DO EL PAÍS

O comitê norueguês reconhece o papel do dirigente nas conversas de paz com a vizinha Eritréia. O cacique caiapó Raoni Metuktire e a sueca Greta Thunberg também estavam na disputa

O primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, 24 de janeiro de 2019, na sede do Conselho Europeu em Bruxelas. Ele foi escolhido o Nobel da Paz deste ano.
O primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, 24 de janeiro de 2019, na sede do Conselho Europeu em Bruxelas. Ele foi escolhido o Nobel da Paz deste ano. Francisco Seco (AP)

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, 43 anos, foi o escolhido para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2019. “Estamos orgulhosos como nação”, foi sua primeira reação, de acordo com uma nota emitida por seu gabinete em Addis Abeba nesta sexta-feira. Entre seus méritos estão a assinatura da paz com a Eritreia após um amargo conflito de duas décadas e a mediação decisiva no processo de transição no Sudão, que levou este ano a um acordo entre civis e militares. Desde que assumiu o cargo, em 2 de abril de 2018, ele iniciou uma verdadeira revolução democrática em seu país. Apoiou a presidência do país para Sahle-Work Zewde, a única mulher chefa de Estado na África, e nomeou um Governo paritário, entre outras reformas profundas.

Quando muitas casas de apostas indicavam como favoritos o cacique caiapó Raoni Metuktire e a adolescente sueca Greta Thunberg, que se tornou um ícone da luta contra as mudanças climáticas, o Comitê Nobel Norueguês decidiu entregar o Prêmio Nobel da Paz a um dos líderes africanos da moda. A chegada ao poder de Abiy Ahmed foi uma verdadeira lufada de ar fresco em todo o continente, mas especialmente na Etiópia. Uma de suas primeiras medidas foi a libertação de milhares de presos políticos e o fim do estado de emergência no país, usado pelo Governo anterior para cometer violações dos direitos humanos, segundo organizações internacionais.

Abiy Ahmed, de pai muçulmano da etnia oromo e mãe ortodoxa cristã de Ahmara, embarcou em um caminho de mudanças em um sistema político marcado por equilíbrios étnicos. Engenheiro de computação por formação, ingressou ainda jovem no grupo armado que forçou a queda do ditador Mengistu e, posteriormente, entrou no Exército, onde realizou tarefas de comunicação e inteligência. Em paralelo, iniciou carreira política no Partido Democrático Oromo, tornando-se deputado da coalizão governista em 2010.

Seu ímpeto reformista, que no campo da economia busca a liberalização e a abertura econômica da Etiópia, não foi bem recebido por todos. Em 23 de junho de 2018, apenas três meses depois de chegar ao poder, foi alvo de uma granada que explodiu a menos de 20 metros do local onde estava, embora isso não tenha lhe causado nenhum ferimento. As primeiras investigações apontaram para setores no Exército e nas forças de segurança refratários às mudanças.

No entanto, o Comitê do Nobel valorizou especialmente a assinatura da paz com a Eritreia, um antigo conflito dos dois países vizinhos e que terminou com a restauração das relações diplomáticas em 8 de julho de 2018, como também seus constantes esforços para a paz no Sudão do Sul e no Sudão, onde, a pedido da União Africana, conseguiu que os líderes civis e militares golpistas assinassem um acordo para a criação de um conselho de transição.

O Prêmio Nobel da Paz já havia ido para a África no ano passado, em parte, quando foi dividido entre o médico congolês Denis Mukwege e a ativista iraquiana yazidi Nadia Murad, ambos distinguidos por seus esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra em conflitos armados.

Com o prêmio concedido ao líder etíope, nascido em 1976 em Beshasha, queremos “reconhecer todos os atores que trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da África”, observa o comitê norueguês.

 
 
 

Uma grande biografia inacabada

Joaci Góes

Ao eminente amigo e jurista Antônio Luiz Calmon Teixeira!

Na última sexta-feira, dia 04/10, o empresário Ângelo Calmon de Sá falou na Academia de Letras da Bahia, no programa Trajetória de uma vida, que tem o propósito pedagógico de conhecer os fatores que tornaram, no que são, personalidades que construíram nosso tempo, nos mais diferentes domínios da ação humana. Ângelo Sá foi convidado por ser considerado um dos mais experientes brasileiros, de todos os tempos, no campo operacional da administração pública e privada. Ao seu histórico depoimento deu o sugestivo título Como vencer na vida e como enfrentar o desastre. A diversidade e qualidade da audiência que lotou o auditório Magalhães Neto, da mais antiga Academia de Letras do Continente Americano, guardaram estreita sintonia com a importância do memorável depoimento.

