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Irmã Dulce: imagem na Praça de São Pedro, no Vaticano, na véspera da canonização..

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…e Rodrigo Maia comanda caravana de políticos à Roma em avião da FAB.

ARTIGO DA SEMANA

Políticos vão a  Roma: “Voos da Alegria” na canonização de Irmã Dulce

Vitor Hugo Soares

Chama atenção e desperta suspeitas o súbito fervor religioso de alguns de nossos políticos de variadas tendências – de conservadores do DEM e do MDB a esquerdistas do PT e até velhos comunistas ateus – às vésperas da grande festa católica no Vaticano: a canonização da primeira santa brasileira, Irmã Dulce dos pobres , neste domingo, 13 de outubro. Afinal, estamos falando do país laico cujo Congresso atrasa, o quanto pode, a aprovação da crucial Reforma da Previdência, no Senado presidido por Davi Alcolumbre (MDB). Ao tempo em que, na Câmara de Rodrigo Maia, se joga o máximo de cascas de bananas no caminho da votação das medidas fundamentais, ao controle da violência no país, do pac ote anticrime do ministro Sérgio Moro.

Em Brasília foi disputado a muque um assento em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), por parlamentares que viajaram à Roma, nas caravanas  custeadas pelo dinheiro do combalido “cofre as viúva”. Maia seguiu no primeiro vôo, dando nítida impressão de estar tomado de inebriante e irrefreável devoção. Bem mais forte que a revelada pelo católico ACM Neto, presidente nacional do DEM, prefeito de Salvador, que vai às missas aos domingos, e à Basílica do Bonfim, na última sexta-feira de cada mês. Antes, ACM Neto comunicara, via assessores,  que sua viagem, aos domínios do Papa Francisco, seria em avião de carreira. Nesta quinta-feira do embarque, o nome do prefeito da capital, onde nasceu a primeira santa brasileira, constava de uma das listas de viajantes em aviões da FAB, na comitiva  do vice-presidente Hamilton Mourão (chefe da delegação oficial que representará o governo brasileiro nas cerimônias no Vaticano), integrada, também pelo senador Jaques Wagner (PT), segundo o Itamaraty.

Tamanho alvoroço nos arraiais da política, em ano pré-eleitoral, desperta desconfiança e críticas. Voz expressiva do clero católico, o cardeal dom Raimundo Damasceno, ex-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB, eleva sua fala de condenação das caravanas parlamentares à Roma neste evento da santificação da freira soteropolitana. Para dom Damasceno, os políticos que desejam participar da cerimônia, por algum motivo, deveriam pagar a viagem com o próprio dinheiro. Outras vozes religiosas de peso são ainda mais enfáticas, ao condenar as levas de deputados e senadores à cerimônia religiosa dos católicos, azeitadas por interesses políticos e eleitoreiros mal disfarçados, submersos e subvencionados com grana do Erário. A canonização, lembram, é um ato religioso, sendo imprópria – e desnecessária – a presença de representantes do Parlamento do Brasil, um Estado laico.

No clero de Salvador, que convive mais de perto e diretamente com os exemplos de doação pessoal, sacrifícios e superação de obstáculos, da freirinha aparentemente frágil, mas gigante de força, obstinação e fé na construção de uma vida e obra agora santificadas por sua igreja, não falta quem lembre:  Irmã Dulce viveu para ajudar os pobres. Assim, é condenável contradição gastar dinheiro público para ir à sua canonização. Os gastos oficiais destas caravanas representam desfalques significativos ao mambembe tesouro nacional. O correto seria  ter ido com dinheiro próprio. Melhor ainda, se ao invés dos “vôos da alegria” fizessem doaç&ot ilde;es às obras sociais da santificada freira da Bahia .

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Senhora de Aparecida”, Luiz Gonzaga: antes de também entoar este canto de louvor, o editor do BP repete o apelo de Gonzagão: “Cubra de graça meu povo, padroeira do Brasil”. Salve!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Inspirada por Greta Thunberg, Jane Fonda é presa por protestar contra mudanças climáticas

Do Jornal do Brasil

A atriz americana Jane Fonda, 81, foi presa nesta sexta-feira (11) por participar de um protesto contra as mudanças climáticas na escadaria do Capitólio, sede do Congresso americano, em Washington D.C. O repórter Mike Valerio, do canal WUSA9, publicou em seu Twitter um vídeo da atriz, que está vestida com um sobretudo vermelho, sendo levada algemada por um policial. A detenção foi confirmada pela revista People.

