Javier Melero publicou um livro sobre o ‘procés’ catalão equânime, saudável e simpático que lembra, acima de tudo, as coisas que compartilhamos e que existe um território no qual podemos ser amigos

Fernando Vicente

Na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México), um amigo me deu de presente um livro dedicado ao procés independentista e eu lhe disse que estou farto do assunto e que parei de ler as notícias a respeito desde que o Tribunal Supremo proferiu a sentença de condenação àqueles que pretenderam emancipar a Catalunha da Espanha, violando assim a Constituição. “Não é o que você imagina”, insistiu. “O autor é anti-independentista, e ainda assim defende Joaquim Forn. Garanto que te interessará.”

Comecei a folhear El Encargo (A encomenda), de Javier Melero, naquela mesma noite, certo de que ficaria entediado na segunda página, mas duas horas depois eu ainda estava lendo. E continuei dois dias depois, no avião que me levava à Guatemala, onde a quantidade de compromissos me impediu de prosseguir com a leitura, mas eu o terminei na viagem para Miami. E agora o recomendo especialmente aos leitores que estão cansados de ouvir falar do procés catalão. O livro de Melero se ocupa disso, é claro, mas de uma maneira tão livre, sem pré-julgamentos, com tanta graça e personalidade, e com um espanhol tão preciso, que não desperdiça nada.

Quem é Javier Melero? Pelo visto, um ilustre criminalista catalão, que lecionou na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, e participou de estudos de renome internacional. Mas, acima de tudo, é um escritor agradável e espirituoso, divertido e feroz, que conta com total simplicidade as coisas relacionadas ao movimento independentista e ao julgamento resultante, sem lhes dar muita importância, convencendo seus leitores de que elas não tinham mesmo, pois tudo isso faz parte dos disparates históricos espanhóis, de muito barulho por nada.

É contra o independentismo, de fato, mas sem paixão e até com certo tédio, porque detesta todas as coisas que tenham a ver com hinos e bandeiras e, por exemplo, chama seus amigos independentistas, numa provocação, de “os mártires do processo” e coisas ainda piores. Mas não é menos severo com os chamados espanholistas e, em geral, seus tiros mais mortíferos vão contra os seres apaixonados e os militantes de qualquer coisa, porque turvam a vida e nos afastam das coisas agradáveis que ela tem, como os cigarros, o boxe, os filmes, os livros, o dry martini e uma boa refeição. Seus amigos abarcam toda a arena ideológica e, por exemplo, entre os adversários da independência catalã figura ninguém menos que Arcadi Espada, com quem janta no livro e, além disso, assina um manifesto de solidariedade quando a Generalitat tenta processá-lo por um artigo.

Ele me lembra muitos aqueles intelectuais catalães que conheci em Barcelona, nos anos em que morei lá, entre 1970 e 1974, muito cultos e modernos, um tanto frívolos, sempre irônicos e sofisticados, que, na mesma linha de Josep Pla, não acreditavam em nada e zombavam de tudo, exceto talvez da cultura. Desapareceram subitamente quando o punhado de independentistas se multiplicou e começou a encher as ruas e avenidas da Cidade Condal. Fico satisfeito que pelo menos um deles esteja vivo e escrevendo, pois constituíam uma espécie que alegrava a vida, lhe injetava ideias e atitudes divertidas, retirava as letras e as artes das academias e seminários e as ventilavam nos cafés, nos bares e nas discotecas.

O livro de Melero se passa dentro do julgamento do procés, mas, em vez de atentar para o essencial que ali transcorre, concentra-se felizmente nas minúcias e insignificâncias marginais, como as roupas usadas por promotores, juízes, advogados e testemunhas, e as caras que fazem nos momentos mais graves, bem como as conversas que os ocupam nos intervalos, e tudo isso com uma engenhosidade tão sutil e pertinente que, de uma maneira difícil de definir, mas inequívoca, traz à luz tudo o que o famoso procés gostaria de ocultar. Suas caracterizações de personagens são memoráveis e resgatam ou sepultam pessoas de ambos os lados. Ele se interessa pelas roupas e a elegância, a seriedade e o sorriso nos rostos, a maneira como se expressam, suas piadas e seu mau-humor e suas transformações ao dar seu depoimento perante o tribunal. Uma sociedade pitoresca por inteiro aparece ali, na qual há pessoas sérias, eminentes, e os idiotas costumeiros, contra os quais costuma ser implacável, porque, entre todos os horrores deste mundo, o que Javier Melero não tolera é a estupidez dos humanos, por exemplo, a das testemunhas que, sem se dar conta, dão depoimentos que favorecem seus adversários.

