DO EL PAÍS
O ex-presidente Lula em um evento no Rio, em 18 de Dezembro.
O ex-presidente Lula em um evento no Rio, em 18 de Dezembro.IAN CHEIBUB / REUTERS (Reuters)

 Juan Arias

Lula quer conquistar e atrair para o PT os 40 milhões de evangélicos que hoje seguem maciçamente o presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro. O popular e carismático Lula, hoje livre, está tentando reorganizar suas hostes que se sentiram órfãs e abandonadas com ele na cadeia.

Em uma de suas primeiras estratégias, como informou Mariana Carneiro na Folha de S. Paulo no domingo, dia 5, pretende organizar grupos em todo o país, com vista às próximas eleições municipais, em uma campanha para atrair os votos dos evangélicos para seu partido.

A receita que Lula pretende usar para capturar o consenso desses milhões de evangélicos aparece, no entanto, como sibilina, que, no pior significado da palavra de origem grega, significa cínica. A receita é a seguinte: “aprender com os pastores evangélicos”. Aprender o quê? “A dizer às pessoas apenas o que querem ouvir”. Pode até parecer bonita essa arte de saber dizer apenas o que lisonjeia e não o que nos incomoda, mas é sobretudo maquiavélica.

A receita de Lula fere a ética, pois impede a formação de uma forte consciência crítica na política que é inseparável da verdade das coisas. Sim, é verdade que todos nós no fundo gostamos que nos digam o que nos lisonjeia e nos evitem as críticas que podem nos ferir. Que é melhor que nos escondam, por exemplo, as palavras duras do evangelho que condenavam a hipocrisia e exaltavam a lealdade à consciência.

Falar às pessoas apenas o que elas gostam e esconder a realidade nua da vida e da sociedade é enganá-las. Não é assim que se contribui para criar uma sociedade democrática e eticamente madura, o que significa dizer também o que talvez não gostemos. Os evangélicos se alimentam dos ensinamentos da Bíblia e dos Evangelhos cristãos encarnados no profeta Jesus de Nazaré, que foi um fustigador de toda hipocrisia e engano.

Se esse profeta tivesse seguido naquele momento o conselho de Lula hoje aos seus de dizer às pessoas apenas o que elas queriam ouvir, provavelmente nunca teria acabado pregado em uma cruz como um bandido. Mas tampouco sua doutrina de amor e de perdão, de liberdade de espírito e de condenação de todo farisaísmo fácil, de amor fraterno sem exclusão dos diferentes, teria atravessado os séculos e chegado até nós, embora às vezes pelo caminho tenha podido ser adulterada tingindo-se de hipocrisia e farisaísmo que contaminou até a política.

Não há dúvida que um pastor ou um político será mais ouvido se traindo, por exemplo, a essência do ensinamento de dar a outra face a quem te esbofeteia, que é a sublimidade do perdão, pregar que é melhor devolver olho por olho e dente por dente. O chamado à violência e à vingança sempre atrairá mais do que o chamado à paz.

Sem dúvida, os fiéis evangélicos ouvirão, por exemplo, com mais prazer de seus pastores que “todos” os políticos são igualmente corruptos, rejeitando assim a possibilidade de resgate dos limpos de coração. Mas isso significa a prostituição da política com letras maiúsculas, aquela que com as virtudes da democracia nos vacina contra novos e velhos fascismos e movimentos violentos. É a condenação da ética elementar que exige chamar as coisas pelo nome, quer se goste ou não. É esse lema de que só a verdade das coisas, por mais difíceis que sejam, nos fará livres, enquanto a mentira nos escraviza.

Se Lula quer atrair os evangélicos ao PT, que o faça desarmado, de coração aberto, começando por condenar as práticas hipócritas da má política, que também contaminou seu partido, aquela para a qual vale tudo, até roubar ou saquear as riquezas do Estado. A que tudo permite para se manter no poder, mesmo que às vezes seja sob a nobre desculpa de fingir ajudar as políticas sociais e o resgate da miséria. A verdade não permite dupla moral. Quando os pastores evangélicos são louvados porque sabem dizer com eficácia apenas o que as pessoas querem ouvir, estamos apoiando o reino da mentira.

