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DO EL PAÍS

Talvez o juiz Bretas, que é um grande leitor da Bíblia, tenha visto que no Antigo Testamento os juízes não se diferenciavam dos governantes

Juiz Federal da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, fala durante Simpósio de Combate à Corrupção, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
Juiz Federal da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, fala durante Simpósio de Combate à Corrupção, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Tomaz Silva (Agência Brasil)

O Presidente Jair Bolsonaro é famoso por usar a paixão como imagem para as mais variadas circunstâncias. Já disse publicamente que havia começado a se apaixonar pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, apesar de ter vários atritos com ele. Disse a mesma coisa sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E não precisa confessar sua paixão pelo presidente do Supremo, Dias Toffoli. Entre eles são só elogios recíprocos.

Que ele se apaixonou, antes ainda de ser eleito Presidente, pelo juiz e principal nome da Lava Jato, Sérgio Moro, ficou claro quando o chamou para oferecer-lhe o importante Ministério da Justiça. Agora, na verdade, parece que esses amores estão em crise.

Em compensação, Bolsonaro abriu um novo caminho de paixão com o outro juiz mais famoso depois de Moro, Marcelo Bretas, juiz da Lava Jato do Rio, com fama de ser tão ou mais duro em suas condenações do que Moro. E com uma particularidade: confessou que, como evangélico devoto, sua grande conselheira é a Bíblia, que ocupa um lugar especial em sua mesa de trabalho. O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, que chegou a ser imaginado por Lula como candidato à Presidência da República, foi condenado por Bretas a 216 anos de prisão.

O primeiro vestígio de um início de paixão do presidente com o temido juiz Bretas apareceu na segunda-feira passada, quando o juiz descobriu que Jair Bolsonaro havia entrado em sua conta do Twitter. E não faltaram palavras ao rígido juiz da Lava Jato do Rio para mostrar em publico sua surpresa e seu agradecimento. Escreveu: “honrado por ter entre os seguidores dessa conta do Twitter o presidente da República do Brasil. Gratidão!”.

É possível, entretanto, que essa paixão tenha sido recíproca por interesse. O juiz savonarola do Rio não excluiu que, como seu amigo o ex-juiz Moro, poderia deixar a jurisprudência para tentar a sorte na política. E, principalmente, não descartou que gostaria de ocupar uma cadeira no Supremo.

Os dois sonhos de Bretas estão hoje nas mãos de Bolsonaro. O Presidente nesse primeiro mandato terá que mudar, de fato, dois ministros do Supremo, e já disse que gostaria de alguém “terrivelmente evangélico”. Quem mais evangélico do que Bretas que não esconde que sua grande conselheira ao emitir sentenças é a Bíblia, sempre em cima de sua mesa de trabalho? E pelo modo como andam as relações entre o Presidente e seu ministro Moro, logo o ministério da Justiça poderia ficar livre. Que melhor momento para o sonho de Bretas de entrar na política?

Não é estranho que evangélicos como Bolsonaro, Moro e Bretas, para quem a Bíblia é vista sobre o prisma do Antigo Testamento em que tudo gira ao redor de um Deus vingativo, não vejam uma separação clara entre a Justiça e a Política

Talvez o juiz Bretas, que é um grande leitor da Bíblia, tenha visto que no Antigo Testamento os juízes não se diferenciavam dos governantes. No Livro dos Juízes fica claro, por exemplo, como em todo o mundo de Israel “julgar era sinônimo de reinar”. Os juízes acabaram sendo os caudilhos do povo de Israel. No discurso de São Paulo na Sinagoga de Antioquia da Pisídia (Atos,13,20) fica claro que os juízes haviam sido colocados por Deus “para que se abstivessem de condenar o que Deus havia disposto”. E foi o juiz, Samuel, o encarregado de ungir Davi como rei de Israel.

Não é estranho que evangélicos como Bolsonaro, Moro e Bretas, para quem a Bíblia é vista principalmente sobre o prisma do Antigo Testamento em que tudo gira ao redor dos desígnios de um Deus vingativo, não vejam uma separação clara entre a Justiça e a Política.