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Jane Fonda sendo detida por um exército de policiais (Foto: Reuters/Arlo Hemphill)

Antes do protesto, em entrevista ao jornal Washington Post, Fonda disse que se mudou recentemente para a capital americana com o objetivo de ser mais ativa na questão das mudanças climáticas. Ela contou também que pretende participar de outros protestos, pelas próximas 14 sextas-feiras.

“Vou pegar meu corpo, que é meio famoso e popular agora por causa da série ‘Gracie e Frankie’ [da Netflix], vou para D.C. e vou fazer uma manifestação toda sexta-feira”, disse ao jornal.

Em seu site, Jane Fonda escreveu que se inspirou nos discursos da jovem ativista Greta Thunberg.

“Eu me mudei para Washington, D.C. para estar mais perto do epicentro da luta pelo nosso clima. Toda sexta-feira até janeiro, liderarei manifestações semanais no Capitólio para exigir que as ações de nossos líderes políticos sejam tomadas para solucionar a emergência climática em que estamos inseridos. Não podemos esperar”, escreveu.

Os protestos são chamados de Fire Drill Friday (Exercício de Fogo de Sexta-feira).

Em comunicado enviado à revista People, a diretora de comunicação da polícia do Capitólio, Eva Malecki disse que 16 pessoas foram presas por se manifestarem ilegalmente na frente do prédio. Ela disse também que todos são acusados de aglomeração, obstrução ou incômodo.(FolhaPress SNG)

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Jane Fonda (Foto: Reuters/Eduardo Munoz)

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MP pede fiscalização do TCU sobre gastos com viagem para canonização de Irmã Dulce

 

Por Renan Ramalho
O subprocurador-geral junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, pediu ao tribunal de contas uma fiscalização sobre os gastos da Câmara, Senado, STF, PGR e governo com a viagem de autoridades ao Vaticano, para presenciarem a cerimônia de canonização de Irmã Dulce.

Na representação, Furtado diz que, apesar de suposta legalidade, a despesa, caso exorbitante, não atenderia ao princípio da moralidade que, segundo ele, exige que os poderosos sejam “comedidos” ao gastar dinheiro público.

“Não basta serem honestos; precisam igualmente parecer honestos. Esse preceito é sintetizado com clareza — e com toda a força da simplicidade dos que agem com retidão e pautam sua vida pela ética — no ensinamento de Irmã Dulce que inaugura a presente representação: ‘é preciso ter certeza de estar fazendo a coisa certa’”, diz o documento.

Leia AQUI a íntegra do pedido.

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DO EL PAÍS

Nunca teve escrúpulos em bater à porta dos políticos importantes do seu tempo, mas sempre para suplicar recursos para os mais abandonados

Irmã Dulce está na primeira tapeçaria à esquerda na Basílica de São Pedro.
Irmã Dulce está na primeira tapeçaria à esquerda na Basílica de São Pedro.Andrew Medichini (AP)

Irmã Dulce será canonizada no próximo domingo em Roma pelo papa Francisco. Trata-se de um acontecimento duplamente importante e significativo não só para os católicos, já que a religiosa se apresenta como uma série de símbolos do momento que este país vive nos aspectos político, religioso e social. É a primeira Santa do Brasil que não só viveu como também nasceu aqui, em Salvador.

Conhecida popularmente como a “mãe dos pobres”, Irmã Dulce será canonizada por Francisco, o papa de vida mais austera da época moderna. Eleito sucessor de Pedro, despojou-se dos ouropéis do poder, até em sua vestimenta, e preferiu viver em um quarto de hotel em vez dos luxuosos palácios pontifícios. Talvez a isso se deva que a nova santa brasileira seja canonizada tão poucos anos depois da sua morte. A Igreja esperou às vezes séculos antes de declarar alguém como santo.