É essa degeneração da ética da política que conduziu o famoso ditado brasileiro sobre políticos corruptos, justificando-os com o fato de que “roubam, mas fazem”, do qual é exemplar o caso do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf. Isso significa levantar um muro contra a condenação da corrupção política.

Se o bom pastor, na literatura bíblica, é aquele capaz de dar a vida por seu rebanho, com mais razão não deveria ter medo de dizer a verdade aos fiéis. Dizer-lhes, por exemplo, como dizia Jesus, que às vezes devem ficar atentos aos elogios fáceis, porque também existem os “lobos em pele de cordeiro”.

O que salva a todos, a política e a sociedade, o que o Brasil mais necessita e boa parte do mundo não são os elogios fáceis e as promessas hipócritas, mas ter a força e a liberdade de dar nome aos lobos.

“Serenata Suburbana”, Antonio Nóbrega: Belissima composição de Capiba, que atravessa o tempo e os modismos na voz de grandes intérpretes, a começar por Ângela Maria, que consagrou nacionalmente esta música do notável pernambucano, ao gravála há décadas. Aqui vai em registro especial de Antonio  Nóbrega, do álbum “Na Pancada do Ganzá”, editado em 1996. Um tributo do BP a João Cabral de Mello Neto, na passagem do centenário que o poeta nascido em Recife teria festejado ontem, 9 de janeiro . Viva!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jan
10
Posted on 10-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-01-2020

CadernoB

“E não há melhor resposta

que o espetáculo da vida:

vê-la desfiar seu fio,

que também se chama vida”

Os versos de Morte e Vida Severina, obra mais famosa de João Cabral de Melo Neto, sintetizam uma vida devotada à arte e à diplomacia. O trabalho que o consagrou é uma das poesias nascidas da sensibilidade do escritor nascido no dia 9 de janeiro de 1920 e que morreu em 1999. Modernista, tem versos simples e rigor formal. Inspirações para as obras nasceram, por exemplo, de seu inconformismo diante de dramas de seus conterrâneos nordestinos. O recifense, que faria 100 anos, nesta quinta-feira, tem uma trajetória com cenários múltiplos e engajados, que lhe valeram prêmios e a imortalidade na Academia Brasileira de Letras.

Macaque in the trees
João Cabral de Melo Neto (Foto: Reprodução)

Parte da infância, João Cabral passou nos engenhos da família nas cidades de São Lourenço da Mata e de Moreno, paisagem de canaviais que marcaram a vida do poeta. Depois, voltou para o Recife e, nos anos 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro.

A Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, o aterro do Flamengo, as belezas da então capital brasileira não inspiraram a obra de João Cabral. Ele não conseguia se desligar do Recife e das imagens de sua infância nos engenhos. Era um tema recorrente em uma obra diversa como a dele.

“A paisagem do canavial

Não encerra quase metal” (Paisagens com Cupim)

O Brasil da política e dos grandes, dos centros de poder, foi secundário na poesia de João Cabral, se é que não foi alvo de crítica ou de ironia. O Brasil que o interesse é somente o Brasil do Nordeste.

Apesar de morar no Rio, João Cabral tinha uma espécie de implicância com a cidade, e também com São Paulo, como focos do poder do país. Ele as considerava como duas cidades – ou estados – que abafaram a autonomia e a vida do Nordeste.

No Rio, João Cabral se tornou diplomata e começou uma peregrinação por diversos países, do Senegal a Portugal. Mas foi no primeiro posto dele, ainda nos anos 40, em Barcelona, que ele sentiu-se confortável, principalmente em Andaluzia e Sevilla. A paisagem lembrava muito a de Pernambuco e isso se refletiu em sua poesia, dedicando às cidades e à paisagem espanholas muitos poemas.

“O canto da Andaluzia

é agudo com seta” (Diálogo)

Seja no Brasil, seja no exterior, João Cabral produzia. E foi premiado: Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo (1954); Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (1955); Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da Obra e Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Crime na Calle Relator” (1988), entre outros.

Também entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1968. Morreu no Rio de Janeiro em 9 de outubro de 1999.