Há quem prefira ver também nessas paixões entre o presidente do Brasil e os juízes e magistrados com poder um interesse especial que é mais político do que religioso. Moro foi levado ao Governo por Bolsonaro porque ele sabia que tinha uma grande força popular. É possível que essa aproximação do Presidente com Bretas tenha a ver com os interesses que Bolsonaro e toda a sua família tiveram e têm na política do Rio, em que se formaram e cresceram e na qual estão envolvidos em litígios judiciais por suas estreitas relações com as milícias e com o assassinato, ainda sem mandantes, da vereadora Marielle Franco.

E Bretas não pode, além disso, deixar de ser cortejado por Bolsonaro já que existia uma foto dele que, ao mesmo tempo em que foi duramente criticada pela opinião pública democrática, não pôde deixar de ser aplaudida pelo Presidente da República mais apaixonado pelas armas que já existiu. Nessa foto, o juiz Bretas aparece com um moderno fuzil nas mãos. Precisou explicar que era para se formar em aulas de tiro para defesa própria, por ele sua família estarem gravemente ameaçados pelos que levou à cadeia.

É possível que sejam puras elucubrações de corredores políticos, mas não há dúvida de que se trata de um grande paradoxo. Bolsonaro, que em sua campanha enfatizou o fato de acabar com a velha política e reforçar a experiência da Lava Jato encarnada nos juízes Moro e Bretas, pode acabar, pelo contrário, arrancando-os da Justiça para colocá-los na política. Um, Moro, já está, e Bretas poderia chegar.

Para Bolsonaro, quando ao chegar à Presidência precisou constatar que seu filho, o senador Flávio, havia sido descoberto em práticas de corrupção política quando era deputado do Rio, sua maior preocupação não foi lutar contra a corrupção, eliminar a velha política dos conchavos e interesses pessoais, lutar por manter viva a separação entre os diferentes poderes para que uns não se contaminem com os outros. Sua paixão agora são os juízes e magistrados, principalmente os que podem ajudar seu filho e talvez parte de sua família a salvar-se da fogueira.

Há quem me pergunte por que colocaram o nome Jair no Presidente Bolsonaro, descendente de imigrantes italianos e alemães. Dado sua paixão por juízes e magistrados, há quem imagine que foi simbólico, já que Jair é o nome de um dos 14 juízes de Israel. Na verdade foi algo mais prosaico. Quando o futuro Presidente do Brasil nasceu havia um famoso jogador de futebol chamado Jair que fazia aniversário nesse mesmo dia. Sua mãe acrescentou o segundo nome de Messias a Jair porque contou que o parto de seu filho foi tão difícil que somente um milagre o fez nascer.

É verdade, entretanto, que Jair, que significa em hebraico “homem que foi iluminado por Deus”, é também o nome de um dos juízes da Bíblia. Mas pertence ao grupo dos chamados “juízes menores”. Por isso recebe na Bíblia somente três versículos no capítulo X, do Livros dos Juízes, apesar de ter exercido a profissão de juiz por tantos anos. Tudo o que se diz dele é: “Após Tola, Jair de Galaad foi juiz durante 22 anos. Tinha 30 filhos que andavam de burro, e possuía 30 cidades, que ainda se chamam as aldeias de Jair”. Era uma para cada filho.

Eram os tempos em que a tribo de Israel, que era constituída por nômades à procura de terra para fixar sua moradia e reinar sobre ela, chegou à fértil Palestina e à base de guerras e batalhas e de recaídas nos ídolos pelas quais eram castigados, se transformou afinal no povo escolhido por Deus.

Uma vez que Bolsonaro sempre pareceu, como católico e evangélico, mais do Velho Testamento do que do Novo, do Deus da espada e dos trovões do que do Deus acolhedor e criador de paz, não é estranho que tenha ficado, herdado de seu nome de velho juiz de Israel, com seu espírito combativo e armado e que lhe seja tão difícil a linguagem do diálogo com os diferentes e tão longe do mandato do Novo Testamento do “Bem aventurados os semeadores da paz”.

Todo o reinado, ainda breve, do capitão reformado, o Presidente Jair Messias Bolsonaro, que recebeu milhões de votos daqueles a quem prometeu lutar sem trégua contra a corrupção, está se revelando de um paradoxo singular. Pode acabar sendo, pelo contrário, o reinado em que será realizado o funeral da velha Lava Jato. As revelações, de fato, do The Intercept Brasil publicadas por alguns jornais, entre eles o EL PAÍS Brasil, que revelaram o modo pouco constitucional que Moro e seus procuradores chegam às condenações de políticos e empresários, estão produzindo uma profunda crise ética e de identidade.

