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Gilmar no El País: Jogando areia sobre a Lava Jato…
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…Deltan Dallagnol e Sergio Moro.
ARTIGO DA SEMANA

Entrevista ao El País: tempestade de poeira do ministro Gilmar

 Vitor Hugo Soares

Se a questão é levantar polêmica, pode-se dizer desde já: Não fosse o furacão detonado pela esburacada reportagem do Jornal Nacional – produzida na portaria do condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa no Rio de Janeiro –, a entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, publicada dia 29, no El País, seria a tempestade perfeita da semana, com vários momentos de arrepiar. Mal (ou bem?) comparando, em alguns trechos dos ataques à Lava Jato e aos seus principais condutores – a começar pelos procuradores federais da força-tarefa da maior operação de combate a corrupção no país, e o ex-juiz Sérgio Moro – parece aquela “chuva que lança areia do Saara sobre os automóveis de Roma”, de que fala “Reconvexo”,  a  composição de Caetano Veloso.

Poder-se-ia lembrar também da metáfora da metralhadora giratória. Instalada pelo entrevistado em seu gabinete no STF, onde recebeu duas repórteres do jornal – Carla Jimenez e Regiane Oliveira – e fez disparos para quase todos os lados. A começar pela resposta sobre a Lava Jato, provocativa e cheia de veneno letal, que está no título da entrevista, como apelo jornalístico principal: “Deu-se poder para gente muito chinfrim, mequetrefe, do ponto vista moral e intelectual”. Desnecessário jogar búzios em algum respeitável terreiro, ou consultar um mestre em adivinhações, com sua bola de cristal, para saber que haverá troco. Em igual ou maior intensidade. É só esperar.

Mas isso é apenas aperitivo. Afinal, como relata o texto de apresentação da exclusiva do ministro, foi conversa de uma hora e quarenta minutos com o El País – filmada por uma equipe da documentarista Maria Augusta Ramos –, na qual o Gilmar Mendes “distribuiu ironias, defendeu a força da Corte, disse que a prisão de Lula deu-se num ambiente de total destruição do ambiente político, e garantiu que em novembro será julgado o caso de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro”.

Aqui falamos de jornalismo. E o fato, sua excelência o Fato, na expressão de Charles de Gaulle, que Ulysses Guimarães tanto gostava de repetir, é que esta não é – pelo peso do veículo e da fonte – uma entrevista qualquer, a ser lida apressadamente e descartada  na lata de lixo mais próxima. Requer leitura e releitura com lupa, análise cuidadosa de cada pergunta e cada resposta, além, evidentemente, de saber-se a reação de tantos atacados, ironizados ou feridos pelas balas verbais do ministro na conversa.

Em seu referencial Dicionário do Jornalismo – Século XX, Juarez Bahia assinala: “a cultura de massa especializa e personaliza a entrevista, e esta encontra nos veículos de comunicação um ambiente de expansão e representação, orientando-se em diferentes direções, mas a partir de super individualidades – personalidade da política, dos negócios, da economia, das artes, dos esportes, etc. – que desfilam entre os acontecimentos com tudo para dizer, ou com nada para dizer”. Perfeito! Neste caso do ministro do STF  cumpriu-se o sentido jornalístico principal de gerar fato relevante e levantar polêmica,  de conteúdos diversos. Que venha agora o contraditório, a reação dos alcançados pela tempestade de areia causada pelo ministro Gilmar. Não custa esperar, e conferir. Se o furacão da reportagem do JN e a indignada reação do  presidente da República permitir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br         

“A Carta que não foi Mandada”, Quarteto em Cy: Nas vozes afinadas e melodiosas das baianinhas, a melhor versão de  uma das mais belas e transcendentes composições do poeta Vinícius de Moraes. E não precisa dizer mais nada. Basta ouvie e comprovar. Com emoção.

