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Postado em 07-11-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 07-11-2019 00:14

Caso Marielle, um teste definitivo para Moro

Ministro Sergio Moro em 16 de outubro de 2019.
Ministro Sergio Moro em 16 de outubro de 2019. Marcelo Camargo (Agência Brasil )

O ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, o ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, apesar de não estar à frente do caso Marielle, o assassinato que a cada dia se enche de novas nuvens e suspeitas de que nele, de alguma forma, a família do presidente brasileiro tenha estado envolvida, no entanto, se encontra no dilema de ser o ministro da Justiça do Governo ou o advogado de defesa do presidente e seus filhos.

Foi Bolsonaro, ao ser eleito presidente, quem garantiu que seu ministro da Justiça não seria, como nos governos de Lula e Dilma, seu advogado de defesa, mas seu braço forte contra a corrupção. O caso Marielle está revelando, de acordo com as últimas investigações sobre o porteiro do condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde morava a família Bolsonaro e a do acusado de assassinar Marielle, Ronnie Lessa, uma situação complicada para Moro. Tudo isso está levando os Bolsonaro, pai e filhos, a um ataque de nervos.

Como se não bastasse, o caso está sendo disputado agora pelas justiças do Rio e a federal, de Brasília, com acusações dissimuladas de ambas as partes de estarem tentando esconder algo que poderia comprometer o presidente. Para começar, Moro, diante do caso do porteiro do condomínio em que moravam Bolsonaro e sua família, interveio imediatamente minimizando e pedindo que a Polícia Federal interrogasse o porteiro e fizesse as investigações, numa tentativa de federalizar o caso. E se sabe que Moro continua controlando a Polícia Federal, com quem trabalhou lado a lado nas investigações da Lava Jato.

Se Moro decidir entrar furtivamente no caso Marielle, seu comportamento será um teste definitivo para saber se é somente o ministro da Justiça do Governo ou, como alguns já começam a suspeitar, também o advogado de defesa do presidente. Até agora, nos momentos difíceis para Bolsonaro ou algum de seus filhos, Moro sempre tentou minimizar os fatos. Dias atrás, quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro mexeu no vespeiro com sua declaração explosiva sobre a possibilidade de estabelecer no Brasil um instrumento autoritário como o AI 5, o mais duro e sangrento da repressão da ditadura, Moro, quando interrogado por jornalistas, se limitou a dizer “isso foi ontem. Eduardo pediu desculpas. Assunto encerrado”. Não, não está encerrado. Nem esse nem o caso Marielle, pois as forças democráticas, da direita à esquerda, incluindo parte dos militares, criticaram com dureza as palavras do deputado como algo muito grave contra a democracia.

Embora continue negando, há poucas dúvidas de que Moro esteja pensando em se lançar como possível candidato à Presidência depois de Bolsonaro. Qualquer outro que tivesse 60% de aprovação nas pesquisas de opinião o faria. O dilema é que para isso precisaria não perder o apoio do núcleo duro dos 30% que apoiam Bolsonaro e não pensam em abandoná-lo. E é justamente esse exército aguerrido do presidente e seus filhos que, se por um lado continua apoiando o programa inicial de Bolsonaro de luta contra a corrupção, por outro exige de Moro que salve o presidente e seu Governo de possíveis acusações de corrupção e até do assassinato da ativista Marielle.

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