Do Jornal do Brasil

 

CadernoB

Cia Teatral Oficina Uzyna Uzona completa 61 anos de atividade artística permanente

Após a estreia de Chico Buarque como dramaturgo, há 51 anos, Roda Viva chega ao Rio, a partir de sexta (8), na Cidade das Artes, com direção de Zé Celso

  A gente vai contra a corrente. Até não poder resistir. Na volta do barco é que sente. O quanto deixou de cumprir. Faz tempo que a gente cultiva. A mais linda roseira que há. E eis que chega a roda viva. E carrega a roseira pra lá. Roda mundo, roda-gigante. Roda moinho, roda pião. O tempo rodou num instante. Nas voltas do meu coração
Macaque in the trees
A Cia Oficina, de Zé Celso Martinez Correa, vai encenar o antológico Roda Viva, de Chico Buarque, no Rio (Foto: Montagem/Divulgação)

 

“O teatro é o aqui agora, ele projeta o futuro sim, mas a partir da energia presente”, diz o diretor Zé Celso, que traz para o Rio de Janeiro, a partir de 8 de novembro, na Cidade das Artes, o novo “Roda Viva”, com texto de Chico Buarque atualizado para o Brasil de 2019. “Inserimos: agro negócio, memes, notícias que acontecem a cada semana e a presença da internet, que é muito central no musical”, revela Zé. RODA VIVA estreou em dezembro de 2018 e ficou em cartaz por quase um ano em São Paulo, com casa lotada. A intenção é, também na temporada carioca, trazer ao público a urgência de diversas questões da atualidade nos campos cultural, social, político, ecológico, econômico e tecnológico.

A dramaturgia de Roda Viva conta a trajetória, de ascensão e queda, de Benedito Silva (Roderick Himeros), cantor e compositor de sucesso. O personagem é inventado e manipulado pela máquina político-midiática. A trama se desenvolve pelas intervenções do Anjo da Guarda (Gui Calzavara) e do Capeta (Joana Medeiros e Zé Ed). Eles fazem de Benedito o cantor de grande sucesso popular Ben Silver, herói pop. Haverá uma terceira metamorfose que colocará em cena Benedito Lampião, cantor “bem brasileiro, bem violento”. Mané (Marcelo Drummond) é o amigo de juventude do protagonista, que durante todo o espetáculo fica na mesa do bar, e tem sua genialidade fabricada, monitorada pelo jogo entre Anjo, Capeta e coro. Quando Benedito é, enfim, devorado pelo coro, sua esposa Juliana (Camila Mota), que o substituiria como novo ícone da cultura, se liberta da formatação imposta e propõe ao coro e à multidão um novo acordo de produção de vida e desalienação.

Em 17 de janeiro de 1968, no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana, o músico Chico Buarque estreava como dramaturgo – sob direção de Zé Celso Martinez Corrêa, com Marieta Severo, Antônio Pedro, Heleno Prestes, entre outros no elenco – o musical RODA VIVA. No mesmo ano, em julho, Marília Pêra, Rodrigo Santiago, Zezé Motta e mais 30 artistas, iniciavam a temporada paulista. Meses depois, 110 pessoas do grupo paramilitar Comando de Caça aos Comunistas – CCC – invadem o Teatro Galpão, espancam o elenco e destroem o cenário da peça. 13 de dezembro de 1968, o governo militar decreta o Ato Institucional nº5, que suprimiu garantias constitucionais e marcou a chegada do mais duro período da ditadura. RODA VIVA torna-se um ícone da liberdade de expressão, da resistência e da contribuição das artes e do teatro para consolidação da democracia brasileira.

“RODA VIVA em 68 foi massacrada, uma horrível repressão. Isso me fez decidir voltar, agora, com a peça. A polícia invadiu a apresentação em São Paulo, em Porto Alegre também. As atrizes e o elenco foram agredidos. “Roda viva não representa nada. Ela presenta. Não é teatro de representação. A gente chama de “tragicomédiaorgia”, define o diretor. O texto foi atualizado e aponta fenômenos culturais como o sertanejo universitário e as redes sociais. Narra à ascensão e queda de um ídolo popular, Benedito Silva/Ben Silver. Zé Celso acrescentou duas músicas de Chico que não estavam na montagem original: “As caravanas” e “Cordão”.

A Cia Teatral Oficina Uzyna Uzona realiza, até 13 de novembro, um crowndfunding: www.benfeitoria.com/oficina e pretende, com a verba arrecadada, quitar todo o custo de produção da temporada carioca. A primeira meta foi atingida e contemplará o restauro da sede do Oficina. Na meta 2, o valor arrecadado será destinado para transportar cenários; locar equipamentos de luz, som e vídeo; hospedar artistas e técnicos no Rio de Janeiro. Não há patrocínio para montagem e manutenção das 4 semanas que ficará em cartaz na Cidade das Artes. As apresentações – com toda estrutura do espetáculo no Rio – custam 830 mil reais. A campanha arrecadou até agora pouco mais de 30 mil. Somente para diárias de alimentação, está previsto um custo de aproximadamente 200 mil reais.

SERVIÇO: | RODA VIVA DE CHICO BUARQUE / CIDADE DAS ARTES / De 8/11 a 1/12 / Horários: Sextas, 20h. Sábados e domingos, 19h. / Ingressos: Plateias e frisas R$ 120 inteira, R$ 60 meia / Galerias baixas e altas R$ 90 inteira, R$ 45 meia / Local: Cidade das Artes (Av. das Américas, 5300 – Barra da Tijuca / Duração: 4h (com intervalo de 15 minutos) / Ingressos antecipados: AQUI / Colabore com o financiamento coletivo da montagem: benfeitoria.com/oficina.

RODA VIVA 2019 | FICHA TÉCNICA / Texto: Chico Buarque / Versão 2018: Zé Celso e Coro Teatro Oficina 2018 / Diretor: Zé Celso / Conselheira Poeta: Catherine Hirsch / Diretor musical: Felipe Botelho / Direção de produção: Camila Mota, Marcelo Drummond e Zé Celso / Produção executiva: Anderso Puchetti/ Assistente de direção: Beto Eiras / Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação. / Benedito Silva: Roderick Himeros / Juliana: Camila Mota / Anjo: Guilherme Calzavara / Capeta: Joana Medeiros e Zé Ed / Mané: Marcelo Drummond.

O Coro: Cafira Zoé, Clarisse Johansson, Cyro Morais, Danielle Rosa, Fernanda Taddei, Gabriela Campos, Isabela Mariotto, Kael Studart, Kelly Campello, Marcelo Dalourzi, Mayara Baptista, Nolram Rocha, Sylvia Prado, Tony Reis, Tulio Starling, Wallie Ruy.

A Banda: Violoncelo: Amanda Ferraresi / Bateria: André Santana / Percussão: Carina Iglecias / Baixo: Felipe Botelho / Piano: Giuliano Ferrari / Percussão: Ito Alves / Guitarra: Moita Mattos.

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