Por G1 BA

Resultado de imagem para Gesivaldo Britto afastado do Tribunal de Justiça da Bahia

Gesivaldo Brito, presidente do TJB: afastado

Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia é afastado por suspeita de venda de sentenças

DO G1-BA

O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Gesivaldo Britto, e outros cinco magistrados foram afastados do cargo por 90 dias na manhã desta terça-feira (19), em Salvador. A decisão decorreu de uma operação da Polícia Federal para combater um suposto esquema de venda de decisões judiciais, além de corrupção ativa e passiva, lavagem de ativos, evasão de divisas, organização criminosa e tráfico influência no estado.

Na ação, que resultou na prisão de outras quatro pessoas, também foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em quatro cidades baianas e em Brasília. As prisões são temporárias e terão duração de cinco dias. Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e houve bloqueio de bens de alguns dos envolvidos na investigação sobre legalização de terras no oeste baiano, no total de R$ 581 milhões.

Os magistrados afastados são:

  • Gesivaldo Britto, desembargador e presidente do TJ-BA
  • José Olegário Monção, desembargador
  • Maria da Graça Osório, desembargadora
  • Maria do Socorro Barreto Santiago, que é desembargadora
  • Marivalda Moutinho, juíza
  • Sérgio Humberto Sampaio, juiz

Em nota, o TJ-BA informou que foi surpreendido com a ação e que ainda não teve acesso ao conteúdo do processo. Segundo o comunicado, a investigação está em andamento, mas todas as informações dos integrantes do TJ-BA serão prestadas, posteriormente, com base nos Princípios Constitucionais. Ainda na nota, o órgão informou que o 1º vice-presidente, Desembargador Augusto de Lima Bispo, assumirá a presidência da Casa temporariamente, seguindo o regimento interno. [Confira nota na íntegra no final da reportagem]

Além da suspensão, os seis magistrados estão proibidos de entrar no prédio do TJ-BA, se comunicar com funcionários e utilizar serviços do órgão.

Já os presos na ação são:

  • Adailton Maturino dos Santos, que é cônsul da Guiné-Bissau no Brasil
  • Antônio Roque do Nascimento Neves, que é advogado
  • Geciane Souza Maturino dos Santos, esposa de Adailton Maturino dos Santos
  • Márcio Duarte Miranda, que é advogado

O G1 entrou em contato com a defesa dos presos, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.

Do Jornal do Brasil

 

Marketing, Propaganda, etc.

Marketing, Propaganda, etc.

Renata Granchi

São Francisco: Quando o marketing de uma cidade é perfeito, o mundo todo quer ir para lá

 

Popular destino turístico internacional, a cidade de São Francisco, na Califórnia, é conhecida pelas íngremes colinas, marcos históricos famosos, centro financeiro e bancário forte, ações sustentáveis, movimento pelos direitos de homossexuais, cenário de filmes de sucesso, dentre muitas outras atrações. A San Francisco Travel Association (SFTA), uma espécie de Riotur de lá, está projetando um total de 26,2 milhões de visitantes da cidade para 2019 com gasto total dos turistas na cidade na casa de 9,56 bilhões de dólares, 2,6% a mais do que a receita de 2018. Esse sucesso se deve muito ao trabalho de comunicação que é realizado por Joe D’Alessandro, presidente e CEO da SFTA, com quem tive a oportunidade de conversar em sua recente visita ao Brasil. Ele falou sobre as estratégias que utiliza para divulgar a cidade, a origem dos recursos de promoção e a importância do turismo brasileiro. Falamos ainda sobre o tema da atual campanha publicitária, sobre as semelhanças de São Francisco e Rio de Janeiro e como aumentar o fluxo de visitantes: “Estamos trabalhando muito para assegurar voos diretos entre Brasil e San Francisco, o que facilitaria muito a viagem entre nossas cidades. A partir do momento que conseguirmos este voo, tenho certeza de que muitas pessoas de lá escolherão o Rio como destino.”

Macaque in the trees
Joe DAlessandro, CEO da SFTA (Foto: Divulgação)

Você pode explicar em detalhes como é feita a promoção da cidade de San Francisco pelo mundo?

