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ARTIGO

 

Um admirável santuário de jumentos

Com as lembranças derrapando nas curvas dos baleados neurônios, confesso que deveria ter seguido o conselho de Mr. Hemingway, que dizia que todo escritor tem de anotar suas ideias, pois a memória é curta. Muitos fazem isso, como Ignácio de Loyola Brandão, que aos 83 continua consultando seus caderninhos quando reminiscências rateiam, ou Milton Hatoum, que usou anotações da década de 60 em seu último romance.

Mas ninguém supera Ruy Castro, que não larga sua Bic preta e uma cadernetinha nem na hora de dormir. A propósito, ele conta que certa noite acordou com ideias do balacobaco e aí começou a anotá-las no escuro. No dia seguinte, ao correr pra vê-las, não havia nada escrito simplesmente porque se esquecera de destampar a caneta.

Pois bem, isso tudo é só pra dizer que este quase amnesiado escriba agora também anota umas coisinhas soltas, que é pra facilitar o esparramar destas que seguem. Simbora.

Final de novembro, madrugada morna e sem vento, eis que meu amigo João Pedro Pitombo saca de seu alforje de jornalista ligeiro uma pérola desses novos tempos, e a crava bem no meio da capa da Folha de São Paulo. “Promotoria Impõe Cardápio Vegano em 154 Escolas Municipais da Bahia” é o mote do assunto, seguido de uma foto com uma criancinha olhando o fundo de sua caneca, como quem diz: “que gororoba dos diabos é essa que consegue ser pior do que a outra?”.

Imposta pela promotora Leticia Baird (vegana e defensora da causa) sob a alegação de promover uma dieta sustentável, quase 32 mil alunos acostumados na sustança do bode com cuscuz agora saboreiam um cardápio composto de: mingau de leite de amendoim com aveia, tabule de legumes, escondidinho de soja e, como pièce de résistance, uma suculenta feijoada vegana, na qual as carnes foram trocadas por pedaços de coco seco, fato que deve levar alunos pouco alfabetizados a associar o seu sabor ao significado que teria o fruto se tivesse um circunflexo no segundo “o”.

Por falta de espaço, não falarei da perseguição do capitão Jair ao jornal que me proporcionou estas linhas; nem dos comentários do novo presidente da Funarte, dizendo que o rock ativa o aborto; tampouco do negão Sérgio Nascimento, novo presidente da Fundação Palmares que, talvez daltônico, deve se achar o albino Hermeto.

Finalizo com uma notícia que me enche de esperanças. Trata-se da criação de um santuário de jumentos na fazenda de Thereza Bittencourt, professora do curso de veterinária da UFBA. Em princípio destinado apenas a asnos de quatro patas, nada impede um cercadinho vip pra receber essa gente que vive relinchando absurdos, além de uma bela suíte presidencial onde, por ordem da promotora, o cardápio será um misto de alfafa fofa e capim vegano, com toques de coco (ops!) mole. “Use a colher, Carluxo!”.

“Listen To Your Heart”, Roxette: De Luana Câmara, no Youtube:” é uma canção escrita por Per Gessle e Mats M.P. Persson para Look Sharp! (1988), o segundo álbum de estúdio da banda sueca Roxette. A canção foi lançada como o terceiro compacto simples do álbum e atingiu êxito na Billboard Hot 100, onde atingiu a primeira posição na semana de 4 de novembro de 1989, se tornando o segundo número um da banda nos Estados Unidos. Também atingiu a primeira posição no Brasil, se tornando o primeiro número um da banda no país”…

SAUDADES!!!

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

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Ouça seu coração enquanto ele está chamando por você
Ouça seu coração, não há nada mais que você possa fazer

Eu não sei para onde você está indo
E eu não sei por quê
Mas ouça seu coração antes que você diga adeus

 

Por Mariana Oliveira e Rosanne D’Agostino, da TV Globo e do G1 — Brasília

A Procuradoria Geral da República denunciou nesta terça-feira (10) quatro desembargadores, três juízes de primeira instância e mais oito pessoas suspeitas de envolvimento em suposto esquema de vendas de sentenças relacionadas à grilagem de terras no oeste da Bahia.

Eles foram acusados dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O caso é apurado na Operação Faroeste. Por decisão do relator do caso no Superior Tribunal de Justiça, ministro Og Fernandes, seis magistrados já estão afastados de seus cargos.