A biografia de Ângelo Sá, nascido em 01/11/1935, impressiona. Começando pelas mais modestas funções na Construtora Norberto Odebrecht, na década de 1950, nela cresceu até tornar-se, dez anos mais tarde, seu diretor financeiro, quando, aos trinta anos, foi convidado, no fim do Governo Lomanto Júnior, para implantar, nas atribuições de Superintendente, o Centro Industrial de Aratu, iniciativa governamental destinada a decifrar o enigma baiano, como o estadista Otávio Mangabeira diagnosticou a histórica imobilidade da Bahia, apesar de suas riquezas, não ter sido capaz de industrializar-se.

Na fase inicial, na Odebrecht, Ângelo registrou como de grande importância para o seu crescimento a marcação que sofreu do seu chefe imediato, um mestre de obras, que lhe atribuía tarefas abundantes e de crescentes dificuldades, com o propósito de levar ao fracasso “o filhinho do papai”, por ser ele originário de família de grande tradição, no território nacional. Para superar aquele bullying operacional, deu início à prática que o acompanha desde sempre a ser o primeiro a comparecer e o último a sair do trabalho.

Seu desempenho chegou ao conhecimento dos altos escalões da empresa, inclusive do líder maior, o legendário Norberto Odebrecht, que começou a vida com a responsabilidade de pagar o passivo deixado pelo pai, o engenheiro pernambucano Emílio Odebrecht. A obstinada dedicação de Mamede Paes Mendonça, ao trabalho, homem de poucas letras e grande amigo, foi uma de suas inspirações para carregar o atributo que lhe pespegam: workaholic.

Do Centro Industrial de Aratu, Ângelo passou, sucessivamente, a Secretário da Indústria e Comércio e da Fazenda, no Governo Luís Viana Filho. Já de volta ao setor privado, no Banco Econômico da Bahia, de que sua família era acionista, foi convidado para presidir o Banco do Brasil, uma das maiores instituições de crédito do Mundo, como o seu mais jovem presidente, aos trinta e oito anos. Finda a missão, retoma as atividades particulares, para ocupar, logo depois, o Ministério da Indústria e Comércio, no Governo Geisel. Mais tarde, Ângelo voltaria a ocupar posição ministerial no Governo Collor, de onde retornou para presidir o Grupo Econômico, alavancando-o da 43ª posição para a 6ª, no ranking nacional das organizações de crédito, quando, a 11 de agosto de 1995, dois meses e vinte dias antes de completar 60 anos, o Grupo Econômico sofreu intervenção do Banco Central. Curiosa coincidência: o mais experiente administrador brasileiro sentiu o gosto amargo da queda quando se encontrava com a mesma idade do Barão de Mauá (1813-1889), o maior empreendedor da América Latina, de todos os tempos, quando foi à bancarrota.

Sob o crivo da audiência mesmerizada, Ângelo discorreu sobre os atributos que nortearam sua vida: a) Clareza de objetivos; b) Desenvolvimento do gosto pelo trabalho assumido; c) Chegar primeiro e sair por último do trabalho; d) Seguir o conselho da poeta chilena Gabriela Mistral: incumbir-se de tarefas necessárias que os outros recusam; e) Trabalhar mais do que o contratado; f) Determinação; g) Disciplina; h) Aprendizado permanente.

Acreditando que devemos fazer como as águas que ganham força na queda, Ângelo superou, emocionalmente, o desastre apoiado em Deus, na família, na sua aliança histórica com Irmã Dulce que o fez legatário de sua obra imortal, ao lado de Maria Rita. Sob o aplauso geral, anunciou ousados e inovadores projetos.

Um exemplo edificante para um varão que completará 84 anos a primeiro de novembro próximo, ao lado de sua irrepreensível Ana Maria, filhos e netos, unidos em torno desse notável patriarca moderno.

Joaci Góes  é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado originalmente na TB.

