O uivo das estrelas mortas

O uivo das estrelas mortas
Andre Penner AP

O mundo de hoje, como sempre desde o tempo dos primeiros feiticeiros, gira em torno da política que é quem governa os destinos do nosso hoje e do nosso amanhã. O problema não é a política, mas os políticos que a encarnam. Existem aqueles que acreditam estar vivos, mas, na realidade, são estrelas mortas que há muito perderam sua luz e sua força. Como no cosmos, também existem políticos, não importa a idade, que desapareceram há muito tempo porque se tornaram estéreis e perderam o relógio do tempo.

Se quiséssemos aqui, no Brasil, na América Latina e até na velha Europa, descrever o panorama político atual, poderíamos escolher a semelhança do que está acontecendo no cosmos, onde especialistas explicam que “o centro da nossa galáxia está cheio de estrelas jovens e velhas, buracos negros e outras variedades de cadáveres estelares, um enxame inteiro ao redor de um buraco negro supermassivo chamado Sagitário A.”

Além disso, muitas dessas estrelas, como entre os políticos, apesar de estarem mortas, poderiam “estar uivando” e se alimentando de estrelas companheiras, dizem os astrofísicos. Uivos metafóricos que assustam igualmente.

O Brasil vive, de fato, neste momento, um cataclismo estelar no qual se ouvem ecos de autoritarismo e nostalgias de ditaduras passadas que nem sequer são dissimulados. Na segunda-feira, dia 9, Carlos, um dos três filhos políticos do presidente Bolsonaro, vereador da importante Câmara Municipal do Rio de Janeiro, provocou um terremoto ao escrever nas redes: “a transformação que o Brasil quer não acontecerá pelas vias democráticas”. A alusão à necessidade de usar métodos ditatoriais era evidente. O vereador continuou escrevendo: “Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes”.

Felipe Santa Cruz, atual presidente da OAB, cujo pai é um dos desaparecidos durante a ditadura militar, declarou: “Não podemos aceitar uma família de ditadores”, e acrescentou: “A família Bolsonaro tem uma história de declarações a favor da ditadura militar de 64 a 85”. Da ditadura e da tortura, sempre exaltada por Bolsonaro.

E é verdade que a gravidade das declarações de Carlos Bolsonaro não pode ser vista como um deslize pessoal do jovem político que já era vereador aos 17 anos. O mais grave é que seu pai, o presidente do Brasil, que estava se recuperando naquele momento em um hospital em São Paulo de uma operação de hérnia e postava fotos andando pelo corredor do hospital, não teve uma única palavra de repreensão às declarações do filho, a quem chama de pit bull, seu cão de guarda. O vereador ficou famoso quando o protocolo lhe permitiu acompanhar, no banco traseiro do Rolls Royce presidencial, as duas vezes que Bolsonaro o usou junto com a esposa, Michelle, a primeira-dama: no dia do desfile da posse como presidente e dias atrás, durante o desfile solene do aniversário da Independência.

O grave é que hoje no Brasil todos sabem que quem governa não é apenas o capitão da reserva, Jair Bolsonaro, mas também seus três filhos: o senador Flavio, o deputado federal Eduardo e o dinâmico vereador, Carlos, considerado o gênio da Internet e quem organizou a campanha das eleições presidenciais nas redes sociais. Acaba de pedir afastamento como vereador para se dedicar, certamente, de novo a adestrar nas redes os seguidores mais fanáticos e fiéis que estavam diminuindo com a queda vertical na popularidade do presidente, que chegou a 29%, algo que nunca aconteceu nos primeiros oito meses de Governo com nenhum dos ex-presidentes da democracia.

Há quem defenda hoje que os poetas deveriam parar de usar palavras como estrelas, lua ou sóis em suas composições. Esquecem-se de que poucas realidades evocam, até na política, tantas imagens e tantas metáforas quanto o mistério do cosmos. Não por acaso são os cientistas que nos lembram que nós, humanos, “somos feitos do mesmo pó das estrelas”. Somos pedaços do universo.

