Querem me derrubar? Eu tenho couro duro, vai ser difícil”, diz Bolsonaro sobre relação com imprensa

Jair Bolsonaro acusou hoje a imprensa de mentir e difamar e questionou se o objetivos dos veículos de comunicação é derrubá-lo do cargo, informa a Folha.

“Eu lamento a imprensa brasileira agir dessa maneira. O tempo todo mentindo, distorcendo, difamando. Vocês querem me derrubar? Eu tenho couro duro, vai ser difícil. Continuem mentindo.”

Bolsonaro se referia a reportagem do Correio Braziliense publicada hoje que afirmou que o presidente encaminhará ao Congresso projeto de reforma administrativa que deve prever o fim da estabilidade para servidores públicos.

“De novo hoje, capa do Correio Braziliense, que eu vou acabar com a estabilidade do servidor. Não dá para continuar com tanta patifaria por parte de vocês. Isso é covardia e patifaria. Nunca falei nesse assunto. Querem jogar o servidor contra mim. Como ontem a Folha de S.Paulo querendo me ligar ao problema [das candidaturas-laranja] de Minas Gerais. Um esgoto a Folha de S.Paulo.”

 

Da desordem à liberdade

Mario Vargas Llosa

Muitos peruanos têm-se desencantado ante o espetáculo bochornoso de um Parlamento que parecia dedicado exclusivamente a impedir que funcionassem as instituições e a defender a corrupção

Fez muito bem o presidente do Peru, Martín Vizcarra, ao dissolver o Congresso e convocar novas eleições para o próximo 26 de janeiro, data que acaba de ser confirmada pelo Júri Nacional de Eleições. E fizeram muito, mas muito bem, as Forças Armadas e a Polícia peruanas reconhecendo a autoridade do chefe de Estado; não tem sido muito frequente na história do país que as forças militares apoiem um Governo constitucional como o que preside Vizcarra; o “normal” seria que ajudassem a derrubá-lo.

A decisão de fechar o Congresso foi rigorosamente constitucional, como mostraram diversos eminentes juristas e explicou ao grande público, com sua lucidez característica, uma das melhores e mais valentes jornalistas do Peru: Rosa María Palacios. A Constituição autoriza o chefe de Estado a fechar o Congresso após este rechaçar por duas vezes a moção de confiança; ao mesmo tempo, obriga-o a convocar imediatamente eleições para substituir o Parlamento destituído. As duas questões foram cumpridas nesse caso. Pelo mesmo motivo, não se trata nem de longe de um “golpe de Estado”, como quis fazer acreditar a aliança entre apristas e fujimoristas, que tinha maioria simples no Congresso e o havia transformado em um circo grotesco de foragidos e semianalfabetos, com algumas poucas (embora muito respeitáveis) exceções. Por isso centenas de milhares de peruanos saíram às ruas, em todas as cidades importantes do país, para aplaudir o presidente Vizcarra, celebrando a medida em nome da liberdade e da legalidade, ridicularizadas pela maioria parlamentar de apristas e fujimoristas.

Como sempre, por baixo e por trás das discussões legais que sustentam as instituições da democracia, há interesses pessoais, muitas vezes abjetos, que costumam prevalecer. Para isso existem a liberdade de expressão e o direito de crítica que, bem exercidos, fazem as denúncias e estabelecem os limites necessários, determinando as prioridades e tirando a verdade e a liberdade das trevas em que seus inimigos quiseram mergulhá-las.

Vizcarra fez muito bem em dissolver o Congresso, convertido em um instrumento de vingança de Keiko Fujimori

Nesses casos, sem a menor dúvida, ambos os valores estão representados pela decisão do presidente Vizcarra, e os genuínos inimigos da verdade e da liberdade são os que até agora sujaram, até extremos inconcebíveis, o Congresso da República, transformando-o num instrumento da vingança de Keiko Fujimori contra Pedro Pablo Kuczynski, que a derrotou numa eleição presidencial que ela pensava ter vencido: era o que indicavam as pesquisas. Então ela, através do Congresso, dedicou-se a derrubar ministros e impedir que ele governasse. Por sua vez, Kuczynski, que muitos de nós considerávamos ser o presidente mais bem preparado da história do Peru e que acabou sendo um dos piores, achou que aplacava o tigre oferecendo-lhe cordeiros (ou seja, indultando o ex-presidente Fujimori da pena de 25 anos de prisão que cumpre por ser assassino e ladrão). Com isso, fez o haraquiri e finalmente precisou renunciar. Agora está em prisão domiciliar, investigado pelo Poder Judiciário, acusado de lavagem de dinheiro.

