DO EL PAÍS

Ataque contra autoproclamado califa do EI coincide com retirada das tropas norte-americanas do conflito

Abu Bakr al-Baghdadi, em abril de 2019.
Abu Bakr al-Baghdadi, em abril de 2019.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo a morte do líder do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, em uma operação militar no noroeste da Síria. Considerado um dos terroristas mais procurados do mundo, al-Baghdadi proclamou em 2014 o califado do EI que durante os três anos seguintes de apogeu se espalharia pelo Iraque e pela Síria, semeando o terror com execuções em massa e impondo sua versão radical do islã.

“Era um homem doente e depravado e já se foi”, disse Trump, em um pronunciamento televisionado à nação. “Morreu como um cachorro, morreu como um covarde. O mundo é hoje um lugar muito mais seguro.”

O presidente afirmou que não houve baixas norte-americanas na operação, que começou “algumas semanas atrás” e terminou no sábado com al-Baghdadi encurralado, detonando o cinto explosivo que estava usando. Por outro lado, houve um “bom número” de baixas entre os companheiros do líder do EI. As forças especiais norte-americanas se apropriaram de numerosas informações secretas relacionadas ao grupo terrorista, explicou Trump.

O assalto ao complexo residencial em que al-Baghdadi estava, localizado a menos de cinco quilômetros da fronteira com a Turquia, foi realizado por 50 a 70 membros da Força Delta e dos Rangers do Exército dos Estados Unidos. A operação também envolveu seis helicópteros de combate que partiram de Erbil, capital da região do Curdistão iraquiano.

Com a operação, Trump anota uma inquestionável vitória em política externa. O presidente, imerso em uma grande crise interna com um processo de impeachment em andamento contra ele, alcança um dos objetivos mais claros de seu primeiro mandato.

Abu Bakr al-Baghdadi liderou o Estado Islâmico desde 2010, quando o grupo terrorista ainda era um ramo clandestino da Al Qaeda no Iraque. A queda em 2017 de Mossul e Raqa, as fortalezas do grupo terrorista no Iraque e na Síria, respectivamente, despojou al-Baghdadi de seu poder e fez dele um fugitivo. Os ataques aéreos realizados pelos EUA mataram a maioria dos principais lugar-tenentes do EI e, antes de publicar uma mensagem em vídeo em abril na qual o líder terrorista aparece, havia informações contraditórias sobre se estava vivo ou não. Apesar de perder seu último território significativo, acredita-se que o EI tenha células adormecidas em todo o mundo e alguns combatentes operam nas sombras no deserto da Síria e em várias localidades iraquianas.

Trump, a noite do sábado, vendo ao vivo a operação no noroeste da Síria.
Trump, a noite do sábado, vendo ao vivo a operação no noroeste da Síria.

A operação contra al-Baghdadi acontece no momento em que os Estados Unidos mostram hesitações em sua estratégia na região. A decisão do presidente Trump, há um mês, de retirar quase a totalidade do milhar de homens que tinha na Síria, em meio à ofensiva turca contra as forças curdas, que foram aliadas dos EUA na luta contra o EI, foi corrigida nos últimos dias. Washington agora cogita manter uma presença maior do que a inicialmente estimada, para proteger os campos de petróleo sírios do EI.

O fugitivo mais procurado do planeta

Supunha-se que o fugitivo mais procurado do planeta, com uma recompensa de 25,5 milhões de dólares (cerca de 100 milhões de reais) oferecida pelos EUA por sua cabeça, estivesse escondido em algum abrigo no deserto na fronteira entre Síria e Iraque, onde as células adormecidas do EI vagam à espera de reativação por meio do terror. Mas também Osama Bin Laden foi procurado nas montanhas do Afeganistão, quando vivia placidamente com a família perto da principal academia militar do Paquistão.

A província de Idlib, o último reduto da rebelião contra o regime de Bashar al-Assad, no norte da Síria, parecia um refúgio improvável para al-Baghdadi. O objetivo dos comandos da Força Delta, a aldeia síria de Barisha, fica a apenas uma dezena de quilômetros da fronteira da Turquia, em um território no qual os grupos insurgentes islâmicos se fortaleceram durante mais de oito anos de guerra.