E se o céu estelar, que tanto fascina grandes e pequenos, nunca poderá abandonar as imagens da criação poética, tampouco deveria fazê-lo o complexo e confuso mundo da política que também está povoado, por exemplo, de estrelas que já não existem embora acreditamos que estão vivas. E o pior é que mesmo mortas continuam uivando ameaçadoras e se alimentando dos vivos.

É verdade, de acordo com a ciência, que existem estrelas que fascinam com seu brilho e, no entanto, já não existem. Já estão, como acontece com muitos políticos em todos os níveis de poder, mortas, embora ainda vorazes. E esses políticos são hoje o centro do nosso pessimismo. Eles acreditam que estão vivos, querem comer o mundo, fazê-lo retroceder aos tempos dos extermínios e dos escravos, e ainda uivam nas noites das longas facas de traições e conspirações.

E se é o pessimismo da razão e do coração que nos arrasta até desprezar a nobre arte da política que sempre governou o planeta, também existe não digo o otimismo, que é uma palavra de que não gosto, mas a esperança de que, também ao contrário, existam estrelas no cosmos que já nasceram e estão vivas, embora sua luz distante ainda não tenha chegado a nós. É a esperança de que algo novo esteja vindo, sem uivos e traições, mas com cantos de paz e de diálogo, e com a vontade de criar um mundo menos desumano para que as estrelas que um dia chegarão, em vez de uivar gritos de velhas guerras, nos cantem versos de vida.

Penso que hoje aqui no Brasil, um país que vive um momento mais de uivos de estrelas mortas e ainda vorazes do que de hinos de liberdade, vejo com alegria que os vivos, de todas as vertentes, estão se reunindo em um grande abraço contra a barbárie que lhes querem impor. Vimos isso na reação maciça e nacional, especialmente dos mais jovens, contra a arbitrariedade do prefeito evangélico do Rio, Marcelo Crivella, que mandou policiais à grande festa da Bienal do Livro, visitada por milhares de crianças, para recolher um livro de literatura infanto-juvenil, de história em quadrinhos, em que dois jovens se beijam.

E estamos vendo essa reação contra os políticos estrelas mortas seguidores do violento e autoritário capitão, que gostaria de transformar o país em uma teocracia presidida pela Bíblia e não pela Constituição e em um país armado com licença para matar. Um país sem liberdade de expressão no qual ele zomba abertamente da defesa dos direitos humanos que sonharia abolir.

Justamente, as perigosas afirmações do filho de Bolsonaro insinuando que seu pai não poderá transformar este país “por vias democráticas” aconteceram quando jornalistas e intelectuais de todas as formações políticas e de todos os grandes jornais se reuniram na importante Universidade de São Paulo (USP) para reafirmar o direito à liberdade de expressão e contra qualquer tipo de censura ou ameaça à imprensa. Carla Jiménez, diretora do EL PAÍS Brasil, insistiu, por exemplo, na necessidade de que os jornalistas se tornem “uma caixa de ressonância”, já que acrescentou: “Não temos o direito de claudicar”.

O Brasil, que de repente se viu golpeado por medidas autoritárias e ilegais que pressagiam um perigo para as liberdades, começou a acordar. A responsabilidade é grande. A História nos ensinou no passado como é fácil, de escorregão em escorregão, sem capacidade de reagir, acabarmos afundados no abismo.

O NÃO às feridas contra as liberdades conquistadas democraticamente e contra a Constituição, que de laica se deseja transformar em confessional, tem de ser claro e vigoroso se não quisermos chorar amanhã, ou que o façam aqueles que nos seguirão, por nossa cumplicidade com a política vista mais como um conjunto de estrelas mortas do que como um cosmos que se move nesse maravilhoso equilíbrio cujo milagre nos surpreende quanto mais o conhecemos.

