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Lula no encontro do PT em Salvador: nada de autocrítica…
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Evo Morales desembarca no México:exílio incerto.

ARTIGO DA SEMANA

Lula solto na Bahia, Evo exilado no México: embalos e abalos no Continente

Vitor Hugo Soares

Depois de acompanhar, pela TV, discursos inflamados e inflamáveis do ex-presidente Lula – bem ao gosto da turma do MST, PSOL e do Foro de São Paulo, mas considerados “acima do tom” por petistas de alta linhagem, a exemplo do governador Rui Costa, da Bahia – nos dois atos realizados após sua saída da cadeia em Curitiba (onde ficou por um ano e sete meses), vejo  imagens da chegada melancólica de Evo Morales, no México, em avião da Força Aérea Mexicana,  para cumprir incerto período de exílio, no país governado pelo parceiro político e ideológico, Lopez Obrador. Nas duas situações, a memória me conduz aos versos de “Notícia de Jornal”, de Chico Buarque,  q ue diz, na desconcertante letra: “Aí a notícia carece de exatidão./O lar não mais existe./Ninguém volta ao que acabou”…

Canto simbolicamente perfeito e de inegável atualidade nos dois casos. Mesmo que a situação do líder brasileiro, de origem operária, possa parecer melhor, em termos de perspectivas, que a do ex – dirigente boliviano, de origem indígena agora no desterro. Para o ex mandatário  da Bolívia tudo aparenta ser  pior. Desde que decidiu meter os pés pelas mãos, desconsiderando a Cons titui&cc edil;ão, e partiu para forçar seu quarto mandato, em total desacordo com a lei magna e com a vontade do seu povo, expressa em plebiscito.

Mais grave ainda foi a descoberta, por observadores e técnicos da OEA, das irregularidades e fraudes cometidas por Evo, e aliados, dentro e fora da do país, para se perpetuar no mando. Com a ajuda cúmplice de membros destacados do Tribunal Supremo Eleitoral,  presos com algemas e afastados de seus cargos, com desonra pública. Isso deslegitimou o processo eleitoral e levou o povo, em fúria, às ruas, aos saques, aos incêndios, aos bloqueios de rodovias e ao caos, que fez desabar o que aparentava ser trincheira inexpugnável de poder na América do Sul. Agora só resta chorar “pelo leite derramado”, ou apelar para o velho consolo de que houve “golpe”.

No Brasil, Lula parece dispor, ainda, de tempo e de poeirenta estrada para caminhar com seus seguidores, enquanto atira para todo lado: De Bolsonaro, Moro e Guedes à Silvio Santos e a Rede Globo. Nada parece intimidar o criador do PT, a deduzir pelas bravatas de suas falas, nos dois atos públicos ao deixar a cadeia. Quando alardeou que sai da cela “um homem de 74 anos de idade, com vitalidade de 40 e tesão de 20”,  ao apresentar a namorada aos militantes. Na quarta-feira desembarcou em Salvador, para jantar e conversar com Rui Costa, no Palácio de Ondina, antes de reencontrar companheiros, dia 14, na reunião da Executiva Nacional do PT, em hotel de luxo, no  centro de Salvador, coração do Nordeste. Região fiel aos apelos do antigo guia hist&oacut e;rico, – em sua tentativa de reconstrução da casa abalada – dominada por governadores “de esquerda”, a começar pelo da Bahia, a cujos ouvidos, declaradamente, não soam bem palavras de ordem do tipo &ldquo ;Lula Li vre” e as falas de Lula incendiário.

No encontro da cúpula petista, o ex não só repetiu as falas de Curitiba e São Bernardo, mas e atirou ainda em Fernando Henrique Cardoso, ao recusar propostas de autocrítica dele e do PT. “Vocês já viram alguém cobrar autocrítica de FHC?”. Sábado,  ele passa com a namorada em praia do sul baiano. Domingo participa do Festival Lula Livre, em Recife. Depois tudo pode acontecer, inclusive nada.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Love Comes To Everyone”, George Harrison: uma belíssima canção que vai direto ao coração, sem desvios. E uma emocionante e perfeita interpretação a cargo do autor. Maravilha!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Bolsonaro: “Não conseguiram nada comigo, vão para cima de um filho meu agora”

Jair Bolsonaro acusou o PT de ir para cima de seu filho Carlos:

