Pesquisa da Atlas Político mostra que índice dos que desaprovam a detenção de ex-presidente subiu de 37,4% para 44,4%. Ainda assim, 53% têm imagem negativa dele. Eleitor votaria mais em Bolsonaro e Moro do que em candidato indicado pelo petista

O ex-presidente Lula é carregado por apoiadores em São Bernardo do Campo, no dia 9 de novembro.
O ex-presidente Lula é carregado por apoiadores em São Bernardo do Campo, no dia 9 de novembro.NACHO DOCE (REUTERS)

 Felipe Betim

A libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um efeito positivo para sua imagem. A rejeição à sua prisão subiu, segundo pesquisa da consultoria Atlas, feita na Internet entre os dias 10 e 11 de novembro — dois dias após sua soltura — com 2.000 pessoas de todas as regiões do Brasil. Na comparação com o levantamento feito em julho, houve uma alta de sete pontos percentuais no índice de rejeição ao cárcere do ex-presidente, que passou de 37,4%% para 44,4%, respectivamente. Ao mesmo tempo, a percepção da imagem de Lula melhorou. Na pergunta “Você tem uma imagem positiva ou negativa de Lula”, 40,7% pontuaram como positiva, enquanto que em agosto o índice era de 34%. Ainda assim, uma maioria de 53% ainda possui uma imagem negativa do líder petista.

Ainda sobre a condenação que levou Lula à cadeia por 580 dias, a pesquisa mostra alguns resultados aparentemente contraditórios. Enquanto 47,8% se mostram a favor de sua prisão e 44,4% contra, 52,2% dizem que ela foi justa, ao passo que 42,3% acreditam que foi injusta. “Isso sugere que uma parcela chave da população considera que Lula já pagou o suficiente pelos erros que consideram tê-lo levado a sua condenação”, explica o cientista político Andrei Roman, fundador da Atlas. Roman observa que esse grupo se mostra “disposto a perdoar” o líder petista.

O Atlas traz ainda mostra que a maioria dos entrevistados, ou 56,5%, rejeita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou na última quinta-feira a execução de uma pena condenatória logo após o julgamento em segunda instância e que resultou, no dia seguinte, na soltura do ex-presidente e outros condenados da Operação Lava Jato. Apenas 29,4% se disseram a favor, enquanto que 14,1% não souberam opinar. Isso indica uma discrepância entre a rejeição da decisão do STF e a rejeição à prisão do ex-presidente. Roman opina que “boa parte dos eleitores do Lula esperaria que o STF fosse decidir por sua inocência, ao invés de adotar essa solução, que essencialmente deixa o petista refém no futuro, e faz dele um bode expiatório para a libertação de outros personagens, muitos deles bem controversos“.

Porém, o cientista político não sabe dizer se esse assunto abordado pelo Supremo e toda sua natureza complexa ficou articulada com tanta clareza na cabeça do eleitorado lulista. “De qualquer forma, a dinâmica do STF dos últimos anos foi de muitas contradições em relação a sua própria jurisprudência. Apesar de guiado muito pela opinião pública, as reviravoltas e a fragmentação da  Corte deixou ela bastante desacreditada, tanto com os eleitores mais à esquerda, como mais à direita. A população enxerga essas contradições como oportunismo ou briga pelo poder, o que talvez explique por que a decisão não tem um apoio popular semelhante à rejeição da prisão de Lula”, argumenta.

A queda de popularidade do governo Bolsonaro e as revelações do Vaza Jato são provavelmente os dois fatores mais importantes que levaram esse segmento a reconsiderar seu posicionamento em relação ao Lula, avalia o especialista. Para Roman, não necessariamente mudou a percepção de que o petista é culpado, mas as pessoas parecem ter relativizado a gravidade das acusações contra ele, explica. “Mostrou-se que a Lava Jato não era exatamente a guerra entre o bem e o mal que eles enxergavam no passado. Para essas pessoas, a realidade se revela mais complexa e os heróis acabaram caindo dos pedestais”.