Na luta pela hegemonia na rebelião salafista e jihadista, os herdeiros da Al Qaeda, dos quais al-Baghdadi se separou há seis anos para empreender a fundação do califado, haviam finalmente arrinconado ao EI em Idlib há um ano. A poderosa milícia Hayat Tahrir al-Sham controla a maior parte da província rebelde, cercada por forças sírias e russas, e onde o Exército turco estabeleceu uma dúzia de “postos de observação militar”. A presença do califa fugitivo em Idlib é interpretada como um sinal da fraqueza do EI na região do Eufrates, diante do assédio do Exército iraquiano e do avanço das tropas de Damasco e de suas agora milícias curdo-árabes aliadas da Frente Democrática Síria.

O líder do Estado Islâmico reapareceu em 16 de setembro em uma fita de áudio na qual exortava seus seguidores a libertar os prisioneiros jihadistas nas mãos das milícias curdas no nordeste da Síria. As fitas de áudio divulgadas em portais digitais de propaganda jihadista eram seu meio habitual de comunicação. Desde que proclamou o califado na grande mesquita de al-Nuri, em Mossul (norte do Iraque), em 2014, al-Baghdadi nunca mais foi visto. Em abril, quando caiu seu último feudo territorial na fronteira síria do rio Eufrates com o Iraque, reapareceu em um vídeo pela primeira vez em cinco anos.

A aniquilação do EI foi o único objetivo compartilhado pelos beligerantes enfrentados no tabuleiro global do conflito sírio, como Rússia e Irã, aliados de al-Assad; a Turquia, associada à rebelião islâmica, e os EUA, que bombardearam as bases do Califado durante mais de quatro anos. Antes mesmo da confirmação oficial da operação pela Casa Branca, das milícias curdas da Síria, agora aliados dispensados por Washington, aos serviços de inteligência militar do Iraque, tentaram anotar o tento de sua colaboração na operação ordenada por Washington.

Embora todos os indícios apontem para a Turquia como ponto de partida para a ação violenta norte-americana, Ancara mantém uma reserva oficial. Uma fonte do Governo de Recep Tayyip Erdogan consultada pelo EL PAÍS se limitou a apontar que “al-Baghdadi chegou ao local (Barisha) 48 horas antes do ataque”, informa Andrés Mourenza. A Turquia foi informada “com antecedência” e esteve “coordenada” com os EUA, acrescentou, sem confirmar ou desmentir a eventual colaboração dos serviços de espionagem turcos, que mantêm contatos estreitos com grupos rebeldes em Idlib.

“Congratulamo-nos com o que aconteceu; é um bom dia para os bons”, concluiu a fonte oficial turca, que pediu para não ser identificada, antes de afirmar que “a cooperação com os EUA e outros aliados” continuará na luta contra o EI. A intervenção de um comando aerotransportado norte-americano no noroeste da Síria só parece factível por duas vias: uma improvável cumplicidade da Rússia e da Síria ou a anuência da Turquia. A área base de Incirlik, no sudeste próximo de Anatólia, ou um porta-aviões ancorado no Golfo de Alexandreta parecem os pontos mais previsíveis para que a Força Delta possa lançar uma operação secreta em Idlib, onde mais de 30.000 insurgentes islâmicos radicais estão entrincheirados com artilharia e mísseis terra-ar.

Se, como apontaram fontes de Washington aos meios de comunicação norte-americanos, o presidente Trump deu a ordem de agir contra al-Baghdadi há uma semana, parece plausível que os serviços de inteligência de Ancara puderam informar os EUA sobre o paradeiro do chefe do EI durante a reunião que o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado Mike Pompeo (ex-diretor da CIA) fizeram nos último dia 17 com o presidente Erdogan para conter a intervenção da Turquia na Síria.

Dado por desaparecido várias vezes, al-Baghdadi era sobretudo um símbolo político e religioso mais do que um chefe e estrategista militar. Sua morte não terá um impacto importante na ameaça jihadista global. O califa que chegou a reinar sobre 11 milhões de pessoas em um território do tamanho do Reino Unido já representava a imagem da derrota na última vez em que foi visto com vida. Cercado por seus comandantes no vídeo divulgado seis meses atrás, sua presença era apenas uma demonstração de que estava vivo para dezenas de milhares de membros e filiados do EI no Oriente Médio, Ásia, África e Europa. Liquidados o califado e o califa, o EI ainda aspira a continuar atingindo com o terror por meio de grupos de radicais e fanáticos que o reverenciam em meio mundo.