O Brasil verá Irmã Dulce na glória dos altares em um momento quase de cruzada religiosa no país, onde a intolerância de alguns grupos de evangélicos extremistas perseguem outras religiões, sobretudo de origem africana. Irmã Dulce nasceu e atuou justamente na cidade com mais negros fora da África e a que melhor mantém suas tradições culturais e religiosas.

Será canonizada durante o Sínodo de bispos sobre os problemas da Amazônia, em plena polêmica do presidente Jair Bolsonaro, católico e rebatizado na Igreja evangélica, com o papa Francisco, a quem o governo brasileiro de extrema direita acusa de intromissão nos assuntos internos do Brasil, por criticar a queima das florestas e o abandono dos indígenas.

A nova Santa da Bahia estará rodeada por políticos brasileiros de todas as tendências neste domingo, na Basílica de São Pedro. A religiosa, intrépida e obcecada com os mais marginalizados da sociedade, dizia: “Meu partido é a pobreza”. Nunca teve escrúpulos em bater à porta dos políticos importantes do seu tempo, mas sempre para suplicar recursos para os mais abandonados, aos quais dedicou sua vida, e às obras por ela criadas exclusivamente para aliviar a dor e a pobreza.

O Brasil terá uma nova Santa que ainda adolescente, órfã de mãe, levava os doentes abandonados nas ruas para a sua própria casa, de família bem de vida, para lhes socorrer. Sua figura de mulher forte e doce ao mesmo tempo, e sua vida dedicada a ajudar a todos os abandonados, é o que faz que hoje, sobretudo os pobres, de qualquer fé, vejam na Irmã Dulce alguém, como me disseram na rua, “que parece que se preocupava com os que mais sofriam”. Pois são esses abandonados pelo poder à margem da sociedade que mais sensibilidade têm para analisar a verdadeira santidade de uma pessoa.

Nos primórdios do cristianismo, não era a Igreja, o Papa, que canonizava as pessoas. Era a própria comunidade cristã que decidia, às vezes já em vida, quem era santo e exemplo para os outros. Consta-me que o papa Francisco gostaria de voltar a essas origens e deixar que sejam as comunidades cristãs que decidam quem teve uma vida que mereça ser exaltada depois da sua morte.

Irmã Dulce, que como religiosa manteve sua visão moderna da mulher liberada que deve participar ativamente na vida pública, é canonizada justo neste momento em que a reivindicação da mulher por seus direitos e peculiaridades, sem discriminações, representa uma das grandes batalhas no mundo e particularmente no Brasil, um dos países com maior número de feminicídios, e que vive um momento de machismo e obscurantismo cultural e religioso.

Os símbolos são uma das grandes criações da inteligência humana. Foram eles que moveram o mundo para o bem ou para o mal. Do Brasil, hoje, onde o poder transformou os pobres e desassistidos em invisíveis, a nova Santa Irmã Dulce é o símbolo de uma nova resistência para recordar ao mundo e sobretudo aos cristãos em geral que são os pobres que acabam julgando o poder.

Conheci Irmã Dulce em julho de 1980, durante a primeira viagem do papa João Paulo II ao Brasil. Foi em Salvador, durante a missa campal do Pontífice. Eu havia viajado no seu avião como correspondente deste jornal na Itália e Vaticano. O Papa, na frente daquela multidão, chamou a religiosa ao altar onde celebrava a Eucaristia, abraçou-a e a abençoou. Os jornalistas estrangeiros não sabíamos quem era aquela freirinha privilegiada que arrastava visivelmente seu desgaste físico. Dela recordo, sobretudo, seu olhar profundo e grave. Seus olhos mais doces devia reservá-los aos invisíveis.

Do Jornal do Brasil

 

O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou nesta sexta-feira (11) que o presidente Jair Bolsonaro respeita a autonomia da Polícia Federal, “ainda que possa estar insatisfeito” com situações como o inquérito que resultou no indiciamento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Um dia antes, em live semanal transmitida nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que o responsável pela investigação policial “agiu de má-fé”, que houve “exagero” no inquérito e que a intenção não foi atingir o ministro, mas sim o presidente da República.

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Ministro da Justiça, Sergio Moro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Álvaro Antônio foi denunciado pelo Ministério Público e indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento no esquema de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais, revelado pela Folha.