Popularidade de Moro e Bolsonaro

A pesquisa Atlas também mediu a popularidade do Governo Bolsonaro. As percepções pouco mudaram e se moveram dentro da margem de erro desde agosto, mês da última pesquisa. O índice de eleitores que acha a gestão ruim ou péssima subiu de 39,8% para 42,1%. Já a taxa daqueles que acreditam que o Executivo é ótimo ou bom caiu de 28,2% para 27,4%. Os que opinam que o desempenho do ultradireitista é regular passaram de 28,7% para 29,6% dos entrevistados.

Ainda assim, a imagem de Moro e Bolsonaro continuam ligeiramente melhores que a de Lula: 40,7% dos entrevistados enxergam o petista de maneira positiva, enquanto que 53% o veem de forma negativa. Com Bolsonaro, as taxas ficam em 42,6% (positiva) e 51,6% (negativa). Os melhores números são para o ex-juiz da Lava Jato: 48,4% (positiva) e 45,6% (negativa). Porém, a Atlas destaca que é a primeira vez que a aprovação pessoal do ministro da Justiça se encontra abaixo dos 50%. Ele já havia perdido 10 pontos de apoio — de 60% para 50,4% — logo após a série de reportagens sobre a Lava Jato do site The Intercept Brasil.

Atrás de Moro, Bolsonaro e Lula estão, nesta ordem, o ministro da Economia Paulo Guedes, o ex-prefeito Fernando Haddad, o ex-candidato Ciro Gomes (PDT), o apresentador Luciano Huck, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) e, por último, o governador de São Paulo João Doria (PSDB). A rejeição a Doria tem avançado de modo acentuado. Em julho 42,5% diziam ter imagem negativa dele, índice que chegou aos 62% em novembro.  “O centro sofre muito por conta da polarização, e qualquer candidato de centro que consiga chegar num segundo turno ganha a eleição. Mas chegar lá é quase impossível. É a história de Geraldo Alckmin ou Marina Silva nas eleições passadas no Brasil”, explica Roman.

O especialista ainda enxerga a possibilidade de que tanto Lula como Bolsonaro façam sinais em direção ao eleitorado mais indeciso e de centro. “No momento em que Lula consiga se posicionar como candidato com chances efetivas para ganhar, isso deveria servir como um incentivo de moderação para Bolsonaro, na busca do centro político”, argumenta. “Por outro lado, Bolsonaro nunca foi um político tradicional que atua de forma estratégica para construir o seu eleitorado. É disso que veio também sua aparente autenticidade, algo que acabou se transformando em sua maior fortaleza”, pondera.

Uma variável que ele acredita ser bastante importante é o desempenho da economia sob Boslonaro. Não à toa o ex-presidente vem mirando suas críticas contra o ministro Paulo Guedes, por entender que o desapontamento com a situação econômica pode mudar a equação política. “Ninguém ilustrou isso melhor que Dilma Rousseff. A expectativa de Lula é que a economia não irá decolar e que isso irá afundar um governo Bolsonaro já bastante enfraquecido”, explica Roman. Ele ainda opina que pode-se esperar bastante moderação do petista. “‘Lula paz e amor’ foi uma fórmula que virou quase hegemônica. Certamente o ex-presidente entende isso e buscará isso. A tentativa de reconciliação com Ciro Gomes e os braços abertos para Marcelo Freixo e o PSOL são os primeiros exemplos”, completa.

Cenários para as eleições

Apesar da melhora significativa na imagem de Lula, 53,5% dos entrevistados não votariam no petista em umas eleições presidenciais, contra 43,3% com possibilidades de votar no petista. Deste total, 34% dizem que votariam “com certeza” no ex-presidente, o que indica a fidelização de parte significativa do eleitorado — o suficiente para levá-lo a um segundo turno. Além disso, 46,4% dos entrevistados acreditam que o petista venceria as eleições, enquanto que 45,8% disseram não acreditar em sua vitória.

Apesar de livre, Lula ainda está condenado em segunda instância e, portanto, não pode neste momento se candidatar a nenhum cargo. Assim, um candidato indicado pelo ex-presidente perderia no segundo turno tanto contra o presidente Jair Bolsonaro como contra o ministro da Justiça Sergio Moro — responsável, quando era juiz federal, pela condenação do petista em primeira instância.