 

 

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CRÔNICA

Quem não tem Rubem Braga caça veredas

Janio Ferreira Soares

 

Reforma da previdência; julgamento das prisões na segunda instância; óleo invadindo praias; condenação de Geddel; infindáveis baixarias dos recrutas do capitão; o pau quebrando no Chile; Queiroz de volta dos mortos. Os assuntos são os mais variados possíveis e estão aí à disposição de quem tem habilidade suficiente para discorrê-los nos principais jornais e sites do país.

Porém, como é comum acontecer desde os tempos em que Fernando Sabino pedia crônicas emprestadas a Rubem Braga quando sua inspiração relaxava, tem horas em que este que vos tecla também olha para um tema, olha para outro e as letras só querem saber de uma rede esticada sob uma enorme acácia que ora roseia meu quintal.

E em dias assim, como não tenho o privilégio de ter à mão um vizinho cronista que me ceda umas xícaras de palavras e um punhado de vírgulas para publicar como se fossem minhas, só me resta calçar a velha bota de cano frouxo e sair pelas veredas que a repetição dos passos cultiva, sempre na companhia de Júlio, um dos dois vira-latas que dividem a roça comigo, já que o outro, de nome Edgard, é um velho e malandro trovador francês que prefere ficar compondo versos baratos na companhia das flores do campo, que nas noites de lua alva serão tocados em seu banjo torto nas janelas de alvoroçadas cadelas.

Mas como eu dizia, com mestre Júlio trotando na frente com a autoridade de quem conhece cada atalho dos caminhos, logo chego a um laguinho turvo onde um casal de patos flana e mergulha atrás do que comer. Mais adiante, no meio do nada, avisto um enorme e florido abobral, cuja origem deve ter sido proveniente da cloaca de alguma ave que barreou por ali, ou das sementes expelidas pelos meninos que vivem pescando apaiari na beira do rio e costumam se acocorar bem naquela região para se aliviarem.

Pois bem, querido leitor e amada leitora, veja que com apenas uma voltinha pelas quebradas de minha aldeia já estou quase perto de completar os 2.700 caracteres que até há pouco teimavam em não fluir. E nessa pegada, talvez nem precise mais passar por umas algarobas cheias de cactos ao redor lembrando gigantescas lapinhas do Natal que vai chegar, tampouco por um umbuzeiro próximo, que pela floração promete boas umbuzadas que beberei em memória de dona Maria Anaide Muricy de Abreu, que semana passada resolveu virar cinza depois de 95 anos iluminando a vida de quem a conheceu.

E é pra essa minha queridíssima amiga e leitora que dedico este texto concluído quase às seis da tarde, hora, como diz o nosso imenso Gil, do encontro entre o dia, a noite e o nada, e momento certo de orar aos santos, aos iogues e aos orixás, pelo hoje, pelo amanhã e por esse infinito mistério a nós reservado que, felizmente, tu não sabes e eu também não sei.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

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DO EDITOR, EM MEMÓRIA DE MARIANINHA: Este ribeirinho editor do Bahia em Pauta pede licença (ou de empréstimo) a Janio as belas palavras e os comoventes sentimentos do autor em seu texto especial deste sábado de outubro para, em meu nome,  dedica-los também à memória de Mariana Soares, a Marianinha de Abaré, que morreu sexta-feira no hospital de Paulo Afonso, onde estava internada.Doce. generosa e sempre leal prima e parceira de larga travessia de vida. Sobrinha muito amada e companheira de viagens do tio Alaôr (meu saudoso pai) pelos caminhos do sertão do São Francisco, da capital e do Recôncavo, que Mariana trilhava com igual grandeza de espírito e sociabilidade, compartilhando amor, afetos e dedicada vontade de servir. Um exemplo de pessoa humana e de parenta. Foi sepultada na manhã deste sábado , em Abaré, a cidade natal, no cemitério à beira do São Francisco, o rio da nossa aldeia. Imagino (ateu que crê em milagres) o contentamento  do reencontro com José Amâncio Filho, famoso Meu Mano (o pai, músico, compositor e notável poeta popular de seu tempo) e com o tio Alaôr, um querer bem de sempre. Mando meu abraço de comovido a Maria e Hélio, os irmãos que ficam. E, enquanto estiver por aqui, louvarei a memória da prima-irmã que se foi. (Hugo, ou Huguinho, como Marianinha chamava).