“Esse que andando planta

os rebolos da cana

nada é do Semeador

que se sonetizou” ( A Cana dos Outros)

O poeta, ensaísta e crítico literário Antônio Carlos Secchin, membro da Academia de Letras, cursou mestrado e doutorado pesquisando a obra de João Cabral de Melo Neto e foi amigo do pernambucano durante quase 20 anos, até a morte do escritor. Com exceção dos dados biográficos, ele é a fonte das informações que estão na primeira parte desta reportagem (com exceção dos enxertos de poemas, é claro, que tem autoria de João Cabral de Melo Neto).

Os dois se conheceram em 1980, quando Secchin procurou João Cabral para fazer uma entrevista para sua tese de doutorado. “Ele gostou muito do trabalho que eu havia escrito sobre ele [no mestrado] e, a partir daí, nós cultivamos uma amizade muito fraterna, muito franca”, disse.

Para Secchin, a obra de João Cabral pode ser examinada por vários ângulos. “Do ponto de vista do conteúdo, é uma poesia importante porque ela enfatiza, com grande interesse, as questões sociais do Brasil, as condições de vida dos nordestinos, a injustiça social de um modo geral, essa parte geral engajada é importante, mas eu gosto de enfatizar também o aspecto da consciência literária”. O pesquisador considera que João Cabral foi um poeta extremamente preocupado com a qualidade do verso e com o rigor da construção do poema. “Então, essa combinação de uma consciência da forma junto com a questão social é o que faz da obra do João Cabral algo absolutamente fundamental na poesia brasileira.”

Na avaliação de Secchin, João Cabral, ao lado de Manuel Bandeira e de Carlos Drummond de Andrade são os três nomes mais importantes no campo da poesia brasileira no século 20.

“Homem racional”

Já o homem João Cabral de Melo Neto era uma pessoa completamente diferente do poeta, segundo Secchin. “Nós encontramos a imagem do poeta como alguém claro, alguém racional, alguém absolutamente senhor de tudo o que estava fazendo e o homem João Cabral me parecia inseguro, me parecia alguém um pouco assustado diante da vida e que ele usava essa literatura dele tão clara, tão racional, tão digamos, domada por ele, como uma compensação para aquilo que ele não conseguia fazer na sua própria vida particular”, disse.

“Catar feijão se limita com escrever:

joga-se os grãos na água do alguidar

e as palavras na folha de papel;

e depois, joga-se fora o que boiar” (Catar feijão)

Na confecção de sua poesia, João Cabral era um perfeccionista. Secchin conta que, no processo de criação de suas obras, nada podia fugir ao controle do pernambucano. “Ele planejava o poema em todos os detalhes e às vezes, como ele fez em dois livros pelo menos, um chamado ‘Serial’ e o outro ‘Educação pela Pedra’, não contente em trabalhar a arquitetura do poema, ele trabalhou a arquitetura do livro. Ele bolou um esquema de livro totalmente rigoroso e, a partir daí, ele foi fazendo poemas que se encaixavam como módulos no conjunto maior que era o próprio livro”.

Por todo esse perfeccionismo com o rigor estético de sua obra, João Cabral não acredita muito em inspiração. Ele abraçava apenas o trabalho. Secchin conta que o poeta delimitava o poema que ele queria fazer.

O pesquisador testemunha que “João Cabral admitia que, de vez em quando, não sabia a origem das inspirações. “Vinha uma ideia, vinha uma frase, uma palavra e, se essa frase e essa palavra ou esse verso viesse muito fácil, ele desconfiava. Achava que aquilo não era bom, achava já tinha ouvido aquilo de outra pessoa”. Para Antônio Carlos Secchine, João Cabral era alguém que voluntariamente se impunha muita dificuldade, se impunha muito obstáculo, mas tendo a esperança, a certeza de que conseguiria vencer esses obstáculos e fazer o poema praticamente, exatamente como ele queria”, disse.

“Essa cova em que estás,

com palmos medida,

é a cota menor

que tiraste em vida” (Morte e Vida Severina)

João Cabral de Melo Neto tem 33 livros de poesias publicados e sete de prosa. Neste ano, em comemoração ao centenário, Secchin vai lançar, pela Editora Alfaguara, uma nova edição da poesia completa de João Cabral de Melo Neto com poemas inéditos descobertos pela pesquisadora Edineia Ribeiro.

Dos mais de 30 livros de poesias, um é considerado por Secchin como o maior sucesso da poesia brasileira de todos os tempos: Morte e Vida Severina. Para o ensaísta, a obra não apenas vai garantir a permanência da poesia de João Cabral, mas vai trazendo a reboque, como uma locomotiva puxa seus vagões, o conjunto da obra dele.