O paradoxo feliz é que isso poderia servir para que ressurja um modo novo e mais limpo de julgar e condenar que, sem deixar de ser severo como exigem certos pecados de corrupção, que são afinal pecados contra os mais pobres, possa mostrar sua cara de verdadeira justiça, sem mesclas espúrias entre juízes e políticos. O Brasil vive, de fato na Justiça, um dos momentos mais delicados e graves de sua história. Seu futuro em boa parte dependerá de como ele será capaz de resolver esse enigma. O Brasil joga tudo hoje na crise da política contaminada pela Justiça, ou o contrário.

Os tempos em que os juízes eram, no passado, caudilhos e políticos foram varridos pela moderna legislação mundial que, em nome da democracia, separou rigorosamente os diferentes poderes para evitar essa contaminação entre eles que o Brasil sofre nesse momento.

Alguns chegam a chamar de bíblico esse abraço bolsonarista de contaminação entre a Justiça e a política e para isso gostariam até de modificar a Constituição, essa sim a bíblia dos novos tempos, em que já não cabem livres e escravos, fiéis e infiéis. Na bíblia laica da Constituição deveríamos ser todos filhos da liberdade que salva, e não da violência. Essa, desde a antiguidade, serviu mais à morte do que à vida, usada principalmente contra os escravos e os mais desamparados, inermes diante dos que se apresentavam como justiceiros enviados por Deus.

“Corazon Partio”, Roberto Menescal e Cris Delanno: Direto da preciosa reserva musical de Gilson Nogueira, a adorável e deliciosa mistura de bossa do violão de Menescal com o melhor da canção com sotaque castelhano.

Coração Partido! Com P de ponte!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo)

 

 

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Abraji divulga nota contra ataques de Greenwald a jornalistas

 

A diretoria da Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, divulgou uma nota condenando os ataques de Glenn Greenwald a Juliana Dal Piva e João Paulo Saconi, repórteres de O Globo.

Depois da reportagem do jornal carioca que revelava que o Coaf detectou uma “movimentação atípica” de R$ 2,5 milhões de David Miranda –deputado federal pelo PSOL-RJ e marido de Greenwald–, o dono do Intercept gravou um vídeo em que chamou os repórteres de “corruptos”.

“Eu sei exatamente quem são os corruptos neste caso. Não é David Miranda, são os procuradores do Ministério Público e os repórteres e editores de O Globo, que publicou um artigo lixo”, declarou Greenwald.

Como resultado, afirma a nota da Abraji, Juliana passou a receber ofensas e comentários agressivos no Twitter, acusando-a de receber propina de procuradores e de tentativa de intimidação para parar a divulgação das mensagens roubadas da Lava Jato.

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DO  Jornal do Brasil

O líder indígena caiapó Raoni, que na próxima semana participará em Nova York de eventos paralelos à Assembleia Geral da ONU, disse que pretende um dia conversar com o presidente Jair Bolsonaro para pedir respeito aos indígenas.

Macaque in the trees
Raoni (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Para Raoni, Bolsonaro mostra que seu “coração não é bom” ao indicar que os índios devem viver como os não indígenas.

O nome do caiapó foi lançado por um grupo de indigenistas, antropólogos e ambientalistas como candidato ao prêmio Nobel da Paz de 2020 e oficializado pela Fundação Darcy Ribeiro ao comitê norueguês da premiação.

Raoni, cuja idade é estimada em 89 anos, disse que não gosta de ouvir Bolsonaro dizer que os indígenas “querem ser como nós”, ou seja, não indígenas, conforme o presidente declarou algumas vezes.

“Não é bom, não é correto, ficar falando isso. Nós, indígenas, queremos morar na nossa terra. Viver lá. Deixa viver do jeito nosso, do jeito que a gente quer viver. É isso que nós queremos. Eu acho que ele [Bolsonaro] não pensa direito. O coração dele não é bom. Eu não estou gostando”, disse Raoni em entrevista à Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (20), em hotel em Brasília. As declarações de Raoni foram traduzidas pelo sobrinho dele Megaron.

O líder caiapó disse que meses atrás pediu uma audiência com Bolsonaro, por meio do então presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Franklimberg Freitas, mas não houve resposta.