Sem dúvida, ele se interessa por sua profissão, porém, mais do que para elevá-las às grandes causas – o Estado, a Liberdade, a Democracia – e sim como um jogo arriscado e sutil, no qual o talento, ou seja, o conhecimento, o esforço, o manejo das armadilhas, determina a vitória ou a derrota. Não vê problema em traçar uma linha de defesa de seu cliente que não coincida necessariamente com a dos advogados dos outros réus, mas procura, na medida do possível, não interferir na deles, embora às vezes isso aconteça, o que se há de fazer?

Conhece tanto Madri como Barcelona, sua cidade, que, em um momento surpreendente do livro, extrai dele algumas frases sentimentais, aquele cantinho da Diagonal onde passou a infância, um lugar onde todas as lojas fracassavam e agora é um recanto tão movimentado e de sucesso como a Quinta Avenida ou a Champs Elysées. Em Madri, vai ao Retiro e conhece a história dos grandes edifícios, quem os construiu e quando, e os bons menus das tascas mais escondidas. Deve ter pulmões revestidos de nicotina, mas não se envergonha em absoluto do prazer de fumar, e do boxe não apenas conhece de cor todas as vidas e lutas dos grandes pugilistas, mas também dá e recebe socos periódicos boxeando na academia que frequenta. Os filmes que cita são todos de grande qualidade, e também os livros, mas pode-se dizer que aqueles lhe interessam mais que estes. Talvez eu esteja enganado, porque não escreveria tão bem se fosse assim: todos os bons escritores são ávidos leitores.

A ironia costuma ser uma faca de dois gumes, uma maneira de dar menos importância àquilo de que se fala, de reduzir a mordacidade ou o veneno que contém, mas em Javier Melero é simplesmente um modo de se expressar, algo que faz parte de seu ser, e por isso nos parece natural e inevitável, um modo de ver as coisas, de descobrir o que há nelas e nas pessoas mais secretas, de esquadrinhá-las como fazem as máquinas hospitalares. E, também, de verter sobre elas uma corrente de simpatia, de amizade, algo que, acima ou abaixo das diferenças, as aproxima e irmana.

El Encargo é um desses raros livros, principalmente em nossa época, que levanta o moral, que não escamoteia as grandes diferenças que separam as pessoas em questões religiosas, políticas ou de gostos e costumes, mas nos faz recordar, sobretudo, as coisas que compartilhamos, e que, acima das diferenças, há um vasto território no qual podemos nos entender e até nos tornarmos amigos e amar-nos. Fazia muito tempo que não lia um livro tão equânime, saudável e simpático. Estes adjetivos teriam feito mergulhar na ignomínia qualquer livro que caísse em minhas mãos há alguns anos. Mas o de Melero me fez refletir e me convenceu de que também um livro bom pode ser uma excelente literatura.

“I`ll Be Seeing You”, Peggy Lee :Cinematográfica canção composta por Sammy Fain e Irving Kahal, imortalizada na voz de Sinatra quando crooner da orquestra de Tommy Dorsey, aqui em envolvente e também marcante interpretação de uma diva da música norte-americana.Confira.

BOM DOMINGO

(Vitor Hugo Soares)

dez
15
Posted on 15-12-2019
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Ao deixar o Palácio da Alvorada, neste sábado, Jair Bolsonaro falou sobre a proposta de indulto natalino deste ano, formulada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que não incluiu policiais presos, como noticiamos mais cedo.

Bolsonaro deixou claro que os policiais serão incluídos no texto, que ainda não passou por sua aprovação

“O indulto não é para determinada pessoa, mas pelo tipo de crime pelo qual ela foi condenada. Vai ter policial, sim. Civil e militar, tudo lá”, disse.