“O próprio Cabral lamentava que os outros livros dele não fossem conhecidos na mesma proporção que Morte e Vida Severina. Eu próprio não considero Morte e Vida Severina o grande livro dele, acho que tem quatro ou cinco pelo menos iguais”, disse Secchin.

Morte e Vida Severina virou peça em 1966, foi premiado e um sucesso de público e crítica. Depois virou disco, programa de TV e, mais recentemente, história em quadrinhos e filme de animação.

Antônio Carlos Secchin afirma que João Cabral apreciou as adaptações de poesias para cinema, teatro e TV.

João Cabral esteve presente na primeira montagem para o teatro que desencadeou todo o sucesso de Morte e Vida Severina em 1966, na França. O poema tinha sido escrito dez anos antes sem nenhuma repercussão no Brasil. Na França, a montagem venceu um festival e, segundo Secchin, foi a partir daí que o sucesso ocorreu.

“Na sequência, a peça foi para o Porto [Portugal], ele estava presente, ele se emocionou e apesar de às vezes ele ficar implicando, ‘não, esse poema meu é fraco, não é o melhor que surgiu’ eu tenho o registro de que ele sempre se emocionava quando ele assistia às montagens de teatro desse poema.”(Agência Brasil)

NOTA DE RODAPÉ

Para celebrar seus 100 anos de nascimento, o selo Alfaguara, do Grupo Companhia das Letras, prepara duas edições especiais da obra de Cabral. Em junho, chega às livrarias a poesia completa do autor pernambucano, organizada pelo crítico e ensaísta Antonio Carlos Secchin. No segundo semestre, ainda sem data definida, é a vez do lançamento de um volume de prosa. O título vai incluir entrevistas, discursos e muitos textos que estão publicados em edições dispersas, ou mesmo fora de catálogo há muitos anos. O organizador deste livro é o acadêmico Sergio Martagão. (CADERNO B)

jan
10
Posted on 10-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-01-2020

Jair Bolsonaro cogita indicar André Mendonça para o Supremo sob o argumento de que ele seria “terrivelmente evangélico”. É um critério bastante relativo e não deveria servir de base para decisão tão importante.

Prova disso é que o AGU está longe de ser o mais evangélico da família.

Enquanto Mendonça é pastor auxiliar numa igreja em Brasília há cerca de quatro anos, seu primo Luís Alberto de Mendonça Sabanay é reverendo há três décadas, fundou uma congregação presbiteriana em Santa Catarina e tem longa trajetória de serviços sociais.

Só que, além de líder evangélico, Sabanay é terrivelmente petista.

Foi vice-presidente do diretório catarinense do PT, coordenou as campanhas de Ideli Salvati e José Fritsch, e ocupou diversos cargos de confiança nos governos de Lula e Dilma, chegando a secretário de Assuntos Estratégicos e Relações Institucionais do Ministério da Pesca – até ser alvo, em 2015, da Operação Enredados, que investigou esquema de fraudes em certificados de registros de embarcações pesqueiras.

No ano passado, voltou a Brasília como uma das principais lideranças da greve de fome de integrantes do PT e de movimentos populares que acamparam por uma semana em frente ao STF, exigindo a votação das ADCs que questionavam a legalidade das prisões em segunda instância.

Pelo “Lula Livre”, Sabanay também fez vigília em frente à Polícia Federal em Curitiba. Em suas redes sociais, exibe fotografias com o ex-presidiário, Dilma Rousseff e o ex-ministro José Dirceu, além de outros próceres petistas.

Em entrevista a O Antagonista, Sabanay também criticou o uso do critério religioso para a escolha do primo como futuro ministro do Supremo.

“Religião não deve ser critério para o exercício da função pública, porque não existe cláusula constitucional que justifique isso. Já fomos um Estado religioso, mas a República trouxe a liberdade religiosa para desvincular essa relação.”

Para ele, o que interessa no desempenho da função pública é a “competência” e “que se respeite a Constituição”. O pastor presbiteriano critica o que chama de “tendência de se usar o emblema religioso para fins políticos”.

