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Leonel Brizola: volta do exílio há 40 anos e estreia de “Legalidade”…
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… e Carlos Bolsonaro: polêmica detonada no Twitter

ARTIGO DA SEMANA

O que dizia Leonel Brizola e o que pensa Carlos Bolsonaro 

Vitor Hugo Soares

 

Pode parecer estranho, mas o fato é que recordei de Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro  e do Rio Grande do Sul, ao deparar-me com o pensamento político e pessoal do vereador licenciado Carlos Bolsonaro, estampado no Twitter, detonador de debates acirrados e polêmicas nos terreiros “de
esquerda”, “de direita” e “de centro”, nas redes sociais e na mídia tradicional, no começo da semana: Maia, Alcolumbre, Witzel, Santa Cruz (OAB), ministros do Supremo, nomes de peso da imprensa e suas corporações se pronunciaram, com maior ou menor indignação, ou justificativas. E o assunto segue dando o que falar no palco ee bastidores. 

Fez-me lembrar do líder gaúcho e nacional, não só pelo que disse no tuite o filho do presidente, mas também por apelos jornalísticos e de sentimentos encaixotados na memória que, no dizer de Louis Buñuel, é o que salga e dá sentido à existência humana, “porque o homem sem memória não é nada”. E é setembro, o mês em que Brizola retornou de seu longo exílio político, há 40 anos, “com o coração cheio de saudades, mas limpo de ódios”, como  declarou, em 1979, no aeroporto de Foz do Iguaçu, onde chegou com sua mulher e companheira leal e firme, de glórias e infortúnios, Neusa Goulart.

É, também,  a semana da estréia, nas telas do país, de “Legalidade”, filme de Zeca Brito, que tenta preencher injusta lacuna cultural e política sobre lutas de resistência no Brasil, ao narrar a história do movimento, que dá título ao filme, praticamente esquecido na memória popular. Em 1961, o governador gaúcho liderou um levante nacional, a partir do seu estado, para assegurar a posse do vice-presidente João Goulart, em seguida à renúncia de Jânio Quadros. Episódio marcante da biografia de um líder político relevante e sempre desafiador. 

Assim, em face de acontecimentos da semana e de fatos idos e vividos, o pensamento me conduziu ao encontro inesquecível com Brizola, nos últimos dias de seu exílio no Uruguai, depois de expulso pela ditadura que ali se implantara. O encontro do então jovem repórter do Jornal do Brasil com o já legendário homem público,  ocorreu na estância onde ele vivia, no povoado de Carmen, província de Durazno, dias antes de seguir para a penúltima etapa de desterro, nos Estado Unidos  da era Jimmy Carter.

Na conversa, sem gravador, Brizola abriu o peito e soltou o verbo. Falou de saudades, de sua visão à distância dos políticos e intelectuais brasileiros, dos sonhos de futuro. Arrematado frasista, repetiu um de seus pensamentos favoritos: “Eu defendo um regime que não seja apenas da raposa, queremos um regime da raposa e da galinha, onde existam espaços para os dois”. E disse ainda o que reproduzo aqui e agora, tentando ser o mais exato possível ao seu pensamento e às suas palavras:

O correto, na democracia, disse ele, é que todos manifestem suas idéias com clareza e livremente. O pior é a hipocrisia e os pensamentos subterrâneos e subalternos. Na democracia cada um deve dizer o que pensa e o que pretende, livremente. Quem  contesta precisa fazê-lo com clareza e honestidade política e intelectual. Não só com a retórica repetitiva das velhas cartilhas partidárias e ideológicas, ou dos interesses escusos e personalistas da hora e da vez, concluiu.

 Precisa desenhar? Ou só resta lamentar a falta que faz a presença e o pensamento de Leonel Brizola, neste setembro no Brasil? Responda quem souber.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Vous qui passez sans me voir”, Charles Trenet: Majestosa canção francesa na impecável interpretação de um de seus criadores. Gravada por Trenet em 1954. Não inventaram nada melhor nem mais bonito, musicalmente, para um sábado de setembro em qualquer lugar e em qualquer tempo. Confira!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Por Camila Pimentel, TV Bahia

Vereadores de Salvador aprovam projeto de lei que acaba com o arrastão.

Vereadores de Salvador aprovam projeto de lei que acaba com o arrastão.

