DO PORTAL METRO1-RÁDIO METRÓPOLE

Candidatura foi lançada nesta segunda-feira (6), em evento realizado no Hotel Fiesta, em Salvador

['Ninguém conhece tão bem a cidade como Bruno Reis', diz ACM Neto]
Foto : João Brandão/Metropress

Por Matheus Simoni e João Brandão

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), declarou que o nome de Bruno Reis (DEM) é o mais preparado para assumir a prefeitura de Salvador e que acredita que “ninguém conhece tão bem a cidade” como o atual vice-prefeito. A candidatura foi lançada nesta segunda-feira (6), em evento realizado no Hotel Fiesta, em Salvador.

“Salvador nunca viu uma quantidade de obras tão grande. Muita gente que mora no Centro e vê o complexo de obras João Gilberto, ao lado do Parque da Cidade, mas vê eu e Bruno na Periferia todo dia. Foquei em sua capacidade de gestão, técnica e no grande administrador público que se tornou”, disse o prefeito, durante discurso.

Emocionado, Neto lembrou de quando foi eleito e afirmou ainda que Bruno Reis chega à candidatura mais preparado do que ele quando disputou a prefeitura no ano que foi eleito pela primeira vez.

“Quando ganhei a prefeitura em 2012, já vinha de uma caminhada de dez anos. Mas é claro que após eu chagar, o olhar foi diferente. A forma de conhecer é outra. Bruno chega hoje com uma outra forma, que nenhum outro pré-candidato ou candidato pode apresentar. A gente não quer ser arrogante, sou democrata por convicção. Mas não posso deixar de dizer a Salvador que Bruno vai chegar à prefeitura se Deus e o povo quiserem muito mais preparado do que eu cheguei. Não tive condições de ter todo esse estágio, conhecimento e preparação. Não conhecia em 2012 a cidade como conheço hoje. Mas hoje eu posso dizer que ninguém conhece a cidade tão bem como Bruno Reis conhece”, declarou.

Por G1

Brad Pitt vence o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante em filmes por "Era uma Vez Hollywood" — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP Brad Pitt vence o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante em filmes por "Era uma Vez Hollywood" — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

 

Brad Pitt vence o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante em filmes por “Era uma Vez Hollywood” — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

 

Em uma noite com prêmios bem divididos, o Globo de Ouro anunciou neste domingo (5) os vencedores de sua 77ª edição, em Los Angeles. Promovida pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA, na sigla original), a disputa dá largada à temporada de prêmios.

  • Veja um resumo da cerimônia:

  • “Era uma Vez em… Hollywood” foi o filme mais premiado, com três estatuetas, incluindo melhor filme – comédia ou musical;
  • “1917” (diretor e filme – drama), “Coringa” (trilha e ator – drama) e “Rocketman” (música e ator – comédia) vieram na sequência;
  • Entre as séries, “Sucession”, “Fleabag” e “Chernobyl” ficaram com dois prêmios cada;
  • As maiores decepções foram “O irlandês”, sem prêmios, mesmo com 5 indicações, e “História de um casamento”, com 6 indicações e um Globo de Ouro de atriz coadjuvante para Laura Dern;
  • As eleições nos Estados Unidos em 2020 e os incêndios na Austrália foram lembrados durante discursos, com destaque para os de Patricia Arquette e Michelle Williams;
  • A noite teve homenagens às carreiras de Ellen DeGeneres (com muitas piadas sobre o tempo que teria para falar) e Tom Hanks (emocionado ao ver sua família perto do palco);
  • Pela primeira vez após 52 anos de parceria, a dupla Elton John e Bernie Taupin ganhou um prêmio. Eles levaram por melhor música para filmes com “(I’m Gonna) Love Me Again” (de “Rocketman”);
  • Diretor do melhor filme estrangeiro, o coreano Bong Joon-ho foi incisivo: “Assim que você romper a barreira da legenda, você será apresentado a muitos mais filmes incríveis”.

 

Os discursos: de sobrancelhas a Obama

Melhor atriz de série de comédia, Phoebe Waller-Bridge agradeceu a equipe que “fez a série parecer um filme mesmo com um orçamento bem pequeno”.

“Eu gostaria de agradecer também ao Obama por nos botar na lista dele [de séries favoritas]. Se vocês não sabem, ele sempre foi meu ‘tipo’. E se não entendeu essa piada, veja a primeira temporada”, brincou Phoebe, quando voltou para receber o prêmio de série de comédia.