 
 

“Tragédia no Fundo do Mar”, Originais do Samba: Samba no domingo de sol de primavera, para relaxar! Ou não!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

out
27
Posted on 27-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2019

Do Jornal do Brasil

REDAÇÃO JB

A informação circulou ontem à noite no portal Uol. A Procuradoria-Geral da República denunciou Domingos Brazão ao STJ. Ele “arquitetou o homicídio da vereadora Marielle Franco e visando manter-se impune, esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio”, escreveu Raquel Dodge em seu último ato como procuradora geral da República.

Macaque in the trees
Domingos Brazão (Foto: Carlos Sucupira/Alerj)

“Fazia parte da estratégia que alguém prestasse falso testemunho sobre a autoria do crime e a notícia falsa chegasse à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, desviando o curso da investigação em andamento e afastando a linha investigativa que pudesse identificá-lo como mentor intelectual dos crimes de homicídio”, diz a denúncia.

Brazão é ex-deputado e conselheiro afastado do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio).

out
27

Mourão diz que óleo foi recolhido de todas as praias do Nordeste

 

Hamilton Mourão disse neste sábado que todas as praias do Nordeste já tiveram o óleo recolhido.

“O óleo já foi recolhido. Hoje acredito que não tem mais nenhuma praia suja no Nordeste. Todas estão com óleo recolhido. À medida que vai aparecendo, nós estamos deslocando os especialistas para lá, eles fazem a limpeza e pronto, a praia está em condições de banho.”

 
Sebastián Piñera.
Sebastián Piñera.

 

Poucas horas depois do início da crise no Chile, quando o transporte em Santiago estava um caos e as pessoas tentavam chegar em casa como podiam, o presidente saiu do palácio de La Moneda e foi a um restaurante em um bairro abastado da capital para comer uma pizza: era a comemoração de aniversário de um de seus netos. Sebastián Piñera Echenique (Santiago, 1949) não é exatamente um político, mas um pragmático empresário que combinou com sucesso a vida pública e os negócios. Seus constantes deslizes, como este, às vezes causam certa graça, e outras, diretamente indignação. Nas horas seguintes ao episódio da pizza —fotografado por um transeunte e viralizado em poucos minutos—, a capital se tornou um protesto transbordante: as manifestações estudantis contra o aumento do preço da passagem de metrô foram o pavio que fez explodir um sentimento de frustração de uma população que se sente à margem da senda de desenvolvimento do país. Em um fenômeno marcado pela fúria contra todos os grupos dirigentes e os privilegiados, o presidente chileno —cuja fortuna é avaliada em 2,8 bilhões de dólares (cerca de 11,8 bilhões de reais)— parece outro alvo do mal-estar.

Depois da recuperação da democracia, Piñera foi o primeiro a levar a direita a La Moneda, em 2010, mas, ao contrário da maioria daqueles que o acompanham no Governo, não apoiou Augusto Pinochet no plebiscito que pôs fim à ditadura, em 1988. Tampouco pertence às tradicionais elites empresariais chilenas (majoritariamente conservadoras) que sempre o encararam com certa desconfiança. Depois do segundo mandato da socialista Michelle Bachelet (2014-2018), que recolheu o descontentamento das ruas em uma Administração de discutido legado, Piñera chegou ao poder pela segunda vez com a promessa de “tempos melhores”. Foi ajudado pelo medo daqueles que temiam que o Chile se tornasse uma Venezuela (“Chilezuela”) se a esquerda continuasse governando.

Algumas semanas atrás, quando metade da América Latina estava mergulhada em situações complexas (protestos contra os preços da gasolina no Equador, confronto entre Governo e Congresso no Peru e eleições presidenciais na Bolívia), Piñera se vangloriava de que seu país era um “oásis”. Enquanto tinha os olhos postos em seu papel na crise climática e nas próximas cúpulas das quais será anfitrião (o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em novembro, e a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro), a panela de pressão explodiu. O oásis parece mais uma miragem.

Obstinado, de caráter incontrolável —mesmo para seus assessores e pessoas de confiança—, mas preparado e experiente, como reconhecem até seus adversários, para Piñera, acostumado a ganhar tanto na política quanto nos negócios, não é fácil que o Chile enfrente durante sua gestão a maior crise política e social desde o retorno à democracia. Para controlar a violência, teve de tirar os militares dos quartéis, em uma explosão social que deixou pelo menos vinte mortos e as infraestruturas públicas e privadas do país com danos muito sérios (apesar do fato de o Governo ter desistido de aumentar o preço do metrô). Para alguém habituado a ser o primeiro, a ter sucesso, deve ter sido difícil pedir desculpas a seus compatriotas. Nessa crise, chegou a declarar que o Chile estava “em guerra”, mas nesta semana pediu desculpas desde La Moneda, no meio do toque de recolher: “Os problemas se acumularam por muitas décadas e os diferentes Governos não foram e nós não fomos capazes de reconhecer esta situação em toda a sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão”.