E mais:

“Não é justo. Tem policial que está preso por abuso porque deu dois tiros em um vagabundo de madrugada. Estava cumprindo sua missão. Não podemos continuar criminalizando policiais que fazem excelente trabalho. […] Ou tem indulto para todo mundo ou não tem para ninguém. Quem assina sou eu.”

dez
15
Posted on 15-12-2019
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A pirralha raivosa e os patriarcas

Greta provoca-os sobre como ousam ocupar o poder e ignorar o justo para a humanidade

Greta Thunberg em discurso na COP 25 em Madri.
Greta Thunberg em discurso na COP 25 em Madri.Andrea Comas
 

O presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro a ventilar seu ressentimento à menina Greta, “é só uma pirralha”, disse ele. Trump retrucou “Greta precisa controlar sua raiva”. Parece ser mesmo insuportável aos patriarcas olhar uma menina miúda, de olhos firmes, e serem obrigados a silenciar-se diante de um “how dare you?”. A pergunta não é sobre como eles ousam desqualificá-la pela juventude, pelo gênero ou pela deficiência — é mais abstrata e impessoal: Greta provoca-os sobre como ousam ocupar o poder e ignorar o justo para a humanidade.

Greta ousou tanto que está na capa da prestigiosa revista Time — é a pessoa do ano. Há quem a descreva como líder, personalidade ou ativista. O melhor de todos os títulos é exatamente o mais simples: é a pessoa do ano para o mundo. Uma pessoa “com uma mensagem”, como ela mesma se define. Mas a política não é um espaço plural para as mulheres, e menos ainda para as meninas com deficiência. Desqualificar o pensamento de Greta é um gesto naturalizado pelo capacitismo entranhado na misoginia: uma menina com autismo não pode ser alguém com ideias razoáveis. Por isso, até mesmo o título pessoa lhe é espoliado pela deficiência — a pessoa com deficiência é reduzida ao que falta ou excede em seu corpo. No seu caso, o autismo ameaça a legitimidade de apresentar-se em público sem sofrer desqualificações pela juventude ou pela neurodiversidade.

Gente bem-intencionada repete o coro de que Greta seria uma marionete, uma alegoria para a participação de jovens na política de adultos. É verdade que Greta não é uma cientista de jaleco branco com publicações internacionais sobre os efeitos do aquecimento global. É só uma menina que fincou os pés na porta do parlamento sueco em greves sistemáticas da escola. “Algumas pessoas dizem que eu deveria estudar para ser uma cientista climática, pois poderia ‘resolver a crise climática’. Mas a crise climática já foi solucionada”, diz ela, em um sarcasmo sobre seu lugar de mensageira da certeza — se não há dúvidas científicas sobre a crise climática, o que faltam são mensageiras do jargão científico. Ela é uma delas.

Se rejeitar o título de marionete a aproxima da experiência de outros jovens engajados em questões políticas, Greta enfrenta uma jornada muito particular de desqualificação: é interpelada pela deficiência. Sua resposta ao ódio capacitista é apropriar-se do diagnóstico médico do autismo como uma “dádiva”, uma singularidade existencial que movimenta seu estranhamento sobre o senso de normalidade do mundo. Acompanhá-la exige um descentramento de quem se sente interpelado por ela: sua epistemologia é binária, seus discursos são breves como seu senso de urgência, suas alegorias sobre a crise climática seguem seus sentimentos de finitude do planeta. Os que rejeitam ou se sentem incomodados pela interpelação de Greta se unem e, em coro, esbravejam “pirralha raivosa”.

Como Greta, nós também acreditamos que “vivemos em um mundo estranho”. Para nós, o mais estranho é que a rejeição ao debate político não se dá por argumentos, mas por “cancelamento” ou “apagamento” de pessoas. Há uma personificação do ódio — é a menina com deficiência que se torna o alvo de quem ignora a crise climática. O mesmo ocorre com defensores de causas feministas, anti-racistas ou de direitos humanos — são pessoas ameaçadas por ousarem desafiar a normalidade de uma ordem política desigual. O cancelamento dos mensageiros da democracia é uma das características do esvaziamento do político pelo ódio e, mais temerosamente, como diria Hannah Arendt, um forte sinal de fumaça das políticas fascistas de banalidade do mal.