BOM DUA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

nov
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Posted on 02-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-11-2019
 

De acordo com um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, companheiro de cela do autor do ataque deu a informação; político seria mandante

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC) escreveu, em seu perfil no Twitter, que Adélio Bispo iria receber R$ 500 mil pelo atentado a faca contra o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, que aconteceu durante um comício em Juiz de Fora (MG) em setembro de 2018. A informação foi divulgada pela revista Crusoé, que teve acesso ao depoimento do iraniano Farhad Marvizi, que foi vizinho de cela de Adélio.

Carlos Bolsonaro falou sobre o atentado contra o pai
Carlos Bolsonaro falou sobre o atentado contra o pai

Foto: Reuters / BBC News Brasil

 “De acordo com depoimento do vizinho de cela de Adélio Bispo, o ataque contra Jair Bolsonaro só teria ocorrido após uma promessa de pagamento de R$ 500 mil para matar o ‘dr. Jair'”, escreveu Carlos. De acordo com as investigações da Polícia Federal, Adélio teria agido sozinho e o caso foi encerrado pela Justiça. No entanto, Bolsonaro, os filhos e boa parte da base aliada sustentam a argumentação de que o crime teria motivação política e envolveria outras pessoas.

“É tudo tão claro que há outras forças por trás. É inacreditável!”, escreveu Carlos Bolsonaro na mesma postagem. Em outubro, Bolsonaro postou um vídeo nas redes sociais falando sobre o depoimento. “Chegou ao meu conhecimento uma carta do vizinho de cela contando por alto quem poderia ser o mandante do crime . Eu não quero falar o nome do cara porque podem vir me questionar, vão falar que eu que forjei essa carta para criticar o João da Silva de tal partido”, disse o presidente na época.

Ainda segundo a reportagem da Crusoé, o iraniano diz que sabe quem foi o mandante do crime e também quem disse para Adélio que Bolsonaro estaria em Juiz de Fora na época do ataque. Os dois seriam políticos. Marvizi, no entanto, só estaria disposto a revelar os nomes caso recebesse perdão presidencial. Ainda de acordo com a suposta testemunha, o autor da facada teria ligações com o crime organizado.

Preso logo após o ataque, Adélio Bispo foi considerado inimputável por motivo de doença mental. Ele está encarcerado na penitenciária federal de Campo Grande. Nesta semana, o responsável pelo ataque a Bolsonaro se recusou a fazer uma delação premiada e manteve a versão original de que agiu sozinho no atentado.

nov
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Posted on 02-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-11-2019

Argentinos tentam beatificar Evita Perón

 

O Conselho Diretivo da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina fez o primeiro registro formal para solicitar à Igreja Católica a beatificação de Evita Perón, ex-primeira-dama da Argentina e fundadora do Movimento Peronista Feminino.

O CGT entregou uma carta ao cardeal Mario Poli, arcebispo de Buenos Aires, para pedir que a esposa de Juan Domingo Perón seja beatificada.

“Há 100 anos do seu nascimento, superadas as dilações e divisões, quando sua figura e obra alcançaram o justo valor transcendente que possuem para o nosso povo e para todos os povos do mundo com sede de justiça, solicitamos que nossa Igreja acompanhe o clamor popular e coloque-a nos altares oficiais para a felicidade dos nossos fieis e santos.”

 

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nov
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Do Jornal do Brasil

 

Indústria registra crescimento de 0,3% em setembro

A indústria brasileira registrou aumento da produção no terceiro trimestre após três quedas, depois de registrar o melhor resultado para setembro em dois anos, em um ano ainda marcado pela instabilidade para o setor.

A produção industrial do Brasil subiu 0,3% em setembro na comparação com o mês anterior, após avanço de 1,2% em agosto em dado revisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de alta de 0,8% informada antes.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve ganho de 1,1%. Tanto na base mensal quanto na anual os resultados são os melhores para setembro desde 2017.

Assim, o setor terminou o terceiro trimestre com alta de 0,3% sobre os três meses anteriores, depois de recuar 0,5% no segundo trimestre, 0,4% no primeiro e 1,4% no quarto trimestre de 2018.

Os resultados, entretanto, ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de ganhos de 0,9% na variação mensal e de 1,9% na base anual.