Os protestos no Chile, desencadeados pelo aumento do preço da passagem do metrô, deixaram cerca de vinte mortos

Casado desde 1973 com Cecilia Morel, com quem tem quatro filhos, Piñera combinou durante anos o trabalho público com o privado. Obteve a representação de cartões de crédito no Chile nos anos setenta e, desde então, seus negócios foram crescendo em ambição e sucesso. Foi o principal acionista da companhia aérea Lan Chile (Latam), do canal Chilevisión e da empresa que administra um dos clubes de futebol mais populares do país, o Colo-Colo. Milionário de primeira geração, é o terceiro dos seis filhos de Magdalena Echenique, dona de casa, e José Piñera Carvallo, engenheiro e diplomata fundador da Democracia Cristã chilena, partido que durante décadas representou a classe média.

Ninguém pode garantir que a crise seria evitada com um Governo de orientação diferente, porque a falta de representatividade da classe política parece ser uma das causas do descontentamento em um país em que apenas 49% dos cidadãos votam. Mas não ajuda a revelação de meses atrás de que Piñera não pagou os impostos regulamentares de uma de suas casas de veraneio, nem que os ministros, diante do aumento dos preços do transporte, incentivaram os cidadãos a se levantarem mais cedo para aproveitar a tarifa mais baixa.

Não se vê uma saída rápida da crise. Para alguns, o Governo está arruinado, embora os democratas chilenos de todos os setores —aqueles que pensam que tão importante quanto recuperar a ordem pública é dar uma resposta às causas dos protestos— estejam dispostos a ajudar e não jogar mais lenha no fogo. O presidente, com acertos e erros, foi democraticamente eleito e as lembranças da ditadura ainda estão demasiado presentes.

out
27
Posted on 27-10-2019
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Lute, no jornal

 

DO EL PAÍS

Pesquisas preveem retorno do peronismo depois de quatro anos

Mulher passa diante de cartazes de propaganda de Mauricio Macri e Alberto Fernández em uma rua de Buenos Aires.
Mulher passa diante de cartazes de propaganda de Mauricio Macri e Alberto Fernández em uma rua de Buenos Aires.

A Argentina enfrenta a hora da verdade. Quase 34 milhões de cidadãos votarão hoje, 27, conscientes de que o país está dividido e que, ganhe quem for, a situação econômica está próxima da catástrofe. Alberto Fernández, o candidato peronista, espera alcançar mais de 45% dos votos e tornar desnecessário um segundo turno. Mauricio Macri, o presidente em fim de mandato, acredita em um milagre. Ele mesmo usa a palavra “milagre”, o que dá uma ideia de suas possibilidades. Mas até o fechamento das urnas tudo é possível.

Um fenômeno interessante aconteceu durante a campanha eleitoral. Macri, quase despejado depois das primárias de agosto (em que Fernández o derrotou por quase 17 pontos, 49,5% contra 33%), conseguiu gerar um crescente entusiasmo entre seus partidários. O presidente, que na noite de 11 de agosto e no dia seguinte, oprimido pela derrota, deu duas coletivas de imprensa quase delirantes, cheias de incoerências e ressentimentos em relação aos eleitores, recebeu uma inesperada injeção de ânimo duas semanas depois: uma manifestação espontânea, convocada desde Madri pelo cineasta Juan José Campanella e pelo ator Luis Brandoni, encheu a Plaza de Mayo de seguidores entusiastas.

Tudo mudou a partis daí. Macri, o homem que nunca quis se cercar de multidões, começou a procurá-las. E as encontrou. Sua campanha desde então se baseou em percorrer o país com grandes marchas populares, gritando “Sim, nós podemos”.

Enquanto Macri convocava comícios de massa no mais puro estilo peronista, seu grande adversário, Alberto Fernández, começou a funcionar como se já tivesse sido eleito presidente. Passou mais tempo em seu escritório, desenhando seu futuro gabinete e seu programa do Governo, do que realizando comícios. Para alguns, pecou por excesso de confiança. Tinha motivos para se sentir confiante: não apenas por causa da vitória de agosto, mas porque as pesquisas indicam neste domingo uma vitória ainda mais ampla, com quase 20 pontos de vantagem. Essas mesmas pesquisas, no entanto, previram um empate técnico nas primárias. Ninguém confia muito nelas.