Embaixo do vidro, sobre uma foto minha,em Preto e Branco, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação ( Epa! ), no Vale do Canela, fingindo que montaria em uma motocicleta, está o autógrafo dele, em pedaço de uma carteira de cigarro. Rino Marconi, um papa do click, é o autor da obra. Há duas saudades emolduradas, entre outras, no meu gabinete. E Dick resolveu dizer: ” Diga aí, baiano “

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Por Jornal Nacional

EUA divulgam nota em que reafirmam o apoio à entrada do Brasil na OCDE

EUA divulgam nota em que reafirmam o apoio à entrada do Brasil na OCDE

O governo dos Estados Unidos divulgou uma nota, na noite desta quinta-feira (10), em que reafirma o apoio à entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, também conhecida como o “clube dos países ricos”. Foi uma resposta à repercussão de uma notícia divulgada de manhã de que os americanos formalizaram o apoio à entrada da Argentina e da Romênia na OCDE, sem citar o Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro participava de um fórum de investimentos em São Paulo quando, pouco antes das 11h horas, a agência de notícias Bloomberg publicava a notícia: os Estados Unidos enviaram uma carta para a OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, rejeitando o aumento de participantes no bloco dos países mais ricos e que Washington iria apoiar apenas a associação da Argentina e da Romênia. Na saída do evento, o presidente não quis falar com os jornalistas.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, falou antes da divulgação da notícia, e pelo teor do discurso, parecia não saber da decisão americana: “Nós estamos vivendo uma extraordinária abertura, um extraordinário aumento de leque de opções, estamos prontos neste sentido, por exemplo, para começar nosso processo de adesão à OCDE, isso reforçará toda essa dinâmica e toda essa agenda que nós temos”.

O secretário-adjunto da OCDE também estava no evento. No discurso, ouvido por Bolsonaro e pelos ministros, disse que o Brasil precisa de reformas econômicas sem abandonar a responsabilidade ambiental e social.

A OCDE reúne 36 países e fazer parte deste grupo significa um selo de qualidade nas finanças e contas públicas, o que facilita, por exemplo, receber mais investimentos externos.

Em 2009, o então governo Lula recusou o convite da OCDE para ingressar no bloco argumentando que não seria vantajoso ao país. Foi só no governo de Dilma Rousseff, em 2012, que o Brasil começou a se movimentar para entrar na organização.

Em março deste ano, durante visita oficial à Casa Branca, o presidente Bolsonaro ouviu do colega americano, Donald Trump, que os Estados Unidos se comprometeriam a apoiar a indicação do Brasil em troca de algumas ações do governo brasileiro, como abrir mão de vantagens em outra organização comercial.

“O apoio americano ao ingresso do Brasil na OCDE será entendido como um gesto de reconhecimento que marcará ainda mais a união que buscamos”, disse o presidente Bolsonaro na ocasião.

A decisão americana de dar prioridade a Argentina e Romênia pegou de surpresa quem acompanha as negociações do Brasil com a OCDE. Desde o início do processo, nosso país foi se aproximando dos requisitos para entrar na organização.

O professor de Relações Internacionais da ESPM Leonardo Trevisan destaca que o Brasil está muito mais avançado do que a Argentina nos requisitos exigidos para se entrar na organização. O Brasil é o único país não membro que participa de todos os comitês da OCDE: “O fato de participar dos 23 comitês indica a proximidade e, de alguma forma, o protagonismo que o Brasil já exerce dentro da organização. Não há dúvida nenhuma que o Brasil tinha uma posição muito mais próxima de preencher todos os requisitos do que os nossos concorrentes”.

Além disso, segundo o professor, o Brasil está à frente da Argentina nos quatro pontos básicos para a OCDE: políticas públicas e equilíbrio fiscal, reconhecimento de investimento internacional, princípios de política internacional, convenção de combate a suborno.

A embaixada dos Estados Unidos em Brasília afirmou em nota que “a declaração conjunta de 19 de março afirmou claramente o apoio ao Brasil para iniciar o processo para se tornar um membro pleno da OCDE. E a nota afirma: continuamos mantendo essa declaração”.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que o Brasil já sabia, desde janeiro, que não seria indicado agora: “Desde lá de trás, quando nós estivemos em janeiro, nos Estados Unidos, nós já sabíamos disso, que a Argentina já estava com a documentação mais pronta que a do Brasil. A Europa indicou a Romênia e os Estados Unidos indicaram a Argentina. Mas, isso não tem nada a ver que o Brasil foi passado pra trás, não. Era uma fila e isso estava acordado desde lá de trás”.

