Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares no jornal A Tarde

CRÔNICA

Quem não tem Rubem Braga caça veredas

Janio Ferreira Soares

 

Reforma da previdência; julgamento das prisões na segunda instância; óleo invadindo praias; condenação de Geddel; infindáveis baixarias dos recrutas do capitão; o pau quebrando no Chile; Queiroz de volta dos mortos. Os assuntos são os mais variados possíveis e estão aí à disposição de quem tem habilidade suficiente para discorrê-los nos principais jornais e sites do país.

Porém, como é comum acontecer desde os tempos em que Fernando Sabino pedia crônicas emprestadas a Rubem Braga quando sua inspiração relaxava, tem horas em que este que vos tecla também olha para um tema, olha para outro e as letras só querem saber de uma rede esticada sob uma enorme acácia que ora roseia meu quintal.

E em dias assim, como não tenho o privilégio de ter à mão um vizinho cronista que me ceda umas xícaras de palavras e um punhado de vírgulas para publicar como se fossem minhas, só me resta calçar a velha bota de cano frouxo e sair pelas veredas que a repetição dos passos cultiva, sempre na companhia de Júlio, um dos dois vira-latas que dividem a roça comigo, já que o outro, de nome Edgard, é um velho e malandro trovador francês que prefere ficar compondo versos baratos na companhia das flores do campo, que nas noites de lua alva serão tocados em seu banjo torto nas janelas de alvoroçadas cadelas.

Mas como eu dizia, com mestre Júlio trotando na frente com a autoridade de quem conhece cada atalho dos caminhos, logo chego a um laguinho turvo onde um casal de patos flana e mergulha atrás do que comer. Mais adiante, no meio do nada, avisto um enorme e florido abobral, cuja origem deve ter sido proveniente da cloaca de alguma ave que barreou por ali, ou das sementes expelidas pelos meninos que vivem pescando apaiari na beira do rio e costumam se acocorar bem naquela região para se aliviarem.

Pois bem, querido leitor e amada leitora, veja que com apenas uma voltinha pelas quebradas de minha aldeia já estou quase perto de completar os 2.700 caracteres que até há pouco teimavam em não fluir. E nessa pegada, talvez nem precise mais passar por umas algarobas cheias de cactos ao redor lembrando gigantescas lapinhas do Natal que vai chegar, tampouco por um umbuzeiro próximo, que pela floração promete boas umbuzadas que beberei em memória de dona Maria Anaide Muricy de Abreu, que semana passada resolveu virar cinza depois de 95 anos iluminando a vida de quem a conheceu.

E é pra essa minha queridíssima amiga e leitora que dedico este texto concluído quase às seis da tarde, hora, como diz o nosso imenso Gil, do encontro entre o dia, a noite e o nada, e momento certo de orar aos santos, aos iogues e aos orixás, pelo hoje, pelo amanhã e por esse infinito mistério a nós reservado que, felizmente, tu não sabes e eu também não sei.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

==========================================

DO EDITOR, EM MEMÓRIA DE MARIANINHA: Este ribeirinho editor do Bahia em Pauta pede licença (ou de empréstimo) a Janio as belas palavras e os comoventes sentimentos do autor em seu texto especial deste sábado de outubro para, em meu nome,  dedica-los também à memória de Mariana Soares, a Marianinha de Abaré, que morreu sexta-feira no hospital de Paulo Afonso, onde estava internada.Doce. generosa e sempre leal prima e parceira de larga travessia de vida. Sobrinha muito amada e companheira de viagens do tio Alaôr (meu saudoso pai) pelos caminhos do sertão do São Francisco, da capital e do Recôncavo, que Mariana trilhava com igual grandeza de espírito e sociabilidade, compartilhando amor, afetos e dedicada vontade de servir. Um exemplo de pessoa humana e de parenta. Foi sepultada na manhã deste sábado , em Abaré, a cidade natal, no cemitério à beira do São Francisco, o rio da nossa aldeia. Imagino (ateu que crê em milagres) o contentamento  do reencontro com José Amâncio Filho, famoso Meu Mano (o pai, músico, compositor e notável poeta popular de seu tempo) e com o tio Alaôr, um querer bem de sempre. Mando meu abraço de comovido a Maria e Hélio, os irmãos que ficam. E, enquanto estiver por aqui, louvarei a memória da prima-irmã que se foi. (Hugo, ou Huguinho, como Marianinha chamava).