Nesta sexta-feira, ao ser questionado pela Folha de S.Paulo sobre as críticas de Bolsonaro ao inquérito, Moro afirmou que não comentaria as declarações do presidente, mas em seguida afirmou que “a Polícia Federal vem realizando nesse caso e em todos os casos o seu trabalho com autonomia, e isso vai continuar ocorrendo”. 

Segundo ele, “o presidente respeita a instituição e essa autonomia, ainda que possa estar insatisfeito com uma ou outra situação.”

Moro também se recusou a comentar declarações feitas pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que disse em entrevista à Folha de S.Paulo que o ministro da Justiça tem uma formação intelectual fascista. 

Em seguida, porém, disse que as críticas a seu pacote anticrime fazem parte de “um jogo político de pessoas que não querem avançar contra (…) a corrupção, porque vivem nesse sistema e se dão bem nele”.

Ao abordar resistências ao seu pacote anticrime, o ministro voltou a dizer que “não existe nenhuma licença para matar nesse projeto”. “A norma que mais questionam é uma cópia de um dispositivo do código penal alemão e português, que ninguém chama de fascistas.

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12

EL PAÍS

Bofetadas e ataques de pânico em um dos filmes de maior sucesso dos anos 80

Mickey Rourke e Kim Basinger só tinham permissão de se ver durante as filmagens. No vídeo, o trailer do filme em inglês
 Juan Sanguino

Kim Basinger saiu chorando de seu teste de elenco para Nove e Meia Semanas de Amor (1986). Depois de telefonar a seu agente para gritar que tinha sido a pior experiência de sua vida, que se sentia humilhada e não queria saber de jeito nenhum daquele filme, dirigiu até sua casa sem parar de chorar. Mas, ao chegar, encontrou 24 rosas vermelhas esperando por ela com um bilhete assinado pelo diretor do filme, Adrian Lyne (Inglaterra, 1941), e seu coprotagonista, Mickey Rourke (Nova York, 1952). O jogo perverso tinha acabado de começar, dentro e fora da tela.

Naquela altura, Kim Basinger (Geórgia, EUA, 1953) era conhecida como a Bond Girl de 007 – Nunca Mais Outra Vez ou a garota Playboy de fevereiro de 1983. Nessa capa, a atriz aparecia com uma expressão inerte, uma juba indomável e um relógio de ouro, como se seu triunfo fosse uma questão de tempo. O produtor de Louco de Amor (um filme de 1985 em que Basinger é uma das protagonistas) a definia como “um cruzamento entre Marilyn Monroe, Brigitte Bardot e Judy Holliday com o talento de Julie Christie”.

O diretor de Louco de Amor, Robert Altman, o corrigiu: “Não é a próxima Marilyn Monroe. É a próxima Meryl Streep”. E o que Kim Basinger tinha a dizer sobre tudo isso? “Havia algo mais em Marilyn Monroe: terror. Ela sempre parecia aterrorizada por dentro”, refletiu a atriz no The New York Times. Ela sabia do que falava.

Essa obsessão sexual de Hollywood por Kim Basinger fez com que o diretor Adrian Lyne a escolhesse (“por causa de sua vulnerabilidade especial”) como a primeira opção para Nove e Meia Semanas de Amor, baseada na autobiografia de Ingeborg Day. A escritora relatou seu relacionamento, depois de fugir de seu casamento e de sua vida como professora em Wisconsin para se refugiar no anonimato de Manhattan, com um desconhecido que a introduziu no sexo sadomasoquista até que ela, após nove semanas e meia de submissão física e emocional, decidiu abandoná-lo para se salvar. O estúdio queria uma atriz mais popular, por isso Jacqueline Bisset, Isabella Rosselini e Kathleen Turner fizeram o teste de elenco. Mas ninguém passou no teste como Kim, a única que se recusou a se submeter.

Quando chegou o dia de filmar a última cena do roteiro (que acabaria sendo removida da montagem final), a personagem de Basinger deveria estar no limite da resistência física e emocional
Quando chegou o dia de filmar a última cena do roteiro (que acabaria sendo removida da montagem final), a personagem de Basinger deveria estar no limite da resistência física e emocional

Quando entrou no quarto, Lyne mal falou com ela e só dava instruções para Mickey Rourke. Na cena, ele lhe jogava notas no chão e ela precisava fingir ser uma prostituta que as pegava enquanto andava de quatro e, depois, acabava se despindo e se entregando à personagem do ator quando ele finalmente ordenava.