A San Francisco Travel Association promove os pontos mais atraentes da cidade para os visitantes – excelência culinária, projetos excepcionais de cultura, entretenimento e arte, festas e celebrações ricas em diversidade, beleza cênica e ícones de reconhecimento global. Também promovemos o espírito de liberdade, criatividade, inclusão e inovação, que são muito presentes em San Francisco.

Há décadas a divulgação da cidade acontece em muitos filmes. Existe um trabalho de fomento nessa escolha? É uma estratégia pensada de branded content?

San Francisco tem sido o cenário de filmes bem-sucedidos desde 1923. Todo ano, um novo blockbuster usa a cidade como locação – geralmente incluem a Ponte Golden Gate ou Alcatraz sendo atacada por um monstro. Felizmente para todos nós, toda essa visibilidade é puramente orgânica. Não pagamos para os filmes usarem nossas locações. Na verdade, as produtoras de cinema pagam a cidade pelos serviços e autorizações.

De onde vêm os recursos para divulgação da cidade mundialmente?

Nosso trabalho para atrair convenções e visitantes se faz possível através de setores de apoio público e privado. 23% de nosso orçamento de 34.8 milhões de dólares em 2017/2018 vieram do setor privado, em formas de cotas de associados, publicidade, e-commerce, entre outros. 68% vieram de uma parcela menor de receitas geradas por uma taxação sobre hospedagem em hotéis de San Francisco (veja www.sftid.com para informações adicionais). O equilíbrio se dá a partir de contratos com a Grants for the Arts (GFTA – https://sfgfta.org/) e o SFO – San Francisco International Airport.

Qual o maior mercado, o americano ou o internacional, em termos de quantidade de visitantes? Vocês têm diferentes estratégias para cada país?

A visitação internacional para San Francisco é projetada para compreender 29% do total de visitantes e 62% dos visitantes que se hospedaram na cidade em 2019. A San Francisco Travel Association está projetando um total de 26,2 milhões de visitantes da cidade para 2019, o que representa um crescimento de 1,5% em relação aos 25,8 milhões de visitantes em 2018. O gasto total dos turistas na cidade deve alcançar 9,56 bilhões de dólares – 2,6% a mais do que a receita total de 9,3 bilhões de dólares de 2018.

A estratégia de marketing para cada país é desenvolvida independentemente, e para isso contamos com agências parceiras especializadas em cada mercado (para a América do Sul temos a SMI em travel trade e a PALAVRA Assessoria em Comunicação em PR). Os mercados que mais cresceram este ano são da Índia e Coréia do Sul. Os cinco principais mercados internacionais hoje em volume de visitantes são México, China, Reino Unido, Canadá e Alemanha. Os cinco principais mercados internacionais em termos de receita (média de gasto por visitantes) são China, Reino Unido, Índia, Austrália e Coréia do Sul. A San Francisco Travel tem hoje 13 escritórios de representação internacional: Reino Unido/Irlanda, Alemanha, França, Itália/Espanha, Escandinávia, Canadá, Brasil, Argentina, Pequim, Xangai, Coréia do Sul, Índia e Austrália.

Qual é a importância do Brasil no turismo de SFO?

No último ano (de 2017 para 2018) o Brasil foi um dos mercados que mais cresceu proporcionalmente (+10,2%) e chegou a 110 mil visitantes/ano. A expectativa é que este número cresça de maneira significativa nos próximos dois anos, o que é muito animador. Nós sabemos que os brasileiros estão muito interessados em aprender mais sobre San Francisco e sobre a Califórnia, então estamos trabalhando junto à imprensa para contar a história da cidade e para atualizar vocês sobre as novidades. Enquanto nossos esforços estão focados em gerar visibilidade, estamos constantemente avaliando as melhores plataformas para a comunicação. Ao mesmo tempo, estamos comprometidos com o trade de turismo, de modo que operadoras e agências de viagem possam promover ativamente o destino.

A cidade do Rio tem fortes semelhanças com San Francisco, mas o turismo californiano é muito mais atrativo. Que conselhos você daria para fomentar o turismo do Rio? Como trazer mais americanos para cá?

