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 DO EL PAÍS
Pais de Ágatha choram durante velório da menina, no Rio de Janeiro
Pais de Ágatha choram durante velório da menina, no Rio de JaneiroCARL DE SOUZA (AFP)

Decidi não mais escrever nas minhas colunas “balas perdidas”, porque são apenas balas assassinas as que todos os dias em todo o Brasil, e principalmente nas favelas do Rio, acabam com a vida como a da inocente de 8 anos, Ágatha Vitória Félix. Testemunhas e vizinhos do Complexo do Alemão, onde a menina morava com sua família, dizem que não houve tiroteio entre a polícia e os traficantes de drogas. Na verdade, eles afirmam que o policial atirou na garota, que estava ao lado de sua mãe em uma van, ao tentar atirar em um motociclista.

Uma morte que despertou de maneira especial a consciência e até a linguagem dos excluídos daqueles bairros deixados à própria sorte. Pela primeira vez, uma daquelas pessoas anônimas que compareceram ao enterro da pequena Ágatha gritou dizendo: “Não foi uma bala perdida. Foi uma bala encontrada”. Na verdade, foi uma bala assassina como todas as que ceifam vidas inocentes.

Das cinco crianças que morreram este ano somente no Rio antes de começarem a viver, vítimas dessa violência que parece não ter fim, a da menina Ágatha teve uma repercussão especial e criou um debate novo até agora nas pessoas das favelas cansadas de tanta morte inútil. E obrigou as autoridades a não se contentarem com os rituais hipócritas e gastos de “lamentamos” e “abriremos uma investigação”. Desta vez, os órfãos de Ágatha, que somos todos nós, enfrentaram o poder que reagiu duro e surpreso.

O governador e ex-juiz do estado do Rio, Wilson Witzel, conhecido por sua política de que o melhor delinquente é aquele que a polícia entrega morto e que fez seu gesto macabramente famoso de que o é melhor “dar um tiro na cabecinha”, demorou a reagir para comentar a tragédia da nova mártir das favelas. Chegou-se a falar sobre seu “silêncio aterrador”. No final, a opinião pública o obrigou a sair do mutismo e até confessou que também tem uma filha de nove anos e sabe a dor que seria perdê-la.

No entanto, não deixou de lado sua postura de dureza em matéria da violência que mata especialmente negros e pobres e denunciou que “é indecente usar o caixão de uma inocente para fazer um ato político”. Aqueles que foram ao enterro de Ágatha não foram, no entanto, a um comício, foram doloridos e indignados, com o rosto em lágrimas. Era pura dor e raiva contra sua impotência diante da negligência do Estado nesses bairros, cenário da violência rotineira. E responderam ao governador que a indecência era deixar morrer tantos inocentes pela incúria de um estado que está permitindo e até incitando a polícia a fazer um verdadeiro extermínio com a desculpa de defendê-los contra o narcotráfico.

Talvez essa reação inédita à morte da menina alegre e cheia de vida das favelas se deva ao fato de que está nascendo, dentro e fora das favelas, uma nova resistência à situação criada pelo Governo de extrema-direita do presidente Bolsonaro, cujo lema e maior preocupação é matar sob a desculpa de proteger a vida.

É como se diante do cadáver de Ágatha, essas pessoas, acostumadas ao esquecimento daqueles que deveriam protegê-las, tivessem de repente se juntado ao grito de milhões de brasileiros que não aceitam mais um Governo e uma política baseada na segregação e até na perseguição de uma ditadura dissimulada.

Alguém quis sublinhar, nesse novo movimento de resgate dos valores da vida contra a obsessão da morte, que profeticamente a pequena Ágatha se chamava também Vitória e Félix, dois nomes que evocam o desejo de felicidade com o qual cada recém-nascido chega à vida e ao desejo de sair vitorioso da luta que o espera contra os poderes que tentarão fazer sua vida infeliz e castrar seus desejos de triunfar.

É o que o avô materno de Ágatha, Ailton Félix, quis destacar diante dos que gritavam, muitos deles jovens: “Basta do sangue do povo negro derramado na favela. Nos deixem viver em paz, sem essa falácia da guerra contra as drogas”. Lembrou que tinham matado uma menina “inteligente, estudiosa, obediente, de futuro”. Como a maioria dessas crianças a quem o Estado dá carta branca às forças policiais para matar.