“Foi muito sexual e muito estranho”, recordaria a atriz, que tinha 33 anos quando o filme foi rodado, “só queria me levantar-me e sair correndo”.

Quando deixou o quarto, furiosa, Lyne ligou para o agente de Basinger para lhe dizer que ela havia conseguido o papel. “Acontece que Adrian queria que eu reagisse exatamente como reagi, porque a personagem de Elizabeth era assim. Uma mulher que não entrava no jogo, mas ingênua e transformada depois por um homem no que ele queria dela. Essa é a história verdadeira de Nove e Meia Semanas de Amor”, concluiu Basinger.

O filme se baseia em um livro de Ingeborg Day (foto), que narra a própria experiência ao manter um relacionamento com um estranho que a introduz nas técnicas sadomasoquistas.
O filme se baseia em um livro de Ingeborg Day (foto), que narra a própria experiência ao manter um relacionamento com um estranho que a introduz nas técnicas sadomasoquistas.

Durante as filmagens, Lyne seguiu, em suas próprias palavras, “quebrando” a atriz. As cenas seriam filmadas em ordem cronológica, para que Rourke e Basinger experimentassem a degeneração sexual de suas personagens em tempo real e eles foram proibidos de falar um com o outro longe das câmeras. “Ela precisava ter medo dele”, explicou o diretor, “se saíssem para tomar um café juntos, perderíamos essa tensão. No ‘teste de elenco’ [de Basinger] surgiu tamanha hostilidade e tamanha energia sexual entre eles que eu não queria que desenvolvessem uma relação sem que eu estivesse presente. Ela deveria viver à beira do terror. Eu queria que essas dez semanas de filmagem fossem como as nove semanas e meia da relação”.

Toda vez que uma cena não funcionava, Lyne chamava Rourke de lado e o instruía, sem dirigir a palavra a Basinger. Os operários da filmagem começaram a comentar se o sadismo de Lyne estava indo longe demais e reconheceram em uma reportagem do The New York Times que se sentiam desconfortáveis diante da manipulação emocional, da raiva ao desespero, que Basinger estava sofrendo para que a câmera “os captassem cruamente”.

A experiência de Mickey Rourke foi muito diferente. “Adrian é um ótimo diretor de atores”, disse Rourke. E acrescentou: “Durante as filmagens, ficou muito preocupado comigo, certificando-se de que dormia o suficiente, que comia de modo saudável e que me sentia confortável com as pessoas ao meu redor”. Lyne também não incomodava Rourke quando o ator colocava Rebel’s Yell, de Billy Idol, em um volume ensurdecedor antes de cada cena, para o desespero da equipe de filmagem.

Quando chegou o dia de filmar a última cena do roteiro (que acabaria sendo removida da montagem final), a personagem de Basinger deveria estar no limite da resistência física e emocional. Mas a atriz apareceu nas filmagens mais bonita do que nunca, como recordaria Lyne. Na cena, o amo propunha um jogo a sua escrava: tomar pílulas para dormir, uma a uma, para ver até onde ela seria capaz de chegar para satisfazê-lo.

Na verdade, as pílulas eram balas, mas ela não sabia. Ao se dar conta de que tinha estado prestes a cometer suicídio por seu amante, decidia abandoná-lo sem olhar para trás. “A cena não estava funcionando. Kim tinha uma aparência fresca como uma rosa, adorável demais”, contou Lyne, “então tivemos que quebrá-la”. Depois de receber as anotações do diretor, Rourke agarrou o braço de Basinger com força. Apesar de suas súplicas, não a soltou enquanto ela gritava, chorava e batia nele. Rourke finalmente largou o braço, mas em seguida lhe deu uma bofetada. Ela sofreu um ataque de pânico. O diretor exclamou: “Vamos filmar a cena agora”.

Quando perguntaram a Adrian Lyne onde estavam os limites do abuso em relação a um ator, ele explicou, como se se tratasse de um relacionamento sadomasoquista, que os limites são definidos pelos participantes. “Se não pudesse suportar, seria perceptível diante da câmera. Ela ficaria louca. Desmoronaria.” Mas, e se a cena precisa justamente que a personagem desmorone? “Então, é legítimo. Você está fazendo isso pelo filme.”

