amirali Hajizadeh disse ter informado as autoridades iranianas sobre o ataque acidental na quarta-feira, um comentário que provocou dúvidas sobre a razão de as autoridades terem negado a culpa durante tanto tempo.(Reuters)

DO EL PAÍS

Publicação em coautoria com o cardeal Robert Sarah havia gerado dúvidas sobre a relação entre os dois papas

O Papa emérito Bento XVI, em uma imagem de 2015.
O Papa emérito Bento XVI, em uma imagem de 2015.GREGORIO BORGIA (AP)
 Daniel Verdú

O rocambolesco caso protagonizado por Bento XVI e a publicação de um livro em que questionava a possível ordenação de homens casados, a poucas semanas de seu sucessor, o papa Francisco, tomar uma decisão sobre o assunto, teve uma nova reviravolta nesta terça-feira. O ex-pontífice, após o alvoroço midiático gerado, pediu que seu nome seja retirado como coautor do polêmico livro que ameaça seu relacionamento com Francisco e tornou a fazer dele a bandeira dos adversários do Papa numa guerra ideológica que já dura vários anos.

Segundo o entorno de Ratzinger, o alemão, de 92 anos, não deu sua autorização para aparecer na capa como coautor. Os documentos fornecidos e o comunicado divulgado pela manhã por Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, dizem o contrário. O conteúdo do livro, incluindo a parte escrita pelo papa emérito, serão mantidos.

A publicação, assinada com o cardeal preferido pela ultradireita para o próximo conclave, se opõe frontalmente ao celibato opcional e, sobretudo, à ordenação de homens casados (algo que o Sínodo da Amazônia aprovou em outubro passado e que está submetido à reflexão de Francisco nos últimos dias). O Vaticano, que não sabia da aparição do livro (lançado nesta terça na França), inicialmente o minimizou, dizendo se tratar de uma contribuição feita a partir da “a obediência filial ao papa Francisco”. No dia seguinte, publicou em seu próprio site as palavras do secretário pessoal de Ratzinger, Georg Gänswein, desvinculando o pontífice emérito da obra e dando a entender que tinha sido enganado.

Gänswein, secretário e filtro de Ratzinger com o exterior nos últimos anos, afirmou que ambos não sabiam do formato em que a contribuição de Bento XVI seria editada. Na noite anterior, uma fonte próxima a Bento contou a vários veículos que o papa emérito “só pôs à disposição de Sarah um texto sobre o sacerdócio que ele estava escrevendo” e que “não sabia nada da capa de um livro, nem a tinha aprovado”. O cardeal, entretanto, respondeu no Twitter apresentando a correspondência entre ele e Ratzinger, na qual se demonstra que estava a par de como tinha ficado o texto final e dava sua autorização para que o cardeal o usasse conforme combinado em conversar anteriores.

Na terça-feira, Sarah reiterou em um comunicado que Ratzinger sabia da existência do volume, do seu conteúdo e da data de publicação. O cardeal insiste em que o papa emérito viu o livro pronto em 19 de novembro, incluindo a capa – com a foto dos dois – e seu conteúdo. Em 25 de novembro, segundo essa correspondência, Bento XVI manifestou sua aprovação à publicação “segundo a forma prevista”. Também consta que em 3 de dezembro ele visitou Joseph Ratzinger em sua residência Mater Ecclesiae, no interior do Vaticano, onde vive desde sua abdicação, e que então lhe comunicou que o livro sairia em 15 de janeiro.

Sarah, entretanto, decidiu pedir à editora que retire a assinatura de Ratzinger da capa do livro nas futuras edições, e que o papa emérito figure apenas como colaborador. Mas a questão de fundo continua apresentando algumas interrogações. Se Sarah tiver mentido e abusado da confiança de Bento XVI, deveria renunciar ao cargo de prefeito da Congregação para o Culto Divino? Na Santa Sé, preocupa também a gestão feita pelo entorno de Ratzinger e o fato de não estar protegido dessas ciladas. A renúncia ao papado em 2013 e sua convivência com outro pontífice não tinha antecedentes na era moderna e carece de uma linha clara sobre como um papa emérito deve se comportar. Tampouco do guarda-chuva institucional sob o qual deve estar a tutela de seu legado teológico e sua própria figura.