 

Phoebe Waller-Bridge vence o Globo de Ouro de melhor atriz em série de TV (Musical ou Comédia) por "Fleabag" — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP Phoebe Waller-Bridge vence o Globo de Ouro de melhor atriz em série de TV (Musical ou Comédia) por "Fleabag" — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

Phoebe Waller-Bridge vence o Globo de Ouro de melhor atriz em série de TV (Musical ou Comédia) por “Fleabag” — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

Surpreso ao vencer por melhor diretor de filmes, Sam Mendes (“1917”) lembrou de outro indicado na categoria: “Todo diretor no mundo vive à sombra de Martin Scorsese”.

 

Ao retornar para o prêmio de melhor filme – drama, disse que era importante um deste tipo ser premiado. “1917” é sobre dois soldados britânicos na Primeira Guerra Mundial.

Brad Pitt ganhou como coadjuvante em filmes e terminou o discurso com uma piada: “Eu ia trazer minha mãe, mas toda mulher que aparece do meu lado falam que estou namorando, então não trouxe. Seria estranho.”

 

Michelle Williams recebe o Globo de Ouro de melhor atriz em série limitada ou filme para TV por "Fosse/Verdon" — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP Michelle Williams recebe o Globo de Ouro de melhor atriz em série limitada ou filme para TV por "Fosse/Verdon" — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

Michelle Williams recebe o Globo de Ouro de melhor atriz em série limitada ou filme para TV por “Fosse/Verdon” — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

Mas o discurso mais impactante da noite foi o de Michelle Williams, melhor atriz em série limitada ou filme para TV, por “Fosse/Verdon”. Ela falou sobre a importância de as mulheres poderem escolher:

“Mulheres, na hora de votar, votem com os seus interesses. É o que homens têm feito há anos e por isso o mundo se parece tanto com eles.”

 

Ao vencer como coadjuvante em série, Stellan Skarsgård (de “Chernobyl”) contou um caso inusitado. “Estava conversando com [o diretor] Milos Forman e ele disse que não se lembrava da minha cara em meus filmes. Eu notei que isso acontecia, porque não tenho sobrancelhas. Agora a equipe da série fez sobrancelhas em mim. E deu nisso…”, explicou Skarsgård.

Monólogo polêmico

 

Ricky Gervais apresenta o Globo de Ouro 2020 neste domingo (5) — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP Ricky Gervais apresenta o Globo de Ouro 2020 neste domingo (5) — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

Ricky Gervais apresenta o Globo de Ouro 2020 neste domingo (5) — Foto: Paul Drinkwater/NBC via AP

Em sua quinta vez no comando do Globo de Ouro, o comediante inglês Ricky Gervais causou polêmica com seu monólogo de abertura.

Ao falar da vida pessoal e de características físicas de artistas presentes e que não estavam na cerimônia, ele recebeu críticas na internet por ser ofensivo. Gervais fez piadas com temas como o Estado Islâmico e o ativismo de artistas.

jan
06
Posted on 06-01-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-01-2020
Resultado de imagem para J.R. Guzzo artigo no Estadão

ARTIGO/ DO ESTADÃO

Se 2020 for como 2019 já vai ser muito bom

J. R. Guzzo

Quer ter um bom 2020? Então peça um 2019, sem tirar nem pôr – ou melhor, sempre pode pôr alguma coisinha boa a mais, é claro, mas realmente não é preciso tirar nada do que se teve neste ano que acaba de se ir embora. O assunto, aqui, é o mundo das coisas públicas e capazes de influir na vida cotidiana do Brasil.

Em outros temas, cada um teve seus próprios momentos em 2019, e só cada um, naturalmente, pode dizer como foram – e se está no direito de desejar mais, ou muito mais, em 2020. Mas em termos daquilo que pode afetar a você como cidadão, e que depende em boa parte do que acontece no governo, na política e na sociedade em geral, dá perfeitamente para dizer que uma repetição deste ano vai estar de muito bom tamanho.

Chegamos ao fim de 2019 com índices mínimos de inflação, para padrões brasileiros – menos de 3,5% no ano, e sem nenhum sinal de que possa sair do controle no futuro visível. A taxa de juros está em 4,5% anuais, os mais baixos em mais de 30 anos, ou desde que se passou a manter um registro regular e oficial de sua evolução. É uma enormidade, em termos de avanço da economia do Brasil como um todo. A continuar assim – e um dos objetivos estratégicos mais vitais da política econômica do governo é continuar exatamente assim – começam a aparecer no horizonte coisas inéditas na vida de qualquer brasileiro. Se os juros continuarem a baixar, forçosamente eles estarão caminhando para se alinhar com a taxa de juros internacional – de 1% a 2% ao ano.