 
 

“Tragédia no Fundo do Mar”, Originais do Samba: Samba no domingo de sol de primavera, para relaxar! Ou não!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

out
27
Posted on 27-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2019

Do Jornal do Brasil

REDAÇÃO JB

A informação circulou ontem à noite no portal Uol. A Procuradoria-Geral da República denunciou Domingos Brazão ao STJ. Ele “arquitetou o homicídio da vereadora Marielle Franco e visando manter-se impune, esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio”, escreveu Raquel Dodge em seu último ato como procuradora geral da República.

Macaque in the trees
Domingos Brazão (Foto: Carlos Sucupira/Alerj)

“Fazia parte da estratégia que alguém prestasse falso testemunho sobre a autoria do crime e a notícia falsa chegasse à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, desviando o curso da investigação em andamento e afastando a linha investigativa que pudesse identificá-lo como mentor intelectual dos crimes de homicídio”, diz a denúncia.

Brazão é ex-deputado e conselheiro afastado do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio).

out
27

Mourão diz que óleo foi recolhido de todas as praias do Nordeste

 

Hamilton Mourão disse neste sábado que todas as praias do Nordeste já tiveram o óleo recolhido.

“O óleo já foi recolhido. Hoje acredito que não tem mais nenhuma praia suja no Nordeste. Todas estão com óleo recolhido. À medida que vai aparecendo, nós estamos deslocando os especialistas para lá, eles fazem a limpeza e pronto, a praia está em condições de banho.”

 
Sebastián Piñera.
Sebastián Piñera.

 

Poucas horas depois do início da crise no Chile, quando o transporte em Santiago estava um caos e as pessoas tentavam chegar em casa como podiam, o presidente saiu do palácio de La Moneda e foi a um restaurante em um bairro abastado da capital para comer uma pizza: era a comemoração de aniversário de um de seus netos. Sebastián Piñera Echenique (Santiago, 1949) não é exatamente um político, mas um pragmático empresário que combinou com sucesso a vida pública e os negócios. Seus constantes deslizes, como este, às vezes causam certa graça, e outras, diretamente indignação. Nas horas seguintes ao episódio da pizza —fotografado por um transeunte e viralizado em poucos minutos—, a capital se tornou um protesto transbordante: as manifestações estudantis contra o aumento do preço da passagem de metrô foram o pavio que fez explodir um sentimento de frustração de uma população que se sente à margem da senda de desenvolvimento do país. Em um fenômeno marcado pela fúria contra todos os grupos dirigentes e os privilegiados, o presidente chileno —cuja fortuna é avaliada em 2,8 bilhões de dólares (cerca de 11,8 bilhões de reais)— parece outro alvo do mal-estar.

Depois da recuperação da democracia, Piñera foi o primeiro a levar a direita a La Moneda, em 2010, mas, ao contrário da maioria daqueles que o acompanham no Governo, não apoiou Augusto Pinochet no plebiscito que pôs fim à ditadura, em 1988. Tampouco pertence às tradicionais elites empresariais chilenas (majoritariamente conservadoras) que sempre o encararam com certa desconfiança. Depois do segundo mandato da socialista Michelle Bachelet (2014-2018), que recolheu o descontentamento das ruas em uma Administração de discutido legado, Piñera chegou ao poder pela segunda vez com a promessa de “tempos melhores”. Foi ajudado pelo medo daqueles que temiam que o Chile se tornasse uma Venezuela (“Chilezuela”) se a esquerda continuasse governando.

Algumas semanas atrás, quando metade da América Latina estava mergulhada em situações complexas (protestos contra os preços da gasolina no Equador, confronto entre Governo e Congresso no Peru e eleições presidenciais na Bolívia), Piñera se vangloriava de que seu país era um “oásis”. Enquanto tinha os olhos postos em seu papel na crise climática e nas próximas cúpulas das quais será anfitrião (o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em novembro, e a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro), a panela de pressão explodiu. O oásis parece mais uma miragem.

Obstinado, de caráter incontrolável —mesmo para seus assessores e pessoas de confiança—, mas preparado e experiente, como reconhecem até seus adversários, para Piñera, acostumado a ganhar tanto na política quanto nos negócios, não é fácil que o Chile enfrente durante sua gestão a maior crise política e social desde o retorno à democracia. Para controlar a violência, teve de tirar os militares dos quartéis, em uma explosão social que deixou pelo menos vinte mortos e as infraestruturas públicas e privadas do país com danos muito sérios (apesar do fato de o Governo ter desistido de aumentar o preço do metrô). Para alguém habituado a ser o primeiro, a ter sucesso, deve ter sido difícil pedir desculpas a seus compatriotas. Nessa crise, chegou a declarar que o Chile estava “em guerra”, mas nesta semana pediu desculpas desde La Moneda, no meio do toque de recolher: “Os problemas se acumularam por muitas décadas e os diferentes Governos não foram e nós não fomos capazes de reconhecer esta situação em toda a sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão”.

