Coisas da Política

 O que se diz na ONU e o que ocorre no Brasil

GILBERTO MENEZES CÔRTES

Há 72 anos, desde que Oswaldo Aranha tomou a dianteira e fez o discurso inaugural da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, sucessora, em 1945, da fracassada Liga das Nações, criada após a carnificina da 1ª Guerra Mundial e que não impediu a 2ª Guerra, o Brasil tem a primazia de fazer o primeiro discurso de cada Assembleia Geral.

É a oportunidade de o Brasil, um dos 51 signatários da fundação da ONU (hoje com 193 países membros), a 5ª nação mais populosa, dona do 5º maior território (que inclui a Amazônia) e a 9ª economia mundial, dar às demais nações o seu recado em relação aos principais temas que ameaçam a convivência entre as nações no Planeta, a questão climática e os princípios estabelecidos pela ONU, a começar pelo respeito à democracia e à Carta Universal dos Direitos Humanos, que completou 70 anos no ano passado.

Ao escrever neste sábado em O Globo, sobre os discursos brasileiros na ONU, o experiente embaixador Marcos Azambuja, que foi secretário-geral do Itamaraty no governo Collor e ajudou a organização a Rio-92, a Conferência do Clima da ONU que reuniu no Rio de Janeiro uma centena de chefes de Estado há 24 anos, disse: “às vezes, ao longo dos anos, temos cometido erros de julgamento e avaliação sobre como víamos o mundo daquele momento e não seriam poucos os parágrafos de discursos nossos anteriores que seria hoje caridoso procurar esquecer”.

Alguns presidentes, como José Sarney, que era vice de Tancredo Neves, discursaram para reforçar a vaidade pessoal. Durante seu longo mandato (1985-89) o Brasil chegou a correr o risco de ser representado pelo então presidente da Câmara, Sebastião Paes de Andrade, o estadista de Mombaça (CE), que assumiu a presidência em algumas interinidades.

Outros aproveitaram a exposição na mídia mundial do palanque da ONU, em Nova Iorque, para mandar duplos recados: para o concerto internacional das nações e o público interno. O ex-presidente Lula, uma novidade em 2003, falou da inclusão social e do Fome Zero. Mas todos, sem exceção, seguiram basicamente a cartilha do Ministério das Relações Exteriores de abordar sempre como o Brasil interpreta questões cruciais do mundo ou cumpre os preceitos e metas dos diversos programas da ONU e suas múltiplas agências (OIT, OMS, Unicef, Unesco e FAO etc).

Em um dos seus últimos discursos na ONU, em setembro de 2014, a ex-presidente Dilma Roussef usou a tribuna de Nova Iorque como palanque na campanha à reeleição, contra Aécio Neves (em outubro). Em passagem anterior, Dilma se dispôs a ensinar a estadistas europeus, como Ângela Merkel, da Alemanha, dos Estados Unidos, da Ásia e da África a tirar seus países da crise econômica deflagrada pela crise financeira mundial de agosto-setembro de 2008 nos EUA.

Disse então Dilma, que há três anos (desde seu primeiro discurso na Assembleia, em 2011) “soubemos dar respostas à grande crise econômica mundial”. E listou que o país tinha tirado 40 milhões de pessoas da pobreza, mantido a inflação sob controle, com equilíbrio fiscal e o desemprego baixo (de fato, em agosto de 2014, havia 6,5 milhões de desempregados).

Mas Dilma escondia a crise econômica embaixo do tapete com as pedaladas fiscais e mágicas da Nova Matriz Econômica, que quis espargir pelo mundo como poção mágica. No mês seguinte à reeleição, soltou câmbio, juros e preços críticos represados desde 2013 e a inflação explodiu em 2015: saltou de 6,4% para 10,7%, com os preços administrados subindo 18,8%, sendo a alta da energia elétrica de 45%, reduzida artificialmente dois anos antes. O PIB encolheu 3,6% em 2016 e 3,3% em 2016, quando sofreu o impeachment. O total de desempregados dobrou até 2016 e mais da metade dos que teriam deixado a linha de pobreza voltou a cair na indigência ou no subemprego.