Isso quer dizer que vai acabar, simplesmente, o “dinheiro barato” dos BNDES e Bancos do Brasil da vida. Haverá um dinheiro só no sistema de crédito, disponível para todos que tiverem condições materiais de garantir os empréstimos que levantaram. As empresas brasileiras poderão se financiar com os mesmos custos de crédito que têm as suas concorrentes internacionais, e ganhar um elemento de competitividade que nunca tiveram – a não ser, é claro, que arrumassem o “dinheiro barato” ou levantassem empréstimos no exterior, correndo todo os riscos do câmbio. O governo deixará de tirar R$ 500 bilhões dos impostos, a cada ano, para pagar os juros da dívida publica – com juros cada vez mais baixos, os pagamentos também serão cada vez menores.

Se o mercado de trabalho repetir 2019, haverá 1 milhão a mais de novos empregos com carteira assinada em 2020. Se a safra deste ano for igual à do ano passado, a produção agrícola do Brasil vai bater um novo recorde. Se forem aprovadas reformas como a da Previdência, a economia salta dez casas para frente. Tudo isso é muito bom para o brasileiro comum – só é ruim para quem precisa que o governo dê errado. Esses sim; não querem nem ouvir falar de um outro 2019.

“Tereza da praia”, Lucio Alves e Dick Farney:Que falta, meus amigos, vocês fazem! Saudade em dose dupla! Boa semana! Com ela…

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

jan
06

Sergio Moro é a figura pública em que os brasileiros mais confiam, segundo o Datafolha.

Ele ganha de Lula, Jair Bolsonaro e Luciano Huck.

De acordo com a pesquisa, 56% dos entrevistados confiam nele (e 33% deram-lhe nota 9 ou 10). Lula ficou com 46%, Jair Bolsonaro com 44% e Luciano Huck com 43%.

Repetindo: Datafolha.

DO EL PAÍS

Medidas foram anunciadas em represália aos Estados Unidos pelo assassinato do general iraniano Qasem Soleimani

 Andrés Mourenza

Multidão se reúne na cidade iraniana de Mashhad para homenagear o general Qasem Soleimani.
Multidão se reúne na cidade iraniana de Mashhad para homenagear o general Qasem Soleimani.MOHAMMAD TAGHI (AFP)

Dois dias após o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani em um ataque ordenado pelos Estados Unidos em Bagdá, os Governos de Irã e Iraque iniciaram medidas de represália. O Irã anunciou neste domingo que deixará de respeitar seus compromissos sob o acordo nuclear de 2015. Já o parlamento do Iraque aprovou uma moção exigindo que o Governo expulse as tropas norte-americanas.

De acordo com a televisão estatal, Teerã afirmou que não limitará mais o número de centrífugas de enriquecimento de urânio que utiliza. O Irã agora baseará o nível de enriquecimento nas necessidades técnicas do país, embora mantenha a cooperação com a agência nuclear da ONU. O porta-voz citado na televisão apontou que esses próximos passos podem ser revertidos se Washington suspender as sanções que mantém sobre o país. O regime iraniano vinha se afastando do acordo desde que os Estados Unidos o abandonaram em 2018.

Em meio à troca de ameaças entre Washington e Teerã, parlamentares do Iraque aprovaram a moção exigindo a expulsão das tropas norte-americanas. O próprio primeiro-ministro interino, Adil Abdul-Mahdi, defendeu essa opção como “a melhor para o Iraque”. A sessão no Parlamento, onde o bloco xiita tem maioria, transcorreu em um ambiente tenso (os parlamentares dos blocos sunita e curdo não participaram da sessão) e também no contexto de confrontos entre as milícias iraquianas pró-iranianas e manifestantes de sinal oposto e às homenagens que milhares de iranianos prestavam a Soleimani, cujo corpo foi repatriado neste domingo. A votação defende que a saída das tropas é “o melhor para o Iraque”, mas se trata de uma resolução não vinculante e o Executivo iraquiano deve negociar com Washington a modificação ou a rescisão do atual acordo que têm.icou que seu país tem duas opções sobre a mesa: uma é exigir a retirada completa das tropas estrangeiras e a outra é renegociar o acordo que rege sua presença. Abdul-Mahdi se mostrou a favor da primeira opção: “Apesar das dificuldades externas e internas que podemos enfrentar, é o melhor para o Iraque”. Ao mesmo tempo, o Ministério das Relações Exteriores iraquiano apresentou uma queixa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo ataque dos EUA que acabou com a vida de Soleimani, do comandante das milícias xiitas iraquianas Forças de Mobilização Popular (FMP), Abu Mahdi al-Muhandis, e outros oito militares de ambos os países. A diplomacia iraquiana exige que o órgão da ONU condene o ataque por representar uma “perigosa violação da soberania do Iraque e das regras da presença dos EUA” no país.

