“O Brasil estava sendo enxovalhado”, diz Bolsonaro

 

Em um vídeo divulgado pelas redes sociais do Planalto, Jair Bolsonaro diz que a Assembleia Geral da ONU foi realizada no momento certo para que ele pudesse esclarecer algumas questões sobre o Brasil.

“Até veio numa época certa. O Brasil estava sendo enxovalhado por parte da mídia externa no tocante à questão ambiental e preservação da nossa Amazônia”, disse.

“Conseguimos, com um discurso bastante objetivo e verdadeiro, mostrar que essa não é a realidade.”

Bolsonaro disse ainda:

“O Brasil, pela primeira vez, no meu entender, colocou o seu ponto de vista como um país que tem [respeito] e merece ser respeitado.”

DO EL PAÍS

O grito de uma geração

Garota segura cartaz durante protesto em São Paulo, na última sexta, contra as mudanças climáticas.
Garota segura cartaz durante protesto em São Paulo, na última sexta, contra as mudanças climáticas.MIGUEL SCHINCARIOL (AFP)

“Nossa casa está em chamas. Eu quero que vocês entrem em pânico.” Quando Greta Thunberg diz frases como essas aos adultos, ela está anunciando a maior inflexão histórica já produzida por uma geração. Pela primeira vez na trajetória humana os filhotes estão cuidando do mundo que os espécimes adultos destruíram – e seguem destruindo. Esta é uma inversão no funcionamento não só da nossa, mas de qualquer espécie. A mudança responde a uma enormidade. A emergência climática é a maior ameaça já vivida pela humanidade em toda a sua história. Quando ouvimos o grito de Greta e dos milhões de jovens inspirados por ela, um grito que ressoa em diferentes línguas e geografias, é esta a ordem de grandeza do que testemunhamos. Escutar é imperativo.

Em poucos meses, Greta tornou-se uma das pessoas mais influentes do planeta. Tinha 15 anos quando deixou de comparecer às aulas e se sentou diante do parlamento sueco, em agosto de 2018: “Estou fazendo isso porque vocês, adultos, estão cagando para o meu futuro”. De que adianta ir à escola se não vai ter amanhã? A pergunta, que para muitos soava insolente, era justa. Mais do que justa, expressava uma lucidez que a sociedade não esperava de crianças e adolescentes. Logo, Greta não estava mais só.

O movimento Fridays for Future passou a levar toda semana dezenas de milhares de estudantes às ruas, numa greve escolar pelo clima. Em março de 2019, a primeira greve global levou 1,5 milhão de adolescentes às ruas do mundo. Em 20 de setembro, mais de quatro milhões deixaram as escolas para gritar pela emergência climática, em uma das maiores manifestações globais da história. Hoje há milhões de Gretas, da Amazônia a Austrália, da Sibéria a Nova York.

De repente, crianças e adolescentes perceberam que seu mundo era governado por adultos como Donald Trump (e Recep Erdogan, Viktor Orbán, Rodrigo Duterte…). Para piorar o cenário global, o Brasil, país que abriga 60% da Amazônia, floresta estratégica para a regulação do clima do planeta, passou a ser comandado pelo populista de extrema direita Jair Bolsonaro, um homem que defende que o aquecimento global é um “complô marxista”.

Se estes são os adultos na sala de comando do mundo em que você vive e vai viver, e se você é mentalmente saudável, basta uma inteligência média para entrar em pânico de imediato. Então você olha para dentro da sua casa, esta feita de paredes, e percebe que seus pais estão ocupados com urgências mais comezinhas, como pagar as contas do mês, ou tentando concluir se o celular mais avançado é da Apple ou da Samsung.

Crianças e adolescentes da Geração Greta perceberam o óbvio. A casa está queimando – a Amazônia em chamas no mês de agosto levou essa imagem à literalidade – e seus pais e governantes tocam a vida como se nada estivesse acontecendo. Ao contrário, no momento em que o planeta mais precisa de políticas públicas e de alianças globais pelo clima, os adultos se mostram estúpidos o suficiente para eleger representantes do nacionalismo mais abjeto, que negam o superaquecimento global em nome de interesses imediatos.