Outro paradoxo da campanha foi que os dois maiores candidatos dedicaram mais esforço para esconder do que para prometer. Primeiro, porque qualquer promessa realista deveria se parecer à de Winston Churchill: “sangue, suor e lágrimas”. Segundo, porque ambos carregam um fator que lhes prejudica.

Macri foi obrigado a encobrir, até onde fosse possível, sua terrível gestão da economia. A Argentina está em recessão há um ano e meio, a inflação de 12 meses chega a 58% (com um aumento de 300% nos quatro anos de mandato), o peso sofre uma queda livre (um dólar custava 13 pesos quando Macri assumiu o cargo; agora está em 65, de acordo com o câmbio oficial, e em mais de 80 no paralelo), a dívida pública não pode ser paga e a pobreza, que atinge quase 35% da população, aumentou para seu nível mais alto desde o colapso financeiro de 2002. Como por esse lado ele não podia se vangloriar, o presidente tentou realçar seu respeito pelas instituições, a transparência de seu Governo e as numerosas obras públicas realizadas sem os subornos que caracterizaram o kirchnerismo.

Alberto Fernández, por sua vez, se viu obrigado a esconder sua companheira de chapa, a ex-presidenta Cristina Kirchner. A agora aspirante a vice-presidenta mal participou da campanha. Em parte, porque viaja frequentemente para Cuba, onde sua filha Florencia se trata de um linfedema e um quadro depressivo. Em parte, porque sabe que provoca rejeição visceral em um grande segmento da população que não perdoa seu autoritarismo e os casos de corrupção que patrocinou (e dos quais supostamente se beneficiou) durante seus dois mandatos.

Um país dividido

Não são poucos os acreditam sinceramente que Cristina Kirchner se livrará de Alberto Fernández de algum modo e voltará a ocupar a Casa Rosada. Os adeptos da teoria de que quem manda na realidade é ela pensaram ter visto seus medos confirmados por uma anedota: quando os dois viajaram para Mar del Plata para o comício de encerramento da campanha, Alberto cedeu a Cristina a suíte presidencial do hotel.

A sociedade argentina sofre uma divisão profunda. Não importa que Alberto Fernández, um pragmático de tendências centristas, tenha afirmado repetidas vezes que com ele o kirchnerismo não voltará. Não importa que durante os últimos dois meses o Governo de Macri tenha sido forçado a adotar medidas tipicamente kirchneristas (restrições de câmbio, congelamento de preços), como admitiu esta semana o ministro da Produção e Trabalho, Dante Sica. As duas Argentinas se olham com desconfiança mútua e sentem pânico com a possibilidade de que “os outros” ganhem.

A polarização relegou os outros candidatos a um papel muito secundário. O velho economista Alberto Lavagna, o neoliberal José Luis Espert, o esquerdista Nicolás del Caño e o ex-militar de extrema-direita Juan José Gómez Centurión não têm possibilidades. Só alcançariam certa relevância se Macri forçasse um segundo turno e tivessem de recomendar o voto em um ou outro dos dois grandes candidatos.

Governo estuda endurecer controles de câmbio para sustentar o peso

E. G.

Depois da vitória peronista nas primárias de agosto, o quadro macroeconômico argentino, já muito maltratado, saltou pelos ares. O peso e as Bolsas afundaram e a inflação voltou a subir. Ninguém descarta que algo semelhante aconteça se Alberto Fernández chegar à presidência. De qualquer forma, algo parece certo: na segunda-feira haverá controles mais rígidos sobre o câmbio, em um esforço para conter a fuga dos poupadores para o dólar e a contínua depreciação do peso.

O Banco Central não pode mais lutar nos mercados. Na sexta-feira perdeu mais 1,755 bilhão de dólares em reservas, dedicadas à compra de pesos e à distribuição de notas verdes aos bancos para permitir que os correntistas retirem seus recursos em moeda norte-americana. Desde 1º de setembro, os cidadãos argentinos têm um limite de câmbio de 10.000 dólares por mês por pessoa. Essa limitação foi frequentemente violada: os mais ricos usam terceiros para aumentar sua cota.

