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Do Jornal do Brasil

 

Coisas da Política

 

 O aprendizado do príncipe de Abrantes
PAULO RABELLO DE CASTRO *

 

Entre as atividades mais instrutivas e iluminadoras para o ser humano estão as viagens, em especial as que nos levam a ter contato com outras culturas, outros sistemas sociais, outros valores. Nosso presidente parece estar aprendendo. Já fez viagens ao mundo americano e agora completa um baita circuito a potências orientais (Japão e China) e a países árabes.

Ainda é cedo para saber se o Brasil terá vantagens comerciais palpáveis. Por enquanto, os acordos são mais genéricos. Porém, podemos afirmar que o presidente lucrou com sua abertura de cabeça. A China não come criancinhas, apesar de ter seus presos políticos. O aprendizado é de tolerância com sistemas políticos de partido único. Mas isso não deve incomodar o presidente cujo partido sempre foi ele mesmo e suas particularíssimas convicções.

Como homem de propósitos firmes, o presidente deve ter admirado a firmeza e unidade de propósitos da China em torno do seu líder, Xi Jinping. Na democracia brasileira, esfarelada em torno de mais de 30 partidos, todo mundo quer tudo mas a nação não alcança quase nada.

A convicção em torno de uma meta de crescimento é fundamental para o Brasil. Bolsonaro começa a perceber isso, graças à exposição que sofre com as experiências de fora. Não basta a perseverança antipetista e anticomunista para liderar um país como o Brasil ao crescimento.

Também está longe de ser suficiente arrendar um posto Ipiranga para fornecer soluções. O presidente externou na China sua angústia com a tal “retomada da economia”. Isso não estava antes no radar presidencial. Deve ser o relógio político – que marca horas com o dobro da velocidade normal – que deve estar alertando o líder da Nação para a premência de voltar a crescer.

E como fazer para crescer: reformas? crédito? ordem na casa? ordem unida? Ou um pouco de cada uma dessas alternativas? Num governo, o tempo sempre passa voando. O governo Bolsonaro já está pela metade do seu, em termos de tempo útil. O resto é tempo de politicagem e desperdício para uma nação onde as eleições são quase uma constante a agitar a farsa das promessas vazias. Ano que vem teremos mais um saco delas. E Bolsonaro quer ficar. Ao decidir que pegou gosto pela cadeira, o fardo de entregar crescimento e resultados palpáveis se tornou duas vezes mais pesado em função das oposições dos demais postulantes, que não são poucos nem fracos de poderes paralelos.

Há coisas óbvias que o presidente já deve ter constatado em suas recentes viagens de aprendizado. Primeiro, que ninguém vai a lugar algum sem mapa e rota. Um Plano de Metas é essencial. Já era tempo de o governo ter um. Não tem, mas pode pedir ao ministro. Segundo, precisa respeitar o plano. Parece bobagem mas não é. O governo Bolsonaro falou em reforma tributária, agitou, degolou assessores por isso, mas até agora não decolou uma só ideia a respeito. Mas a simplificação tributária de um país considerado, outro dia mesmo, como lanterna pela nova pesquisa Doing Business em matéria de impostos (o Brasil é o 184o. entre 190 países pela maneira hostil como os impostos machucam as empresas aqui) teria que ser
prioridade zero para um presidente com a cabeça nas metas de crescimento. No entanto, seu governo trocou de discurso esta semana para largar de lado a reforma tributária para, em vão tentar consertar um orçamento deficitário com cortes em saúde e educação, que fatalmente não acontecerão. Pura perda de tempo. Escolher objetivos na economia não tem sido o forte da administração atual. Basta comparar com a agilidade e densidade de resultados práticos obtidos na gestão anterior, do Presidente Temer, que não era popular nem sortudo, mas era eficaz como gestor político.