A mobilização de mais de 5.000 militares norte-americanos no Iraque se baseia em um acordo assinado pelos Governos de ambos os países depois que Bagdá convidou a Coalizão Internacional liderada pelos EUA a mobilizar suas tropas em 2014 para combater o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). O Governo iraquiano opera interinamente depois que o primeiro-ministro pediu demissão em novembro para acalmar os manifestantes que protestam nas ruas há meses contra a corrupção e a falta de empregos e serviços. Abdul-Mahdi continua no cargo de maneira temporária até o fragmentado Parlamento iraquiano entrar em acordo com relação ao sucessor, algo que o primeiro-ministro pediu em sua intervenção parlamentar.

De acordo com a imprensa local, 170 deputados do bloco xiita —dos 329 do Parlamento do Iraque— assinaram a proposta votada em plenário pedindo a saída das tropas estrangeiras, incluindo a revisão da mobilização de instrutores de outros países ocidentais. “O Governo se compromete a revogar seu pedido de assistência à coalizão de luta contra o Estado Islâmico devido ao fim das operações no Iraque e à conquista da vitória. O Governo iraquiano deve trabalhar para acabar com a presença de todo tipo de tropas estrangeiras em solo iraquiano, proibi-las de usar seu território, seu espaço aéreo e suas águas territoriais por qualquer razão”, diz a moção aprovada, segundo a agência Reuters.

Os parlamentares dos blocos sunita e curdo não participaram da sessão em protesto contra a crescente influência iraniana; portanto, a falta de quórum levou ao adiamento da votação por algumas horas. “Nesta questão preferimos adotar uma postura neutra que seja do interesse do Iraque e da região do Curdistão”, explicou Vian Sabri, presidenta do grupo parlamentar do partido curdo KDP, em declarações ao canal Kurdistan 24.

A promotora da moção é a coalizão Fatah —o grupo mais pró-iraniano do Parlamento iraquiano e ao qual as FMP estão vinculadas—, que justifica a exigência da retirada dos EUA pelo fato de já terem cumprido sua missão de derrotar o EI e suas últimas ações no Iraque serem uma violação da soberania nacional. No sábado, o líder do Fatah, Hadi al-Amiri, jurou diante do caixão de Muhandis: “O preço do seu sangue será a saída das tropas norte-americanas do Iraque”. Outro deputado do mesmo grupo, Ahmad al-Kinany, advertiu no Twitter que os deputados ausentes do plenário serão considerados “traidores da pátria”. Fontes militares dos EUA reconheceram à agência France Presse que acompanham o debate parlamentar com “apreensão” e “nervosismo”.

A tensão provocada pelo assassinato de Soleimani é sentida em todo o Iraque. Em Nasiriyah (sudeste), ocorreram confrontos quando um enterro simbólico realizado por grupos pró-iranianos tentou penetrar em um acampamento de manifestantes por motivos sociais, parte dos protestos que atormentaram o Iraque nos últimos meses, criticando a corrupção e a excessiva influência iraniana. Um miliciano das FMP abriu fogo contra os outros manifestantes ferindo quatro pessoas, informou a agência EFE citando fontes policiais.

A brigada xiita Kataeb Hezbollah (KH), uma das mais radicais das FMP, pediu voluntários “para o martírio” em ações contra os EUA e deu um ultimato até as cinco da tarde de domingo (11 da manhã em Brasília) para que as forças de segurança iraquianas “se afastem pelo menos 1.000 metros das bases norte-americanas”. Já na tarde de sábado vários foguetes atingiram o bairro de Bagdá onde está localizada a Embaixada dos Estados Unidos e uma base militar norte-americana um pouco mais ao norte, embora sem causar mortes e sem que nenhum grupo reivindicasse a ação. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, criticou duramente essa ameaça e chamou a KH de “pistoleiros”.