Os protestos no Chile, desencadeados pelo aumento do preço da passagem do metrô, deixaram cerca de vinte mortos

Casado desde 1973 com Cecilia Morel, com quem tem quatro filhos, Piñera combinou durante anos o trabalho público com o privado. Obteve a representação de cartões de crédito no Chile nos anos setenta e, desde então, seus negócios foram crescendo em ambição e sucesso. Foi o principal acionista da companhia aérea Lan Chile (Latam), do canal Chilevisión e da empresa que administra um dos clubes de futebol mais populares do país, o Colo-Colo. Milionário de primeira geração, é o terceiro dos seis filhos de Magdalena Echenique, dona de casa, e José Piñera Carvallo, engenheiro e diplomata fundador da Democracia Cristã chilena, partido que durante décadas representou a classe média.

Ninguém pode garantir que a crise seria evitada com um Governo de orientação diferente, porque a falta de representatividade da classe política parece ser uma das causas do descontentamento em um país em que apenas 49% dos cidadãos votam. Mas não ajuda a revelação de meses atrás de que Piñera não pagou os impostos regulamentares de uma de suas casas de veraneio, nem que os ministros, diante do aumento dos preços do transporte, incentivaram os cidadãos a se levantarem mais cedo para aproveitar a tarifa mais baixa.

Não se vê uma saída rápida da crise. Para alguns, o Governo está arruinado, embora os democratas chilenos de todos os setores —aqueles que pensam que tão importante quanto recuperar a ordem pública é dar uma resposta às causas dos protestos— estejam dispostos a ajudar e não jogar mais lenha no fogo. O presidente, com acertos e erros, foi democraticamente eleito e as lembranças da ditadura ainda estão demasiado presentes.

out
27
Posted on 27-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2019


 

Lute, no jornal

 

DO EL PAÍS

Pesquisas preveem retorno do peronismo depois de quatro anos

Mulher passa diante de cartazes de propaganda de Mauricio Macri e Alberto Fernández em uma rua de Buenos Aires.
Mulher passa diante de cartazes de propaganda de Mauricio Macri e Alberto Fernández em uma rua de Buenos Aires.

A Argentina enfrenta a hora da verdade. Quase 34 milhões de cidadãos votarão hoje, 27, conscientes de que o país está dividido e que, ganhe quem for, a situação econômica está próxima da catástrofe. Alberto Fernández, o candidato peronista, espera alcançar mais de 45% dos votos e tornar desnecessário um segundo turno. Mauricio Macri, o presidente em fim de mandato, acredita em um milagre. Ele mesmo usa a palavra “milagre”, o que dá uma ideia de suas possibilidades. Mas até o fechamento das urnas tudo é possível.

Um fenômeno interessante aconteceu durante a campanha eleitoral. Macri, quase despejado depois das primárias de agosto (em que Fernández o derrotou por quase 17 pontos, 49,5% contra 33%), conseguiu gerar um crescente entusiasmo entre seus partidários. O presidente, que na noite de 11 de agosto e no dia seguinte, oprimido pela derrota, deu duas coletivas de imprensa quase delirantes, cheias de incoerências e ressentimentos em relação aos eleitores, recebeu uma inesperada injeção de ânimo duas semanas depois: uma manifestação espontânea, convocada desde Madri pelo cineasta Juan José Campanella e pelo ator Luis Brandoni, encheu a Plaza de Mayo de seguidores entusiastas.

Tudo mudou a partis daí. Macri, o homem que nunca quis se cercar de multidões, começou a procurá-las. E as encontrou. Sua campanha desde então se baseou em percorrer o país com grandes marchas populares, gritando “Sim, nós podemos”.

Enquanto Macri convocava comícios de massa no mais puro estilo peronista, seu grande adversário, Alberto Fernández, começou a funcionar como se já tivesse sido eleito presidente. Passou mais tempo em seu escritório, desenhando seu futuro gabinete e seu programa do Governo, do que realizando comícios. Para alguns, pecou por excesso de confiança. Tinha motivos para se sentir confiante: não apenas por causa da vitória de agosto, mas porque as pesquisas indicam neste domingo uma vitória ainda mais ampla, com quase 20 pontos de vantagem. Essas mesmas pesquisas, no entanto, previram um empate técnico nas primárias. Ninguém confia muito nelas.

Outro paradoxo da campanha foi que os dois maiores candidatos dedicaram mais esforço para esconder do que para prometer. Primeiro, porque qualquer promessa realista deveria se parecer à de Winston Churchill: “sangue, suor e lágrimas”. Segundo, porque ambos carregam um fator que lhes prejudica.