Hoje, há mais de 13 milhões de desempregados e 44 milhões de pessoas com subutilização de sua capacidade de trabalho. E a Alemanha de Merkel, vai bem, obrigado.

Recordar é viver e serve para cobrarmos, mais adiante, o que Bolsonaro disser fora do arcabouço preparado pelos diplomatas do Itamaraty, muitos dos quais foram deixados de lado por suspeita de esquerdismos. O presidente Jair Bolsonaro já disse claramente que vai falar em outros termos, além do figurino diplomático tradicional, que fez a escola da diplomacia da paz e da mediação de conflitos inaugurada pelo Barão do Rio Branco, destacando a ênfase no patriotismo e na soberania dos brasileiros.

Entre os argumentos que o presidente pretende usar para rebater as críticas ao duplo recrudescimento dos casos de desmatamento e queimadas na Amazônia estão o de que “as queimadas na Amazônia estão abaixo da média dos últimos 15 anos” e o de que “há uma tentativa internacional de desgastar a imagem do Brasil”, para “prejudicar o setor agrícola nacional, um dos mais competitivos do mundo”.

De fato, o Brasil é competitivo na agricultura, cuja produção de grãos e carnes, além de café, açúcar, suco de laranja e frutas, além de papel e celulose, não é proveniente da região Amazônica, como mostrou recentemente o respeitado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso incomoda a França, que foi desalojada pelo Brasil no mercado mundial de carne de frango, por exemplo, trocando de posição com o Brasil. Há mais de uma década os EUA eram os maiores exportadores, a França era o 2º e o Brasil o 3º. Há mais de seis anos, o Brasil virou líder e a França ficou em 3º lugar. Como o frango nada mais é do que a conversão de soja e milho em carne 40 dias após a engorda dos pintinhos, vale criar a suspeita de crime ambiental para a soja. Facilmente desmentida se a credibilidade os órgãos oficiais não tivesse sido arranhada.

A questão é que, tal qual Hernan Cortéz, que chegou às Américas e queimou os barcos para o não retorno, o presidente da República foi o primeiro a contestar e a desautorizar publicamente as estatísticas do INPE e do IBGE, quando não batiam com a sua visão. O Brasil quer estar à altura de seu papel histórico na ONU e no mundo. E espera que Jair Messias Bolsonaro, recém operado, se comporte como presidente da República Federativa do Brasil e brigue menos com o mundo e os fatos.

“Primavera Outono”, Elizeth Cardoso: Bela composição de Sérgio Carvalho e Sílvio César, em insuperável interpretação da divina Elizeth Cardoso, gravada no histórico LP “Inverno do Meu Tempo”, gravado em 1979. A canção vai dedicada a Socorro Melo M. Fonseca, amiga da primeira hora deste Bahia em Pauta e do querer bem deste editor , que fez aniversário neste domingo, 22 de setembro, na véspera da chegada da Primavera que hoje começa no Hemisfério Sul. Parabéns, saúde  e felicidades!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

PRIMAVERA/OUTONO
(Sérgio Carvalho e Sílvio César)

A primavera vestiu-se de outono
Mas em nosso coração
Sempre é verão
Quando o inverno chegar em nós
Já não estaremos sós
A tua e a minha voz
Juntas vão cantar
A primavera que já está voltando
E anunciando que o verão vem pra ficar
Você é primavera
E eu sou este outono
Que vive à sua espera
Verão após verão
Você é a primavera…..

set
23
Posted on 23-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-09-2019

Jornal do Brasil

 

A primavera tem início nesta segunda-feira (23), em todo o hemisfério sul. Neste ano, a temporada de transição entre o inverno seco e o verão úmido no país será de calor acima da média e chuvas intensas, ainda que de maneira irregular e em menor volume do que em 2018.

Macaque in the trees
A estação das flores no Brasil é marcada por um período quente e com chuvas (Foto: Fapesp/Direitos Reservados)

Associada ao florescer, a estação no Brasil é marcada por um período quente e com chuvas, próximo ao que é vivenciado no verão, em vez do calor ameno que caracteriza a primavera nos países frios.