O prefeito ACM Neto (DEM) disse nesta sexta-feira (13) que não acredita que o arrastão da quarta-feira de cinzas do carnaval ofende as tradições religiosas da capital baiana. Na última quarta-feira (11), um projeto de lei que proíbe o tradicional evento foi aprovado pela Câmara de Vereadores.ntenda projeto de lei que proíbe arrastão na quarta de cinzas no carnaval de Salvador

O projeto foi votado na quarta-feira (11) e recebeu 38 votos a favor, 2 contra e 1 abstenção. O motivo seria a incompatibilidade com o início da quaresma, período que antecede a páscoa cristã.

“Nós vamos aguardar o projeto chegar na prefeitura e vamos examiná-lo. Tanto do ponto de vista jurídico como também no mérito para avaliar uma sanção ou veto. O que eu posso assegurar desde então é que, na nossa análise, não vai pesar o aspecto religioso. Eu sou católico, praticante, mas acho que o arrastão da quarta-feira de cinzas não agride e não ofende todo o respeito à tradição religiosa da cidade do Salvador”, disse ACM Neto.

O Projeto de Lei (PL) 45/16 prevê uma multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento da determinação por artistas, grupos musicais ou quem organizar o arrastão. Segundo o texto, o dinheiro arrecadado servirá para conservar, recuperar e melhorar prédios religiosos do município.

“Esse argumento não cola. Não será levado em consideração. Sou católico praticante. Eu tenho uma relação muito próxima à Igreja Católica. Mas o arrastão da quarta-feira de cinzas, que já é uma tradição da cidade, ele nunca feriu aos princípios religiosos. Ele nunca atrapalhou o calendário de Salvador”, explicou o prefeito.

 

ACM Neto ainda vai analisar projeto de lei — Foto: Egi Santana / G1 BA ACM Neto ainda vai analisar projeto de lei — Foto: Egi Santana / G1 BA

ACM Neto ainda vai analisar projeto de lei — Foto: Egi Santana / G1 BA

O prefeito ainda questionou a falta de diálogo com a sociedade e amplo debate sobre o projeto.

“Eu fiquei surpreso com a votação na Câmara Municipal. Eu acho que ela podia ter sido discutida, podia ter sido debatida, não houve um debate amplo com a sociedade, não houve um questionamento às pessoas envolvidas na organização do carnaval né? A Câmara simplesmente votou o projeto, eu diria que de surpresa, né. O que, é claro, gera toda essa repercussão agora”, comenta.

Segundo ACM Neto, a análise do projeto de lei será feita levando em consideração as questões econômicas do carnaval de Salvador.

“A gente transformou o carnaval num produto importante pra cidade de Salvador. O carnaval de Salvador não é apenas a festa pro baiano. É um produto econômico, que gera emprego, né, que movimenta toda a economia da nossa cidade. E ajuda a projetar Salvador no Brasil e no mundo. E é sob essa perspectiva também que nós vamos analisar o projeto de lei que foi aprovado pela Câmara Municipal”, contou o prefeito.

O texto está em processo de redação final e deverá ser remetido para a Prefeitura na próxima semana. Após o recebimento, o prefeito ACM Neto terá 15 dias para decidir se veta ou sanciona a lei. Se for sancionada, a determinação já deve valer para o carnaval de 2020.

Ao ser questionado sobre se vai ou não sancionar o projeto de lei, o prefeito informou que vai usar o prazo disponível para se posicionar.

“Bom, vamos aguardar. Eu tenho um prazo pra examinar o projeto. Como todo projeto que sai da Câmara, primeiro há uma análise jurídica para depois eu me posicionar no mérito. Agora, faremos isso no prazo e eu espero poder apresentar essa resposta o quanto antes”.

Em nota, a Arquidiocese de Salvador disse que defende o direito de seus membros de defender valores que consideram importantes, em qualquer ambiente ou setor em que atuam. A instituição informou que neste caso, preservar o início da Quaresma é um desses direitos.

De acordo com a Arquidiocese, por mais que o carnaval seja uma festa importante na vida de uma pessoas ou de um grupo, ela não pode durar “sempre ou indefinidamente”, pois há outros valores que devem ser preservados.

Arrastão

 

Festa reúne milhares de pessoas na orla de Salvador. Foto tirada em 2019 — Foto: Max Haack Festa reúne milhares de pessoas na orla de Salvador. Foto tirada em 2019 — Foto: Max Haack

Festa reúne milhares de pessoas na orla de Salvador. Foto tirada em 2019 — Foto: Max Haack

O tradicional arrastão da quarta-feira de cinzas do carnaval foi criado em 1995 pelo cantor Carlinhos Brown. O evento surgiu para possibilitar que as pessoas que trabalhassem no carnaval pudessem curtir após a festa. No entanto, ao longo dos 24 anos de existência, o evento agregou os foliões, que esperam para aproveitar até o final.