No final de junho, Bolsonaro revelou que o presidente francês, Emmanuel Macron, com quem Raoni havia se reunido em Paris, indagou se ele poderia receber no Brasil o caiapó. Bolsonaro disse que não, sob o argumento de que Raoni não representa o país ou os indígenas.

À Folha Raoni rebateu: “Eu não represento eles [indígenas do país], mas eu falo em defesa dos índios brasileiros, os primeiros habitantes daqui. Por eles é que eu brigo. Por eles é que eu defendo a terra, a floresta, o meio ambiente, e defendo o costume deles. Eu venho falando isso muito tempo, não é só agora que eu comecei a falar. Eu venho lutando para que vocês, todos os brancos, deixarem o índio viver em paz, na terra dele, na floresta dele”.

Raoni disse que não concorda com as críticas que Bolsonaro faz ao modo de vida dos indígenas. O presidente já afirmou, ao criticar ONGs, que os índios não podem ser vistos como “animais num zoológico”, em referência às terras indígenas.

“Eu fico preocupado do jeito que ele está querendo fazer conosco. Todo dia, toda hora ele critica, ele fala mal, ele quer diminuir terra, ele quer destruir nós. Porque ele não quer respeitar nós, não está respeitando nós, não está respeitando o índio”, afirmou.

“Se um dia eu chegar perto dele, eu quero falar com ele: ‘Deixar nós em paz, viver em paz, sem problema’. Eu quero falar para ele parar de criticar, parar de falar mal do outro. Vamos viver em paz, vamos viver todo mundo junto, vamos viver todo mundo trabalhando, vivendo em paz”, disse o caiapó.

Raoni também diz ver com preocupação e condena o plano de Bolsonaro de permitir mineração em terras indígenas.

Há um projeto em estudo por um grupo de trabalho na Presidência. “Ele quer fazer só coisa ruim com nós. ‘Punu’ quer dizer feio, ruim, na nossa língua. Não é bom, não é normal. Não é boa ideia. Eu já ouvi isso, pessoas já me contaram”, afirmou o indígena.

Sobre a candidatura ao Nobel da Paz, Raoni disse que uma eventual premiação não vai fazer seu trabalho parar.

“Se eu ganhar, como eles estão falando, será como reconhecimento do meu trabalho, eu vou receber esse prêmio e vou continuar meu trabalho, defendendo o meio ambiente, a floresta. Vou continuar fazendo o que venho fazendo.”

O caiapó negou que a defesa da Amazônia feita por chefes de Estado da Europa esconda um interesse dos governos estrangeiros nas riquezas da Amazônia, como dizem Bolsonaro e generais que integram seu governo.

“É mentira. Eu não penso assim. Eu vou lá na Europa, presidentes me recebem, outros ministros, outras pessoas grandes de outros países me recebem e não falam assim para mim”, afirmou.

“Eles querem ajudar a defender, ajudar a preservar a cultura do índio, o costume do índio, preservar a floresta, preservar o meio ambiente, preservar a Amazônia. Eles não falaram para mim que eles querem vir aqui roubar. Eles querem ajudar a preservar”, disse Raoni.

“Tanto o papa [Francisco] quanto todos os presidentes, os ministros, falaram isso para mim: ‘Nós vamos ajudar a vocês para preservar a Amazônia. Não é só para vocês lá no Brasil, é para todos nós. Nós queremos preservar a floresta amazônica para ter um clima para poder respirar melhor.”

Indagado sobre o motivo pelo qual ele busca se reunir com chefes de Estado estrangeiros, Raoni disse que “lá eles apoiam”.

“Não só eu, estão apoiando todos os indígenas da Amazônia. Aqui só ele [Bolsonaro] pensa diferente. Quer destruir, quer acabar, quer poluir. Poluir rio, destruir a floresta, queimar a floresta, queimar o cerrado. Lá não, o pessoal quer ajudar a preservar. E aqui, não, nós que estamos morando aqui a gente está vendo, a gente está escutando Bolsonaro falar. Quer destruir.”

Raoni disse ainda que na quinta-feira (19) se reuniu com o presidente da Funai, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, e indagou se era verdade que Bolsonaro não vai mais demarcar terras indígenas no Brasil.

Bolsonaro fez essa declaração várias vezes antes e depois das eleições de 2018. Mas, segundo Raoni, o presidente da Funai lhe disse coisa muito diferente e culpou a imprensa.