“Vi uma matéria no site O Antagonista que o PT quer uma busca e apreensão na casa do meu filho. O pessoal pensa, o que é busca e apreensão? Está metido com que coisa de errado? Eles querem saber se tem alguma ligação com o caso Marielle. Não conseguiram nada comigo, vão para cima de um filho meu agora. É muita marola e isso deixa a gente chateado, não há dúvida. O que eu tenho a ver com a morte dessa senhora? Nada a ver. Inclusive, no mesmo dia que a matéria foi veiculada, que nem deveria ser veiculada, diz que estava em Brasília. Tem 150 pessoas morando no meu condomínio. Se alguém rouba uma galinha lá, vão me acusar de ter feito uma galinhada em casa.”

A fonte é o Estadão.

Do Jornal do Brasil

 

Filosofia que inspirou a Proclamação da República em 1889, o positivismo tem seguidores assíduos no único templo da Religião da Humanidade ativo no mundo. A Capela Positivista de Porto Alegre abre as portas todos os domingos pela manhã, 130 anos após o início do regime republicano no Brasil, para receber frequentadores e curiosos.

Macaque in the trees
Retrato do Marechal Deodoro da Fonseca (Foto: Reprodução)

O terreno foi adquirido por positivistas gaúchos em 1911, durante a República Velha, e a pedra fundamental foi inaugurada no ano seguinte.

O templo foi inaugurado em 1928, seguindo um projeto elaborado pelo francês Augusto Comte (1798-1857), principal idealizador da doutrina que tem a ciência como dogma. Há outra construção do tipo, no Rio de Janeiro, mas ela está fechada.

“Bom dia, seja bem-vinda. Estamos iniciando a visita guiada. Se quiser participar, fique à vontade”, diz o guardião do templo, Érlon Jacques, 47. “Eu quero”, responde animada uma mulher ao entrar pela primeira vez no local, na avenida João Pessoa, próximo ao Parque da Redenção.

Assim como os outros 15 visitantes que acompanharam o sermão do mestre, ela atravessou o portão de ferro com uma inscrição no alto que atrai parte dos pedestres que param para observar ou tirar fotos. Ali é possível ler: “Os vivos são sempre e cada vez mais necessariamente governados pelos mortos”.

“Não tem nenhuma conotação mística. É o reconhecimento e reverência à ancestralidade”, explica Jacques ao grupo ainda reunido na escada que conduz à construção branca em estilo neoclássico.

Cada um dos 13 degraus está marcado com palavras que indicam a organização social na visão de Comte, que inicia com o “proletariado” e culmina na “humanidade”, passando, entre outros, por “fraternidade” e “casamento”.

Sobre este último, Jacques afirma: “Comte diz que o casamento tem que ser livre e de espontânea vontade das partes. No passado, [matrimônios] eram por conveniência. É preciso respeitar as escolhas”, comenta, usando uniões homoafetivas como exemplo.

“Não pode haver preconceito”. Principalmente os raciais, continua ele: “Somente abolicionistas podiam ingressar na Igreja da Humanidade, não podiam ter escravos, precisavam ser éticos e humanistas”.

A ideia de igualdade é também o que justifica a luta dos positivistas brasileiros pelo fim da Monarquia e a instauração de uma República, segundo Jacques.

“A monarquia subentende que o líder é referendado por um ser divino, é um sistema político baseado em uma fantasia. Não aceitamos que um ser humano pode ser considerado melhor do que outro apenas por ser de uma determinada família. Para nós, isso não existe”, diz.

O grupo chega ao topo da escada. Antes de entrarem no templo para o “culto”, observam as palavras na fachada que lembram o lema da bandeira do Brasil, não por acaso elaborado por positivistas: “O amor por princípio. A ordem por base. O progresso por fim”.

Mas por que o lema da bandeira deixou de fora o “amor”? “O amor não é feito para governar. Alguém duvida do amor de Hitler pela Alemanha? Olhem a catástrofe que ocorreu”, cita Jacques.

Quando a República foi proclamada, a primeira bandeira era semelhante à dos Estados Unidos, com listras horizontais, mas com as cores verde e amarela. Insatisfeitos com a cópia, os positivistas elaboraram uma nova bandeira, apresentada quatro dias depois. “O positivismo não é revolucionário, não tem a ideia de ruptura, mas de mudar aos poucos.”