Debora Diniz é brasileira, antropóloga, pesquisadora da Universidade de Brown.

Giselle?Carino?é argentina, cientista política, diretora da IPPF/WHR.

Por G1 BA

Duas das vítimas da chacina no bairro Jardim Santo Inácio são enterradas neste sábado

O sobrevivente da ação que deixou quatro motoristas de transporte por aplicativo mortos em Salvador conseguiu escapar dos criminosos depois que uma das vítimas lutou com eles durante o ataque. A informação foi divulgada por familiares dos motoristas, que conversaram com o sobrevivente. O homem ainda não falou com a imprensa.

Segundo os relatos, o motorista que reagiu à ação foi Genivaldo da Silva Félix, de 48 anos. Ele foi o último a cair na emboscada dos criminosos, após aceitar uma corrida que tinha como ponto de partida a Rua do Nepal, no bairro de Jardim Santo Inácio. Todas as outras vítimas foram atraídas para o mesmo local, uma a uma. Após a luta, o motorista foi assassinado pelos criminosos com golpes de facão, com os colegas. O crime ocorreu na sexta-feira (13).

 
Polícia prende suspeito de matar motoristas de aplicativos na periferia de Salvador

Polícia prende suspeito de matar motoristas de aplicativos na periferia de Salvador

Os mortos são:

  • Sávio da Silva Dias, de 23 anos
  • Alisson Silva Damasceno, de 27 anos
  • Daniel Santos da Silva, de 31 anos
  • Genivaldo da Silva Félix, de 48 anos
 

Sávio da Silva Dias, Alisson Silva Damasceno, Daniel Santos da Silva e Genivaldo da Silva Félix foram mortos em Salvador — Foto: Arte G1 Sávio da Silva Dias, Alisson Silva Damasceno, Daniel Santos da Silva e Genivaldo da Silva Félix foram mortos em Salvador — Foto: Arte G1

Sávio da Silva Dias, Alisson Silva Damasceno, Daniel Santos da Silva e Genivaldo da Silva Félix foram mortos em Salvador — Foto: Arte G1

O sobrevivente foi identificado como Nivaldo Santos Vieira, de 40 anos. Ainda segundo familiares das outras vítimas, o homem teria pulado em um barranco e se escondido na lama para conseguir despistar os criminosos, que perseguiram ele depois da fuga. Foi Nivaldo que acionou a polícia e passou a localização do local do crime.

No lugar, foram encontrados os corpos dos motoristas. Eles estavam enrolados em lonas de plástico. No mesmo bairro, três carros que seriam dos motoristas foram localizados. Um outro veículo foi achado no pedágio da cidade de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Não há informações sobre o quinto carro.

Em entrevista à TV Bahia, a esposa de Genivaldo da Silva Félix, a enfermeira Paula Bispo da Conceição, revelou também o relato do sobrevivente de que, durante a confusão, o marido dela teria dito aos criminosos que não aceitava morrer daquele jeito, e que, por isso, lutou com os homens.

“Segundo o relato do que sobreviveu, ele disse que só sobreviveu porque o coroa, como ele relatou, que é o meu marido, que era o mais velho, que não aceitava, sabia que ia morrer, e aí começaram a entrar em luta corporal, e mandava o outro correr. E aí o outro conseguiu fugir. Ele lutou, mesmo sabendo que ali não ia ter volta. Mas ele não queria aquilo ali pra mais ninguém. Ele não queria aquilo ali que ele estava sofrendo, e todos aqueles que já estavam mortos, para os outros”.

 

Crime aconteceu no bairro de Santo Inácio, em Salvador — Foto: Reprodução/ TV Bahia Crime aconteceu no bairro de Santo Inácio, em Salvador — Foto: Reprodução/ TV Bahia

Crime aconteceu no bairro de Santo Inácio, em Salvador — Foto: Reprodução/ TV Bahia

Para Paula, se não fosse a fuga, os criminosos fariam mais vítimas na ação. “Se ele não luta para o outro fugir, ia ser muito mais gente morta. Com certeza. Porque não é possível que eles [criminosos] iam parar”.