Eu amo o Rio! É uma cidade deslumbrante, com uma paisagem linda e pessoas muito amigáveis e atenciosas. Essas qualidades do Rio me remetem muito a San Francisco. Estamos trabalhando muito para assegurar voos diretos entre Brasil e San Francisco, o que facilitaria muito a viagem entre nossas cidades. A partir do momento que conseguirmos este voo, tenho certeza de que muitas pessoas de lá escolherão o Rio como destino.

Em 2017 o tema escolhido para a campanha da cidade foi a diversidade, em voga ainda hoje. Como é feita essa escolha temática? Quais critérios utilizam?

Nosso foco nesse ano e no próximo será “diversidade e inclusão”, tendo em vista que estamos nos preparando para o 50o aniversário da Parada LGBTQ, “Pride Parade”, em 2020 – a nossa foi a primeira do mundo. San Francisco sempre foi e sempre será um lugar em que se celebra a diversidade e inclusão, e eu sinto que isso é mais importante do que nunca atualmente. Temos muitas histórias para contar através de nossos pilares da marca, então podem aguardar muitas novidades em 2020.

San Francisco sempre está à frente das tendências e de uns tempos pra cá investe na onda verde para ser uma cidade sustentável. Faz inúmeras ações e já conquistou o título da cidade que menos desperdiça nos EUA. A cidade tem cada vez mais se posicionado a favor da sustentabilidade. Isso se torna um diferencial principalmente para o turista mais consciente. Quais os planos e metas para os próximos anos nessa área?

Nosso recém-expandido centro de convenções hoje tem a maior pontuação na certificação LEED e isso é apenas um exemplo de como a sustentabilidade está enraizada na infraestrutura da cidade. Já banimos isopor, sacolas e canudos de plástico. Nosso próximo objetivo é acabar com resíduos descartáveis, como copos de café e embalagens pra viagem. Vale a pena acompanhar San Francisco, que está sempre buscando novos caminhos sustentáveis para a cidade.

Se fosse possível definir San Francisco em uma palavra, qual seria?

Diversidade. San Francisco é como uma tapeçaria rica em pessoas, culturas e estilos de vida completamente diversos. Isso se reflete na variedade de artes, celebrações e comidas com quais os visitantes podem se deliciar e aproveitar. Diversidade é uma das maiores forças de San Francisco, algo que é extremamente valorizado e defendido pelos locais.

O que representa, para um profissional de marketing, a chance de fazer o marketing e cuidar da imagem da sua cidade?

Vivemos em momentos de incerteza e fervorosos discursos políticos aqui e no mundo. Eu quero assegurar que a marca de San Francisco reflita nossa cidade. Uma cidade que sempre foi e sempre será acolhedora e inclusiva, uma cidade que tem orgulho de ser um hub de inovação e que atrai criadores e pensadores do mundo todo. Mas também uma cidade conhecida por sua incrível beleza e bairros ímpares, alta gastronomia, arte e muito mais. Nenhuma viagem a San Francisco é igual, e nós convidamos todos para virem experimentar sua própria San Francisco.

“I left my heart in San Francisco”, Tony Bennett: Uma das mais completas e consagradas canções já feitas para glorificar a cidade referencial em beleza, cultura e convivência plural em liberdade plena, na costa norte-americana do Pacífico, e p seu maior e mais completo cantos. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Por G1 Rio



A jornalista Glória Maria postou nesta segunda-feira (18) uma mensagem de agradecimento em uma rede social após se submeter a uma cirurgia para retirar lesões no cérebro. No perfil da apresentadora, ela disse que está “bem e forte” durante a recuperação do procedimento cirúrgico.

“Sobrevivi!! Hoje acredito em milagre! Ainda tenho um caminho a percorrer. Mas estou inteira. Viva! (…) Do fundo da minha alma quero dizer OBRIGADA a vocês. Fui salva também pela energia pura e verdadeira que vocês me enviaram”, agradeceu Glória Maria.

A apresentador contou que o tumor foi descoberto após desmaiar em casa. Na queda, a jornalista machucou a cabeça. A intervenção médica, segundo Glória, durou cerca de seis horas. Apesar disso, a jornalista deve voltar a trabalhar após três semanas de recuperação (veja a íntegra da publicação no fim da reportagem).