Os números fracos do desempenho em 2019 se repetirão em 2020. Aí vão dizer que foi por causa do protesto no Chile, da mancha de petróleo venezuelano, da Cristina voltando na Argentina ou do Trump se enrolando nos EUA. Mas NADA disso se compara com coisas simples como a taxa do cheque especial subindo em vez de cair aqui na nossa cara; o crédito para pessoas jurídicas encolhendo ao ritmo de 7 bilhões por mês (em termos de % do PIB) enquanto as empresas secam sem recursos para girar seus pagamentos mensais.

São tais ajustes de rota que o presidente viajante terá que fazer ao retornar à terrinha. Embora ignorante confesso em matérias econômicas, o príncipe de Abrantes é um experto em cálculos políticos. E estes já apontam o fracasso de seu sonho continuísta caso as coisas por aqui permaneçam “como dantes no quartel de Abrantes”.

* Paulo Rabello é autor e espectador da economia do Brasil há mais de 40 anos

“Hey”, Julio Iglesias e Ray Connifff (Duas versões) : Duas extraordinárias de um clássico da musica romântica de sucesso mundial: Na primeira o grande espanhol em apresentação ao vivo de um dos maiores sucessos de sua carreira. Na secunda, o monumental maestro Conniff. surpreende Iglesias ao convidá-lo para um ensaio de sua orquestra no qual apresenta sua versão, para cumprir antiga promessa ao artista de Espanha. Ambas imperdíveis e para aplaudir de pé. Confiram!!!

BOM DIA!!!

((Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

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Bolsonaro já havia criticado a eleição do peronista Fernández e deixou de lado qualquer diplomacia para anunciar que não pretende felicitar o presidente eleito neste domingo

O presidente Jair Bolsonaro, durante visita oficial aos Emirados Árabes Unidos.
O presidente Jair Bolsonaro, durante visita oficial aos Emirados Árabes Unidos.

O presidente Jair Bolsonaro não ocultou seu profundo desgosto com a vitória do peronista Alberto Fernández na eleição presidencial argentina deste domingo. O ultradireitista deixou de lado qualquer diplomacia com o país vizinho, o terceiro parceiro comercial do Brasil, para anunciar que não pretende felicitar Fernández. Também culpou o eleitorado argentino por ter levado de novo a esquerda ao poder: “Lamento. Não tenho uma bola de cristal, mas acho que a Argentina escolheu mal”, declarou ele à imprensa brasileira durante visita oficial aos Emirados Árabes Unidos. Além das divergências ideológicas, para Bolsonaro foi uma afronta que, nas horas anteriores e posteriores à vitória, o argentino recordasse o ex-presidente Lula e reivindicasse sua libertação.

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, foi ainda mais longe nas críticas ao dizer que “os sinais são os piores possíveis” e que “as forças do mal estão celebrando”. Em seu perfil no Twitter, Araújo escreveu que “as forças da democracia estão lamentando pela Argentina, pelo Mercosul e por toda a América do Sul”. “Mas o Brasil continuará inteiramente do lado da liberdade e da integração aberta”, ressalvou. “A esquerda é totalmente ideológica no apoio aos regimes tirânicos da região. Mas, quando se relaciona com as democracias (das quais depende), a esquerda pede ‘pragmatismo’. Curioso. ‘Pragmatismo’ significa sempre a direita se acomodar aos interesses da esquerda. Seremos pragmáticos na defesa dos princípios e interesses do Brasil: um Mercosul sem barreiras internas e aberto ao mundo, uma América do Sul sem ditaduras”, escreveu.

Em seu Twitter, Carlos Bolsonaro, o filho do presidente e uma espécie de responsável informal pela comunicação do Governo, também criticou a estratégia política de Maurício Macri, chamando-o de ingênuo, e reafirmou a estratégia extremista de seu pai. “[Macri] acreditou que poderia contar com a esquerda, como se existisse empatia no comunismo. Ficou em cima do muro, perdeu apoio de um lado, não conseguiu do outro, e quando decidiu descer já era tarde! Se dependesse do isentão daqui, Bolsonaro cometeria o mesmo erro!”, ressaltou.