“Quando Bolsonaro falou isso, eu fiquei preocupado. Mas eu fui lá ontem [19] falar com o presidente da Funai sobre demarcação. ‘Toda terra que não está demarcada nós vamos demarcar, a Funai vai demarcar’. Foi assim que o presidente falou para mim”, disse.

“O presidente [da Funai] falou que vai ver todos os processos que já estão em andamento para levar para ministro assinar, para demarcação. Ele está acusando vocês [jornalistas]. Que a imprensa que fica falando [errado], não fala a verdade”, afirmou.

O líder caiapó disse que vai aguardar o cumprimento da palavra do presidente da Funai. “Eu ouvi o presidente falar e falei para ele. ‘Presidente, eu vou acreditar na sua palavra, eu estou acreditando no que você está falando para mim. Agora, se você fizer errado, eu vou vir aqui falar com você’.” .

set
22
Posted on 22-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-09-2019

Do O Jornal do Brasil

 

Embora tenha cancelado uma série de reuniões bilaterais que faria nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta (20) que deve participar de um jantar com Donald Trump durante a viagem a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU. “É motivo de honra e satisfação. Tenho conversado muito com ele sobre os mais variados assuntos”, disse o líder brasileiro.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro e Donald Trump (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Às vésperas do embarque para os EUA, Bolsonaro afirmou que não vai “fulanizar nem apontar o dedo para nenhum chefe de estado” em seu discurso na ONU.

“A ideia é fazer um pronunciamento falando de quem nós somos, nossas potencialidades. [Sobre] o que mudou no Brasil. Não tem mais aquela questão ideológica, e estamos nos aproximando do mundo todo”, disse, na chegada do Palácio da Alvorada.

O presidente, cuja chegada aos EUA está programada para segunda-feira (23), realizará no dia seguinte um discurso no encontro anual de líderes internacionais.

A fala ocorre em meio à pressão internacional que o país sofre em razão da onda de queimadas na Amazônia.

Quando a crise ambiental eclodiu, no final de agosto, Bolsonaro protagonizou embates públicos com o presidente da França, Emmanuel Macron. 

Nas últimas vezes em que adiantou partes do conteúdo de seu pronunciamento, no entanto, o mandatário adotou tom mais conciliatório.

Numa live feita na quinta-feira (19), Bolsonaro disse que “não vai brigar com ninguém” na assembleia. Criticou seus antecessores e reafirmou que não pretende demarcar novas terras indígenas no Brasil, porque segundo ele isso “inviabiliza” o Brasil e o agronegócio do país.

Também afirmou que deve tratar em seu discurso na ONU sobre patriotismo e a defesa da soberania brasileira na Amazônia.

Auxiliares do presidente temem que ele seja alvo de algum tipo de protesto na reunião da ONU em razão das suas declarações polêmicas contra outros chefes de estado e ONGs estrangeiras. 

Bolsonaro tem tomado algumas ações para tentar minimizar o desgaste internacional. Nesta sexta, prorrogou por mais 30 dias o decreto que permite o emprego das Forças Armadas na Amazônia para combater focos de incêndio e delitos ambientais.

O decreto original que instituiu a chamada GLO (Garantia da Lei e da Ordem) ambiental é de 23 de agosto e tinha validade de um mês. Agora a ação dos militares na Amazônia fica estendida até 24 de outubro.

Ao chegar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro também rebateu o comunicado de um grupo de 230 fundos de investimento que exortaram o Brasil a adotar medidas eficazes para proteger a floresta amazônica.

Para o presidente, trata-se de um recado de uma “minoria xiita”.

Por Raíssa França, BBC

Perícia pedida por historiador deu mais detalhes sobre morte de Lampião (terceiro da esq. para a dir.) — Foto: Divulgação/GESP/BBC Perícia pedida por historiador deu mais detalhes sobre morte de Lampião (terceiro da esq. para a dir.) — Foto: Divulgação/GESP/BBC

Perícia pedida por historiador deu mais detalhes sobre morte de Lampião (terceiro da esq. para a dir.) — Foto: Divulgação/GESP/BBC

Mais de oito décadas se passaram, e a história ainda não chegou à conclusão de como Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto. O debate ainda rende entre pesquisadores do cangaço e segue longe de um consenso sobre como se deram os últimos suspiros de Lampião. Há até mesmo quem duvide de sua morte.

