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O vice-presidente Hamilton Mourão participará da posse do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que ocorre nesta terça-feira (10/12), às 10h, em Buenos Aires. O pedido foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). Inicialmente, a previsão era de que o governo fosse representado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra. O próprio ministro disse, porém, que Bolsonaro havia desistido da ideia. Outro nome cotado foi o do embaixador do Brasil na Argentina, Sérgio França Danese.
 

O porta-voz da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta noite que o presidente ouviu ministros e decidiu enviar um representante, valorizando o relacionamento comercial com o país vizinho. “O presidente fez análises continuadas discutindo com vários ministros e, a partir dessas discussões, entendendo que se faria necessária a presença de uma autoridade lá embora hoje ainda de manhã ainda tivesse dúvidas no tocante a essa presença, decidiu enviar para valorizar o relacionamento com a Argentina e em especial, nos aspectos comerciais”, apontou. O presidente já havia anunciado em 1º de novembro que não iria ao evento.

Questionado, Mourão disse que foi chamado ao gabinete do presidente e perguntado se ele se importava de representá-lo na posse de Fernández. Mourão disse que viu o ato como “um gesto político de boa vontade com o novo governo argentino”.

Mourão emendou dizendo que o chefe do Executivo pediu que ele levasse os cumprimentos e desejo de “boa sorte” ao novo líder argentino. Ele embarcou por volta das 18h.

Nesta segunda-feira (9/12) pela manhã, na saída do Palácio do Alvorada, Bolsonaro não confirmou se enviaria algum representante à posse. Ele declarou que analisaria a lista de convidados. Frisou, contudo, que as relações comerciais com o governo argentino serão pragmáticas. “Não vai interferir em nada”, avisou.

“Primeiro tô analisando a lista de convidados. Quando assumi aqui não convidei umas autoridades também. E nosso comércio com a Argentina vai continuar sendo da mesma forma, sem problema nenhum, não vai interferir em nada”, declarou Bolsonaro. Entre os convidados, estão Evo Morales e Raul Castro.

Em 16 anos, esta será a primeira vez que o chefe de Estado brasileiro não irá à posse do novo presidente argentino. Durante a campanha presidencial na Argentina, Bolsonaro criticou Fernández e defendeu a reeleição de Maurício Macri, que perdeu no primeiro turno.

Na época, Bolsonaro disse que, caso Fernández fosse eleito, a Argentina se tornaria uma “nova Venezuela” e que cidadãos argentinos fugiriam para o Rio Grande do Sul, assim como venezuelanos fugiram para Roraima.

Bolsonaro é crítico de Fernández por seu posicionamento político de esquerda e de proximidade com Cristina Kirchner, sua vice. Após o resultado das urnas, no fim de outubro, o presidente brasileiro decidiu não ligar para o argentino para cumprimentá-lo pela vitória. Fernández declarou apoio à liberdade do ex-presidente Lula.

O analista político da BMJ, Lucas Fernandes, apontou que, a ida de Mourão à posse, mostra que, de maneira concreta, as ações pragmáticas suplantam a retórica combativa de Bolsonaro. “O embate é baseado em pilares ideológicos e diferenças de posicionamento político entre os dois presidentes. Algo que a gente deve ver muito entre Bolsonaro e Fernandes é o ponto de vista de discurso embativo, mas nas relações comerciais, continua pragmático, tendo em vista a dependências das duas economias, O Brasil não tem condição de cortar laços. A Argentina a mesma coisa. É melhor do que não enviar ninguém, mas não contorna completamente o desgaste com a inicial recusa em enviar. Mesmo enviando, é a primeira vez desde ao estabelecimento da democracia que o presidente brasileiro não participa. É algo muito simbólico. Pior se não tivesse ninguém, seria uma atitude má recebida”, conclui.

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10
Posted on 10-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-12-2019

Mariana Oliveira, TV Globo — Brasília O ex-ministro Geddel Vieira Lima — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo  O ex-ministro Geddel Vieira Lima — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

 

O ex-ministro Geddel Vieira Lima — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA) do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para o Centro de Observação Penal (CO), em Salvador.