A virada à esquerda da Argentina e o retrocesso do direitista Iván Duque nas eleições municipais realizadas também neste domingo na Colômbia são más notícias para Bolsonaro, que desde sua eleição, há um ano, se tornou o máximo expoente do nacional-populismo na América Latina. O brasileiro reviu inclusive sua posição sobre o futuro do acordo União Europeia-Mercosul com uma Argentina peronista. Nesta segunda-feira, sugeriu que, se Fernández mantiver seu anúncio de não aderir ao pacto, “será preciso afastá-lo” como sócio, em vez de que saia o Brasil.

Bolsonaro se irritou muito com as referências a Lula num dia tão marcante, porque uma das alavancas que o levaram ao poder foi justamente a do antipetismo e antilulismo, que domina uma parte significativa da sociedade. “O primeiro ato de Fernández foi ‘Lula, livre’, dizendo que está injustamente preso. Isso já antecipa o que se avizinha”, queixou-se. O peronista, de fato, esforçou-se por recordar Lula, preso há mais de um ano por corrupção, durante toda a jornada eleitoral. Em seu discurso da vitória, estimulou a multidão a gritar em coro “Lula, livre”, após pedir sua libertação. Ao seu lado estava a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que será sua vice.

Novo corregedor do MP critica imaturidade de procuradores nas redes e diz que atacará estrelismos

Eleito hoje novo corregedor nacional do Ministério Público, o ex-procurador de Justiça Rinaldo Reis disse, durante sabatina em maio no Senado, ser “radicalmente contra estrelismos” por parte de membros do órgão.

Durante a sabatina, vários senadores cobraram de Reis uma postura mais proativa do CNMP para punir procuradores que se manifestam em redes sociais e na mídia, seja para apontar crimes de pessoas ainda em investigação ou para opinar sobre propostas em discussão no Congresso.

O senador Weverton (PDT) disse que Deltan Dallagnol, por exemplo, deveria deixar o cargo e se candidatar — o chefe da força-tarefa já é alvo de procedimentos disciplinares por causa de tweets e entrevistas.

Na sabatina, sem citar Dallagnol, Reis disse que a Corregedoria Nacional já tem sido mais “contundente” para coibir “abusos nas redes sociais”, que têm diminuído, segundo ele.

“Isso infelizmente tem nos dado mais trabalho do que a gente acha que deveria ter, porque deveria haver realmente uma maior maturidade por parte de alguns membros do Ministério Público, que têm, até nas palavras do Senador Angelo Coronel, estrelismo, que agem com estrelismo. Nós somos radicalmente contra isso”, afirmou Reis na ocasião.

Nos últimos anos, Rinaldo Reis foi chefe de gabinete de Orlando Rochadel, que deixou hoje o cargo de corregedor nacional. O ocupante do cargo pode abrir processos disciplinares quando as corregedorias locais se omitem ou retardam apurações sobre a conduta de procuradores.

Na sabatina, Reis disse que, na gestão de Rochadel, “a grande preocupação foi exatamente a de coibir esse tipo de excesso, esse tipo de atuação danosa nas redes sociais, nas mídias, que não contribui em nada”.

“No nosso entendimento e no entendimento do Conselho, são passíveis, sim, de punição, e estão sendo punidas”, disse Reis, respondendo a um dos senadores.

A posição coincide com a de Augusto Aras que, em entrevistas antes de ser escolhido por Jair Bolsonaro para comandar a PGR, disse ser contra o excesso de personalismo no MP.

Do Jornal do Brasil

Marketing, Propaganda, etc.

