Um sátrapa

Um sátrapaFernando Vicente

Sabe você por que milhões de africanos querem entrar na Europa como for, arriscando-se a morrerem afogados no Mediterrâneo? Porque, para sua infelicidade, ainda há na África um bom número de tiranetes como Robert Mugabe, o sátrapa que durante 37 anos foi amo e senhor do Zimbábue e que acaba de morrer no Hospital Gleneagles, em Singapura. Tinha 95 anos de idade, era muito aficionado do críquete, das lagostas e do champanhe francês, costumava gastar 250.000 dólares em cada uma de suas festas de aniversário, e calcula-se que deixa à sua viúva, Grace – apelidada Gucci por sua afeição pelas roupas e bolsas dessa célebre grife, e várias décadas mais jovem que seu marido –, uma herança de nada menos que aproximadamente um bilhão de dólares.

Sua mais extraordinária proeza não foram seus roubos, nem as dezenas de milhares de zimbabuanos que torturou, encarcerou e assassinou. Tampouco ter causado uma hiperinflação de 79,6 bilhões por cento ao ano – chegaram a ser impressos bilhetes de cem trilhões –, que fez a moeda nacional desaparecer. É, talvez, ter destruído a agricultura de um país sobre o qual, nos tempos do colonialismo britânico, dizia-se que aquela terra privilegiada poderia ser o celeiro de toda a África, e talvez do mundo inteiro. Hoje, aquela nação, a mais próspera do continente meio século atrás, morre de fome. Um terço da sua população foi obrigada a fugir para o exterior devido às perseguições e matanças de Mugabe; agora, são a miséria e a falta de trabalho que a impulsionam milhões de desventurados zimbabuanos a fugirem ao exterior para sobreviver.

A África é o berço daquele que foi talvez o melhor estadista que a humanidade conheceu no último século – refiro-me ao sul-africano Nelson Mandela, graças a quem seu país é um dos que escapam à crise que assola tantos outros –, mas, logo depois do desaparecimento do sistema colonial, assim como na América Latina, em vez de estabelecer a democracia e desenvolver seus abundantes recursos, esse continente se encheu de ditadorezinhos ambiciosos e venais, além de assassinos – as exceções cabiam em uma mão –, que continuaram empobrecendo seus países a ponto de gerarem um êxodo gigantesco que, hoje, se tornou um problema para o mundo inteiro. A tragédia que o Zimbábue viveu com a tirania de Mugabe é um bom exemplo do que ocorreu com muitos países africanos que, depois de se libertarem de um sistema colonial saqueador e racista, abismaram-se em ditaduras de ladrões sanguinários.

A história da África é tão triste como foi – e continua sendo em boa parte – a da América Latina

Como outros sátrapas na história, Robert Mugabe, filho de um carpinteiro e uma catequista cristã, recebeu uma boa educação. Obrigado a se exilar por sua militância anticolonial, estudou, primeiro, em universidades da África do Sul e logo depois em Gana, onde também lecionou. Declarava-se então discípulo do africanista Kwame Nkrumah, mas, durante os anos da ação anticolonialista contra o regime racista de Ian Smith (o Zimbábue então se chamava Rodésia), encabeçou um movimento maoísta. Passou quase dez anos na cadeia e saiu dela transformado no político inescrupuloso, intrigante e ardiloso que foi marginalizando (e às vezes liquidando) os seus antigos companheiros da luta anticolonial, como Joshua Nkomo, que terminou alçando-se contra ele. A repressão que Mugabe levou a cabo foi terrível; além dos rebelados, estendeu-se às comunidades dos shonas e ndebeles, as quais praticamente exterminou. Entre 20.000 e 30.000 membros dessas comunidades pereceram naquela espantosa sangria.