“Depois de terminar o filme, não queria ver ninguém que tivesse participado das filmagens. Se chegasse a encontrar com o cara que me trazia o café, eu o teria matado”, disse a atriz. Lyne, por sua vez, argumentava que a atriz sabia que no fundo a estava ajudando com sua tortura passivo-agressiva: “Não foi agradável, mas foi útil. Kim é um pouco como uma menina. É inocente. Isso é parte de seu atrativo. Ela se tornou sua personagem durante dez semanas, não estava interpretando. Para deixá-la irritada, eu ficava agressivo com ela, e ela ficava agressiva comigo. Mickey também tinha de assustá-la de propósito. Kim não é uma intelectual, não lê livros. Na realidade, não atua, apenas reage, uma qualidade que Marilyn Monroe também tinha”. Essa imagem da atriz se encaixa com a traçada por Alec Baldwin, que foi seu marido, quando garantia, sem ironia, que o que mais gostava nela era “sua ingenuidade, nunca se dá conta de nada”.

Mickey Rourke e Kim Basinger em imagens recentes.
Mickey Rourke e Kim Basinger em imagens recentes. (Foto: Getty)

Basinger, de certo modo, concordava com Lyne (além de reconhecer que, de fato, não lia livros porque tinha muito pouca capacidade de atenção), explicando que, se um artista deseja alcançar a excelência precisa atravessar a dor. “Seria difícil decidir se voltaria a fazer [o filme], mas, no final, teria que dizer sim. Houve momentos em que quis abandonar tudo, em que me perguntava se [Adrian Lyne] era um homem doente ou se todos estávamos doentes por nos prestar a isso. Mas, no final, enfrentei meu medo e passei por isso”, confessou a atriz, a meio caminho entre uma artista comprometida com sua vocação até as últimas consequências e uma mulher com síndrome de Estocolmo.

Durante a promoção do filme, Basinger descrevia as filmagens como “um exorcismo, emocionalmente penoso, mas também libertador”, que a fez se sentir como “um nervo exposto” durante dez semanas e que esteve a ponto de comprometer seu casamento com o maquiador Ron Snyder-Britton. (Ela o acabaria abandonando em 1988, já transformada na atriz mais famosa do planeta, para viver uma aventura com Prince).

“Todas as atrizes deveriam experimentar algo assim, saí mais forte do que em toda a minha vida”, concluiu Basinger. Seus ataques de pânico, que tinham começado na escola e continuam a mantê-la reclusa em sua casa por longos períodos, se transformaram em uma agorafobia que a levou a descrever a cerimônia em que ganhou o Oscar por Los Angeles – Cidade Proibida, com um bilhão de pessoas ouvindo seu discurso, como a pior noite de sua vida. A vulnerabilidade que Adrian Lyne tinha visto nela era real, mas muito menos sexy do que parecia diante da câmera.

Adrian Lyne se especializou em 'thrillers' de conteúdo erótico. Além de 'Nove meia semanas de amor" dirigiu 'Atração fatal'.
Adrian Lyne se especializou em ‘thrillers’ de conteúdo erótico. Além de ‘Nove meia semanas de amor” dirigiu ‘Atração fatal’.

Nove e Meia Semanas de Amor levou 18 meses em montagem, em meio a rumores de que nenhum estúdio distribuiria um filme tão sexualmente perturbador. Dos 1.000 espectadores que assistiram às exibições de teste, 960 deixaram a sala antes do fim. A cena dos soníferos foi eliminada, de acordo com Adrian Lyne, porque o público “odiava Mickey por fazer isso, Kim por deixarem fazer isso com ela, a mim por filmá-la e o filme inteiro”. Também ficaram de fora um ménage à trois com uma prostituta, um estupro simulado e uma cena de sexo na qual Basinger estava disfarçada de um homem com bigode.