Agora, caberá a Og Fernandes notificar os acusados para apresentarem defesa e depois levar à denúncia à Corte Especial do STJ, que decidirá se eles viram ou não réus em uma ação penal. Não há prazo para isso. Veja os denunciados:

Desembargadores

  • Maria da Graça Osório Pimentel
  • José Olegário Monção Caldas
  • Maria do Socorro Barreto Santiago
  • Gesivaldo Nascimento Britto

Juízes de Primeira Instância

  • Sérgio Humberto de Quadros Sampaio,
  • Marivalda Almeida Moutinho
  • Márcio Reinaldo Miranda Braga

Supostos operadores e beneficiados

  • Antônio Roque do Nascimento Neves
  • Júlio César Cavalcanti Ferreira
  • Karla Janayna Leal Vieira
  • Adailton Maturino dos Santos
  • Márcio Duarte Miranda
  • Geciane Souza Maturino dos Santos
  • José Valter Dias
  • Joílson Gonçalves Dias

Segundo a denúncia, há indícios da existência de uma organização criminosa que operou entre 2013 e 2019, e que tem como principal operador Adaílton Maturino dos Santos.

A acusação afirma que eles atuaram para venda de sentenças e outros crimes que tinham como propósito permitir a grilagem de terras no oeste do estado baiano.

O G1 tentou contato com os advogados dos envolvidos na denúncia da PGR, mas não conseguiu falar.

Outras pessoas que não foram denunciadas seguirão sendo investigadas, segundo a PGR.

 
PF afasta magistrados por suspeita de vender sentenças no TJ da Bahia

PF afasta magistrados por suspeita de vender sentenças no TJ da Bahia

Nota da defesa de desembargadora

Leia abaixo íntegra de nota divulgada pela defesa da desembargadora Maria do Socorro:

A defesa da desembargadora Maria do Socorro está analisando a denúncia oferecida pelo MPF. Porém, todos os esclarecimentos serão prestados por ocasião do contraditório que se estabelecerá com resposta nos termos da Lei 8.038/90. De outro lado, uma vez oferecida a denúncia nada mais justifica a prisão preventiva da acusada porque não subsistem mais os fundamentos da custódia cautelar, sendo desnecessária a medida extrema nesse momento processual.

DO EL PAÍS

Em discurso de posse, novo presidente argentino promete relação “ambiciosa, criativa e fraternal” com o Brasil

 Enric González
Alberto Fernández e Cristina Kirchner.
Alberto Fernández e Cristina Kirchner. Amilcar Orfali (Getty Images)

O presidente Alberto Fernández tomou posse nesta terça-feira fazendo uma descrição dramática da situação na Argentina. Disse assumir o governo de um país “praticamente em moratória” e “com 40% da população em situação de pobreza”, e em referência à dívida, lançou uma mensagem transparente: “O país tem a vontade de pagar, mas não tem recursos para isso”. A crueza empregada para falar da crise econômica contrastou, por outro lado, com o tom conciliador do seu discurso de posse. Perante as duas câmaras do Congresso e numerosos convidados estrangeiros, Fernández fez um apelo à fraternidade e a “superar o muro do rancor e do ódio” na política. “Quero ser o presidente que escuta, o presidente do diálogo.” Sobre o Brasil especificamente, disse, ainda no tom conciliatório, que quer construir uma agenda “ambiciosa, inovadora e criativa em temas de tecnologia, produção e estratégia, que esteja respaldada pela irmandade histórica de nossos povos que é mais importante que qualquer diferença pessoal de quem governa“. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro não foi à posse, e enviou seu vice, Hamilton Mourão.

A posse do novo presidente argentino refletiu um fato importante: diferentemente de outros países latino-americanos, e apesar do drama econômico e social, a Argentina goza de uma saudável normalidade institucional. Alberto Fernández entrou no plenário, onde se reuniam deputados e senadores, empurrando a cadeira de rodas da vice-presidenta em final de mandato, Gabriela Michetti, que é paraplégica. Foi um gesto simples, mas que conferiu humanidade à cerimônia. Depois Mauricio Macri, entregando a faixa e o cetro presidenciais, teve que suportar que a nova maioria cantasse aos brados a Marcha Peronista, e que sua velha rival, a vice-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, lhe oferecesse um cumprimento gélido. O agora ex-presidente soube se despedir com elegância. Nestes tempos, isso é muita coisa.