Ao constatar que os adultos abdicaram de ser adultos, adolescentes como Greta assumiram a tarefa de tomar conta do mundo. É isso que Greta afirmou na Cúpula do Clima na Polônia, em dezembro: “Como nossos líderes comportam-se como crianças, nós teremos que assumir a responsabilidade que eles deveriam ter assumido há muito tempo atrás”. Ao mesmo tempo, as jovens lideranças climáticas são espertas o suficiente para compreender que não basta voluntarismo, é preciso ocupar espaço político e travar o debate com os adultos que detêm o poder de fazer as políticas públicas. Esta também é outra novidade da geração climática: são crianças e são adolescentes, mas não são ingênuos.

A cada intervenção pública, Greta Thunberg tem demonstrado a lucidez que – por oportunismo, mais do que por incompetência – tem faltado no mundo dos adultos. Como ao afirmar à seleta plateia bilionária do Fórum Econômico de Davos, em janeiro: “Algumas pessoas, algumas empresas, alguns tomadores de decisão em particular, sabem exatamente que valores inestimáveis têm sacrificado para continuar a ganhar quantias inimagináveis de dinheiro. E eu acho que muitos de vocês aqui hoje pertencem a esse grupo de pessoas”.

É fascinante tentar compreender quais serão os efeitos dessa inversão radical no que é ser adulto e no que é ser uma criança. Não uma inversão evolutiva, que levou séculos ou milênios para ser consumada, mas um corte brutal. A geração imediatamente anterior a de Greta é justamente a geração mais consumista e mimada dos países ricos ou da parcela rica dos países pobres. Aqueles que hoje estão na faixa dos 30 e poucos anos, 40 anos são aqueles criados no imperativo do consumo e da satisfação imediata, muitos se recusam a se tornar adultos porque isso significa aceitar limites. Formados na lógica capitalista de que liberdade é poder tudo, que se dar todos os prazeres é seu direito básico, acreditam que o planeta cabe no seu umbigo.

E então adolescentes de tranças enfiam o dedo na sua cara e dizem: “Cresça!”. Estes adolescentes de cara redonda, alguns com espinhas, condenam o grande objeto de consumo do século 20, o carro, e também o avião. Eles pedalam e usam transporte público. Condenam a indústria dos combustíveis fósseis, e as corporações colocam seus lobistas a disseminar notícias falsas contra eles. Condenam o consumo de carne e não só a indústria, mas também a constelação de chefs estrelados se sente em risco. Dizem que é melhor não comprar roupas e outros objetos, mas sim trocar e reciclar, e colocam a indústria da moda em xeque. E fazem isso rápido, porque a velocidade também mudou.

A Geração Greta propõe ainda uma mudança radical na experiência do tempo. Por um lado, não há mais tempo. Segundo os cientistas, há pouco mais de uma década para tomar as medidas capazes de conter o superaquecimento global e manter o aumento da temperatura no limite de 1,5 graus Celsius. Se este limite for superado, maravilhas como os corais desaparecerão do planeta e milhões serão condenados à miséria e à fome – para além do contingente que já sofre privações extremas.

O que está em jogo hoje é se a Terra será muito em breve um planeta ruim ou francamente hostil para a espécie humana. Os jovens ativistas climáticos sabem que há enorme diferença entre o ruim e o hostil. Mas, como convencer os adultos e os tomadores de decisão, se eles parecem vivem como se não houvesse amanhã e, por assim viverem, talvez não exista mesmo amanhã? Como convencer aqueles que esgotam os recursos em nome do gozo imediato que o amanhã está logo ali e será ruim para todos, ainda que muito pior para os que menos contribuíram para o esgotamento do planeta?