E talvez o mais dramático seja que o Congresso está prestes a aprovar o projeto do ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, sobre a luta contra o crime. Assim como a hipocrisia da “bala perdida”, também neste documento se introduz o eufemismo hipócrita e vergonhoso do chamado “excludente de ilicitude”, que traduzido para o que entendem os pobres e negros das favelas significa que um policial, de agora em diante, não poderá ser punido por ter matado um inocente, pois ao atirar poderia estar em estado de estresse, medo ou emoção especial.

O mais grave dessa decisão é que ela introduz, sem debate da sociedade, a pior das penas de morte, a que não merece um processo nem um advogado de defesa. É simplesmente extermínio. É guerra. E é todo esse clima de morte fácil o que talvez estejam começando a entender até os menos cultos e, principalmente, suas maiores vítimas, os negros e os pobres das favelas, as quais também deveríamos começar a chamar mais do que favelas, de campos de extermínio e segregação social e racial.

Oxalá a bala assassina que arrancou a vida da pequena Ágatha Vitória Félix, que sonhava através dos estudos ser feliz e sair vitoriosa na vida, como seus nomes profetizavam, sirva para despertar a sociedade. Que toda ela tome consciência de que o Brasil deve gritar junto um NÃO cada vez maior a um poder que pretende ter direito sobre a vida e a morte da grande massa de anônimos e excluídos dos campos de concentração das periferias, onde o poder político e o econômico relegam esses milhões cuja única liberdade até hoje é a de chorar seus mortos.

“Pequena Música Noturna”, Rosa Passos: Toda originalidade da voz e do modo de cantar bossa nova, nesta raridade musical do repertório de Rosa, gravado no álbum “Putumayo Presents Brasilian Café”.Uma delícia para se ouvir neste incerto começo de primavera. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Do Jornal do Brasil

 

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) como novo titular da PGR (Procuradoria-Geral da República), Augusto Aras teve seu nome aprovado no plenário do Senado, na tarde desta quarta-feira (25), por 68 votos a 10, em votação secreta.

Agora ele está apto a ocupar a vaga ocupada por Raquel Dodge na PGR. Caberá ao presidente da República nomeá-lo, por meio de decreto.

A sessão ocorreu logo após aprovação do indicado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde recebeu 23 votos a favor 3 contrários.

Em cerca de horas de sabatina, Aras disse que a Operação Lava Jato tem excessos e está passível de correções.

“Toda e qualquer experiência nova traz também dificuldades […] Sempre apontei os excessos, mas sempre defendi a Lava Jato, porque a Lava Jato não existe per se. A Lava Jato é o resultado de experiências anteriores, que não foram bem-sucedidas na via judiciária.”

Na sabatina, Aras citou uma série de operações que antecederam a Lava Jato, como Satiagraha e Castelo de Areia. “Esse conjunto de experiências gerou um novo modelo, modelo esse passível de correções, e essas correções eu espero que possamos fazer juntos, não somente no plano interno do Ministério Público, mas com a contribuição de vossas excelências”, disse o subprocurador.

Ainda falando sobre a Lava Jato, Aras disse que pretende estender o que chamou de boas práticas da operação a todo o Ministério Público, nos estados e municípios. Ao longo de toda sabatina, defendeu a uniformidade de atuação do MP em todas as instâncias, assim como aconteceu nas 74 visitas a senadores que fez antes desta terça-feira.

“A chamada Operação Lava Jato representou importante marco no combate à corrupção. As boas práticas ali desenvolvidas devem ser estendidas a todo o Ministério Público e a todos os níveis da esfera política, aprimorando-se métodos e sistemas, sempre dentro da ordem jurídica”, afirmou.

Ao mencionar problemas da Lava Jato, defendeu que agentes públicos se manifestem apenas nos autos e somente na fase de ação penal. Ele também afirmou que faltaram “cabeças brancas” na operação.

“Talvez tenha faltado nesta Lava Jato a cabeça branca para dizer que tem muitas coisas que pode, mas que tem muitas coisas que não podemos fazer”, afirmou.

Ele disse que “o PGR pode muito, mas não pode tudo”, que “281 dias de prisão provisória não é razoável” e criticou vazamentos. 

Aras foi abordado especificamente sobre a atuação do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, e que teve sua conduta exposta em trocas de mensagens hackeadas.

