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Dallagnol enfrenta Toffolli em defesa da Lava Jato.

ARTIGO DA SEMANA

Toffolli x Dallagnol: Lava Jato e empresas, polêmica em linhas tortas

Vitor Hugo Soares

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffolli, qual um alquimista atrapalhado, errou na dose ao propor, na entrevista ao Estadão, a retomada do debate jurídico, político, econômico e ético sobre o impacto da maior e mais exemplar operação de combate a corruptos e corruptores do País, no âmbito das empresas. Foi infeliz , principalmente, no uso das adversativas e nas comparações e referências a grupos que antes pareciam sólidos e inabaláveis impérios de negócios que, sem o “combustível” da propina e “arranjos” com dinheiro público, desabam igual castelos de areia. A deduzir pela primeira e mais contundente reação, disparada pelo procurador federal que coordena a força-tar efa da L ava J ato, em Curitiba, Deltan Dalagnoll, o chefe do Poder Judiciário colherá outros resultados indesejados e opostos aos que ele provavelmente esperava.

É imperioso recorrer, outra vez, ao pensamento de Ulysses Guimarães, saudoso esgrimista referencial da palavra, criador de poderosas imagens – signos sobre questões de princípios. Frases e visões ditas ou expostas em outro tempo e em diferente contexto histórico, mas que seguem atuais nestes dias encardidos de quase fim de 2019. Dizia então, o cérebro e guia maior da Constituição de 1988, citando o filósofo espanhol Ortega y Gasset: “A pior das crises é a do dicionário. É a que infelicita o Brasil”. Ulysses dizia e fazia muito mais, em palavras e comparações merecedoras de registr o e releitura, a exemplo do  trecho do discurso que ele fez, da janela da antiga sede do MDB em Salvador, em noite histórica comemorativa do 13 de Maio, na Praça do Campo Grande, ocupada por tropas da PM, com seus fuzis de baionetas caladas e cães enfurecidos. Tudo está registrado no livro “Rompendo o Cerco”, de (re)leitura mais que recomendável agora.

Para efeito deste artigo sobre a entrevista exclusiva de Toffolli, seguida de descarga da metralhadora verbal de Dallagnol, a breve citação acima é suficiente. O nó da discordância e da polêmica está, principalmente, na parte em que o entrevistado assinala que “a Lava Jato foi muito importante, desvendou casos de corrupção, colocou pessoas na cadeia, colocou o Brasil em uma outra posição do ponto de vista do combate à corrupção”… Mas a seguir dispara ressalvas e faz comparações discutíveis. Do tipo “o cabra é bom, mas não presta”, como se diz nas barrancas do meu São Francisco, quando se quer desqualificar alguém ou alguma coisa.

“Mas (a Lava Jato) destruiu empresas. Isso jamais aconteceria nos Estados Unidos. Jamais aconteceu na Alemanha”, completou o presidente do Supremo, avançando além da curva em questão tão delicada quanto explosiva. A deixa para o chefe da força-tarefa da Lava Jato jogar fósforo aceso na nitroglicerina pura espalhada no ambiente, ao sair em defesa do Ministério Público. No Twitter ele rebateu na lata: “Dizer que a Lava Jato destruiu empresas é uma irresponsabilidade. É fechar os olhos para o fato de que a operação vem recuperando, por meio de acordos, mais de R$ 14 bilhões. Não é a Lava Jato que destrói empresas, mas a opção de seus donos pela corrupção, punida com a devida aplicaçã ;o da le i”, contestou Dallagnol. Precisa desenhar?. A polêmica promete segui acesa e com novos personagens, de um lado e do outro da questão. Até que o tempo, senhor da razão, dê seu o veredicto.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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