Segundo os acordos de Lancaster House, que deram a independência ao Zimbábue, o Governo de Mugabe se comprometeu a respeitar as terras de 5.000 agricultores zimbabuanos brancos que, embora fossem produto da rapina colonial, eram tecnicamente exemplares e asseguravam trabalho e grandes rendimentos ao país. Mas aqueles foram expropriados durante a pitoresca “reforma agrária” que Mugabe empreendeu no ano 2000 e que consistiu em distribuir aquelas prósperas empresas entre seus cupinchas e protegidos. Isto foi o princípio do desmoronamento da agricultura nacional que, após poucos anos, transformaria um dos países mais ricos da África em uma sociedade pobre e deprimida. O autocrata, apesar disso, não cessava em seus enlouquecidos dispêndios, nem tampouco os dissimulava. Encarregou uma firma chinesa de construir no centro de sua propriedade de 22 hectares, em Harare, um palacete versalhesco de 25 quartos que mobiliou com todo luxo e, em um de seus discursos mais difundidos, reconheceu que admirava Hitler e que não se importava em ser comparado a ele. Acreditava ter a cumplicidade assegurada de seu partido deixando que seus dirigentes roubassem, mas mesmo isso tinha um limite.

Logo depois do desaparecimento do sistema colonial, esse continente se encheu de ditadorezinhos ambiciosos

Seus problemas com os membros de seu próprio partido começaram quando se empenhou em que sua jovem esposa, Grace, o substituísse no Governo. Isto o levou a uma confrontação com seu braço direito e homem para toda obra, Emmerson Mnangagwa, o atual presidente, que conspirou com os militares, e estes obrigaram Robert Mugabe a renunciar, embora sem levá-lo a juízo e, sobretudo, deixando intacta a sua fortuna. Há, portanto, poucas esperanças de que com a morte do sátrapa as coisas mudem em seu desventurado país. Seus cúmplices, que têm as mãos tão manchadas de sangue como as tinha ele, e que ao mesmo tempo em que enriqueciam arruinavam o Zimbábue, continuam no poder, de modo que o empobrecimento do país prosseguirá, e continuará contribuindo para a migração dos milhões de africanos que devem buscar na Europa o que sua pátria é incapaz de lhes dar.

Talvez o mais absurdo desta morte tenha sido que quem o tirou do poder pela força, nada menos que o próprio Emmerson Mnangagwa, faça o anúncio de sua morte “com o maior dos pesares”. “Era um ícone da libertação”, proclamou, “um pan-africanista que dedicou sua vida à emancipação e empoderamento de seu povo. Sua contribuição à história da nossa nação e do continente nunca será esquecida”. E pouco depois anunciou que seu Governo decidiu nomear Robert Mugabe “herói nacional”.

A história da África é tão triste como foi – e continua sendo em boa parte – a da América Latina. Nunca aprendemos que a democracia não consiste apenas em que haja independência de poderes e diversidade política, e sim em ter políticos honrados, que respeitem as leis e que não se aproveitem do poder para enriquecer e liquidar o adversário. Os Mandelas que chegamos a ter – houve vários, embora nenhum tivesse a repercussão mundial do sul-africano – foram aves de passagem e não chegaram a fazer escola. O pior não é que existam esses lixos humanos como um Robert Mugabe, mas sim que haja povos que votem neles e os elejam e reelejam e, como fez Mnangagwa com aquele, os transformem em “heróis nacionais”. Com pouquíssimas exceções, nem africanos nem latino-americanos temos remédio, pelo visto.

“Minha Gente”, Roberto Leal: o grande artista luso-brasileira canta o Vira  com saudades da terrinha, em gravação de 1975. Agora parte o cantor que emprestou alegria à música português, e deixa saudades e ausência lá e cá. R.I.P.

SAUDADES! BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

set
16
Posted on 16-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-09-2019

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

O governador da Bahia, Rui Costa, disse à Veja que o PT deveria enterrar a campanha Lula Livre e ter apoiado Ciro Gomes na campanha de 2018.

Em reação às declarações de Rui Costa, o PT publicou uma nota em que repete a mesma ladainha de sempre: “A bandeira Lula livre é central na defesa da democracia, da soberania e dos direitos no Brasil”.

Sobre Ciro, o PT afirmou que “nunca foi intenção dele constituir uma alternativa no campo da centro-esquerda, hoje menos ainda, dado que ele escancara opiniões grosseiras e desrespeitosas sobre Lula, o PT e nossas lideranças”.

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16

Por TV Globo e G1 SP

O ministro Sérgio Moro em visita ao presidente Bolsonaro no hospital — Foto: Redes Sociais O ministro Sérgio Moro em visita ao presidente Bolsonaro no hospital — Foto: Redes Sociais

O ministro Sérgio Moro em visita ao presidente Bolsonaro no hospital — Foto: Redes Sociais

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, visitou na tarde deste domingo (15) o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que se recupera há sete dias de uma cirurgia realizada no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo.