Por isso a bandeira conserva o molde anterior, mas substitui o brasão do Império pelo céu no momento da Proclamação. O astrônomo positivista Manuel Pereira Reis (1837-1922) foi responsável por registrar o mapa estelar.

Dentro da capela, ao assinar o livro de visitas, o grupo descobriu que o mês de Shakespeare havia acabado e corria a primeira semana do mês de Descartes do ano de 231. O positivismo tem calendário próprio, com 13 meses, e o ano que inicia a contagem é 1789, quando ocorreu a Queda da Bastilha, na Revolução Francesa.

“O mês de Shakespeare é lindo, dedicado a escritores e músicos. No mês de Descartes, vamos estudar os principais filósofos da humanidade. Hobbes, Locke, Kant…”, diz Jacques. “E o Nietzsche?”, pergunta um frequentador. “Nietzsche não, porque ele é posterior a Comte”, responde.

A figura de santa Heloísa, erudita francesa de origem nobre, é a principal dentro do templo. No lugar de um deus tem-se uma deusa, a Humanidade. De cada lado desta imagem central estão os bustos das figuras ilustres que nomeiam os meses do calendário, de Homero a Gutenberg.

“Trago meus alunos aqui desde a década de 1980, faço questão”, conta Jovelina Drun da Costa, 71, professora de sociologia e filosofia de uma escola pública em Viamão (RS).

Naquele domingo, ela ouviu o sermão sobre o positivista Benjamin Constant, um dos principais articuladores da Proclamação.

“Constant era um pacifista. Esse sentimento se consolidou após a Guerra do Paraguai, quando desenvolveu sérias críticas ao duque de Caxias pelos exageros cometidos, foi o genocídio de toda uma população”, afirma Jacques. Constant foi ministro da Guerra no governo do marechal Deodoro.

O sermão termina com todos fazendo o sinal que consiste em colocar a mão esquerda no peito e a palma direita na testa (amor), na cabeça (ordem) e na nuca (progresso).

O que é

Doutrina filosófica que surgiu na França no século 19 e defendia o método científico, a popularização da educação e relações éticas e igualitárias para atingir “ordem e progresso”. O francês Augusto Comte (1798-1857) é sua principal figura. O positivismo rejeitava superstições, mas Comte entendia que a religião era uma ferramenta eficaz para provocar as mudanças que desejava. 

Relação com a República

Os positivistas brasileiros eram republicanos e rejeitavam o princípio da Monarquia, segundo a qual o rei é escolhido por Deus. A doutrina está explícita na bandeira nacional, elaborada após a Proclamação. 

Personalidades

Foram positivistas Benjamin Constant (1836-1891) e o marechal Cândido Rondon (1865-1958), por exemplo. Entre seus simpatizantes estavam três presidentes: Deodoro da Fonseca (1827-1892), Floriano Peixoto (1839-1895) e Getúlio Vargas (1882-1954).

Do Jornal do Brasil

 

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Energia nuclear pede mais 20 anos de vida

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás que administra a mais antiga usina nuclear do Brasil, a de Angra I, fornecida em pacote fechado pela americana Westinghouse, sem transferência de tecnologia – como nas demais Angra II e III {em construção) no Acordo Nuclear com a Alemanha, com transferência de tecnologia da Siemens – pediu à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), na última quinta-feira, 7 de novembro, a extensão de vida útil de Angra I de 40 para 60 anos. Para isso, pediu financiamento equivalente a R$ 1 bilhão ao Eximbank, o banco de financiamento às exportações dos Estados Unidos.

Com licença operacional de 1984 e em operação comercial desde1985, após superar inúmeros problemas técnicos que causavam tantas interrupções que ganhou o apelido de “usina vaga-lume”, a licença de Angra I expiraria em 2024. A usina vem operando com a média de 640 MW de eletricidade, capaz de iluminar uma cidade de 1 milhão de habitantes (como Porto Alegre ou São Gonçalo-RJ). Já Angra II produz 1.350 MW desde 2001.

A durabilidade da usina foi garantida pela troca dos geradores de vapor – dois dos principais equipamentos da usina – feita em 2009. Com a substituição, a vida útil de Angra I poderá ser estendida, permitindo que a usina esteja apta a gerar energia para o Brasil por décadas. O crédito do Eximbank visaria cobrir os custos com a compra de equipamentos e serviços americanos necessários a garantir mais 20 anos de vida útil da usina.

