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Postado em 11-11-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-11-2019 00:10

Dilma Rousseff elogiou ímpeto de protestos chilenos, mas criticou atos de oposição a Evo Morales um dia antes de boliviano renunciar

Federico Rivas Molina

Dilma, Fernández e Samper saúdam Lula na abertua do Grupo de Puebla, em Buenos Aires.
Dilma, Fernández e Samper saúdam Lula na abertua do Grupo de Puebla, em Buenos Aires.

Alberto Fernández teve seu banho de esquerda. Como anfitrião em Buenos Aires da segunda reunião do Grupo de Puebla, o presidente eleito da Argentina recebeu a “tocha do progressismo latino-americano”, como lhe disse o ex-presidente colombiano Ernesto Samper. Ele foi acolhido por outros ex-mandatários, incluindo Dilma Rousseff e o paraguaio Fernando Lugo. As estrelas que dominaram o cenário político regional durante o início do século estão de volta. E cheias de otimismo, depois de “anos em que ficamos angustiados porque pensamos que o conservadorismo havia chegado para ficar”, disse Fernández, proa de uma virada ideológica que vislumbram como imparável após a chegada de López Obrador ao poder no México e, agora, do kirchnerismo na Argentina. A abertura, neste sábado, das reuniões do Grupo Puebla também teve um protagonista ausente, o recém-libertado ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro enviou do Brasil uma saudação gravada, na qual insistiu em que seu compromisso agora será “construir uma grande América Latina”

O Grupo de Puebla é apresentado como uma comunhão de 32 líderes que “se fazem representar eles mesmos e buscam acordos regionais”, disse o ex-deputado chileno Marco Enríquez Ominani, um de seus principais promotores. “Não somos um grupo de ativismo político, mas também não somos um grupo de reflexão monástica; não estamos em um mosteiro. Queremos agir para desenvolver uma agenda progressista na América Latina, esclareceu Samper. Muito se passou desde o primeiro encontro em Puebla, no México, em julho. O segundo, em Buenos Aires encontra o Chile e o Equador mobilizados e a Bolívia, em um processo eleitoral repudiado pela oposição. O encontro se deu antes, aliás, da guinada boliviana, onde Evo Morales foi obrigado a recuar e a convocar eleições.

A liberdade de Lula na véspera deu ao encontro um impulso inesperado. A sintonia entre Fernández e Lula é inquestionável. O líder peronista o visitou na prisão durante a campanha, mesmo contra aqueles que o alertaram sobre os riscos de atiçar a ira do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. “Passei uma hora com Lula. Os guardas chegaram a dizer que o tempo estava acabando e Lula os desafiava. Ele me disse duas ou três vezes: ‘você tem que ganhar na Argentina’. Cumpri, Lula, venci na Argentina e vamos colocar a Argentina em pé. Estou feliz que Lula esteja livre”, disse Fernández.

O brasileiro retribuiu o cumprimento à distância: “Quando vi que Fernández tinha vencido, senti que eu havia vencido no Brasil (…) sou livre, com muitos desejos de luta. Eu tenho o objetivo na vida de constituir uma integração regional muito forte”. A ex-presidente Dilma Rousseff enfatizou a importância política dessa nova conjunção de líderes. “Lula livre, podendo andar livremente pelo Brasil, pode trazer de volta a democracia e a paz. E a escolha de Alberto muda as condições, porque inverte a onda conservadora na região.”

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