Provavelmente nada do que ocorreu teria alcançado tais proporções se, nesse ínterim, não tivesse aparecido o famoso caso Lava Jato no Brasil, em que a empreiteira Odebrecht e as “delações premiadas” – isto é, autoconfissões de atos ilícitos em troca de penas reduzidas ou simbólicas – revelaram que no Peru vários presidentes, ministros e parlamentares haviam sido comprados pela tristemente célebre empresa (e por outras também) para favorecê-la com concessões de obras públicas e outros privilégios. Isto irritou sobretudo os apristas e fujimoristas, envolvidos nessas sujas maracutaias. E seu pânico aumentou quando, ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia no Brasil, surgia dentro do Poder Judiciário peruano um grupo de promotores honestos e corajosos determinados a aproveitar as delações premiadas para revelar a corrupção no Peru e punir os culpados.

Essa é a razão profunda que está por trás dos atropelos e ilegalidades cometidos pela maioria parlamentar simples mantida pela aliança de apristas e fujimoristas, que obrigaram o presidente Vizcarra a fechar este Congresso e a convocar eleições para substituí-lo. Tomara, diga-se de passagem, que os peruanos votem no próximo 26 de janeiro melhor do que nas eleições anteriores, e não mergulhem de novo o Peru em um Parlamento tão medíocre e obtuso como o recém-desaparecido. Mas as próprias condições dessa eleição não favorecem a existência de muitos bons candidatos para ocupar os assentos; o tempo de vida que terão será muito pequeno – cerca de 16 meses – e, como não há reeleição segundo as novas disposições eleitorais, os incentivos para os novos congressistas não são nada estimulantes.

O Peru é um dos poucos da América Latina que cresceram economicamente; a classe média aumentou e, apesar dos desastres naturais, o país avança na criação de riqueza e oportunidades

Em todo caso, porém, trata-se de um passo adiante na consolidação da democracia no Peru. Muitos peruanos, ante o espetáculo vergonhoso deste Parlamento, que parecia exclusivamente preocupado em impedir o funcionamento das instituições, em defender a corrupção e seus líderes desonestos, haviam se decepcionado com a legalidade. Para isso serviam as eleições livres? Agora sabem que, por mais erros que se possam cometer dentro de uma democracia, numa sociedade livre pode-se trazer à luz tudo aquilo que funciona mal, e que essa é a grande superioridade das sociedades abertas em relação às ditaduras.

Gostaria também de destacar o espírito cívico que levou tantos peruanos às ruas para renovar seu convencimento de que a liberdade é sempre a melhor opção. Uma das boas coisas que havia no Peru, apesar do Congresso, era a liberdade de expressão. O jornalismo peruano funcionou nesses anos expressando a grande diversidade política que existe no país, e muitas das críticas desta imprensa foram certeiras e impediram que, em meio à desordem, a legalidade perecesse. Mas um país não funciona apenas com a democracia. É imprescindível que haja trabalho, que os cidadãos sintam que existe igualdade de oportunidades, que todos possam progredir se se esforçarem para isso, e que existe uma ordem jurídica à qual podem recorrer se forem vítimas de injustiças e atropelos.

Curiosamente, nesses anos de desordem política, o país é um dos poucos da América Latina que cresceram economicamente; a classe média aumentou e, apesar dos desastres naturais, o Peru avança na criação de riqueza e oportunidades. Uma única mancha nesse panorama: a ideia de que toda mineração é negativa e que é preciso combatê-la para que não destrua o meio ambiente. Isso é um absurdo, mas tem penetrado na sociedade além dos demagogos da extrema esquerda que o promovem. E, ao mesmo tempo em que isso ocorre, cresce a mineração ilegal – ela, sim, uma ameaça gravíssima à saúde ecológica de um país. Tomara que, livre desse Congresso repelente e das desordens que auspiciava, a democracia peruana comece também a funcionar dentro de uma legalidade e uma liberdade dignas desses nomes.

“Adeus Rio”, Clara Nunes: o canto lindo, docemente amoroso da mineira Clara se desmancha em paixão e saudades pelo Rio de Janeiro, que a acolheu como filha amada e a presenteou com a fama e o sucesso mais que merecido. Pena que a partida tenha sido tão prematura e surpreendente. Mas segue o seu canto memorável. Até o infinito.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

Do Jornal do Brasil

 

 O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), atacou o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso nas redes sociais na noite deste sábado (5).