Uma novidade trouxe mais elementos a um debate que parece não ter fim. Trata-se de uma perícia feita nas roupas e objetos que estavam com Lampião no dia da emboscada policial na grota do Angico, sertão de Sergipe, em 27 de julho de 1938. Após as mortes, as cabeças de Lampião, sua esposa Maria Bonita e outros cangaceiros foram cortadas e expostas ao público como troféu no Recife.

As peças estavam guardadas intocáveis até então no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas – como a operação que caçou o cangaceiro na caatinga foi feita pela Polícia Militar do Estado, Alagoas herdou o material e o guarda como relíquia até hoje.

A análise foi feita pelo perito Victor Portela, do Instituto de Criminalística de Alagoas. A BBC News Brasil teve acesso ao documento inédito, datado de 19 de julho de 2019, que atesta que Lampião teria recebido três tiros.

Mas a morte do rei do cangaço apresenta teses e mais teses. Uma delas é que Lampião e o bando foram envenenados antes do tiroteio, e que a polícia disparou contra o grupo já morto. Há quem defenda que o rei do cangaço não morreu em Angico, mas, sim, um sósia – o verdadeiro cangaceiro teria morrido com 100 anos em Minas Gerais.

“Se quiser, conto as duas mil teses que existem sobre a morte”, brinca o historiador e jornalista João Marcos Carvalho, autor do documentário ainda inédito Os Últimos Dias do Rei do Cangaço. Foi ele quem pediu ao perito alagoano uma análise das peças, que deve reabrir um debate que parecia ter encontrado seu fim no ano passado, quando o escritor Frederico Pernambucano de Mello publicou livro Apagando Lampião.

 

Segundo perícia, tiro acertou o punhal usado por Lampião e foi desviado para a região umbilical — Foto: Ingryd Alves/BBC Segundo perícia, tiro acertou o punhal usado por Lampião e foi desviado para a região umbilical — Foto: Ingryd Alves/BBC

Segundo perícia, tiro acertou o punhal usado por Lampião e foi desviado para a região umbilical — Foto: Ingryd Alves/BBC

Na publicação, o pesquisador do cangaço afirma que Lampião morreu com um único tiro disparado a oito metros de distância pelo cabo Sebastião Vieira Sandes. A versão ainda diz que o tiro certeiro foi dado de fuzil, conforme relatado pelo próprio policial alagoano autor do disparo – que o procurou quando estava com doença terminal em 2003 para revelar o que seria o maior segredo.

Debate

Para Carvalho, a tese de Frederico está errada. Ele diz que Lampião foi morto pela polícia em uma emboscada e estava com outros integrantes do grupo quando foi surpreendido.

Em busca de mais detalhes sobre o enigma da morte do cangaceiro, Carvalho pediu um laudo ao perito alagoano. “Procurei o perito Victor Portela e solicitei a análise daqueles objetos que estavam guardados e nunca tinham sido mexidos”, explicou.

À BBC News Brasil, o perito disse que de imediato aceitou a missão. Ainda em 2018, ele iniciou a análise no punhal, nas cartucheiras e nos bornais (tipo de bolsas usadas pelo cangaço) de Lampião. Segundo ele, foram percebidos pontos de impacto e perfurações nos materiais utilizados.

O laudo de Portela diz que foram três tiros. O primeiro deles acertou o punhal, e a bala acabou desviada para a região umbilical; outro atravessou a cartucheira – que era utilizada no ombro – e atingiu o coração; e o terceiro atingiu cabeça.

 

Perito Victor Portela, que fez análise das roupas e objetos que lampião estava usando na hora de sua morte — Foto: Ingryd Alves/BBC Perito Victor Portela, que fez análise das roupas e objetos que lampião estava usando na hora de sua morte — Foto: Ingryd Alves/BBC

Perito Victor Portela, que fez análise das roupas e objetos que lampião estava usando na hora de sua morte — Foto: Ingryd Alves/BBC

Para o perito, é impossível saber qual dos tiros – ou se a combinação deles – matou Lampião. Mas ele destaca que sua experiência como perito aponta um dado controverso das teorias até então: os disparos no peito e na barriga não matariam o cangaceiro instantaneamente.

“Ele poderia morrer alguns minutos depois pelo sangramento. Só o tiro na cabeça o mataria rápido, mas não temos como dizer a cronologia dos disparos”, explicou.