“Não dá para chamar ainda de recuperação ou reação, mas é um desempenho melhor que a gente via. É um padrão diferente do que se via em meses anteriores”, avaliou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo. “Não dá para falar em recuperação por que o crescimento foi concentrado em poucas atividades.”

Entre as categorias econômicas, a produção de Bens de Consumo subiu 1,3% em setembro, enquanto a de Bens Intermediários aumentou 0,2%.

Por outro lado, os Bens de Capital, uma medida de investimento, tiveram queda de 0,5%.

A atividade que exerceu o maior impacto positivo foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 4,3% no mês.

Economistas consultados na pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central vêm piorando suas projeções para a indústria este ano, e agora veem uma contração de 0,73%, recuperando-se com um crescimento de 2,10% em 2020.(Reuters)

 

DO EL PAÍS

‘A Odisseia dos Tontos’, a história de perdedores que se vingam da injustiça, reúne pela primeira vez na tela os dois atores argentinos

Ricardo e Chino Darín, em setembro, em San Sebastián.
Ricardo e Chino Darín, em setembro, em San Sebastián.GORKA ESTRADA

 Rocío García Beato

Na Argentina chamam de gil àquelas pessoas trabalhadoras, boas, iludidas e um tanto ingênuas. Ricardo Darín e seu filho Chino não têm dúvidas. “Nós também somos um pouco giles. A maioria dos cidadãos do mundo é assim, porque sempre confiamos”, explicam os dois atores argentinos quase em dueto. Milhares desses cidadãos trouxas se viram enganados e esmagados pelo corralito (o congelamento dos depósitos nos bancos), adotado na Argentina em 2001. Dirigido por Sebastián Borensztein, A Odisséia dos Tontos (La Odisea de los Giles) adaptação do livro de Eduardo Sacheri La Noche da la Usina (prêmio Alfaguara em 2016), é um terno e divertido retrato dos perdedores que se vingam das injustiças cometidas por um bando de desalmados.

Ricardo (62 anos) e Chino Darín (30), também produtores do filme, lideram um elenco poderoso em que se destaca a presença de Luis Brandoni. O filme se tornou o último grande sucesso de bilheteria da Argentina, que o escolheu para representá-la no Oscar. Esta fábula sustentada na realidade, que narra a vingança de um grupo de pessoas diante da fraude que sofreram, estreou no Brasil no dia 31 de outubro.

Em um encontro com este jornal durante o Festival de Cinema de San Sebastian, onde A Odisseia dos Tontos foi apresentado na Seleção Oficial, Ricardo e Chino Darín estavam felizes, muito além da celebração de seu primeiro duelo interpretativo na tela. Também como produtores, estão diante de um projeto sonhado por muitos anos, no qual compartilham o trabalho com alguns dos melhores atores argentinos, orgulhosos de dar voz e vida a tantos cidadãos que foram afetados pelo corralito, um dos episódios mais traumáticos vividos pela Argentina em anos recentes.

“Somos tão domesticados, tão acostumados a obedecer e seguir a corrente de uma sociedade de consumo que às vezes esquecemos quais são os nossos direitos. Nunca se deve baixar a guarda na defesa dos direitos. Os abutres sempre estão à espreita para se aproveitar de pessoas crédulas, ingênuas e decentes. Essas pessoas que trabalham e que movimentam o mundo”, diz Ricardo.

“Não sei se desfrutei tanto quanto agora quando o vejo”, confessa Chino Darín sobre o trabalho com o pai. “Fiquei um pouco abalado pelo papel de produtor e pelo que significava trabalhar com meu pai. Comecei com um nível de tensão e responsabilidade de que me livrei depois. O que é verdade é que para mim foi um grande privilégio”, acrescenta, ante o olhar brilhante de Ricardo, que intervém: “Em uma cena compartilhada, se dois não querem, um não pode. É assim simples. O ator depende muito do que o outro nos deixa, do que nos entrega, da generosidade. É assim que a energia circula. Quando fomos capazes de nos liberar dessa enorme responsabilidade que tínhamos como produtores e focar no trabalho como atores, a sensação que tenho é que nos ajudamos muito.”