Funerais e advertência do Irã

Enquanto isso, uma multidão invadiu as ruas da cidade iraniana de Ahvaz neste domingo, no primeiro dos três dias de homenagem nacional no Irã pelo assassinato do general Soleimani. Colocado sobre um caminhão enfeitado com flores e coberto por uma lona com a cúpula da mesquita da Rocha de Jerusalém, os caixões de Soleimani e do chefe militar dos pró-iranianos no Iraque, Abu Mahdi al-Muhandis, abriram caminho lentamente entre a compacta multidão que se reuniu nessa cidade do sudoeste iraniano, de acordo com a agência France Presse.

A televisão estatal, que colocou uma tarja preta no canto superior esquerdo da tela, transmitiu a cerimônia ao vivo nessa cidade, capital do Khuzistão, província mártir durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988), durante a qual Soleimani começou a se destacar. Depois das cerimônias que aconteceram no sábado no Iraque, a homenagem nacional continuará em Teerã, em Mashhad (nordeste) e Qom (centro) até o enterro na terça-feira em sua cidade natal, Kerman (sudeste).

O Exército iraniano também respondeu à mais recente ameaça de Donald Trump, garantindo que duvida que os Estados Unidos tenham a “coragem” de atacar 52 lugares no Irã como advertiu o presidente norte-americano, de acordo com a agência oficial iraniana Irna. “Dizem esse tipo de coisa para desviar a atenção da opinião pública mundial de seu ato odioso e injustificável” (o assassinato de Soleimani na sexta-feira em Bagdá), mas “duvido que tenham coragem”, declarou o general Abdolrahim Mousavi, comandante em chefe do Exército iraniano, citado pela Irna.

As autoridades iranianas aconselharam Washington a retirar suas tropas do Oriente Médio depois do assassinato do comandante da Força Al Quds, que prometeram vingar. “Começou o fim da nefasta presença dos Estados Unidos na Ásia Ocidental” escreveu no Twitter o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif.

Também o líder do partido-milícia libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, convocou em um discurso a agir contra os EUA: “O maior dano que o inimigo pode nos causar é nos matar, e não há honra maior que possamos ter do que morrer lutando por nossa doutrina.”

jan
06
Posted on 06-01-2020
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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – 2ª- feira 06/01/2020

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Clayton, no O Povo (CE)

Do Jornal do Brasil

LEONARDO BOFF

Acabei de assistir ao filme do consagrado cineasta brasileiro Fernando Meirelles: Dois Papas. Considero técnica e esteticamente bem elaborado, feito nos próprios espaços grandiosos do Vaticano. Sua base é fundada em fatos históricos, evidentemente, com a criatividade que este tipo de arte permite, particularmente na construção dos diálogos. Mas neles se entrevê suas respectivas teologias e afirmações conhecidas.

O que digo é opinião estritamente pessoal. Tive o privilégio de conhecer ambos os Papas pessoalmente, e com os quais tive e tenho relações de certa proximidade e até amizade.

Macaque in the trees
Cena do filme Dois Papas (Foto: Reprodução)

Papa Ratzinger: finíssimo e rigoroso

Com o Prof. Joseph Ratzinger tenho uma dívida de gratidão por ter apreciado minha tese doutoral sobre “A Igreja como Sacramento Fundamental no Mundo secularizado”, volumosa, mais de 500 páginas impressas. Ajudou-me financeiramente com uma soma considerável de marcos e encontrou uma editora para sua publicação, pois ninguém queria assumir o risco de lançar um livro desta proporção. A acolhida na comunidade teológica internacional foi grande, considerada uma obra fundamental, especialmente pelo renomado especialista em Igreja Jean Yves Congar, dominicano francês.

O Prof. Ratzinger é uma pessoa finíssima no trato, extremamente inteligente e nunca o vi alçando a voz; mas é muito tímido e reservado. Ao saber de sua eleição a Papa, logo pensei: “É um Papa que vai sofrer muito, pois talvez jamais tenha abraçado pessoas, mesmo uma mulher, e se exposto às multidões”.

Nossa amizade se fortaleceu porque durante cinco anos, a partir de 1974, toda semana de Pentecostes (por volta de maio), cerca de 25 teólogos e teólogas progressistas, renomados do mundo inteiro, nos encontrávamos em Nimega, na Holanda, ou em outra cidade europeia. Durante uma semana discutíamos ecumenicamente, acompanhados por um pequeno grupo de cientistas, inclusive de Paulo Freire, sobre temas relevantes do mundo e da Igreja. Editávamos uma revista, “Concilium”, que se publicava em 7 línguas e ainda continua a ser publicada (no Brasil pela Editora Vozes). Ai colaboraram as melhores cabeças mundiais, em várias áreas do conhecimento, como sexualidade, Teologia da Libertação, e a moderna cosmologia.

