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DO EL PAÍS

O cotidiano dos presos da Lava Jato é contado em tantas minúcias em ‘A elite na cadeia’ que a impressão, ao final da leitura, é de que os últimos dias foram passados dentro da prisão

O doleiro Alberto Youssef deixa carceragem da PF, em Curitiba, para participar de audiência na Justiça Federal, em fevereiro de 2015,
O doleiro Alberto Youssef deixa carceragem da PF, em Curitiba, para participar de audiência na Justiça Federal, em fevereiro de 2015,André Richter

Rodolfo Borges

As histórias do encarceramento de empreiteiros como Léo Pinheiro e políticos como José Dirceu são contadas em detalhes em A elite na cadeia: o dia a dia dos presos da Lava Jato (Objetiva, 2019), escrito pelo jornalista Wálter Nunes. O repórter da Folha de S.Paulo passou quatro anos colecionando bastidores e histórias pitorescas de figuras como a doleira Nelma Kodama e o lobista Fernando Baiano, que protagonizaram o noticiário político-policial brasileiro nos últimos anos. O cotidiano dos executivos e facilitadores de esquemas escusos por meio de empreiteiras e estatais como a Petrobras é contado em tantas minúcias que a impressão, ao final da leitura, é de que os últimos dias foram passados dentro do cárcere ? sem as limitações da cadeia, naturalmente.

E mesmo as almas mais vingativas, mais justiceiras sociais — para quem o sofrimento de um rico não é nada diante do sofrimento de um pobre — hão de se sensibilizar com os dramas pessoais e familiares dessa elite encarcerada. Crises de pânico, problemas de coluna, depressão, choros compulsivos, roncos homéricos capazes de perturbar o sono até dos carcereiros (o responsável foi devidamente apelidado de D8, um trator utilizado em obras), Wálter revela detalhes sobre a intimidade dos protagonistas do maior escândalo de corrupção já descoberto no Brasil, a partir de conversas com mais de 50 pessoas.

A impassibilidade do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, abalada apenas pelas visitas de sua mulher, Cláudia Cruz. A disciplina e a obstinação de Marcelo Odebrecht, que nem sequer tinha tempo para conversar com os colegas de cárcere, de tantas tarefas que se impunha. A facilidade do lobista Adir Assad para se virar em um ambiente de escassez. A história inventada para evitar que a filha pequena de um dos executivos percebesse que ele estava preso ? o delegado permitiu a simulação de um escritório para receber a menina. Todos os dramas são contados, contudo, sem deixar de destacar os privilégios de que gozavam todos esses detentos, presos primeiro na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e depois no Complexo Médico Penal de Pinhais.

De tanto colaborar com a Justiça ? inclusive convencendo colegas de prisão a delatar ? Alberto Youssef acabou caindo nas graças de Newton Ishii, o famigerado japonês da Federal, um dos chefes da carceragem. Coincidência ou não, Youssef deteve por muito tempo o privilégio de manter uma televisão em sua cela ? mais tarde, Fernando Baiano daria um jeito de conseguir televisores para todos os colegas. Benesses como essas levaram à queda de pelo menos um diretor do presídio, mas não foram capazes de fazer os condenados da Lava Jato sofrerem as agruras corriqueiras do sistema prisional brasileiro. Mesmo dentro do complexo médico penal, os executivos não chegaram a ser expostos à pressão de facções criminosas ? ainda assim o receio de que isso acontecesse os perturbou constantemente.

O livro traz ainda detalhes sobre o cotidiano do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cadeia ? com destaque para o momento em que recebeu a notícia sobre a morte do neto Arthur ? e ajuda mesmo aqueles que seguiram todos os capítulos da Lava Jato de perto a organizar cronologicamente as operações e relembrar seu alcance. Uma história inimaginável há algumas décadas, e ainda hoje difícil de acreditar que tenha acontecido, contada de forma simples e direta ? até porque o fantástico do enredo dispensa qualquer adorno.

“Que reste-t-il de nous amours”, João Giiberto: Direto da mais preciosa reserva musical de Gilson -amigo do peito e colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta, para começar magnificamente o último domingo neste site blog. Viva! Boas Festa para Todos.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira Vitor Hugo Soares)

DO ESTADÃO

Presidente, que passará o réveillon na Bahia, mostra descontração, mas passa longos momentos falando ao celular

Isac Nóbrega/PR

 

Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi à praia de Inema, na Base Naval de Aratu, na Bahia, na manhã deste sábado (28/12/2019). Ele chegou por volta das 11h30 e estava acompanhado da filha Laura, 9 anos, além de grupo de cerca de 30 pessoas.Bolsonaro passará o réveillon na base naval, que fica cerca de 40 quilômetros de Salvador – ele embarcou na sexta-feira (27/12/2019) e a expectativa é que só retorne a Brasília no dia 5 de janeiro.O dia nublado atraiu poucos banhistas à praia, que fica numa área fechada da Marinha, e o presidente pôde aproveitar a tranquilidade do lugar sob dois toldos montados no final da praia, onde costumam ficar os presidentes que visitam Inema.Em determinado momento foi possível observar Laura passando protetor solar no pai, que se mostrava descontraído. Depois, Bolsonaro se afastou do grupo e caminhou na direção de algumas pessoas também presentes na praia. Ele as cumprimentou, tirou fotos e conversou com elas por alguns minutos. De volta ao grupo que o acompanha, Bolsonaro passou longos períodos caminhando de um lado para o outro, falando ao celular.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, não acompanha o presidente. Bolsonaro afirmou que ela não viajaria porque seria submetida a uma cirurgia, sem detalhar o procedimento. Na sexta-feira, a própria primeira-dama falou com jornalistas e disse que o procedimento “não é grave”.