Macri foi obrigado a encobrir, até onde fosse possível, sua terrível gestão da economia. A Argentina está em recessão há um ano e meio, a inflação de 12 meses chega a 58% (com um aumento de 300% nos quatro anos de mandato), o peso sofre uma queda livre (um dólar custava 13 pesos quando Macri assumiu o cargo; agora está em 65, de acordo com o câmbio oficial, e em mais de 80 no paralelo), a dívida pública não pode ser paga e a pobreza, que atinge quase 35% da população, aumentou para seu nível mais alto desde o colapso financeiro de 2002. Como por esse lado ele não podia se vangloriar, o presidente tentou realçar seu respeito pelas instituições, a transparência de seu Governo e as numerosas obras públicas realizadas sem os subornos que caracterizaram o kirchnerismo.

Alberto Fernández, por sua vez, se viu obrigado a esconder sua companheira de chapa, a ex-presidenta Cristina Kirchner. A agora aspirante a vice-presidenta mal participou da campanha. Em parte, porque viaja frequentemente para Cuba, onde sua filha Florencia se trata de um linfedema e um quadro depressivo. Em parte, porque sabe que provoca rejeição visceral em um grande segmento da população que não perdoa seu autoritarismo e os casos de corrupção que patrocinou (e dos quais supostamente se beneficiou) durante seus dois mandatos.

Um país dividido

Não são poucos os acreditam sinceramente que Cristina Kirchner se livrará de Alberto Fernández de algum modo e voltará a ocupar a Casa Rosada. Os adeptos da teoria de que quem manda na realidade é ela pensaram ter visto seus medos confirmados por uma anedota: quando os dois viajaram para Mar del Plata para o comício de encerramento da campanha, Alberto cedeu a Cristina a suíte presidencial do hotel.

A sociedade argentina sofre uma divisão profunda. Não importa que Alberto Fernández, um pragmático de tendências centristas, tenha afirmado repetidas vezes que com ele o kirchnerismo não voltará. Não importa que durante os últimos dois meses o Governo de Macri tenha sido forçado a adotar medidas tipicamente kirchneristas (restrições de câmbio, congelamento de preços), como admitiu esta semana o ministro da Produção e Trabalho, Dante Sica. As duas Argentinas se olham com desconfiança mútua e sentem pânico com a possibilidade de que “os outros” ganhem.

A polarização relegou os outros candidatos a um papel muito secundário. O velho economista Alberto Lavagna, o neoliberal José Luis Espert, o esquerdista Nicolás del Caño e o ex-militar de extrema-direita Juan José Gómez Centurión não têm possibilidades. Só alcançariam certa relevância se Macri forçasse um segundo turno e tivessem de recomendar o voto em um ou outro dos dois grandes candidatos.

Governo estuda endurecer controles de câmbio para sustentar o peso

E. G.

Depois da vitória peronista nas primárias de agosto, o quadro macroeconômico argentino, já muito maltratado, saltou pelos ares. O peso e as Bolsas afundaram e a inflação voltou a subir. Ninguém descarta que algo semelhante aconteça se Alberto Fernández chegar à presidência. De qualquer forma, algo parece certo: na segunda-feira haverá controles mais rígidos sobre o câmbio, em um esforço para conter a fuga dos poupadores para o dólar e a contínua depreciação do peso.

O Banco Central não pode mais lutar nos mercados. Na sexta-feira perdeu mais 1,755 bilhão de dólares em reservas, dedicadas à compra de pesos e à distribuição de notas verdes aos bancos para permitir que os correntistas retirem seus recursos em moeda norte-americana. Desde 1º de setembro, os cidadãos argentinos têm um limite de câmbio de 10.000 dólares por mês por pessoa. Essa limitação foi frequentemente violada: os mais ricos usam terceiros para aumentar sua cota.

Diante da sangria contínua de reservas, o Banco Central pensa adotar medidas mais drásticas. O máximo cambiável será reduzido para 2.000 dólares, ou talvez 1.000 dólares por mês, e serão feitas tentativas para estabelecer mecanismos que impeçam a aquisição indireta de dólares por meio de operações de compra e venda de títulos. Alberto Fernández prometeu que, se for presidente, respeitará os depósitos em dólares e descartou completamente a repetição do devastador corralito de 2001, mas ninguém confia em ninguém.