Glória Maria passou por uma operação no cérebro na segunda-feira (11), no Rio de Janeiro. Segundo informações da assessoria de imprensa do Hospital Copa Star, em Copacabana, o procedimento foi bem-sucedido e uma lesão cerebral detectada foi totalmente removida. A jornalista recebeu alta da unidade de saúde na quinta-feira (14).

Participaram da operação o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, a quem Glória Maria fez um agradecimento nominal na publicação. Também assinaram o boletim médico da jornalista os clínicos-pneumologistas Marcelo Kalichstein e Gustavo Nobre, a clínica geral Adriane Matta e o diretor médico Hospital Copa Star, Bruno Celoria.

Veja a íntegra

“Queridos! Esta foto não tem PRODUCAO. Não tem maquiagem . Não tem luz boa nem filtro. É VIDA!! É para agradecer o amor de todos vocês que torceram por mim neste momento realmente difícil! Não tenho assessoria de imprensa! Texto meu! Direto do meu coração. Dividindo com vocês o que realmente aconteceu! Desmaiei na minha casa , do nada, na madrugada de sábado 3/11. Bati com a cabeça na quina da mesa de vidro e machuquei. Fui no hospital costurar e os exames para saber a causa do desmaio mostraram um tumor no meu cérebro que iria me matar silenciosamente a qualquer momento. Mas o tumor formou um edema em volta dele que inflamou e me fez desmaiar. A primeira ajuda de DEUS. Estava com uma bomba relógio já acionada no meu cérebro. Mas Deus tenho certeza agora gosta de mim. Enviou o mensageiro dr Paulo Niemeyer para me resgatar. Ele montou uma operacao de guerra. Corrida contra o tempo! 6 hs de cirurgia. CTI. Sobrevivi!! Hoje acredito em milagre!! Ainda tenho um caminho a percorrer. Mas estou inteira. Viva!! Nenhuma consequência esta foto uma das minhas filhas fez hoje com todo amor para vocês. Segundo o Dr Paulo Niemeyer em 3 semanas volto ao Globo Reporter!! Do fundo da minha alma quero dizer OBRIGADA a vocês. Fui salva também pela energia pura e verdadeira que vocês me enviaram! Estou forte , tranquila e FELIZ. Inúmeras descobertas! Aprendendo muito. Agradecendo a cada segundo a BENCAO de estar. VIVA!!AMO. VOCES que compartilham só com AMOR. Este espaço!!”

nov
19
Posted on 19-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-11-2019
DO ANTAGONISTA

Relator do pacote anticrime no Senado mantém plea bargain

 

Por Cezar Feitoza

Marcos do Val (Podemos-ES), relator do pacote anticrime no Senado, manteve em seu parecer a criação do plea bargain, um acordo feito após a apresentação de denúncia que envolve a confissão dos crimes pelo acusado em troca de uma pena menor.

Pelo texto –divulgado em primeira mão por O Antagonista–, o acusado de algum crime pode confessar a culpa e reduzir a pena até a metade. Três requisitos serão analisados: a voluntariedade do acusado, a legalidade e proporcionalidade da pena e se as provas são suficientes para condenação criminal.

Quanto ao rol de crimes em que a plea bargain é possível, o relator sugeriu uma emenda para retirar casos em que haja “violência ou grave ameaça”.

“De fato, considerando tratar-se de sistemática muito diversa da adotada pelo ordenamento processual penal vigente, cremos ser razoável –por ora– que crimes como aqueles cometidos contra a vida, contra a dignidade sexual, praticados com violência doméstica, a maior parte dos crimes hediondos, estejam fora desse rol. Assim, sugerimos emenda para que o novel dispositivo exclua casos em que haja ‘violência ou grave ameaça’.”

Para Marcos do Val, este acordo deve trazer dois benefícios:

“A proposta certamente contribuirá para desafogar a justiça criminal brasileira, retirando do seu âmbito de atuação processos de baixo e médio potencial ofensivo, bem como para esvaziar nosso já superlotado sistema carcerário. Outro ponto positivo da medida será evitar que criminosos primários e de baixa periculosidade sejam encarcerados juntamente com criminosos contumazes, sendo cooptados por organizações criminosas, saindo prisão mais perigosos do que quando nela ingressaram.”