“Em relação ao colega Deltan, não há de se desconhecer o grande trabalho que ele fez em busca dos resultados que foram apresentados. Mas, talvez, se houvesse lá alguma cabeça branca e dissesse para ele e para os colegas jovens, como ele, que nós poderíamos ter feito tudo como ele fez, mas com menos holofote, com menos ribalta, com menos curso, posto de outra forma, nós poderíamos ter feito tudo do mesmo jeito”, afirmou.

O subprocurador negou o tempo todo que haja corporativismo no Ministério Público e que não haja punição a seus quadros. Dallagnol é alvo de ação no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

Aras tem dito que, embora seja um marco da atuação de procuradores no combate à corrupção, a Lava Jato não é a única operação em andamento no Ministério Público Federal e que, assim como as outras, ela tem de ser incorporada e prestar contas à Procuradoria. 

Sem citar nomes, disse que o Ministério Público não pode ter projeto político e que o integrante que tiver este interesse deve renunciar ao cargo e disputar uma eleição.

Na sabatina, Aras disse que terá uma atuação independente garantida pela Constituição, livro que segurou e mostrou aos senadores. Foi uma tentativa de rebater críticas de opositores que apontam risco de tutela da PGR por Bolsonaro, a quem agradeceu publicamente nesta manhã pela indicação. Ele também defendeu a lei de abuso autoridade, um dia depois de o Congresso derrubar 18 dos 33 vetos que haviam sido feitos pelo Executivo

“Não há alinhamento, no sentido de submissão, a nenhum dos Poderes, mas há, evidentemente, o respeito que deve reger as relações entre os Poderes e suas instituições.”

Questionado se considerava a chegada dos militares ao poder, em 1964, um golpe, ele se esquivou e disse entender que houve um “endurecimento” e “cerceamento de liberdades” em 1968. Alguns senadores reagiram negativamente à resposta de Aras.

Aras se disse contrário ao ativismo judicial, mas cobrou ao Congresso que cumprisse seu dever constitucional de legislar. “Não poderiam ser objeto de ativismo judicial, entre as quais o aborto, a descriminalização da maconha, que são temas caros, relevantes, que devem merecer a apreciação do Congresso Nacional e não devem ser objeto de ativismo judicial”, afirmou. 

Aras disse que, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) analisa e se manifesta sobre temas como criminalização da homofobia, casamento homoafetivo e descriminalização de drogas, “é preciso saber em que nível está operando o Supremo, se está no nível da interpretação, se está no nível da mutação ou se está usurpando as competências do Senado e da Câmara Federal”.

Ao falar de meio ambiente, disse que o Brasil tem uma legislação moderna e abraçou o conceito de desenvolvimento sustentável e que, sob tais premissas, é preciso que o Ministério Público busque “múltiplas respostas certas”. Afirmou também que o MP “moderno e desenvolvimentista” deve atuar com respaldo de meios técnicos, “afastando-se de caprichos pessoais que caracterizam o arbítrio e a ilegalidade”.

“As pessoas têm valores, convicções e ideias próprias, mas a atuação institucional do Ministério Público reclama sua submissão aos valores e à única ideologia do Estado brasileiro, que é a democracia participativa.”

Aras foi questionado por senadores sobre a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair Bolsonaro, como embaixador em Washington. Resumidamente respondeu que a súmula que disciplina o nepotismo não o estende a agentes políticos. Caso a indicação seja oficializada pelo governo e haja questionamento na Justiça, a PGR terá que se manifestar.

O momento mais tenso da sessão foi quando Aras foi interpelado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). Homossexual assumido, senador indagou o procurador sobre os motivos que o levaram a se comprometer com uma carta da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), segundo a qual “a instituição familiar deve ser preservada como heterossexual” e também defende o tratamento de reversão sexual, a chamada cura gay.

“O senhor não reconhece a minha família como família? Eu tenho subfamília?”, indagou o senador. “Eu sou doente, senhor procurador?”, insistiu Contarato.

Aras disse que não ter lido a pauta e que, o item que trata de “sexualidade, valorização da família e preservação da vida” tem “um enfoque que está superado pelas decisões do Supremo Tribunal Federal”. Ele afirmou também não acreditar em cura gay.

“Não posso deixar de compreender todos os fenômenos sociais e humanos. Posso dizer que respeito muito vossa excelência”, disse o subprocurador, destacando que sua única ressalva é de ordem formal.

“Me sentiria muito mais confortável, por mim e pelos meus amigos e amigas que têm casamento em todos os sentidos com pessoas do mesmo sexo, com uma legislação, com uma norma constitucional em que eu não lesse, nesta Constituição, homem e mulher, mas em que eu lesse pessoa, cidadão ou cidadã,”, afirmou.