Sabanay ressalta que a Igreja Presbiteriana estimula a liberdade de consciência e defende a “absoluta separação entre Estado e Igreja”. Embora diga que o “cristão tem que partir para a política”, o primo do AGU alerta que é preciso evitar a imposição do pensamento religioso como cultura política.

“Quando eu vou defender a luta política de militância, vou ao encontro da minha compreensão teológica. Mas não quer dizer que quero tornar o presbiterianismo ou o cristianismo uma cultura dominante. Eu respeito as opções religiosas e a diversidade cultural.”

“Qual o meu papel de militante, como cidadão e cristão? No caso da greve de fome, eu não estava ali instrumentalizando a religião, tanto que era um grupo ecumênico e não especificamente de uma denominação religiosa. O emblema era o Lula, mas não só ele. A demanda era pelo conjunto da sociedade. A questão maior era a criminalização dos movimentos sociais e populares.”

O ex-secretário da Pesca do governo petista afirma ainda que nunca condicionou os fiéis a votarem em A ou B, pois seria “uma heresia pedir voto para qualquer candidato”.

Sabanay nasceu em Ribeirão Preto, mas cresceu em Miracatu, no Vale da Ribeira, assim como André Mendonça. Formou-se em Teologia e foi morar em Santa Catarina.

Diz que mantém uma relação fraterna com o primo AGU, com quem se encontrou recentemente no aniversário de uma irmã. Ele garante que, nesses encontros, nunca discute política para preservar a família.

“Tenho absoluto respeito por ele. Sou contra a sectarização e o que me une ao André é muito maior do que a política.” Em relação a Enredados, o ex-secretário rejeita as acusações, diz já foi absolvido na esfera cível e restaria apenas derrubar uma última acusação num ação penal.

Por G1

EUA suspeitam que míssil do Irã derrubou avião

Justin Trudeau disse que inteligência aponta que avião ucraniano repleto de canadenses foi derrubado por míssil iraniano — Foto: Reuters/Blair Gable Justin Trudeau disse que inteligência aponta que avião ucraniano repleto de canadenses foi derrubado por míssil iraniano — Foto: Reuters/Blair Gable

Justin Trudeau disse que inteligência aponta que avião ucraniano repleto de canadenses foi derrubado por míssil iraniano — Foto: Reuters/Blair Gable

O premiê canadense Justin Trudeau disse nesta quinta-feira (9) que múltiplas fontes de inteligência apontam que o avião ucraniano que caiu em Teerã na quarta foi derrubado por um míssil iraniano. Trudeau afirmou que a derrubada pode ter sido acidental, mas apontou que a investigação do caso precisa ser completa.

“Temos inteligência de várias fontes, incluindo nossos aliados e nossa própria inteligência. As evidências indicam que o avião foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional”, disse.

Ainda durante a fala de Trudeau, o jornal americano “The New York Times” divulgou um vídeo que aparenta mostrar o momento em que o avião é atingido por um míssil. Veja abaixo:

 
 
 
Vídeo divulgado pelo New York Times aparenta mostrar míssil atingindo avião da Ucrânia

Vídeo divulgado pelo New York Times aparenta mostrar míssil atingindo avião da Ucrânia

Nenhum dos 176 passageiros que estavam a bordo sobreviveu.

Trudeau ainda disse que está em diálogo com a chancelaria iraniana — 63 passageiros que estavam no avião eram canadenses, e 138 deles tinham o Canadá como destino final. Teerã estaria mostrando abertura para permitir que agentes consulares canadenses fossem ao Irã para ajudar as famílias das vítimas.

Segundo o líder canadense, ainda é cedo para ficar atribuindo culpa pelo desastre ou tirando conclusões.

 

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, — Foto: Henry Nicholls/Reuters Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, — Foto: Henry Nicholls/Reuters

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, — Foto: Henry Nicholls/Reuters

Logo após a fala de Trudeau, o premiê britânico Boris Johnson corroborou a fala de seu colega do Canadá: “Existe agora um conjunto de informações de que o voo foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional “, declarou.

 

Mais cedo, a imprensa americana divulgou que autoridades de Washington compartilham da visão de que a aeronave ucraniana foi atingida por um míssil. O Irã negou essa possibilidade.

Trump

Em declaração na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, foi questionado sobre o que achava que tinha acontecido com o avião. Ele respondeu que “alguém pode ter cometido um erro do outro lado”.