Em um tweet no qual o tucano critica o governo Jair Bolsonaro no Twitter, o general perguntou “por que no te callas”, ou por que não te calas, em espanhol.

Em uma postagem publicada no início da tarde de sábado, FHC comparava a violência do atual governo com aquela praticada por bandidos. “Armas nas mãos de bandidos ou de quem não sabe usá-las aumenta o medo. Demitir funcionários em áreas culturais por ideologia repete o desatino”, escreveu. No final, chamava as pessoas a protestar.

A Folha de S.Paulo revelou nesta sexta (4) que o Ministério da Cidadania exonerou 19 funcionários da Funarte ligados ao diretor teatral Roberto Alvim, que assumiu o órgão em junho.

A reportagem apurou que a demissão foi uma retaliação do ministro Osmar Terra às tentativas de Alvim de se aproximar do presidente Jair Bolsonaro.

O comentário de Heleno remete a uma “chamada” do rei Juan Carlos da Espanha ao então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em uma reunião de chefes de Estado em 2007.

out
07

“Moro está mais próximo da gente”, diz Maia

 

 Rodrigo Maia disse neste domingo que o projeto de lei complementar incluído no pacote anticrime de Sergio Moro vai direto para o plenário da Câmara.

A declaração ocorre depois de Maia afirmar em entrevista ao UOL que a “estratégia permanente” de Moro é fazer pressão e “acuar as instituições democráticas”.

“No passado, o ministro não aceitava as votações da Câmara. Mas, no momento atual, ele está aberto ao diálogo”, afirmou.

“Ele tentou atropelar o processo legislativo. O governo sinalizava que a prioridade era a aprovação da reforma da Previdência. Moro está mais próximo da gente e vai construir um texto que atenda aos anseios da sociedade e do Parlamento.”

out
07
Posted on 07-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-10-2019

DO JORNAL DO BRASIL

O ministro Sergio Moro (Justiça) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro fez a campanha “mais barata da história” e que a manchete da Folha de S.Paulo deste domingo (06) sobre a suspeita de caixa dois em 2018 não reflete a realidade.

Segundo a reportagem, um depoimento dado à Polícia Federal e uma planilha apreendida em uma gráfica sugerem que dinheiro do esquema de candidatas laranjas do PSL, em Minas Gerais, foi desviado para abastecer, por meio de caixa dois, as campanhas de Bolsonaro e do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ambos filiados ao partido.

Na mensagem publicada neste domingo no Twitter, Moro indica ter informações da investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de maneira sigilosa em Minas. 

“Nem o delegado, nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o PR [presidente da República] neste inquérito de Minas. Estes são os fatos”, disse. A publicação de Moro foi ‘curtida’ por Bolsonaro e, depois, compartilhada pelo presidente em sua conta no Facebook.

A reportagem da Folha de S.Paulo, no entanto, é baseada em depoimento de um ex-assessor do ministro do Turismo à PF e em uma planilha apreendida nas investigações. Em nenhum momento o jornal atribui conclusões sobre o assunto aos investigadores.

Não é a primeira vez que Moro sugere ter tido informações sobre o inquérito sigiloso do caso dos laranjas. Em junho, Bolsonaro afirmou ter recebido informações do ministro da Justiça sobre a investigação em curso. 

Na ocasião, o ministério chegou a admitir que Moro repassou dados ao presidente, mas depois mudou a versão, dizendo que só trataram do que havia sido divulgado pela imprensa.

O ministro do Turismo foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais na última sexta (04) sob acusação dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa –que preveem penas de até cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente. Ele nega irregularidades.

Parlamentares da base governista também saíram em defesa do presidente. A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) criticou o jornal por “DE NOVO, estampar uma manchete contra o presidente Bolsonaro que sequer é confirmada pela própria matéria.” “É cansativo”, escreveu em rede social.

A oposição também reagiu à reportagem. Orlando Silva (PC do B-SP) ironizou slogan usado por apoiadores do presidente, “é melhor jair se acostumando”, em referência ao primeiro nome de Bolsonaro. “É melhor jair se explicando. As máscaras dos moralistas sem moral não demoram a cair”, escreveu.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) questionou se o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vai tomar providência sobre os fatos relatados. Margarida Salomão (PT-MG) afirmou que a reportagem mostra “o que nós anunciávamos há meses”.