Na área de direitos humanos, o sabatinado defendeu estado laico e a liberdade de expressão como algo fundamental à democracia.

Ao falar da questão indígena, falou da importância de preservar costumes e tradições, mas defendeu a possibilidade de que os índios possam, dentro da legalidade, produzir em suas terras.

“Índio também quer vida boa, compatível com suas necessidades. Não quer pedir esmola, viver ao lado de quem produz e ter cem mil hectares disponíveis e não poder produzir porque tem dever de continuar como caçador e coletor”, afirmou.

Logo no início da sessão, apresentou à comissão documentos que comprovam que devolveu sua carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e se retirou da sociedade do escritório Aras e Advogados Associados, com sede em Salvador.

Antônio Augusto Brandão de Aras, 60, nasceu em Salvador e é professor da UnB (Universidade de Brasília) e da Escola Superior do Ministério Público da União. Ingressou no Ministério Público Federal em 1987 e desde 2011 é subprocurador-geral da República.

Esta é a primeira vez, em 16 anos, que um presidente da República desprezou a lista tríplice, formada a partir de uma eleição interna no Ministério Público Federal, e indicou para o comando da instituição alguém que não teve o voto dos colegas. Aras não disputou o pleito.

A categoria reagiu com uma enxurrada de queixas nas redes sociais e uma nota da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), que classificou a indicação como um “retrocesso democrático e institucional”, por causa do desrespeito à lista tríplice.

O presidente da República não é obrigado a seguir a lista, mas isso havia se tornado uma tradição. Defensores da eleição interna argumentam que a lista ajuda a garantir a independência da PGR em relação ao Executivo. Para Aras, diferentemente, a disputa levou para o Ministério Público Federal todos os vícios de uma eleição, como o clientelismo e o toma lá dá cá.

 

Decisão sobre a ordem das considerações finais de delatores e delatados pode causar reviravolta na operação, afetando dezenas de sentenças

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, votou contra um recurso que pode anular diversas sentenças da Operação Lava Jato, como a do ex-presidente Lula. A sessão, iniciada pelo relator da operação no Supremo, tem previsão de seguir nesta quinta-feira, começando pelo ministro mais novo, Alexandre de Moraes, e terminando com o decano, Celso de Mello. Está em jogo na corte se delatores devem apresentar suas alegações finais antes dos delatados e se as ações que não seguiram esse rito anteriormente devem ser revistas. A fase de alegações finais ocorre após o encerramento da instrução processual, momento em que o juiz colhe as provas para formar sua decisão. Nesta fase, os argumentos finais de todas as partes são apresentados. A discussão é justamente a ordem desses argumentos: o réu delatado pode ser acusado por um réu delator sem ter a chance de se defender depois?

O plenário foi chamado a se pronunciar depois que a Segunda Turma do STF anulou, no mês passado, a condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, no âmbito da Lava Jato, por entender que ele deveria ter apresentado suas alegações finais somente após os delatores. Na ocasião, a maioria dos ministros considerou que há uma lacuna na lei da delação premiada que não estabelece a ordem de fala no processo de delatores e delatados. A decisão selou de vez o inferno astral que vive a operação, já afetada pela publicação de mensagens entre procuradores da força-tarefa obtidas pelo The Intercept que colocaram em xeque a imparcialidade das investigações.

Após a anulação da condenação de Bendine, que já estava julgado em segunda instância, o caso retrocedeu para a etapa das alegações finais ainda no primeiro grau. Com a decisão, outros acusados entraram com pedidos para que o mesmo entendimento fosse aplicado a eles. Caso o Supremo concorde, a força-tarefa afirmou que 32 decisões da Lava Jato podem ser afetadas, incluindo a do ex-presidente Lula, preso em Curitiba desde abril do ano passado.O caso que trouxe essa discussão à pauta é o habeas corpus do ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira.

Por Fernanda Calgaro e Fernanda Vivas, G1 e TV Globo — Brasília

O cacique Raoni Metuktire durante entrevista na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25) — Foto: Fernanda Calgaro/G1 O cacique Raoni Metuktire durante entrevista na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25) — Foto: Fernanda Calgaro/G1

O cacique Raoni Metuktire durante entrevista na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25) — Foto: Fernanda Calgaro/G1

 

O cacique Raoni Metuktire afirmou nesta quarta-feira (24) que o presidente Jair Bolsonaro “não é uma liderança” e “tem que sair” do governo.