A enfermeira contou ainda que o marido atuava como motorista de aplicativo para complementar a renda familiar, e tinha saído de casa feliz na sexta-feira para trabalhar. A família pede justiça.

“Meu marido saiu de casa feliz para complementar o pão de casa. Ele trabalhava nisso para ter uma renda melhor, para complementar a renda dele. E não deixaram ele voltar para casa por pura crueldade. Só fizeram crueldade. Aquilo que fizeram foi um massacre. É crueldade demais para um ser humano que não fez nada a eles. Nenhum deles ali fez nada”.

Neste sábado (14), a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que um dos suspeitos do crime morreu em confronto com policiais militares na noite da sexta-feira, com um outro homem, que não tem relação com o caso. Os nomes dos dois não foram divulgados. Com eles, segundo a SSP, foram apreendidos dois revólveres, sendo um calibre 38 e um calibre 32.

 

Duas vítimas foram enterradas neste sábado (14), em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia Duas vítimas foram enterradas neste sábado (14), em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

Duas vítimas foram enterradas neste sábado (14), em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

Na manhã deste sábado, foram enterrados Sávio da Silva Dias e Daniel Santos da Silva. Os sepultamentos foram realizados no cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação, na capital baiana. Dezenas de familiares e amigos das vítimas participaram das cerimônias, sob forte comoção.

Em entrevista à reportagem da TV Bahia durante o enterro, uma prima de Sávio disse que a família está arrasada, e também pediu justiça.

“Nossa família está destruída, porque foi um jovem de 23 anos que teve a sua vida ceifada desta forma brutal. Ele foi torturado, e é isso que nós não estamos aceitando. Se fosse uma morte natural, talvez nós estivéssemos aceitado, mas uma morte brutal dessa forma nós não aceitamos. É por isso que toda família quer só justiça. A palavra que nós queremos é somente justiça”, contou Fátima Nascimento.

Genivaldo da Silva Félix foi enterrado durante a tarde, no município de Laje, a cerca de 230 km de Salvador.

Já Alisson Silva Damasceno vai ser sepultado na cidade de Camamu, no baixo sul baiano. A família não informou a data do sepultamento.

Áudios nas redes sociais

Em áudios que circulam entre motoristas de aplicativos, um homem que seria o sobrevivente da chacina fala sobre os momentos de pânico que viveu. A polícia, no entanto, não confirma procedência do material.

“Tava amordaçado na boca com fio de… com fio de internet. Os pés amarrados e as mãos amarradas, irmão. Os caras falaram que era sexta-feira 13, que tinha que matar com ade, que tinha que derramar sangue”, diz o homem em um áudio.

“Não tinha a necessidade deles matarem ninguém, velho. Só levou tudo para não ter necessidade. Mataram quatro pais de família. Os caras queriam matar de qualquer jeito, velho”, diz o homem em outra parte.

Carreata

 

Motoristas fizeram carreata na Bonocô, em Salvador — Foto: Isabela Cardoso/G1 Motoristas fizeram carreata na Bonocô, em Salvador — Foto: Isabela Cardoso/G1

Motoristas fizeram carreata na Bonocô, em Salvador — Foto: Isabela Cardoso/G1

Na tarde da sexta-feira, poucas horas após o crime, motoristas de aplicativos fizeram uma carreata pelas ruas de Salvador para pedir mais segurança.

Segundo informações da Superintendência de Trânsito (Transalvador), o ato, que durou cerca de 4h, travou importantes vias da cidade, como Bonocô, Avenidas Paralela, Tancredo Neves e Luís Eduardo Magalhães, e também deixou o trânsito congestionado no Centro.

O que diz a 99 na íntegra

“A 99 lamenta profundamente esse terrível caso de violência, que resultou na morte de quatro pessoas.

A empresa informa que Sávio da Silva Dias e Daniel Santos da Silva não estão cadastrados na plataforma como condutores. Os motoristas Alisson Silva Damascena dos Santos e Genivaldo da Silva Félix eram parceiros da 99 e foram vítimas deste triste crime.