Fernández recordou, por seu tom e suas palavras, Raúl Alfonsín, o presidente que insistiu em receber o bastão de comando (usurpado até então por uma atroz ditadura militar) em um 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Fernández, peronista, iniciou sua carreira política na administração de Alfonsín, um membro da União Cívica Radical pelo qual desde então sente um grande afeto. O novo presidente recorreu a uma conhecida frase de Alfonsín, “com a democracia se come, se cura e se educa”, para expressar seu desejo de que o diálogo caracterize seu mandato. “Se alguma vez me desviar do compromisso que assumi, saiam à rua para me recordá-lo”, pediu. Também utilizou com frequência a fórmula “nunca mais”, muito citada desde que o promotor Julio Strassera a usou para encerrar os julgamentos das Juntas Militares da ditadura.

O peso da dívida

Como primeira medida, Fernández jogou na lixeira o orçamento redigido pelo governo antecessor. Explicou que não era possível fazer projeções econômicas sem antes resolver a questão da dívida, a ser renegociada urgentemente com o Fundo Monetário Internacional e com os credores privados. Trata-se de um problema monstruoso. Sob as atuais condições, em 2020 a Argentina enfrentará vencimentos de mais de 58 bilhões de dólares (232,3 bilhões de reais), 36 bilhões (149,3 bilhões) em 2021, e quase 50 bilhões (207,4 bilhões) em 2022, somando as dívida em dólares e em pesos. “O país tem a vontade de pagar, mas não tem os recursos para isso”, admitiu. “Para poder pagar, primeiro é preciso crescer.” O projeto do governo peronista se centra em conseguir que o FMI adie por dois anos o reembolso da parte principal e dos juros da dívida, para dedicar esses 24 meses a recuperar certa estabilidade e relançar uma economia que não cresce desde 2010.

Fernández proclamou que, paralelamente à renegociação da dívida, sua prioridade seriam os mais desfavorecidos, 40% da população que vive na pobreza, sendo 12% mergulhados na miséria, e advertiu que os mais acomodados deveriam fazer “uma maior contribuição” na forma de impostos. “Seriedade na análise e responsabilidade nos compromissos que assumidos para que os mais fracos deixem de sofrer: sob essas premissas confrontaremos toda a negociação da nossa dívida”, afirmou.

Como mecanismo para regular o funcionamento da economia, com objetivos de longo prazo e com políticas de Estado, anunciou a criação de um Conselho Econômico e Social. Também declarou uma “emergência sanitária” para enfrentar a crise da saúde pública: sob o mandato de Macri, o orçamento da saúde caiu 45%. Comprometeu-se também a dirigir “com absoluta transparência” os recursos das obras públicas (houve pouquíssima transparência nesse âmbito durante o mandato de sua hoje vice-presidenta).

Um presidente peronista é obrigado a oferecer um gesto inaugural de bom populismo, e Fernández suscitou um grande aplauso quando anunciou uma intervenção na Agência Federal de Investigação, cujo histórico recente é sinistro, e a supressão completa de seus recursos reservados – esse dinheiro se destinará ao plano contra a fome. “Nunca mais Estado secreto, nunca mais porões da democracia!”, exclamou.

A espionagem política contribuiu para o descrédito da Justiça argentina nos últimos anos, e nesse terreno o presidente enfrenta um campo minado. Quer promover uma “reforma integral” do sistema federal de Justiça para acabar com “as perseguições indevidas”, os “dossiês contaminados” pelos serviços secretos e os “linchamentos midiáticos”. “Nunca mais uma Justiça que persegue segundo os ventos políticos”, disse – mas terá que fazer isso sem dar a impressão de que seu objetivo se limita a salvar sua vice, imputada por corrupção em numerosos processos.

A ex-presidenta adotou uma atitude discreta ao assumir o novo cargo de vice. O protagonismo foi para Alberto Fernández, que reconheceu a “visão estratégica” de Kirchner ao abrir mão da sua própria candidatura, muito divisora, e entregar-lhe a cabeça da chapa que se impôs rotundamente à dupla Mauricio Macri/Miguel Pichetto nas eleições de novembro.