Nuclear X solar e gás

A geração de energia elétrica de origem hídrica responde, aproximadamente, por 60% da energia elétrica do país. As termelétricas (movidas a gás ou óleo diesel) respondem por cerca de 22%. A energia eólica tem capacidade de 7% e a energia solar e eólica completam o quadro de suprimento.

Com as descobertas do pré-sal, a geração de gás natural no Brasil já é três a quatro vezes superior à do acordo de fornecimento de gás da Bolívia (cuja revisão já estava no radar antes da queda de Evo Morales).

Só a termelétrica do Açu da GNA (Gás Natural Açu), a ser inaugurada em 2021, vai gerar 1,3 MW (praticamente uma Angra II). Mas a GNA já programou a GNA II, para gerar 1,7 MW a partir de 2023, um total de 3 mil MW. 50% a mais que a geração nuclear em Angra dos Reis.

Em Sergipe será inaugurada no começo do ano que vem a Termelétrica Porto de Sergipe, iniciativa da Celse, com capacidade de 1,5 mil MW.

Além do custo mais baixo em relação às usinas nucleares, a construção de uma termelétrica dura um máximo de 30 meses.

Já Angra III, em construção há três décadas, com capacidade para gerar 1,4 mil MW, e cujas obras foram interrompidas em 2015, após investigações da Lava-Jato que incriminaram até o ex-presidente Michel Temer, já engoliu R$ 5 bilhões (incluindo as propinas de corrupção confessadas pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Correa) e deve consumir mais R$ 14/15 bilhões para ficar pronta em cinco anos, segundo a previsão do ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, feita na semana passada.

Estocagem do vento

A energia eólica tem capacidade para 7% mas a potência dos ventos oscila muito (já dizia a ex-presidente Dilma que “não era possível estocar vento”). Com a sua habitual dificuldade de expressão, Dilma queria dizer que as energias alternativas, como a eólica ou a solar, não permitem armazenamento do fato gerador (o vento ou luminosidade solar) por muito tempo. As baterias têm capacidade limitada.

Na energia hidrelétrica, as águas de verão podem ser estocadas nos reservatórios para uso ao longo dos 12 meses. O bom uso combinado e integrado das fontes alternativas com a energia elétrica permitiria o uso mais racional da energia hidrelétrica (as águas seriam poupadas nos picos da geração eólica ou solar).

Mas a questão é que, por ora, a alternativa mais viável é a geração termoelétrica movida a gás natural. Com o pré-sal, o Brasil tem gás e petróleo garantidos para além de 2050. A menos que outras energias desbanquem o petróleo e o gás natural.

Questão tributária

O potencial da energia solar é imenso por envolver investimentos pulverizados (de grandes a microempresários até empreendimentos habitacionais e residências). Ganharia mais impulso com um tratamento fiscal menos leonino.

As duas usinas nucleares geram basicamente 2 mil MW. É menos que o total acumulado pela capacidade de geração de energia solar do Brasil, que superou os 2,4 mil MW em setembro.

O preço do VW GOL mede a crise da Argentina

O jornal “Âmbito Financiero”, da Argentina trouxe hoje uma interessante conta que dá para entender porque nos últimos dois anos as exportações de automóveis brasileiros para os consumidores argentinos (nosso principal mercado externo) deram marcha à ré.

Em 2015, uma versão básica do VW Gol, o carro mais vendido pela VW do Brasil, lá e aqui, custava 200 mil e 800 pesos.

Atualmente, com a desvalorização do peso argentino acelerada em dois anos e com a evolução dos equipamentos tecnológicos incluídos nos automóveis, o modelo mais equipado do Gol vale mais de um milhão de pesos ($ 1.091.150).

A “inflação automotiva” se repete nos modelos de outras montadoras.

Mas, ao contrário do Brasil, onde as evoluções tecnológicas têm sido acompanhadas por elevações modestas nos preços, para os argentinos, a desvalorização do peso diante do dólar – que nesta segunda feira estava a 63 mil pesos – foi fatal.

Até o fim do governo de Cristina Kirchner, o dólar valia pouco menos de 10 pesos. Após a eleição de Maurício Macri, saltou para 15 pesos e agora vale 63.

Dá para entender porque Macri perdeu para Alberto Fernández.

O deputado Luiz de Orléans e Bragança ouviu do próprio presidente que este queria tê-lo como vice em sua chapa nas eleições de 2018, mas desistiu de última hora. O motivo seria um suposto dossiê com fotos

Luiz Philippe de Orleans e Bragança em outubro de 2018.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança em outubro de 2018.