A Geração Greta propõe responder à emergência climática com uma vivência diferente do tempo e do espaço. “Fiquem no chão”, é o que dizem aos adultos, ao afirmarem que o uso dos aviões deve ser restrito a urgências reais. Para dar o exemplo, Greta viajou num barco à vela da Europa aos Estados Unidos, para participar da Cúpula da ONU. Outras lideranças europeias da juventude climática, como as belgas Anuna de Wever e Adélaïde Charlier, acompanhadas por duas dezenas de jovens ativistas, iniciarão no início de outubro uma travessia que durará semanas, velejando rumo ao Chile, para participar da Cúpula do Clima.

A imagem é forte. Em vez de colonizar a América Latina com essa versão contemporânea das caravelas, as adolescentes defendem com seu gesto a descolonização da Europa (e dos Estados Unidos) e das mentes que vivem para consumir também o tempo. Entre um país e outro, já não pode mais ser um pulo. Há que se viver a jornada e compreender a distância com o corpo. Há que se produzir localmente e consumir localmente. Sem venenos nem transgênicos. O supérfluo não é mais o necessário, como a publicidade infiltrou nas mentes nas últimas décadas. Não é uma escolha, apontam. O tempo das escolhas entre o bom e o melhor acabou. É isso ou a catástrofe será ainda maior.

Basta que cada um olhe para sua própria rotina, neste exato momento, para compreender o tamanho da ferida narcísica que a Geração Greta está abrindo no corpo de seus pais e irmão mais velhos. A reação truculenta, que se verifica tanto à extrema direita como à extrema esquerda contra as ativistas adolescentes, com um número crescente de ataques e de disseminação de Fake News, era previsível. O grito desta geração atinge os interesses de poderosas corporações transnacionais e demanda mudanças de hábitos a pessoas que sempre se consideraram em dia com a pauta ambiental, achando que bastava reciclar seu lixo para ser uma “pessoa do bem”.

Adultos costumam dizer às garotas do clima: “Vocês me dão esperança”. E Greta e outras líderes respondem: “Não quero sua esperança. Eu não tenho esperança. Quero seu pânico, quero que você sinta o medo que eu sinto todos os dias”. Não é força de expressão. Bem informadas, elas sabem que, com os governantes que aí estão, a contagem regressiva está contra a humanidade e contra todas as espécies que o modo de vida capitalista arrasta em sua lógica de consumo. É provável que o planeta aqueça a 3, 4 e até 5 graus.

A não ser que a população global faça um levante. O que também testemunhamos é a mais vital adaptação humana à emergência climática: uma geração que prescinde da esperança exatamente para ser capaz de romper a paralisia e lutar. Abrir mão da esperança, mas não da alegria de lutar junt@s, é a potência da Geração Greta.

A novíssima geração de ativistas do clima reflete o momento histórico e antecipa o futuro. Há meninos, claro. Mas basta olhar para os movimentos para perceber que as principais líderes são mulheres. Ainda que o rosto de boneca de souvenir de Greta seja a face desta geração, em cada país há líderes com discurso inspirador e atuação forte. Além do protagonismo feminino, cada uma destas mulheres carrega para a luta particularidades importantes. Greta anuncia sua condição de Asperger. Não como uma doença, bem entendido. Mas como uma diferença, um “superpoder” cujo foco e capacidade de concentração têm sido determinantes para a luta climática. A belga Anuna de Wever declara-se “fluida de gênero”. E defende que essa condição lhe permite buscar outras maneiras de ser e de estar este mundo, sem agarrar-se aos dogmas impostos por aquilo que se costuma chamar de “normalidade”. Essas líderes levam à luta pelo planeta a possibilidade de enxergar as diferenças como uma força, um ativo positivo diante dos desafios da emergência climática.