“A Polícia Federal confirmou todos os indícios do esquema de laranjas no PSL de Minas Gerais. Esquema que tem como cabeça o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio”, disse.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) qualificou a notícia como grave e defendeu apuração urgente do episódio. “Insistiremos na convocação do ministro do Turismo na terça para prestar esclarecimentos no Senado!” “Está explicado porque (sic) Bolsonaro não demite Álvaro Antônio”, escreveu.

Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar de Álvaro Antônio à época e coordenador de sua campanha a deputado federal no Vale do Rio Doce (MG), disse em seu depoimento à PF que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

Em uma planilha, nomeada como “MarceloAlvaro.xlsx”, há referência ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão “out”, o que significa, na compreensão de investigadores, pagamento “por fora”.

A Folha de S.Paulo revelou, em reportagens publicadas desde o início de fevereiro, a existência de um esquema de desvio de verbas públicas de campanha do PSL em 2018, que destinou para fins diversos recursos que, por lei, deveriam ser aplicados em candidaturas femininas do partido.

Álvaro Antônio, deputado federal mais votado em Minas Gerais, foi coordenador no estado da campanha presidencial de Bolsonaro.

 

Por G1

Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam à Bahia — Foto: João Arthur/Tamar Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam à Bahia — Foto: João Arthur/Tamar

Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam à Bahia — Foto: João Arthur/Tamar

Já são 132 praias atingidas por manchas de óleo no Nordeste, segundo o balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) divulgado neste domingo (6).

No total, 61 municípios foram afetados em 9 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

O último estado a ser atingido foi a Bahia, na última quinta-feira (3).

O governo de Sergipe decretou situação de emergência em razão das manchas de óleo. Nesta segunda (7), o ministro Ricardo Salles visitará o estado. O projeto Tamar suspendeu a soltura de filhotes de tartarugas marinhas por conta do problema.

 

Petróleo cru acumulado em ponto do litoral de Sergipe (SE) — Foto: Reprodução/TV Sergipe Petróleo cru acumulado em ponto do litoral de Sergipe (SE) — Foto: Reprodução/TV Sergipe

Petróleo cru acumulado em ponto do litoral de Sergipe (SE) — Foto: Reprodução/TV Sergipe

Segundo o relatório do Ibama, dentre as 132 praias afetadas em todo o Nordeste desde o início de setembro, 11 estão em processo de limpeza, 74 ainda tem manchas visíveis e 48 estão livres da substância na areia.

Pelo menos 12 animais foram atingidos pelo óleo – nove tartarugas e uma ave foram encontradas mortas ou morreram após o resgate.

Uma investigação do Ibama aponta que as manchas são de petróleo puro e que todas as amostras têm a mesma origem, mas ainda não é possível afirmar de onde ele veio. Em nota, a Petrobras afirma que o material não é produzido pela companhia.

A suspeita é que o petróleo tenha vindo de navios que passam pela região, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), que está analisando imagens de satélite da costa. A pesquisa, no entanto, ainda está em estágio inicial.

As manchas começaram a aparecer no início de setembro. Até quinta-feira (26), eram 99 localidades atingidas. Na sexta (27), o número subiu para 109. No domingo (29), chegou a 113 e na terça-feira (1) foi para 115. Agora, já são 124 praias afetadas.

Origem da substância

 

Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Ibama/SE Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Ibama/SE

Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Ibama/SE

Na terça-feira (1) uma reunião foi realizada no Recife com representantes de seis dos nove estados nordestinos para discutir estratégias para diminuir os impactos das manchas de óleo. A Bahia foi o único estado da região que não foi afetado.

Na reunião, os estados decidiram protocolar, em conjunto, uma denúncia sobre o caso, a ser enviada à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

Nesta quarta-feira (2) a Polícia Federal do Rio Grande do Norte comunicou que um inquérito foi instaurado para investigar a origem das manchas. A apuração sobre a possibilidade da ocorrência de dano ambiental começou no mês passado.

 

Manchas sendo recolhidas por equipes da Adema na Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros (SE) — Foto: Adema/Divulgação Manchas sendo recolhidas por equipes da Adema na Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros (SE) — Foto: Adema/Divulgação

Manchas sendo recolhidas por equipes da Adema na Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros (SE) — Foto: Adema/Divulgação

Há suspeita de que a contaminação tenha relação com navios petroleiros. A hipótese é que algum deles tenha efetuado uma limpeza nos tanques e despejado os rejeitos no mar.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, os responsáveis pelo problema podem pagar uma multa que vai de R$ 5 milhões a R$ 50 milhões pelo crime ambiental, que é considerado gravíssimo. O governo do estado se preocupa com a repercussão no turismo.