O arrastão acontece no circuito Barra-Ondina, na orla de Salvador, o principal circuito da festa. Além de Brown, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Claudia Leitte, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Márcio Victor com a banda Psirico e Alinne Rosa já participaram da folia. Porém, nos últimos anos, os artistas mais tradicionais se afastaram.

Nas últimas duas edições, a festa foi comandada pelo cantor Léo Santana, que, junto com Danniel Vieira, agitou milhares de pessoas.

Além de Daniela Mercury, o G1 procurou alguns dos artistas citados no texto para saber o posicionamento sobre o projeto, mas alguns preferiram não se posicionar e outros ficaram de dar retorno, mas não responderam até a publicação desta reportagem.

set
14
Posted on 14-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2019

Procuradora critica mensagem de Deltan sobre Aras

 

Monique Cheker, procuradora do MPF, criticou a mensagem em que Deltan Dallagnol elogia Augusto Aras pelo “compromisso de manter e até fortalecer o trabalho das forças-tarefa”, registra Fausto Macedo.

Para a procuradora, a manutenção da força-tarefa é “obrigação” da PGR. Monique se disse ainda preocupada que houvesse “motivo para elogios públicos” nesse caso: “Quando a obrigação vira favor, há algo que precisamos refletir”.

Como a Crusoé publicou mais cedo, o apoio de Deltan ao diálogo com Augusto Aras provocou desconforto entre outros procuradores  .

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DO JORNAL DO BRASIL

O protagonista do debate entre os dez principais candidatos à indicação presidencial do Partido Democrata, nesta quinta-feira (12), não estava no palco. Barack Obama e o modelo de assistência médica que implantou durante sua Presidência dominaram a discussão realizada em Houston, no Texas. E, como era de se esperar, o legado do ex-mandatário americano foi amplamente defendido.

Macaque in the trees
Barack Obama (Foto: Ethan Miller/AFP)

Vice de Obama durante os dois mandatos do democrata, Joe Biden, favorito na disputa até aqui, disse que vai se basear no programa de saúde Obamacare em oposição ao Medicare para Todos, modelo defendido por Elizabeth Warren e Bernie Sanders.

Segundo a proposta, o programa seria administrado pelo governo e extinguiria alternativas privadas. 

Biden procurou se vincular a Obama diversas vezes, protegendo o Obamacare, e atacou o plano de financiamento do projeto adversário. “Como pagaríamos por isso? Eu quero ouvir isso hoje à noite.”

Ainda que Warren, principal adversária de Biden, tenha elogiado os esforços de Obama na área da saúde, a senadora de Massachusetts defende que o Medicare para Todos tributaria mais os mais ricos e menos a classe média. 

Ao responder, Biden disse que seu plano daria aos americanos mais opções, incluindo permanecer com seus planos de saúde -caso queiram. “Nunca conheci alguém que goste de companhias de seguros de saúde”, retrucou a candidata.

Analistas estimam que o plano defendido por Warren e Sanders custaria US$ 32 trilhões (R$ 130 trilhões) em uma década. Segundo a Bloomberg, o governo americano gastou, apenas em 2017, US$ 3,5 trilhões (R$ 14,2 trilhões) em cuidados de saúde e deve gastar US$ 47 trilhões (R$ 190 trilhões) de 2018 a 2027.

Líder nas pesquisas, Biden era a vidraça do debate que, pela primeira vez, colocou-o frente a frente com Warren, segunda colocada nos levantamentos. 

Julián Castro, ex-secretário de habitação e desenvolvimento urbano de Obama, foi um dos participantes mais incisivos ao criticar o ex-vice-presidente.

Castro acusou Biden de se ligar ao ex-presidente quando era conveniente e de se afastar quando não.

“Ele [Barack Obama] queria que todas as pessoas deste país fossem cobertas [pelo programa de saúde]. Meu plano faria isso, o seu plano, não”, disse Castro, outro defensor do Medicare para Todos.

Em determinado momento, Castro, 44, acusou Biden, 76, de “esquecer o que ele acabara de dizer há dois minutos”. O comentário, aparentemente destinado à idade de Biden, provocou risos na plateia e levou o candidato Pete Buttigieg a pedir civilidade.

“É por isso que os debates presidenciais estão se tornando desagradáveis”, disse Buttigieg. “Eles lembram a todos do que eles não suportam sobre Washington. Marcar pontos em cima do outro, cutucar um ao outro”.