Os últimos dias de Bento XVI como Papa foram enormemente turbulentos. Os de sua aposentadoria, um experimento histórico que começou de forma impecável, começam a ser conturbados também.

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Posted on 15-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-01-2020
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A crise de Harry e Meghan volta a pôr os holofotes nas finanças dos Windsor

 Rafa de Miguel

A família real, com a rainha Elizabeth II e Meghan Markle ao centro.
A família real, com a rainha Elizabeth II e Meghan Markle ao centro.STR / EFE

À primeira vista parece depreciativo ou irônico, mas o termo com o qual a mídia britânica se refere à família real, The Firm (A Firma ou A Empresa), está mais para descritivo. E fica aquém. Por seu volume, soaria mais retumbante algo como A Corporação. As finanças da Casa de Windsor e de seus membros, do núcleo central aos parentes mais distantes, são extremamente complexas. E, embora nos últimos anos tenha havido uma tentativa de promover legalmente uma maior transparência, elas têm zonas de luz e sombra que dificultam se chegar a uma cifra precisa.

São três as fontes de financiamento da monarquia do Reino Unido: o Sovereign Grant (subvenção soberana); a Privy Purse (literalmente, carteira privada; trata-se da renda privada da rainha Elizabeth II); e os investimentos pessoais da monarca.

A subvenção soberana

Em outras monarquias europeias, seria uma referência à parcela dos orçamentos gerais do Estado destinada às despesas de manutenção da instituição. Dinheiro do contribuinte para manter com decoro a Chefia do Estado. No Reino Unido, tudo é mais complicado em sua origem e em sua estrutura, embora o conceito seja o mesmo. Esta parcela provém do chamado Crown Estate (Propriedades da Coroa). De natureza semi pública, sem pertencer ao Estado ou à Coroa, compreende um vasto conjunto de terras na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte

Embora no início fossem propriedade real, seus rendimentos se destinam hoje ao tesouro público. Um órgão independente o administra e é obrigado a prestar contas anualmente à Câmara dos Comuns. Imóveis urbanos, muitos deles no centro de Londres (basta dar uma volta pela Regent Street, que faz parte do patrimônio, e ver as vitrines das lojas), terras agropecuárias, direitos de mineração e até a cobrança de licenças e taxas para eventos de renome internacional, como a Real Corrida de Cavalos de Ascot. No total, um patrimônio avaliado ao equivalente a cerca de 78 bilhões de reais.

Todos os anos o Governo destina 15% de sua receita para a Casa Real. O valor, no período 2018-2019, foi de 440 milhões de reais, apesar de ter sido excepcionalmente inflado pelas obras de restauro e reforma no Palácio de Buckingham. Parte desse dinheiro (13 milhões de reais) foi usada para “deixar em condições” Frogmore Cottage, a nova residência de Harry e Meghan na cidade de Windsor, após sua decisão de deixar o Palácio de Kensington, que compartilhavam com o duques de Cambridge (príncipe William e sua mulher, Kate Middleton).

O Subsídio Soberano é usado para pagar as despesas de segurança, alimentação, viagens e pessoal, além da manutenção dos inúmeros palácios reais (públicos ou privados). A rainha tem a prerrogativa de decidir as alocações específicas. Os príncipes William e Harry recebem anualmente cerca de 28 milhões de reais dessa parcela. Supõe-se que o duque de Sussex fique com mais da metade da alocação porque William, segundo na linha de sucessão, tem maior responsabilidade e recebe rendimentos de outras fontes. Elizabeth II distribui o orçamento também entre os membros que formam o núcleo duro da família real e participam de atos públicos representando a Coroa.