Com o término do período de influência do fenômeno El Niño, que eleva a temperatura do oceano Pacífico equatorial e por consequência afeta o clima global, o início do período úmido deve ser de neutralidade climática.

Isso não significa, porém, que as chuvas no período vão ocorrer de forma regular e dentro da média. “Pode ocorrer chuva de moderada a intensa em um bairro e em outro não ter chuva”, afirmou a meteorologista Graziela Gonçalves na última quinta-feira (19), em live sobre a estação promovida pela Climatempo.

Nas últimas décadas, a estação teve como padrão a formação de um canal de umidade entre a região amazônica e o litoral do Sudeste, espalhando chuvas sobre o país. Isso não deve ocorrer neste ano, devido ao oceano Atlântico estar com temperaturas mais frias para a época.

“Há uma ressurgência de água mais fria no oceano Atlântico”, disse Gonçalves. Isso significa que as baixas temperaturas no mar impedirão o avanço de frentes frias, o que contribui para dias com temperaturas mais elevadas. 

As frentes frias ocorrerão, mas serão de curta duração. “Logo vão se afastar, porque não há conexão com a umidade da Amazônia”, explicou a meteorologista. A que atingiu São Paulo no final de semana é atípica neste cenário e deve se estender pelos próximos dias. No Sudeste, a primavera dá as caras mesmo a partir do próximo final de semana.

Conforme a avaliação de Gonçalves, tanto outubro quanto novembro serão meses quentes, com temperatura acima da média na maior parte do país e chuvas mal distribuídas, com períodos maiores de abertura de sol.

O volume pluviométrico deve ser abaixo da média. “As chuvas serão mais desorganizadas, mas isso não nos safa do risco de temporais intensos”, afirma Gonçalves.

A partir de dezembro, os dias ficam ainda mais quentes e as chuvas mais fortes -é o verão chegando.

O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências, da Prefeitura de São Paulo) estimou 357,5mm de chuva nos próximos três meses, próximo da normalidade para o período. Segundo o órgão, o final da estação pode ser mais chuvoso do que o normal para a faixa litorânea e sul do estado.

Com a ocorrência do equinócio -quando a luz solar incide de igual maneira sobre os dois hemisférios, e tanto a noite quanto o dia têm duração de 12 horas-, a primavera inicia oficialmente às 4h50 desta segunda. A estação se encerra no dia 22 de dezembro.

set
23

Em Brasília, padre é morto em igreja a 800 metros de delegacia

 

Na noite de ontem, bandidos invadiram o terreno de uma igreja católica na Asa Norte, em Brasília, e fizeram reféns o padre e o caseiro que cuidava de uma obra no local.

O padre polônes Kazimierz Wojno, de 71 anos, foi encontrado morto por policiais, com pés e mãos amarrados e um arame farpado em volta do pescoço.

A polícia acredita que ele tenha sido estrangulado, após os bandidos terem revirado a casa paroquial. O caseiro também foi agredido e está internado.

Padre Casemiro, assim chamado pelos fiéis, era o pároco da igreja localizada na área central de Brasília e a 800 metros de uma delegacia.

Ninguém foi preso até agora.

set
23
Posted on 23-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-09-2019

Do Jornal do Brasil

 

Pela primeira vez, a Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) deu seu pontapé inicial com a voz dos jovens ativistas que têm impulsionado a luta contra o aquecimento global. O evento começou neste sábado (21) em Nova York e segue até segunda-feira (23), quando se encerra com a participação de líderes mundiais.
Macaque in the trees
Jovens ativistas na sede da ONU discutindo o clima (Foto: Reuters / Carlo Allegri)

No debate de abertura da cúpula, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que os jovens são hoje “essenciais” na corrida contra o aquecimento global, uma corrida “que ainda estamos perdendo”, afirmou. “É a geração de vocês que deve nos responsabilizar e garantir que não traiamos o futuro da humanidade”, acrescentou ele.