A companhia se solidariza com a família das vítimas nesse momento de profunda dor. A 99 mobilizou uma equipe especializada que está buscando contato com as famílias para dar todo o apoio e acolhimento necessários, o que inclui o acionamento de um seguro pessoal que cobre todas as corridas do aplicativo. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações da polícia”.

O que diz a Uber na íntegra

“A Uber lamenta profundamente o crime brutal e chocante ocorrido em Salvador e se solidariza com os familiares e entes queridos das vítimas nesse momento de consternação.

A empresa está em contato direto com as autoridades responsáveis para apoiar nas investigações do caso”.

dez
15
Posted on 15-12-2019
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Sponholz, no

 

dez
15
Posted on 15-12-2019
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Planos de corte de emissões mais duros em 2020 e os mercados de carbono dividem os 200 países reunidos em Madri

 
Um dos pavilhões da Cúpula do Clima no sábado.
Um dos pavilhões da Cúpula do Clima no sábado.Álvaro García

Os representantes dos quase 200 países reunidos na Cúpula do Clima em Madri, que deveria ter acabado na sexta-feira, continuam tentando chegar a um acordo para dar por finalizada essa acidentada reunião. Ainda que seja realizada na Espanha a COP25 – como é conhecida a cúpula da ONU – é presidida pelo Chile, que precisou renunciar à sua realização em Santiago pelos protestos e mobilizações.

A ministra chilena do Meio Ambiente, Carolina Schimdt, que exerce a presidência da COP25, multiplicou as reuniões com os países para impedir que a cúpula fracasse. Mas os obstáculos continuam impedindo esse acordo. Por um lado, tenta-se encaixar o pedido que deve ser feito aos países para que apresentem planos de corte de emissões mais duros em 2020. Mas nesse ponto existe uma divisão evidente. De um lado estão a UE e muitos Estados – vários latino-americanos, como a Colômbia – que apostam em pedir mais ambição contra a mudança climática e pedir a todos os Estados que revisem para cima seus planos de luta contra o aquecimento em 2020.

Do outro lado, estão a China, a Índia e alguns países africanos e produtores de petróleo que preferem que a declaração final incida mais no que não foi feito em relação à adaptação; basicamente, criticam os países desenvolvidos que não contribuem o suficiente com os que estão em vias de desenvolvimento para que possam adaptar-se aos impactos negativos da mudança climática. A presidência da COP tentou conciliar essas duas posturas nos rascunhos que preparou. Mas esses textos foram criticados pelas ONGs.

“É completamente inaceitável”, afirma Jennifer Morgan, diretora do Greenpeace, sobre a proposta da presidência chilena, que inclui um leve pedido aos países para que endureçam seus compromissos de corte de emissões. “Nunca vi uma desconexão tão grande entre a ciência e o que pede a população e os negociadores de uma cúpula”, diz Alden Meyer, membro da União de Cientistas Preocupados.

O outro enorme entrave é a negociação sobre os mercados de carbono, um assunto que tem importantes implicações econômicas aos Estados e às empresas.

Já com o relógio correndo a toda pressa, a ministra Carolina Schmidt convocou uma reunião a portas fechadas – e à qual os agentes de segurança da ONU sequer deixaram que alguém se aproximasse do perímetro da sala em que ocorre – os ministros e principais representantes da UE, China, Índia, Austrália, Brasil, Arábia Saudita e Japão para tentar acertar um pacto. Em um extremo dessa negociação está a UE, que diz não estar disposta a aceitar um pacto que não fixe regras rígidas e seguras para garantir que esses tipos de mercados não se transformem em uma peneira de projetos pouco claros e de dupla contabilidade das emissões de efeito estufa que economizem com esse mecanismo. Do outro lado, estão a China, Índia, Austrália e Brasil, que têm muitos direitos de emissão acumulados desde o Protocolo de Kyoto, o pacto que será substituído pelo Acordo de Paris, aos que querem dar saída a partir de 2020.

Essa reunião a portas fechadas incomodou muitos outros países que não tiveram acesso permitido. E, à medida que avançam a noite e o final de semana sem um acordo, cresce o mal-estar com a presidência chilena pela gestão das negociações.

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