Alberto Fernández dedicou o trecho final de seu discurso a prometer que lutaria para “erradicar a violência contra as mulheres” (surpreendeu que não mencionasse seu compromisso eleitoral de legalizar o aborto) e acabar com a discriminação por raça, gênero, sexualidade ou qualquer outra razão. Nas primeiras filas aplaudia seu filho Estanislao, de 24 anos, desenhista, funcionário administrativo de uma seguradora e transformista. “Voltemos a ganhar a confiança do outro”, pediu o presidente, antes de relembrar que ao final do seu mandato a democracia argentina completará 40 anos.

“Quero que sejamos recordados por termos conseguido voltar a unir a mesa familiar, por termos sido capazes de superar a ferida da fome, por termos superado a lógica perversa de uma economia que gira ao redor da desorganização produtiva, da cobiça e da especulação”, desejou.

Alberto Fernández concluiu seu pronunciamento com uma alusão a seus pais e com lágrimas nos olhos. Depois de muitas saudações e abraços, se dirigiu no seu veículo particular à Casa Rosada, onde deu posse a seus ministros e acenou do balcão à multidão que, sob intenso calor, lotava a praça de Mayo

dez
11

Por G1

Marie Fredriksson, vocalista do Roxette — Foto: Suvad Mrkonjic / TT via AP Marie Fredriksson, vocalista do Roxette — Foto: Suvad Mrkonjic / TT via AP

 

Marie Fredriksson, vocalista do Roxette — Foto: Suvad Mrkonjic / TT via AP

A sueca Marie Fredriksson, vocalista da dupla Roxette, morreu nesta segunda-feira (9) aos 61 anos, informou seu empresário. Em nota divulgada nesta terça-feira, ele disse que ela enfrentou “17 anos de uma longa batalha contra o câncer”.

Per Gessle, integrante do Roxette, lamentou a morte de Marie em uma mensagem publicada nas redes sociais. “Não tanto tempo atrás, passávamos dias e noites em meu pequeno apartamento compartilhando sonhos impossíveis. Estou honrado de ter compartilhado seu talento e generosidade. As coisas nunca mais serão as mesmas.”

 
 
Roxette: veja top 5 dos hits

Roxette: veja top 5 dos hits

Marie nasceu em 30 de maio de 1958, na Suécia, e iniciou sua carreira quando se tornou amiga de seu então futuro companheiro de banda no Roxette, Per Gessle.

Em 1984, ela começou sua carreira solo e, dois anos depois, uniu-se a Per para a formação do grupo.

O Roxette lançou hits como “Listen to your heart”, “It must have been love”, “Joyride”, “Dressed for success”, “How do you do!”, “Sleeping in my car”, “Dangerous” e “Fading like a flower”.

 
Morre vocalista da dupla Roxette

Morre vocalista da dupla Roxette

Em 2002, Marie foi diagnosticada com um severo câncer no cérebro e passou por um longo tratamento. Em 2009, a cantora fez uma volta gradual aos palcos, seguindo com seus compromissos musicais e encontros com fãs até 2016, quando os médicos lhe pediram para interromper a turnê e se dedicar aos cuidados com a saúde.

Marie era casada com Mikael Bolyos e tinha dois filhos, Josefin e Oscar. Segundo o comunicado, a família pediu respeito neste momento de dor. O funeral da cantora será reservado apenas a familiares próximos.

dez
11
Posted on 11-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-12-2019

Do  Jornal do Brasil

Presidente eleito argentino, Alberto Fernández, convidou para sua cerimônia de posse Jorge Rodríguez, ministro da Venezuela, apesar de decreto que proíbe sua entrada na Argentina.

O convite de Fernández teria sido feito durante uma conversa telefônica entre o mesmo e o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Conforme publicou o portal Infobae, Jorge Rodríguez, ministro da Comunicação e Informação da Venezuela, teve entrada proibida na Argentina após decreto feito pelo presidente argentino Mauricio Macri como uma de suas medidas contra Caracas.

Além disso, Rodríguez figura na lista de cidadãos venezuelanos sob sanções dos Estados Unidos, de acordo com o portal.

“O presidente Maduro depende de seu círculo interno para manter seu controle sobre o poder, enquanto seu regime saqueia o que sobra de riqueza da Venezuela”, declarou Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, ao falar sobre a decisão norte-americana de impor sanções contra o ministro venezuelano Rodríguez, segundo o Infobae.

Decreto vigente

Apesar do convite de Fernández, o decreto de Macri ainda estará vigente durante a cerimônia de posse do novo presidente argentino.