O Palácio do Planalto disse que “os EUA continuam apoiando plenamente o ingresso do Brasil na OCDE”. Declarou ainda que “a Argentina já tinha o apoio americano antes do Brasil e que o governo continua se preparando para ingressar e não há um tempo definido para duração do processo de adesão”.

O professor de Direito e Relações Internacionais do IBMEC Vladimir Feijó lembra que cumprir os protocolos com documentação não é suficiente: “É necessário uma mensagem sólida de compromisso social e ambiental, o que talvez os últimos meses o Brasil passou arranhado e talvez tenha dificultado qualquer argumento em favor de furar a fila ou se antecipar diante de países que não cumpriram a mesma porcentagem de adequação do que o Brasil”.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse em nota que a carta publicada pela imprensa americana não corresponde à posição do governo no trecho sobre o aumento da organização. Ele reiterou que os Estados Unidos são apoiadores entusiasmados do ingresso do Brasil na OCDE e que vão fazer um esforço grande para dar suporte à ascensão brasileira.

Na noite desta quinta-feira (10), o presidente Donald Trump publicou numa rede social que o documento conjunto assinado com Jair Bolsonaro em março deixa claro que ele apoia o começo do processo para a entrada do Brasil na OCDE. Trump disse ainda que reafirma o compromisso com Bolsonaro. Ele classificou como falsas as notícias de que não haveria mais apoio ao Brasil.

Do Jornal do Brasil

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (10) que, enquanto a economia mundial está desacelerando, o Brasil entra, provavelmente, em um longo ciclo de crescimento.

“Estamos com o crescimento subindo, a inflação descendo e retomando provavelmente agora um longo ciclo de crescimento. Num momento em que o mundo sincronizadamente desacelera, entrando em uma clínica de reabilitação após um período de excessos, o Brasil está saindo da clínica de reabilitação”, afirmou o ministro durante a abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2019.

Segundo o ministro, trata-se de um crescimento em bases sustentáveis e não um “voo de galinha”.

Guedes afirmou também que o governo já atingiu a meta de privatizações, de US$ 20 bilhões, para este ano.

A uma plateia de investidores brasileiros e de outros países, disse que o governo federal tem o apoio do Congresso para fazer suas reformas, mas um apoio em nova bases, bases temáticas.

Ele destacou como próximos passos as votações do pacto federativo e a reforma tributária.

Segundo Guedes, depois de quatro décadas de economia fechada, impostos elevados, o presidente Jair Bolsonaro “começou a revolução em relação ao que há de melhor no mundo ocidental.”

Ele diz que “o presidente determinou desde o início uma aproximação com países que dão certo no mundo” como EUA, Canadá, Japão e Coreia do Sul.

out
11
Posted on 11-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-10-2019

Do Jornal do Brasil

O leilão de blocos exploratórios de petróleo e gás desta quinta-feira arrecadou cerca de 8,9 bilhões de reais, mais que o dobro do bônus mínimo de assinatura de 3,2 bilhões de reais previsto para as 36 áreas do certame, com a francesa Total integrando o consórcio que fez o maior lance.

Com essa arrecadação em bônus, recorde para leilões em regime de concessão, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disseram que o certame superou todas as expectativas.

A arrecadação mostra que política para setor está no rumo certo, destacou o ministro.

As petroleiras QPI, do Catar, Petronas, da Malásia, e Total, da França, fizeram a maior oferta no leilão, arrematando o bloco C-M-541 (Bacia de Campos) com bônus de 4,029 bilhões de reais, segundo informações da reguladora ANP.

Em parceira com a BP, a Petrobras arrematou o bloco C-M-477 (Bacia de Campos), com bônus de 2,045 bilhões de reais.

Um consórcio integrado por Shell, Chevron e QPI levou o bloco C-M-659 (Campos), com bônus de 714 milhões de reais.

O mesmo consórcio (Shell-Chevron-QPI) arrematou o bloco C-M-713 (Campos), com bônus de 550,81 milhões de reais.

A Petronas também arrematou sozinha o bloco C-M-661 (Campos), pagando bônus de 1,115 bilhão, segundo a ANP.