“Não quero dizer isso porque outras pessoas têm suspeitas”, disse Trump, mas acrescentou: “Alguém pode ter cometido um erro do outro lado… não o nosso sistema. Não tem nada a ver conosco”, afirmou, segundo a rede de televisão americana CNN.

 

Trump disse que tem um 'pressentimento terrível' sobre a queda do avião — Foto: Reuters/Kevin Lamarque Trump disse que tem um 'pressentimento terrível' sobre a queda do avião — Foto: Reuters/Kevin Lamarque

Trump disse que tem um ‘pressentimento terrível’ sobre a queda do avião — Foto: Reuters/Kevin Lamarque

O presidente americano disse, ainda, que tem um “pressentimento terrível” sobre a queda do avião.

Segundo a agência de notícias Reuters, fontes do governo americano estão “confiantes” de que o avião foi derrubado por um míssil do Irã, de acordo com “dados de satélite”. Ainda segundo a agência, as fontes, que não foram identificadas, dizem que a aeronave “muito provavelmente” foi derrubada acidentalmente pela defesa aérea iraniana.

O Pentágono se negou a comentar a queda do avião.

Mais cedo, a revista americana “Newsweek” também havia informado sobre a possibilidade de o avião ter sido derrubado de forma “acidental” pela defesa antiaérea iraniana, segundo declarações feitas à revista por oficiais do Pentágono e da inteligência dos Estados Unidos e do Iraque, que também não quiseram se identificar.

 

Para fontes de segurança europeias, os relatos de que o avião foi derrubado são “críveis”, segundo a CNN.

Negativas iranianas

Em nota, um porta-voz do governo do Irã afirmou que os relatos de que um míssil atingiu o avião são uma “guerra psicológica” contra Teerã, e que o país está aberto à presença de representantes de outros países cujos cidadãos morreram na queda do avião.

Havia passageiros de 7 nacionalidades na aeronave: Irã, Canadá, Ucrânia, Afeganistão, Suécia, Reino Unido e Alemanha. O ministro de Relações Exteriores canadense, François Champagne, disse que as autoridades do país receberam indicações de que podem proceder para obter vistos iranianos. O Canadá rompeu as relações diplomáticas com o Irã em 2012.

O porta-voz do ministério de Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi, disse que o país pede ao Canadá ou a qualquer outro país que tenha informações sobre a queda do avião as compartilhe com Teerã. O governo também disse que “pede de forma insistente” à Boeing, empresa fabricante do avião, que envie um representante para participar da investigação da queda.

 

Queda de avião ucraniano no Irã — Foto: Roberta Jaworski e Rodrigo Sanches/G1 Queda de avião ucraniano no Irã — Foto: Roberta Jaworski e Rodrigo Sanches/G1

Queda de avião ucraniano no Irã — Foto: Roberta Jaworski e Rodrigo Sanches/G1

Cientificamente impossível, diz Irã

 

Equipes de resgate retiram corpo dos destroços do avião ucraniano que caiu com 176 pessoas perto do aeroporto de Teerã, no Irã, nesta quarta-feira (8) — Foto: AFP Equipes de resgate retiram corpo dos destroços do avião ucraniano que caiu com 176 pessoas perto do aeroporto de Teerã, no Irã, nesta quarta-feira (8) — Foto: AFP

Equipes de resgate retiram corpo dos destroços do avião ucraniano que caiu com 176 pessoas perto do aeroporto de Teerã, no Irã, nesta quarta-feira (8) — Foto: AFP

 

O chefe de aviação do Irã, Ali Abedzadeh, declarou em resposta às hipóteses americanas que “cientificamente, é impossível que um míssil tenha atingido o avião ucraniano, e esses rumores não têm lógica”, segundo a agência estatal iraniana Isna.

“Se um foguete ou um míssil atinge um avião, ele cai em queda livre”, afirmou Abedzadeh à CNN. Ele disse, ainda, que depois de decolar o avião continuou voando por cinco minutos, e que “o piloto tentou voltar ao aeroporto mas não conseguiu”.

Um relatório inicial da autoridade iraniana de aviação civil divulgado mais cedo nesta quinta (9) informou que o avião pegou fogo antes de cair.