Castro desprezou o comentário. “Isso se chama eleição. É por isso que estamos aqui, é uma eleição”, disse.

Embora os candidatos tenham tido uma discussão acalorada sobre cuidados de saúde nos primeiros 40 minutos do debate, muitos deles enfatizaram a importância de permanecerem juntos como democratas, dizendo que lutar um contra o outro seria facilitar para Trump.

Uma das frases mais expressivas do debate veio do empresário e candidato Beto O’Rourke quando perguntado sobre a política para armas de fogo nos EUA. 

O’Rourke defende que proprietários de armas sejam obrigados a vendê-las ao Estado, em contraponto a sugestões para que a ação seja voluntária ou que nem chegue a existir.

“Nós vamos pegar seu AR-15 e seu AK-47. Não vamos mais permitir que sejam usados contra nossos companheiros americanos”, disse.

“Se a arma foi projetada para matar pessoas em um campo de batalha, se o alto impacto, a alta velocidade, quando atingem seu corpo, destroem tudo dentro dele porque ela foi projetada para que você sangre até a morte em um campo de batalha e não seja capaz de se levantar e matar um de nossos soldados”, disse ao justificar o apoio a uma política mais dura. 

Duas horas antes do início do evento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apostou que Biden será o candidato democrata nas próximas eleições presidenciais.

“Acredito que Biden chegará lá se não cometer qualquer erro grave”, disse a jornalistas.

set
14
Posted on 14-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2019



 

Sponholz, no

 

set
14
Elefantes no Parque Nacional de Etosha, na Namíbia.
Elefantes no Parque Nacional de Etosha, na Namíbia.Sergi Ferrete (Unsplash)

Quando uma das primeiras minirredes solares do Zimbábue foi instalada em 2016 na localidade de Mashaba, um povoado propenso a estiagens, os habitantes do lugar pensaram que seus problemas se resolveriam.

A energia limpa e barata fazia funcionar as bombas de irrigação que mantinham verdes os campos de trigo, milho e hortaliças da comunidade, enquanto as secas provocadas pela mudança climática secavam a paisagem ao redor.

Mas estes verdes campos criaram um novo problema em Mashaba: as manadas de elefantes famintos. Como a seca tornou mais escassas as ervas que os elefantes pastam, eles começaram a invadir as tentadoras lavouras irrigadas do povoado, destruindo os cultivos e os canais de irrigação e levando os agricultores à loucura.

“Temos que montar guarda em nossos campos toda a noite das seis e meia da tarde até as três e meia da madrugada. Batemos panelas, latas, frigideiras, tambores ou qualquer coisa que faça barulho para espantar os elefantes”, conta Daniel Nyathi, um agricultor de Mashaba, à Fundação Thomson Reuters. “Todas as noites fazemos fogueiras na beirada dos nossos campos, acendemos lanternas e aceleramos o motor de um trator a noite toda, com a esperança de que isso os assuste”, complementa Nyathi, que dirige o projeto de irrigação Rustlers Gorge, que abrange 42 hectares e abastece 2.800 famílias locais.

Segundo os moradores de Mashaba, até 60 elefantes parecem considerar que os campos irrigados do povoado são uma de suas principais fontes de alimento. Contam que esses animais têm sido um problema ocasional, especialmente desde 2017, porque as condições se tornaram mais áridas, mas acrescentam que as invasões se intensificaram muito desde que o projeto de irrigação decolou.

Win Sibanda, um dos líderes do povoado de Mashaba, diz ter medo de que invasões quase diárias dos elefantes nas lavouras da comunidade façam a colheita do mês que vem não ser muito boa, caso o problema não seja tratado.

Atualmente, “a única solução prática para os agricultores é montar guarda e espantá-los”, afirma. “Se o número de elefantes é inferior a cinco, os moradores podem lutar facilmente com eles. Mas quando toda a manada entra no campo é um problema. Ninguém se atreve a provocá-los, porque isso é mais perigoso”, afirma.

Menos chuva, mais briga

Como a piora das secas torna mais difíceis as condições para os agricultores e para a fauna no sul da África, prevê-se que confrontos desse tipo se agravem à medida que surjam projetos de irrigação para ajudar as comunidades a se adaptarem a condições mais secas.

Sithokozile Nyathi, de 36 anos, que é dona, com seu marido, de uma propriedade que fica dentro do projeto de irrigação Rustlers Gorge, afirma que o povoado se transformou em um cinturão verde com a introdução da minirrede solar.