“Propaganda ideológica esquerdista não terá lugar na nossa gestão”

Em entrevista à Gazeta do Povo, o secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, disse que em sua gestão a obra de arte “não será mais reduzida a um veículo de propaganda ideológica”.

“Quem quer fazer do teatro, do cinema, das artes plásticas um veículo ideológico esquerdista não terá lugar na nossa gestão. Poderá fazê-lo perfeitamente com dinheiro próprio e outras fontes, já que há uma série de instituições no Brasil que preconizam a propagação de uma agenda ideológica esquerda em seus patrocínios. Agora, o governo federal vai devolver a obra de arte ao lugar da obra de arte. O conceito de obra de arte foi vilipendiado no Brasil durante as últimas décadas e nós estamos trabalhando para a retomada, para o renascimento do conceito de obra de arte

dez
29
Posted on 29-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-12-2019

Do Jornal do Brasil

CadernoB

O descanso do Guerreiro

 

   GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Morreu na manhã deste sábado (28), aos 72 anos, na Policlínica Geral de Botafogo, o fotógrafo luso-espanhol-brasileiro Antônio Guerreiro, que ficou famoso nos anos 70 e 80, quando suas fotos com as mais belas mulheres do país ilustraram as capas das principais revistas brasileiras. Antônio Guerreiro sofria de câncer e era casado com a estilista Maria Tereza Freire.

Macaque in the trees
Antônio Guerreiro no arquivo do JB (Foto: Reprodução)

Filho de um rico empresário português, Antônio Guerreiro nasceu em Madri e morou no Marrocos, de onde veio para o Brasil com apenas cinco anos. O pai criou uma indústria em Juiz de Fora (MG), que lançou doces com figurinhas de jogadores de futebol. Aos 14 anos mudou-se para o Rio, para estudar, indo morar numa cobertura no Leme, que virou sua residência permanente. Pedrinho Aguinaga, eleito o “Homem mais Bonito do Brasil” nos anos 70, morou com Guerreiro alguns anos e diz ter aprendido com ele “alguns truques da arte da sedução”.

O estalo

Guerreiro cursava a faculdade de economia quando, em 1966, aos 19 anos, resolveu fotografar a namorada, baiana, herdeira de fazendeiros de cacau, com uma Rolleiflex. A empatia com a câmera foi imediata. Ao descobrir que tinha jeito para a arte, passou a fotografar jovens socialites cariocas. Ficou amigo do colunista espanhol Daniel Más e juntos, no “Correio da Manhã”, passaram a fazer trabalhos. Eram textos escandalosos ilustrados pelas belíssimas fotos de Guerreiro. Umas das matérias mais famosas foi uma reportagem com prostitutas da Lapa.

Seu trabalho era tão requisitado que o colunista Jacinto de Thormes, do mesmo jornal, registrou que deveria ter sido ele, Guerreiro, e não David Hemmings, a interpretar o fotógrafo que as beldades perseguiam no filme “Blow-Up”, de Michelangelo Antonioni, sucesso que logo o levou para a revista “Setenta” da Editora Abril. Embora de curta duração, a revista “Setenta” foi um marco na fotografia de moda no país. Ficou pouco tempo desempregado. Foi contratado por Adolpho Bloch para ser correspondente da Manchete em Paris, onde ficou por dois anos.

Macaque in the trees
Antônio Guerreiro na revista “Trip” (Foto: Reprodução)

De volta ao Rio, abriu o estúdio “Zoom”, ao lado da TV Globo, no Jardim Botânico, onde passou a fotografar os principais nomes da sociedade, do meio artístico, moda, etc., fazendo mais de 70 capas das principais revistas das maiores editoras e agências de publicidade.

Sedutor, teve uma carreira amorosa longa e variada. Viveu com a socialite Ionita Salles, que deixara o playboy Jorginho Guinle para ficar com el, casou-se em seguida com a atriz Sonia Braga e depois com Sandra Bréa. São também citadas como suas conquistas outras belas mulheres, como as atrizes Bruna Lombardi e Denise Dumont.

Em 1975, inaugurou o Studium, no Catete, onde passou a fotografar nus, tornando-se o principal fotógrafo da revista “Playboy”, local que funcionou até 1990. No final dessa década, os negócios do pai faliram, e ele fechou o estúdio. No término do século 20, as revistas de nus perderam circulação e qualidade. Seu acervo, com mais de 300 mil negativos e cromos, ainda merece ser explorado como retrato de uma época do Brasil e do mundo.