A decisão de Fachin foi tomada na última sexta-feira (6) e atendeu a um pedido da defesa de Geddel. A transferência deve ser efetivada nos próximos dias.

Ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel foi ministro nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Michel Temer e está preso desde 2017 em Brasília.

Em junho, quando apresentou o pedido de transferência, a defesa de Geddel argumentou que a família dele mora na capital baiana, incluindo dois filhos.

Geddel Vieira Lima é condenado a 14 anos por R$ 51 milhões em apartamento

Geddel Vieira Lima é condenado a 14 anos por R$ 51 milhões em apartamento

A decisão

Geddel foi condenado em outubro a 14 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso dos R$ 51 milhões encontrados em malas de dinheiro e caixas em um apartamento em Salvador.

Ao autorizar a transferência, Fachin esclareceu que Geddel responde a mais cinco processos em Brasília, mas não é alvo de outro mandado de prisão em aberto.

O ministro destacou ainda que Geddel trabalha voluntariamente na prisão desde abril deste ano e faz cursos à distância, além de ler no presídio. Segundo as autoridades do DF, ele tem apresentado ainda bom comportamento.

Conforme o despacho, Fachin destacou que, inicialmente, rejeitou o pedido de transferência porque tinha que verificar as condições e que, nesse meio tempo, sobreveio a condenação. E disse ter constatado a possibilidade de transferência após informações recebidas das autoridades de Brasília e Salvador.

Fachin também estabeleceu que a 2ª Vara Federal da Bahia deve acompanhar o cumprimento da pena, mas terá que consultar o Supremo sobre indulto, anistia, liberdade condicional ou mudança do regime da pena, além de qualquer outro pedido “de natureza excepcional”.

De acordo com a pena imposta pelo Supremo, Geddel Vieira Lima terá direito à progressão de regime após 29 meses de prisão – perto de março de 2020. Ou seja, poderá ir para o semiaberto (quando é possível deixar o presídio durante o dia), mas isso ainda terá que ser analisado pelo STF posteriormente.

Do Jornal do Brasil

 

CADERNO B

Clássicos de Nelson Cavaquinho, Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Guilherme de Brito, Paulinho Tapajós e Assis Valente, e sambas inéditos de Nelson Sargento e Tantinho da Mangueira. O álbum ‘Mangueira, a menina dos meus olhos’ é o agradecimento de Maria Bethânia à escola de samba que se sagrou campeã ao homenagear a “menina dos olhos de Oyá”, em um dos mais belos e emocionantes carnavais de sua história de glórias. 

Macaque in the trees
Maria Bethânia homenageia a Verde Rosa com novo disco (Foto: Jorge Bispo/Divulgação)

Gravado em Salvador e no Rio de Janeiro, com lançamento do selo Quitanda e distribuição da Biscoito Fino, o álbum tem direção artística e repertório selecionado pela própria abelha rainha. O maestro, compositor e arranjador baiano Letieres Leite, idealizador da Orkestra Rumpilezz, formada em Salvador por músicos de sopros e percussão, assina os arranjos e a direção musical do projeto.

“Quando eu fiz o disco, para agradecer à Mangueira a homenagem que me prestou e a vitória que conquistamos juntos, pensei em trazer aquele som de Santo Amaro. Queria fazer uma coisa que fosse o samba do Rio de Janeiro, o samba da Mangueira – com sua tradição, seu estilo, sua sofisticação -, mas que trouxesse toda a memória musical de Santo Amaro, infantil, comovida da minha infância. Então eu convidei o Letieres Leite, que é baiano, mas que é um músico do mundo”, pontua Bethânia.

Além de celebrar a Estação Primeira de Mangueira e ilustres compositores, o álbum apresenta dois sambas que concorreram em 2016, ano em que Maria Bethânia foi enredo da escola, mas que permaneciam inéditos: “37 sambas concorreram, algo que não acontecia há muito tempo na Mangueira. Queria pelo menos dois que não se classificaram no disco: um é do Tantinho, baluarte da Mangueira, e o outro de Seu Nelson Sargento, que é os 100 anos da Mangueira”.