O cosmos fascina porque seu mistério e sua grandeza nos emocionam. Nada nele, dizem os astrofísicos, é banal. Transpondo para o nosso mundo político, poderíamos dizer que aqui estamos nos antípodas dessa grandeza. Hoje, nela, como o filósofo Alain Deneault acaba de denunciar, o que prima é a “mediocracia” e “o que realmente importa não é evitar a estupidez, mas adorná-la com a aparência de poder”. São as alucinações das estrelas mortas que ainda se permitem nos assustar com seus uivos.

“Acontecimentos, Marina Lima: Tudo que se quer e se espera de uma canção: melodia envolvente da música, poesia refinada na letra, e interpretação mais que perfeita de uma cantora extraordinária. Tudo de bom e de melhor para começar a quinta-feira de setembro no BP.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Ministério Público apura origem de 1,3 milhão depositados em conta de Miranda, que denuncia retaliação e nega qualquer ilegalidade

O deputado federal David Miranda.
O deputado federal David Miranda.Michel Jesus (Câmara dos Deputados)

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro investiga a entrada de 1,3 milhão de reais e a saída de 1,2 milhão de uma conta bancária do deputado federal David Miranda (PSOL). O procedimento foi aberto com base em um relatório do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), enviado à Promotoria do Rio, que considerou “atípica” a movimentação desses valores entre 2 de abril de 2018 e 28 de março de 2019. Os detalhes do caso foram revelados pelo jornal O GLOBO nesta quarta-feira.

O relatório do COAF foi enviado ao Ministério Público do Estado do Rio dois dias depois que o site The Intercept, fundado pelo jornalista Glenn Greenwald, marido de Miranda, começou a publicar notícias com base em conversas vazadas de autoridades da Operação Lava Jato. O EL PAÍS se juntou a outros veículos na publicação dessas mensagens, que colocaram em xeque alguns procedimentos da megainvestigação contra a corrupção.

Miranda disse em entrevista à TV Globo que a investigação é uma tentativa de retaliação às reportagens do The Intercept. Em nota, ele afirmou que aguarda a “citação da Justiça para explicar detalhadamente meus rendimentos”. “Isso é uma retaliação óbvia sobre o trabalho que o Intercept e o meu marido, Glenn Greenwald, têm feito, porque essa investigação começa dois dias depois que o Glenn começa a fazer as publicações”, afirmou.

Essa movimentação de dinheiro na conta de Miranda é investigada pela promotora Gláucia Santana em esfera cível e administrativa. Ela pediu ao juiz Marcelo da Silva, da 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, que fosse decretada a quebra do sigilo bancário e fiscal do deputado, mas o magistrado recusou o pedido.

Quatro assessores e ex-assessores de Miranda também tiveram a quebra de sigilo solicitada pela promotora, porque foram identificados depósitos deles na conta de Miranda, de acordo com O GLOBO. O jornal menciona ainda que o relatório identificou uma série de depósitos em espécie de  2,5 mil a 5.000 reais na conta do deputado.

Já havia sido noticiado que a Promotoria havia aberto uma investigação supostamente para averiguar se o deputado, que foi vereador do Rio entre janeiro de 2017 e fevereiro de 2019, praticou esquema conhecido como “rachadinha”, no qual assessores devolvem parte de seus salários a parlamentares. O juiz também rejeitou o pedido de dados bancários e fiscais de assessores e ex-assessores, ao menos até que o deputado, os assessores e ex-assessores tenham a chance de fazer esclarecimentos à Promotoria.

O deputado negou a existência de qualquer ilegalidade na movimentação financeira pincelada pelo COAF. Ele também negou que assessores tenham devolvido parte do salário para ele e explicou que os depósitos fracionados em sua conta foram feitos por um funcionário que trabalhava em sua residência como office boy. “Ele era um funcionário meu, de carteira assinada, que trabalhava para mim na minha residência como office boy. Então ele fazia a retirada dessa conta nos Estados Unidos e depositava na minha conta no Brasil aqui, para eu poder pagar minhas contas, porque eu não podia fazer a transferência”, afirmou.

Miranda diz que a entrada de 1,3 milhão de reais em sua conta bancária se trata de “quantia totalmente compatível com a renda de nossa família”. “Desde o início da Vaza Jato, esperávamos este nível de retaliação e desinformação deliberada”, acrescentou.