O ministro entrou no hospital na Vila Nova Conceição, Zona Sul de São Paulo, sem ser visto e não falou com a imprensa. Acompanhado da sua mulher, Rosângela Moro, visitou o presidente por cerca de 20 minutos e, depois, postou em seu Twitter uma foto ao lado de Bolsonaro e a primeira-dama, Michele Bolsonaro. “Visita ao sr. Presidente e à Sera. Primeira-dama. Conversa agradável. Presidente recupera-se muito bem. O homem é forte”, diz o post. Pouco depois, Bolsonaro postou a mesma foto em sua conta no Twitter, mas sem nenhuma legenda.

Nos últimos meses, a relação entre Moro e Bolsonaro passou por altos e baixos. No final de agosto, contrariando o que dizia nas eleições do ano passado sobre Moro ter carta branca para conduzir ações do Ministério, Bolsonaro disse, mais de uma vez, que ele é o presidente e que pode vetar “qualquer coisa” que o ministro fizer.

Antes disso, em fevereiro, Moro revogou a nomeação de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Moro foi criticado por apoiadores de Bolsonaro por indicar Ilona, mestre em estudos de conflito e paz e especialista em segurança, e p ministério informou que a revogação foi provocada por “repercussão negativa em alguns segmentos” da sociedade.

Depois de Moro indicar Maurício Veleixo, com quem trabalhou durante a Operação lava Jato, para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, eles passaram a escolher os superintendentes da PF. Mas, em 16 de agosto, sem o conhecimento da cúpula da PF, Bolsonaro anunciou a troca do superintendente do Rio de Janeiro. Diante da reação negativa na Polícia Federal, com ameaça até de entrega de cargos, o presidente recuou momentaneamente. Mas, ainda em agosto, Bolsonaro foi além e ameaçou trocar o diretor da Polícia Federal.

Lideranças de diferentes partidos alinhados com o presidente Jair Bolsonaro ainda aguardam uma eventual troca no comando da direção-geral da Polícia Federal. Na PF, integrantes da corporação pressionam o ministro da Justiça, Sergio Moro, a definir o sucessor de Mauricio Valeixo.

Ouvidos pelo blog da Andréia Sadi, políticos relataram que, apesar de mudar o tom sobre Moro, Bolsonaro não desistiu de trocar o comando da PF. Além disso, tem sinalizado desde o fim de semana que, até o fim de setembro, espera mudanças na cúpula da corporação.

Em um gesto de apoio público, Bolsonaro interrompeu a parada de Sete de Setembro, chamou Moro e desfilou abraçado a ele pela Esplanada dos Ministérios.

Recuperação

Neste domingo, Bolsonaro tomou café da manhã, com chá gelatina e creme de frutas. Até então, ele estava se alimentando apenas de dieta líquida desde sexta-feira (13). De acordo com a assessoria do presidente, à tarde, Bolsonaro caminhou e assistiu ao jogo entre Corinthians e Fluminense.

Esta foi a quarta operação desde a facada sofrida por ele durante a campanha eleitoral de 2018. Desta vez, o objetivo era corrigir uma hérnia (saliência de tecido) no intestino.

Desde domingo (8), o vice-presidente Hamilton Mourão ocupa o cargo de presidente da República de forma interina.

Segundo o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros, os exames do presidente estão normais e, assim que ele tiver a dieta baseada apenas em alimentos, poderá ter alta médica.

“Hoje [domingo], a nutrição parenteral será reduzida. No final da tarde, o médico vai analisar se pode passar pra dieta pastosa. Passando para pastosa e tirando a nutrição parenteral, o presidente pode ter alta”, disse Rêgo Barros.

“Os médicos saíram do quarto do presidente vivamente impressionados com a recuperação do presidente, como ele vem recebendo bem essa modificação de ingestão calórica e o passo, a ultrapassagem dessa fase de cremosa para pastosa definirá, junto com outros parâmetros também, a saída do nosso presidente aqui do hospital. Estamos, enfim, bastante satisfeitos com a evolução do presidente, esperamos que ele no prazo mais próximo possível nós tenhamos a saída”, acrescentou.

set
16
Posted on 16-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-09-2019


 

Miguel, no

 

set
16
Posted on 16-09-2019
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DO DIÁRIO DE NOTÍCIA (DE PORTUGAL)
16 Set 2019 / 00:09 H.