Renata Granchi

 

Sephora, maior destino de beleza do mundo. Ou, simplesmente, a Disney das mulheres

RENATA GRANCHI

Considerada por muitos como a Disney das mulheres, a Sephora se posiciona como uma marca muito mais de entretenimento do que de comércio. Focada em experiência do consumidor, a comunicação é toda voltada para eventos em uma agenda consistente e que dura o ano todo. Encontrei com Cataldo Domenicis, gerente executivo de Marketing e PR da Sephora Brasil, na Casa Sephora, que aconteceu no início deste mês no Rio de Janeiro. Na entrevista ele explica os desafios desse mercado, a preocupação com a excelência no atendimento, as estratégias para atrair também o público masculino para as lojas e o motivo da apresentadora Sabrina Sato ser a famosa que hoje melhor representa o atual posicionamento da empresa: “Ela consegue atingir as diferentes marcas e propósitos. A Sephora é para todos os gostos e bolsos. A Sabrina é oriental e a Sephora preza muito por diversidade.”

Macaque in the trees
Cataldo Domenicis é gerente executivo de Marketing e PR da Sephora Brasil (Foto: Divulgação)

Qual é o posicionamento da Sephora no Brasil?

É o “Let’s Beauty Together”. Ele é uma evolução do nosso posicionamento de 2017 que foi o “Beauty Power”, onde a Sephora acredita que a maquiagem ajuda na autoconfiança da mulher, onde ela pode ser o que ela quiser, com ou sem maquiagem. Era uma forma onde a maquiagem a ajudava a encontrar seu beauty power. Trabalhamos esse posicionamento de 2017 ate 2018 e nesse ano a gente lançou o “Let’s Beauty Together”, que tem o objetivo de construir uma comunidade de beleza. Como? Ensinando as mulheres a se maquiarem, utilizarem os melhores produtos. A gente faz isso através de tutoriais, serviços em lojas, masterclass. Os eventos funcionam como uma forma da gente construir um conjunto, uma comunidade da beleza.

Como é o plano de comunicação no Brasil? Vocês costumam trabalhar com várias agências, certo? Por que isso?

Temos uma agência hoje que ajuda a gente em comunicação e na criação das vitrines, que é a agência Árvore. Trabalhamos também de uma forma pontual com outros parceiros. Então, varia muito do formato e do tipo de job. Hoje a gente tem cerca de 5 a 6 agências que trabalham com a marca. Trabalhamos com concorrências entre elas e a gente sabe diferenciar qual agência vai atender melhor o trabalho. Se é um evento como a Casa Sephora, por exemplo, a gente convida 3 delas para uma concorrência com o perfil do evento.

Atualmente, trabalhamos com a Cuca, a Árvore, Bidu, Infinitá. Esse pool nos ajuda mais no trabalho na parte de Live Marketing e tentamos fazer sempre um cross entre os canais.

Campanha em TV?

Nunca fizemos no Brasil. Já entramos em TV através de parceiros, mas campanha nunca fizemos, não temos planejado para os próximos anos e não faz parte da nossa estratégia no Brasil. Fora do país, a marca costuma fazer mais OOH (mídia exterior). Também não costuma fazer TV. Trabalhamos mais no PDV, através de experiência ou ações fora da loja, onde a gente consegue transmitir a experiência Sephora através desses eventos. Somos um varejista. Temos mais de 200 marcas, então, a gente constrói estratégias e projetos em conjunto com as marcas. É mais interessante apresentar uma marca junto com um contato direto com o consumidor do que através de uma mídia, por exemplo.

Maquiagem e beleza costumam proporcionar um engajamento muito expressivo comparado a qualquer outro produto. Qual é o maior desafio desse mercado?

O grande desafio é manter a excelência no atendimento. Um dos maiores diferenciais da Sephora é a experiência que ela oferece dentro das lojas. Hoje você tem um consultor que vai fazer um atendimento e vai direcionar o melhor produto para você. O nosso time de vendas não é comissionado individualmente, dessa forma, ele consegue fazer um atendimento verdadeiro, indicando qual o melhor produto para sua pele. Acho que o grande desafio é esse: manter essa experiência na ponta do varejo e também conseguir estender isso para os outros canais, como os estúdios e também a parte do e-commerce.

O que falta para a Sephora Brasil se tornar Omnichannel como nos EUA?