A fala do cacique se deu um dia após ter ele sido citado em discurso do presidente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos dos povos indígenas, ele foi chamado por Bolsonaro de “peça de manobra” usada por governos estrangeiros para “avançar seus interesses na Amazônia”.

“O Bolsonaro falou que não sou uma liderança. Ele que não é liderança e tem que sair”, afirmou o líder indígena.

Em seu discurso, Bolsonaro não disse a quais governos se referia, mas recentemente Raoni se encontrou com o presidente da França, Emmanuel Macron, em busca de apoio para a defesa da Amazônia.

No giro europeu que fez na ocasião, o cacique também esteve com o papa Francisco e passou pelo Festival de Cannes.

Raoni foi ao Congresso Nacional participar de uma reunião do Fórum em Defesa da Amazônia, promovida por partidos de oposição ao governo Bolsonaro.

 
Raoni: 'Bolsonaro falou que não sou liderança; ele que não é liderança e tem que sair'

Raoni: ‘Bolsonaro falou que não sou liderança; ele que não é liderança e tem que sair’

Ainda em seu discurso na ONU, o presidente brasileiro afirmou que “a visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros”.

Aos 89 anos, o cacique do povo caiapó é, há décadas, considerado um dos líderes indígenas de maior renome mundial.

Neste mês, a Fundação Darcy Ribeiro propôs a candidatura de Raoni ao Prêmio Nobel da Paz de 2020 por sua luta pelos povos e pela preservação da Amazônia.

Segundo Bolsonaro, pessoas dentro e fora do Brasil, com apoio de organizações não-governamentais, “teimam em tratar e em manter” os índios brasileiros “como verdadeiros homens das cavernas”.

O presidente ainda defendeu uma “nova política indigenista” no país a fim de buscar “autonomia econômica” dos indígenas.

Índia que acompanhou Bolsonaro

Nesta quarta-feira (25), o líder do governo na Câmara, Major Vítor Hugo (PSL-GO) e deputados do PSL receberam a índia Ysani Kalapalo, que acompanhou, a convite, a participação do presidente Jair Bolsonaro na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

Kalapalo é da aldeia Tehungu, no Parque Indígena do Xingu (MT). A presença da jovem na assembleia foi repudiada por representantes de 16 povos indígenas do Xingu.

Em nota, o grupo afirmou: “Não aceitamos e nunca aceitaremos que o governo brasileiro indique por conta própria nossa representação indígena sem nos consultar através de nossas organizações e lideranças reconhecidos e respaldados por nós”.

A visita de Kalapalo à Câmara foi acompanhada pela secretária Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde, Silvia Waiãpi; e por outros quatro líderes indígenas.

O grupo afirmou que outros representantes de comunidades não puderam comparecer mas gravaram vídeos de apoio a Kalapalo.

Os líderes afirmaram ainda que representam mais de 58 povos indígenas. A pauta em comum é a liberdade para o desenvolvimento dos indígenas.

Questionada sobre a manifestação dos que protestaram pela escolha dela como representante dos indígenas brasileiros na ONU, Ysani Kalapalo afirmou:

“Sempre eles falaram por nós. Mas aqui estou eu, falando por mim e pela comunidade. Eles podem não se sentir representados por mim, mas eu estou aqui representando aquelas pessoas que não têm voz”, afirmou.

Durante entrevista na Câmara, Kalapalo disse que não há uma única liderança indígena que represente toda as comunidades.

“Cada aldeia tem o seu próprio cacique, a sua própria liderança. Um único cacique não fala por nós. Para você falar por todos os povos indígenas você tem que viajar todas as aldeias indígenas, você tem que conhecer a realidade daquela comunidade. Não existe um único cacique que fala por todos”, declarou.

Ela relatou que recebeu ameaças de morte e disse que já procurou as autoridades para investigar essas ameaças. Kalapalo se emocionou ao falar da morte de um tio, há quatro dias. Segundo ela, o tio se matou porque “não aguentava mais ser tratado como índio do século passado”.