Essa não é a pior notícia que espera os argentinos. O mais difícil acontecerá a partir de 14 de novembro, quando os preços dos combustíveis forem descongelados. Para evitar fazer campanha em uma situação econômica caótica, Macri decretou que os postos de gasolina manterão os preços em vigor em 9 de agosto por três meses e que o mercado atacadista de combustíveis, dolarizado, funcionasse com uma moeda norte-americana cotada artificialmente a 50 pesos. A atualização dos preços significará um aumento repentino que, segundo especialistas do setor, chegará a pelo menos 30%

Então, em dezembro, expirará o programa Produtos Essenciais, lançado pelo Governo Macri em maio para manter estáveis durante seis meses os preços de 64 alimentos básicos. Se o novo presidente não conseguir um novo acordo para controlar determinados preços com produtores e distribuidores, o custo da cesta de compras terá um impulso.

Tom Leão

Tom Leão

 

Rogéria, ‘o travesti da família brasileira’

DO  Jornal do Brasil

TOM LEÃO

Hoje em dia, quando se fala tanto em diversidade e diferentes representações sexuais, é sempre bom lembrar que existiu uma figura que era considerada ‘o travesti da família brasileira’, isso, em plenos anos 1960/70, época em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Era assim que Astolfo Barroso Pinto, mais conhecido como Rogéria, costumava se definir. E, era querido por todos: homens, mulheres, crianças e amigas. Uma celebridade, de fato, conhecida em todo o Brasil.

Macaque in the trees
Rogéria (Foto: Divulgação)

Depois de exibições em eventos como o Mix Brasil e o Festival do Rio de 2018, “Rogéria – Senhor Astolfo Barroso Pinto”, de Pedro Gui, chega aos cinemas do país a partir de 31 de outubro. O documentário traz trechos de entrevistas com colegas de batalha de Rogéria, como Jane di Castro, personalidades como Jô Soares, Rita Cadillac, Aguinaldo Silva e Betty Faria. E com a própria Rogéria – que morreu em setembro de 2017, durante o processo de realização do filme. Mas ainda deixou frases espirituosas e lembranças o bastante.

Além das entrevistas e de cenas de arquivo (e depoimento de seus dois irmãos e uma irmã, que fazem questão de frisar que ele sempre foi forte e não levava desaforo pra casa, desde menino), o documentário traz dramatizações da vida da artista, que é interpretada por quatro atores diferentes. Nascida Astolfo Barroso Pinto, em Cantagalo, no estado do RJ, Rogéria começou maquiando grandes estrelas (ainda na lendária TV Rio), que a incentivaram a lançar-se em uma carreira como atriz e cantora, assumindo uma figura feminina. Foi, neste momento que Astolfo virou, a princípio, Rogério. Até que, depois de um show e uma peruca loura, virou Rogéria.

A já falecida Bibi Ferreira, o trans Nany People e o diretor teatral Aderbal Freire Filho também estão entre as personalidades que dão depoimentos no documentário, que conquistou o prêmio Director Recognition no Los Angeles Brazilian Film Festival, em 2018, e foi o grande vencedor do DIGO (Festival Internacional da Diversidade Sexual de Goiânia), onde recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção.

Das apresentações no circuito alternativo carioca até chegar ao bas-fond de Paris e voltar consagrado, tornando-se estrela de três musicais do rei da noite Carlos Machado (e, depois, ator em diversos filmes, peças e até na popularíssima novela ‘Tieta do agreste’, como um travesti mesmo), Rogéria foi onde nenhum outro transformista brasileiro jamais esteve, antes ou depois. Um personagem fascinante.

RUGIDOS:

*Estreia no Canal Brasil, dia 25 de outubro, às 22h30, a minissérie nacional ‘Toda forma de amor’, que aborda o universo LGBTQi. A direção é de Bruno Barreto.

* O Amazon Prime Video anunciou a produção de ‘Soltos em Floripa’, reality show que vai reunir oito jovens vindos de diferentes lugares do Brasil em uma casa de praia em Florianópolis. O lançamento está previsto para 2020 e estará disponível exclusivamente no Prime Video em 200 países e territórios em todo o mundo.

*A segunda temporada da série nacional ‘Ilha de ferro’ estreia no GloboPlay, neste dia 25, exclusivamente para assinantes do serviço de streaming. Na nova temporada, além de Cauã Reymond e Maria Casadevall, estarão no elenco, também, Mariana Ximenes, Rômulo Estrela, Eriberto Leão e Erom Cordeiro.

* O Petra Belas Artes/SP, está lançando um serviço próprio de streaming. Será o primeiro cinema no Brasil a ter um canal de exibição VOD.

A estreia é dia 31 de outubro, com curadoria de André Sturm, fundador da distribuidora Pandora Filmes.

 

  • Arquivos