Em entrevista ao G1 na última sexta (27), o diretor da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, Eduardo Elvino, disse que o órgão está atuando em conjunto com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para identificar possíveis fontes do vazamento.

O trabalho envolve analisar imagens de satélite que abrangem 187 quilômetros do litoral dos estados de Pernambuco e Paraíba. Segundo Elvino, ainda não é possível apontar quais navios podem ser responsáveis pela tragédia ambiental porque a análise está em estágio inicial.

“Com essa varredura das imagens de satélite a gente identificou os pontos no mapa que podem ser navios, e aí estamos analisando a existência de pontos pigmentados ao lado desses possíveis navios. Esses pontos coloridos podem ser realmente manchas de óleo, mas também podem ser cardumes de peixe ou concentrações de alga, por exemplo. São várias possibilidades”, explica Elvino.

Segundo o coordenador do sindicato dos trabalhadores na indústria do petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB), Rogério Almeida, a prática é proibida, mas ainda é realizada.

“É um óleo grosso, quase um piche. Pode ser rejeito de um navio após a limpeza dos tanques. Muitos navios continuam fazendo isso e deve ter caído em uma corrente marítima”, disse Almeida.

De acordo com Elvino, com a identificação das correntes marinhas, “existe a possibilidade de identificar o navio que fez a referida rota” e tentar rastrear se “o piche encontrado nas praias faz parte do combustível dos navios”. Segundo o analista, pela legislação, o produto deve ser descartado nos portos, onde empresas especializadas recolhem o material.

out
07
Posted on 07-10-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-10-2019


 

 Cacinho, NA

 

DO EL PAÍS

Primeiro-ministro poderá reeditar seu Governo com o apoio de somente um de seus aliados de esquerda

O candidato socialista António Costa.
O candidato socialista António Costa.MIGUEL RIOPA (AFP)

Vitória, sim; maioria absoluta, não. A primeira pesquisa de boca de urna confirmou no domingo as pesquisas que diariamente previam, ao longo da campanha eleitoral, uma vitória socialista em Portugal; mas, a princípio, sem a possibilidade de se obter maioria absoluta. A clara vitória do primeiro-ministro António Costa nas eleições legislativas realizadas no domingo, diferentemente do último mandato, lhe permitirá escolher os apoios para formar o Executivo. Em um Parlamento de 230 deputados, poderá não precisar dos votos em conjunto do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista (PC) para formar uma maioria de 116 deputados, bastando-lhe o apoio de somente um deles.

A pesquisa da TVI aponta a vitória do Partido Socialista (PS) entre 34,5% e 38,5% dos votos que lhe dariam até 112 deputados, a 4 da maioria absoluta; depois o PSD, entre 24,6% – 28,6%, entre 68 e 78 deputados; o Bloco era a terceira força, com 7,7% – 11,7% e 20 – 26 deputados, mais do que os 19 atuais; atrás vem o CDU (PC mais Os Verdes), entre 6% e 8%, com 10-14 deputados, depois o direitista CDS, 2,9% e 4,9%, que seria o pior resultado de sua história e ficaria de 3 a 7 deputados; e depois o novo ecologismo do PAN, com 2,7% – 4,7%, que formaria grupo parlamentar com margem de 4 a 6 deputados.

Os comunistas não compartilharão seus votos se não ocorrer um aumento salarial geral de 90 euros (400 reais) mensais; um aumento do salário mínimo dos 600 euros (2.670 reais) atuais a 900 euros (4.000 reais) durante o próximo mandato e o fim da reforma trabalhista imposta pela troika (o BCE, a Comissão Europeia e o FMI). No caso do Bloco, uma de suas principais exigências é a contratação de milhares de pessoas nos serviços públicos de saúde e um salário mínimo de aproximadamente 800 euros (3.560 reais). Ambos pedem em seus programas a nacionalização dos bancos e o fim da educação e saúde privadas, mas se mostram dispostos a renunciar a essas reivindicações (ainda que tentarão impedir seu alimento).

Além de aprovar a gestão do Governo socialista, as eleições dirimiram a hegemonia da esquerda à esquerda do PS. Em 1999 foi criado o Bloco de Esquerda, com membros vindos de uma cisão do PC, com a finalidade de criar entre seu eleitorado uma imagem mais moderna e jovem. 20 anos se passaram e o PC, em sua lenta decadência, resiste.

