Kirimurê, capital da Amazônia Azul

Joaci Góes

Ao eminente desembargador-acadêmico João Augusto de Oliveira Pinto!

Na última segunda-feira, dia 11, a Academia de Letras da Bahia, em parceria com o Grupo Kirimurê, presidido pelo urbanista e escritor Lourenço Mueller, e a Fundação Aleixo Belov, sediou um concorrido Congresso destinado a identificar o conjunto de ações necessárias para proteger a Baía de Todos os Santos, Kirimurê, Grande Mar Interior, na designação dos Tupinambá, bem como o aproveitamento inteligente de seu enorme potencial econômico, turístico e social. O Congresso objetivou, também, intensificar os esforços indispensáveis a obter o reconhecimento oficial da nossa grande Baía como a Capital da Amazônia Azul, território molhado, com nada menos do que 5,7 milhões de km², que se soma aos 8,5 milhões do tradicional território seco, acrescendo-o em mais de dois terços.

Para que se tenha uma pálida ideia da importância desse território molhado, a cada dia novas descobertas científicas aumentam a confiança de que as riquezas naturais existentes sob a superfície dessas extensas águas podem igualar ou mesmo superar as já inventariadas no território seco. Nossa Amazônia Azul, portanto, ultrapassa em mais de 1,2 milhões de km² a Floresta Amazônica Brasileira, com quase 4,5 milhões de km². Basta que se diga que desse território molhado já extraímos 85% do petróleo, 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no País. E ainda estamos vivendo a fase embrionária do conhecimento desse gigantesco potencial.

Louve-se, portanto, a Marinha do Brasil, na pessoa do Almirante Roberto Guimarães Carvalho que, num “estalo de Vieira”, passou a denominá-lo “Amazônia Azul”, nome de valor inapreciável, tendo em vista que as quatro palavras de maior conhecimento universal, comum a todos os idiomas são: hotel, hospital, taxi e amazon.

Onze palestrantes, de reconhecido saber em suas respectivas áreas, se revezaram na tribuna, ao longo de cinco horas, para desenvolver temas rigorosamente ligados ao presente e ao desejável futuro de Kirimurê: 1- Lourenço Mueller falou da formação do Cibergrupo Kirimurê, entidade que liderou a realização do evento; 2- o navegador Aleixo Belov discorreu sobre a criação da fundação que leva o seu nome; 3- o Secretário Municipal de Salvador, André Fraga, falou sobre as cidades inteligentes a serem criadas em Kirimurê; 4- Roberto Bezerra, o Malaca, comparou os saveiros do passado e do presente, advogando pelo modelo futuro; 5- o professor e acadêmico Paulo Ormindo destacou o papel estratégico de Kirimurê na engrenagem do transporte marítimo internacional; 6- o Secretário Estadual de Turismo, Fausto Franco, lecionou sobre as avanços do PRODETUR; 7- o especialista em Amazônia Azul, Eduardo Athaíde, apresentou as razões pelas quais Kirimurê deve ser a capital da Amazônia Azul; 8- a professora Gal Meirelles evidenciou a importância antropológica das populações que vivem à borda de Kirimurê; 9- a Professora Tania Mascarenhas Tavares denunciou os maus tratos históricos impostos a Kirimurê; 10- o Engenheiro Florestal Samir Abdala, chefe do setor de licenciamento ambiental de Salvador, destacou a importância dessa questão para o presente e o futuro de Kirimurê; e 11- encerrando o programa expositivo, o ex- secretário, deputado, ministro e senador Waldeck Ornelas falou da importância do planejamento das ações no âmbito de Kirimurê.

A verdade é que a Bahia, pelo conjunto de suas lideranças, precisa unir forças no sentido de fazer com que a Baía de Todos os Santos, a maior do Brasil, a segunda do Planeta, integrante do seleto grupo das Mais Belas Baías do Mundo, localizada bem ao centro da maior costa que qualquer país possui num só oceano, seja reconhecida como a Capital da Amazônia Azul. Se não o fizermos, a pequena e poluída Baía da Guanabara nos levará a palma. Basta ver o conjunto de iniciativas de caráter técnico e científico que ali se desenvolve. A presença, porém, dos secretários André Fraga, da administração municipal de ACM Neto, e Fausto Franco, do Governo Rui Costa, deu aos presentes a confiança de que essas duas importantes lideranças políticas de nosso Estado não permitirão que tema de tamanho significado para Salvador, em particular, e para a Bahia, em geral, seja prejudicado pela disputa eleitoral que tem sido, desgraçadamente, o fator que se tem sobreposto e atropelado os interesses da próxima geração, Brasil afora.

Recorde-se os importantes aliados com que Kirimurê conta, nessa luta, entre os oficiais generais de nossa briosa esquadra, a exemplo dos almirantes Arnon Barbosa, Almir Garnier e Marcelo Campos, todos ex-Comandantes do Segundo Distrito Naval, e do atual, Almirante André Luís Silva Lima de Santana Mendes, ou simplesmente, Almirante Silva Lima, ainda, por cima, baiano de nascimento.
O jurista baiano Augusto Aras, no comando da poderosa PGR, considerado a Rainha no complicado xadrez da política brasileira, é de valor inestimável nesse mutirão patriótico.

Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto originalmente publicado nesta quinta-feira, 14, na TB.