Em Altamira, no Pará, um dos maiores líderes indígenas do mundo, responde às criticas do presidente com cobrança e faz apelo: “É a floresta que segura o mundo. Se acabarem com tudo, não é só índio que vai sofrer”

O cacique Raoni, depois da entrevista, em Altamira (Pará).
O cacique Raoni, depois da entrevista, em Altamira (Pará).

O cacique kayapó Raoni Metuktire só fala em paz. Em Altamira, onde participa do encontro Amazônia Centro do Mundo —que reúne povos da floresta (indígenas, quilombolas e ribeirinhos), cientistas e ativistas—, um dos maiores líderes indígenas do mundo repete a mensagem que espalha há mais de cinco décadas: “Minha luta é para proteger a floresta, para que todos possamos viver em paz”. Não à toa, em setembro, Raoni entrou na lista de indicados para concorrer ao Nobel da Paz e outras lideranças indígenas de todo o país iniciaram a campanha para que ele levasse o prêmio (que acabou indo para Abiy Ahmed, primeiro-ministro da Etiópia). O cacique caiapó, no entanto, ficou alheio ao burburinho. “Esse é só o meu trabalho, né? Eu nunca pedi prêmio algum, mas, se eu ganhasse, usaria o reconhecimento para continuar ajudando o povo indígena e a preservação da floresta”, diz ao EL PAÍS, sentado em um banquinho de madeira às margens do rio Xingu.

Apesar de falar português, há anos ele decidiu comunicar-se apenas em caiapó. Quem traduz a entrevista é Megaron Txukurramãe, seu sobrinho e, há anos, acompanhante nas viagens pelo mundo. É com ele, e com o segurança que o segue a todas as partes, que Raoni chega para o encontro, no meio da floresta. Antes de sentar-se para a conversa com a reportagem, ele, vestido com calça e camiseta azul marinho, um cocar de penas amarelas, diversos colares e o botoque no lábio inferior que lhe é tão característico, para durante alguns minutos para observar as árvores ao redor. “Como é bonito isso aqui!”, diz, quase com um suspiro.

O cacique senta-se muito ereto no banco sem encosto para as costas e gesticula apenas com a mão esquerda. Se agita e faz movimentos com os dois braços, apontando repetidamente o indicador, de modo acusatório, quando faz menção ao presidente Jair Bolsonaro. Raoni, de aproximadamente 89 anos —não se sabe o ano exato de seu nascimento—, que havia passado os últimos anos afastado da vida pública, depois de tornar-se conhecido internacionalmente desde os anos 1980 pela defesa dos povos indígenas e pela luta contra construção da hidrelétrica de Belo Monte, conta que foi por causa de Bolsonaro que decidiu voltar a viajar e reunir-se com líderes de todo o mundo.  “Nunca deixei de me preocupar pelos indígenas e pelo progresso dos nossos povos, com o que está acontecendo com a floresta. Mas, este ano, com a mudança de Governo, que ameaça nossa existência, pensei em voltar e continuar minha luta”.

Em maio, Raoni viajou pela Europa em busca de apoio para a defesa da Amazônia. Esteve com o Papa Francisco e visitou o presidente francês, Emmanuel Macron. Isso rendeu-lhe um ataque de Bolsonaro em seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, em setembro. “A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”, disse o presidente brasileiro.

Em agosto, Raoni lamentou publicamente que Bolsonaro não quisesse encontrar-se publicamente com ele. Hoje, diz que não tem interesse em sentar-se com o presidente. “Eu conversaria com algum outro representante do Governo, alguém que substitua ele. Mas com Bolsonaro não quero falar, não”. Nesta segunda-feira, Raoni foi hostilizado por um pequeno grupo de representantes de entidades ruralistas durante a abertura da jornada da Amazônia Centro do Mundo na Universidade Federal do Pará (UFPA) de Altamira, que fizeram eco das palavras de Bolsonaro sobre as ONGs serem responsáveis por crimes ambientais na Amazônia. Apesar do incidente, quando retomou a fala, o líder indígena voltou a pedir paz.