Ysani Kalapalo defendeu que os indígenas devem ter liberdade de escolha e independência financeira, tese também defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Hoje, o índio que ter o mesmo direito que qualquer cidadão brasileiro tem”, afirmou. “O índio quer sim garimpar, quer sim plantar, porque não? Por que o índio não pode ter sua independência financeira?”, acrescentou.

set
26
Posted on 26-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-09-2019


 

 Edu , no jornal

(RS)

 Revista Forbes/Jornal do Brasil

 

LUCAS BORGES TEIXEIRA E LURDETE ERTEL *

Foi por pouco – mas não foi desta vez. Durante quase oito meses de 2019 (entre o meio de janeiro e o começo de agosto), o banqueiro mais rico do mundo, Joseph Safra, ocupou o posto de maior bilionário brasileiro pela primeira vez, graças às oscilações negativas do patrimônio do então soberano Jorge Paulo Lemann. No topo desde 2013, o megainvestidor viu seu trono ser tomado neste ano após um prejuízo enorme em um de seus principais negócios – algo raro na carreira. Pouco antes de a lista fechar, no entanto, o carioca se reestabeleceu no primeiro lugar devido à alta de outros tantos ativos.

Macaque in the trees
Jorge Paulo Lemann é um dos donos da 3G Capital (Foto: Reprodução)

Esse dinamismo é uma das marcas da lista de bilionários brasileiros da Forbes, que chega à oitava edição em 2019 com número recorde de representantes: 206 – 26 a mais do que no ano passado (de 2017 para 2018, o crescimento foi de dez nomes). Impulsionados por fusões, IPOs, vendas de participações acionárias e bons resultados financeiros, só neste ano ocorreram 20 estreias na lista, cinco retornos, quatro saídas e um maciço aumento de fortunas.

1 JORGE PAULO LEMANN

R$ 104,71 bilhões

Idade 80 anos | Nascimento RJ |

Origem do patrimônio Bebidas/investimentos

Nesta edição o megainvestidor quase perde o posto de maior bilionário brasileiro – ocupado por ele desde 2013, quando desbancou Eike Batista. Em 2019, o homem por trás do sucesso da Ambev passou oito meses atrás do banqueiro Joseph Safra em função de uma aposta não muito certeira no setor de alimentação. Por meio da 3G Capital, fundo de investimentos que opera junto dos bilionários Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, Lemann tentou formar um império alimentício com a fusão das gigantes norte-americanas Kraft Heinz, controlada pelo grupo com a Berkshire Hathaway, empresa de investimentos de Warren Buffett. O negócio não deu certo. Desde então, as ações da companhia despencam. Em abril, o conglomerado chegou a trocar de CEO, mas a crise não perdeu força. Fazendo coro às declarações de Buffett, o próprio Lemann admitiu que o negócio não saiu como ele gostaria. Ainda assim, o bilionário carioca tem investimentos em algumas das maiores empresas do planeta, como o conglomerado cervejeiro AB-InBev e o Burger King, o que garante sua estabilidade. No Brasil, está por trás da expansão da rede de padarias Benjamim.

2 JOSEPH SAFRA

R$ 95,04 bilhões

Idade 81 anos | Nascimento Líbano (naturalizado brasileiro) |

Origem do patrimônio Setor bancário

Pela primeira vez e por um período relativamente curto, o banqueiro mais rico do planeta tomou a ponta do ranking dos bilionários brasileiros. Durante oito meses deste ano, Safra ultrapassou Lemann graças à solidez do seu império bancário comparado à instabilidade dos investimentos de capital aberto.

3 MARCEL HERRMANN TELLES

R$ 43,99 bilhões

Idade 69 anos | Nascimento RJ |

Origem do patrimônio Bebidas/investimentos

Sócio de Jorge Paulo Lemann na 3G Capital e em outros empreendimentos, Telles acompanhou as quedas de patrimônio e de posição do megainvestidor na lista, alavancadas pelo fracasso da Kraft Heinz. Fundador da Ambev, o ex-detentor

da Brahma tem se envolvido cada vez menos no dia a dia das empresas em que tem participação. Depois de já ter deixado o conselho de administração do grupo cervejeiro em 2018, saiu do board do conglomerado de comidas em abril deste ano.

4 EDUARDO SAVERIN

R$ 43,16 bilhões

Idade 37 anos | Nascimento SP |

Origem do patrimônio Internet

Em meio aos altos e baixos que o Facebook tem apresentado a seus acionistas devido a sucessivos escândalos relacionados à privacidade dos usuários (o último deles em dezembro de 2018), Saverin apresentou uma leve queda de patrimônio se comparado ao último ano. Já faz tempo, no entanto, que a rede social mais popular do mundo não é a única fonte de renda de um de seus cofundadores. Residente em Singapura desde 2012, ele mantém uma empresa de investimentos mais focada em startups, com atuação em vários segmentos. Seu raio de ação se concentra principalmente na Ásia e nos Estados Unidos.