Em dados concretos: 45,6% votariam no atual mandatário, de extrema direita; 41,3% votariam em alguém apoiado pelo petista; e 13,1% não sabem dizer, anulariam ou votariam em branco. Seguindo a mesma tendência, 47,6% votariam em Moro; 40,2% escolheriam o candidato de Lula; 12,2% não sabem dizer, anulariam ou votariam em branco. No entanto, o questionário da Atlas não considerou como cenário uma candidatura de Lula — que seria possível caso suas condenações sejam anuladas — e sua ida para o segundo turno. Ou seja, não foi possível saber qual seria o desempenho do próprio ex-presidente contra Bolsonaro e Moro.

Roman aponta para a contradição com os dados do Datafolha de 2 de setembro. Na ocasião, ainda que a imagem do ex-presidente Lula estivesse pior, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad venceria com 42% dos votos em um segundo turno contra Bolsonaro, que ficaria com 36%. Outros 18% votariam nulo ou branco e 4% não souberam responder, ainda segundo o instituto — que escutou 2.878 pessoas acima de 16 anos em 175 municípios do país nos dias 29 e 30 de agosto.

O cientista político pondera que muita coisa pode acontecer até 2022, de modo que há possibilidades de que o cenário sofra mais alterações. Foi o que aconteceu recentemente na Argentina. “Uma ampla maioria da opinião pública era cristalizada contra Cristina Kirchner. Até hoje existe uma maioria a favor de sua prisão. Mesmo assim ela conseguiu eleger-se e eleger o próximo presidente”, explica. “No Brasil, como em tantas outras democracias, estamos vendo uma intensificação muito forte da polarização. Isso faz com que a rejeição de uma figura seja relativizada pela intensidade da rejeição de outra figura. Lula pode não ter uma maioria natural para eleger-se ou eleger o seu candidato. Mas contra o Bolsonaro, isso pode ficar viável”. E vice-versa.

Apoio a ditadura

A Atlas também mediu a opinião do eleitorado em outros assuntos. Por exemplo, 74,7% se dizem contrários a uma ditadura, enquanto que 14% são favoráveis e 11,3% não souberam opinar. Além disso, 52,1% acreditam que a corrupção está aumentando. Nesta mesma linha, 56,6% sentem que a criminalidade também está subindo, apesar de os dados de 2018 e deste ano indicarem o contrário. A pesquisa da Atlas Político foi feita online entre os dias 10 e 11 de novembro com 2.000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 2% e o índice de confiança é de 95%.

“Meia Luz”, João Gilberto: Daslava, no Youtube: “Antes da bossa nova… Na época em que era frequentador da calçada do Bar Primor e do cinema Colonial, defronte ao ponto do bonde, no largo da Lapa… “Um dos grandes momentos, segundo Carlinhos Lyra, era quando, à meia luz do lampião na porta do Plaza, formava-se um improvável quarteto vocal composto pelo próprio Carlinhos e mais Johnny Alf, Donato e João Gilberto – cujo apelido, recorda ele, era Zé Maconha. Carlinhos também descreve o figurino de João como invariável – terninho azul da Ducal, camisinha branca e calças de pescar siri…”. Aqui uma raridade daqueles dias!

Volta, João!!!

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo Soares)
gILSON nOGUEIRA)

nov
13
Posted on 13-11-2019
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DO EL PAÍS

Viagem do ex-presidente da Bolívia representou uma odisseia diplomática para López Obrador

O ex-presidente boliviano Evo Morales desembarca em solo mexicano.
O ex-presidente boliviano Evo Morales desembarca em soloexicano.Mónica González

Evo Morales já está no México. O ex-presidente boliviano aterrissou logo depois das 11h (14h em Brasília) desta terça-feira no aeroporto internacional da capital mexicana, depois de uma viagem que representou uma odisseia diplomática para o Governo de Andrés Manuel López Obrador, que na segunda-feira concedeu asilo político ao líder boliviano por razões humanitárias. Junto com ele chegaram o agora ex-vice-presidente Álvaro García Linera e a ex-ministra da Saúde e ex-presidenta do Congresso Gabriela Montaño.