Raoni, durante a entrevista.
Raoni, durante a entrevista.Lilo Clareto/ISA

O cacique solta uma sonora gargalhada quando perguntado se seu amigo Sting —ex-líder da banda The Police, com quem Raoni saiu em turnê internacional nos anos 1990 para denunciar a destruição da floresta e o descaso do Governo brasileiro com a população indígena— lhe telefonou para demonstrar apoio ante as críticas do presidente. “Todas as pessoas que eu conheço, Sting, Nicolas, Hulot [ambientalista francês], o presidente da França, o Papa, todos me apoiaram, todos me falaram que Bolsonaro não é bom, porque ele está me atacando. Todos me disseram: ‘Estamos com você’. Mas sou eu que pergunto onde está o amigo dele. Cadê o amigo de Bolsonaro? Cadê o Queiroz?”, pergunta, referindo-se a Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar do senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente. Queiroz é acusado de ter movimentado mais de um milhão de reais de forma irregular entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, período em que trabalhou como motorista e segurança do político. O ex-funcionário da Assembleia do Rio é investigado por lavagem de dinheiro e suspeito de cobrar uma fatia do salário de outros servidores, num caso paralisado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal que volta ao debate nesta quarta.

Mudanças climáticas e desmatamento

No dia em que o Governo divulgou que a Amazônia perdeu 9.700 quilômetros quadrados em um ano, o que representa o maior desmatamento desde 2008, Raoni lembrou que vem alertando há décadas sobre o problema, provocado principalmente pelas mineradoras, fazendeiros, madeireiros e grileiros na região. “Fico preocupado com o que está acontecendo hoje, as pessoas estão desmatando cada vez mais para fazer roças e plantar. E estão fazendo isso de uma maneira muito séria, com fogo. Acho que esse povo já tem seus pedaços de terra para empreender, deveriam continuar usando o que já têm, sem derrubar mais floresta”.

O cacique também falou sobre as mudanças climáticas, um dos principais temas do encontro Amazônia Centro do Mundo. “Minha preocupação não é só com os indígenas, mas com todo o mundo. Porque se eles desmatarem toda a floresta, o tempo vai mudar, o sol vai ficar muito quente, os ventos vão ficar muito fortes. Eu me preocupo com todos, porque é a floresta que segura o mundo. Se acabarem com tudo, não é só índio que vai sofrer. Minha preocupação é com o futuro das crianças e jovens que vão crescer neste planeta”, lamenta. 

Raoni celebrou o encontro inter-geracional e de vários povos e etnias para debater soluções para a proteção do meio ambiente e dos povos da floresta. “Gostei muito de estar com eles, pude passar minha mensagem. Espero que essa união continue daqui para a frente, que possamos formar uma aliança para proteger a Amazônia”, diz, fazendo com as mãos um movimento que indica união, junção de povos. Ele mencionou os jovens ativistas pelo clima, entre eles as belgas Anuna de Wever e Adélaïde Charlier, que navegaram durante seis semanas em um barco a vela para vir ao Brasil.

A essas jovens, deu um conselho sobre a melhor forma de lutar pela preservação da floresta e da vida: “Na minha vida, fiz muito discurso e falei com muito chefe político do mundo todo. É lá fora que temos que controlar o problema. Porque é o povo de lá que vem com dinheiro para investir aqui, para construir barragens, coisas grandes”, diz e acrescenta: “Agora é a vez de vocês falarem com eles. E não é só pedir dinheiro. Dinheiro é bom para fiscalizar nossas áreas e não deixar madeireiros e garimpeiros entrarem, mas não é tudo. Tem que falar com os políticos”.

À beira dos 90 anos —ou quiçá com mais que isso— Raoni diz que ainda tem força para lutar, apesar de dividir a responsabilidade para a juventude. “Eu vim para cá falar e para ser ouvido. É isso que vou fazer”, afirma.

nov
19
Posted on 19-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-11-2019


 

Ricardo, no jornal O Popular (GO)

 

nov
19
Posted on 19-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-11-2019
 

DO EL PAÍS

Somos fechados na hora de mostrar nossos sentimentos e emoções, uma capacidade enterrada que recuperamos com os netos

Mikel Jaso
 

Por que temos tanta dificuldade para demonstrar nossos sentimentos e nossas emoções?