O Prof. Ratzinger sentava-se quase sempre ao meu lado. Depois do almoço, enquanto quase todos tiravam uma sesta, eu e ele passeávamos pelo jardim, discutindo temas de teologia, nossos preferidos, Santo Agostinho e São Boaventura dos quais li praticamente toda obra.

Cada um em seu papel sem perder a relação

Feito Cardeal e presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a ingrata missão de me interrogar sobre o livro “Igreja: carisma e poder”, em 1984. Ele cumpria institucionalmente sua função de interrogador e eu de defensor de minhas opiniões. Foi um diálogo firme, mas sempre elegante da parte dele, mesmo quando, após o interrogatório, tivemos um encontro já mais duro com ele e os cardeais brasileiros Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Aloysio Lorscheider, que me acompanharam em Roma e testemunharam a meu favor. Éramos três contra um. Devo reconhecer que ele se sentia constrangido.

Depois de um ano, recebi a solução do processo doutrinário com a deposição da cátedra de teologia, de minhas funções na Editora Vozes e a imposição de um “silêncio obsequioso” que me impedia de falar, de ensinar, de dar entrevistas e de publicar qualquer coisa. A decisão final após o interrogatório foi feita por 13 cardeais (13 para desempatar). Soube mais tarde, através de um emissário de seu secretário particular, que ele, Cardeal Ratzinger, votou a meu favor mas foi voto vencido. Cabe dizer que sempre que jornalistas perguntavam a ele sobre mim, respondia, com certo humor, que sou “ein frommer Theologe” ( um teólogo piedoso) que um dia vai aprofundar seu verdadeiro caminho teológico.

O filme não retrata a figura fina e elegante que o caracteriza. Em certa cena, levanta a voz e quase grita, o que, me parece, totalmente inverosímil e contra seu caráter.

Apesar de estarmos agora em situações diferentes, ele Papa e eu um um teólogo promovido a leigo, nunca perdemos a amizade. Por seus 90 anos, ao ser organizada uma Festschrift (um livro de homenagem), na qual muitos notáveis escreveram, a pedido dele solicitaram-me que escrevesse meu testemunho a seu respeito, o que fiz, prazerosamente. A amizade é mais forte que qualquer doutrina sempre humana.

O Papa Francisco: terno, fraterno e inovador

Com referência ao Jorge Mario Bergoglio, agora Papa Francisco, diria o seguinte: Conhecemo-nos em 1972 no Colégio Máximo de San Miguel, em Buenos Aires, cada um discorrendo sobre a singularidade do caminho espiritual de Santo Inácio de Loyola (ele) e o caminho espiritual de São Francisco (eu). Ai discutimos a vertente da teologia da libertação de tipo argentino (do povo silenciado e da cultura oprimida) e a nossa brasileira e peruana (sobre a injustiça social e a opressão histórica sobre os pobres e afrodescendentes). Deste encontro há uma foto que ele, desde Roma, teve a gentileza de me mandar, onde aparecemos, todo um grupo de teólogos e teólogas, a maioria não mais entre nós, alguns perseguidos e torturados pela repressão bárbara dos militares argentinos ou chilenos. Depois nos perdemos de vista.

(Ele é o terceiro da esquerda para a direita e eu o segundo da esquerda)

O Papa Francisco: teólogo da libertação integral

Soube pelo seu professor de teologia, recentemente falecido, Juan Carlos Scannone, o representante maior da teologia da libertação argentina. que Bergoglio entrou para a Ordem Jesuítica como vocação adulta (era químico antes, como aparece no filme). Entusiasmou-se logo com a teologia da libertação e aí mesmo fez um voto que cumpriu sempre, mesmo como cardeal de Buenos Aires: toda semana passar uma tarde ou mesmo um dia numa favela (villa miseria), sempre sozinho, entrando nas casas e conversando com todo mundo.

Foi Superior Maior da Província dos Jesuitas da região de Buenos Aires. Era muito rigoroso. Aqui teve que enfrentar uma situação gravíssima que carregou no coração até os dias de hoje: dois jesuitas, o padre Jalish e o padre Yorio (que conheci pessoalmente em Quilmes) viviam numa favela, apoiando os pobres e marginalizados. Quem trabalhava com o povo, como no Brasil de 1964 (e talvez também hoje sob o novo governo) seria considerado marxista e subversivo. Eram vigiados pelos órgãos de segurança dos militares. Bergoglio soube que seriam sequestrados com as torturas que se seguiam. Tentou salvá-los até apelando ao voto de obediência, típico de sua Ordem, no sentido de abandonarem a favela para não serem vítimas da repressão. Eles argumentaram de forma evangélica: “um pastor não abandona seu rebanho, seu povo; participa de seu destino; vale mais obedecer ao Deus dos pobres do que obedecer a um superior religioso”.