Morales decolou no final da tarde de segunda da base aérea de Chimoré, uma pequena localidade no departamento de Cochabamba, num avião enviado pela Força Aérea Mexicana. A gestão para que o ex-presidente deixasse o país se prolongou por quase todo dia, incluiu vários entraves e envolveu diversos Governos sul-americanos. Em princípio estava prevista uma escala em Lima, mas o avião teve que ser desviado para uma parada técnica de aproximadamente quatro horas no Paraguai. Finalmente, depois de atravessar águas internacionais do Pacífico, ingressou pelo Estado mexicano de Oaxaca e voou até a Cidade do México.

“Irmãs e irmãos, parto rumo ao México, agradecido pelo desprendimento do governo desse povo irmão que nos concedeu asilo para proteger nossa vida”, tuitou o líder boliviano antes de subir ao avião. “Dói-me abandonar o país por razões políticas, mas sempre estarei atento. Logo voltarei com mais força e energia”, acrescentou na rede social.

Pouco depois, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, publicou uma foto em que Morales é visto dentro do avião, coberto por uma bandeira mexicana: “Já decolou o avião da Força Aérea Mexicana com Evo Morales a bordo. De acordo com as convenções internacionais vigentes, está sob a proteção do México. Sua vida e integridade estão a salvo”, destacou Ebrad.

Fotografia da conta do Twitter de Morales do lugar onde, segundo o ex-presidente, ele passou a noite de domingo, após renunciar sob coação.
Fotografia da conta do Twitter de Morales do lugar onde, segundo o ex-presidente, ele passou a noite de domingo, após renunciar sob coação.

O governo centro-esquerdista de López Obrador ofereceu asilo político a Evo Morales por razões humanitárias nesta segunda-feira, um dia depois de ele renunciar por causa dos protestos e das pressões dos militares.

Ebrard disse que a decisão foi tomada “em virtude da situação de urgência que a Bolívia enfrenta, onde a vida [de Morales] e sua integridade correm risco”. O Governo do México, afirmou o chanceler, comunicou-se com a Chancelaria boliviana para que, “sob o direito internacional, proceda a conceder o correspondente salvo-conduto e as seguranças, assim como garantias de que a vida, integridade pessoal e liberdade do senhor Morales não serão postas em perigo e que poderá ficar em segurança”. Desde sua renúncia, Morales se protegia no Chapare, a zona cocaleira no centro do país, seu berço político como líder sindical e ainda hoje um dos seus principais bastiões.

Das gestões para transferir Evo Morales para o México também participaram o presidente-eleito da Argentina, Alberto Fernández, que durante a apresentação de um livro em Buenos Aires agradeceu ao mandatário peruano, Martín Vizcarra, por sua colaboração, informa Federico Rivas: “Minha gratidão ao presidente do Peru, porque ele habilitou o espaço aéreo peruano para que pudesse chegar um avião do México para buscar Evo”, disse Fernández. “Manobrou diplomaticamente para facilitar a chegada desse avião. Ainda estamos esperando que chegue e espero que chegue logo. Obrigado ao presidente Vizcarra. O Peru é outro país que muitas vezes abriu as portas aos necessitados e perseguidos da América Latina“, acrescentou.

nov
13
Posted on 13-11-2019
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Do Jornal do Brasil

Coisas da Política

 

A cara do inimigo

WILSON CID

A libertação do ex-presidente Lula foi o alvoroço da semana passada, como também pioneiro instrumento para definir com clareza os papéis de oposicionistas e governistas nas duas eleições que se seguirão. A oposição devolve às ruas a bandeira lulista, depois de permanecer indefinida enquanto seu líder purgava condenação trancafiado em Curitiba. É o que parece ter ficado claro na veemência com que ele deixou a cela e da forma como investiu sobre os adversários. É naturalmente o escalado para bater, sem resquício de tolerância, no governo Bolsonaro.