 

O embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral, classificou hoje a morte do cantor Roberto Leal de “perda irreparável” para Portugal e “para o mundo artístico”, acrescentando que o artista era um “embaixador da cultura portuguesa” no Brasil.

“O seu falecimento representa uma perda irreparável para a família portuguesa, para Portugal, para a comunidade luso-brasileira, mas, seguramente também, para o mundo artístico e para o panorama musical em geral”, escreveu Jorge Cabral, numa nota enviada à agência Lusa.

“Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes, foi um homem simples e amigo, sempre orgulhoso das suas origens e da sua pátria, honrando as tradições e a música popular portuguesas. (…) Nessa medida, poderá ser genuinamente considerado um “embaixador da cultura portuguesa no Brasil”, acrescentou ainda o diplomata.

Jorge Cabral recordou “com emoção” o encontro que manteve com o cantor, em janeiro deste ano, na cidade brasileira de São Paulo, por ocasião da deslocação ao Brasil do secretário de Estado das Comunidades, José Luis Carneiro, altura em que Roberto Leal lhes falou, “com grande paixão e entusiasmo”, dos diversos projetos ligados à sua atividade profissional, que pretenderia realizar.

Também o presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CP-CCP), Flávio Martins, lamentou, em nome pessoal, o falecimento de Roberto Leal, frisando que apesar do “dinheiro e fama” que acumulou ao longo da vida, o cantor nunca ignorou as suas origens, e os seus “valores”.

“Vendeu milhões de discos, ganhou fama, dinheiro e conforto, mas nunca deixou de reverenciar a sua família, o seu país e os seus valores mais essenciais, fosse por meio de sua música, fosse pelo jeito carinhoso, respeitador e atencioso como atendia a quem o procurasse. Nunca o vi, mesmo muito cansado, deixar de atender todos os fãs que quisessem um abraço, um beijo, uma foto, um pouco da atenção do ídolo”, disse Flávio Martins, em declarações à Lusa.

“Nestes mais de 45 anos de carreira como Roberto Leal, justificou o nome que adotou: “Leal”, e foi assim como todos que lidaram com ele, leal e sempre com palavras carinhosas para quem quer que fosse: personalidade ou anônimo, da comunidade portuguesa ou não”, afirmou Flávio Martins, ironizando que “a esta hora, talvez o próprio São Pedro já tenha deixado a portaria para ir “bater o pé””.

Roberto Leal, que morreu na madrugada de hoje em São Paulo, no Brasil, dividiu a sua carreira entre Portugal e o país sul-americano, mas teve ainda passagens na política, no cinema e na televisão.

O cantor nasceu em Portugal, na aldeia transmontana Vale da Porca, conSelho de Macedo de Cavaleiros, de onde em 1962 emigrou aos 11 anos para o Brasil, com os pais e os nove irmãos.

Em São Paulo, após trabalhar como sapateiro, vendedor de doces e feirante, iniciou o seu trabalho com a música e gravou o seu primeiro disco em 1970.

Um ano depois, alcançou o seu primeiro grande êxito com “Arrebita” e teve a sua primeira experiência na televisão brasileira, vindo a repeti-la em 2011, em Portugal, ao participar no programa da RTP “O Último a Sair”.

“Arrebenta a Festa” foi o último disco editado em 2016 de uma discografia com mais de 50 discos.

Vendeu mais de 17 milhões de discos, conseguiu 30 Discos de Ouro e cinco de platina e ganhou vários prémios, entre os quais o Troféu Globo de Ouro, da TV Globo, em 1972.

Desde há dois anos enfrentava um cancro e ficou com problemas de visão e cegueira no olho direito devido aos tratamentos de radioterapia.

O velório do cantor será nesta segunda-feira, na Casa de Portugal, na região central de São Paulo a partir das 07:00 (horário local, 11:00 em Lisboa) e até às 14:00.

O funeral está marcado para as 15:00 (horário local, 19:00 em Lisboa), no Cemitério Congonhas, na zona sul de São Paulo.

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