A Odisseia dos Tontos te faz mergulhar na lama para depois te resgatar. Não evita a dor, mas te faz lembrar dela. Há no filme a intenção de dessacralizar, lutar pela memória, de voltar a recordar uma situação tão trágica como a crise econômica. “Estava na hora de os mocinhos vencerem alguma vez”, proclama Chino. “O melhor é como os espectadores pegaram essa história para si. Acho que o fator preponderante em tudo isso é que tem a ver com uma certa reparação emocional para todos aqueles que sofreram aquele desastre ou os que o viveram de maneira colateral. Tem algo de bálsamo”, diz Ricardo Darín. “Foi uma época que, apesar da amargura e do sentimento de injustiça permanente, fez disparar a imaginação de milhares de cidadãos diante da impotência”, acrescenta Chino. Pai e filho falam, se interrompem, dialogam, olham um para o outro. “É preciso falar da dor, trazê-la para fora. Na Espanha, vocês sabem disso bem com o tema da memória histórica. Fazer uma catarse coletiva. Só assim é possível enfrentar o futuro. Nós argentinos sabemos bem. Temos a grande ginástica para passar por crises, sobreviver a elas e voltar a renascer.”

nov
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Posted on 02-11-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-11-2019


 

Clayton, no jornal

 

DO EL PAÍS

Polícia cumpre mandados de busca e apreensão de representantes da empresa no RJ por derramamento que pode ter acontecido a 700 km da costa. Estudiosos apontam para diferenças de densidade das manchas de óleos nas praias

Mancha de óleo em Maragogi, em Alagoas.
Mancha de óleo em Maragogi, em Alagoas.Diego Nigro / Governo de Pernambuco (EFE)

O navio Bouboulina, de bandeira grega e propriedade da empresa Delta Tankers, é apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal suspeito pelo derramamento de óleo que tem se espalhado pela costa nordestina, contaminando centenas de praias brasileiras. Nesta sexta-feira, a PF cumpre dois mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro em sedes de representantes da empresa responsável pela embarcação. As investigações, que têm a colaboração da Interpol, apontam que o navio grego atracou na Venezuela no dia 15 de julho e permaneceu ali três dias antes de seguir viagem, tendo Singapura como destino. A embarcação teria atracado apenas lá e na África do Sul. A versão dos investigadores é de que o derramamento do óleo teria ocorrido durante esse deslocamento, entre os dias 28 e 29 de julho, a pouco mais de 700 quilômetros da costa da Paraíba.

Agora, a Interpol busca dados adicionais sobre a embarcação, a tripulação e a empresa responsável pelo petróleo abastecido na Venezuela. A investigação sobre a origem das manchas de óleo que contaminaram mais de 280 praias em todos os estados do Nordeste é de responsabilidade da Marinha, mas neste caso ocorre de forma integrada com o Ministério Público Federal, o Ibama e universidades da Bahia, de Brasília e do Ceará.

A suspeita de que a origem do óleo venha desse navio grego decorre da observação de imagens de satélite, que possibilitaram a identificação de uma mancha inicial de petróleo cru a cerca de 700 quilômetros da costa brasileira no dia 29 de julho. A embarcação grega, apontam os investigadores, teria sido a única petroleira a navegar pela área suspeita na data do vazamento.

“A mancha é longa, mas não sei se ela justifica o volume do que está acontecendo [na costa nordestina]”, diz o pesquisador Humberto Barbosa, que trabalha no Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas. Segundo as investigações, porém, o navio grego teria capacidade para transportar 80 mil toneladas de óleo e apenas uma fração desse volume foi encontrado na costa brasileira. Ainda assim, Barbosa acredita que a mancha analisada nas investigações oficiais pode não ser suficiente para explicar o desastre ambiental causado pelo óleo. E chama atenção para outras manchas que têm sido observadas próximo à costa nordestina.