Porque ainda é visto como um sinal de fraqueza, de vulnerabilidade, quando na verdade é uma demonstração de sensibilidade.

A sensibilidade é um ponto forte, não uma fraqueza.

Somente o sensível é confiável.

Não se deve nunca confiar no insensível, no que não sente e não sofre.

A pessoa dura, sem escrúpulos, centrada unicamente no resultado econômico à custa da vida emocional do outro deveria entrar na categoria das espécies em extinção.

Não será tarefa fácil, já que a história não joga a nosso favor; é provável que tenhamos a tendência a fazer o que nos fizeram.

Se você não foi cuidado, é difícil que saiba cuidar.

Se não te amaram, é difícil que saiba amar.

Se não te escutaram, é difícil que saiba escutar.

Se você não teve limites, é difícil que saiba colocá-los.

Se não te deram reconhecimento, é difícil que possa dá-lo.

Se não te mostraram confiança, é difícil que confie no outro.

Podemos constatar a dificuldade de mostrar os sentimentos e as emoções, e observá-lo, quando nos referimos à forma de nos relacionar com nossos filhos e nossos netos.

Os que são pais e avós podem confirmar na maioria dos casos. Quando se é pai ou mãe, demonstra seus sentimentos de carinho, de ternura, de reconhecimento, mas na maior parte das vezes ficam em segundo plano, já que o primeiro é ocupado pelo senso de responsabilidade, exigência, autoridade, definitivamente, de “não deixar os filhos mal-educados”.

É comum escutar os pais falando de como é difícil a tarefa de ser pais. E é. Das coisas mais difíceis que existem e uma das poucas tarefas de responsabilidade em que não se exige formação nenhuma.

Também é comum escutar os avós falando de como é gratificante ser avós. E é.

A razão dita por uns e outros é que, quando somos pais, a responsabilidade não nos permite “aproveitar”. Mas quando somos avós, como a educação dos filhos já cabe aos pais, podemos nos divertir. Como se educar e ter bons momentos fossem atividades incompatíveis.

Quando se é avó soltamos tudo o que gostaríamos de fazer como mãe com os filhos e, sem saber muito bem por que, não fizemos.

De fato, em meu consultório pude escutar alguns de meus pacientes de paternidade recente reconhecerem que sentem ciúmes de como seus pais tratam seus filhos –ou seja, os netos–, já que manifestam sentimentos e realizam ações que não se lembram e nunca viram fazerem com eles.

“Minha mãe é feliz levando meus filhos às diversões, não me lembro de jamais ter nos levado”. E também: “Meu pai sozinho montando um brinquedo…! Se não visse, não acreditava!”.

Há um fato que podemos observar na rua. Vamos prestar atenção como vão ao colégio uma mulher e um homem com seus filhos e como o fazem os avós com os netos. Habitualmente vemos a mãe e o pai na frente do filho, “puxando” a criança, literalmente arrastando-a em direção à escola. E, por outro lado, quando os netos vão acompanhados pelos avós, costumam ir caminhando tranquilamente ao seu lado. Como se os pais sentissem que sua responsabilidade é “puxar” seus filhos para frente, e a dos avós, acompanhar-se mutuamente, netos e avós. Os avós acompanhando os netos no começo da vida e os netos acompanhando os avós ao final da sua. Talvez essa seja realmente a origem da cumplicidade entre todos eles.

A verdade é que ser avô permite que você aproveite uma segunda oportunidade: é ser como o champanhe.

Quando tive o privilégio de escrever com Josep Roca o livro Tras las viñas (sem tradução em português). Un viaje al alma de los vinos (Após as vinhas. Uma viagem à alma dos vinhos), uma das muitas coisas que aprendi é que o champanhe é um vinho com segunda oportunidade.

“O champanhe”, me disse Pitu Roca, “é resultado de um vinho que, uma vez finalizada a fermentação, não tem muita personalidade, mas graças ao processo de acrescentar açúcares, leveduras e um pouco mais do mesmo vinho e levando-o novamente para fermentar, se torna uma bebida deliciosa”.

Após escutar todas aquelas explicações, pensei: “Como ser avós…”.

Inma Puig é psicóloga clínica.

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