Diante da sangria contínua de reservas, o Banco Central pensa adotar medidas mais drásticas. O máximo cambiável será reduzido para 2.000 dólares, ou talvez 1.000 dólares por mês, e serão feitas tentativas para estabelecer mecanismos que impeçam a aquisição indireta de dólares por meio de operações de compra e venda de títulos. Alberto Fernández prometeu que, se for presidente, respeitará os depósitos em dólares e descartou completamente a repetição do devastador corralito de 2001, mas ninguém confia em ninguém.

Essa não é a pior notícia que espera os argentinos. O mais difícil acontecerá a partir de 14 de novembro, quando os preços dos combustíveis forem descongelados. Para evitar fazer campanha em uma situação econômica caótica, Macri decretou que os postos de gasolina manterão os preços em vigor em 9 de agosto por três meses e que o mercado atacadista de combustíveis, dolarizado, funcionasse com uma moeda norte-americana cotada artificialmente a 50 pesos. A atualização dos preços significará um aumento repentino que, segundo especialistas do setor, chegará a pelo menos 30%

Então, em dezembro, expirará o programa Produtos Essenciais, lançado pelo Governo Macri em maio para manter estáveis durante seis meses os preços de 64 alimentos básicos. Se o novo presidente não conseguir um novo acordo para controlar determinados preços com produtores e distribuidores, o custo da cesta de compras terá um impulso.

Tom Leão

Tom Leão

 

Rogéria, ‘o travesti da família brasileira’

DO  Jornal do Brasil

TOM LEÃO

Hoje em dia, quando se fala tanto em diversidade e diferentes representações sexuais, é sempre bom lembrar que existiu uma figura que era considerada ‘o travesti da família brasileira’, isso, em plenos anos 1960/70, época em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Era assim que Astolfo Barroso Pinto, mais conhecido como Rogéria, costumava se definir. E, era querido por todos: homens, mulheres, crianças e amigas. Uma celebridade, de fato, conhecida em todo o Brasil.

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Rogéria (Foto: Divulgação)

Depois de exibições em eventos como o Mix Brasil e o Festival do Rio de 2018, “Rogéria – Senhor Astolfo Barroso Pinto”, de Pedro Gui, chega aos cinemas do país a partir de 31 de outubro. O documentário traz trechos de entrevistas com colegas de batalha de Rogéria, como Jane di Castro, personalidades como Jô Soares, Rita Cadillac, Aguinaldo Silva e Betty Faria. E com a própria Rogéria – que morreu em setembro de 2017, durante o processo de realização do filme. Mas ainda deixou frases espirituosas e lembranças o bastante.

Além das entrevistas e de cenas de arquivo (e depoimento de seus dois irmãos e uma irmã, que fazem questão de frisar que ele sempre foi forte e não levava desaforo pra casa, desde menino), o documentário traz dramatizações da vida da artista, que é interpretada por quatro atores diferentes. Nascida Astolfo Barroso Pinto, em Cantagalo, no estado do RJ, Rogéria começou maquiando grandes estrelas (ainda na lendária TV Rio), que a incentivaram a lançar-se em uma carreira como atriz e cantora, assumindo uma figura feminina. Foi, neste momento que Astolfo virou, a princípio, Rogério. Até que, depois de um show e uma peruca loura, virou Rogéria.

A já falecida Bibi Ferreira, o trans Nany People e o diretor teatral Aderbal Freire Filho também estão entre as personalidades que dão depoimentos no documentário, que conquistou o prêmio Director Recognition no Los Angeles Brazilian Film Festival, em 2018, e foi o grande vencedor do DIGO (Festival Internacional da Diversidade Sexual de Goiânia), onde recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção.

Das apresentações no circuito alternativo carioca até chegar ao bas-fond de Paris e voltar consagrado, tornando-se estrela de três musicais do rei da noite Carlos Machado (e, depois, ator em diversos filmes, peças e até na popularíssima novela ‘Tieta do agreste’, como um travesti mesmo), Rogéria foi onde nenhum outro transformista brasileiro jamais esteve, antes ou depois. Um personagem fascinante.

RUGIDOS:

*Estreia no Canal Brasil, dia 25 de outubro, às 22h30, a minissérie nacional ‘Toda forma de amor’, que aborda o universo LGBTQi. A direção é de Bruno Barreto.

* O Amazon Prime Video anunciou a produção de ‘Soltos em Floripa’, reality show que vai reunir oito jovens vindos de diferentes lugares do Brasil em uma casa de praia em Florianópolis. O lançamento está previsto para 2020 e estará disponível exclusivamente no Prime Video em 200 países e territórios em todo o mundo.