Antes mesmo do início do evento, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) havia previsto que a 16ª Rodada seria a mais competitiva, entre os três leilões de áreas previstos para o ano.

Sob regime de concessão, a licitação desta quinta-feira ofertou blocos nas bacias de Camamu-Almada, Jacuípe, Pernambuco-Paraíba, Campos e Santos.

Oddone pontuou que o leilão desta quinta-feira é aquele com a maior variedade de alternativas, onde as empresas podem ser mais agressivas nos parâmetros que irão reger suas estratégias.

Os dois outros leilões previstos para o ano são os do pré-sal, sob regime de partilha, e o do excedente da cessão onerosa, em novembro.

BLOCOS “VAZIOS”

Antes do certame, Oddone havia admitido que, das áreas em oferta nesta quinta-feira, as localizadas nas bacias de Camamu-Almada e Jacuípe poderiam apresentar riscos maiores.

A ANP alertou na véspera que a oferta de sete blocos exploratórios de petróleo nessas áreas, próximas ao Arquipélago dos Abrolhos, estaria sob crivo do poder judiciário.

Mas os blocos leiloados nessas bacias acabaram não tendo interessados.

Oddone havia ponderado antes, no entanto, que há atualmente áreas produzindo mais próximas de Abrolhos do que os blocos ofertados na licitação.

O diretor-geral da ANP ainda disse, após o evento, não acreditar que a mancha de petróleo que se espalha há mais de um mês por praias do Nordeste possa ter tido alguma influência no resultado do certame. Segundo ele, foi um caso isolado.

UOL/FOLHA

Iniciativa da religiosa de tocar sanfona para detentos a aproximou do ‘cabra’ conhecido como Volta Seca

João Pedro Pitombo
Salvador

Enquanto Irmã Dulce dava os seus primeiros passos em seu trabalho social nos anos 1930, cangaceiros aterrorizavam cidades do sertão baiano. Eis que em 1939 cruzaram-se os caminhos da freira que se tornará santa da Igreja Católica e do jovem que entrou para a história como um dos mais sanguinários “cabras” do bando de Lampião: Antônio dos Santos, o Volta Seca.

Ele tinha 21 anos, e a freira, 23, quando se encontraram pela primeira vez no presídio Engenho da Conceição, prédio que, nos anos de 1950, ficaria conhecido como a Penitenciária da Coreia. O apelido foi dado pelas condições do presídio, que refletiam o cenário da guerra que assolava o país asiático.
 
Foi naquela época que, enquanto se dedicava ao Círculo Operário da Bahia, Irmã Dulce decidiu fazer visitas semanais ao presídio para levar conforto espiritual, alimentos e remédios aos detentos.

Ela será canonizada neste domingo (13), em cerimônia chefiada pelo papa Francisco, no Vaticano, após ter dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica. Irmã Dulce (1914-1992) será a primeira santa brasileira.

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, aos 18 anos, mais conhecida como Irmã Dulce
Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, aos 18 anos, mais conhecida como Irmã Dulce – Acervo Memorial Irmã Dulce

“Irmã Dulce caminhava em meio a um hiato social que existia naquela época. Ela atuou em prol das pessoas mais desprotegidas da sociedade”, afirma o jornalista Valber Carvalho, que pesquisa a vida da freira desde 2013 e prepara uma biografia sobre ela.
 
Para cumprir sua missão de evangelização, a freira ia para a penitenciária com a sua sanfona, instrumento que aprendeu a manejar na juventude, e tocava para os detentos no pátio.

 

“Ela usava o lúdico como instrumento de regeneração. Buscava resgatar a dignidade dos presos com a música”, diz Osvaldo Gouveia, chefe da Assessoria de Memória e Cultura das Obras Sociais Irmã Dulce.
 
As modinhas aproximaram Irmã Dulce e Volta Seca, que também gostava de música e chegou a gravar um disco com canções ligadas ao cangaço depois de deixar a cadeia. O LP incluía canções como “Mulher Rendeira” e “Acorda Maria Bonita”.

Nascido em Sergipe em 1918, Volta Seca passou a integrar o bando de Lampião quando tinha apenas 11 anos. Começou lavando e escovando os cavalos dos cangaceiros e ganhou notoriedade ao fazer parte do grupo que participou da chacina de Queimadas, cidade do norte da Bahia.
 