Neste mundo de muros, arames farpados e fronteiras armadas, a insubordinação maior da mensagem desta geração é o apelo para que sejamos capazes de fazer uma comunidade global e lutarmos pela nossa casa comum. É a sua recusa de se dobrar à ordem de Trump, Bolsonaro e outros déspotas eleitos. O melhor que podemos fazer, nós, adultos imperfeitos e aquém dos desafios deste momento histórico, é nos colocarmos radicalmente ao seu lado.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum/ Facebook: @brumelianebrum

“Vete de mim”, Bola de Nieve: O grande músico, mestre do piano, e saudoso nome maior da canção cubana, aqui em fabulosa interpretação de um dos maiores sucessos do bolero e de sua carreira, gravado no álbum  “Incomparable”. Preciosidade!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Por G1 BA

Fortaleza de Morro de São Paulo — Foto: Márcio Filho/MTUR Fortaleza de Morro de São Paulo — Foto: Márcio Filho/MTUR

Fortaleza de Morro de São Paulo — Foto: Márcio Filho/MTUR

O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) assumiu a administração da Fortaleza do Morro de São Paulo, no município de Cairu, na Bahia, nesta segunda-feira (23).

O perímetro, que era de responsabilidade da Secretaria de Turismo do Estadual, foi construído no século XVII e recentemente passou por revitalização.

A passagem da administração do espaço ocorreu durante solenidade, onde também foi concedido tombamento provisório à Fortaleza e ao entorno, constituído pela Praça Aureliano Lima, a Igreja de Nossa Senhora da Luz, o Portaló e o Farol.

Participaram da cerimônia autoridades municipais e estaduais, incluindo o prefeito Fernando Brito, o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, e o diretor do IPAC, João Carlos de Oliveira.

 

IPAC assume preservação da Fortaleza do Morro de São Paulo, na Bahia — Foto: Tatiana Azeviche/SeturBa IPAC assume preservação da Fortaleza do Morro de São Paulo, na Bahia — Foto: Tatiana Azeviche/SeturBa

IPAC assume preservação da Fortaleza do Morro de São Paulo, na Bahia — Foto: Tatiana Azeviche/SeturBa

Fortaleza

A Fortaleza do Morro de São Paulo foi construída para evitar aproximação de embarcações inimigas durante o período do Brasil Colônia. Em janeiro de 2018, o patrimônio foi reaberto para visitação após requalificação onde que foram investidos R$ 14,4 milhões com o objetivo de impulsionar o destino turístico da região.

A intervenção foi realizada sob a responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul (Ides), com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Governo do Estado da Bahia, além do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e de empresários locais.

set
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Posted on 24-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-09-2019

“Votaremos na quarta a reforma e a indicação do Aras”

A senadora Simone Tebet (MDB), presidente da CCJ, disse a O Antagonista que está mantida para amanhã, no colegiado, a votação do parecer de Tasso Jereissati sobre a reforma da Previdência.avisou Alcolumbre, como noticiamos há pouco, adiou a votação em plenário para quarta-feira.

e afirmou que a mudança não vai atrapalhar o ritmo da Casa nesta semana.

“Votaremos na quarta-feira, em plenário, a reforma e a indicação do Augusto Aras.”

Do Jornal do Brasil

 

A Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) aprovou nesta segunda-feira (23) a convocação do desembargador de Pernambuco Leopoldo de Arruda Raposo para compor a Quinta Turma e a Terceira Seção.

Macaque in the trees
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert Filho/Instituto Lula)

Ele vai assumir a relatoria dos casos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corte. Há uma série de pedidos da defesa de Lula pendentes de análise no STJ.

Raposo irá substituir temporariamente o ministro Felix Fischer, que está licenciado desde agostos por problemas de saúde. 

Felix é o relator da Operação Lava Jato na Quinta Turma. Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo então juiz Sergio Moro no caso do tríplex de Guarujá (SP). O petista está preso desde abril do ano passado em Curitiba.

Em março deste ano, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena do ex-presidente para 8 anos, 10 meses e 20 dias. Antes, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) havia condenado o petista a 12 anos e 1 mês.

Com a chegada de Raposo, a turma poderá dar continuidade sobre a possibilidade de mudança no regime do ex-presidente, que poderia ir para o semiaberto ou para o aberto.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) já deu parecer afirmando que o petista cumpriu os requisitos para progredir para o semiaberto. Contudo, conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo, Lula reluta em pedir a progressão -ele afirma que só quer sair da cadeia após eventual absolvição ou anulação da sentença que o condenou no caso do tríplex.