No final, esse “último tango em Manhattan” estreou como um drama romântico com mais erotismo de videoclipe do que pornografia. Sua cena mais sensual foi o strip-tease de Basinger, a contraluz e ao ritmo de You can leave your hat on, de Joe Cocker Você, que acabava com Rourke dando-lhe de comer tudo o que restava na geladeira (cerejas, morangos, mel, pimenta-jalapenho). A crítica o definiu como “monótono e adolescente” e como “condenado ao fracasso”. O público o ignorou nos Estados Unidos, mas na Europa o filme causou sensação (com uma montagem que incluía todas as cenas eróticas) e os videoclubes o converteram em clássico. Em Paris, Nove e Meia Semanas de Amor ficou cinco anos em cartaz.

Em 2015, Kim Basinger contou que só voltou a ver Adrian Lyne uma vez na vida: “Alguns meses atrás cruzei com ele em uma rua em Beverly Hills. Eu lhe disse ‘aquele filme mudou minha vida’. Ele respondeu ‘a minha também’. Então, ele entrou em seu carro sem dizer mais nada. Não é lindo?”.

out
12
Posted on 12-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-10-2019


 

Miguel, no

 

Por Giana Matizzi e Bruno Araújo, TV Bahia

Ibama transfere escritório para Salvador onde deve monitorar manchas de óleo no litoral

Ibama transfere escritório para Salvador onde deve monitorar manchas de óleo no litoral

Os pescadores e comerciantes que trabalham nas praias atingidas pela mancha de óleo nas oito cidades da Bahia registraram prejuízos nos últimos dias.

“Há quatro dias que eu não consigo vender nada, porque quem vai trazer seu filho para uma praia dessa?”, contou o vendedor de biquínis Jaime Souza, que trabalha na Praia do Forte, uma das regiões turísticas mais frequentadas da cidade de Mata de São João, litoral norte baiano.

Em Praia do Forte, o óleo toma conta dos recifes e corais, além de estar espalhado nos bancos de areia e nas piscinas naturais. Um grupo se juntou para fazer a remoção das manchas, com a ajuda de tambores de lixo.

Segundo informações do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), órgão ligado ao governo do estado, e pela prefeitura da capital, as manchas de óleo que atingem o Nordeste do Brasil desde setembro chegaram às praias de Piatã do Flamengo e do Jardim dos Namorados, em Salvador, na quinta-feira (10).

 

Das localidades afetadas, a praia de Guarajuba, em Camaçari, é a que tem o pior estado na região metropolitana de Salvador — Foto: Itana Alencar/G1 BA Das localidades afetadas, a praia de Guarajuba, em Camaçari, é a que tem o pior estado na região metropolitana de Salvador — Foto: Itana Alencar/G1 BA

Das localidades afetadas, a praia de Guarajuba, em Camaçari, é a que tem o pior estado na região metropolitana de Salvador — Foto: Itana Alencar/G1 BA

Com isso, o número de cidades baianas atingidas subiu para oito. As demais são Lauro de Freitas, Camaçari, Mata de São João, Entre Rios, Esplanada, Conde e Jandaíra. [Confira lista atualizada abaixo]

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai transferir o escritório Nordeste para Salvador, onde vai funcionar um comando unificado de incidentes, junto com o Inema, Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Marinha e Defesa Civil.

O comitê vai se reunir diariamente para articular ações de controle da expansão do óleo no estado e divulgar boletins informando sobre o andamento dos trabalhos.

Lista de praias afetadas na Bahia:

Salvador:

  • Piatã;
  • Praia do Flamengo;
  • Jardim dos Namorados;
  • Jardim de Alah;
  • Praia de Placaford;

Lauro de Freitas (cidade limítrofe – RMS):

  • Vilas do Atlântico;

Camaçari (47 km – RMS):

  • Arembepe;
  • Guarajuba;
  • Itacimirim;
  • Jauá;

Mata de São João (61 km – RMS):

  • Praia do Forte;

Entre Rios (142 km):

  • Subaúma;
  • Porto de Sauípe;
  • Costa do Sauípe;
  • Massarandupió;

Esplanada (170 km):

  • Baixio;
  • Mamucabo;

Conde (186 km):

  • Barra da Siribinha;
  • Barra do Itariri;
  • Sítio do Conde;
  • Poças;

Jandaíra (205 km):

  • Coqueiro;
  • Mangue Seco;

  • Arquivos