Mais de 500 jovens líderes de movimentos contra o aquecimento global, provenientes de 140 países, foram selecionados pela ONU para participar da cúpula. Entre eles a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que se destacou em protestos na Europa e velejou do Reino Unido até Nova York para participar do encontro.

“Ontem, milhões de pessoas em todo mundo marcharam para exigir atitudes verdadeiras pelo clima. Nós mostramos que estamos unidos e que nós, jovens, somos ‘imparáveis’”, disse Greta na abertura da cúpula, referindo-se aos protestos contra as mudanças climáticas realizados na sexta-feira (20) em mais de 150 países, incluindo no Brasil.

A Cúpula do Clima tem a participação também de jovens inovadores, empreendedores e de integrantes grandes empresas, que discutem maneiras de reduzir o ritmo das mudanças climáticas.

O encontro se encerra na segunda-feira (13) com a participação de ao menos 60 líderes mundiais. Guterres disse esperar que ao fim do encontro seja feito o anúncio de ações concretas contra o aumento das temperaturas. O Brasil decidiu não participar da Cúpula do Clima de Jovens. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também não comparecerá. (Agência Brasil)

set
23
Posted on 23-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-09-2019



Sponholz, no

set
23
Posted on 23-09-2019
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DO EL PAÍS

 Michelle Bachelet.
Michelle Bachelet. Martial Trezzini (AP)

Michelle Bachelet, ex-presidente chilena e atual alta comissária da ONU para os direitos humanos, disse que sente “pena pelo Brasil”, referindo-se à recente polêmica com o presidente Jair Bolsonaro, que elogiou o ditador Augusto Pinochet e comemorou a morte de seu pai, um general assassinado pela ditadura.

“Se alguém diz que em seu país nunca houve ditadura, que não houve tortura, bem, que a morte de meu pai por tortura permitiu que o Chile não fosse outra Cuba, a verdade é que me dá pena pelo Brasil”, disse Bachelet em entrevista à Televisão Nacional do Chile (TVN).

No início de setembro, Bachelet fez um balanço de sua gestão como alta comissária de direitos humanos, cargo que ocupa há um ano, no qual denunciou a redução de espaços democráticos e “um acentuado aumento da violência policial” no Brasil.

Essas declarações não agradaram Bolsonaro, que ofendeu Bachelet destacando a figura de Pinochet e referindo-se o seu pai, Alberto Bachelet, um general da aeronáutica leal ao presidente Salvador Allende, que foi torturado e morreu logo após o golpe de 1973. “Se não fosse o pessoal de (Augusto) Pinochet, que derrotou a esquerda em 1973, incluindo seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba”, disse Bolsonaro.

Na entrevista, que será transmitida pela TVN neste domingo a noite, e a qual o jornal La Tercera conseguiu adiantar alguns trechos, Bachelet enfatizou que a redução do espaço democrático não ocorreu apenas no Brasil, mas é algo que “está em muitas partes do mundo”.

Sobre seu papel na crise venezuelana, Bachelet disse que muitos a viam como uma espécie de “Virgem Maria” e acreditavam que, com sua visita ao país, um “milagre” acabaria com a crise política, econômica, social e humanitária, algo que está fora de suas funções na ONU.

“Sou uma alta comissária e quero manter meu relacionamento com o Estado venezuelano para continuar trabalhando e ajudá-los a resolver a situação crítica dos direitos humanos… porque há muitas pessoas que estão lá, que não saíram e que não estão em uma situação boa”, disse ela.

Em relação a essa questão, ela também respondeu ao cantor espanhol Miguel Bosé, que pediu que ela “movesse suas nádegas” para visitar a Venezuela. “Eu sei que ele não passou bem os últimos tempos, que teve algumas dificuldades pessoais, mas a verdade é que ele me surpreendeu muito, porque novamente, mais tarde, me escreveu pedindo desculpas (…), mas insistindo no mesmo”, disse a ex-presidente chilena, que governou o país em dois períodos: em 2006-2010 e 2014-2018

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