O resultado do Bloco também não é expressivo o suficiente para realizar a tentativa de um Governo de coalizão

É certo que o Bloco de Catarina Martins voltou a ganhar do PC por uma diferença maior do que há quatro anos (1,9 ponto à época), de acordo com a contagem provisória. A distância não é enorme e, de qualquer modo, menor do que seus dirigentes gostariam, mas vai retirando peso voto a voto do PC, que obteve um dos piores resultados de sua história.

O resultado eleitoral terá consequências na liderança dos partidos. No caso do PC, seu histórico líder, Jerónimo de Sousa, praticamente se despediu, após duas décadas na arena das campanhas eleitorais. No momento de votar anunciou aos jornalistas que continuará sempre à disposição do partido, mas que pretende dedicar mais tempo a sua família. Seus substitutos naturais são o porta-voz parlamentar, João Oliveira, e o líder nas eleições europeias, João Ferreira.

O resultado do Bloco também não é expressivo o suficiente para realizar uma tentativa de Governo de coalizão, como insinuou Martins. A campanha eleitoral foi uma batalha entre as esquerdas para se anular e se equilibrar com a finalidade de impedir uma provável maioria absoluta do PS que lhes deixaria sem capacidade de negociação.

Decepção na direita

Os resultados podem provocar substituições à esquerda e à direita, na direção do PC e na do PSD

O bloco da direita, que de 14 eleições legislativas ganhou seis, fez figuração. Sem possibilidade de ganhar, tanto o Centro Democrático Social (CDS) como o Partido Social Democrata (PSD) aproveitaram a campanha para sustentar seus líderes, Assunção Cristas e Rui Rio, e suas bases. Seu trabalho de oposição durante quatro anos se centrou em antecipar o caos e o desastre, e nada disso aconteceu, o que decepcionou sua militância que, além disso, perdeu o medo de votar em Costa.

O escrutínio provisório, entretanto, trouxe resultados melhores do que os previstos para Rio, líder do PSD, provavelmente por uma transferência de votos do CDS, de Cristas, ao seu partido pelo efeito do “voto útil”. Apesar da derrota, não tão estrepitosa como se esperava há alguns meses – as pesquisas chegaram a apontar quase 20 pontos de diferença com o PS –, Rio não quis revelar seu futuro, após descartar sentar-se no Parlamento por considerar que é uma instituição “desacreditada”. “Missão cumprida”, disse após depositar seu voto. Com muitas brigas internas desde sua ascensão em fevereiro do ano passado à liderança do partido, Rio provavelmente deixará a direção, após o fracasso nas eleições europeias e agora nas legislativas.

A abstenção se aproximou de 47%, apesar dos pedidos de participação feitos pelo presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, e de todos os candidatos. Parte do problema se deve a uma reforma legal que recenseou automaticamente todos os emigrantes portugueses. O censo cresceu a 10,8 eleitores, mas o número de votantes quase não se modificou. O secretário geral do PSD, José Silvano, pediu com “urgência uma mudança do sistema político”. Há alguns meses, Silvano foi flagrado votando sem estar no Parlamento.

PAN, a vitória de um novo ecologismo

Os ecologistas já caminham sozinhos. Desde 1987, o clássico partido ecologista Os Verdes participou das eleições através do Partido Comunista na Coalizão Democrática Unitária (CDU). Ainda que com liberdade de votos para votar contra as touradas enquanto o PC o fazia a favor, sempre estiveram nas sombras do PC nos trabalhos parlamentares.

Os Verdes e sua histórica líder, Heloísa Apolónia (deputada desde 1995), deixaram de ser a única bandeira ecologista da câmara em 2015 quando o PAN (Pessoas Animais Natureza) entrou com seu líder André Silva. Quatro anos depois o deputado com direito a falar um minuto conseguiu aumentar consideravelmente os votos e formar um grupo parlamentar, de acordo com as pesquisas de boca de urna. Graças, em parte, a uma exposição midiática nos debates dos líderes de lista, em que Os Verdes não aparecem, por estar sob a cobertura do PC.

Durante a campanha o PAN sofreu fortes críticas da direita e da esquerda, acusado de fundamentalismo ambiental. Entre suas medidas pedem a proibição da carne de vaca e do leite, algo que acabaria com a economia de, por exemplo, as Ilhas Açores. Por sua vez, Silva acusa Os Verdes de ser um ecologismo caduco e o PC de conservador.

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