O massacre aconteceu às vésperas do Natal de 1929, quando Lampião e 15 de seus homens mataram sete policiais que faziam a guarda da cidade e roubaram 22 contos de réis (algo como R$ 550 mil, em valores estimados). Ao fim do saque, Lampião ordenou que fizessem um baile em sua homenagem.
 
Volta Seca foi capturado e preso em 1932, aos 15 anos, e levado para Salvador. Já era um cangaceiro famoso e foi recebido por cerca 2.000 pessoas na estação ferroviária de Periperi antes de seguir para a penitenciária.

Volta Seca, cangaceiro integrante do bando de Lampião, fotografado em entrevista na penitenciária de Salvador; imagem publicada na revista O Cruzeiro, de 1944
Volta Seca, cangaceiro integrante do bando de Lampião, fotografado em entrevista na penitenciária de Salvador; imagem publicada na revista O Cruzeiro, de 1944 – Reprodução – José Brito/Revista O Cruzeiro

Em 1944, chegou a fugir da prisão após serrar as grades da cadeia e escapulir por uma fresta entre fios elétricos no muro do presídio. “Em pouco mais de 20 dias, fui a pé da Bahia até Sergipe”, narraria o cangaceiro em entrevista ao jornalista Joel Silveira. 

Condenado a 145 anos de prisão, teve pena posteriormente reduzida para 20 anos. Em 1952, recebeu o indulto do presidente Getúlio Vargas. Nas tentativas de reduzir a pena, Volta Seca diz ter apelado para Irmã Dulce, que teria intercedido por ele junto às autoridades, conforme narrou em entrevista ao Diário da Noite, do Rio de Janeiro.

“Há uma figura nobre que tem olhado esse meu caso. É a Irmã Dulce, freira do Círculo dos Operários. É a santa criatura que constantemente intercede por nós aqui na penitenciária. Prometem a ela, mas nada cumprem. O senhor vê que nem a figura dos santos consegue ajeitar a boa vontade dos homens”, disse.

out
11
Posted on 11-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-10-2019

Ao menos 39 autoridades viajarão a Roma para cerimônia, no domingo. Só em diárias, o gasto é de 186.000 reais. Custos devem aumentar exponencialmente se calculados deslocamento e hospedagens, que não foram informados pelos principais poderes

Irmã Dulce em Salvador.
Irmã Dulce em Salvador.Arquivo

 Afonso Benites

O próximo domingo será o dia de celebrar a canonização da primeira santa nascida no Brasil, a baiana Irmã Dulce. Ela será declarada pelo Papa Francisco a Santa Dulce dos Pobres, exatamente por sempre ter ajudado as pessoas com menos recursos financeiros e ter deixado um instituto que até hoje atua em favor deles. Mas parte dos espectadores da pomposa cerimônia na Cidade do Vaticano não terá problemas com dinheiro, que virá do erário. São ao menos 39 políticos, servidores públicos, autoridades e seus cônjuges que viajarão com recursos públicos. Só em diárias deverão custar 186.905 reais aos cofres da União. As diárias internacionais são pagas aos funcionários que têm autorização para deixarem o país em viagens oficiais.

A conta foi feita pelo EL PAÍS com base no Diário Oficial da União, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e por dados fornecidos pelos seguintes órgãos: vice-presidência da República, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e Procuradoria-Geral da República. Os chefes desses últimos quatro poderes comporão a comitiva presidencial liderada pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

O diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, criticou a viagem das autoridades. “Dinheiro público tem de ser utilizado para uma utilidade pública. Não há interesse público em ter uma comitiva de brasileiros de diversos poderes se deslocando com recursos do tesouro para uma canonização. É totalmente descabido”, afirmou.

Apesar de questionados, nenhum dos órgãos informou quanto será gasto com deslocamento e com hospedagem, o que deve elevar os custos exponencialmente. A única instituição que afirmou que as despesas com seus representantes serão pagas por eles mesmos foi a PGR. No caso da Câmara, o presidente Rodrigo Maia diz ter aberto mão de receber os valores das diárias. Os demais órgãos não detalharam como serão pagos esses gastos. Questionada por meio da assessoria de imprensa e pela LAI, a Força Aérea Brasileira também não respondeu, até a publicação dessa reportagem, quantas aeronaves disponibilizou para transportar essas autoridades nem os custos da operação Irmã Dulce. Os gastos com as diárias ficaram assim detalhados: Executivo ao menos 7.223 reais; STF, 13.143 reais; Câmara, 106.000 reais e; Senado 60.480 reais.

