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Jesus e Gallardo”: lições de futebol , autocrítica, política e poder

ARTIGO DA SEMANA

Lições do Flamengo de Jesus e a autocrítica de “Muñeco” Gallardo

Vitor Hugo Soares

Para completar, com sucesso, o circuito “barba, cabelo e bigode”, que consagra no esporte, falta ao Flamengo – no conjunto espetacular de conquistas, em 2019 da equipe do comandante português, Jorge  Jesus, e de Gabigol, novo herói no futebol brasileiro – vencer o Liverpool, no Catar, em dezembro. Osso duro de roer da britânica cidade dos Beatles, que o time carioca terá pela frente na disputa do Mundial de Clubes. Desde já, no entanto, os formidáveis triunfos – na Libertadores, contra o argentino River Plate, e no Brasileirão, antes de jogar no domingo, para não esquecer – encerram relevantes lições, também na política e nos insondáveis território de poder no Brasil, na Argentina, no Uruguai e no continente em desalinho.

O principal ensinamento, até aqui, é o retirado pelo técnico argentino depois de seu time perder, em menos de cinco minutos, a taça de campeão continental que parecia no papo: “a sensação de dor de quem tinha tudo, quase no final da partida e, de repente, ficou sem nada”, resumiu, com a decepção estampada no rosto, depois do jogaço em Lima. A derrota é dura mas é preciso digeri-la, constata o treinador do River. “Estivemos lá, jogamos contra um grande rival, sentimos que fizemos o jogo que tínhamos que fazer, soubemos anular o poderio do Flamengo quase o jogo inteiro, e nos faltou tranquilidade para definir a partida, mas isso é anedótico. O único que quero é tratar de assimilar esta dura derrota. Nos coube ganhar muitas vezes, quando nos toca perder é preciso saber perder”.

O desabafo de Gallardo ganha, ainda, mais densidade e relevância, quando se observa que foi feito pelo experiente e consagrado treinador, não apenas movido pela natural desilusão do fracasso momentâneo, mas em um contexto bem maior e significativo: de autocrítica, palavra (e atitude, principalmente,) tão disseminada e benquista pelas esquerdas e intelectuais progressistas, nos embates políticos, sociais, culturais e esportivos, nos anos 60/70, atualmente amaldiçoada por partidos e governantes de quase todas as tendências. Principalmente, líderes políticos apanhados em malfeitos ou caídos em desgraça, gente e grupos do tipo que a simples menção da palavra autocrítica parece causar crises apopléticas, ou ataques de alergia ou urticária.

Vejam, por exemplo, os recentes discursos e movimentos estratégicos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – desde que saiu da prisão – que na quarta-feira, 27, deste quase fim de ano, teve confirmada à unanimidade, pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal – 4, de Porto Alegre, sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do sítio de Atibaia. Tendo ainda a pena aumentada – depois da atuação sofrível de sua defesa (técnica, estratégica e politicamente falando) – para 17 anos, um mês e 10 dias de prisão. A cumprir, encarcerado ou não, com todas as conseqüências morais, políticas e eleitorais que uma sentença do tipo acarreta a alguém como o ex-presidente da República, fundador e guia maior do PT, baleado nas asas, ao tentar levantar novos vôos pelo país e pelo continente.   

Diante desse quadro, de final de novembro no Brasil e na América Latina, aquele velho e irônico viajante francês, de passagem pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador ou Brasília, certamente diria com os seus botões: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”. Ou não?

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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