Segundo os moradores de Mashaba, até 60 elefantes parecem considerar que os campos irrigados do povoado são uma de suas principais fontes de alimento

O projeto solar de 3,2 milhões de dólares (13 milhões de reais) foi financiado pela União Europeia junto com o Fundo Mundial para o Desenvolvimento Internacional e o Meio Ambiente, da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como parte de seus esforços para fomentar o acesso universal à energia moderna em zonas rurais.

Os 400 painéis solares da rede proporcionam energia a vários projetos de irrigação, além de abastecerem a escola primária de Mashaba, um consultório local e um pequeno centro comercial com quatro lojas e um ponto de distribuição de energia, explica Shepherd Masuka, chefe de projeto da ONG de desenvolvimento Practical Action, que fiscalizou a construção do projeto.

Sithokozile Nyathi afirma que a rede permitiu que os agricultores obtenham uma renda constante com seus cultivos, em vez de depender simplesmente de chuvas cada vez menos confiáveis. “Todas as manhãs andamos mais de dois quilômetros das nossas casas até o projeto de irrigação para trabalhar o dia inteiro na lavoura”, diz. Mas lamenta que agora os agricultores tenham que trabalhar também à noite só para manter os elefantes afastados.

Procurando soluções

Os habitantes trabalham com a Autoridade para a Gestão da Fauna e dos Parques do Zimbábue (ZimParks), que vigia os animais do país, na busca por uma solução.

Kwanele Manungo, que ajuda a administrar o trabalho da autoridade no sul do Zimbábue, diz que uma equipe de guardas florestais foi enviada em julho a Mashaba para abordar o problema. Aconselharam cavar valas de um metro de profundidade ao redor dos campos de irrigação e usar uma técnica tradicional que consiste em colocar montes de esterco de vaca que queimam lentamente ao longo de seu perímetro. Manungo disse que a equipe, que passou um mês na região, “acabou indo embora porque os elefantes não voltavam”. E aconselharam aos membros da comunidade a voltarem a chamá-los se tivessem mais problemas. “No pior dos casos, abatemos um líder dos elefantes ameaçadores ou os assustamos usando rojões”, afirma.

Mas os diretores da Practical Action dizem que é preciso encontrar “soluções duradouras” para as invasões de elefantes nas lavouras irrigadas. Tinashe Farawo, porta-voz da ZimParks, diz que a organização às vezes fica sem recursos do Governo para seus programas de gestão da fauna e se vê obrigada a se autofinanciar. E confirma que, por causa disso, os agricultores que pedirem ajuda talvez precisem custear por conta própria o transporte e a alimentação dos guardas florestais.

Entre 2012 e 2018, o Zimbábue arrecadou o equivalente a mais de 11 milhões de reais com a venda de 90 elefantes para a China e Dubai, num esforço para reduzir o número desses animais e conseguir mais renda, segundo Farawo. “Acreditamos no uso sustentável de nossos recursos, e estes elefantes devem pagar por sua manutenção”, declara numa entrevista por telefone.

O Zimbábue pode abrigar 55.000 elefantes, mas atualmente há 85.000, segundo uma agência do Governo

Segundo os dados do ZimParks, o país pode abrigar 55.000 elefantes, mas atualmente há 85.000. Segundo os funcionários, o número cada vez maior desses mamíferos provavelmente seja uma das causas do aumento das invasões nas fazendas.

Farawo observa que os conflitos entre humanos e animais resultaram na morte de 200 pessoas no Zimbábue nos cinco últimos anos.

Em uma cúpula sobre os elefantes ocorrida em maio em Botsuana, os países do sul da África, cujo território inclui a zona de conservação transfronteriça do Kavango-Zambezi (que abrange partes de Botsuana, Zimbábue, Namíbia e Zâmbia), declararam abrigar a maior população de elefantes africanos. Botsuana, por sinal, revogou naquela época a proibição de caçar esses animais, justamente pelos problemas que eles causam.

As autoridades presentes na cúpula anunciaram que coordenariam seus esforços para estudar as populações de elefantes e fazer um acompanhamento. Também disseram que, à medida que o número de elefantes na região cresce, os conflitos entre os animais e pessoas aumentam, em consequência das pressões produzidas pela mudança climática e da luta cada vez mais intensa por recursos limitados.

Reportagem de Lungelo Ndhlovu; editado por Laurie Goering. Publicado originalmente em inglês pela Fundação Thomson Reuters, a seção sem fins lucrativos da Thomson Reuters dedicada a informar sobre temas humanitários, direitos das mulheres e LGTB+, tráfico de pessoas, direitos de propriedade e mudança climática.

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