*

O velório será amanhã (29), na sala 3 do Memorial do Carmo – Caju, das 9h às 11h45. A cremação será às 12h.

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Gal, Bethânia e Caetano pelas lentes do Guerreiro (Foto: Reprodução)
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A estrela Tônia Carrero também passou pelo crivo do artista (Foto: Reprodução)
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A cantora Maísa em foto de Antônio Guerreiro (Foto: Reprodução)

dez
29
Posted on 29-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-12-2019



 

Pelicano, no portal

Não pode ser copiada nem reproduzida com qualquer outra finalidade.

dez
29
Posted on 29-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-12-2019

O autor do romance, Vladimir Nabokov, considerava que a atriz, falecida na última quinta-feira aos 73 anos, era a única que podia interpretar a personagem na telona

A atriz Sue Lyon, que encarnou a Lolita no filme de Stanley Kubrick de 1962.
A atriz Sue Lyon, que encarnou a Lolita no filme de Stanley Kubrick de 1962.

Sue Lyon, que aos 14 anos deu vida a Lolita no filme homônimo de 1962 de Stanley Kubrick, morreu na noite da última quinta-feira aos 73 anos em Los Angeles (Estados Unidos). A causa da morte não foi divulgada, mas a saúde da atriz vinha piorando nos últimos anos, como revelou seu amigo Phil Syracopoulos. Embora seu papel mais conhecido seja o de Lolita, ela esteve na ativa desde 1959, quando estreou na série The Loretta Young Show (na qual Kubrick a descobriu), até 1980, com Alligator – O Jacaré Gigante.

Não demorou para que aquela imagem de uma adolescente de biquíni com óculos escuros em forma de corações, na beira de uma piscina e chupando pirulito (o cartaz do filme, de Bert Stern, imagem que não aparecia no longa), ou deixando-se pintar as unhas dos pés por um transtornado Humbert Humbert —encarnado por James Mason—, marcasse o inconsciente de uma geração de cinéfilos, que se lembrarão de como o pedófilo Humbert pronunciava com pausas seu nome: “Lo-Li-Ta”. Seu grande papel veio após um casting exaustivo, do qual mais de 800 atrizes participaram. O autor do romance original, Vladimir Nabokov, considerava que ela era a única que podia interpretar a jovem na telona. “A ninfa perfeita”, foi o apelativo que o escritor usou para se referir a ela, embora dizendo que também teria gostado se a personagem fosse interpretada pela francesa Catherine Demongeot. Stanley Kubrick evitou problemas com a censura ao escolher uma atriz com mais idade (14 anos, embora na tela fosse dito que Lolita tinha 15) que a da ninfeta do livro (12).

Para Suellyn Lyon, foi o princípio e o fim, a virtude de encontrar um papel que a lançaria ao estrelato e interpretá-lo à perfeição, e a condenação de que nenhum espectador a esqueceria, por mais que crescesse na frente e atrás das câmeras. Nascida em Davenport (Iowa), Lyon começou a atuar ainda criança. Caçula de cinco filhos, seu pai morreu quando ela tinha apenas 10 meses. Com a mudança da família para Los Angeles, Lyon trabalhou como modelo para catálogos da rede de lojas J. C. Penney e apareceu em alguns comerciais na TV. Antes de Lolita, só tinha participado de produções para a telinha, como a série Dennis the Menace e a citada The Loretta Young Show.

Depois de sua primeira incursão no cinema, que lhe valeu o Globo de Ouro de 1963 na categoria “Atriz revelação”, trabalhou em The Night of The Iguana (1964), sob a direção de John Houston. Naquele mesmo ano se casou, numa breve união, com o roteirista Hampton Fancher III. No cinema ela não se deu muito melhor, com trabalhos em Sete Mulheres (1966), de Ford; Um Magnífico Farsante (1967), de Irvin Kershner; e o Tony Rome (1967), com Frank Sinatra. Warren Beatty quase a escolheu para estrelar com ele Bonnie e Clyde, mas se decidiu por Faye Dunaway, enquanto Lyon se casava com o fotógrafo afro-americano Roland Harrison em 1971. Desse casamento nasceu sua filha, Nona, em Los Angeles, antes do divórcio do casal, em 1972. Lyon atribuía alguns de seus comportamentos mais erráticos ao fato de ser maníaco-depressiva, condição tratada com lítio.

Um bom exemplo é seu terceiro casamento, que em 1973 a uniu com um detento de uma prisão de Denver, Gary Adamson, condenado por roubo e assassinato. Lyon conseguiu que a pena dele fosse reduzida, trabalhou como garçonete perto da penitenciária e se divorciou em 1974, quando Adamson voltou a roubar. Ela se casaria outras duas vezes.

Lyon não conseguiu melhores papéis no cinema nem na TV. Sua carreira artística acabou em 1980 com Alligator – O Jacaré Gigante, com Robert Forster, e ela tornou pública a sua retirada em 1986. Durante muito tempo, a atriz renegou Lolita. Em 1997, quando estreou a nova versão de Adrian Lynne, ela disse à Reuters: “Estou horrorizada com a ideia de que querem ressuscitar o filme que causou minha destruição como pessoa”.

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