A carteira privada

São basicamente os rendimentos provenientes do Ducado de Lancaster. É também um conjunto de propriedades urbanas e rústicas, pertencentes à monarquia britânica desde 1265, e que geram receitas anuais de cerca de 110 milhões de reais. Destinam-se ??principalmente para pagar as despesas privadas da família real, embora parte também seja usada para gastos oficiais. A rainha também usa esses fundos para manter descendentes que não estão incluídos na nómina, a lista com os nomes na folha de pagamentos da família real, nem contam com eles para atos oficiais. É o caso das duas filhas do príncipe Andrew (terceiro filho de Elizabeth II), Beatrice e Eugenia. Tem sido a eterna luta do rebento desencaminhado de Elizabeth II, que não parou de tentar incluir suas descendentes na Firma. Sua nova queda em desgraça, com as notícias de seu obscuro relacionamento com o milionário e pedófilo norte-americano Jeffey Epstein, afastaram ainda mais essa possibilidade.

Junto com o Ducado de Lancaster, Charles, o príncipe de Gales, herdeiro direto do trono, administra o Ducado da Cornualha: 550 quilômetros quadrados de terras agropecuárias, áreas urbanas, ilhas e fazendas que correspondem ao primeiro na linha de sucessão desde 1337 e garantem sua independência financeira. Charles distribuiu no ano passado cerca de 28 milhões de reais procedentes dos rendimentos desse conglomerado. Dele surge também a maior parte dos recursos destinados aos duques de Cambridge.

Os investimentos pessoais

Estão fora de controle público. O patrimônio privado da rainha inclui símbolos da iconografia monárquica, como o Castelo de Balmoral, na Escócia, e o Palácio de Sandringham, em Norfolk (costa leste da Inglaterra). Uma espetacular coleção de arte (como curiosidade, cuidada e documentada durante anos por Anthony Blunt, um dos “espiões de Cambridge”, que trabalhava como agentes duplo da KGB; a Casa Real escondeu o assunto debaixo do tapete até Margaret Thatcher o trair publicamente em uma sessão da Câmara dos Comuns). E a magnífica coleção de selos herdada de seu avô George V, um rei anódino que passava o tempo colecionando selos, mas teve o acerto de salvar uma vez mais a monarquia britânica ao mudar seu nome de Saxônia-Coburgo-Gotha para Windsor, e apagar assim todos os vestígios alemães depois da Primeira Guerra Mundial.

Mas os mais relevantes são, acima de tudo, as ações em empresas e iniciativas privadas de propriedade da Casa de Windsor, afastadas do escrutínio público e que têm proporcionado sobressaltos constantes à Coroa. Entre elas, sua recente aparição nos Papers of Paradise, uma investigação internacional que revelou que a rainha havia investido parte de seu patrimônio em um fundo radicado no território offshore das Ilhas Cayman.

O futuro de Harry e Meghan

A obsessão dos duques de Sussex em manter seus títulos reais não tem tanto a ver com a renda que recebem atualmente, mas com a potencial fortuna que poderiam arrecadar sob essa marca. De fato, antes do início da atual crise eles se apressaram em registrar o nome “SussexRoyal” internacionalmente. Embora tudo seja muito especulativo, alguns especialistas estimam que, sob esse guarda-chuva, poderiam obter até 2,3 bilhões de reais por ano em rendimentos por meio de merchandising inteligente e da promoção pessoal de Harry e Meghan como dois membros da realeza modernos e atraentes, e comprometidos com causas sociais.

Essa é a razão pela qual o Palácio de Buckingham quis, desde o início, definir em linhas claras onde estão os limites, até que ponto o casal pode gerar renda por conta própria e como evitar, nas palavras de uma fonte anônima do entorno de Elizabeth II, citada pelo Daily Mail, “que o qualificativo Royal apareça até nos potes de manteiga”.

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