A defesa de Lula pediu que as ações que tramitam na corte envolvendo Lula sejam suspensas até que o STF (Supremo Tribunal Federal) decida sobre pedidos de suspeição sobre o ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL). O julgamento deve acontecer ainda neste ano.

Raposo já atuou no STJ como desembargador convocado em 2015, na mesma turma. Ele integra o TJ-PE (Tribunal de Justiça de Pernambuco). A Quinta Turma é composta por cinco ministros.

Raposo é formado em direito pela Universidade Católica de Pernambuco. Entrou na magistratura em 1981 e passou a desembargador em 2003.

Do Jornal do Brasil

 

Aí já é demais! Dramaturgo “oficial” bolsonarista ataca Fernanda Montenegro

O dramaturgo e diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Roberto Alvim, usou as redes sociais nesta segunda (23) para criticar Fernanda Montenegro, na esteira da publicação de uma série de reportagens sobre a atriz em razão do lançamento de sua autobiografia, “Prólogo, Ato, Epílogo”.
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A grande atriz Fernanda Montenegro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Assumidamente defensor de Jair Bolsonaro, Alvim disse sentir “desprezo” por Fernanda e ainda a acusou de “mentirosa”. As críticas foram motivadas pela recente capa da revista Quatro Cinco Um, que colocou a atriz vestida de bruxa em uma fogueira de livros.

“A ‘intocável’ Fernanda Montenegro faz uma foto pra capa de uma revista esquerdista vestida de bruxa”, escreve Alvim. “Na entrevista, vilipendia a religião da maioria do povo, através de falas carregadas de preconceito e ignorância. Essa foto é ecoada por quase toda a classe artística como sendo um retrato fiel de nosso tempo, em postagens que difamam violentamente o nosso presidente.”

Em seguida, o dramaturgo ataca a autora feminista Simone de Beauvoir, personagem representada por Fernanda na peça “Viver Sem Tempos Mortos”, e a chama de “sórdida”.

“Então acuso Fernanda de mentirosa, além de expor meu desprezo por ela, oriundo de sua deliberada distorção abjeta dos fatos”, diz. “Fernanda mente escandalosamente, deturpa a realidade de modo grotesco, ataca o presidente e seus eleitores de modo brutal, e eu sou grosseiro e desrespeitoso, apenas por ter revidado a agressão falaciosa perpetrada por ela?”

Em outra publicação, Alvim faz críticas direcionadas ao monólogo sobre Beauvoir. “Eu assisti à peça, infelizmente: uma nulidade estética completa, na qual Fernanda falava monocordicamente por mais de uma hora acerca das sórdidas aventuras sexuais de Beauvoir, e ‘heroizava’ sua mentalidade revolucionária. Não se tirava, daquele monólogo, nada que preste.”

Ele ainda tachou as falas de Fernanda de infantis, mentirosas e canalhas. “Já nutri alguma admiração por ela. Hoje, só o que sinto por essa mulher é o mais absoluto desprezo. Triste fim de carreira”, finaliza.

Diante das críticas, a Associação dos Produtores de Teatro (APTR) emitiu posicionamento em que repudia as declarações do dramaturgo.

“A APTR repudia veementemente as declarações do diretor de Artes Cênicas da Funarte, sr. Roberto Alvim, em suas redes sociais, onde classifica o não diálogo com a classe artística como uma ‘guerra irrevogável’. Com a mesma intensidade, repudiamos a classificação da fala de dona Fernanda Montenegro como infantil, mentirosa e canalha. É absolutamente inadmissível que uma atriz com a sua trajetória seja atacada em seu livre exercício de expressão”, diz a nota.