Mas o episódio sugere suspeitar que o presidente também saiu contemplado. Se até agora os ensaios de contestação e descontentamento vinham das próprias entranhas do poder, em clima de convulsão intestina, aqueles 6×1 do Supremo Tribunal fizeram o favor de dar a Bolsonaro um adversário visível e autêntico, o que lhe permitirá o proveito da polarização, fenômeno talvez já formatado para o cenário eleitoral de 2020. Foram, portanto, duplas as portas que se abriram para os dois.

De novo assistiremos àquela radicalização do ano passado, quando o antilulismo converteu-se em gigantesco cabo eleitoral da direita. Nesse novo tabuleiro do xadrez os eleitores estarão em xeque-mate e optar entre ser contra ou a favor, um espectro que rouba parte da identidade do cidadão e do voto comunitário.

Tal ocorrendo, os municípios serão chamados a oferecer sua cota de sacrifício. Envolvidos pela polarização das lideranças nacionais, os problemas do cotidiano das populações do interior cairão para segundo plano. Um prefeito se elegerá mais pelas simpatias ou antipatias em relação a Bolsonaro e a Lula, o que bastará para relegar a plano inferior propostas locais sobre saúde, educação e transporte. Nas urnas de 2020, ardendo paixões cristalizadas entre o presidente e seu desafeto, uma política de arcos e flechas, ódios derramados e o país sob a égide da intolerância, ao munícipe pouco espaço restará para cuidar dos temas que interessam à terra em que vive. Nada bom.

Seja qual for o destino mediato ou imediato do ex-presidente, que já partiu para o ataque, fato consequente irrecusável é que Bolsonaro conheceu a cara do adversário, depois de passar parte de sua gestão convivendo com esse ineditismo: a oposição, diferentemente do que vivenciara em outros tempos, não se encarregara de uma contestação natural de grupos contrários. Estranho que pareça, até essa providencial libertação de Lula, estavam nas próprias trincheiras os criadores de problemas para o Planalto; os involuntários empenhados no esforço de corroer as entranhas do poder, a começar pelo papel desgastante desempenhado por parentes ou amigos de consoada; não os que deviam trazer pedras na mão, mas os que aplicam tapinhas nas costas. Peculiar, quase bizarra, a realidade a que se assiste através dos meios de comunicação: ataques, denúncias e suspeitas quase sempre nascendo e prosperando entre antigos correligionários de partido e ex-colaboradores, para não se falar das incursões da prole.

Note-se, então, que são duplas as portas libertadoras, por onde os dois estão passando. O ressurgimento de Lula é, nesse sentido, quase uma bênção para o adversário que pretende destruir.

Bom que os litigantes, conhecidos por cultivarem incontinência verbal, não deem asas ao catastrofismo nem estimulem correligionários a manifestações predatórias; mas cuidem de discutir, criticar, denunciar, sem que facilitem desordens, impasses e destruições. Diferentemente do que se tem visto em países asiáticos, na França, no Chile, no Iraque, como também na metrópole Hong Kong. Não custa considerar as lições que vêm de longe.

nov
13
Posted on 13-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-11-2019

Lula cobra R$ 50 mil de bolsonarista que atirou dez vezes em sua foto

 

Na Crusoé, Fabio Leite informa que Lula moveu um processo por dano moral contra um assessor parlamentar bolsonarista que publicou um vídeo no Instagram no qual “descarrega sua raiva” atirando dez vezes em uma fotografia do petista. Na ação, Lula pede a retirada do vídeo do ar, uma retratação pública e uma indenização de R$ 50 mil.

O vídeo foi publicado no dia 29 de setembro por José Alberto Bastos Vieira Junior em sua conta pessoal no Instagram. Conhecido como Inspetor Alberto, ele é assessor parlamentar de André Fernandes, deputado estadual do Ceará pelo PSL, e militante bolsonarista ativo nas redes sociais.

nov
13

Do Jornal do Brasil

 

Dirigentes do PT querem pronunciamento mais moderados do ex-presidente

Um dia após sair da prisão na Polícia Federal no último sábado (9), o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), foi considerado “acima do tom” por dirigentes do PT. 