Caetano, “um compositor apaixonado e um mangueirense apaixonado” e Moreno Veloso fazem o samba “Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá” (Nelson Sargento / Gustavo Louzada / Agenor de Oliveira / André Karta Marcada) e Tantinho gravou o seu “A Menina dos olhos de Oyá” (Tantinho / André Braga / Guilherme Sá / Alipio Carmo/ Jansen Carvalho / Marcos Tulio). O samba-enredo sobre Bethânia, que embalou a vitória da Mangueira em 2016, e o hino do Carnaval de 2019, “Histórias pra ninar gente grande”, que fez a Verde e Rosa ganhar mais um campeonato, também estão no repertório do álbum.

***** 

O terreiro de Maria, a menina de Oyá. Em Mangueira não havia samba. Quem primeiro subiu o morro foi o candomblé

Por Marcio Debellian, diretor do filme Fevereiros

Estes rituais chegaram ao Rio trazidos por negros afro-baianos que migraram para a cidade a partir da segunda metade do século XIX. Localizados inicialmente no Centro, os terreiros das tias baianas, mães de santo e mães do samba, foram se espalhando pela cidade, subindo os morros, buscando brechas. Na época, samba e candomblé eram proibidos, caso de polícia.

O samba começou a soar em Mangueira quando os primeiros terreiros se instalaram por lá. Cartola, por exemplo, era cambono ajudante dos médiums e frequentador da macumba. O surgimento das escolas de samba é ligado a este movimento e as primeiras baterias tinham ogãs entre os seus componentes. Cada escola acabou influenciada pela rítmica de louvação a um Orixá. A bateria da Mangueira guardou como fundamento o toque característico do ilu de Oyá-Iansã.

No início dos anos 1930, o santamarense Assis Valente já avisava: como a Mangueira não há! Em 2016, ao homenagear Maria Bethânia com o enredo “A menina dos olhos de Oyá”, a Mangueira voltou o espelho à Bahia e à religiosidade brasileira. Com orixás, santos e pajés, cruzou a avenida num desfile inesquecível que marcou uma virada na sua história: o primeiro título depois de um jejum de 14 anos e a chegada de Leandro Vieira, carnavalesco então estreante.

“A menina dos meus olhos” é a continuação desta história, amor retribuído. A Bahia e o Rio entrelaçados na voz de Bethânia e nos arranjos primorosos de Letieres Leite. A primeira vez que Bethânia grava Nelson Cavaquinho em disco. Uma homenagem a Nelson Sargento e Tantinho que compuseram sambas para embalar o desfile da Escola em 2016. É um viva às intérpretes que vieram antes, como Clementina de Jesus e Aracy de Almeida, com quem Bethânia também aprendeu a cantar a verde e rosa.

Vinícius de Moraes dizia que Bethânia canta sempre um pouquinho atrasada, e atribuía isso àquele passo atrás do samba de roda do Recôncavo, a um jeito de corpo. É dele também a máxima de que “o bom samba é uma forma de oração”. Neste disco, as duas coisas se juntam e Bethânia transforma o samba-enredo campeão de 2019 numa prece pelo Brasil.

Seja no canto-falado de “A história que a história não conta” ou nos versos insuperáveis de “Sei lá, Mangueira”, ficamos com a certeza da luta e do encantamento. Salve o terreiro da menina de Oyá: aqui os deuses dançam e compõem a cruzar tempo e espaço.

Repertório

1. A FLOR E O ESPINHO

Alcides Caminha / Guilherme de Brito / Nelson Cavaquinho

2. MANGUEIRA

Assis Valente / Zequinha Reis

3. A MANGUEIRA É LÁ NO CÉU

Mauricio Tapajós / Hermínio Bello de Carvalho

4. HISTÓRIAS PRA NINAR GENTE GRANDE – SAMBA-ENREDO 2019

Manu da Cuíca / Luiz Carlos Máximo / Deivid Domenico / Tomaz Miranda / Mama / Ronie Oliveira / Marcio Bola / Danilo Firmino