Em princípio, circulou-se a informação de que a comitiva liderada pelo general Mourão seria composta por 70 pessoas. Mas no Diário Oficial da União só há autorização para 21 integrarem o grupo. Interrogada desde a semana passada sobre os gastos e sobre quem seriam os membros da comitiva, a vice-presidência não se manifestou. O presidente Jair Bolsonaro não viajará para o evento.

Alguns dos participantes do grupo de Mourão são: a esposa do vice-presidente, Ana Paula Mourão, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, o ex-presidente José Sarney juntamente com dois de seus assessores, um diplomata e sua esposa, quatro funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) além dos presidentes do STF, Antonio Dias Toffoli, da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, e do procurador-geral Augusto Aras. Nessa comitiva também estava previsto o embarque da primeira-dama do Estado de Goiás, Gracinha Caiado. Mas o marido dela, Ronaldo Caiado, foi submetido a uma cirurgia cardíaca de emergência nesta quinta-feira e ela desistiu da viagem. Por isso, houve a redução para 20 os membros do grupo de Mourão.

Da Câmara, vão 13 deputados, além do secretário de Transporte Metropolitano de São Paulo, o ex-deputado Alexandre Baldy, que pegou uma carona na comitiva de Maia. Do Senado, são 7 senadores. Do STF, apenas o ministro Toffoli. Da PGR, Augusto Aras e o subprocurador Alcides Martins. A maioria das autoridades embarcaram nesta quarta-feira e devem regressar ao país na próxima segunda-feira, dia 14. Entre as atividades que elas participarão estão reuniões no Senado italiano, uma missa em homenagem à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, a apresentação de uma ópera chamada “Ave Dulce”, a própria cerimônia de canonização e duas recepções oferecidas pelas embaixadas do Brasil em Roma e na Santa Sé.

out
11
Posted on 11-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-10-2019


Cazo, no jornal Comércio de Jahu (SP)

 

 

out
11

 

Depois dos escândalos de abusos sexuais e vazamentos de 2017, a Academia Sueca concedeu no mesmo dia os prêmios de dois anos consecutivos. Escolha de europeus contraria apostas

Olga Tokarczuk e Peter Handke.
Olga Tokarczuk e Peter Handke.Niklas Elmehed

 Andrea Aguilar|Tommaso Koch

A polonesa Olga Tokarczuk e o austríaco Peter Handke ganharam o Nobel de Literatura de 2018 e 2019, respectivamente, anunciou a Academia Sueca nesta quinta-feira. A instituição volta a apostar em dois autores europeus, contrariando as especulações que indicavam o favoritismo de literaturas pouco representadas na história do organismo. Pela primeira vez, a instituição concedeu no mesmo dia os prêmios de dois anos consecutivos, depois dos escândalos de abusos sexuais e vazamentos de 2017

Em 2017, a instituição que concede o prêmio Nobel se viu envolta num escândalo tão grande que a obrigou a suspender a premiação de 2018. Aquela interrupção transformou a jornada desta quinta-feira em uma sessão excepcional, rodeada de grande expectativa. O número de escritores que aguardavam o telefonema provavelmente era o mesmo, mas as chances de recebê-lo eram dobradas. Talvez por isso o desconcerto nas bolsas de aposta parecia multiplicado também.

Há poucos dias, o acadêmico sueco Anders Olsson havia declarado que a diversidade era uma das prioridades adotadas pelo comitê atualmente. “Precisamos ampliar nossa perspectiva”, afirmou ele à imprensa. “Tínhamos uma visão eurocêntrica da literatura, e agora estamos olhando para o mundo todo. Anteriormente, estávamos mais enfocados nos homens. Hoje há muitas mulheres que são realmente excelentes.”