“Como cidadão, o Sr. Roberto Alvim pode expressar opinião, independentemente do campo social, cultural e ideológico. Já como gestor público de relevância nacional -ou seja, representando o país como um todo- o mesmo deveria atentar-se à natureza do seu cargo, pautando-se pelo respeito à classe que representa e aos profissionais consagrados por sua atuação. Cuidar da cultura como um importante setor para a economia e a formação de um país trata-se de um exercício diário, ético e respeitoso. O mesmo se aplica ao cuidado que deveria ser adotado ao se referir a uma atriz como Fernanda Montenegro, um símbolo da identidade nacional, com reconhecimento em todo o mundo.”

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24
Posted on 24-09-2019
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Ribs, no

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nos EUA, a indústria do prolongamento da vida se choca contra barreiras éticas e as autoridades de saúde

'A fonte da eterna juventude', pintura de Lucas Cranach, o Velho.
‘A fonte da eterna juventude’, pintura de Lucas Cranach, o Velho. Album
Para David Sinclair, professor de Biologia em Harvard, a causa da maioria das doenças é a velhice: 25% da maneira como envelhecemos é ligado a questões genéticas, mas 75% é relacionado a onde e como vivemos. Explica a teoria em seu livro Lifespan: Why We Age And Why We Don’t Have To (Expectativa de vida: por que envelhecemos e por que não precisaríamos envelhecer), editado recentemente nos Estados Unidos e no qual recomenda não se exceder nas refeições como questão fundamental a uma maior sobrevivência.

Sinclair lembra que é um cientista, não um médico que dá conselhos médicos, mas tanto no livro como em seu blog mostra dados, como que a metformina é um comprimido difícil de se adquirir em muitos países, mas disponível sem prescrição em outros (como na Tailândia), e que, ainda que seja indicada para diabetes, em estudos realizados ao longo de nove anos reduziu as doenças cardiovasculares em 19%, a depressão em 16% e a demência e o câncer em 4%, atrasando problemas associados à velhice. Ainda não se descobriu nenhuma pílula mágica: todas trazem perigosos efeitos secundários e algumas pesquisas ainda não foram testadas em humanos, mas o interessante e ao mesmo tempo preocupante é que se transformou em um comprimido popular entre os executivos do Vale do Silício.Bilionários como o criador da Oracle, Larry Ellison (que já tem 73 anos) estão investindo obsessivamente em pesquisas para prolongar a vida e, o que dá na mesma, atrasar o envelhecimento. Em 1993 foi criada a Academia Americana de Medicina Antienvelhecimento, que, sem ser reconhecida pela Associação Médica Americana, já concedeu 26.000 certificados de especialização em 110 países.

Um dos ramos mais promissores é o que estuda os senolíticos, fármacos que tentam eliminar as células senescentes, tão resistentes e de crescimento tão anárquico com as cancerígenas. Na espera de resultados esperançosos para os humanos, a indústria antienvelhecimento está no auge, liderada por complementos como o resveratrol, niacina e cúrcuma.

Viver eternamente é um anseio de antigamente, bem inserido na cultura popular, quando se comentava que beber e injetar o sangue de virgens tornava a vida mais longeva. A startup norte-americana Ambrosia Medical realizava transfusões de sangue procedente de jovens afirmando que reverteria a idade de quem as recebesse. Ainda que não existisse nenhuma prova que comprovasse os resultados, os pacientes pagavam 7.500 dólares (31.000 reais) por um litro de sangue de doadores de 16 a 25 anos, arriscando-se a sofrer infecções, alergias e complicações respiratórias e cardiovasculares. Em fevereiro encerraram o negócio.

Um pequeno estudo da Universidade Stanford em 2017 demonstrou que as transfusões de plasma de doadores jovens melhoram o Alzheimer. A pesquisa deve ser feita em maior escala para a obtenção de resultados determinantes, mas os limites éticos são ultrapassados em favor do negócio: o Maharaj Institute na Flórida oferece testes clínicos de transfusões de plasma de doadores jovens ao elevado custo de 251.000 euros (1,15 milhão de reais) aproveitando-se dos que procuram uma cura desesperadamente. A pergunta é: devemos nos preocupar em viver para sempre ou em viver nas melhores condições possíveis?

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