5. A MENINA DOS OLHOS DE OYÁ

Tantinho / André Braga / Guilherme Sá / Alipio Carmo Jansen Carvalho / Marcos Tulio

6. MARIA BETHÂNIA, A MENINA DOS OLHOS DE OYÁ

Nelson Sargento / Gustavo Louzada / Agenor de Oliveira / André Karta Marcada

Part. especial Caetano Veloso gentilmente cedido por Uns Produções / Moreno Veloso gentilmente cedido por Rinoceronte Entretenimento

7. LUZ NEGRA

Nelson Cavaquinho

8. SEI LÁ MANGUEIRA

Paulinho da Viola / Hermínio Bello de Carvalho

9. MARIA BETHÂNIA, A MENINA DOS OLHOS DE OYÁ SAMBA-ENREDO 2016

Alemão do Cavaco / Almyr / Cadu / Lacyr D’Mangueira / Paulinho Bandolim / Renan Brandão

“Sabiá de Mangueira”, Maria Bethania (Ao Vivo): Do álbum Tempo, Tempo, Tempo, cuja origem foi o show gravado em São Paulo em 2oo6, quando a cantora comemorou 40 anos de carreira. Um luxo, como aperitivo  do disco inteiro com temas ligados à Mangueira, da Biscoito Fino, gravado em Salvador e no Rio de Janeiro que está sendo lançado. Viva!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

. Além de canções imortais de Vinícius de Moraes, Bethânia recria os compositores mais marcantes de sua trajetória, como Chico Buarque e Caetano Veloso, num repertório definitivo na voz da mais influente intérprete da música brasileira.

OAB em peso contra PEC da 2ª instânciaRenan Ramalho

 

Na reunião de hoje do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, a última do ano, os caciques da classe convocaram os pares a se mobilizarem contra a aprovação da PEC da 2ª instância no Congresso no ano que vem.

Dois ex-presidentes, Marcus Vinicius Furtado Coêlho e Ophir Cavalcante, lembraram que a entidade já rejeitou, por unanimidade, proposta semelhante, redigida pelo ministro aposentado do STF Cezar Peluso, que permite a execução das decisões proferidas em segundo grau em todas as áreas — penal, cível, trabalhista e militar.

Coêlho disse que a PEC vai acabar com o sistema recursal brasileiro.

“Faz com que vários arbítrios sejam cometidos. O STF e o STJ perdem sua função de unificar e garantir a autoridade da lei, porque as decisões serão cumpridas. Qualquer medida que seja tomada por uma maioria de desembargadores num tribunal já será imediatamente cumprida. Um recurso terá natureza meramente acadêmica quando muito, não terá qualquer efetividade”, queixou-se.

Cavalcante disse que a PEC acaba com o direito de defesa.

“É uma luta em que não podemos permitir que haja qualquer tipo de negociação, de flexibilização, porque isso é um atentado à democracia, um atentado à cidadania, ao amplo direito de defesa. E se disserem que não inviabilizar, mas postergar o direito de defesa. Não podemos cair nesse conto”, afirmou.

dez
10
Posted on 10-12-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-12-2019



 

 Sinovaldo, NO

 

 

DO EL PAÍS

Dois líderes estabelecem uma harmonia sem precedentes e fazem apelo contra acirramento da polarização. Bolsonaro decide não enviar nenhum representante à cerimônia da posse

Mauricio Macri e Alberto Fernández se abraçam neste domingo depois de uma homilia na Basílica de Luján.
Mauricio Macri e Alberto Fernández se abraçam neste domingo depois de uma homilia na Basílica de Luján.Prensa AF

 Federico Rivas Molina

O presidente Mauricio Macri e seu sucessor, Alberto Fernández, se abraçaram por alguns segundos. Eram observados por boa parte de seus ministros, os que se vão e os que chegam, e uma multidão reunida em frente da Basílica de Luján, o maior santuário em homenagem à Virgem Maria na Argentina. O gesto foi ínfimo, mas seu significado político entusiasmou a Igreja, organizadora do encontro. Desde o retorno à democracia, em 1983, as transferências de poder na Casa Rosada foram conflitantes. A mais lembrada data de bem pouco tempo. Em 2015, Cristina Fernández de Kirchner se recusou a passar o bastão a Macri. Quatro anos depois, seu sucessor político, Alberto Fernández, protagoniza uma transferência de poder sem ressentimentos.