Estamos caminhando. É uma questão estrutural ainda que estamos desenvolvendo. A Sephora está no Brasil há sete anos. Na Europa e nos Estados Unidos ela existe há muito mais tempo. É o momento da marca. Precisamos estruturar alguns pontos com mais segurança por aqui. O que estamos fazendo no Brasil, recentemente, em algumas lojas, é uma vitrine digital. Em um tablet, você pode fazer a compra na hora e ter alguns benefícios, como isenção do frete ou um brinde exclusivo.

Em termos de estratégia de marketing, qual é a diferença entre o mercado consumidor brasileiro, americano e europeu?

O consumidor brasileiro gosta de testar mais, da novidade. Iniciar ‘cabelo’ no Brasil, por exemplo, foi uma inovação na visão lá de fora. Isso porque o brasileiro tem o costume de tomar 2 a 3 banhos por dia. Fora do Brasil não. Se você olhar o banheiro de uma brasileira, ela tem vários tipos de shampoos e condicionador. Ela vai testando. A brasileira transita muito pelas marcas e ela gosta realmente de testar produtos e marcas novas. E é o que a Sephora oferece.

Já a americana, assim como a mulher europeia, é mais fiel às marcas. Elas testam e fidelizam. A brasileira utiliza várias diferentes, porque gosta de novidade, é mais curiosa.

Preço faz diferença nesse segmento de produtos?

Faz diferença. Ano passado trabalhamos bastante esse conceito de ‘hight low’. Entendemos que em uma nécessaire, a mulher vai ter um produto mais sofisticado e outro mais acessível. Uma Dior, por exemplo, que é um produto de prestigio, mas ela vai ter também um produto do dia a dia, que pode ser uma máscara de cílios mais barata, um creme de mãos. Então, ela transita muito do produto mais acessível até o produto mais de prestigio. Essa característica do ‘hight low’ é global.

Qual é a agenda de eventos da Sephora no Brasil?

Fomos construindo ao longo do tempo. Temos ‘The Soul of Beauty’, que lançamos no ano passado e já faz parte do calendário. Rodamos o Brasil e levamos a experiência da loja Sephora para fora. Montamos uma grande arena, onde cada marca tem uma estação de maquiagem. Para participar e receber o passaporte da beleza basta fazer um cadastro. Funciona da seguinte forma. Em cada estação, ela faz um step de maquiagem e vai recebendo um carimbo no passaporte: cabelo, pele, boca… Assim que completar o passaporte da beleza com 3 carimbos, ela pode ir até a loja e retirar uma amostra. Nesse mesmo evento temos também, a cada 35 minutos, aula de maquiagem com os maquiadores das marcas. Foram seis edições neste ano. Normalmente, começamos em março, abril e vamos ate agosto.

Temos ainda a Casa Sephora, que acontece anualmente e estamos na terceira edição. É uma Casa de experiências. Começamos no Rio de Janeiro em 2017. A segunda foi em São Paulo e agora no Rio novamente. A gente varia um ano em SP e um ano no Rio.

Outro evento que temos e que estamos na sexta edição é a corrida da Sephora. Comecamos em 2013 e trabalhamos anualmente em São Paulo.

Qual é a relação da corrida com a marca?

Queremos atingir o público de forma inusitada, então, oferecemos experiências da Sephora aliada ao esporte e bem estar. É a única corrida que a pessoa chega suada e sai linda da arena. Ela depois vai passar pelas estações que tem maquiagem, cabelo. Ela chega sem nada e sai linda.

Qual é o tempo médio de um consumidor dentro de uma loja física?

45 minutos. É a Disney das mulheres.

A Sephora é entretenimento ou comércio?

Entretenimento. Um dos pontos mais fortes da marca é realmente oferecer experiência dentro do ponto de venda. Isso começou quando a marca surgiu. Faz parte do nosso DNA ela entrar na loja, brincar com os produtos, encontrar o que ela gosta mais e é por isso que ela passa tanto tempo.

E como é a relação dos homens com a Sephora?