Segundo o correspondente da BBC para assuntos iranianos, Ali Hashem, Abedzadeh disse ainda que “havia vários voos domésticos e internacionais voando na mesma altitude de 8 mil pés [cerca de 2,4 mil metros], que não pode ser alcançada de jeito nenhum”.

Abedzadeh também disse, de acordo com Hashem, que “os rumores de que o Irã se recusou a entregar a caixa-preta do avião aos Estados Unidos não são precisos”. Na quarta (8), a Organização da Aviação Civil do país havia anunciado que não entregaria as caixas-pretas, violando as regras da Convenção Internacional de Aviação Civil, do qual o Irã é signatário.

De acordo com a CNN, o relatório inicial mostra que as caixas-pretas do avião foram danificadas, mas as “partes da memória” permanecem em ambos os dispositivos.

Abedzadeh declarou que especialistas ucranianos chegaram a Teerã nesta quinta (9) para decifrar o conteúdo das caixas – e que, se “o equipamento disponível não for suficiente para obter o conteúdo”, o Irã pode enviá-las para a França ou o Canadá.

Trump também afirmou nesta quinta-feira (9) que “em algum momento, eles [se referindo ao Irã] vão liberar a caixa-preta. Idealmente, eles a entregariam à Boeing”, declarou o presidente americano, acrescentando os objetos também poderiam ser entregues à França ou a “algum outro país”.

 

De acordo com o jornal americano “The New York Times”, os iranianos convidaram o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos a ajudar na investigação. O convite foi feito por meio da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês), informaram fontes anônimas ao jornal. A solicitação foi feita apesar de relatos anteriores de que os americanos não estariam envolvidos nas apurações.

A Convenção Internacional de Aviação Civil, da qual o Irã é signatário, prevê que fica responsável pela investigação o país onde a aeronave caiu (ou de onde ela partiu) – nesse caso, o Irã. Porém, a convenção prevê que o país fabricante (os EUA) e a empresa que o produziu, que é a Boeing, participem da investigação e tenham acesso às informações das caixas-pretas imediatamente.

Chance de erro humano é mínima, afirma companhia

 

Flores e velas foram colocadas em frente às fotos da tripulação do avião ucraniano que caiu logo após decolar de Teerã, no Irã, nesta quarta (8). Nenhuma das 176 pessoas que estavam a bordo sobreviveu ao acidente. — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters Flores e velas foram colocadas em frente às fotos da tripulação do avião ucraniano que caiu logo após decolar de Teerã, no Irã, nesta quarta (8). Nenhuma das 176 pessoas que estavam a bordo sobreviveu ao acidente. — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

Flores e velas foram colocadas em frente às fotos da tripulação do avião ucraniano que caiu logo após decolar de Teerã, no Irã, nesta quarta (8). Nenhuma das 176 pessoas que estavam a bordo sobreviveu ao acidente. — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

Na quarta-feira, a companhia aérea do avião, Ukrainian International Airlines, declarou em comunicado que a chance de erro humano ter causado a queda da aeronave era “mínima”.

“O aeroporto de Teerã não é nada simples. Portanto, há vários anos a UIA utiliza esse aeroporto para realizar treinamento em aeronaves Boeing 737, com o objetivo de avaliar a proficiência e a capacidade dos pilotos de atuar em casos de emergência. Segundo nossos registros, a aeronave subiu até 2.400 metros. Dada a experiência da tripulação, a probabilidade de erro é mínima. Nem sequer consideramos essa chance”, diz o comunicado.

 

A Ucrânia, um dos países que participam das investigações, declarou que buscaria possíveis destroços de um míssil russo no local do acidente, depois de ler informações sobre isso na internet.

Os ucranianos também investigavam a possibilidade de o avião ter colidido com um drone ou com outro objeto voador, de problemas técnicos provocados por explosão ou de uma ação terrorista dentro da aeronave.