5 CARLOS ALBERTO SICUPIRA E FAMÍLIA

R$ 37,35 bilhões

Idade 69 anos | Nascimento RJ |

Origem do patrimônio Bebidas/investimentos

Como os sócios da 3G Capital (Lemann e Telles), Sicupira foi impactado com a queda da Kraft Heinz: mais de R$ 7,8 bilhões a menos no patrimônio. Desde 2016, o investidor também é presidente do conselho de administração das Lojas Americanas, mesa que compartilha com a filha Cecília e Paulo Alberto Lemann, primogênito de seu sócio.

6 ANDRÉ ESTEVES

R$ 20,75 bilhões

Idade 50 anos | Nascimento RJ |

Origem do patrimônio Setor bancário

Esteves é o maior acionista individual do BTG Pactual, maior banco de investimentos independente da América Latina. Ele ocupou a presidência do banco até 2015, quando foi preso pela Operação Lava Jato e ficou afastado das operações da instituição até ser absolvido, em julho de 2017. Apesar de não ter voltado a integrar oficialmente a diretoria ou o conselho administrativo, permanece como grande acionista por meio da BTG Pactual Holding, controladora da financeira, com cerca de 68% dos ativos. Ele volta às principais posições da lista, depois de três anos, graças ao crescimento das ações do BTG, que aumentaram mais de três vezes. No dia 23 de agosto, foi um dos alvos de busca e apreensão na 64ª fase da Lava Jato.

7 LUIZ FRIAS

R$ 20,34 bilhões

Idade 56 anos | Nascimento SP |

Origem do patrimônio Pagamentos móveis/mídia

Frias é CEO e presidente do conselho de administração da empresa de pagamentos PagSeguro, principal fonte de sua fortuna. Com a recente elevação do preço-alvo das ações pelo banco norte-americano Morgan Stanley, os ativos da companhia estão no melhor momento desde o IPO, em janeiro de 2018, com aumento de mais de 40% em um ano. Apesar do sucesso no mercado financeiro, sua história é fortemente ligada à imprensa: desde 1962, a família Frias é dona do jornal Folha de S.Paulo, do qual hoje ele é presidente. Luiz também é o criador do portal UOL, um dos maiores da América Latina, lançado em 1996. O conglomerado envolve ainda o jornal Agora São Paulo, o instituto Datafolha, a editora Publifolha, o selo Três Estrelas e a Plural Editora e Gráfica.

8 JOESLEY BATISTA

R$ 14,78 bilhões

Idade 47 anos | Nascimento GO |

Origem do patrimônio Alimentos

9 WESLEY BATISTA

R$ 14,78 bilhões

Idade 49 anos | Nascimento GO |

Origem do patrimônio Alimentos

Filhos de José Batista Sobrinho, fundador da JBS, os irmãos integravam o conselho de administração da gigante de carnes até maio de 2017, quando renunciaram às posições depois de acertar acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Apesar de ter a imagem seriamente abalada durante as investigações, o controle da família sobre o grupo, hoje gerenciado pela J&F, conglomerado com participação em empresas de celulose, de higiene e até do setor financeiro, não acabou. O fundador se mantém como vice-presidente do conselho administrativo e seu neto, Wesley Mendonça Batista Filho, compõe a mesa. Nos negócios, os resultados não poderiam ser melhores: o lucro líquido da JBS cresceu 201% no ano fiscal terminado em março deste ano.

10 CANDIDO PINHEIRO KOREN DE LIMA

R$ 13,82 bilhões

Idade 73 anos | Nascimento CE |

Origem do patrimônio Saúde

Formado em medicina e especializado em oncologia, Lima fundou a prestadora de serviços de saúde Hapvida em 1979. Em abril de 2018, a companhia abriu capital na B3 com uma demanda seis vezes maior que o previsto. Mais de um ano depois, o valor cresceu cerca de 40%. Como maior acionista da empresa, viu seu patrimônio saltar R$ 6,2 bilhões. Ele também ocupa a presidência do conselho, apoiado pelos filhos Jorge e Candido Junior, também bilionários.

* Matéria originalmente publicada pela Revista Forbes

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