O parlamentar argumentou também que, além de sua renda de parlamentar, possui sociedade com Greenwald em uma empresa sediada nos Estados Unidos. “O salário anual do Glenn — como cofundador e jornalista investigativo do portal The Intercept e do Intercept Brasil — é informação pública, porque essas empresas são ONGs. Qualquer jornalista pode compará-lo com os valores reportados pelo COAF para constatar a compatibilidade óbvia. Além disso, seus projetos — dos quais participei como parceiro — incluem livros que figuram nas listas dos mais vendidos do mundo, filmes e palestras”, afirmou.

Glenn Greenwald também se manifestou em um vídeo no YouTube sobre o caso. “David não recebeu nenhum centavo de funcionário de gabinete dele. Não tem evidência nenhuma de que ele fez nada errado”, afirmou.

Procurados, a promotora Gláucia Santana e o Ministério Público do estado do Rio não quiseram se manifestar.

 

No  Jornal do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro foi submetido à introdução de uma sonda nasogástrica para passagem de nutrientes por vias endovenosas durante seu pós-operatório, informou o boletim médico do hospital Vila Nova Star nesta quarta-feira.

Operado no domingo em São Paulo para correção de uma hérnia, Bolsonaro apresentou “lentificação dos movimentos intestinais e distensão abdominal”, segundo os médicos responsáveis, embora os exames encontrem-se estáveis.

“A reintrodução da alimentação por via oral será avaliada diariamente e ocorrera no momento oportuno”, informou o boletim, acrescentando que o presidente segue realizando fisioterapia motora. Bolsonaro permanece afebril, sem dor ou disfunções orgânicas. Por ordem médica, as visitas se mantêm restritas.

Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente, de 64 anos, foi operado no domingo para correção de uma hérnia incisional no abdômen, em um procedimento considerado bem-sucedido pelos médicos, mas que durou mais do que o previsto pelo fato de o intestino ter novamente aderido na parede abdominal.

A cirurgia foi a quarta que Bolsonaro precisou fazer na região abdominal em função de uma facada que levou em setembro de 2018, durante evento da campanha eleitoral na cidade mineira de Juiz de Fora. (Débora Moreira/Reuters)

set
12
Posted on 12-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-09-2019
DO G1/GLOBO

Por Laís Lis, Gustavo Garcia e Elisa Clavery, G1 e TV Globo — Brasília

Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta quarta-feira (11) — Foto: Roque de Sá/Agência Senado Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta quarta-feira (11) — Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta quarta-feira (11) — Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O Senado aprovou nesta quarta-feira (11) um projeto que altera a Lei Geral de Telecomunicações, de 1997. A proposta segue para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Mais cedo, nesta quarta, o texto foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado e seguiu para o plenário. Como os parlamentares aprovaram regime de urgência, o texto foi votado na sequência.

A proposta chegou ao Senado em 2016, após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto, porém, não foi analisado pelos senadores desde então porque não havia acordo sobre a redação a ser aprovada.

Entre outros pontos, o projeto permite às concessionárias de telefonia fixa a mudança de contrato de concessão para autorização, estabelecendo o mesmo tipo de contrato na prestação de telefonia celular.

Na prática, com a mudança de contrato, as empresas deixarão de ter obrigações previstas no regime de concessões, como investimentos em telefones públicos, os “orelhões”.

As empresas argumentam que esses investimentos podem ser direcionados para a instalação de fibra ótica, aumentando a oferta de internet de alta velocidade, por exemplo.

Contratos

As empresas com contratos de concessão atualmente são Oi, Telefônica, Embratel, Sercomtel e Algar. Os contratos têm vigência até 2025. O projeto aprovado é considerado essencial para a Oi, atualmente em processo de recuperação judicial.

Para converter os contratos, as empresas se comprometerão a fazer investimentos em internet banda larga em regiões sem interesse econômico, como pequenas cidades do interior do país.