Trump também anunciou nesta quinta-feira (9) que já aprovou sanções mais duras contra o Irã.

jan
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Posted on 10-01-2020
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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – 5ª- feira 09/01/2020

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J. Bosco no jornal  O Liberal (PA)

  Decisão dos duques de Sussex provoca fortes críticas e decepção na família real, que se sente traída segundo a imprensa britânica

Príncipe Harry e Meghan Markle acenam para curiosos no casamento deles no castelo de Windsor.
Príncipe Harry e Meghan Markle acenam para curiosos no casamento deles no castelo de Windsor.Damir Sagolj / REUTERS (Reuters)

A rainha Elizabeth II está “furiosa” com a decisão tomada pelo neto Harry e pela esposa dele, Meghan Markle, de se afastarem da vida oficial. O casal não contou a decisão que havia tomado à rainha nem aos príncipes Charles e Wiliam, que ficaram sabendo pela televisão. Todos se consideram traídos. Em um comunicado divulgado no final da tarde de quarta-feira, o neto da rainha e a esposa disseram: “Pretendemos dar um passo atrás em nosso papel de membros seniores da família real e trabalhar para ser financeiramente independentes, mantendo nosso total apoio a sua majestade. […] Planejamos equilibrar nosso tempo entre o Reino Unido e a América do Norte e continuar cumprindo nossos deveres em relação à rainha, à Commonwealth [Comunidade das Nações] e às organizações de nosso patronato. Esse equilíbrio geográfico nos permitirá educar nosso filho no apreço à tradição real em que nasceu, ao mesmo tempo em que dará espaço para que nossa família se concentre em um novo capítulo [de sua vida]”.ma fonte real de alto escalão disse que a rainha e sua família estavam “profundamente decepcionadas”. Outra afirmou, segundo a imprensa britânica, que os membros da realeza estavam “chocados, tristes e completamente furiosos” com o casal.Harry e Meghan, que planejam dividir seu tempo entre a Grã-Bretanha e a América do Norte, fizeram o anúncio da bombástica notícia alguns dias depois de voltarem de férias de seis semanas no Canadá.

Um breve comunicado do Palácio de Buckingham revelou: “As conversas com o duque e a duquesa de Sussex estão em um estágio inicial. Entendemos seu desejo de adotar um enfoque diferente, mas são problemas complicados que exigirão tempo para sua solução”.

Aparentemente, o casal planejou em segredo sua decisão durante a estadia de seis semanas no Canadá, criando inclusive um novo site independente do da família real e pronto para ser lançado quando retornassem. “O nível de engano foi assombroso e todos, desde a cabeça da casa real até a base, sentem que foram apunhalados pelas costas”, disse uma fonte do palácio ao Daily Mail.

Os duques de Sussex ainda não têm ideia de onde morarão na América do Norte, embora o Canadá seja claramente a opção preferida. Meghan Markle morou lá durante anos, pois foi nesse país que a série Suits, da qual era uma das protagonistas, foi rodada.

Outro aspecto a ser definido é como conseguirão a independência financeira, embora por enquanto continuem recebendo dinheiro do príncipe de Gales para financiar seu trabalho oficial.

Outros membros da família real que tentaram seguir esse caminho, como o príncipe Edward —o filho mais novo de Elizabeth II— e sua esposa, foram obrigados a deixar sua produtora de televisão e relações públicas depois de uma série de escândalos. Os príncipes de Kent ficaram conhecidos quando disseram ir a qualquer lugar para fazer uma refeição e a duquesa de York fez uma série de acordos comerciais desastrosos que a levaram à falência. Eles são o exemplo claro de quanto é difícil dar esse passo.

No comunicado dos duques de Sussex não há menção alguma à renúncia a seus títulos, mas parece que manterão Frogmore Cottage, mansão que foi reformada para eles com 2,5 milhões de libras (cerca de 13,23 milhões de reais) de dinheiro público. Também manterão seus guardas de proteção da Polícia Metropolitana financiados pelo Estado.

Essa decisão do príncipe e de Markle acontece depois de um ano conturbado. Primeiro foi o confronto de Harry com o irmão William, seguido pela decisão de dividir seu escritório, depois as desavenças com os meios de comunicação e, finalmente, seu desejo de levar uma vida mais privada pelo temor de que Meghan Markle sofresse a pressão midiática que Diana de Gales sofreu.

Os duques de Sussex já deram sinais do esfriamento das relações com a família real quando decidiram não passar o Natal com ela.

Horas antes do comunicado anunciando seu desejo de empreender uma nova vida, os Sussex visitaram o Alto Comissariado do Canadá, no centro de Londres, para agradecer aos canadenses pela cordialidade com que foram recebidos durante o período de férias.

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