Desta forma, como explicou o portal, Fernández teria duas opções. A primeira seria “remover” o decreto de Macri, uma vez que a equipe do presidente eleito já tem controlado o poder federal. A segunda seria reter Rodríguez no aeroporto até que Fernández seja declarado o presidente em exercício oficialmente.

Para tanto, como teriam dito fontes da administração de Fernández ao Infobae, o presidente eleito optou pela primeira opção, ou seja, permitir que Rodríguez participe da cerimônia de posse, que ocorrerá nesta terça-feira (10), apesar do decreto de Macri.

Desconforto diplomático

Além de Rodríguez, o diretor de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Mauricio Claver, deverá participar da cerimônia a poucos metros do venezuelano.

Segundo o portal, Claver tem se ocupado em coletar informações sobre as atividades de Rodríguez, o que poderia gerar desconforto diplomático durante a cerimônia de posse.(Sputnik Brasil)

Do Jornal do Brasil

 

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

 

GILBERTO MENEZES CÔRTES

A partir da pesquisa Datafolha que apontou avaliação de 36% de ruim/péssimo para o governo Bolsonaro ao fim do 1º ano de gestão, contra 30% de ótimo/bom e 32% de regular, o jornal O Globo fez uma comparação entre a avaliação dos últimos cinco presidentes eleitos do país. Nela, Bolsonaro lidera com a avaliação negativa (ruim/péssimo) de 36%, superando os 34% de Fernando Collor em 1991, FHC e Lula empatam em 25%. Mas a “vitória” é de Dilma, com apenas 6% negativos, em dezembro de 2011.

Entretanto, como ensinou o famoso filme “Blow-up” (1967), de Michelangelo Antonioni, um recorte não mostra o todo, embora nesse recorte possa estar algo surpreendente (no caso do filme, na revelação da flagrante de um beijo num parque londrino, ao ampliar a foto, o fotógrafo descobre um crime).

O critério de só considerar o fim do 1º ano, sem avaliar a aprovação após a reeleição (que aconteceu com FHC, Lula e Dilma), deixa transparecer que Dilma estava bem na fita no seu 2º mandato. Assim como FHC. Mas não era verdade nos dois casos. Com a desastrada desvalorização do real aos 16 dias do 2º mandato, FHC viu sua rejeição saltar para 65% em meados de 1999 e só piorou.

Já Dilma, que era chefe da Casa Civil no 2º mandato de Lula e foi eleita apesar de ser considerada um “poste”, carreou para si a aprovação recorde de 87% registrada por Lula em dezembro de 2010, ao fim do 2º mandato. Isso teve impacto na baixíssima avaliação negativa de 6% no final do 1º mandato (2011), com larga predominância da avaliação de conforto social no governo Lula.

Mas já no fim de 2015 – ano em que a economia teve recessão de 3,5%, a inflação disparou de 6,41% em 2014 para 10,67%, com alta de 18% nas tarifas públicas, sendo de 45% a alta da eletricidade e de 26% dos combustíveis (reduzidos artificialmente ou congelados para garantir a reeleição) a taxa de desemprego saltou de 6,5% para 9%, com o total de desempregados crescendo de 6,3 milhões para 9,2 milhões. Para piorar, a desvalorização de 34% do real diante do dólar fez a renda per capita encolher 27,3%, caindo dos US$ 12.109 de 2014 para apenas US$ 8.880 de 2015.

Os motivos da marcha à ré nas exportações à Argentina

O comércio do Brasil com os países do Mercosul, à frente a Argentina, que responde por mais de 65% das exportações brasileiras para a região, encolheu drasticamente este ano. De janeiro a novembro as vendas ficaram na casa dos US$ 13 bilhões, contra mais de US$ 20 bilhões no mesmo período de 2018.

Por isso, há grande expectativa com a posse amanhã, 10 de dezembro, do novo presidente da Argentina, o peronista Alberto Fernández. Literalmente, após a guinada de 180 graus para a direita, após três mandatos de tendência esquerdista dos Kirchner (Néstor governou de maio de 2003 a 2007, sucedido pela esposa Cristina, eleita em 2008 e reeleita em 2011), sendo sucedida pelo centro-direita Maurício Macri (2015-19), o país que volta à esquerda está em obras. E o exemplo maior é a sede do governo, a famosa Casa Rosada, que passa por ampla reforma estrutural.