Dessa vez, o gesto de enfretamento ficou por conta do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Segundo noticiou o jornal Clarín e confirmou a Folha de S. Paulo, o ultradireitista desistiu de enviar um representante para a cerimônia de posse, que ocorrerá na terça-feira ? algo que não acontecia desde 1989. Após o resultado eleitoral, o mandatário não cumprimentou Fernández e afirmou que não iria para a cerimônia. Cogitava enviar como representante o ministro da Cidadania Osmar Terra, mas desistiu da ideia após a visita do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) e uma comitiva de deputados a Buenos Aires na semana passada. Na reunião com Fernández, Maia transmitiu uma mensagem de pragmatismo e cooperação por parte do Governo brasileiro.

Um abraço “pela paz”

O cenário não poderia ser melhor. Um dia ensolarado, com a imponente basílica de Luján (localizada a 60 quilômetros a oeste de Buenos Aires) ao fundo e o presidente de saída e o novato acompanhados por todos os seus principais assessores. Depois da missa de praxe, o arcebispo Jorge Scheinig conclamou ao abraço da paz. “Estou muito feliz por ter compartilhado a homilia hoje na Basílica de Luján com Mauricio Macri e líderes políticos de diversos âmbitos. A Argentina que vem precisa do trabalho conjunto de todos. Por isso, devemos pôr um fim a essa fenda que tem nos causado tantos danos”, escreveu mais tarde Alberto Fernández nas mídias sociais.

Uma leitura atenta encontra mensagens de Fernández voltadas a Macri. O “trabalho conjunto” foi um pedido de apoio à oposição em um Congresso no qual o peronismo terá que dividir o poder com o macrismo. A referência à “fenda” entre peronistas e Macristas lembra que foi o próprio Macri quem a endossou durante seu mandato, convencido de que o pavor a Cristina Fernández de Kichner lhe propiciava votos. A ex-presidenta não esteve em Luján. Nem tampouco a atual governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, e o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, o único dirigente macrista que foi reeleito. Tanto a governadora como o prefeito disputarão a partir de terça-feira a liderança da oposição ao presidente que sai.

“Todos estamos conscientes sobre o que vem, o que já estamos vivendo no mundo, em nossa América Latina. Precisamos promover uma cultura do encontro (…) Devemos fazer todo o possível para não cair na tentação de querer destruir o outro ”, disse o arcebispo Scheinig. Macri e Fernández escutavam, antes do abraço final. A foto permanecerá como um cartão postal do início do novo Governo, embora não seja certo que sua relevância se sustente no tempo. Fernández culpou Macri por deixar uma economia “devastada” e lhe pediu sinceridade no balanço que fez de seu Governo. Para o presidente que sai, seus quatro anos no poder lançaram as bases para, finalmente, um crescimento sustentado, apesar de que a Argentina soma três anos consecutivos de queda do PIB, o peso perdeu 60% de seu valor, a dívida externa se tornou-impagável e, pela primeira vez desde a crise de 2001, a pobreza rompeu a barreira dos 40 pontos.

O otimismo de Macri atingiu seu apogeu no sábado, durante um evento de despedida na Plaza de Mayo. Diante de dezenas de milhares de pessoas, Macri prometeu a seus seguidores que se tornará um defensor “da democracia, da qualidade institucional e de nossas liberdades”, valores que ele assume para si e questiona no peronismo kirchnerista, que ele considera autoritário e corrupto. Em um pequeno palco que o Governo montou em frente da Casa Rosada, Macri disse que fará “uma oposição construtiva e não destrutiva”. Depois, ele se despediu com lágrimas nos olhos diante de uma multidão que gritava “nós a queremos presa”, em referência a Cristina Fernández de Kirchner, agora vice-presidenta, suspeita de vários casos de corrupção. Terça-feira será o primeiro dia do próximo Governo, e enfim se verá a sinceridade dos gestos.

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