De acordo com o projeto:

  • o valor a ser investido será calculado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel);
  • o cálculo levará em conta o valor dos bens reversíveis – patrimônio das concessionárias, mas que teriam de ser devolvidos para a União ao final da concessão;
  • também deverá considerar a economia com obrigações antes previstas no regime de concessão, como a instalação de orelhões.

Relatora da proposta, a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) afirmou que não há estimativa sobre qual valor as empresas terão de investir.

Segundo ela, esse cálculo será feito pela Anatel, como previsto no projeto de lei. “Existe o cálculo superestimado, de R$ 100 bilhões, o subestimado, de R$ 18 bilhões. A Anatel fará esse cálculo”, disse.

Outros pontos do projeto

O projeto aprovado pelo Senado também prevê:

  • as empresas do setor poderão comercializar entre si as radiofrequências usadas no serviço de telefonia (a transferência dependerá do aval da Anatel);
  • ficará autorizada a prorrogação ilimitada do direito de uso de radiofrequência (as sucessivas prorrogações ocorrerão por períodos de até 20 anos, com isso, as empresas de telefonia não terão que disputar novamente essas frequências quando o prazo de autorização vencer);
  • as emissoras de rádio e televisão ficam desobrigadas de contribuir para o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.

Discussão

Durante a sessão desta quarta-feira, a relatora Daniella Ribeiro se manifestou favoravelmente ao projeto. Disse que, com a aprovação, o Congresso garantirá ao país um “novo tempo”.

“Passaremos a dar ao país um novo tempo, que é um tempo de atualização de uma lei com mais de 20 anos atraso, mais atraso porque ela foi feita na lógica da telefonia fixa, na lógica dos orelhões”, disse.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) declarou abstenção e defendeu “cuidado” na hora de os parlamentares votarem. “O Brasil tem uma triste tradição patrimonialista, em que o público e o privado se confundem, em que vias de regra o serviço privado se aproveita das concessões públicas. Isso me leva, por dever de ofício, por dever de obrigação, a sempre ter a cautela necessária na tramitação de todo tema que tiver aqui nesta Casa que se refira a concessão ou principalmente mudança de concessão para a modalidade de autorização de bens públicos entregues a uma empresa privada”, afirmou.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), por sua vez, se manifestou a favor da proposta. “As grandes empresas vão poder com toda a segurança jurídica aportar os seus investimentos para levar sem dúvida alguma a internet, o wi-fi, a rede de alta velocidade em especial para regiões como o Nordeste”, disse.

set
12
Posted on 12-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-09-2019



 

Paixão , no jornal

 

Do Jornal do Brasil

 

 Relatório federal enviado ao Ministério Público do Rio de Janeiro indica movimentação atípica de R$ 2,5 milhões na conta bancária do deputado federal David Miranda (PSOL), no período de 2 de abril de 2018 a 28 de março de 2019.

Macaque in the trees
Deputado federal David Miranda (Foto: Reprodução do Facebook do parlamentar)

A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo. 

O relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) foi encaminhado ao Ministério Público no dia 11 de junho, dois dias depois que o site The Intercept Brasil passou a divulgar mensagens de autoridades da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.

David Miranda é casado com o jornalista Glenn Greenwald, fundador do The Intercept Brasil. Já o Coaf atualmente é vinculado ao Banco Central -à época do relatório, o órgão já não estava mais sob a guarda do Ministério da Justiça, sob o comando do ex-juiz Sergio Moro, que aparece nas mensagens da Lava Jato.

As movimentações atípicas, por si só, não configuram crime -apenas se a origem do dinheiro for ilícita.

A partir do relatório, o Ministério Público pediu à Justiça no fim de agosto a quebra dos sigilos bancário e fiscal de David Miranda e de quatro assessores parlamentares dele: Reginaldo da Silva, Camila Menezes, Nagela Dantas e Silvia Mundstock.

Na semana passada, porém, o juiz Marcelo Martins Evaristo da Silva, da 16ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro, negou o pedido e decidiu que o deputado e os assessores devem ser primeiramente ouvidos em juízo.