Mas o site do jornal especializado “Âmbito Financiero” traz nesta segunda-feira, 9 de dezembro, uma explicação muito prática para se entender porque as vendas de automóveis e demais veículos produzidos pele indústria automobilística brasileira caíram tanto com destino ao país vizinho. No mercado interno as vendas de automóveis dão marcha à ré há 20 meses.

Desde 2015, o dólar – cuja cotação ficou reprimida pelo “cepo” que limitou em US$ 300 as compras mensais dos argentinos – subiu 541%. No mesmo período, a inflação oficial ficou em 160%. Mas o Âmbito explica porque a indústria automobilística local também sofre diante da escalada dos preços das autopeças que importa e perde competição, ante o avanço de 70% do mercado ocupado pelos importados. E a prorrogação de 10 anos do acordo automotivo do Mercosul não deixa a estrada pavimentada para o futuro.

Campeão de vendas no país, o Gol da Volkswagen, também exportado pelo Brasil, ficou 75% mais caro até novembro. De 2015 a 2019, seus preços já subiram 406%. O Renault Sandero ficou ainda mais caro este ano (78%), acumulando 322% desde 2015. Não há poder aquisitivo capaz de manter o consumo inalterado.

Copom vai definir até quando o juro cai

Se na Argentina a expectativa é com os rumos da política econômica que será aplicada pelo novo ministro da Economia Martín Guzmán, no Brasil, aguarda-se o comunicado final do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sobre os rumos futuros das taxas de juros básicas na quarta-feira, 11. Na reunião, é certa a redução da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 5% para 4,50% ao ano. A dúvida é sobre a continuação.

Há duas semanas, antes da preocupante escalada do dólar, desfeita na semana passada, provocar forte alta na carne, com demanda pressionada pelas importações de carne bovina pela China, para suprir parte da perda da produção de carne suína (47% do consumo do país) devido à peste suína africana, o mercado estava confiante que os juros cairiam até 4,25% (aposta do Bradesco) ou 4% (aposta do Itaú), até março de 2020.

Na pesquisa Focus divulgada hoje, o mercado manteve os 4,50% até dezembro de 2020. O Bradesco reafirmou a crença em 4,25%, elevando o PIB de 2019 de 0,90% para 1,20% e o de 2020 de 2,20% a 2,50%. O Itaú manteve a previsão de 2,20% no PIB e 4% de Selic em 2020.

Crescimento da economia pode frear juro

Apesar das pressões na inflação, que atingiu 0,51% em novembro, pelo IPCA, os analistas acreditam que as pressões vão se dissipar (um esfriamento do dólar vai ajudar, ou não). A demanda da China tende a se acomodar e a demanda doméstica por carnes e ovos (elevada pelas festas de Natal) deve refluir passadas as festas e porque a elevação de preços vai comprimir a demanda.

Há quem diga que o fim do campeonato brasileiro, com derrota do campeão Flamengo por 4 a 0 para o vice, Santos, em Vila Belmiro (Santos-SP), pode reduzir a demanda de sucessivos churrascos nos fins de semana pelos rubro-negros. Mas há risco de novo surto se vier o Mundial em Doha, dias 17 e 23…

Um dos motivos para os analistas econômicos não temerem impactos duradouros de surtos inflacionários (a taxa de 2020 foi mantida em 3,60%) é que segue alta a ociosidade da economia, tanto na capacidade instalada da produção dá indústria, comércio e serviços, como do contingente de mão de obra desempregado (apesar da queda recente nos números).

Mas os indicadores da atividade econômica referentes a outubro, que serão divulgados esta semana vão ajudar o Copom a decidir. Na própria quarta, 11, saem dados do comércio do IBGE. No dia seguinte, 12, o instituto divulga dados dos serviços (certamente já de conhecimento do Copom na tarde do dia 11como as pesquisas de comércio (quarta) e de serviços (quinta). Números esses, somados à alta de 0,8% na indústria em outubro, vão balizar o IBC-Br, a proxy do PIB do IBGE, que o Banco Central divulgará na sexta-feira.

O Bradesco está esperando que as vendas de varejo (restrito e ampliado) cresçam 4% frente a 2018. E que o segmento dos serviços avance 0,4% sobre setembro.