Efetivamente, foram sequestrados e duramente torturados. Jalish se reconciliou com Bergoglio e vive na Alemanha, enquanto Yorio se sentiu abandonado e distanciou-se dele (morreu no Uruguai, anos atrás). Pude sentir sua amargura pessoal, ao mesmo tempo que procurava entender o impasse que uma autoridade religiosa, com responsabilidade, enfrenta em situações-limite. Mesmo assim, Bergoglio escondeu a muitos no Seminário Maior de San Miguel ou os levou até a fronteira de outro país para fugirem da morte certa.

Papa Francisco: o cuidado da Casa Comum

Ao ser eleito Papa, voltamos a nos comunicar. Sabendo que havia me ocupado intensivamente com o tema da ecologia integral, envolvendo a Casa Comum, a Mãe Terra, solicitou-me subsídios, coisa que fiz com assiduidade. Mas logo me advertiu:”não mande os textos para o Vaticano, pois, não me serão entregues (o famoso sottosedere da Cúria: sentar em cima e esquecer), mas envie-os diretamente ao embaixador argentino junto à Santa Sé, especialmente aquele que todos os dias, bem cedo, toma o chimarrão (el mate), comigo”. Assim fiz sempre. Dizem por aí que se nota a presença de pensamentos e tópicos meus na encíclica Laudado Si: sobre o cuidado da Casa Comum (2015), igualmente enviei textos para o Sínodo Panamazônico de 2019. Respondeu várias vezes agradecendo.

Ao escolher o nome de Francisco sob inspiração de seu amigo brasileiro, o Card. Dom Cláudio Hummes, que lhe sussurrou logo fazer uma opção clara pelos pobres, ele se transformou. O rigor jesuítico se uniu com a ternura franciscana. Com os problemas internos da Cúria, a pedofilia e a corrupção financeira dentro do Banco do Vaticano é extremamente rigoroso. Contrariamente, com o povo é visivelmente terno e fraterno.

Nenhum Papa anterior castigou tão duramente o sistema que perdeu a sensibilidade, a solidariedade com os milhões de pobres e famintos, a capacidade de chorar e que é adorador do ídolo do dinheiro. Depredam a natureza e são antivida e antiMãe Terra. Não precisamos declarar a que sistema se refere. Sua opção pelos pobres é altisonante. Tornou-se por suas posturas corajosas face à emergência ecológica da Terra, ao aquecimento global e à desumanização das relações humanas, um líder religioso e político. Sua voz é ouvida e respeitada pelo mundo afora.

Dois modelos de homem e dois modelos de Igreja

O propósito do filme é mostrar dois modelos de personagens religiosas e dois modelos de Igreja.

Primeiramente mostra como ambos, Ratzinger e Bergoglio, são humanos, profundamente humanos. Nesse sentido: ambos possuem seu lado luminoso e também seu lado sombrio. O Papa Bento XVI, sua leniência com os pedófilos. Não devemos esquecer que escreveu a todos os bispos, sob sigilo pontifício que jamais deve ser quebrado, de não entregar os padres e os bispos pedófilos aos tribunais civis. Isso desmoralizaria a instituição Igreja. Deviam, sim, confessar-se do pecado e ser transferidos para outro lugar. O Papa não se deu conta suficientemente de que não tinha a ver apenas com um pecado perdoável pela confissão. Trata-se de um crime contra inocentes que a justiça comum deve investigar e punir. Não se pensou nas vítimas, apenas na salvaguarda da imagem da instituição-Igreja.