O magistrado afirmou que a quebra de sigilo deve ser autorizada apenas em circunstâncias excepcionais por causar impacto negativo na imagem do investigado. 

O relatório do Coaf mostra que a conta do deputado recebeu R$ 1,3 milhão de abril de 2018 a março de 2019 e que as saídas somaram quase o mesmo valor, R$ 1,29 milhão. Desse total de R$ 1,3 milhão recebido, R$ 692,9 mil são oriundos de depósitos, enquanto R$ 346,6 mil são produto de resgate e R$ 216, 3 mil de transferência. 

O órgão chamou a atenção para o fracionamento de depósitos em espécie, sem origem identificada. A grande maioria foi efetuada nos valores de R$ 2.500 e R$ 5.000, inclusive em mesmas datas. Segundo o Coaf, essa pode ser uma tentativa de burlar o controle.

O órgão também destaca repasses de funcionários do gabinete ao deputado, o que pode reforçar a suspeita da prática de “rachadinha” (devolução de parte dos salários ao parlamentar). Reginaldo da Silva, seu assessor desde abril de 2017, fez dois depósitos para David Miranda, totalizando R$ 52.500.

O Ministério Público e o Coaf alertaram, ainda, para a evolução patrimonial do parlamentar. Nas eleições de 2016, quando foi eleito vereador no Rio de Janeiro, David Miranda declarou um patrimônio de R$ 74.825. Na eleição passada, em 2018, ele declarou possuir R$ 353,4 mil, a maior parte em aplicações financeiras e um veículo.

OUTRO LADO

Procurada, a assessoria de imprensa do deputado David Miranda disse que ainda divulgará um posicionamento sobre o assunto. Ao O Globo o parlamentar afirmou, por meio de sua equipe, que sua fonte de renda vai além dos R$ 33,7 mil que recebe como deputado.

Ele disse ainda ao jornal que os depósitos fracionados têm como origem uma empresa de turismo na qual é sócio com seu marido, o jornalista Gleen Greenwald. 

Na semana passada, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Greenwald foi questionado sobre a investigação em torno de seu marido e negou qualquer irregularidade. O jornalista afirmou que seu marido está sendo retaliado pelas reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil.

“Estamos totalmente tranquilos, porque é uma mentira, não tem evidência nenhuma, é exatamente esse jogo sujo que eles fazem, e não vamos parar por causa disso”, disse.

As mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas até este momento pelo site e por outros órgãos de imprensa, como a Folha de S.Paulo, expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato e colocaram em dúvida a imparcialidade como juiz do atual ministro da Justiça no julgamento dos processos da operação.

Quando as primeiras mensagens vieram à tona, em 9 de junho, o Intercept informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, no aplicativo Telegram, a partir de 2015. (Ana Luiza Albuquerque, Catia Seabra e Diego Garcia/FolhaPress SNG)

David Miranda quase quintuplicou patrimônio em 2 anos, diz Coaf

 

Reportagem da Folha traz mais detalhes sobre as movimentações atípicas detectadas pelo Coaf na conta bancária do deputado psolista David Miranda.

Além das suspeitas de “rachid”,  já citadas pela Crusoé, a conta do marido de Glenn Greenwald recebeu R$ 1,3 milhão de abril de 2018 a março de 2019, segundo o Coaf. As saídas somaram quase o mesmo valor, R$ 1,29 milhão.

O órgão também chamou a atenção para o fracionamento de depósitos em espécie, sem origem identificada. “A grande maioria foi efetuada nos valores de R$ 2.500 e R$ 5.000, inclusive em mesmas datas”, escreve a Folha.

E tanto o MP como o Coaf alertaram para a evolução patrimonial de Miranda.

Em 2016, quando foi eleito vereador no Rio, ele declarou um patrimônio de R$ 74.825. Já na eleição de 2018, o marido de Greenwald declarou possuir R$ 353,4 mil –quase cinco vezes o patrimônio de dois anos antes.

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