Segundo eles, os próximos pronunciamentos do ex-presidente devem ser mais moderados, inclusive quando se referir ao atual presidente da Repúbllica Jair Bolsonaro

Ruído 

Os petistas já ouviram, inclusive de interlocutores no Judiciário, que o tom mais radical só causa ruído e dificulta a possibilidade de que os julgamentos em que ele está envolvido ocorram em um ambiente sereno.

***Com agências 

nov
13
Posted on 13-11-2019
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Clayton, no jornal

 

nov
13
Posted on 13-11-2019
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DO EL PAÍS

PSOE, do presidente de Governo Sánchez, oferece o posto de vice ao líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias. Ainda será preciso, no entanto, obter apoio de outras siglas

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o líder do Podemos, Pablo, anunciam acordo.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o líder do Podemos, Pablo, anunciam acordo. Victor J Blanco (GTRES)

O que foi impossível durante seis meses se desbloqueou em menos de 48 horas. Dois dias após as eleições espanholas de domingo, em que o Partido Socialista dos Trabalhadores da Espanha (PSOE) buscava maioria para comandar o país, mas acabou permitindo a explosão da extrema direita, o primeiro-ministro em exercício, Pedro Sánchez, fechou nesta terça-feira um acordo para formar um “Governo de coalizão progressista” com o Unidas Podemos.

Com o acerto, Pablo Iglesias, do Podemos, será o vice-presidente de Governo (ou vice-primeiro-ministro). A repetição das eleições, a segunda realizada na Espanha neste ano, forçou Sánchez a aceitar as premissas de Iglesias, que avisou que sua retirada, em julho, de negociações para uma coalizão de esquerda não valia se houvesse um novo processo eleitoral.

Sánchez, que estava convencido de que melhoraria sua posição com novas eleições, acabou perdendo força e teve de ceder. O pacto ainda não está fechado, porque agora é preciso convencer os outros parceiros. Para que esse novo Governo seja empossado, será preciso buscar o “sim” do Mais País, Partido Nacionalista Basco (PNB), Partido Regionalista da Cantábria (PRC), Bloco Nacionalista Galego (BNG) e Teruel Existe, e ainda assim tudo dependeria da abstenção da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e da aliança basca Bildu, que sempre optaram por esse voto. Se não quiser depender desses apoios, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Sánchez, precisará convencer o Cidadãos a se abster.

Sánchez compareceu por volta das 14h30 ao Congresso com o líder da Unidas Podemos para explicar os detalhes desse pacto. Ao fim do encontro, e depois de seis meses de duros embates, os dois líderes trocaram um simbólico abraço e a sala, cheia de dirigentes dos dois partidos e de jornalistas, explodiu em um “oooooooh” quase zombeteiro. Sánchez se negou durante meses a aceitar que membros do Podemos, e particularmente Iglesias, pudessem estar em seu Governo. Durante a campanha eleitoral, repetiu isso muitas vezes. Mas os dois partidos perderam votos na votação de domingo, e isso tornou todos mais flexíveis, porque em uma nova repetição das eleições Sánchez correria o risco de perder o Governo.

O fiasco da repetição eleitoral, que teria sido evitado se este acordo tivesse sido alcançado em julho, tornou a negociação, subitamente, muito simples. “É hora de deixar para trás qualquer recriminação”, disse Iglesias. “Os espanhóis falaram e corresponde a nós superar o bloqueio. Não conseguimos obter este acordo [em julho], embora estivéssemos muito perto. Temos consciência da decepção que isso significou para os progressistas”, justificou-se Sánchez, que fez assim uma retificação completa de sua posição inicial, forçado pelo resultado eleitoral. A situação agora é pior que a de julho, porque ambos têm, ao todo, 10 cadeiras a menos e precisam do apoio de mais forças do que antes, mas existe uma maioria possível que precisará ou não da abstenção da ERC e da Bildu em função do que fizer o Cidadãos, que o PSOE tentará convencer a pelo menos se abster.