A gente brinca que a Sephora não é 100% um destino. Na verdade, ela é sempre uma oportunidade. Está passando no Shopping e aproveita para dar uma passadinha na Sephora. Ela entra e fica um tempão lá. O que fazemos e deixar alguns sofás na frente da loja. Temos muitas linhas masculinas hoje.

Como é a comunicação para esse publico masculino?

Dificilmente o homem vai usar 3 tipos de perfume. Ele tem o perfume dele. Ele entra na loja, compra e vai embora. Criamos um espaço para os homens, que é mais objetivo, ele sabe o que ele quer comprar. Na Sephora vemos um comportamento de um homem que se cuida mais, que está mais aberto para comprar um produto.

Como é a presença no digital?

Nossa presença nas redes sociais é muito forte. Nosso Instagram só está atrás da Sephora americana. Temos mais de 2 milhões de seguidores. Nosso engajamento é muito bom e temos muita interação com as consumidoras. A ideia é oferecer experiência de loja em nossos canais. Tutoriais, conteúdos de marcas, sempre no Lets Beauty Togheter dentro de uma comunidade de beleza. Nossa comunicação é única para as lojas físicas e nos nossos canais, inclusive, no e-commerce. Eventualmente, temos uma promoção diferenciada, mas tentamos sempre manter uma comunicação uniforme.

Qual é o futuro da comunicação da marca?

Chegamos em 2012. Inauguramos as primeiras lojas com o posicionamento de Luxo. A partir de 2014, começamos a fazer uma transição. O primeiro movimento que fizemos foi reduzir os preços da nossa marca própria. A Sephora Colection passou a ser uma marca mais acessível. Com o passar do tempo, trouxemos muito mais marcas e passamos a abrir lojas em shoppings com perfis diferentes. Fizemos essa transição de uma marca que chegou mais no luxo para chegar numa marca mais democrática. Agora estamos trabalhando cada vez mais essa questão da experiência. Não vamos para a mídia, mas fazemos eventos no shopping, por exemplo, onde a gente leva a experiência e o conhecimento para os clientes.

A Sephora é hoje o maior destino de beleza do mundo. Ela mudou o mercado de maquiagem do Brasil. Ela trouxe marcas que antes não existiam no país.

Por último, quem é a cara da Sephora?

Sabrina Sato é um exemplo. Ela é uma consumidora que ama maquiagem, está sempre maquiada, mas ela acaba consumindo um pouco de tudo. Desde o produtinho que é mais do dia a dia até um produto que é mais de luxo. Ela é uma pessoa que representa muito a marca. Ela consegue atingir as diferentes marcas e propósitos. A Sephora é para todos os gostos e bolsos. A Sabrina é oriental e a Sephora preza muito por diversidade. Oferecemos produtos para todo mundo e para todos os gostos. Acreditamos muito nisso.

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Posted on 29-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-10-2019


 

Iotti , no jornal

 

Do Jornal Nacional

Morre, no Rio, o ator e diretor de TV Jorge Fernando

Morre, no Rio, o ator e diretor de TV Jorge Fernando

Morreu na noite deste domingo (27), no Rio, o ator e diretor Jorge Fernando. Ele sofreu um aneurisma da aorta abdominal. Jorge Fernando foi responsável por muitos dos maiores sucessos da televisão brasileira. E com um sorriso enorme e iluminado, conquistou o carinho de uma legião de colegas e de fãs.

Ninguém entendia ao certo o colorido que aquele menino tinha nos olhos. Ideia mais doida transformar o quarto de casa em palco de teatro. Era o brilho da arte. Tão luminoso que fez a rotina da escola perder a cor. O jovem Jorginho só queria saber de aulas de teatro. Ao lado dos colegas, montava e desmontava peças com o apetite de quem experimenta uma novidade saborosa.

“Eu vivia no teatro fazendo três peças por ano. Eu fiz muito teatro. Eu aprendi a amar muito o teatro”, contou Jorge Fernando em 2002.