O Papa Bento XVI colocou-se na esteira do João Paulo II, que era moral e doutrinariamente conservador. Procurou relativizar o arggiornamento do Concílio Vaticano II (1962-1965). Via a Igreja como uma fortaleza sitiada por todos os lados por inimigos, vale dizer, pelos erros e desvios da modernidade. A solução que se propunha era a de voltar à grande disciplina anterior, vinda do Concílio de Trento (século XVI) e do Concílio Vaticano I (1870). A centralidade era a ortodoxia e a sã doutrina, como se fossem as prédicas que salvassem e não as práticas. Nesta linha o Card. Joseph Ratzinger foi rigoroso: mais de 110 teólogos ou teólogas foram condenados, depostos de suas cátedras, silenciados (no Brasil, Yvone Gebara e eu pessoalmente) ou de alguma forma punidos. Um deles, excelente teólogo, foi condenado sem receber nenhuma explicação. Ficou tão deprimido que pensou em suicidar-se. Só se curou quando foi à América Central a trabalhar com as comunidades eclesiais de base. Viveu-se um inverno eclesial severo. Toda uma geração de padres foi formada nesse estilo doutrinário e com os olhos voltados ao passado, usando os símbolos do poder clerical. Igualmente, toda uma plêiade de bispos foram sagrados mais autoridades eclesiásticas ortodoxas que pastores no meio de seu povo.

Outro modelo de personalidade religiosa é o Papa Francisco. Ele vem do fim do mundo, de fora da velha e quase agônica cristandade europeia. Ele trouxe uma primavera para a Igreja e para o mundo secularizado.

Primeiramente inovou os hábitos. Ao negar-se de vestir a “mozzeta”, o pequeno manto branco, cheio de brocados que os papas carregam aos ombros, símbolo do absoluto poder dos imperadores romanos pagãos, diz o filme claramente: “acabou-se o carnaval”. Não aceita a cruz dourada, continua com sua cruz de ferro; rejeita o sapato vermelho (Prada) e continua com o seu velho sapato preto. Não se anuncia como Papa da Igreja, mas como bispo de Roma e somente a partir daí, Papa da Igreja universal. Animará a Igreja não com o direito canônico, mas com o amor e com a colegialidade (consultando a comunidade dos bispos). Em sua primeira fala pública diz “como gostaria uma Igreja pobre para os pobres”. Não mora no palácio papal, o que seria uma ofensa ao poverello de Assis, mas numa casa de hóspedes. Come na fila como os outros e comenta, com humor:”assim é mais difícil que me envenenem”.

Dispensa um carro especial e um corpo de proteção pessoal. Mistura-se no meio do povo, dá as mãos a quem as estende e beija as crianças. É pai e avô querido das multidões.

Seu modelo de Igreja é o de “um hospital de campanha” que atende a todos, sem perguntar de onde vem e qual é sua situação moral. É uma “Igreja em saída” para as periferias humanas e existenciais. Respeita os dogmas e doutrinas mas diz claramente que prefere colocar-se vivamente diante do Jesus histórico, opta pelo encontro direto com as pessoas e a pastoral da ternura. Insiste que Jesus veio para nos ensinar a viver o amor incondicional, a solidariedade e o perdão. Central para ele é a misericórdia infinita de Deus. Vai mais longe ao dizer :”Deus não conhece uma condenação eterna pois perderia para o mal. E Deus não pode perder. Sua misericórdia não conhece limites”. Por isso chama a todos, uma vez purificados de suas maldades, para a casa que o Pai e Mãe de bondade preparou para todos desde toda a eternidade. Morrer é sentir-se chamado por Deus e vai-se alegre para o Grande Encontro.

Eis outro tipo de pontificado, outro modelo de ser humano que reconhece que perdeu a paciência quando uma mulher o puxou e apertou longa e duramente sua mão. Irritado, bateu-lhe a mão por duas ou três vezes. Mas no dia seguinte pediu publicamente perdão.

Dois Papas: diferentes e complementares.

O Papa Francisco abriu sua inteira humanidade, dando-se o direito à alegria de viver, de torcer pelo seu time de estimação o San Lorenzo, de apreciar a música dos beatles, até conquistar o Papa Bento XVI a dançar um tango, impensável a um severo acadêmico alemão. Aqui aparece não o Papa mas o homem Bergoglio que desentranha humanidade recolhida do homem Ratzinger. Ambos são diferentes mas se integram na dança de um tango de pessoas anciãs.

O filme é uma bela metáfora da condição humana, de dois modos diferentes de realizar a humanidade, que não se opõem mas se compõem e se completam, uma com a ternura e a outra com o rigor. Vale ver o filme, pois nos faz pensar e nos oferece lições de mútua escuta, de verdades ditas sem rebuços e de uma amizade que vai crescendo na medida em que a relação se descontrai de encontro a encontro. O perdão que um dá ao outro e o abraço final, longo e carinhoso, engrandece o humano e o espiritual presentes em cada um de nós.

Leonardo Boff é teólogo,filósofo e membro da Comissão Internacional da Carta da Terra

 

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