Só 14 autoras (12,3% dos 114 premiados) receberam o Nobel de Literatura até hoje. Além disso, os números revelam também os desequilíbrios geopolíticos do reconhecimento: 83 premiados (quase 73%) procediam da Europa, com a França como o país com mais escritores contemplados, 14. A América do Norte ocupa o segundo lugar, com 12 premiados (10,5%): 10 dos Estados Unidos e 2 do Canadá. Sete prêmios Nobel de literatura foram para a Ásia, seis para a América Latina, quatro para a África e só um para a Oceania, com o australiano Patrick White. Há ainda o caso do caribenho Derek Walcott, cuja obra foi escrita em inglês, idioma oficial do país, a ilha de Santa Lucia.

A língua portuguesa foi premiada apenas uma vez, com José Saramago, em 1998. Da América Latina, já foram reconhecidos dois chilenos (Gabriela Mistral e Pablo Neruda), um colombiano (Gabriel García Márquez), um mexicano (Octavio Paz), um guatemalteco (Miguel Ángel Asturias) e um peruano (Mario Vargas Llosa, o mais recente, em 2010). Quase tão lembradas quanto eles, porém, são as polêmicas ausências de escritores da região nessa lista, como a do argentino Jorge Luis Borges. Para efeito de comparação, a Suécia conta com sete autores premiados, e a área escandinava como um todo, somando também Noruega, Finlândia, Dinamarca e Islândia, reúne 15 prêmios Nobel de Literatura.

Olga Tokarczuk, no festival internacional do livro de Edimburgo, em agosto de 2017.
Olga Tokarczuk, no festival internacional do livro de Edimburgo, em agosto de 2017.Roberto Ricciuti/Getty Images

A entrega do prêmio correspondente a dois anos, inédita na história do Nobel, que é concedido desde 1901, deve-se ao escândalo sexual e de supostos vazamentos que sacudiram a instituição em novembro de 2017. O Dagens Nyheter, principal jornal sueco, publicou na ocasião uma reportagem em que 18 mulheres acusavam Jean-Claude Arnault, marido da acadêmica Katarina Frostenson, e ele próprio muito próximo da instituição, de ter cometido abusos e assédio sexual. Contra Arnault, cidadão francês de 72 anos, uma celebridade nos ambientes culturais de Estocolmo e possuidor de uma das mais altas distinções suecas, já haviam sido formuladas algumas denúncias anônimas uma década antes, em outro jornal sueco, sem que a Academia se visse questionada por isso. Mas no final de 2017 o número denunciantes tinham subido para 18, e o movimento #MeToo tinha chegado para mudar tudo.

Uma investigação interna concluiu que Frostenson tinha incorrido em conflito de interesses ao ser coproprietária com seu marido do Fórum, uma espécie de clube cultural influente em Estocolmo, generosamente financiado pela instituição que concede o prêmio Nobel de Literatura. E teve que abandonar seu posto na Academia perante as acusações de ter vazado informação sigilosa sobre os Prêmios Nobel ao seu cônjuge. Arnault, enquanto isso, cumpre uma pena de dois anos e meio de prisão por dois crimes de estupro (na maioria dos casos, os fatos denunciados já estavam prescritos ou não puderam ser comprovados) em uma penitenciária destinada a sentenciados por delitos sexuais.

Peter Handke, em Madri, em 2017.
Peter Handke, em Madri, em 2017.BERNARDO PÉREZ

O escândalo forçou a Academia a um período de reflexão e a uma mudança profunda. Precipitaram-se demissões em uma instituição cujos cargos eram vitalícios. Vários jornais informaram também que Arnault tinha divulgado antecipadamente o nome dos ganhadores em diversas ocasiões. Mas aquela cobiçada informação deve ter se mantido em um círculo muito fechado, porque para a grande maioria a notícia do Nobel sempre cai como uma surpresa. “Não se pode ter nada previsto, porque são sempre muitos os que podem ganhar, e muitos que seriam certeza, como Amos Oz e Philip Roth, nunca o receberam”, diz por telefone Verónica García, da distribuidora de livros espanhola Machado. “Assim que recebemos a notícia entramos em contato com o editor para que mande todos os livros que puder do ganhador e começamos a receber pedidos. É raro que haja mais de 5.000 exemplares disponíveis.”

Hoje, muitos irão às livrarias procurando obras dos ganhadores Tokarczuk e Handke, mas pode ser, como ocorreu com Svetlana Alexievich e seu livro sobre Chernobil, que seja necessária uma série de televisão para decolarem como fenômeno editorial.

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