Agenda internacional

Do lado internacional, o banco central dos EUA (Fed) irá publicar sua decisão de política monetária algumas horas antes da decisão do Copom, na quarta-feira. Uma nova queda dos juros nos EUA ajudará o Copom a desenhar o cenário para o começo de 2020.

Mas no mesmo dia, serão divulgados os dados de inflação de novembro (que podem determinar cautela ou novo estímulo monetário ao Fed. Na sexta-feira, será conhecido o resultado das vendas de varejo para o mesmo mês.

Na Europa, as eleições gerais antecipadas do Reino Unido estão agendadas para a quinta-feira, que podem determinar mudança no Brexit.

No mesmo dia, o Banco Central Europeu divulga sua decisão de política monetária.

dez
11
Posted on 11-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-12-2019



 

Sponholz, no

 

Por G1

Greta Thunberg muda sua descrição biográfica no Twitter após Bolsonaro chamá-la de 'pirralha'. — Foto: Reprodução/Twitter Greta Thunberg muda sua descrição biográfica no Twitter após Bolsonaro chamá-la de 'pirralha'. — Foto: Reprodução/Twitter

A ativista sueca Greta Thunberg mudou na manhã desta terça-feira (10) a sua descrição biográfica no Twitter para “Pirralha” após declaração do presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro se referiu à Greta como “pirralha” quando foi questionado por jornalistas, nesta terça, se estava preocupado com as mortes de dois indígenas da etnia Guajajara em um atentado ocorrido no sábado (7) no Maranhão (veja no vídeo abaixo).

“A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, pirralha” – Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

 
 
Em conversa com jornalistas, Bolsonaro chamou a ativista Greta Thunberg de 'pirralha'

Em conversa com jornalistas, Bolsonaro chamou a ativista Greta Thunberg de ‘pirralha’

Em seguida, Bolsonaro afirmou que “qualquer morte preocupa” e que seu governo deseja “cumprir a lei”, posicionando-se contra desmatamento e queimadas ilegais.

 
 
A ambientalista Greta Thunberg reagiu a um comentário do presidente Bolsonaro

A ambientalista Greta Thunberg reagiu a um comentário do presidente Bolsonaro

No mesmo dia das mortes, Greta compartilhou um vídeo nas redes sociais sobre o crime e escreveu que os indígenas estavam sendo assassinados ao tentarem proteger a floresta do desmatamento ilegal.

 

Em uma postagem na internet, Greta disse que índios estão sendo assassinados por tentarem proteger a floresta — Foto: Reproduçaõ/Twitter Em uma postagem na internet, Greta disse que índios estão sendo assassinados por tentarem proteger a floresta — Foto: Reproduçaõ/Twitter

Em uma postagem na internet, Greta disse que índios estão sendo assassinados por tentarem proteger a floresta — Foto: Reproduçaõ/Twitter

“Indígenas estão sendo mortos por tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal. De novo e de novo. É uma vergonha que o mundo permaneça calado sobre isso” – Greta Thunberg, ativista

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de mortes de lideranças indígenas em 2019 é o maior em pelo menos 11 anos. Das 27 pessoas que morreram por conflitos no campo neste ano, 7 eram líderes indígenas, contra 2 em 2018, segundo a entidade.

Para o coordenador da CPT, Paulo Moreira, os crimes estão relacionados ao acirramento da violência na disputa pela terra, embora nem todas as mortes tenham ocorrido em territórios indígenas. Ele também avalia que o assassinato de lideranças têm um impacto ainda maior: envolve a tentativa de enfraquecer o grupo.

Declaração do Trump

Esta não é a primeira vez que Greta se apropria das críticas e altera a descrição biográfica no Twitter.

Em setembro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ironizou o discurso da adolescente na Cúpula de Ação Climática da ONU.

Na ocasião, Greta afirmou que “pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo, ecossistemas inteiros estão entrando em colapso” ao pedir que os líderes tomassem medidas contra o aquecimento global.

Trump, que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris – compromisso internacional para a redução das emissões de gases do efeito estufa – ironizou a fala de Greta em uma rede social: “Ela parece uma garota jovem e muito feliz que espera um futuro brilhante e maravilhoso. Tão bonito de ver!”, escreveu Trump.

A ativista, então, acrescentou a frase à sua descrição biográfica e escrevendo que era “uma garota jovem e muito feliz que espera um futuro brilhante e maravilhoso”.

Confira abaixo o discurso de Greta na Cúpula das Ações Climáticas, da ONU:

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