Sánchez e Iglesias assinaram um documento com as bases do pré-acordo, antecipado pelo eldiario.es: trata-se de um texto com ideias muito gerais sobre “a proteção dos direitos sociais”, que não traz a divisão de vice-presidências e ministérios. No documento também não aparece explicitamente a possibilidade de reverter os aspectos mais nocivos da reforma trabalhista ?que os dois partidos propunham em seu programa para as eleições de domingo passado? ou o aumentos de impostos que os dois partidos pactuaram há alguns meses, embora as duas ideias estejam esboçadas no documento. Algo que o texto promete explicitamente é procurar “garantir a convivência na Catalunha”, destacando o objetivo de “fomentar o diálogo” e “fortalecer o Estado das autonomias”.

Sánchez ressaltou, na assinatura do documento, que o objetivo é “desbloquear a situação política, que está travada há muitos meses na Espanha”. Iglesias qualificou o “Governo de coalizão progressista” como “a melhor vacina contra a extrema direita”, e adiantou que as duas forças buscarão “alianças com outros partidos” para ter maioria. Depois do apertão de mãos com Iglesias, Sánchez afirmou que o pacto permitirá “não só a posse, mas um Governo para toda a legislatura”. O chefe de Governo em exercício iniciará imediatamente uma rodada de contatos políticos.

O PSOE e a Unidas Podemos somam 155 das 350 cadeiras do Legislativo – para formar a maioria, são necessárias 176. É muito provável que possam aderir ao acordo os sete deputados do PNB, os três de Mais País-Compromís ?que já manifestou interesse em fazer parte desse pacto?, um do Bloco Nacionalista Galego, outro do Partido Regionalista da Cantábria e um último do Teruel Existe. Ao todo, somariam 168 deputados. Para Sánchez ser empossado em segunda votação seriam necessárias várias abstenções. As dos 13 deputados da ERC e dos cinco da Bildu bastariam para desbloquear a situação. As hipotéticas abstenções dos 10 parlamentares do Cidadãos não seriam suficientes se não entrarem nessa fórmula os independentistas catalães ou bascos. Estes últimos, que agora passaram a ter cinco deputados, sempre se abstiveram.

Os contatos entre os líderes do PSOE e da Unidas Podemos começaram na noite de segunda-feira com discrição máxima. Depois, assumiram as rédeas das negociações as respectivas números dois, a socialista Adriana Lastra e a dirigente da Unidas Podemos Irene Montero. Só no final da manhã desta terça-feira, quando o pré-acordo já estava encaminhado, os socialistas divulgaram um comunicado para anunciar a reunião entre Sánchez e Iglesias. Posteriormente, fontes do partido confirmaram o acordo, que tinha sido impossível depois das eleições de 28 de abril.

Fontes socialistas explicaram que depois do pacto com o Podemos haverá contatos com outras forças políticas que apoiaram no ano passado a moção de censura contra Mariano Rajoy, o que levou Sánchez ao poder. Na manhã desta terça, o presidente do PNB, Andoni Ortuzar, mostrou-se partidário de recuperar o bloco de aliados da moção, que incluiria os independentistas catalães.

Depois das eleições de domingo, Iglesias insistiu na formação de um Governo de coalizão como única saída para o bloqueio político. O PSOE já havia deixado na segunda-feira a porta aberta para uma coalizão com a Unidas Podemos, segundo declarações do secretário do partido, José Luis Ábalos. A prioridade dos socialistas seria reeditar, ampliado, o acordo em torno da moção de censura, com o PSOE e a Unidas Podemos à frente de outros partidos, como o Mais País e vários nacionalistas e regionalistas. Embora Ábalos não tenha deixado clara a fórmula, se o acordo vingar, ressoará assim um dos mantras de campanha de Pablo Iglesias: “As coisas importantes nem sempre são conseguidas de primeira”.

O líder do Partido Popular, Pablo Casado, já informou a seus líderes sobre o pré-acordo entre PSOE e Podemos durante a reunião do comitê executivo nacional, realizada em Madri. Esse anúncio freou o debate sobre a estratégia a ser seguida pelo PP e os possíveis cenários. Até o momento, só o ex-chanceler José Manuel García Margallo tinha apostado por uma grande coalizão de constitucionalistas. Fontes do PP assinalam que o pré-acordo entre Sánchez e Iglesias os libera da pressão e que exercerão uma oposição responsável. O PP, insistem, é “a única alternativa” a Sánchez.

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