Mas, de repente, uma nova paixão apareceu e os olhos dele brilharam ainda mais. Jorge sonhava, desejava. Queria porque queria estar na televisão. Mas acontece que aquele jovem se sentia parte de um universo muito distante. Não tinha amigos, conhecidos, ninguém que trabalhasse na TV. Disposto a conseguir uma chance, certo dia ele foi até a porta da TV Globo disposto a tentar a sorte.

“Foi quando eu invadi a sala do Walter Avancini. Eu levei a cena toda assim olho no olho. Ele falou assim: ‘calma, calma!’. Eu devia estar muito exagerado. Ele ligou para o Daniel e perguntou: ‘você ainda está querendo um ator?”, contou.

A audácia e o talento garantiram a ele o papel na novela “Ciranda, Cirandinha”, de 1978. Mas o olhar inquieto e o jeito de quem nunca consegue parar nem um segundo sequer levaram Jorge Fernando para a direção.

O diretor iniciante nunca comeu pelas beiradas. Na novela “Guerra dos Sexos”, por exemplo, preparou uma refeição completa, em uma das cenas mais saborosas da nossa TV.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Jorge Fernando dirigiu mais de 30 produções. Nascido, criado e formado no subúrbio carioca, ele trouxe para TV brasileira um estilo alegre, espirituoso, exagerado.

“Eu não sei se é porque eu venho do coração do subúrbio carioca, que me trouxe essa coisa popular. Mas a televisão me ensinou. O espetáculo tem que ter várias leituras e sempre compreensíveis. Eu acho que o público gosta de entender o que está vendo”, explicou Jorge.

“Ele trouxe a linguagem do teatro de revista, a linguagem da chanchada de cinema e fez essa mistura total com que uma novela tem que ter. E criou um gênero próprio”, disse o jornalista Artur Xexéo.

Foram vários sucessos que ajudaram a construir a identidade da nossa TV: “Que Rei Sou Eu?”, “Vamp”, “A Próxima Vítima”. Na novela “Rainha da Sucata”, além de sucesso, fez mais: realizou um antigo sonho da mãe dele.

“Minha mãe, o sonho dela era ser atriz. Com 18 anos, o pai dela tirou ela de cena. Ela só foi se realizar depois de 50 anos, virou atriz aos 64 anos. Olha que barato isso!”, contou Jorge Fernando.

“Agora a realização de estar perto desse diretor, do Jorge Fernando, que está na linha do primeiro escalão”, comentou Dona Hilda.

Mesmo consagrado atrás das lentes, toda hora aparecia também diante delas. Sempre dava um jeito de beliscar algum papel em alguma novela. Exatamente por isso era conhecido e querido pelo grande público.

“Trabalhei com ele a vida inteira, era meu norte, meu amigo, meu grande diretor, meu confidente, meu amado”, lamentou a atriz Claudia Raia.

Em 2017, sofreu um AVC e ficou dois anos afastado do trabalho. Voltou à TV em 2019, na novela “Verão 90”. Foi o último trabalho de Jorge Fernando.

“A gente não imagina que um rapaz tão jovem, tão cheio de vida, tão cheio de sorriso e alegria é chamado tão cedo para um infinito”, disse Ana Maria Braga.

“A única coisa que eu quero deixar aqui é o meu respeito, o meu carinho a ele. O amor que eu tinha por ele, sua família e a pessoa que ele era. Vocês não têm a menor ideia do quão generoso e profissional era Jorge Fernando. Meu beijo a ele, que Deus o proteja na sua infinita bondade e que ele descanse em paz”, despediu-se o ator Tony Ramos.

Na manhã desta segunda-feira (28), amigos e colegas de trabalho se reuniram nos Estúdios Globo para dar a Jorge Fernando o que ele mereceu a vida toda.

O velório de Jorge Fernando está marcado para terça-feira (29) no Teatro Leblon. Vai ser aberto ao público de 8h às 10h. Depois, só para a família e os amigos.

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