O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança estreou na política em 2018 exibindo seu currículo de “quase príncipe”. Bragança descende da família real brasileira, que governou o então Império até 1889. Em 15 de novembro daquele ano, um grupo de militares contrários à monarquia proclamou a República, em uma mudança tão radical de sistema de Governo que os reis e princesas no Brasil só sobreviveram nos livros infantis. Mas uma ironia marcou esta semana a vida do deputado de sangue real, que se elegeu com 118.457 votos pelo Partido Social Liberal (PSL), o mesmo partido do presidente ultradireitista Jair Bolsonaro. Em uma reunião, ele soube por Bolsonaro que quase foi vice-presidente da mesma República que enterrou para sempre a monarquia no país e mudou o destino de seus ancestrais, que incluem o rei João VI, de Portugal, que veio para o Brasil em 1808.

Às vésperas das eleições de outubro do ano passado, o então candidato Bolsonaro esteve a ponto de pedir que ele fosse seu vice na chapa do PSL. Mas, de última hora, decidiu convidar um militar, o general da reserva Hamilton Mourão, por razões pouco nobres. A existência de um suposto dossiê com fotos que mostrariam Bragança em uma orgia gay e comprovariam sua participação em ações de um grupo extremista que saía de noite para espancar mendigos nas ruas. Alguém recomendou a Bolsonaro que não corresse riscos e evitasse possíveis escândalos futuros, e assim foi. O candidato de ultradireita deixou de lado seu desejo e cerrou fileiras com o general Mourão, com quem assumiu o poder no início deste ano.

Passados 11 meses de Governo, o presidente se deu conta de que o potencial escândalo sobre Bragança era, na verdade, uma falsa intriga armada por algum invejoso. Ele se arrependeu de ter se deixado envenenar por quem o aconselhou a se afastar do deputado de sobrenome real. “Você deveria ter sido meu vice, e não esse Mourão aí. Casei errado. E agora não tem mais como voltar atrás”, disse o presidente a Bragança, segundo a Folha de S. Paulo.

O desabafo do chefe de Estado tem razão de ser. Bolsonaro está saindo do PSL depois de brigas públicas, disputas de poder e acusações de corrupção durante a campanha eleitoral. O presidente fundou outro partido, a Aliança pelo Brasil, e convidou os 53 deputados do PSL que se elegeram com seu apoio a seguir o mesmo caminho. Apenas 26 devem aceitar o desafio, segundo a imprensa. Entre eles, o deputado “príncipe”. Foi essa prova de lealdade que levou Bolsonaro a contar a Bragança sobre o quase convite a vice e seus motivos. “[Bolsonaro] reconheceu publicamente que [o ex-ministro Gustavo] Bebianno armou para cima de mim e, baseado nisso, tomou a decisão [de não me convidar]”, contou o deputado Bragança a aliados, mencionando Bebianno, ex-braço-direito do presidente, que ficou menos de dois meses no Governo e se transformou em inimigo de Bolsonaro.

Bragança tem sido um fiel soldado. Tem resistido a todos os escândalos que cercam seu presidente, que fez inimigos na mesma velocidade com que caiu sua popularidade. Entre seus desafetos está Bebianno, que ficou furioso ao se ver envolvido em acusações do presidente. “Que passe em um detector de mentiras comigo e repita o que disse olhando nos meus olhos”, disse Bebianno. Segundo ele, Bolsonaro lhe telefonou na véspera do anúncio de seu vice para contar que havia recebido de um coronel do Exército as tais fotos comprometedoras. Bebianno teria a missão de dizer ao “príncipe” que Bolsonaro não poderia mais convidá-lo a ser vice.

Ao se ver no meio da trama de intrigas, o deputado real ri, tratando como fake news as supostas agressões a mendigos e orgias. “Não sou gay nem sei onde é que faz suruba”, disse ele em mensagem de voz a seus aliados, na qual afirma, rindo, que “talvez isso até me ganhe vários pontos aí com a comunidade LGBT”.

Nesta sexta-feira, dia da proclamação da República, em meio a tantas notícias sobre Bragança, os internautas aproveitaram para lembrar, nas redes sociais, que no Brasil já não há príncipe.

nov
16
Posted on 16-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-11-2019

 

Duke, no jornal mineiro O Tempo

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