*A segunda temporada da série nacional ‘Ilha de ferro’ estreia no GloboPlay, neste dia 25, exclusivamente para assinantes do serviço de streaming. Na nova temporada, além de Cauã Reymond e Maria Casadevall, estarão no elenco, também, Mariana Ximenes, Rômulo Estrela, Eriberto Leão e Erom Cordeiro.

* O Petra Belas Artes/SP, está lançando um serviço próprio de streaming. Será o primeiro cinema no Brasil a ter um canal de exibição VOD.

A estreia é dia 31 de outubro, com curadoria de André Sturm, fundador da distribuidora Pandora Filmes.

 

 

 

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Bolsonaro ataca Paulo Câmara, governsdor de Pernambuco: “Espertalhão”…
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… e ativistas do Greenpeace jogam óleo em frente ao Palácio do Planalto

ARTIGO DA SEMANA

 

Politização do desastre: Governadores do NE x Bolsonaro em novo round

Vitor Hugo Soares

Não cessa com o passar dos dias o pavoroso e estranho desastre que suja  de óleo cru, quase piche – os corais raros, pródigos manguezais, fauna e flora marinha e areias das praias, em mais de 200 localidades, recantos turísticos preciosos do Atlântico Sul, em todos os nove estados da região Nordeste do país. Ao contrario, o problema ganha corpo, o mistério se expande e começa exibir outra triste face: a politização do fenômeno de tons inéditos, que cresce e faz mais ruídos. Sem que se saiba  de onde vem e quem causou este crime, que alcança também a gente que vive à beira do oceano e seus recôncavos.

Além de duro golpe ambiental, social e econômico – o turismo é uma das forças motrizes do trabalho e da circulação de riquezas na região ­- do ponto de vista político, é o que se pode chamar de o terceiro round da briga ideológica dos governadores “de esquerda”, donos do poder nos 9 estados nordestinos, contra o governo “de direita” da União, comandado pelo presidente Jaír Bolsonaro. Briga que degenera em arruaças de parte a parte, até em atos vis, tipo a sujeira largada em frente ao Palácio do Planalto, por ativistas da ONG Greenpeace, que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, denomina de “ecoterroristas”. O presidente da República acompanha tudo da Ásia.

O vice, general Hamilton Mourão, , no exercício da presidência, tenta abafar o conflito. Até determinou a entrada em operação de 5 mil homens, integrantes de tropas fardadas, baseadas na região militar de Pernambuco, para ajudar no trabalho insano e diário, de voluntários e equipes especializadas de órgãos governamentais, para conter o avanço das placas de óleo, que esta semana alcançaram Morro de São Paulo, importante destino turístico da Bahia, receptor de milhares de visitantes nacionais e estrangeiros todos os anos.

O choque entre o presidente Bolsonaro e ocupantes do poder no NE vem de longe. Desde suas primeiras escaramuças com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Mas o primeiro round de arrepiar se deu contra Rui Costa, petista baiano, na inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, que levantou faíscas no ar. O segundo embate foi também na Bahia. Enquanto o presidente participava da entrega, no Vale do São Francisco, de moderna experiência de geração de energia eólica, sobre plataformas flutuantes instaladas no Lago de Sobradinho, os governadores optaram por não ir ao ato. Se reuniram em Salvador, para a formar o chamado Pacto do Nordeste, espécie de declaração de guerra ao Governo federal. O encontro reuniu os nove governadores da região: à frente o anfitrião Rui Costa (PT) e o comunista Flávio Dino, do Maranhão.

Trava-se agora, à margem do piche no mar e nas praias, o terceiro momento desta luta política e ideológica. Envolve desta vez, mais diretamente, o governador Paulo Câmara, de Pernambuco, chamado de “espertalhão” por Bolsonaro, no auge do desastre ambiental sem precedentes na costa nordestina. Em dura carta aberta, os donos do poder do Pacto do Nordeste saíram em defesa do pernambucano, em novo ataque ao governo federal. Enquanto isso, ativistas da causa ambiental convocam comício para este fim de semana no Farol da Barra, praia emblemática no coração da Baia de Todos os Santos, atingido pelo óleo cru. Como dizia o personagem de Jô Soares em antiga chanchada do cinema nacional: “Vai dar bode!”. A conferir.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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