Um dos pontos novos apresentados no laudo veio da análise dos bornais feitos por Dadá (famosa cangaceira do grupo), que tinham duas marcas de tiros. João Marcos crê que Lampião não teve tempo de vesti-los no momento do tiroteio. “Quando o bando chegou à grota, o local não estava em um silêncio de catedral. Lampião estava vestindo a cartucheira, o punhal e tomou os tiros ali. Não deu tempo de ele vestir os bornais”, explicou.

Portela concorda com o jornalista e historiador, revelando que a perícia mostrou que os tiros foram dados de cima pra baixo, e que os bornais não tinham marca de sangue. “Ficou uma incógnita com relação aos bornais, mas quando fiz a sobreposição das cartucheiras com os bornais, vi que não há compatibilidade com nenhum dos disparos”, afirmou.

 
 
Historiador revela a identidade do assassino de Lampião

Historiador revela a identidade do assassino de Lampião

Neta rechaça ideia de um tiro

Vera Ferreira, neta de Lampião, disse à BBC News Brasil acreditar que a perícia recente sustenta a teoria mais correta a respeito da morte do avô.

Ferreira não acredita na versão de tiro único, nem de envenenamento, muito menos de que seu avô sobreviveu e morreu em Minas Gerais. “Quando o corpo do meu avô foi periciado, apontou-se três tiros”, disse.

set
22
Posted on 22-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-09-2019


Charge atualizada direto no site pelo próprio autor, ontem às 20:43 h

 

J. Bosco, NO JORNAL

 

Policiais usaram gás lacrimogêneo. Manifestações em defesa do clima e contra as mudanças na aposentadoria também aconteceram pela cidade

Policiais derrubam homem em rua de Paris neste sábado, em um novo protesto dos 'coletes amarelos'
Policiais derrubam homem em rua de Paris neste sábado, em um novo protesto dos ‘coletes amarelos’Lucas BARIOULET (AFP)
DO EL PAÍS

A chefe da polícia de Paris comunicou que até às 13h de sábado (8h de Brasília) 106 pessoas foram presas na capital francesa em uma manifestação dos ‘coletes amarelos’ realizada junto a dois outros protestos, um em defesa do clima e outro contra a reforma das aposentadorias. Em meio a um grande dispositivo de segurança —o Governo mobilizou aproximadamente 7.500 policiais para evitar confrontos—, os agentes utilizaram gases lacrimogêneos para dispersar os manifestantes, que se dirigiam à avenida dos Campos Elíseos, onde lojas foram saqueadas em marchas anteriores.

O protesto dos coletes amarelos, que completam seu 45° dia de reivindicações, não estava autorizado pelas autoridades. Membros do coletivo, entretanto, se mobilizaram em vários pontos centrais de Paris, como a praça Madeleine, onde a polícia dispersou 300 pessoas.

Uma porta-voz da prefeitura, Laetitia Vallar, afirmou ao meio-dia (7h de Brasília) que “a calma reina nas ruas de Paris” apesar de algumas “ações espontâneas”. De qualquer forma, disse que estão sendo “cautelosos”. As autoridades aumentaram as precauções pelo temor da presença dos chamados black blocs, grupos violentos antissistema repletos de mascarados responsáveis por confusões nas manifestações.

No total, a polícia realizou mais de 1.250 pontos de revista nos quais apreendeu bolas de bocha, um martelo e um morteiro escondido em um aparelho de DVD: “Armas que não têm lugar em manifestações autorizadas e pacíficas”, disse Vallar. A mobilização não autorizada dos ‘coletes amarelos’ coincide no sábado com um protesto convocado pela Frente Operária contra a reformas das aposentadorias em Duroc e com uma manifestação contra a mudança climática nos jardins de Luxemburgo. Na sexta-feira, milhares de pessoas também participaram em outra marcha na capital francesa em defesa do clima e contra a mudança climática. A maior parte dos participantes era de jovens e estudantes.

Além da mobilização policial, as autoridades fecharam trinta estações do metrô e cercaram bairros inteiros do centro da capital pelo temor de episódios violentos, como já aconteceu outras vezes.

As mobilizações dos coletes amarelos começaram em novembro de 2018 para protestar contra o aumento dos impostos ao diesel e em dezembro atingiram seu auge com os protestos contra a repressão das manifestações. A situação levou o presidente francês, Emmanuel Macron, a anunciar um pacote de medidas econômicas para melhorar as condições de vida da classe média e trabalhadora.

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