Nesta semana, Barbosa identificou uma imagem do satélite Sentinel-1A ao fazer o monitoramento remoto do oceano que mostra uma mancha em formato de meia lua, com 55 quilômetros de extensão e seis de largura, próxima do município baiano de Prado. E levantou a hipótese de que o vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar, inclusive na área do pré-sal.

Segundo ele, as imagens analisadas mostram fluidos com densidades diferentes e características que indicam que o fluido possa ter sido gerado no fundo do oceano. Além disso, as manchas no mar brasileiro observadas nas imagens seguem padrões distintos do que a literatura europeia aponta em casos de derramamento de óleo, afirma. “Pela primeira vez, encontramos uma assinatura espacial diferenciada. Ela mostra que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar”, afirma.

O pesquisador pondera que sua hipótese levanta algumas ressalvas, já que não foi feito trabalho de campo nem a análise da água que possa identificar exatamente o que é o fluido observado. No entanto, o cruzamento de informações do material que tem aparecido na costa com as correntes marítimas e os ventos dariam força à sua tese. A Marinha não comentou sobre o monitoramento do pesquisador e não se sabe se as mais de 800 imagens analisadas pelas investigações oficiais contemplam aquelas monitoradas por Barbosa, no sul da Bahia.

Outras duas imagens de datas diferentes da mesma região também têm intrigado o pesquisador. Ele conta que, ao comparar imagens do mesmo quadrante nos dias 16 de outubro e 30 de outubro, observou que a intensidade da mancha do dia 30 estava maior. “Consigo ver o mesmo contorno, porém com mais intensidade em alguns pontos”, afirma. O pesquisador trabalha nessas imagens e tem mantido contato com a comissão criada no Senado para acompanhar o caso. “O que foi colocado de óleo na costa não condiz com um simples vazamento de navio. Os fluidos são muito densos. Teria que ser muitos navios em um acidente em cadeia para provocar essa quantidade de óleo”, analisa.

Em nota sobre as investigações do caso, a Marinha explica que a suposta área do descarte foi identificada graças aos estudos realizados pelo Centro de Hidrografia da Marinha junto a universidades e instituições de pesquisa. Paralelamente, a Polícia Federal identificou uma imagem de satélite de uma mancha de óleo no dia 29 de julho por meio de geointeligência. Nas imagens do mesmo local feitas em datas anteriores, não havia manchas. Além disso, a análise do óleo comprovaria sua origem de poços venezuelanos. O navio grego teria sido o único petrolífero a trafegar próximo ao local. “As investigações prosseguem, visando identificar as circunstâncias e fatores envolvidos nesse derramamento (se acidental ou intencional), as dimensões da mancha de óleo original, assim como mensurar o volume de óleo derramado, estimar a probabilidade de existência de manchas residuais e ratificar o padrão de dispersão observado”, acrescenta a nota da Marinha.

Um dia antes da Polícia Federal deflagrar a operação que divulgou a suposta origem do óleo como de um derramamento em alto mar por um navio grego, o presidente Jair Bolsonaro comentou o assunto na live semanal que publica nas suas redes sociais. O presidente disse que “está mais do que comprovado que [a origem do óleo] é da Venezuela” e que o Governo sabe disso há quase dois meses, por meio de seus órgãos de investigação.

Ao lado do presidente, o secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, disse que a pesca está liberada nas regiões atingidas. Segundo ele, não há notificação sobre contaminação de pescados, exceto a de pessoas sujas com óleo que fizeram a limpeza com tiner. “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo. Então, obviamente, você pode consumir o seu peixinho sem problema nenhum. Lagosta, camarão, tudo perfeitamente sano, capitão”, disse ele. Bolsonaro tossiu ao ouvir a declaração, mas não discordou do secretário. “Obviamente de vez em quando fica uma tartaruga ali na mancha de óleo, pra não falar que ninguém fica, né? Um peixe, um golfinho pode ficar, mas tudo bem”. O vídeo viralizou nas redes com o trecho do comentário do peixe inteligente

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